CAP 21 – Beco Diagonal

Às oito e meia da manhã seguinte, Tiago, Lílian e Harry estavam comendo waffles na cozinha. Tiago dobrou o jornal e deslizou os óculos para dentro do bolso.

-Honestamente – ele observou para Harry, olhando para o relógio na parede. – Algumas vezes eu imagino como sua irmã chega em tempo nas aulas durante o período letivo.

Harry apenas deu de ombros. Ele imaginava também. Leila deveria ser uma noturna crônica; ele nunca a vira antes de pelo menos nove horas toda manhã.

A campainha tocou, e Sirius apareceu, usando óculos de sol e uma ridícula bermuda trouxa com estampa havaiana.

-Oi Lílian, Tiago. Pronto para ir, Harry?

-Ir aonde? – Lílian disse, a boca ligeiramente aberta, atônita.

Sirius fingiu surpresa.

-Você não lembra? Harry e eu dissemos a vocês meses atrás que nós iríamos ter uma curta viagem padrinho-afilhado pouco antes da escola recomeçar.

-O quê? Quando? – Tiago perguntou, erguendo os olhos da sua pilha de waffles.

Harry rolou seus olhos.

-Vocês não lembram não? Eu lhes disse no primeiro dia do verão. Sirius vai me levar a um montão de lugares. Gales, França... onde mais, Sirius?

-As Bahamas – seu padrinho lembrou. – Eu tenho um amigo que vai nos providenciar uma cabana na costa do mar por alguns dias.

-É apenas por uma semana – Harry disse, voltando-se para seus pais. – Eu até já fiz as malas. Vocês haviam dito que não iriam se importar em levar minhas coisas para King's Cross para mim, e eu apenas os encontro lá em primeiro de setembro.

Lílian sacudiu a cabeça.

-Não me lembro de você ter dito qualquer coisa sobre uma viagem – ela disse determinada.

-Vocês devem ter esquecido – Sirius disse, lançando a Lílian um sorriso charmoso. – Ficar velha dá nisso, você sabe. Eu recomendo uma boa Poção para melhorar a memória.

-Ahhhh, por favor me deixe ir, mãe – Harry suplicou. – Eu tenho esperado por isso há anos.

Lílian e Tiago olharam um para o outro.

-Eu não sei... – Lílian disse, suas sobrancelhas se unindo preocupantemente.

-Dê uma folga ao garoto, Lil – Sirius disse. – Ele estudou duro naquela Transfiguração Preventiva todo o verão. Ele merece umas feriazinhas.

-Tudo bem por mim – Tiago disse, empurrando o último pedaço na boca e largando o prato e os talheres.

Lílian olhou de Harry para Tiago, os lábios pressionados juntos.

-Acho que Harry pode ir. Sirius, é melhor você cuidar bem dele! Se não trazê-lo de volta inteiro... – ela deixou a frase inacabada, e pela primeira vez, Harry pensou ter visto um brilho de medo nos olhos de seu padrinho.

-Não se preocupe, Lílian – Sirius disse inocentemente. – Ele estará seguro comigo.

Harry sorriu com ironia, e deu uma desculpa para subir e pegar sua mala. Sirius não mentira, realmente. A parte perigosa do plano iria começar quando eles tivessem descoberto os caminhos.

Quando ele abriu a porta de seu quarto, ele encontrou uma ainda sonolenta Leila em suas roupas de dormir diante de sua escrivaninha. Quando ele entrou, ela se voltou, seus olhos luminosos.

-Se importa em explicar isso? – Ela disparou, sacudindo a carta na sua cara.

-Apenas uma primeira idéia – Harry disse rapidamente, encolhendo-se em direção à porta. – Eu não iria sair sem me despedir de você, honestamente! – ele cruzou os dedos atrás de suas costas.

Ela o olhou suspeitosamente.

-Então quando você vai ir?

-Eu estou indo agora – ele disse a ela baixinho.

Os olhos de Leila se arregalaram, e um momento depois ela havia colocado seus braço em torno de Harry. Ele recuou alguns poucos passos, e deu tapinhas nas costas dela, sem graça.

-Seja cuidadoso – ela disse, sua voz abafada em seu peito. – Oh Harry...

-Ela finalmente o soltou, e recuou.

-Não se preocupe – disse Harry, tentando confortá-la. – Sirius vai ir também. Ele vai ajudar. As eu não tenho tempo para explicar agora.

Leila mordeu o lábio, e com um sentimento de afundamento Harry percebeu lágrimas se formando nos olhos dela.

-Eu verei você em breve – ela disse, como se tentasse convencer a si mesma do fato. – Não se atreva a prender a si mesmo em Azkaban, ou eu serei forçada a ir resgatá-lo.

Harry riu com ela, mas parte dele sabia que ela estava mortalmente séria.

-Guarde um lugar para mim em seu compartimento no Expresso de Hogwarts.

-Eu irei – ela prometeu. – Se você não vir na próxima segunda, eu juro que vou estar aguardando você com algumas das minhas mais criativas maldições quando você aparecer na escola.

Harry estremeceu.

-Eu darei o meu melhor – ele disse.

Leila olhou para longe, e Harry ferventemente esperou que ela não fosse começar a chorar.

-Eu achei o álbum de fotos – ela disse repentinamente. – Eu vou empacotá-lo junto com o meu material e dar a você quando você voltar à escola.

-Obrigado, Leila. Escute, se eu não voltar... – a voz de Harry falhou.

-Você vai – ela sussurrou fortemente.

-Mas seu eu não... o risco que estaremos tomando...

-Eu conheço os riscos – ela disse enfaticamente. – Eu li todo o livro de Azkaban antes de dá-lo a você. Eu sei que você vai pegar dez anos se for pego.

Harry engoliu com dificuldade.

-Eu só quero que você saiba que você é a melhor irmã que alguém poderia querer.

Ela olhou para ele, os olhos cheios de lágrimas, mas os lábios curvados em um sorriso pequeno.

-Sou a única irmã que você já teve, tonto – ela disse. – Vá antes que Sirius venha procurar por você.

Com um último olhar para sua irmã, Harry pegou sua mala e saiu apressado pela porta. Na sala, Sirius estava conversando com Tiago e Lílian.

-Por que você não veio aqui às três horas dessa manhã? – Tiago estava perguntando.

Sirius lançou um olhar rápido para Harry, que mesmo havia entrado na sala.

-Eu estava ocupado. – ele disse suavemente. – Esqueci completamente nossos planos.

Lílian rolou seus olhos.

-Você quer dizer que bebeu muito e esqueceu tudo sobre seu pequeno encontro com Tiago.

-Na verdade, preciso que você saiba que eu levei uma garota para jantar ontem à noite – Sirius disse com leveza. – Uma bonitinha, até.

Tiago bufou.

-Todas elas são bonitas, Sirius. E acéfalas, e vazias. Você precisa aprender comigo, colega. – ele deu a Lílian uma piscadela.

-Harry – Sirius disse ligeiro, percebendo sua presença. – Já não deveríamos ter começado?

Harry assentiu, e deu um longo olhar a seus pais antes de seguir seu padrinho à saída. Poderia ser a última vez que ele os veria.

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Várias horas mais tarde Harry e Sirius caminhavam pela rua central do Beco Diagonal. Harry respirava pesadamente, carregando um caldeirão cheio de poção Pulissuco.

-Espere – ele arquejou.

Sirius, que estava várias passadas à frente, parou e esperou.

-Tudo bem aí, Harry?

-Sim – Harry disse, tentando respirar.

Sirius imediatamente viu o problema. Ele sacou sua varinha e lançou um feitiço diminuidor de peso sobre o caldeirão. Instantaneamente o peso morto sumiu.

-Obrigado – disse Harry, quando Sirius começou a caminhar novamente. – Então, o que você estava fazendo na porta da minha casa ontem à noite?

-Eu pensei que isso seria óbvio – Sirius disse. – Tiago e eu temos nos encontrado às três para fazer alguns planos para a Ordem, mas eu sabia que eu nunca seria capaz de acordar e aparatar até aqui naquela hora absurda da manhã. Eu vim como Almofadinhas e me enrolei na soleira da porta para dormir. Sorte sua que eu tenha feito isso.

Harry não tomou conhecimento desse fato, mas na realidade ele se sentia muito melhor sabendo que Sirius iria ajudá-lo. Eles haviam passado uma hora no apartamento de Sirius na noite anterior desenhando uma estratégia. Harry odiava admitir, mas sem Sirius, ele nunca seria capaz de resgatar Gina. Era um trabalho para duas pessoas. Quando eles terminaram seu planejamento, Harry sabia que o esquema deles estava bom. Muito bom. Poderia funcionar de verdade.

-Então, aonde nós vamos agora? – ele perguntou.

-Arquivos de Ravenclaw – Sirius respondeu. Harry facilmente respondia às suas longas passadas. – É a biblioteca bruxa em Londres, fundada por Ravenclaw logo depois que Hogwarts se estabeleceu. Eu vou deixar você começar com velhos registros de tribunais, e então vou dar uma pequena visita a um velho amigo no escritório dos aurores.

Harry seguiu Sirius por um conjunto de escadas que davam para uma magnífica construção de mármore suportada por colunas. Dentro, Sirius conversou confortavelmente com uma bruxa loira bonita atrás da escrivaninha de informações. Ela se apresentou como Debbie.

-Vou ficar feliz em acompanhar seu afilhado aqui – ela disse depois de Sirius dizer a ela o que eles precisavam. – Por aqui.

Harry pulou três lances de escadas e passou por mais livros que ele imaginou que existissem. "Hermione poderia viver aqui" ele sussurrou para si mesmo quando eles começaram a subir a quarta escadaria.

-O que foi? – Sirius o chamou por sobre o ombro.

-Nada – murmurou Harry.

Sirius olhou como se ele tivesse feito mais uma pergunta, mas naquele momento Debbie fez uma curva súbita à direita.

-Aqui estamos nós – ela gorjeou, liderando o caminho para a grande sala. As paredes estavam escondidas por fileiras de gabinetes que chegavam ao teto. No meio da sala estava uma longa mesa de mogno rodeada de cadeiras semelhantes às cadeiras de negócio trouxas.

-Façam-se confortáveis – a garota convidou. – Por quais registros vocês estão procurando?

-O caso particular que procuramos é uma acusação de assassinato que ocorreu em final de 1992 ou em 1993. – Sirius disse, e com um aceno da varinha de Debbie, vinte pesados arquivos planaram de vários gabinetes e deslizaram pela mesa, parando em uma pilha bagunçada diante de Harry.

-Estes são os arquivos de crimes sérios dos anos que vocês mencionaram. – Debbie explicou. – Eles estão em ordem de data. – ela pausou, incerta. – Vão ficar bem?

Sirius lançou a ela um sorriso charmoso.

-Claro. Obrigado pela ajuda.

-Bem, então, eu vou voltar lá para frente, mas vou aparecer depois para ver se vocês precisam de mais alguma assistência.

Uma vez que ela saíra, Sirius se ergueu.

-Vou estar de volta em algumas horas, esperançosamente cedo. Vai depender do quanto de persuasão será necessário. – Harry abriu a boca para perguntar sobre o que Sirius estava falando, mas Sirius o cortou. – Não agora... você vai saber mais tarde. Boa sorte com os registros!

Harry observou-o sair, então mergulhou nos arquivos. Ele começou em setembro de 1992, lembrando que seria improvável que encontrasse o caso tãovel que encontrasse o caso t92, lembrando que estava falando, ocrry.le momentoe estabeleceu. us iria ajud cedo nos registros. Mas desde que ele lembrara que o primeiro ataque do basilisco ocorrera em setembro, ele imaginou que esse seria o lugar lógico para começar.

Depois de uma hora e meia, Harry havia chegado apenas em fevereiro de 1993. A maioria dos casos era muito entediante - desaparecimentos, assaltos ou agressões. Harry reconheceu o nome de Mundungo Fletcher em muitos registros, mas a um exame mais próximo, o bruxo sombrio sempre fora capaz de dar seu jeito de evitar a sentença. A maioria dos casos de assassinato era de Comensais da Morte, mas havia casos civis também.

Debbie voltou uma vez, mas Harry a afastou, argumentando que estava indo bem sozinho. Ele sabia que ela estava curiosa sobre qual caso ele estava procurando, mas ela era muito educada para perguntar.

Pela hora em que ele chegou em março, ele se deu conta do quão lentamente as coisas estavam indo. Ele puxou a varinha e murmurou um feitiço simples de ordem alfabética. Os papéis voaram e então se assentaram, os registros em ordem de acordo com o último nome do acusado. Muito melhor, pensou Harry enquanto ele folheava até o W. Não havia arquivos para Weasley, Gina. Suspirando, ele sacudiu a varinha e arrumou novamente os papéis antes de continuar.

Na pasta de abril, ele encontrou.

Ginevra Weasley, lia o arquivo, Idade doze. Caso de número 22106. Acusada, julgada e condenada em 13 de abril por abrir a suposta Câmara Secreta nas Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, resultando na morte de quatro estudantes: Srta. Padma Patil, Srta. Patricia Stimpson, Sr. Antônio Goldstein, e Srta. Alícia Spinnet. Harry sentiu como se tivesse sido socado no estômago. Quatro de seus colegas, mortos. Ele forçou a si mesmo a continuar a leitura. Veredicto: Culpada. Sentença: Quinze anos na Prisão Bruxa de Azkaban. Ser mantida isolada devido à natureza dos crimes. Harry sorriu com tristeza. Perfeito. Um resgate seria muito mais difícil se houvessem testemunhas - outros prisioneiros.

Ele rapidamente olhou o resto do arquivo. Malfoy a surpreendera falando a língua das cobras e abrindo a Câmara. Ele fora diretamente informar seu pai, que enviara um esquadrão inteiro dos aurores para levar embora a primeiranista aturdida. As coisas ocorreram rapidamente a partir daí. Sob Veritaserum, Gina admitira abrir a Câmara e libertar o monstro, mas ela continuara falando, e relatara coisas sobre um diário e um garoto de cabelos escuros chamado Tom. Uma vez que não havia ninguém na escola com o nome de Tom, os examinadores o consideraram uma alucinação que se tornara verdade na mente da garota. A defesa insistira que questões mais profundas deveriam ser feitas sobre o diário. Os aurores relutantemente procuraram pela escola, mas não encontraram nada. A votação no tribunal bruxo fora quase unânime. O veredicto? Culpada. O registro duplamente lembrava que a única pessoa que votara "Não culpada", Amélia Bones, morrera em um ataque de Comensais da Morte apenas alguns dias mais tarde. Harry tinha certeza que não fora coincidência.

Na penúltima página, ele encontrou uma observação interessante. McGonagall não fora a diretora durante o período do julgamento. Outra mulher estivera na diretoria da escola, Julietta Meriden. Depois das mortes, ela fora criticada por pais furiosos, e pelos membros do conselho. Apesar da tendência por Dolores Umbridge se tornar diretora, o conselho decidiu por Minerva McGonagall.

Harry rapidamente examinou a última página e observou os participantes do julgamento. Para seu ultraje, nem um membro da Ordem participara do julgamento. Harry imaginava que eles não haviam sido permitidos nele. Nem mesmo o Sr. e a ra.Weasley estiveram lá. Ele sentiu vontade de vomitar quando começou a entender um pouco daquilo pelo qual Gina havia passado. Ela sentara naquela cadeira horrível, com as algemas prendendo seus pulsos magros, diante do tribunal inteiro. Nem um rosto familiar estivera lá para confortá-la.

O escritor frisara ainda que a localização da entrada da Câmara era um fato ainda a ser descoberto. O líder do tribunal não quis que a localização fosse conhecida. Bem, isso explicava porque McGonagall não sabia onde a entrada era. Ela não fora permitida a entrar no tribunal, e nem ouviu de Draco Malfoy, uma vez que ele fora direto para seu pai, ao invés de ir a um professor ou à diretora.

Harry suspirou, e se recostou na cadeira. Todo o tribunal fora uma fraude. Ele tentou não pensar em Gina, toda sozinha no julgamento, provavelmente pensando que mesmo sua família desistira dela pelo que ela havia feito. E pensar que isso nunca teria acontecido se ele e Lupin não tivessem mudado as realidades. Se o Aperio nunca tivesse ocorrido, Gina estaria n'A Toca agora, feliz e saudável com seus amigos e família ao seu redor. Pare com isso, Harry disse a si mesmo. Não é sua culpa que Gina esteja em Azkaban. Então por que ele se sentia tão culpado?

-Encontrou alguma coisa? - uma voz disse.

Harry pulou ao som, e girou para ver Sirius de pé ali, segurando um pacote de couro nas mãos. Harry silenciosamente alcançou a ese o registro do caso.

-Excelente - Sirius disse, rapidamente examinando a primeira página. - Ela terá uma cela somente para ela. - ele continuou lendo, uma careta se formando em seu rosto. Quando ele leu a última página, deixou escapar um monte de xingamentos. Harry tinha certeza que ele nunca os usaria se Lílian estivesse presente. - Malditos, todos eles - Sirius terminou, batendo na mesa com o punho. - De todas as coisas baixas, sujas, traiçoeiras a fazer...

-Você acha que o Ministério impediu membros da Ordem de participar de propósito? - Harry perguntou.

Sirius assentiu tristemente.

-É o tipo de brincadeira que Lúcio Malfoy iria gostar. - Ele puxou a varinha e murmurou um feitiço de duplicação. Colocando as cópias no bolso, ele colocou a pilha de papéis de volta no arquivo e sem cerimônia lançou a pasta de volta à pilha. Então se voltou para Harry. - Eu diria que é hora de um almoço no Caldeirão Furado.

Galera, milhões de desculpas pela demora colossal. É que passei o fim de semana na praia de Torres-RS (era meu aniversário! Isso vale como desconto?) e simplesmente não consegui traduzir mais cedo essa semana. Porém, infelizmente para vocês, vou passar os dias 19 a 27 em outra praia, ou seja, longe do meu precioso computador. A única esperança será uma possível lan house perto da casa de praia... se a hora não for muito cara, vou tentar traduzir capítulos lá, ok? O jeito é aguardar!

Próximo capítulo: "Azkaban". Obrigado pelas reviews! E continuem mandando!

Aliás, eu sei que alguns de vocês sabem um pouco de inglês... Alguém se candidata para traduzir as reviews para o inglês para serem remetidas à autora? Eu simplesmente não tenho tempo nem paciência (XD) para isso...

PS: Lembram-se? Sim! Notifiquem possíveis erros! Meu Word travou, estou no Wordpad, onde não tem corretor ortográfico. .