Acordei algum tempo depois ainda na cama de Zero. Ele também estava dormindo ao meu lado com os braços em volta da minha cintura. Ele ficava lindo dormindo. Só dormindo, não. Ele era lindo de qualquer jeito. Olhei ao redor na tentativa de encontrar algum relógio para ver que horas eram. Vi no criado mudo um relógio. Tentei chegar até ele, mas os braços de Zero me puxaram para mais perto dele.
- Onde você pensa que vai? – ele perguntou ainda sonolento. – Não vai a lugar nenhum. – ele me abraçou mais forte.
- Eu só ia ver as horas, Zero. – percebi que ele afrouxou o abraço. Me sentei na cama e vi as horas. Meu Deus! Eram quase nove horas! Meus pais vão me matar... – Eu tenho que ir. Meus pais já devem estar loucos atrás de mim.
- Não estão não. A Yori ligou e disse que acobertou você. Para todos os efeitos você está com ela no shopping. – ele se sentou na cama também e começou a beijar o meu pescoço. Ele já estava querendo mais?! Eu ainda estou toda dolorida!
- Zero... Calma. Eu ainda estou dolorida. Vamos com calma. – eu disse colocando as mãos em seu peitoral. Ele me olhou surpreso. – Não faça essa cara! Não estou te rejeitando. Só estou dolorida. – falei dando um selinho nele. Foi aí que me veio um estalo. – A Yori te ligou?
- Não... Ligou para você. Só que você estava dormindo (quase babando) e eu tive que atender. Ela está lá em baixo com o Ichiru. Conversando. – ele levantou da cama e entrou no banheiro. – A propósito, - ele colocou a cabeça para fora da porta – eu fechei a janela. Sua governanta estava olhando aqui para dentro. E me olhou com cara feia quando apareci só de short na janela. – ele riu dele mesmo. Criatura estranha...
- Ela me viu? – disse me levantando também. Só que eu perdi as forças nas pernas e quase fui de cara ao chão se não fosse pelo Zero ter me segurado na hora. – Obrigada.
- Fui tão forte assim? – ele perguntou confuso. – Juro ter ido o mais devagar possível. Será que você é sensível demais? – ele falou pensativo. Eu fiquei pior que um pimentão. Isso é comentário que se faça? – Ah! Te deixei sem graça. Que gracinha. – ele me deu um beijo. – Vamos nos vestir que eles estão esperando. – ele se afastou e voltou para o banheiro.
Instantes depois eu entrei e saí de lá devidamente vestida. Zero ficou dizendo que aquele vestido era perfeito para "certas" ocasiões e que eu deveria usá-lo mais vezes. Aquele depravado! Quando chegamos na sala, Ichiru estava tirando um cochilo no colo da Yori. E ela sentada com a cabeça encostada nas costas do sofá. Senti muita pena de acordá-los. Afinal, a Yori não parecia estar deprimida depois que soube da notícia que o Aidou tinha voltado. Será que o Ichiru conseguiu contornar a situação? Assim eu desejaria.
Nos aproximamos um pouco e ficamos olhando eles. Pouco tempo depois Ichiru abriu os olhos e acordou a Yori. Eles nos olharam e ficaram vermelhos. Que lindos!
- Boa noite dorminhocos. – disse Zero. – Como foi lá na concessionária. Conseguiu comprar o carro?
- Uhm... Conseguimos. Ele já está até na garagem. Quer ir lá ver? – ele se levantou e ajudou a Yori a levantar também.
Ichiru guiou todos até a garagem e foi nos mostrar o seu carro novo. A garagem estava escura que só. Não conseguia ver nada diante de mim. Tanto que tropecei em alguma coisa e caí em cima de alguém. De Ichiru.
- Yuuki, você está bem? – ele disse me segurando pela cintura. Devo dizer que nossas posições não estavam nem um pouco legais. Minhas pernas estavam abertas em cima dele. Nisso alguém liga a luz. Fiquei envergonhada na hora e saí o mais rápido que pude.
- Estou. Obrigada e desculpa. Caí em cima de você. Devia ter prestado atenção onde estava pisando. – disse olhando o olhar de Zero em cima da gente.
- A culpa não foi sua. Nosso avô tinha mania de deixar as coisas deles espalhadas pela garagem mesmo. Ainda temos que organizar isso. – ele disse com um olhar um pouco triste. Avô? Que avô?
- Ichiru. – Zero o chamou. – Mostre logo o carro. Temos que levá-las de volta para a casa ainda hoje sabia? – ele disse sério.
- Quanto estresse! Alí está o carro. – ele apontou para um Ranger Rover Evoque preto. Devo dizer que eu me apaixonei pelo carro. O que me faz pensar em como a Yori dirigiu um negócio daquele tamanho. – Ele é lindo, não é? Nunca tinha dirigido um carro tão potente.
- Dirigido? Não foi a Yori que trouxe esse carro? Você tinha me dito que ela iria dirigir esse e você dirigiria a Hillux? – Zero parecia irritado. Qual era o problema? Era só um carro!
- Não iria deixar a Yori dirigir algo daquele tamanho! Pelo amor de Deus, Zero. Você viu o tamanho do carro? – Ichiru também parecia irritado. – E nada aconteceu com o seu carro. Ela dirigiu com o maior cuidado. Não fique tão irritado.
- Ah, ta. Ta. Não me importo, mas deveria ter me avisado. Saco! – Zero veio até mim. – Venha. Vou te levar para a casa. – e me puxou garagem a fora.
Zero andava apressadamente pela rua. Ele parecia irritado com alguma coisa. Não sabia o que era, mas estava realmente irritado. Não queria perguntar, mas minha curiosidade estava vencendo pouco a pouco. Quando já estávamos na porta da minha casa, eu não aguentei e tive que perguntar.
- O que aconteceu, Zero? Porque está irritado? – perguntei passando a mão em seu rosto, movimento esse que ele evitou afastando o rosto. – Zero?
- Não estou irritado. Boa noite Yuuki. – e saiu andando mais apressadamente do que veio.
Fiquei ali, vendo ele se afastar cada vez mais. Sem entender o que tinha acontecido para mudar tão drasticamente o humor dele. Quando vi que ele tinha entrado em casa, pude ver Yori e Ichiru andando na rua. Provavelmente Ichiru iria leva-la em casa. Esperei eles passarem em frente a porta para acenar para eles. Eles retribuíram sorrindo. Depois disso entrei em casa.
Estranhei não haver nenhum movimento na casa. Geralmente a essa hora meus pais estariam no escritório vendo papéis da editora e Kaname estaria ouvindo música alta no quarto. Nem Kira-san eu encontrei na cozinha. Procurei pela casa toda e nada de encontrá-los. Eu já estava ficando desesperada achando que o pior tinha acontecido. Corri para o meu quarto na esperança de que alguém teria deixado alguma coisa para mim. Nada. Vasculhei o quarto todo e não encontrei nada. Corri para o quarto de Kaname e nada também.
MEU DEUS! Aonde foi parar todo mundo?! O que aconteceu com todo mundo?
Voltei para a sala. Fiquei olhando em volta e imaginando onde eles poderiam ter colocado um bilhete ou algo parecido. Isso é, se houvesse um bilhete e eu daqui a pouco não estaria atendendo um telefonema de um sequestrador. Afastei imediatamente esses pensamentos e continuei a pensar em um lugar. Onde... Onde... ONDE?
O ESCRITÓRIO! Claro! Porque não pensei nele antes? Corri para lá. Abri a porta em um estrondo e fui direto à escrivaninha. Como esperava (ou desejava) lá estava um bilhete dos meus pais. Sentei na cadeira e comecei a ler. Ele não era comprido, na verdade, cabia todo em uma folha de papel. O bilhete dizia:
"Yuuki,
Nós já fomos para os Estados Unidos. Você falou que ficaria bem sozinha, mas, por favor, qualquer coisa nos ligue. Os pais da Yori já sabem que partimos, então eles ficaram tomando conta de você. Você poderá comer lá ao invés de fazer sua própria refeição se quiser. Trouxemos a Kira-san conosco, mas tem o serviço de faxineira semanal do condomínio. Use-o se quiser. Kusama-san veio também. Espero que não fique chateada de termos o trazido. (risos)
Kaname veio conosco também. Para organizar a empresa. Se se sentir sozinha, vai para a casa da Yori. Se chover, vá para a casa dela. Não fique se torturando por causa do medo. Se precisar de alguma ajuda adulta e não conseguir falar com os pais da Yori, peça ao Kiryuu-san. Acho que ele não verá problemas em te ajudar, mas explique a situação antes. Senão ele achará que você é doida. (risos)
Acho que é só isso, minha filha. Qualquer coisa nos ligue. Ligaremos quando chegarmos a Providence. Não fique preocupada. Eu sei que é desnecessário dizer isso, mas, comporte-se!
Beijos da mamãe e do papai. Kaname também mandou beijo. Se cuida, filha."
Tudo o que eu pude pensar foi: EU FUI ABANDONADA! Como assim eles vão para Rhode Island e me largam aqui? Sem Kira-san, sem Kusama-san... Eles querem que eu morra de fome?! Que absurdo. Assim que eles ligarem eu vou reclamar com eles! Nisso o telefone tocou. Corri para atender. Já revoltada com o mundo.
- ALÔ! – gritei na linha. – COMO VOCÊS PUDERAM ME LARGAR AQUI SEM NINGUÉM?! – nisso eu ouço uma risada do outro lado da linha. Ai droga. Conheço essa risada.
- Seus pais viajaram é? – Zero ria contente. – Vejo que poderei te fazer longas visitas durante a ausência deles. – e desligou.
Agora era só o que me faltava...
