"- Sim, a vida é estranha. - Repeti."

- Pois é. – Ele disse olhando pela janela de novo. Ótimo. Cinco horas, horário de trânsito. O que é completamente ridículo, porque eu poderia chegar a casa em menos de dez minutos.

- Você trabalha com seu pai a muito tempo? – Perguntei pra quebrar o silêncio que formou.

- Não. – Ele disse se virando pra me olhar. – Meu pai trabalhava com o turno da noite no ano passado. Esse ano ele mudou de horário e eu fiquei mais perto dele.

- Isso deve ser bom. – Sorri.

- Sim, é. Meu pai é um homem muito inteligente. – Ele sorriu.

- Eu também teria orgulho de um pai como ele. – Sorri de volta.

- Seu pai é médico?

- Não.

- Ah, mas eu sei que você tem orgulho dele. – Edward disse olhando pela janela.

- Claro, claro... – Olhei pra frente.

- O que seu pai é? – Ele virou pra me olhar e eu olhei de volta. Só pra poder olhar mais um pouquinho pra aquele rosto lindo.

- Meu pai era policial. – Disse desviando o olhar pro sinal que abriu.

- E-era? – Ele gaguejou.

Ah sim. Edward ainda não sabe.

- Meu pai e minha mãe morreram num acidente.

Os olhos dele se arregalaram na minha direção. Ele abria a boca pra falar alguma coisa, mas depois fechava. Fez isso umas sete vezes;

- Me desculpe. – Ele murmurou. – Eu não sabia e...

- Tudo bem. – Sorri pra ele. – Eu já estou curada.

- Desculpe. – Ele repetiu e eu sabia que ele estava se sentindo mal por isso.

- Que filme você quer assistir? – Perguntei puxando assunto e tentando deixar a tensão de lado.

- Não sei...

- Eu queria ver aquele Último Exorcismo, mas tenho medo. – Disse fazendo uma careta.

- Não acredito! – Ele disse chocado. – Você tem medo de filmes de terror?

- Muito. – Sussurrei e ele riu. – Sério! Não ria.

- É que é estranho.

- Estranho por quê?

- Você não tem cara de quem tem medo de filmes de terror. – Ele disse sorrindo de lado, num jeito super bonitinho.

Será que se eu agarrar ele eu...

Merda!

Controle Isabella!

- Mas eu tenho. – Sussurrei mostrando a língua pra ele.

- Você é absurda. – Edward disse entre risadas. – Absurda, de um jeito bom.

- O que seria absurda de um jeito bom? – Perguntei rindo.

- Sei lá. – Ele deu de ombros. – É só que... Eu nunca sei o que você vai falar. Não faço idéia das coisas que você pensa. Você me surpreende a cada passo que dá.

Fiquei alguns segundos absorvendo aquelas palavras.

Na verdade eu nunca parei pra pensar sobre como Edward me via, ou me imaginava.

- Isso parece... Absurdo. – Eu disse e ele riu comigo.

Agora, brincadeiras a parte.

Foi a coisa mais fofinha que eu já ouvi. Por mais ridículo que seja da minha parte.

É que na verdade nunca me disseram nada de muito profundo.

Quero dizer, Alice vive fazendo mini-declarações de afeto, mas... Sei lá.

Talvez surpreender as pessoas, em especial Edward, alimente um por cento do meu ego.

Parei o carro na frente da minha casa e desliguei. Nenhum de nós se mexeu.

- Onde você mora? – Perguntei olhando as casas do lado.

- Nessa casa da direita. – Ele apontou pra casa do lado. Tão elegante. Depois do portão branco, tinha uma casa linda de três andares, assim como a minha e as paredes de vidro, mostrando a decoração clássica da casa de Edward. Era simplesmente perfeita.

- É a sua cara. - Defini.

- E isso é bom? – Ele riu.

- Muito bom, na verdade. – Disse, mas depois me arrependi. Edward sorriu mais abertamente.

É esse meu problema. Às vezes eu simplesmente perco meu controle.

Então alguém bateu no vidro de Edward e nós dois demos um pulo de susto.

O rosto de Alice apareceu, já reclamando,

- Vocês demoraram muito! – Ela disse balançando o dedo.

Edward e eu saímos do carro.

- Alice, tinha um trânsito muito, muito, muuuuito chato. – Respondi fazendo uma careta.

- Nós mudamos de planos! – Ela disse sorrindo. – Não vamos mais ao cinema.

- Ah, obrigada por nos avisar antes. – Disse ironicamente e ela revirou os olhos.

- Vamos fazer o que? – Edward perguntou.

- Vamos fazer uma sessão pipoca aqui mesmo! – Ela deu pulinhos de alegria.

- Que filme? – Perguntei passando pelo portão e subindo as escadas lentamente enquanto os dois me seguiam.

- O Exorcismo de Emily Rose. – Ela disse com os olhos brilhando e eu olhei pra Edward, demonstrando toda minha incredulidade na maior cara de choque do mundo.

- O que? A-Alice... Eu morro de medo desses tipos de filmes e... Você sabe que eu nunca consigo dormir de noite. E depois eu vou começar a achar que estou sendo possuída por demônios e... – Tagarelei nervosa e os dois caíram na gargalhada.

- Para de ser cagona Bella. – Alice disse me empurrando pra dentro de casa. – Vamos estar todos juntos, não tem porque ter medo!

- Sei..

- Calma Bella! – Edward disse segurando a risada.

- É. Calma Bella! – Emmett apareceu. – Edward não tem pressa. As coisas tem que ser devagar e...

- Cala a boca Emmett! – Edward e eu dissemos juntos e Alice riu.

Uma pequena parte do meu cérebro perguntando por que Emmett ainda estava na minha casa.

- Não foi trabalhar hoje? – Perguntei a ele.

- Ah não. Adiantei minhas férias. – Ele disse fazendo uma careta. – Você está de férias. Edward está de férias. Alice sai do trabalho a hora que quiser. Jasper e Rose só ficam na empresa quando tem algum cliente muito importante e... Só eu vou trabalhar?

Eu ri, me preparando pra sentar no sofá.

Mas Alice me empurrou pra longe dele.

- Que isso? – Perguntei sendo arrastada pra cozinha.

- Você vai fazer a pipoca salgada. – Ela disse sorrindo.

- Alice! Porque eu?

- E você vai fazer a pipoca doce. – Emmett chegou empurrando Edward pra dentro da cozinha.

Que palhaçada é essa?

- Parabéns, vocês foram os escolhidos pra fazer o aperitivo. – Rose disse rindo.

- E Jasper? – Perguntei cruzando os braços.

- Foi pegar o filme. – Alice mostrou a língua pra mim.

Mal criada.

- Isso foi planejado Bella. – Edward disse estreitando os olhos pra eles. – Primeiro eles decidem o filme na sua casa, depois Jasper some e agora querem nos fazer de escravos!

Eu ri, diante da interpretação de Edward e ele riu comigo, junto com Rose, Emm e Allie.

- Coloquem sal na pipoca salgada. – Emmett disse antes de sair.

- Bella? – Edward me chamou enquanto eu pegava o milho de pipoca no armário.

- Hm?

- Não sei fazer pipoca doce. – Ele disse com uma careta e eu ri.

- Nem eu.

- E agora? – Ele perguntou.

- A gente inventa alguma coisa. Eles que vão comer mesmo. – Fiz uma cara maléfica e ele riu.

Boa noite fofuras da minha vida!

Segue último capítulo da semana,

Aproveitem e deixem reviews. ;D

Até segunda. :)

Beijosbeijos,