VINTE E UM
Depois que tudo já estava calmo e de Wesley e Data terem concertado o visor danificado, descobriu-se que Catan conseguiu as informações detalhadas de como utilizar as peças que dispunha para fazer o pheser e as escutas com os romulanos.
-Deve ter custado caro. -disse Worf.
Na despedida Capa fez questão de agradecer a Sheila por sua escolha e sua coragem.
-Sabe que aqui nossas fêmeas são apenas usadas na reprodução, não sabe? - ele perguntou a ela que acenou afirmativamente em resposta - E você sabe por que? -ela negou - Não é por maldade, minha jovem, nem preconceito. Mas, em nossa raça, infelizmente, as fêmeas não possuem um desenvolvimento intelectual, nem mesmo são capazes de falar...
Sheila parecia surpresa.
-A sua raça é abençoada por seus homens poderem dividir as responsabilidades com seres abençoados como você...
Ele beijou a palma da mão e tocou a sua testa em sinal de respeito, depois se despediu dos demais.
Já na Enterprise quando desceram do transporte, Riker se deu conta do quão ilógico foi a escolha de sua irmã para juíza.
-Na certa Catan foi o responsável, - disse Sheila.
-Por que diz isso?
-Bom, conselheira, eu e o oficial Crucher achamos uma escuta em nosso quarto.
-Ela quer dizer que ela achou, estava tão entediada que começou a mexer em tudo enquanto eu lia os dados do comunicador que a Federação havia instalado em Holos 5.
-E por que não nos disse nada? - perguntou o comandante.
-Eu só fiquei sabendo durante a noite, depois da festa, ela me pediu para não inquerir explicações a Catan pois tinha um plano, - ele deu de ombros - não tive tempo de falar nada quando chegamos ao salão de cerimônia. Também não achei que ele fosse conseguir algo nos espionando.
Riker olhou para a irmã como quisesse uma explicação.
-Bom, o senhor Crusher consegui fingir que não tinha achado nada, mas não foi nada simpático com o sacerdote. Foi aí que Catan engoliu a isca... Eu havia pensado, quando encontrei a escuta, que, se ele estava nos espionando é porque queria saber o que pensávamos dos outros líderes e dele...
-E sabendo disso poderia escolher um juiz entre nós. - completou Riker.
-Isso. Então... foi o que pensei, mas não tinha certeza, então decidi blefar. Durante a reunião em que Deanna falou o que sentiu em cada um, fingi não achar nada demais em alguém ser ambicioso e depois disse a Catan que achava que ele seria um ótimo líder.
-E ele a escolheu... - disse Worf - Me surpreende que ele tenha confiado em uma mulher para o servido. Ele as considera tão inferior.
-Foi exatamente aí que ele errou, Worf. Acreditou que Sheila, por ser mulher, fosse ingênua o suficiente para elegê-lo líder. - e finalizando Data completou - Ele sabia que nenhum de nós faria.
Picard os esperava na ponte e, apesar de ter tudo corrido bem em Holos 5, seu semblante não demonstrava calma.
Quando Riker apareceu pelo elevador, seguido da conselheira, Worf e Data, o capitão pediu um relatório completo, que seu imediato relatou com orgulho.
Mesmo assim Picard não parecia estar contente.
-Algum problema, senhor? - perguntou Troi.
-Não. -disse secamente- Número um, chame a sua irmã, estou esperando vocês na sala de conferência. Data assuma. - e se dirigiu para o elevador.
Riker e Troi apenas se entreolharam. Picard parou e mandou que eles o seguissem, explicaria tudo no caminho.
Sheila os encontrou na sala de conferências, como haviam lhe pedido. Ao entrar o capitão se levantou da cadeira em que estava sentado, andou até ela e parou a sua frente.
-Fiquei sabendo da sua atuação em Holos 5. Fico feliz que tudo tenha ido tão bem.
-Eu também, senhor.
-Passei o relatório do comandante para o meu diário de bordo, e também mandei um relatório direto ao comando da frota.
-Para que, senhor?
Ele respirou fundo e continuou.
-Recebi uma mensagem de Ringel 2. Eles a querem de volta. Já mandaram que uma nave nos encontrasse para escoltá-la.
-Eler conseguiu o que queria? -perguntou encarando o irmão- Não foi?
-Sim. -ele respondeu- Parece que ela se baseou no fato de você não ter devolvido as pesquisas que roubou.
-Nem podia, eu as destruí...
-Ela diz achar que elas estão aqui, na Enterprise.
Sheila riu alto.
-Ela é bem cara de pau. - ela olhou para o irmão novamente - E vocês, não podem fazer nada?
-A única coisa que podemos fazer é esperar que o alto comando se pronuncie, que eles levem em consideração a sua ajuda nessa última missão.
-Entendo, -disse, respirou fundo e perguntou o que não queria saber- E quanto tempo eu tenho até a nave chegar?
-Infelizmente, algumas horas, - respondeu a conselheira. Ela acenou com a cabeça e pediu licença para se retirar. Sabia que precisava arrumar as suas coisas mas foi direto a engenharia.
Quando Wesley chegou encontrou a garota a esperar por ele.
-O que está fazendo aqui?
-Como eu sempre vinha com você eles me deixaram entrar e esperá-lo... Eu preciso falar com você.
-O que é?
-Eu vou embora, -disse ela o encarando.
-O que? Quando?
-Hoje... Acabei de saber. Eu só vim aqui mesmo para dizer adeus.
-Mas, o que aconteceu?
-Conseguiram a anulação da minha pena... Não vou mais poder cumpri-la aqui.
-Para onde você vai?
-Por meu lugar.
Ela deu meia volta para ir embora, mas antes que ela o fizesse o jovem a pegou pela cintura puxou-a para si e lhe deu um longo beijo. Permaneceram abraçados por um momento.
-Por que não nos deixa ajudá-la? Conta pra mim como foi, por que fez aquilo, sei que teve um motivo.
Ela balançou a cabeça enquanto se desvencilhava gentilmente dos braços dele.
-Não, você não ia acreditar, Bill não acreditaria... Ninguém acreditaria.
-Porque não nos deixa decidir isso sozinhos, heim? Droga, Sheila! Não quero que vá embora.
-Eu também não quero ir... Mas eu preciso, se não for... coisas... Podem acontecer... É melhor assim. Ela se virou e foi embora.
Continua...
