Part XXI: Eve.

"Quando um ser não muda sua conduta, é necessário assustá-lo ou surpreendê-lo para que ele entenda seus erros..." (Viviane Oliveira)

Madrugada do dia do Festival. Já passava da uma da manhã e cada um estava em seu respectivo quarto do hotel, um vizinho do outro, mas nenhum dos dois dormia como o previsto e como o prometido antes da viagem. Enquanto ela, já trajando uma camisola de tom vermelho que ia até quase os joelhos, lia os jornais culturais dos últimos dias sobre o festival e os participantes, perto da janela, ele já estava deitado na cama há algum tempo, no mais profundo silêncio, ainda vestido com trajes seus comuns, sendo uma calça social preta e uma camisa branca com parte dos botões superiores abertos, pensando, planejando, desejando colocar em prática o que pensava.

O tempo todo era concentrado nela. Tinha quase certeza de que ainda estava acordada, procurando qualquer coisa que pudesse prepará-la melhor para o festival. Provavelmente teria lido sobre os últimos vencedores, os quais não participariam este ano devido a um acidente envolvendo a acrobata, e ficado mais tranqüila quanto à concorrência ter diminuído, mas mais preocupada com relação à ocorrência estranha e freqüente de acidentes com alguns competidores da temporada, que mais soavam como planejados do que simplesmente acidentes. Ele, pelo contrário, estava preocupado e tranqüilo exatamente com o oposto. Enquanto estava tranqüilo com relação aos acidentes, continuava preocupado com a concorrência, em particular, com a dupla que espiara no mesmo dia enquanto a mesma treinava. Tinha que ter certeza de que venceria. Precisava disso. Precisava ter a certeza de que ela estaria pronta, de que poderia representar e ter o sonho do mundo de estar no topo na palma das mãos...

Levantou-se da cama, cortando os próprios pensamentos e, no escuro, retirou um item que havia deixado na mesa perto da porta para aquela ocasião previamente concebida em sua mente, com todos os prós e contras. Saiu do quarto com certa calma, apesar dos pensamentos que, voltados para apenas uma coisa, deixavam-no nervoso. Caminhou em direção ao quarto dela, batendo apenas duas vezes na sua porta, e esperou-a responder.

Sua primeira certeza estava certa: ela estava acordada. Quando ouviu a porta, ela estranhou, mas logo juntou os jornais e os deixou no mesmo canto de antes, levantando-se para pegar o roupão, que também era vermelho para fazer par com a camisola e ia até os pés, vestindo-o e abrindo a porta com cuidado, já que não havia nenhuma espécie de olho mágico na mesma. Ao vê-lo, surpreendeu-se um tanto, por tê-lo ali aquela hora, e também por estar na mesma situação que ela, não conseguindo dormir. Afinal, sabia que estava nervoso, mas não tanto a ponto de também não conseguir dormir. Seu quarto também estava escuro, para que o fato de ler as notícias apenas com a luz vinda de fora a fizesse ter sono, então não se preocupou tanto em se mostrar vestida daquela forma a ele, já que não dava para perceber nada de muito ousado com o que vestia, mesmo porque, o decote havia sido coberto pelo roupão, então, o fato de estar de camisola era o de menos.

Ao invés de perguntar, ele apenas deu um sinal com o rosto, querendo dizer que gostaria de entrar. Fitava-a de um modo diferente, algo que ela não havia visto antes, nem mesmo no rosto de outras pessoas. Algo entre frio, perturbado e ansioso, que fez seu coração acelerar sem motivo, mas ainda sim permitiu que ele entrasse. Assim que ele o fez, fechou a porta com cuidado e em silêncio, para enfim poder perguntar.

- O que ac.. - Não lhe deu tempo de iniciar uma conversa. Quando percebeu, ele havia lhe empurrado de forma rápida, mas não rude, contra a parede e apoiado-se nela para que seus reflexos não o empurrassem, erguendo-a pela cintura e dado-lhe um beijo tão intenso que foi impossível afastar-se. Segurou-o nos braços, arregalando os olhos quando finalmente sentiu os lábios cruzados uns aos outros, somente conseguindo dizer algo quando ele se afastou. Ofegante e por certo assustada, fitava-o confusa e com ainda mais receio daquele olhar - O que... está fazendo..?

- Estou fazendo algo que já deveria ter feito faz tempo... - o sussurro fora-lhe respondido ainda perto de seus lábios, de forma ainda mais intensa e baixa, o que acabou por arrepiá-la. Estava com medo, mas ao mesmo tempo não sabia o que acontecia consigo. Ser pega de surpresa daquela forma nunca foi um sonho a ser consumado, muito menos daquela forma, naquela situação, e estava tão tensa que a melhor coisa a se fazer seria afastá-lo a berros, assim como quase aconteceu da última vez que ele avançou sobre ela. Mas, antes que pudesse voltar a pensar perfeitamente, ele a respondeu antes, também com gestos, envolvendo-a pela cintura e apoiando as pernas dela, agora descobertas, já que o roupão havia escorregado para trás, contra as dele. - Me deixe libertar o que prendeu dentro de si, Layla...

Nem nos melhores treinos que tiveram, ela o havia visto daquela forma. Mal havia murmurado um "não", da forma mais hesitante possível, e ele respondeu em mais investidas, as quais fizeram-na soltar o ar de uma vez e de forma forte. Prensou-a um pouco mais contra a parede perto da porta, mas de forma suave. Se estivesse exagerando a ponto de machucá-la saberia, mas também, graças a tais investidas, sabia o que ela desejava, só não queria demonstrar. Obteve a prova do que pensava assim que apoiou uma das mãos sobre sua coxa direita e a mesma subiu leve e automaticamente para que ele pudesse segurá-la. Percorreu toda a extensão do lado esquerdo de seu pescoço com a própria respiração, sentindo aquele perfume doce e único que ela sempre usava e despertando ainda mais o que ele havia guardado dentro de si, desde que se envolveu com ela. O segundo beijo da noite já era mais liberto e mais lento, apesar do ainda resquício de reluta que ela tinha para impedí-lo de continuar. Se não fosse parecer tão cruel, ele teria sorrido perante o modo como ela se mostrava, mas ao invés disso, apenas soltou-a um pouco, para que não parecesse estar fazendo aquilo à força. Não queria assustá-la, afinal.

- Me deixe... Transformá-la... Em Julieta... - sussurrou entre os leves beijos que dava em seus lábios, provocando-a, enquanto a mesma mão que lhe segurara na coxa, subia lentamente e sentia os arrepios que ela produzia. Ao mesmo tempo em que ela tinha todo o poder de escolha do mundo, sentia não ter. Ele ter dito aquilo só podia significar que sabia o que estava fazendo, mas ainda sim... Será que ele sabia que era a primeira vez que lhe tocavam de tal forma?

A resposta não precisou vir de imediato. Ao mesmo tempo em que sentia cada gota de intensidade derramada naquele momento, ele agia com total carinho e nenhuma força. Acabara por ser óbvia demais para que ele percebesse que nunca havia feito aquilo, o que acabou tornando o seu toque ainda mais terno e lento. Ele a ergueu pelas pernas, enquanto os lábios entrelaçavam-se mais uma vez, de forma sincronizada e em perfeito encaixe, como se um tivesse sido feito ao outro, e caminhou calmamente em direção da cama.

Ao tê-la nos seus braços, notou o tamanho nervosismo e tensão em que ela se mostrava. Era, afinal, uma época tensa para ambos, então o que mais desejava era relaxá-la, pelo menos aquela noite. Deitou-a e deitou-se sobre ela em seguida, espalhando os longos cabelos loiros com a ajuda dos dedos pela cama, fitando cada centímetro de seu rosto, como se desejasse guardá-lo na memória daquela forma, delicado e nervoso ao mesmo tempo. Por certo, ainda desacreditava que ela havia-lhe aceitado, então, se por algum acaso o destino resolvesse separá-los, então faria daquela noite um momento inesquecível. Para ambos.

Logo, os novos beijos iniciaram-se, primeiro em seus lábios, depois passariam a percorrê-la, e a cada pausa de um leve beijo, um pequeno estalo dos lábios dele conta o corpo dela. Apesar de estar parcialmente escuro, ele podia vê-la corando por conta de tais sensações, as quais jamais se permitiu sentir. Ele agia de forma tão prazerosa que a deixou capaz de respirar mais fundo e fechar os olhos, bem no momento em que os beijos passavam por seu colo e começavam a beijá-la sobre a camisola, fazendo com que os pequenos estalos cessassem; ao mesmo tempo, as mãos dele abriam o restante do roupão com a mesma calma, e subiam até seus ombros para retirá-lo de forma sutil e lenta, unindo o retirar da peça de roupa com leves apertos nos ombros, como se fossem massagens, para arrancar-lhe mais suspiros e arrepios. De fato, adorava ouvi-la daquela forma, diferente das ofegações enquanto nos treinos, ou enquanto irritada - o que viesse primeiro.

Assim que o último pedaço da manga curta do roupão passou por suas mãos e se desprendeu de seu corpo, ele segurou com leveza seus pulsos e trouxe suas mãos para ele, para que ela também o tocasse. Sorria ao vê-la hesitar novamente, instigando-a a abrir os últimos botões de sua camisa e ajudando-a, já que estava difícil para ela fazer sozinha. Ainda mais corada, segurava um pouco mais o ar, também não acreditando no que acontecia. Suas mãos tocavam-lhe com tanta liberdade quanto tocava o próprio corpo quando precisava escorrer a água e o sabão durante o banho. Seu peitoril também estava quente, assim como ela, apenas com a diferença de que ele não se importava em mostrar. Novamente, ele se inclinava para beijá-la, ao mesmo tempo que as 4 mãos retiravam a sua camisa, as dele com mais calma, as dela como ajudantes, perfeitas ajudantes por sinal, que jogavam a camisa para o chão ao lado da cama. Ambos sentiam seus corpos vibrarem e aos poucos uma chama parecia surgir, envolvendo ambos naquele calor ainda não experimentado por nenhum dos dois. Ele era o primeiro homem de sua vida e ela era a primeira que mostrava tanta paixão, tanto ardor em um espaço tão curto de tempo. Os lábios dele tomavam os dela com uma intensidade tamanha, que se alguém pudesse observar tal cena, teria certeza de que seria o último encontro de ambos por muito tempo, talvez para sempre, mas ainda sim o melhor.

Com maior liberdade, ela erguia as mãos e tocava-lhe no rosto e nos cabelos, imitando o que ele fazia com ela e envolvendo-o em um carinho tão delicado que só permitia que aquele amor engrandecesse. Um amor que começou tão diminuto, tão assustado, crescia em ambos e tinha extrema vontade de se mostrar naquele momento. Ele então, puxava a alça de sua camisola aos poucos, da mesma forma que havia feito com o roupão outrora, acabando por revelar parte do seu corpo, tão belo que chegou a causar-lhe arrepios, ainda mais porque ela só havia retirado a mão de sua nuca para que as alças das vestes corressem, e então as colocara no lugar novamente.

Não encarou, no entanto, seu corpo diretamente para não constrangê-la. Pelo contrário, entrou com os braços entre suas costas e o colchão e apoiou-a com as mãos espalmadas, para poder encostar-se nela e voltar a beijá-la. Ela sentia-se fervendo por dentro com o alvoroço que a língua dele causava dentro de si. O ar perdia-se aos poucos sem sequer notar, assim como as pernas, antes bambas, começavam a se contrair e a se flexionar em volta do corpo dele. As mãos do loiro, por outro lado, ao invés de manterem-se paradas, percorriam todas as suas costas enquanto mantinha o beijo, notando cada curva, cada pequena cova, cada detalhe da maciez que pouco havia sentido apenas trabalhando ao lado dela e mesmo quando apenas a beijava. O suor que ambos começavam a produzir acabava por melhorar as sensações, permitindo que tanto ele quanto ela pudessem se tocar com menos atrito e mais sensibilidade, o que causava ainda mais prazer.

O som do beijo estalado que afastou ambos levemente abafou o ar que ela puxou em seguida. Ela abriu os olhos para fitá-lo, não mais com tanto receio, mas ainda em dúvida, por não saber como agir ou o que falar, por conta de tantos sentimentos que passavam por si. Gostava dele, isso já sabia, mas amor? Sim, amor. Com certeza era aquela sensação de achar que o mundo acabaria nos braços dele e que tudo ficaria bem. Lembrou-se, afinal, de Romeu e Julieta, e definitivamente aquele parecia o último momento de ambos, antes do dia decisivo de suas vidas.
Foi então que, ao invés de voltar a beijá-la, ela o fez, ela investiu, ela adentrou em seus lábios. Despertava mais uma onda de chamas, mostrando-se com tamanha ardência, que sequer ele esperava por aquilo. Já sabia que era ardente, mas aquilo não deixou de impressioná-lo e aumentar mais o seu desejo por ela. Não pelo beijo em si, mas por como ela o fazia - e tão bem. Sua reação foi abraçá-la mais forte, foi tomá-la em seus braços e apertar-lhe levemente nas costas, arrancando-lhe um gemido repentino, o que o fez fitá-la. Ambos sorriram, não tinha por que não fazê-lo. A sensação de êxtase sendo preenchido um pelo outro era uma das sensações mais maravilhosas que poderiam sentir na vida e o desejo de um pelo outro apenas completava aquela noite, aquela semana, aquele trecho de suas vidas tão eufórico e assustador.

O novo passo que ele deu, mais rápido e ousado, foi repentinamente ter suas mãos sobre as alças de sua lingerie. O beijo foi parado, mas ele não se afastou. Segurou os lábios pressionados contra os dela, enquanto lentamente descia as duas alças por suas coxas e a sentia abafar um novo suspiro, longo suspiro que terminou quando o resto de sua roupa já estava no chão junto das outras. As largas mãos passavam por seu ventre e por uma de suas coxas, enquanto o beijo novamente se encaixava de modo perfeito e os lábios e línguas moviam-se incansavelmente para acompanharem uns aos outros. Os lábios dela, graças aos novos toques, chegavam a estremecer e a se descolarem dele por breves momentos, para poder puxar o ar.

Não pensavam em mais nada. O desejo havia se aprofundado de forma tão perigosa que sequer pensavam mais no festival. Isso porque tentaram realizar essa proeza diversas e diversas vezes ao longo da semana, mas sequer uma vírgula saíra do lugar em suas mentes, enquanto, naquele momento, nada além de ótimas sensações passavam pelos seus corpos.

As carícias que ele fazia nela eram leves, mas surtiam grande efeito. Não havia uma só parte dela que não estava arrepiada ou que não se mostrava ansiosa naquele momento. Quando o fitou novamente, foi como se ele soubesse que estava autorizado a fazer com que ambos atingissem o auge que tanto necessitavam. Com o movimento das pernas dele, indicando o que se preparava para fazer, ela corava mais e tudo o que se podia ouvir era o som do zíper misturado ao som das respirações ofegantes de ambos. Do bolso da calça, tirou o tal item que pegara antes de sair do quarto: um preservativo, que quando mostrado, rendeu a ela um doce sorriso, como forma de agradecimento pelo respeito e pelo modo de como a tratava. Aquele simples gesto fraquejou parcialmente as pernas dela novamente, em sinal de alívio por ele ter pensado em algo que mesmo ela não havia tido tempo e oportunidade em fazê-lo.

Os olhos cruzaram-se novamente antes da próxima série de beijos, desta vez mais lentos para que pudessem relaxar. Sua mão direita encaixava-se no rosto dela com extrema calma, entrelaçando os dedos novamente nas raízes de seus cabelos loiros, enquanto a mão esquerda percorria toda a extensão de seu corpo, até chegar à coxa direita e erguê-la, sem muito esforço, levando-a até seu próprio ombro. Já inclinado, afastou minimamente o rosto para poder fitá-la, sussurrando um mínimo "posso?", junto a um sorriso, para ter certeza de que não iria muito rápido. Ganhando tal sorriso de volta da parte dela, não havia por que temer em continuar os atos até o fim.

Tal troca de olhares não durou mais do que alguns segundos, visto que ambos contraíram o rosto, ela mais, ele menos, e fecharam os olhos por aquela união. Sentira uma dor média e estranha, por logo passar, mas que arrancou-lhe novos suspiros e secou sua garganta, mais do que já estava. Ao abrirem os olhos, novamente sorriram fraco. Ainda sim, em sussurros, perguntava se ela estava bem, ao notar que a respiração ofegante havia cessado por severos segundos quando encaixou-se nela por inteiro. Apenas quando a sentiu voltando a respirar, iniciou lentos movimentos com o quadril para que não a machucasse, mantendo uma mão acariciando a perna erguida e a outra em seus cabelos, enquanto o polegar retirava os poucos fios de cabelos grudados no rosto dela, por conta do suor.

Nenhum dos dois gemia efetivamente. O ar apenas tornava-se pesado ao ser solto por ele, enquanto o dela era mais fino e levemente sonoro, também no momento de ser solto. À medida em que os segundos passavam, os pensamentos de ambos se extinguiam de tudo ao seus arredores, enquanto voltavam-se apenas para o ato em si e para o que sentiam ao fazê-lo. Sentindo mais prazer do que dor, as mãos dela voltavam a enlaçá-lo, chegando a erguer-se um pouco da cama para que pudesse aproximar os corpos. Os lábios dele direcionavam-se ao seu pescoço e novamente arrancava-lhe suspiros fortes, que quase chegavam a gemidos. Tendo sido abraçado, ele a abraçava forte e a trazia junto consigo, deixando ambos sentados na cama, ela por cima dele, entrelaçando as pernas por trás, ele por baixo dela, envolvendo-a com os braços nas costas. Ofegavam muito, mas sorriam um para o outro, iniciando uma nova série de movimentos e beijos, cada vez mais intensos e libertos, à medida em que ela ia relaxando mais, até entregar-se por completo. Não sentia mais dores, ou receio, ou medo. Ele havia se transformado à medida em que ela o aceitava, o que a fazia pensar se não era simplesmente isso que faltava entre ambos, desde o começo. Sentir-se amada, afinal, era o melhor sentimento do mundo e ele sabia compartilhar esse sentimento com ela muito bem. Ele havia conseguido transformá-la em Julieta, afinal. Não só isso, ela também passou a considerá-lo um perfeito Romeu.

A expressão angelical que ambos se mostraram quando atingiram o clímax da noite foi um presente para marcar aquela época. Ganhara tanta certeza de que venceriam todos os obstáculos juntos, assim como venceram as barreiras que os impediam de amar, que não conseguia esconder o sorriso para ele. Ficara tão relaxada em seus braços, quando ele a deitou e se desencaixou dela para que pudessem se cobrir e descansar lado a lado, que o mínimo carinho nos cabelos a fez cair no sono, assim como ele, mesmo que o sono dele fosse mais leve, aparentando mais um cochilo do que algo que lhe pudesse conceder sonhos no seu inconsciente.

O Festival seria no fim da tarde daquele dia, mas a preocupação fugira por um longo momento de seus rostos naquela manhã. Quando ela despertou, ele já estava acordado, com o cotovelo direito apoiado na cama e a mão do mesmo lado apoiada no rosto, para assim poder observá-la descansar e, com a mão livre, acariciá-la nos cabelos. Novamente, sorriam de leve um para o outro e, em meio ao silêncio, ambos despertavam aos poucos, apesar de manterem-se deitados e parcialmente cobertos.

Sentiam ter todo o tempo do mundo, apesar de tudo que teriam de enfrentar mais tarde. Sentiam poder, afinal, pertencer um ao outro, independente das próximas barreiras que teriam de enfrentar. Não estava nos planos dele nem nos dela amar, mas amavam. Amavam e gostavam muito de tal sensação. Tanto que demorou para iniciar uma nova conversa e, quando ele o fez, foi em tom baixo, em quase sussurros, como se não desejasse quebrar o doce clima que havia pairado sobre os dois durante toda aquela noite e o início daquele dia.

- Espero que tenha dormido bem e que agora se sinta preparada... - disse, observando-a daquela forma angelical, imaginando quanto tempo aquela expressão duraria em seu rosto.

- Sim e... Talvez. - respondeu no mesmo tom baixo, mantendo o pequeno sorriso e fechando novamente os olhos quando recebeu o leve e demorado beijo na testa. O local onde ele fazia carinho, entre seu rosto e sua cabeça, com a mão encaixada de forma que apoiasse seu rosto na mesma, estava quente e aconchegado, e acabava por fazê-la dormir novamente. Mas, em meio àquele estado entre sonhos e realidade, ouviu mais de seus sussurros, os quais com certeza fariam-na pensar quando despertasse, por conta de sua intensidade na voz e do grau de importância que ela provavelmente daria a tais palavras, vindo de quem vinha, na situação em que se encontravam. Era, afinal, um ótimo meio de se cair no sono, enquanto pensava na força em que tal lembrança poderia ter para ela enquanto atuasse, algo que jamais havia pensado ser possível, por ter sempre dependido apenas de sua própria determinação e sua própria força de vontade. Agora, era a força de ambos, que juntos conquistariam um prêmio que marcaria tal época mais do que qualquer outra coisa, dando início a uma nova e perfeita era: a deles.

"Quando estivermos no palco e olhar para mim, lembre-se do que sente agora...
Faça com que esses sentimentos voltem ao seu rosto...
Mostre-os ao mundo, sem medo...
Desta forma, e apenas desta forma, você será capaz de se tornar, finalmente...
...
Juliet...
... e então, o mundo todo saberá quem você é...
Qual o seu brilho...
E por que você está aqui."

"Where in the world were you looking at when you jumped?
There is no Juliet who is not always gazing at her Romeo.
That is why you are not Juliet"

(Yuri in episode 2 - Season 1)


Nota da autora: Como eu disse, esse capítulo foi o mais perfeito de se escrever. Eu demorei tanto para ter certeza de que estava tudo perfeito que agora, quando fui copiá-lo do Word para cá, não mudei uma palavrinha sequer. É assim que eu imaginei, é assim que eu emocionei quem já leu esse capítulo antes dos readers daqui. Espero ter conseguido o mesmo com vocês.

Esse capítulo é dedicado a alguém muito especial... Que por anos me atura, me mima, me ama tanto quanto eu a amo e cuido dela. Alguém que merece tudo de bom que esse mundo tem a oferecer. Alguém que me faz acreditar nos meus sonhos e me faz seguir em frente. Minha onee-chan (irmã mais velha), minha tsuru, meu anjo da guarda, Luiza Boragina.

Ainda que as coisas estejam diferentes agora, o carinho e amor continuam cada vez mais fortes. E não há dúvidas de que será assim, eternamente. Arigatou por tudo, onee-chan! Te amo demais.