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FEITICEIROS

Por Kath Klein

Colaboração: Yoruki Hiiragizawa

Revisão: Rô Marques & Yoruki Hiiragizawa

Capítulo 21

Amor incondicional

Eriol corria pela mansão Li com Tomoyo em seu encalço. Tinha sentido a presença de Sakura explodir absurdamente em uma fração de segundos. Secou uma gota de suor que escorria por seu rosto. Também sentia a presença do mundo das trevas.

'O que está acontecendo, Eriol?' Tomoyo perguntou aflita, correndo atrás do rapaz.

Os dois estavam conversando justamente sobre Sakura e o que fariam assim que chegassem ao Japão para tentar controlá-la. Eriol havia acabado de lhe contar o que tanto ele quanto Yelan suspeitavam que a jovem fora pedir aos Taos, deixando a morena boquiaberta. E o rapaz simplesmente interrompera uma frase na metade e, de repente, saiu correndo.

Eriol não respondeu, apenas segurou mais forte sua chave pronto para invocar seus poderes. Franziu a testa, observando a brilhante aura de Sakura e arregalou os olhos quando viu a mandala mágica da feiticeira e a de Syaoran se sobrepondo. O que Sakura tinha feito agora?

Quando chegou próximo ao local, estaqueou, vendo Sakura abraçada a um rapaz. Yelan estava afastada, observando os dois.

'S-Syaoran…' Ele sussurrou assustado, reconhecendo-o.

Tomoyo parou ao lado dele e, assim que viu o casal, não teve como não gritar de susto.

Syaoran e Sakura se afastaram ao ouvir o grito de Tomoyo.

Yelan se aproximou rapidamente do casal. 'Você precisa se esconder. Logo todos do Clã aparecerão e será uma confusão.' Ela falou, encarando o filho.

Syaoran ponderou que, realmente, seria uma droga ter que encarar os anciões depois de tudo que havia feito e assentiu com a cabeça.

Sakura segurou a mão dele, entrelaçando os seus dedos aos do rapaz. 'Vamos.' Ela falou já puxando-o, observando a movimentação da residência.

'Vá para o apartamento que era de Wei.' Yelan recomendou ao rapaz.

O casal passou por Eriol e Tomoyo que ainda estavam em estado de choque. O mago abriu a boca para falar algo, mas nada vinha a sua mente ao observar o rapaz. Tomoyo, então, estava completamente desorientada.

Sakura sentiu-se mal por não dar explicação para os dois, mas o importante agora era preservar o namorado. Yelan contaria aos dois o que estava acontecendo. O casal atravessou o portão da residência e parou na rua.

'Para que lado?' Ela perguntou ao rapaz que pensou por alguns segundos. Ele franziu a testa, tentando se lembrar onde era mesmo a droga do apartamento, tinha ido poucas vezes até lá e já fazia muito tempo.

'Perto do Rua dos Pássaros.' Ele falou, já começando a correr e sendo acompanhado por Sakura.

Ela puxou o pingente do pescoço. 'Liberte-se!' O báculo abriu-se na sua mão enquanto ainda corria junto ao namorado. 'Alada! Força!'

Syaoran sentiu quando ela passou suas mãos por baixo dos seus braços e o levantou. Ele sorriu de lado, vendo o chão se afastar sob seus pés.

'Hei, não me deixa cair.' Falou, segurando as mãos da jovem que sorriu, apertando-o mais entre seus braços.

'Nunca.' Ela respondeu.

O rapaz apontou a direção. Ele dava as orientações para a jovem que seguia sem questionar. 'Para lá. O prédio a esquerda.' Pousaram no batente de uma janela de um dos imensos arranha-céus do centro de Hong Kong. Usaram Através e logo estavam dentro do apartamento.

Os dois estavam ofegantes. Sem acreditar no que tinha acontecido. Encararam-se de forma profunda e em silêncio, esperando que os corações de ambos voltassem ao ritmo correto.

Syaoran estava sentado no chão enquanto Sakura estava próxima a janela pela qual passaram para entrar no imóvel. Ela ainda estava tensa, com medo de terem sido perseguidos pelos velhos. Detestava com todas as forças aqueles anciões.

O rapaz se levantou finalmente e sorriu para a jovem. Ela sorriu de volta sem conseguir acreditar ainda que ele tinha voltado.

Sakura limpou as lágrimas teimosas que saíam de seus olhos com a manga do robe e deu dois passos até o rapaz, abraçando-o novamente. Ele retribuiu, apertando-a em seus braços.

A jovem agarrou-se as roupas dele e se afastou apenas para levantar o rosto, permitindo que ele a beijasse. Como ela tinha sentido saudades dele. Estava com medo dele simplesmente evaporar na sua frente ou que alguém a acordasse, tirando-a daquele sonho. Queria ter certeza que ele era real, que ele estava bem ali, junto a ela. Deu vários beijos no rosto do amado, sorrindo, chorando. O coração, por mais que ela tentasse acalmá-lo, parecia ainda querer sair de seu peito. Era felicidade demais.

'Senti tanto a sua falta.' Ela sussurrava enquanto o beijava.

Syaoran sorria abertamente, também não conseguia controlar a imensa alegria de estar novamente com Sakura em seus braços. Estava louco de saudades dela. Ainda não acreditava no que tinha acontecido. Tinha beirado ao desespero quando se dera conta que não saberia voltar para o universo a que pertencia. Não tinha como descrever o imenso alívio que sentira ao ouvir a namorada o chamando e, depois, senti-la entre os seus braços era indescritível.

Ela se afastou dele e o olhou profundamente. 'Você está bem? Está ferido? Sente alguma dor?' Falou passando as mãos pelo peito do rapaz e tentando achar algum machucado.

'Estava… quer dizer… nem sei mais.' Falou com sinceridade. 'Estou com fome.' Falou, levando a mão ao abdômen e procurando o grande ferimento que recebera durante a luta contra Tichondrius, mas não o encontrou. Olhou para seus braços e viu que eles não estavam mais queimados. Achava que estava bem, mas, na verdade, não sabia direito como estava. Levou uma das mãos ao rosto e depois passou pelos cabelos rebeldes. 'Acho que estou bem.' Respondeu.

Sakura franziu a testa. 'Você tem sangue por toda roupa. Não está mesmo machucado?'

Li se olhou, estava realmente num estado deplorável. Balançou a cabeça negando.

A jovem soltou um suspiro. 'Vou ver o que tem para você comer aqui. Melhor tomar um banho.' Falou, fitando o rapaz que concordou enquanto ainda passava as mãos pelos braços e depois pelo corpo, procurando por algum ferimento.

Li franziu a testa, o poder de Luthor o curou de todos os ferimentos. Pensou em Arthas e no que o demônio estaria fazendo depois que ele passou pela brecha. Esperava que Gabriel estivesse cuidando de tudo conforme haviam combinado.


Tomoyo encarava Yelan sem conseguir acreditar em tudo que a senhora acabava de contar tanto para ela quanto para Eriol. Assim que Sakura e Syaoran sumiram da vista dos dois, muitos membros do clã apareceram devido à explosão mágica. Yelan teve que usar muita lábia e muito pulso firme para que todos voltassem a se recolher e ignorassem o ocorrido.

Trancou-se com Eriol e Tomoyo numa saleta para lhes contar pelo menos o que sabia. Teria que conversar com o filho depois e tentar resolver melhor a situação para ele. Uma coisa era certa, Syaoran não poderia ficar na China. E ela também sabia que não era este o desejo do rapaz.

Eriol deixou-se cair no sofá olhando estarrecido para a senhora. 'E-eu não acredito.'

Tomoyo nem falava nada. Estava ainda em estado de choque sem saber o que falar, sem saber direito o que pensar. Tinha acompanhado o sofrimento da prima durante mais de seis meses e agora sentia-se completamente desorientada ao ouvir a impossível e louca narrativa da senhora.

Ficaram em silêncio por alguns minutos. Yelan suspirou e fechou os olhos, tentando descansar um pouco. Estava exausta.

Eriol balançava levemente a perna direita indicando que estava bem nervoso. 'Então ele foi para o mundo das trevas achar uma brecha… ele é louco!'

'Era a única forma de controlar Sakura.' Yelan esclareceu. 'Como eu lhe contei, foi um acordo entre os planos.'

'Acordo?' Tomoyo falou franzindo a testa. 'Isso tudo é loucura. Como alguém morre e depois o plano…' Ela levantou as mãos para cima e balançou a cabeça. '...Ou sei lá o quê, decide que houve um erro e resolve trazê-lo de volta?'

Yelan suspirou novamente. 'Tem a minha palavra que foi um acordo. Ninguém do plano superior intervirá na volta de Xiao Lang.'

Eriol franziu a testa. 'Como assim? Vai me dizer que a senhora realmente acreditou que era ele? Não sentiu a presença dele completamente diferente?'

Tomoyo arregalou os olhos. 'Como assim? Aquele não era Syaoran?'

'A natureza dele realmente mudou.'

Eriol levantou-se encarando a senhora. 'Ele é um demônio agora. Aquele não é mais Syaoran Li.'

'O quê?!' Tomoyo gritou novamente.

Yelan olhou para o rapaz, censurando-o. 'Foi o preço que ele teve que pagar.'

Tomoyo correu até Eriol, agarrando as roupas do rapaz. 'Eriol, por Deus, explique-me o que está acontecendo? A Sakura… ela pode estar correndo perigo?'

'Não.' Yelan respondeu imediatamente.

Tomoyo voltou-se para a senhora, mas ainda tinha as vestes do rapaz em suas mãos. 'Como pode ter certeza?'

'Sakura o ajudou a voltar. De alguma forma, ela conseguiu trazê-lo de volta.' A senhora esclareceu.

Tomoyo soltou o rapaz e virou-se para a senhora. 'Ela está tão obcecada em trazê-lo de volta que não importaria se ele fosse um kyonshi, um demônio, ou sei lá o quê. Ela não tem condições de discernir nada.'

'Tomoyo está certa.' Eriol concordou com a morena.

'Isso não importa. Ele retornou, ela voltou a se equilibrar e assim evitamos você sabe muito bem o quê, Hiiraguizawa.' Falou de forma dura, encarando o rapaz que trincou os dentes. 'Agora o meu dever é tentar resolver a situação de Xiao Lang neste plano.'

'E o que vai fazer? Tem uma lápide com o corpo dele!' Eriol falou nervoso.

'Ele vai para o Japão. E para todos os efeitos, ele continua morto para o Clã. Depois do que aconteceu com os anciões, será uma questão de tempo até Hyo Ling assumir a posição de patriarca e ninguém saberá o que aconteceu aqui. Contornarei as coisas.'

'Isso é loucura.' Tomoyo falou incrédula.

'Não, isso é real. Vou pegar os documentos japoneses de Xiao Lang e comprar a passagem para ele. Amanhã vocês voltam no primeiro voo para o Japão como já estava previsto, levando-o junto.'

'Você já tinha tudo planejado?' Eriol perguntou, franzindo a testa.

Yelan desviou os olhos dele. 'Eu não tinha total certeza do que aconteceria, mas…' Ela fez uma pausa. '... eu sentia que não era o fim do meu filho.'

Tomoyo levou as mãos ao rosto apertando os olhos. 'Estou preocupada com Sakura. Deveríamos ir atrás dela?'

'Isso levantaria mais suspeitas aqui.' Yelan falou. 'Não se preocupe, senhorita Daidouji. Ela está bem.'

Eriol balançou a cabeça e desabou, cansado, em uma poltrona. 'Espero que esteja certa, Senhora Li.'


Sakura acendeu a luz do apartamento e tentou se orientar dentro dele. Deveria estar vazio há algum tempo, mas tudo parecia arrumado. Olhou para trás e ainda viu Syaoran se analisando. Ele levantou o rosto e a encarou. Ela não teve como não sorrir, ele estava de volta e isso era o que importava. Reparou que ele forçou um sorriso, mas parecia preocupado.

'O importante é que você voltou, Syaoran.' Ela falou. 'Depois a gente pensa no resto.'

Ele concordou e observou a namorada se afastar, indo até a cozinha do apartamento. Caminhou devagar em direção ao banheiro e tirou a roupa, entrando embaixo da ducha. Fechou os olhos, apenas relaxando debaixo da água gelada que batia na sua nuca. Franziu a testa, sentindo a presença da namorada se deslocar pelo apartamento. A presença dela estava diferente, mais agitada. Abriu os olhos e observou suas mãos, vendo que a aura envolvendo-as agora era púrpura e não mais esverdeada.

Engoliu em seco lembrando as palavras de Gabriel. "Só que, ao ir para lá, se conseguir voltar, não terá mais a natureza humana. Será um demônio."

Fechou os olhos novamente e tentou relaxar. Agora ele era um demônio. Havia lutado tanto contra aquelas criaturas, mas agora era um deles. Que ironia. Passou a mão no rosto e depois abriu os olhos, vendo o seu reflexo no vidro do box. Pelo menos ainda era o mesmo, não tinham crescido chifres na sua cabeça, nem nada.

'Pelo menos por enquanto…' Sussurrou.

'Syaoran…' Ouviu a voz de Sakura o chamando. 'Está tudo bem?'

'Sim. Já vou.' Ele respondeu, fechando a torneira e pegando uma toalha.

Sentia-se ansioso. Sakura ainda não havia comentado sobre a aura dele, mas ele sabia que a jovem já havia percebido que voltara diferente. De repente, sentiu medo de ser rejeitado por ela.

Abriu a porta do banheiro e viu o rosto amado, esperando-o.

Ela sorriu novamente. 'Fiz uma coisa para você comer.' Sakura caminhou e abriu o armário, procurando alguma coisa para ele vestir já que as roupas que usava antes estavam em farrapos. Achou um roupão e estendeu para ele.

O rapaz o pegou, ainda observando a jovem e, no fundo, esperando que ela comentasse alguma coisa.

'Vamos, vista-se para jantarmos alguma coisa. Não sei se está bom, mas acho que dá para a gente comer.' Falou faceira.

Ele a observou se afastar para esperá-lo na cozinha do apartamento. Vestiu-se e foi até ela, realmente estava com muita fome. No mundo das trevas não sentia aquilo, talvez agora voltara a ser humano, quem sabe? Demônios não sentiam fome, certo? Então ele não era totalmente um demônio, ainda tinha algo de humano nele, certo?

Caminhou devagar até a cozinha e parou na porta, observando a jovem servir o macarrão que tinha feito em dois pratos e colocá-los na pequena mesa.

'Sente-se.' Ela ordenou e foi obedecida. Syaoran não comeu apenas o que estava no prato, mas quase a panela toda que ela tinha feito. Sakura observava o namorado comendo tudo em silêncio, ainda sorrindo para ele como boba.

'Onde se machucou?' Ele perguntou, de repente, fazendo a jovem se assustar.

Ela levou uma mão no curativo que tinha na testa. 'Ah… é… bem… é uma longa história.' Não sabia o que responder para ele.

'Foi um daqueles anciões babacas?' Ele perguntou, franzindo a testa. Se algum daqueles velhos tivesse tocado em Sakura...

'Não… não foi, não.' Ela respondeu rapidamente. 'Eu nem os vi mais depois daquela surra que você deu no tiozão mau lá.' Ela falou, rindo-se ao se lembrar. Realmente, se a situação não fosse extremamente triste na época, agora era bem engraçado pensar naqueles velhos babacas completamente encharcados e possessos de raiva.

'Também está com machucados nos braços.' Ele comentou, levantando o rosto e a fitando a espera de uma resposta.

Ela suspirou e desviou os olhos dele. 'É uma longa história.' Repetiu.

'Tenho a eternidade agora para ouvir.'

Ela sorriu com a colocação dele e voltou a fitá-lo. 'Sim… agora temos a eternidade para ficarmos juntos.'

Ele sorriu e ergueu uma sobrancelha. 'Está fugindo do assunto.'

Sakura rodou os olhos. Ele continuava teimoso. 'Eu dei uma surtada.' Falou, balançando as mãos ao lado da cabeça. 'Estava com umas ideias loucas e não pensava direito. Acabei entrando numa briga.'

Li franziu a testa. 'Entrando numa briga… Você?'

Sakura se levantou, pegando o seu prato e o levando até a pia. 'Foi… foi uma coisa idiota que eu fiz. Fiz muitas coisas idiotas desde que acordei do coma. Eu estava com muita raiva.' Ela falava sem olhar para ele, sentia-se imensamente envergonhada do que tinha feito, mas agora não tinha mais como voltar no tempo. Ele estava aqui e isso era o que importava.

Abriu a geladeira, procurando alguma coisa doce para comer e se abaixou, procurando sem sucesso. Voltou sua atenção para os armários e achou uma pequena adega, abriu e observou os rótulos dos vinhos.

Syaoran suspirou, observando a namorada. Realmente ela tinha feito muitas coisas loucas, mas não a imaginava entrando numa briga. 'E quem foi o escolhido para você descontar sua raiva?' Perguntou, colocando a última garfada de macarrão na boca.

'Ren Tao.' Ela respondeu simplesmente. Ouviu o namorado engasgar com a comida.

'Ren Tao? Do Clã Tao?' Ele perguntou com os olhos arregalados para ela.

'É.' Respondeu, procurando agora por um saca-rolhas para abrir a garrafa escolhida.

'Da onde você conhece os Taos?'

Sakura suspirou e aproximou-se do namorado, estendendo a garrafa e o saca rolha. 'Você pode abrir?'

Syaoran pegou os objetos, ainda olhando para a namorada e esperando uma resposta.

'Eu fui procurá-los… aí conheci esse Ren Tao e a gente brigou. Foi isso.' Respondeu simplesmente.

'O quê?!' Perguntou, levantando-se. 'Você foi procurá-los para quê? Eles são malucos, Sakura! Você podia ter morrido!'

'É, eu sei…. eu sei… mas não morri.' Respondeu, tentando minimizar a situação. 'Abre logo a garrafa.' Pediu e ouviu Syaoran murmurar alguma coisa enquanto fazia o que a namorada pediu. Ela sorriu e colocou duas taças na mesa. Pegou a garrafa, encheu-as e estendeu uma para Li, pegando a outra enquanto se sentava na cadeira em frente a ele.

'Saúde.' Falou, tocando a sua taça de leve na dele e levando à boca para beber.

Li sorriu e balançou a cabeça de leve antes de tomar um gole. 'Eu detestava aquele idiota do Tao.'

'Ele também não gosta muito de você.' Ela respondeu antes de beber mais um gole. 'Mas é gente boa.'

'Rá!' Soltou irônico. 'Gente boa? Você está maluca.'

Ela acenou a cabeça. 'Acho que estava mesmo.' Concordou, assustando o rapaz que voltou a fitá-la enquanto a observava beber mais um gole.

'Sua aura…' Ele começou a falar, mas a jovem o interrompeu.

'Eu estou de saco cheio deste negócio de magia, Syaoran.' Ela falou com sinceridade. 'Não vamos falar sobre isso. Tanto a minha quanto a sua mudaram.'

'Então, você…'

'Sim… não é muito difícil de perceber.' Ela falou e desviou os olhos dos dele. Tomou mais um longo gole do vinho finalizando a taça. 'Pelo menos agora não somos mais um estúpido pilar e o guardião dele, não é?'

Li concordou com a cabeça e bebeu o líquido da taça. Sakura serviu mais um pouco para os dois. 'Eriol e sua mãe me tratam como se eu fosse uma bomba relógio pronta para explodir.' Ela falou ressentida. 'Não aguento mais os dois no meu pé.'

'E eu sou um demônio.' Ele falou, tomando a taça de uma vez só.

'Acho que sim.' Ela concordou. 'Somos agora dois seres completamente fora do plano de qualquer um e de qualquer profecia.'

Ficaram em silêncio por alguns minutos, apenas se observando.

'Eu os procurei para fazer um kyonshi. Queria trazer você de volta de qualquer maneira.' Ela respondeu finalmente a pergunta. Não mentiria para ele, não gostava disto. 'Eu fiz muitas coisas erradas desde que eu soube que você tinha morrido.'

Ele concordou com a cabeça.

'Mas não adianta esconder de você. Melhor saber por mim do que por Eriol. Ele vai dar com a língua nos dentes. Ou sua mãe. Ela ficou bem brava comigo.'

Li ficou um tempo calado. Respirou fundo, soltando o ar de forma vagarosa. Ela tinha razão, era melhor sempre falar a verdade. Ponderou que seria melhor, já que tinha voltado e estavam um em frente ao outro tentando recomeçar, deixar todas as coisas em pratos limpos, por assim dizer.

'Quando eu voltei para a China...' Ele começou a falar, era hora de colocar tudo na mesa. 'Os anciões não aceitaram que eu tivesse, não só perdido as cartas para você, mas ainda ajudado a transformá-las em suas.'

'Deu para ver que eles as queriam muito…' A jovem falou sem desviar os olhos do rapaz.

'Depois que capturamos Vácuo.' Ele respirou fundo. 'Eu fui castigado.'

'Castigado?' Ela perguntou, erguendo uma sobrancelha. 'Como assim?' Inclinou-se a frente, quase subindo na mesa que separava os dois.

Li engoliu em seco. 'Quando me ligava e eu não podia atender, era porque estava no hospital. Não tinha conseguido resistir aos ferimentos.'

Sakura arregalou os olhos. 'Você foi espancado?' Literalmente, ela estava em cima da mesa agora, fitando o rapaz. Abriu a boca quase deixando sair um grito de horror quando o viu acenando que sim com a cabeça.

'Várias vezes.' Ele completou.

'E onde a sua mãe estava?!' Ela gritou, levantando-se e contornando a mesa até parar em frente a ele.

'Ela não podia fazer nada.'

'O diabo que não podia!' Gritou com ele. 'Ela podia, pelo menos, ter me dito o que estava realmente acontecendo ao invés de me mandar esquecer que você existia!'

'Ela não podia ir contra os anciões.'

'Eu entregaria as cartas para eles!' Ela continuou, gritando.

'As cartas eram suas. Não seria justo!' Ele também começou a elevar o tom de voz.

'E o que é justo na droga da sua família, Syaoran?!' Ela gritou, empurrando-o e começando a caminhar pela sala, sendo seguida pelo rapaz. 'Você ser espancado quando era uma criança? Aqueles velhos idiotas acharem que podem mandar em todo mundo como se fossem deuses? A sua mãe ser omissa e passiva enquanto você...' Ela apontou para ele. 'Estava sofrendo?' Ela balançou a cabeça, mal conseguindo controlar a raiva. 'Eu sabia que tinha alguma coisa errada, mas achava que fosse apenas besteira de uma menina boba com saudades do namoradinho que sumiu sem falar nada!' Ela parou de andar, apertou os punhos e fechou os olhos tentando se controlar. Sentiu quando sua aura aumentou, mas não queria chamar a atenção de Eriol. Precisava se controlar, precisava controlar a raiva que, cada vez, aumentava mais dentro dela. 'Sua família é louca!' Concluiu por fim.

Syaoran franziu a testa, observando a aura multicolorida da jovem expandir e reparou nas manchas negras. Quando estava para intervir, reparou que ela se controlou, diminuindo-a tão ou mais rapidamente do que a expandiu. Chegou a ficar zonzo com a mudança repentina.

Ela abriu os olhos e encarou-o com o rosto sério. 'Você vai comigo para o Japão e ninguém mais vai tirá-lo de mim.' Ela caminhou devagar até ele e parou a sua frente. 'Eu mato qualquer um que se aproximar de você agora, Syaoran.' Ameaçou. 'Inclusive se for da sua família.'

O rapaz arregalou os olhos com a ameaça. 'Para eles eu já estou morto.' Falou simplesmente.

'E assim você se manterá para eles.' Ela afastou-se do rapaz, caminhando como um animal enjaulado, estava tentando controlar a respiração, controlar os seus nervos, controlar a sua presença, mas a vontade que tinha era de simplesmente pulverizar aqueles velhos da face da Terra. Literalmente. 'Você foi um estúpido orgulhoso.' Ela falou, encarando-o novamente.

Li franziu a testa. 'Você não entenderia.'

'Não. Eu não consigo entender e eu nunca vou entender.' Ela falou ainda com o tom sério. 'Eu abriria mão das cartas, eu abriria mão de qualquer coisa por você, Syaoran.'

'Eu já falei: não seria certo.' Ele repetiu incomodado.

Ficaram em silêncio, novamente, apenas se fitando. O telefone do apartamento tocou e deixaram a secretária eletrônica entrar. Logo reconheceram a voz de Eriol. "Nosso voo para o Japão é ao meio dia. Vamos todos para o Japão. Já está tudo acertado. Passo aí amanhã às oito com roupas para que possamos ir todos para o aeroporto juntos. Cuide-se."

'Acho que, desta vez, Eriol fez alguma coisa certa.' Sakura falou de forma irônica.

'Humph.' Syaoran murmurou. O clima ainda estava tenso entre eles.

Sakura caminhou até o rapaz e parou a sua frente, levantou os braços e pegou o rosto dele entre suas mãos. Ele ainda tentou se afastar, mas ela o segurou. 'Eu amo você. Não me esconda mais nada, Syaoran.'

As feições dele se suavizaram. Ele respirou fundo, sentindo-se cansado. 'Eu também te amo.' Falou.

Ela sorriu e se afastou dele. Segurou sua mão e o puxou para o quarto. 'Vamos descansar. Você está com uma cara péssima.'

Ele sorriu. 'Não estava num lugar muito legal.'

'Eu sei.' Ela respondeu. 'Mas agora você está aqui comigo. E ninguém mais vai separar a gente.'


Sakura observava Syaoran dormindo de forma calma. O rapaz estava realmente exausto. Assim que se deitou, simplesmente desmaiou na cama.

Desviou os olhos dele e fitou o teto, pensando no que ele devia ter passado. Respirou fundo e engoliu em seco. Novamente fitou o rosto do namorado. Como se sentia arrependida de não ter forçado a barra no passado quando pressentia que havia alguma coisa errada acontecendo com ele. Ela se deixou influenciar por todos. "Era apenas saudades", "Era amargura", "Era raiva", "Era…" Não era nada daquilo!

Ele estava sofrendo e ela sentia aquilo, mas não confiava na sua intuição. Não confiava em si mesma e, provavelmente, nem no sentimento que eles tinham um pelo outro.

Pensou que a vida de Syaoran não foi realmente fácil. Franziu a testa, pensando que, nem depois de morto, ele tinha descansado. Mas por que diabos ele tinha parado no mundo das trevas?

Tirou uma mecha de cabelo do rosto dele e deu um beijo demorado na sua testa. Sorriu. Estava feliz demais por ele estar de volta. Não importava como.

Desistiu de tentar dormir. Levantou-se da cama e caminhou até a cozinha para buscar um copo de água. Abraçou-se ao passar pela sala e esfregou as mãos nos braços, tentando aquecê-los e espantar o frio da madrugada. Foi até a cozinha e abriu a geladeira para pegar água. Tomou devagar, pensando no que faria quando voltasse para o Japão. Tinha quase largado a faculdade, repetido algumas matérias, colado em outras. Agora com Syaoran de volta, tinha que tentar colocar a vida nos eixos. Voltar ao equilíbrio.

Passou uma mão no rosto e sentiu o curativo que tinha na testa. Devia tê-lo trocado, mas tinha esquecido completamente. Foi até a janela da cozinha e usou o vidro escuro como espelho para tirá-lo, vendo o ferimento. Estava ainda feio, mas melhoraria. Perguntou-se se tinha antisséptico ou qualquer outra coisa para higienizá-lo ali no apartamento. Jogou fora o curativo sujo e olhou no relógio, eram quatro da manhã. Eriol só apareceria às oito. Caminhou devagar até o quarto para ir ao banheiro anexo a ele quando reparou que a cama em que tinha deixado Syaoran dormindo estava vazia. Sentiu o coração parar.

'Syaoran!' Gritou, entrando no quarto e olhando para os lados, procurando-o desesperadamente.

O rapaz saiu do banheiro com os olhos arregalados. 'O que foi?!'

Ela tremia. Caminhou até ele e o abraçou pela cintura. Não respondeu, apenas o abraçou mais forte. Não queria chorar mais. Principalmente na frente dele, mas sentiu o peito ser cravado por uma lança quando pensou que ele não estava mais ali.

And I would do anything for you

(E eu faria qualquer coisa por você)

'Hei.. eu estou aqui.' O rapaz falou, tentando afastar a jovem, mas ela o abraçou mais forte. Ele sorriu e se deixou ser abraçado enquanto ela quisesse.

Not words, no, I really mean it
(Sem palavras, não, eu realmente quero dizer isso)

Ele passou a mão pelos cabelos de mel da jovem, sentindo os fios sedosos entre os seus dedos. Respirou fundo e sentiu o aroma delicioso de cerejeiras. Ela estava linda. Ela era linda. Tivera tantas saudades dela, de senti-la encostada no seu corpo. Saudades do som melodioso da voz dela. Dos sorrisos de quando se sentia feliz e até mesmo dos olhares fatais ou de reprovação que ela lhe lançava, fazendo-o se sentir o pior dos homens por simplesmente contrariá-la.

Let the whole damn world declare war on me
(Deixe todo o maldito mundo declarar guerra contra mim)

Just for standing by your side
(apenas para estar ao seu lado)

If you leave, you were the one way I'd survive
(Se você se for, você foi a única maneira que eu sobreviveria)

I'd gladly die I mean it
(Eu ficaria feliz em morrer, eu quero dizer)

Quando Sakura estava pronta para se afastar do rapaz, ele a segurou pela cintura e ergueu o rosto dela pelo queixo, aproximando-se, quase tocando os lábios dela com os seus.

'Senti tanto a sua falta.' Falou com a voz rouca, fazendo a jovem sentir um calafrio percorrer sua espinha.

Ela sorriu, um daqueles sorrisos maravilhosos dos quais ele sentira tanta saudade. Syaoran se aproximou para beijá-la, mas ela se afastou, o sorriso, agora, tornando-se maroto. Ela queria provocá-lo.

Ele tentou novamente e ela se afastou, beijando o canto da boca do rapaz e sabendo que ele viria logo buscar mais. Ele tentou mais uma vez, e ela se afastou. Ele sorriu de lado e a segurou levemente pelos cabelos da nuca, finalmente conseguindo que seus lábios alcançassem os dela.

And I would do anything for you
(E eu faria qualquer coisa por você)

Sakura entreabriu os lábios para ele aprofundar o beijo enquanto se agarrava ao corpo do rapaz. Sentiu a língua dele tocando a sua. Ela pulou, envolvendo-o com suas pernas enquanto ainda se beijavam com paixão.

O rapaz a segurou, apertando-a contra o seu corpo, enquanto ela segurava o rosto dele, beijando-o, mordendo seus lábios, sentindo o gosto dos beijos tão amados e tão desejados.

'Eu estava morrendo de saudades de você, Syaoran.' Ela falou ao ouvido do rapaz e o sentiu apertá-la mais forte.

Uncondition, unconditional love
(descondicionar, o amor incondicional)

Syaoran deu alguns passos, chegando à cama e deitando a jovem de costas sobre o colchão. Sem se afastar dela, continuou a beijá-la e a aprofundar as carícias, sabendo que era correspondido com o mesmo fervor pela namorada.

And I would do anything for you
(E eu faria qualquer coisa por você)

Uncondition, unconditional love
(descondicionar, o amor incondicional)

Ainda beijando-a, deslizou a mão até a bainha da camisola de Sakura e a levantou, tocando de leve a virilha dela por cima da peça íntima. Ouviu a namorada gemer baixinho. Sentiu as unhas dela cravarem de leve na pele de suas costas e sorriu de lado. Contornou o rosto amado com leves beijos, quase um roçar de lábios contra a pele macia da face rubra da amada, enquanto sua mão entrava pela calcinha, sentindo a feminilidade dela entre os seus dedos.

Sakura abriu os olhos, arregalando-os de leve e sorrindo. Sentiu o corpo tremer ao toque íntimo e trincou os dentes, tentando inutilmente abafar um gemido mais alto de prazer.

And I would do anything for you
(E eu faria qualquer coisa por você)

'Que saudades eu tive de você, Sakura.' Ele falou ao ouvido dela enquanto levantava a peça de roupa para passá-la pela cabeça da jovem e ver os seios pequenos e rosados. Acariciou-os enquanto beijava o pescoço e o colo da namorada. 'Saudades da sua pele, saudades do seu perfume…' Ele falava com a voz entrecortada e sem parar de acariciá-la.

Sakura passava os dedos pelos fios grossos do cabelo do rapaz enquanto tinha os olhos fechados, apenas sentindo-o passar as mãos calejadas pelo seu corpo, sentindo os lábios dele roçar e beijar sua pele inflamada de desejo. Como ela tivera saudades dele também.

Not words, let my actions speak it
(Nem palavras, deixar minhas ações falarem)

Sakura sentiu sua respiração acelerada, fazendo o peito dela subir e descer como se estivesse numa intensa maratona, o coração batia de forma descontrolada. Sorriu ao ouvir a respiração do rapaz também num compasso diferente do normal.

Syaoran tirou sua calcinha devagar, beijando todo o seu corpo de forma suave. Ele tirou as calças que vestia e se posicionou entre as pernas dela.

Ela abriu os olhos e fitou os olhos ambares. Contemplaram-se de forma profunda, sem desviar nem por um segundo os olhos um do outro.

Ele estava com o rosto sério. Era sempre assim quando faziam amor. Ele sempre fizera questão de olhá-la nos olhos antes de unirem-se, transmitindo todo o amor que sentia por ela. Logo sentiu-o invadindo sua feminilidade morosamente. Syaoran nunca teve pressa, nunca fora afobado. Sempre agia devagar, de forma intensa, por vezes, forte.

Let the sun decide that it won't shine
(Deixe o sol decidir que não vai brilhar)

Until I say that we are through
(Até eu dizer que somos completamente)

I will live my life in darkness just for you
(vou viver a minha vida na escuridão apenas para você)

I swear it's true, I mean it
(eu juro que é verdade, eu quero dizer isso)

Ele fechou os olhos, finalmente, quebrando o contato e a abraçou iniciando a dança mais antiga dos casais apaixonados.

Ela sentia a pele quente dele na ponta de seus dedos. As auras se misturaram e um calafrio percorreu sua espinha ao perceber a diferença na aura de Syaoran. Seu coração acelerou, sentindo-se inundada por uma sensação diferente que não pôde descrever, mas percebeu que sua própria aura parecia se modificar para acomodar a dele. Ouviu-o gemendo ao seu ouvido e sorriu, ao mesmo tempo que duas lágrimas teimosas saíram de seus olhos. Ela quase havia se esquecido do quanto era maravilhosa a sensação de se unir ao homem que amava.

And I would do anything for you
(E eu faria qualquer coisa por você)

Uncondition, unconditional love
(descondicionar, o amor incondicional)

Syaoran levantou os braços da jovem, colocando-os acima da cabeça dela e voltando a beijá-la no lábios. As línguas se tocavam enquanto ele aumentava a velocidade dos movimentos, sendo acompanhado por ela e tornando as estocadas mais intensas. Afastavam as bocas apenas brevemente em busca de ar para os pulmões e voltavam a se beijar de forma faminta.

And I would do anything for you
(E eu faria qualquer coisa por você)

Uncondition, unconditional love
(descondicionar, o amor incondicional)

Sakura sentiu quando ele segurou sua cintura, virando-a e posicionando-a em cima do corpo dele. Levantando-a e descendo-a, num ritmo constante. Sakura arqueou as costas, jogando a cabeça para trás e deixando que um gemido mais alto saísse de seus lábios, sentindo-o mais fundo dentro dela. Sentiu as pernas tremerem levemente e levantou os braços, passando as mãos pelos seus próprios cabelos molhados de suor, ouvindo tanto a respiração dela quanto a dele, aceleradas e os gemidos ecoando pelo quarto.

Inicialmente, ela deixou que ele controlasse o ritmo, mas não aguentou que apenas ele conduzisse aquela dança. Abriu os olhos e fitou os orbes ambares que tanto amava. Firmou as pernas e sorriu de forma maliciosa, começando a impôr o próprio ritmo.

Syaoran trincou os dentes e franziu a testa de leve. Fechou os olhos, sentindo as sensações de prazer aumentarem, sendo guiado agora por Sakura. O corpo tremeu de prazer enquanto ouvia as respirações no mesmo ritmo.

Uncondition, unconditional love
(descondicionar, o amor incondicional)

Ele aguentou o máximo que conseguiu. Abriu os olhos, vendo a imagem de Sakura por cima dele e sorriu de leve. Engoliu em seco, sabendo que ela o tinha levado ao seu limite. Segurou-a mais forte pela cintura, informando-a, de forma silenciosa, que não aguentava mais.

Ela voltou a fitá-lo e sorriu de volta. Sentindo-se inundada por ele que soltou um suspiro mais alto, informando que aquela doce agonia que ele sentia tinha terminado. Sakura inclinou-se sobre o corpo dele e beijou-o de forma doce.

Syaoran passou as mãos pelo rosto suado dela, afastando as mechas cor de mel para que pudesse beijar todo o rosto amado. Depois a abraçou forte, impedindo que a jovem se afastasse dele.

I don't care about what's popular
(Eu não me importo sobre o que é popular)

I don't hear a word they say
(Eu não ouço uma palavra do que dizem)

What I know is that it's you and me
(O que eu sei é você e eu)

Until the both of us die in days
(Até nós dois morrermos)

Sakura deitou-se ao lado de Syaoran, com a cabeça no peito dele que ainda subia e descia devido ao ritmo acelerado de sua respiração. As pernas úmidas de suor estavam entrelaçadas. Fechou os olhos e respirou fundo, inalando o cheiro maravilhoso do namorado e soltou o ar devagar, sentindo-se cansada, preguiçosa, relaxada, mas imensamente feliz.

Era maravilhoso tê-lo ao seu lado. Unir-se a ele novamente. Era quando sentia-se completa e a sensação maravilhosa desta união deixava reminiscências, não só em seu corpo, mas em sua alma. Como havia sentido falta dele. Como era incompleta e perdida sem ele. Estar agora nos braços dele, ao lado dele, era como se estivesse no lugar mais perfeito do mundo.

Ele passava a mão pelas costas dela num carinho lânguido. Ficaram em silêncio, apenas felizes por estarem juntos depois de tanto tempo.

I don't care about what's popular
(Eu não me importo sobre o que é popular)

I don't hear a word they say
(Eu não ouço uma palavra do que dizem)

What I know is that it's you and me
(O que eu sei é você e eu)

Until the both of us die in days
(Até nós dois morrermos)

'Quando chegarmos ao Japão…' Ele falou, quebrando o silêncio. Ela abriu os olhos sem se mexer. 'Vamos morar juntos. Não quero mais ficar longe de você.' Falou, olhando para os primeiros raios solares invadindo o quarto pela janela.

'Morar juntos?' Ela repetiu, franzindo a testa de leve.

'Isso. Não dá para voltar a Tomoeda e continuar morando com um marmanjo num alojamento de faculdade.' Esclareceu de uma vez.

Ela finalmente levantou o rosto, apoiando-se nos cotovelos e fitou o rapaz com o rosto sério. 'Esta é sua maneira de me pedir em casamento?'

Ele franziu a testa, pensando que realmente não deixava de ser um pedido de casamento. Ele queria dividir sua vida com ela. Dormir com ela, acordar com ela. Viver com ela. Ele a fitou de forma profunda, sentindo-se incrivelmente atraído por aquele brilho intenso dos olhos esmeraldinos.

And I would do anything for you
(E eu faria qualquer coisa por você)

Uncondition, unconditional love
(descondicionar, o amor incondicional)

'Acho que sim.' Respondeu por fim.

'Acha?' Ela perguntou em tom inquisitório, semicerrando os olhos.

Ele se levantou, fazendo-a se afastar dele e segurou o rosto amado entre suas mãos.

'Sim. Eu a estou pedindo em casamento. Eu quero viver minha vida com você, Sakura. Sem você, ela não tem sentido, seja aqui, seja no céu ou no inferno.' Falou de forma firme e sem desviar os olhos dela.

A jovem arregalou os olhos de leve. Sentiu-os arderem informando a ela que queria chorar, mas diferente de todas as outras lágrimas derramadas nos últimos seis meses, era a terceira ou quarta vez, já tinha perdido as contas, que sentia lágrimas nos olhos de pura felicidade naquela noite. Mordeu o lábio inferior que tremia de leve, evidenciando que estava prestes a chorar.

And I would do anything for you
(E eu faria qualquer coisa por você)

I'm talking uncondition, unconditional love
(estou falando descondicionar, amor incondicional)

'E então?' Ele perguntou impaciente, esperando por uma resposta dela. Sentiu-se nervoso com a demora de Sakura em responder ao seu pedido. O coração acelerado levemente com a expectativa e também pelo receio dela simplesmente dizer não.

Sakura sorriu e segurou as mãos dele que ainda estavam sobre seu rosto apertando-as de leve. 'Sim. Não existe outra resposta que eu poderia lhe dar, Syaoran. Sim… sim… mil vezes sim.' Falou, sentindo as lágrima molharem sua face. Contemplou o sorriso maravilhoso que ele abriu para ela. Era tão raro vê-lo sorrir daquela forma aberta e linda.

Ele secou as lágrimas dela com os polegares, direcionando um olhar doce para sua flor. Como ele a amava. Como ele se sentia maravilhosamente bem estando com ela. Apenas apreciando o seu rosto perfeito, admirando aqueles olhos esmeraldinos que transmitiam tanta força, determinação e amor por ele. Chegara a doer fisicamente aquele afastamento forçado entre eles. Inclinou-se e roçou os lábios dele nos dela.

Ela sentia como se centenas de borboletas batessem suas asas e dançassem em seu estômago.

'Eu te amo demais, Sakura.' Syaoran declarou-se novamente com os lábios próximos aos dela.

And I would do anything for you
(E eu faria qualquer coisa por você)

I'm talking uncondition, unconditional love
(estou falando descondicionar, amor incondicional)

'Eu também. Minha vida não tem sentindo nenhum sem você, Syaoran.' Ela falou fechando os olhos.

Não estava exagerando. Quando pensou que o tivesse perdido, sentiu-se incompleta, como se não tivesse mais sentindo nenhum ainda estar viva sem ele. Ela poderia até tocar a vida, acordar, alimentar-se, tentar prestar atenção às aulas, conversar com as pessoas, mas sempre sentiria que estava apenas sobrevivendo. O tempo passou e a dor, que todos falaram que diminuiria, apenas aumentava.

'Vamos ficar sempre juntos.' Ele sussurrou, ainda beijando-a de leve.

Ela concordou com a cabeça. 'Sempre.'

I would do anything
(eu faria qualquer coisa)

I would do anything
(eu faria qualquer coisa)

I would do anything
(eu faria qualquer coisa)

Uncondition, unconditional love
(descondicionar, o amor incondicional)


Eriol pagou o motorista do táxi e pediu para ele ir. Acharam melhor ir de táxi comum até o endereço que Yelan passou para eles como sendo o do apartamento no qual sugerira que Syaoran ficasse.

Tomoyo estava parada a frente do prédio com as malas dela e de Sakura. Estava ansiosa demais para ver como estava sua querida prima.

'Vamos, Eriol.' Ela apressou o rapaz que olhava para cima.

Eriol sentia a presença tanto da sua sucessora quanto a nova presença de Syaoran. Aquilo seria perigoso. As presenças se misturavam o tempo inteiro; e a presença de Sakura podia estar mais controlada, mas também estava bem mais intensa. As cartas tiveram sua origem como seres das trevas. A nova presença de Li, de uma forma ou outra, acabaria resvalando nas das cartas.

Lembrava-se claramente dele as manipulando durante a luta contra Shyrai e como elas estavam mais violentas. Embora, depois daquele dia, Sakura também só as tivesse utilizado em ocasiões particulares e duvidosas.

Tomoyo o chamou novamente com o rosto sério. Abaixou o rosto fitando a amiga e respirou fundo. Pegou a mala com as suas coisas e uma outra que Yelan tinha preparado para o filho. Caminhou devagar até a jovem e passou por ela. A morena foi logo atrás. Pegaram o elevador e subiram até o andar correto. Logo estavam tocando a campainha. Entreolharam-se apreensivos.

Tomoyo apertava as mãos em sinal de nervosismo enquanto Eriol respirou fundo, soltando o ar de forma vagarosa. A porta se abriu e o rosto sorridente de Sakura apareceu. Tomoyo arregalou os olhos reparando no sorriso lindo da amiga, que há mais de seis meses não via.

'Vocês são pontuais! Bem que Syaoran falou que não daria para enrolar na cama.' Falou de forma alegre, abrindo a porta para eles passarem. Tomoyo a abraçou forte.

'Estava tão preocupada com você, Sakura.'

Sakura sorriu de forma doce e retribuiu o abraço de Tomoyo. 'Não tinha com o que se preocupar, Tomoyo. Estou explodindo de felicidade.' Falou de forma carinhosa.

Eriol sorriu, observando a jovem feiticeira. Realmente era impressionante a diferença dela de ontem para hoje. Desviou os olhos das duas amigas e fitou Syaoran que estava dentro do apartamento, encostado num móvel da sala. Franziu a testa, percebendo a presença púrpura envolver o rapaz.

Achou estranho, pois, analisando agora com cuidado e puxando sua memória dos acontecimentos terríveis durante o caos, de quando Li estava lutando contra Shyrai, havia reparado que a aura esverdeada do rapaz ficara em alguns momentos daquela cor. Será que, de alguma forma, Syaoran sempre estivera ligado às trevas?

Eriol caminhou até ele, parando a sua frente. 'Ainda me custa acreditar que está aqui.'

'Eu sei.' Ele respondeu.

'Mas estou muito feliz que tenha voltado.' Falou sorrindo de leve.

Syaoran coçou a cabeça. 'Também estou feliz de ter conseguido voltar.'

Ele estendeu a mala que Yelan havia lhe entregado. 'Sua mãe separou algumas roupas para você. Também tem aí dentro seus documentos japoneses.'

Li pegou a mala. 'Ela pensa em tudo.'

Tomoyo se afastou de Sakura e fitou o amigo. Caminhou até ele e estendeu uma mão, tocando-o no braço. Retraiu-se e fez Li abrir um sorriso.

'Eu ainda não acredito que esteja aqui, Syaoran.' Ela falou com os olhos marejados.

Ele meneou a cabeça. 'Não foi muito fácil.'

Ela deu um passo a frente e o abraçou, fazendo-o arregalar os olhos surpreso pela atitude da jovem. Envolveu o pequeno corpo da japonesa e sorriu.

Sakura observou, sorrindo, a amiga abraçada ao namorado. Tomoyo se afastou dele e pegou-lhe o rosto entre suas mãos. Ainda não conseguia acreditar que ele estivesse vivo. Deu um beijo na bochecha dele e depois se afastou com o rosto levemente ruborizado. Syaoran estava de pijama.

'Não dê mais este susto na gente.' Falou de forma meiga, fazendo o rapaz sorrir.

A morena voltou-se para Sakura e apontou a mala. 'Também trouxe sua mala. Não dá para você pegar o avião de camisola.' Falou sorrindo. 'Vão se arrumar! Precisamos estar no aeroporto duas horas antes do voo internacional.'

'Vou tomar um banho rapidinho e me arrumar para irmos logo para o Japão. Quero ir embora da China o quanto antes.' Ela falou, mal contendo a felicidade.

Tomoyo observou os dois amigos entrando no quarto para se arrumarem. Sakura não conseguia fechar o sorriso. Depois desviou os olhos para Eriol que a estava observando.

'Ela parece muito feliz.' Eriol falou, desviando os olhos. Sentiu-se encabulado por ser apanhado admirando-a. Tomoyo era uma pessoa muito meiga.

'Ela está muito feliz.' Replicou.

'Sim.' Ele concordou. 'Ele está de volta.'

'Isso é o que mais importa.' Ela respondeu, abrindo um sorriso para ele.


Sakura estava tomando um suco enquanto esperava a hora do embarque com Tomoyo ao seu lado que também tomava um. Syaoran olhava a banca de jornal, estava curioso para saber o que tinha acontecido no mundo nos meses em que estivera morto. Folheava as revistas sem decidir exatamente qual comprar. Eriol estava sentado a algumas mesas de distância, falando ao telefone com a esposa.

'Saímos sem nos despedir de Meilyn e do marido.' Tomoyo comentou, chamando a atenção da jovem que admirava o namorado enquanto ele folheava uma revista qualquer.

Sakura arregalou os olhos e desviou, finalmente, o olhar do namorado para fitar a amiga. Gostava da chinesa, mas, agora, estar na China com Syaoran e aquele monte de anciões lhe dava arrepios. Só se sentiria totalmente segura com o namorado em Tomoeda.

'Foi melhor.' Ela falou simplesmente.

'Acho que sim.' Tomoyo concordou com a cabeça. Ela virou-se para trás e observou o rapaz pelo ombro direito. 'Ele parece bem.'

'Sim. Ele está bem. Pelo menos fisicamente.' Sakura falou antes de beber mais um gole do suco.

'Pelo menos?'

Sakura suspirou, fechando o sorriso. 'Ele passou por muita coisa.'

'Sim. A senhora Li nos contou.'

Sakura se ajeitou na cadeira, demostrando que se sentiu incomodada pela menção à mãe de Syaoran. A ruiva não tinha como não se sentir extremamente magoada com ela. Voltou a tomar um gole do suco, sem falar nada para Tomoyo.

'O que foi?' A morena perguntou, percebendo a mudança de comportamento da prima.

'Nada.' Ela respondeu simplesmente.

A morena ergueu uma sobrancelha. 'Sei.'

Sakura rodou os olhos, não dava para esconder nada mesmo da prima. 'Deixa para lá, Tomoyo… é melhor o passado ficar no passado.' Ela abriu um sorriso, de repente, olhando para a amiga que logo reparou nos olhos verdes brilhando de forma magnífica. Desviou os olhos de Tomoyo para admirar novamente o namorado. 'Ele me pediu em casamento.' Falou mal, conseguindo conter a vontade de gritar de felicidade.

Tomoyo arregalou os olhos. 'C-casamento?'

Sakura concordou com a cabeça e sorrindo de forma belíssima. 'Sim. Vamos morar juntos assim que chegarmos ao Japão.'

'Oh!' A morena exclamou e tentou sorrir. Estava feliz pela amiga, é claro, mas não podia deixar de sentir-se triste ao saber que Sakura não dividiria mais o alojamento com ela.

Sakura franziu a testa, fechando parcialmente o sorriso. 'Não está feliz?'

Tomoyo balançou a cabeça negando. 'Estou feliz. Estou muito feliz por você. Por vocês.' Respondeu. Era verdade, estava feliz pela amiga, mas não estava conseguindo disfarçar a tristeza que sentia por si mesma.

'Kinomoto.' Sakura ouviu chamarem-na e a morena agradeceu aos céus a intervenção do jovem desconhecido que se aproximou das duas, parando em frente a mesa delas.

Sakura virou o rosto e encarou Ren Tao a sua frente. Arregalou de leve os olhos. Droga. Seria melhor ele não ver Syaoran. O namorado estava usando os documentos japoneses e isso, teoricamente, era ilegal.

Engoliu em seco. 'O-o que você está fazendo aqui?'

Ren franziu a testa, reparando na reação dela. 'Vou para o Japão. Rever uns amigos.'

Ah, que maravilha. No mesmo dia, claro! Estava tudo muito perfeito. Syaoran tinha passado pelo balcão sem maiores problemas com os documentos. Não esperava era encontrar, justamente, um membro do clã rival por ali para colocar tudo a perder.

'Você o conhece?' Tomoyo perguntou, fitando a amiga sem entender aquele nervosismo todo dela.

'Hã… a gente se encontrou uma vez.'

'Fico feliz que tenha desistido daquela ideia e resolveu voltar para casa.' Ele falou sério olhando para a jovem. Sakura, inconscientemente, desviou os olhos dele para a banca de jornal onde Syaoran estava e, não encontrando o namorado, acabou levantando-se do banco, beirando ao desespero. Quando tentou se concentrar para identificar a presença dele, assustou-se ao sentir o braço do namorado passando por seus ombros enquanto o rapaz encarava o outro chinês com cara de poucos amigos.

Ren e Syaoran se encararam. Ren arregalou os olhos ao perceber quem era, reconhecendo-o de imediato. Abaixou os olhos e sorriu de lado, balançando a cabeça. 'Você é mais louca do que eu podia imaginar, garota. Pelo menos não é feio como um kyonshi.' O rapaz encarou Li novamente e semicerrou os olhos, reparando na magia do rapaz. Não era coisa boa, já tinha lutado com alguém com aquele tipo de poder nocivo. 'Mas também está longe de ser normal.'

Sakura tremeu com o comentário dele, sabia que ele estava se referindo a magia que emanava do namorado agora.

Syaoran não gostou, desviou os olhos dele e olhou a namorada de esguelha, vendo o rosto apreensivo dela. Depois voltou-se para Tao.

'Hum…' Syaoran murmurou. 'Olha quem está falando em ser normal... Com esse topete.'

Ren não gostou do comentário. 'Pelo menos eu não tenho uma namorada maluca.'

'Pelo menos eu tenho uma namorada.' Syaoran retrucou e o viu fechar mais a cara.

'Sei…' Ren murmurou de volta. 'Sua família tem ideia do que vocês dois fizeram, seja lá o que foi?'

'Isso não interessa.' Sakura falou para ele. 'Não tem porque ninguém saber.'

Ren sorriu de lado. 'Pelo jeito não sou só eu que tenho problemas com o meu clã.'

Syaoran franziu a testa. 'É, acho que não.'

Tomoyo se levantou, olhando de Ren para Syaoran sem entender. Rodou os olhos e voltou a fitar o desconhecido. 'Sou Tomoyo Daidouji.' Falou, estendendo a mão a frente. Ren desviou os olhos de Syaoran e observou a garota.

'Ren Tao.' Cumprimentou-a por educação.

'Vocês dois são amigos?' Tomoyo perguntou, observando-os.

'Não!' Syaoran respondeu rapidamente.

'Claro que não!' Ren respondeu ao mesmo tempo.

'Ah, pois parece…' A morena falou com pesar. Sakura sorriu com a observação da amiga.

'Humph…' Ren soltou irritado, voltando a fitar Sakura. 'Fica esperta com um tal de Yanamoto.'

A feiticeira franziu a testa. 'Seiya Yanamoto?'

Ren concordou e depois fitou Syaoran. 'Este cara andou procurando a gente para pedir o mesmo que ela.'

'Como assim?' Syaoran perguntou.

'Queria que fizéssemos um kyonshi do seu corpo.' Ele esclareceu. 'Um cara que procura este tipo de coisa não bate muito bem da cabeça. Sabe… pelo jeito você anda despertando muitas paixões perigosas, Li.'

'Rá!'

Sakura suspirou e pensou no que Yanamoto tinha lhe falado sobre os Taos, mas não imaginava que o rapaz realmente levasse a frente seus planos.

'Yanamoto é muito persistente.' Tomoyo comentou.

Syaoran desviou os olhos de Ren e fitou a namorada. 'Você estava sabendo disso?'

'Ele… ah… deixa para lá.'

'Deixar para lá como, Sakura?'

'Ele é maluco.' Ela soltou por fim.

Não sabia muito bem o que dizer para o namorado. Falaria o quê? Que o rapaz continuara cercando-a de forma intensa durante os meses que ele estivera morto? Não seria muito legal ouvir isso.

'Maluco como?' O rapaz insistiu.

'Ele ficou perseguindo a Sakura durante este tempo todo.' Tomoyo falou simplesmente. Era melhor o amigo já saber com quem estava lidando.

'Humph.' Syaoran murmurou, quebraria a cara dele depois.

'Um cara que se mete neste tipo de coisa sem ter magia é perigoso.' Ren falou, chamando a atenção do rapaz. 'Fica de olho. Assim como ele me procurou para isso, vai procurar outros. Ele ofereceu uma grana bem alta. Estava disposto a gastar qualquer quantia pelo que queria.'

'E vocês não aceitaram, por quê?'

Ren ergueu uma sobrancelha. 'Por que isso não me interessa.' Ele colocou as mãos nos bolsos. 'Já dei o recado.' Deu um passo para trás, afastando-se do rapaz, cumprimentou Sakura e Tomoyo com a cabeça e depois fitou Syaoran que tinha ainda o rosto duro. 'Até mais.' Despediu-se antes de se afastar completamente do grupo.

'Eu falei que ele era gente boa.' Sakura falou, observando o rapaz se afastar.

'Humph.' Syaoran murmurou novamente irritado. 'Gente boa não é uma boa definição para os Taos.'

'Ele me pareceu muito simpático.' Tomoyo comentou. Syaoran observou a amiga com a testa franzida. 'Vocês se dariam muito bem.' Ela completou.

'Somos bem diferentes.' O rapaz falou.

'Eu não acho. Acho a voz de vocês até parecida.' Sakura comentou.

'Tá maluca, Sakura?' O rapaz irritou-se.

Ela deu de ombros. Agora, encontrando-se com Tao sem estar naquele redemoinho de emoções pôde constatar o que tinha observado anteriormente.

O rapaz balançou a cabeça sem jeito e voltou para o ponto que lhe interessava. 'Yanamoto.' Falou observando a namorada. 'O que ele andou fazendo?'

'Ele está obcecado pela Sakura.' Tomoyo respondeu pela amiga. 'Kurogane até deu um soco nele um dia desses.' Ela falou com um tom de orgulho do rapaz.

'Dá para explicar melhor, Sakura?' Syaoran pediu.

'Yanamoto é muito insistente.' Repetiu o que a amiga já tinha dito. 'Ele não aceita levar um não.' Ela arregalou os olhos, lembrando de um detalhe. 'Ele tem certeza de que você está morto.'

'Ótimo… assim quem sabe eu não o mato de susto.' O rapaz falou.

'Estou falando sério, Syaoran. Ele pode complicar as nossas vidas.'

O rapaz beijou a testa da jovem. 'Eu vou dar um jeito nele. Não se preocupe agora com isso.'

Sakura franziu a testa incomodada com a colocação do namorado. Eles dariam um jeito, não apenas ele. O problema era deles e não apenas de Syaoran; inclusive, Yanamoto era o cara chato que estava dando em cima dela, não dele. Abriu a boca, pronta para corrigi-lo, quando ouviram a chamada para o embarque.

'É nosso voo!' Sakura falou, pegando as passagens.

Syaoran sentiu quando ela segurou sua mão, entrelaçando os dedos e suspirou, aliviando a tensão.

'Vamos para casa.' A ruiva falou antes de ficar na ponta dos pés e beijar o rosto do namorado.

Ele sorriu para ela, olhando no fundo dos olhos esmeraldinos. 'Eu já estou em casa.' Ele respondeu antes de beijá-la rapidamente nos lábios.

Continua.


Notas Específicas:

Música do Capítulo: Unconditional (Incondicional) por Harrison Craig.

Notas da Autora:

A transição entre da primeira parte da história e esta segunda será direta. Então, não existe aquele intervalo de tempo tão extenso como existia na versão original. Considerei que o capítulo passado foi o final de F1 pelo fato deles terem se encontrado depois que Syaoran retornou do Mundo das Trevas. Mas, sinceramente, acredito que quem está lendo este fic pela primeira vez não conseguirá nem identificar a quebra, pois perceberá que a história está contínua. Este é um dos motivos para que esta releitura seja como a compilação das três partes da versão original de Feiticeiros.

Bem… como muitos já perceberam… ninguém consegue mais saber o que vai acontecer na história, que rumos ela seguirá… e isso se deve ao fato de realmente ser uma "nova" história. Então quem está lendo pela primeira vez, está praticamente lado a lado com quem já leu e releu a versão original. Então… conselho… divirtam-se!

A Cena do "pedido" saiu mais intensa que inicialmente planejada por culpa da Yoru, que me apresentou o bonitinho de bochechas rosadas, Harrison Craig, e da Rô, que me mandou o MP3 da música, fazendo eu ouvi-la repetidamente e me inspirando nesta cena. :-) Nada contra cenas Hentai… confesso que gosto de escrevê-las dentro de um contexto e achei que encaixou num momento importante para os personagens.

Obrigada pelos reviews! Quando tiverem dúvidas e quiserem ou precisarem de algum esclarecimento é importante deixarem reviews para que possamos identificar até possíveis erros, fazer ajustes e até incluir notas específicas para que outros leitores não tenham a mesma dúvida que vocês têm.

Muitos beijos

Kath

Notas da Colaboradora:

Eu adoro esse capítulo! E não apenas por causa da cena picante, que fique registrado. Eu acho fantástica a nova atitude do Syaoran ao retornar do MdT, tão diferente da versão original – eu geralmente evito fazer essas comparações nas minhas notas, mas devido ao número de pessoas comentando sobre a diferença do retorno do Li no original e na releitura, senti que seria interessante. Ele abriu o jogo com a Sakura sobre o que passou durante a infância – esse era o grande segredo que ele mantinha dela antes de morrer, gente! – e isso faz toda a diferença num relacionamento a dois.

Acho muito interessante, também, o fato dele estar inseguro e se questionar sobre a própria humanidade e sobre o quanto a sua nova natureza influenciará a aceitação da Sakura. Ele se encontra numa situação complexa e complicada. Ainda precisa aprender uma coisinha ou outra e será interessante ver o relacionamento dos dois se desenvolver a partir de agora.

Acho que a história está, de uma maneira geral, mais adulta e, novamente, não apenas pelas cenas ardentes… toda a abordagem do relacionamentos deles está mais amadurecida e isso é uma adição muito interessante ao enredo.

Que venha o capítulo 22!

Beijinhos,

Yoru.

Notas da revisora:

Comentários sem ordem… (como sempre)

Que cena hot hot hot... Eu amei... Na verdade eu acho que até demorou, mas foi tudo de bom e mais um pouco.

Às vezes não gosto muito de algumas atitudes de preocupação da Tomoyo, mas acho que isso é mais pessoal, porque odeio que peguem no meu pé, e tô sentindo isso nela... Às vezes percebo uns pensamentos meio egoístas da parte dela, mas aí ela toma alguma atitude (como o abraço no Syaoran) que a faz voltar a ser a meiga Tomoyo de sempre...

Eu adoro o Ren ter entrado na história, saudade de ver Shaman de novo...

Gostando do novo foco da história, e vamos lá!