Capitulo 20
Compromissos inquebráveis
Após o médico fechar a porta num pequeno clique, o silêncio preencheu totalmente aquela divisão iluminadas apenas por duas ténues velas. Isabella mantinha o olhar preso na janela empoeirada do quarto, a modos de pensar numa história rápida para se justificar perante o homem que se mantinha emudecido, sentado na poltrona perto da cama, com feições inflexíveis e duras. Não é que lhe devesse algum tipo de explicação da sua vida, porém, enquanto estivesse ali, tinha um propósito que pretendia levar até ao fim: ganhar a confiança daquele homem para depois descobrir o paradeiro do coração.
Num pigarrear seco, a jovem acomodou-se vagarosamente na cama de forma a ficar numa posição sentada. Finalmente encarou Cutler, que elevou imediatamente o olhar sobre o seu. Intimidador, pensou Isabella sem baixar o olhar. Num suspiro encorajador, a jovem fez um meneio de cabeça discreto e apertou os lençóis da cama, engolindo seco antes de proferir:
-Cutler, yo necesito de…
-A Milady não me deve nenhum esclarecimento. – A sua voz quase incriminadora fez Isabella sorrir, ainda que contrafeita.
-Talvez no, pero, por su voz acusadora eu tengo necesidad de me explicar. – Cutler não moveu nem uma feição do rosto, pronto a ouvir, mesmo que fingisse desinteresse. – Un año después de la muerte de mi marido, me mudé para Toral, donde conocí un bueno hombre y nos enamoramos. Ese hombre fue Diego Velasco, capitán del barco que me llevo para fuera del país. – Isabella mordeu o lábio, e fechou os olhos, recordando-se apenas da figura de Jack Sparrow, talvez assim não fugisse tanto ao contexto da sua história. – Digamos que a viajem a Cuba fue apenas una excusa para tenernos un tiempo para nosotros, ya que mi familia miraba el nuestro amor como siendo una raíce podre perante a sociedad.
-Então a história do medalhão foi meramente uma desculpa para estar com ele. – Asseverou para si mesmo ao passar os dedos pelo queixo, com o olhar estreito sobre o vazio.
-Completamente. – Ela apenas elevou um canto dos lábios. – Pelo menos vivimos nuestra história de amor, mismo que tenga sido por un breve periodo de tiempo. – Suspirou, tremelicando com a voz. – Diego me salvó de las manos de los piratas e fue baleado pelo hombre que se dizia ser Jack Sparrow, acabando por morir e desaparecer en el mar. – De forma inexacta, Isabella baixou os olhos em direcção ao ventre, ainda sem conseguir assimilar o facto de estar de esperanças e sorriu. - Ahora estoy esperando a su hijo.
-Sei que se ele fosse vivo ficaria muito feliz. – Isabella apercebeu-se do tom nostálgico de Cutler, que não escondia um igual sorriso. – Eu também sou pai de um filho de seis anos, que está em Inglaterra com a mãe. – A jovem franziu o cenho, contudo ele anteviu a pergunta dela e retrucou: - Há mais de um ano que anulei o meu casamento com ela.
-Tengo miedo de no tener la fuerza de su ex mujer e crear un hijo sin tener la presencia del padre. – Ponderou, sincera.
-Não se preocupe. – Cutler ergueu-se lentamente da poltrona, apanhando Isabella de surpresa. Este apertou os lábios com força e cerrou igualmente o cenho.
-Estás bien?
-Sim. – Murmurou ao se sentar repentinamente na ponta da cama da jovem. – Contudo, penso ter a solução exacta para o seu problema, isto se quiser claro.
Embora não soubesse o que Cutler estava planeando, Isabella sentiu as batidas cardíacas acelerarem conforme a sua respiração. Sem que ela contasse, o governador pegou-lhe delicadamente na mão direita e fixou os seus olhos nesta. Sem entender o que se passava, a jovem começou a ficar receosa. Quais eram as intenções do seu inimigo?
-Quer casar comigo? – Proferiu de rompante, novamente surpreendendo Isabella que piscou seus cílios inúmeras vezes, ainda sem acreditar. – Sei o que deve de estar pensando: que é demasiado cedo para tal pedido. Todavia, eu tenho um imenso desejo de ampará-la nesta altura delicada da sua vida, especialmente para não ficar desonrada perante a sua família, além de criar um filho, sozinha.
Devido ao seu estado de nervos avançado, Isabella teve uma enorme vontade de se rir perante tal pedido, porém, deteve-se para não irritar Cutler, que ainda permanecia com a sua mão entre as dele. Ela mordeu o lábio, sem saber como reagir, ou o que dizer, ainda que soubesse que, caso aceitasse e ele viesse a descobrir o seu segredo, a mataria na hora. Fingindo-se emocionada, a jovem elevou um sorriso terno e complacente.
-Cutler, yo no te puedo dar amor tan cedo, pois el mío corazón ainda pertenece al mío capitán…
-Serei paciente, prometo. – Retrucou prontamente, sem deixar de exibir aquele sorriso pertinente. – E juntos, poderemos nos vingar de Jack Sparrow, além de que, de presente, poderia te mostrar o coração de Davy Jones.
Isabella arregalou inconscientemente os olhos, agora realmente tentada a aceitar a proposta. Não porque estivesse interessada em Cutler, pois continuava a achá-lo horripilante, todavia, aquela proposta de casamento dava-lhe acesso ao coração. E porque não?, indagou ela mentalmente. Um pequeno sacrifício para o bem da sua grande paixão: a pirataria. Pelo menos, o casamento não era tão doloroso quanto a extinção da pirataria e de seus amigos. Ela só precisava ter acesso àquele maldito coração e apunhalá-lo, e depois, fosse o que Deus quisesse.
-Aceito, no pelo corazón, mas para me vengar de Jack Sparrow e pela ayuda de crear mi hijo. – Não sabendo como, um brilho astucioso trespassou as suas safiras, o que agradou Cutler, pois, no minuto seguinte, beijou demoradamente a mão da duquesa.
-Aprecio o seu gesto, Milady. – Num salto entusiasmado, Cutler ergueu-se. – Bem, vou deixá-la descansar enquanto vou tratando de uns assuntos. Amanhã, no pequeno almoço, falaremos melhor sobre isso. Boa noite. – Ao se elevar, e numa vénia teatral, o pequeno homem saiu do quarto sem mais nada dizer.
Completamente desesperada pelo buraco que andava cavando sozinha, a jovem arrumou os lençóis para trás e levantou-se lentamente da cama. Num acto impensável, levou as mãos à cabeça e desalinhou os cabelos num baixo grunhido angustiante. Aproximou-se, então, da janela, que exibia um extraordinário luar tal e qual como o que Tortuga expusera sobre si, no dia em que desembarcara lá com a tripulação do Pérola Negra. Chocalhou a cabeça, meditativa. O que estava a fazer com a sua vida? E como se sozinha estivesse montando o seu próprio cadafalso, pronta para se enforcar a qualquer altura sem ajuda de ninguém, tendo apenas como espectador, Cutler Beckett, ocupador da primeira fila.
-O que vou fazer? Isto não estava nos meus planos. – Ela desordenou novamente os seus cabelos, alterada. – Calma, você não está sozinha agora. – Respirou fundo, tentando sossegar ao mesmo tempo que, do reflexo do vidro da janela, observava a sua imagem embaciada. – Onde está você, Jack, quando mais preciso de si.
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Em pleno sossego da noite resplendoroso, Jack mantinha-se trancado na cabine, sentado na sua habitual poltrona. Nas suas mãos, ainda regia aquela camisa ensanguentada, onde se detinha única e exclusivamente o olhar. Nem a garrafa de rum era mais apelativa do que aquele pedaço de camisa. Inúmeras vezes a levou ao nariz, só para sentir mais uma vez aquele peculiar e reconhecido cheira a maresia, outrora entranhado na pele da mulher que tivera em seus braços. A menção a esse tempo parecia-lhe longínqua, como uma vaga recordação, algures perdida na sua mente. Sobretudo o sabor dos beijos daquela mulher que lhe haviam arrancado para sempre da sua vida.
Mesmo sendo um pirata independente e irreverente, sentiu o seu coração vazio retorcer-se entre as paredes de seu peito, revoltado por ela se ter deixado vencer por um amor que não era certo. Um amor que, com certeza, ela não tinha convicção se era correspondido por parte dele, especialmente após aquela encenação que fizera para a proteger de Davy Jones. Como ousara ele tocar-lhe num único fio de cabelo dela, mesmo tendo a dúvida se Isabella era ou não a reencarnação de Constância?
Jack tirou os pés da mesa e, num pequeno pulo imperceptível, ergue-se da cadeira. Atirou com o pequeno pedaço de camisa para um canto e finalmente deixou-se render pelo chamado da sua garrafa de rum. Inclinando-se sobre um dos armários, apoiado apenas por uma das mãos, ele pegou a garrafa e arrancou a rolha com a boca, cuspindo-a de imediato, para logo de seguida tragar o liquido sem ao menos parar para respirar.
-Jack. – Uma voz feminina aclamou por sua atenção.
Lentamente, sob o rodopiar dos seus calcanhares, ele voltou-se para encarar seis pares de olhos cravados sobre si. No seu jeito peculiar, ele empinou a sobrancelha e gesticulou com as mãos à procura de uma explicação exacta do porquê de tantos olhares estarem impostos sobre a sua pessoa. John foi o primeiro a mover-se em direcção ao filho e, sem este contar, colocou-lhe a mão acima do ombro.
-Filho, lamentamos tudo o que aconteceu à sua queridíssima. – Jack apenas espalhou um sorriso mordaz nos lábios e voltou a mergulhar o gargalo neles, proferindo um:
-Já não sabem bater à porta? Onde ficaram as vossas boas maneiras? – Por cima da garrafa, pôde apreciar Elizabeth e Will abraçados, com seus olhares pesarosos sobre si. – Estão prontos para atacar Port Royal em meros dias?
-Você sempre vai levar avante essa missão suicida? – O tom possante de Barbossa preencheu a cabine principal; atrás de Will, Barbossa avançou para se destacar diante do capitão, a modos de o chamar à razão. – Não acha que é um bocado cedo para tal?
-Já vamos tarde, meu caro. – Resoluto, Jack moveu-se novamente até à mesa, onde pousou estrondosamente a garrafa. – Pirata que se preza nunca desiste dos seus objectivos, muito menos de um bom desafio. – Contudo, ergueu o dedo indicador ao encontro do seu queixo e murmurou para si: - Apesar de às vezes ser bem tentador.
-Como vamos distrair os navios que andam à nossa procura? – Num sorriso confiante, Elizabeth soltou-se gentilmente de Will e avançou igualmente para a outra extremidade da mesa.
-Elizabeth…- Alarmou Will, mas a jovem cortou-o com um meneio de mão.
-Não vou deixar esta oportunidade passar, Will. – Elizabeth arregaçou a bainha da manga grosseiramente, expondo a cicatriz quase cicatrizada à vista de todos; Jack fez um esgar de aversão ao observá-la. – Até porque Jack está certo. Não nos podemos acobardar agora, não quando Cutler está cada vez mais perto de nos eliminar. – Noutro tom mais monocórdio, concluiu: - Davy Jones já não é um perigo para nós, por isso, temos de arriscar novamente.
-Sim, porque eu não pretendo ficar de braços cruzados até os meus delitos prescrevam, se é que me entendem. – Jack apenas gesticulou os braços, dissimulado, ainda que ninguém lhe tenha dado caso.
-Eu também estou de acordo, contudo, temos de analisar bem as nossas desvantagens. – Will aproximou-se de Elizabeth e colocou uma mão sobre o seu ombro. – Não quero voltar a vê-la desvairada em sangue.
-O que nos diz a isto, Tia Dalma? – Indagou Barbossa voltando sua atenção para a mulher que permanecia de olhos fechados, num dos seus momentos de reflexão.
Em segundos, tudo permaneceu em silêncio para acompanhar aquela meditação espontânea da feiticeira. E, tal e qual como se tivesse vindo à superfície após vários segundos debaixo de água, a mulher resfolgou de ímpeto, assustando os demais presentes naquela sala. Numa passada distinta, Barbossa tratou de amparar Dalma em suas mãos, que chocalhou a cabeça e encarou-o com uma expressão neutra.
-A madame vodoo está bem? – Certificou-se John com um trejeito de mãos singular, levando quase todos a rodopiar os olhos.
-Cutler cancelou as buscas para apanhar você em passo falso. – Atestou Dalma, recompondo-se ao lançar um sorriso enviesado para Barbossa, em sinal de agradecimento, para de seguida enrugar o cenho. – Só que algo mudou no comportamento dele; está mais brando. Penso que alguém lhe está tentando converter as ideias. – Fez uma pausa para se certificar de algo obscuro em sua mente, para completar, convicta: - Esse alguém está cada vez mais perto do coração.
-James. – Num relance, Will e Elizabeth entreolharam-se, talvez certos desse facto.
-Por isso é que temos de intervir o quanto antes. – Realçou Elizabeth de olhos impostos sobre Jack. – Talvez, ainda consigamos trazer Isa… - calou-se bruscamente, baixando o olhar.
-Darling, nem todos os mortos regressam à vida, só alguns têm esse privilégio, savvy? – Voltou a pegar na garrafa com uma expressão taciturna envolvida num misto de raiva e desdém, fitando Barbossa de lado.
-Porque não atracamos o navio na ala sudeste da cidade que é pouco ou nada habitada? – Interveio Will a modos de não desviar o assunto para outros termos, após aperceber-se das feições flexíveis de Jack.
-Óptimo, menos um problema. – Sem tocar no líquido, Jack passou os dedos pelas tranças e moveu-se em passadas curtas, sem destino. – Iremos entrar na cidade disfarçados. Tenho vários disfarces que usei para… escapar de certas situações. – Sorriu com malícia ao fixar seu olhar numa velha arca de madeira putrefeita.
-Será que isso irá resultar? – Barbossa indagou, com o sobrolho empinado.
-Já viu alguma ideia de Jack Sparrow dar errada?
-Quer mesmo que responda? Ou prefere constatar factos?
-Bom, deixemos as constatações para mais tarde. – Gesticulou os braços, desinteressado, retomando a linha de raciocínio: - O mais importante é pôr o plano em prática em menos de alguns dias. Agora, todos para fora daqui. – Num acto repentino, Jack começou a empurrar toda a gente, num pequeno enlaço, em direcção à porta aberta. – E avisem todos que, mais alguma ideia inteligente, faça o favor de me comunicar, caso contrário, deixem-me pensar. Adeusinho. – Fez um aceno de mão e fechou a porta num solavanco.
Em passadas aceleradas, foi até à mesa onde estava lá o mapa estendido. Tentou, então, concentrar no mapa, calculando a distância e o tempo médio que demorariam a chegar, porém uma inesperada frase preencheu-lhe a desordenada mente: "eu te odeio". A frase trespassada de ódio que lhe escapavam pelos olhos, outrora ternos…
-Bugger, não vou deixar que volte a dominar os meus pensamentos. – Fechou os olhos rudemente. – Ela morreu e o causador dessa morte não irá ficar vivo para contar as próximas aventuras
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Após os primeiros raios de sol resplandecerem pela janela do quarto de Isabella, a jovem já se encontrava acordada, sentada na penteadeira a dar um último retoque aos seus longos cabelos apanhados num coque. A má disposição de ontem não passava mais de uma breve lembrança, ainda que os problemas em que se metera, continuassem cada vez mais acentuados. Abanando conscientemente a cabeça de maneira a afastar aquela maldita linha de pensamentos, a jovem acabou por enterrar o elegante chapéu no topo da cabeça e ergueu-se da cadeira, para se dirigir à porta, pronta a ir ter com Cutler, que a esperava para tomarem o pequeno almoço.
Numa passada branda e cautelosa, a jovem moveu-se em repleto silêncio até que, do lado contrário ao que caminhava, escutou passos rudes e marcados pelo som monocórdio. Isabella atreveu-se a erguer um pouco mais o olhar sobre a aba larga, visualizando um homem bem aparentado. James Norrington.
Este apenas elevou um canto da boca enquanto caminhava e deteve-se mesmo de frente para a mulher que vinha em sua direcção. Aquele aspecto não lhe era estranho. Especialmente aquele olhar. Maldição, onde já tinha apreciado aqueles olhos intensos? Fechou os seus, como reflexão, e, na sua mente clareou uma luz óbvia. Aquele maldita lembrança longínqua que lhe faltava para completar o seu raciocínio.
Flashback
-Uma mulher? – murmurou James, depois de ter encarado o rosto suave e belo da jovem mulher.
-Jack, só falta mais dois guardas e esse ai! – comentou no ouvido de Jack, fazendo-o estremecer, o que o levou a deixar de atacar James.
Fim Flashback
-Pirata. – remoeu para si mesmo, entre dentes ao vê-la dirigir-se na sua direcção.
Agora todas as peças encaixavam-se numa só: nela. Tinha sido ela a organizar praticamente a expedição para resgatar Jack Sparrow do seu navio, na altura em que ele o tivera sobre mira. A assassina de Mercer. Por isso tanto conhecimento sobre o coração. Ele estreitou o olhar contra ela, massajando o queixo. Como um ser tão delicado conseguia enganar tão bem? Afinal, sempre tivera certo quanto à falsa duquesa; um sorriso surgir entre a linha tensa dos seus lábios. Só precisava ter a carta de confirmação para obter a certeza total dos factos. Porém, o que faria ela ali? Teria o conhecimento de Jack ou actuava sozinha? Uma coisa era certa: talvez tivesse ali uma aliada, quem sabe, para a sua causa.
-Bom dia duquesa, madrugou cedo. – Fez uma falsa vénia sem afrouxar o sorriso que prendia nos lábios.
-Tengo compromisos con su señor…
-E seu futuro marido, pelo que ouvi dizer. – A jovem deteve-se mesmo em frente a James, que não desarmou a sua ofensiva. - Parabéns, milady, parece que conseguiu o que tanto queria, não é verdade? Além de uma boa vida como primeira-dama, terá um coração à sua disposição. – Isabella percebeu a dualidade daquela frase.
-Es mejor no entramos por eses campos, Comodoro. – Ela colocou o dedo em riste contra o peito do homem, não escondendo sua ira.
-Perdão pelo aborrecimento, já que devo ter em conta o seu estado. – Ele abriu os braços, numa alusão ao corpo da duquesa, sempre num tom sarcástico. - Tenho a certeza que se o capitão soubesse do seu estado de graça, ficaria inteiramente feliz. – Isabella arfou ao entender o novo sarcasmo daquele homem.
-No lhe admito tal descaramiento. – Rosnou, cada vez mais alterada pelas provocações. – E ahora, se me dé permiso, me voy encontrar con mi señor. – Com um esgar de repulsa, Isabella continuou o seu caminho, sem olhar para trás.
-Ensinou-a muito bem, meu caro Sparrow. – Ele entortou o pescoço para a contemplar. - Bem de mais para falar a verdade. – Deu ombros e voltou a voltou-se para a saída.
Já no salão de jantar, Cutler esperava a sua futura noiva perto da alargada janela. Mal ouviu a porta ser arrastada, e de lá ser delineada a figura esbelta da duquesa, o governador espalhou um sorriso expressivo e dirigiu-se para a cadeira mais próxima, arrastando-a para trás de forma a dar lugar à jovem. Isabella correspondeu-lhe com um sorriso contrafeito, ainda nervosa pela investida de James. Sem nada dizer, sentou-se, acomodando-se ao mesmo tempo que Cutler ocupava o seu lugar.
-Como se sente hoje? – Tentou certificar-se de maneira cautelosa.
-Bien, gracias. – Retrucou ao analisar o conteúdo recheado que se encontrava na mesa.
-Ainda bem, fico mais descansado. – Cutler apoderou-se de um bule e despejou na sua chávena um pouco de café fumegante. – Servida? – Esta apenas afirmou com a cabeça do qual fez Cutler repetir o gesto. – É verdade, já tratei de ir falar com o padre. Infelizmente ele está adoentado, mandou até dois frades tomarem conta da igreja enquanto ele estiver impedido das suas funções. Por isso, em menos de um mês poderemos marcar o nosso casamento.
-Es una buena noticia. – Proferiu sem emoção alguma após agitar a colher na chávena e pousá-la no prato, pegando na chávena para se servir.
-Podemos convidar a sua família para o casamento. – Isabella deteve a chávena no ar, completamente estática e petrificada, sem saber que tipo de reacção ter.
-Yo mismo trataré disso, no te incomodes. – Fitou-o de soslaio, depois de se acalmar, vendo-o exibir outro sorriso. – Me deparé con lo Comodoro, algún problema?
-Parece que apanharam um pirata na cidade. – Ele levou um pedaço de pão à boca e, depois de o triturar, voltou a proferir, sem reparar na fisionomia agastada da jovem: - Amanhã será enforcado. – Encarou-a com um semblante satisfeito e perverso. – Pretendo que me acompanhe, já que será uma prévia do que acontecerá, caso apanhemos o Sparrow.
-Por supuesto – Engoliu seco, num fio de voz, após se servir de um pedaço de pão com compota.
O resto do pequeno almoço foi consumado em pleno silêncio. Por mais que tentasse, Isabella mal conseguia movimentar o maxilar devido à tensão que sentia. O receio de algum marujo do Pérola Negra ter caído nas garras de Cutler sufocava-a; ou até mesmo o facto de ter sido descoberta por James que mal conseguia esconder o sarcasmo que eclodia em sua mente astuta. De forma discreta, a jovem chocalhou a cabeça.
-Se já finalizou, eu desejo que me acompanhe a um local, a meios de cumprir a promessa que lhe fiz. – Em completo pavor, Isabella arregalou os olhos sem encarar o homem.
-Puedo saber donde me queréis levar? – Tentou indagar da maneira mais natural, com uma pitada de curiosidade a estalar-lhe na língua.
-É uma surpresa. – Numa expressão branda, Cutler ergueu-se da cadeira para ajudar a jovem a levantar-se, dando-lhe o braço para esta dependurar o seu.
Abandonaram o salão sem proferir qualquer tipo de som, a não ser o da passada apressada que Cutler impunha a Isabella. Seu entusiasmo era quase palpável, para desespero de Isabella que sentia seu coração bater contra as paredes de seu peito acelerado. Sempre atenta aos detalhes, viu-se num extenso corredor que dava lugar a uma porta, onde de plantão se encontrava um permanecia um guarda. Numa continência, ainda que desconfiado, o guarda deslocou-se do seu posto para Cutler e Isabella atravessarem a porta aberta por este. Ambos desceram, de forma lenta, as escadas em espiral até darem a outra porta, desta vez toda ela em metal. Ao se deter, Isabella apercebeu-se que aquilo era o cofre e, nesse mesmo instante, uma luz clareou os pensamentos dela. O coração. De soslaio, viu Cutler tirar uma pequena chave do pescoço e abrir sem dificuldade alguma a porta.
Com um enorme sorriso, Cutler foi o primeiro a entrar no pequeno compartimento, agachando-se de seguida para capturar algo que se encontrava pulsante no chão. De seguida ergue-se num pulo e voltou-se para uma Isabella estática.
-Entre, Milady e venha sentir esta maravilha. – Muito lentamente, Isabella foi voltando a si; num passo arrastado, como um animal curioso, a jovem avançou.
Cuidadosamente, Cutler desembrulhou o palpitante órgão e achegou-o para perto dela, que mantinha seu olhar radiante diante de tal prodígio. Ainda incerta, levou as mãos ao encontro do coração e, com o olhar, pediu permissão para pegar nela. Num meneio de cabeça, Cutler afirmou, vendo-a tomar com toda a prudência aquele coração.
Nesse instante, seus olhos se fecharam quase que automaticamente, visualizando-o um repleto jardim em tonalidade verde, onde ela mesma caminhava sem saber ao certo onde pretendia ir. Todavia, mais à frente, uma mulher estava de costas para si, observando as novas roseiras que despontavam sobre aquele magnífico dia de Verão. Os seus imóveis cabelos loiros varriam a cintura delgada da mulher, repousados sobre o vestido azul safira, tornando-a majestosa a quem a contemplasse. Estranhamente, Isabella moveu-se em direcção à mulher, que nunca desfez a sua pose até vê-la aproximar-se. Num sorriso resplandecente, proferiu em voz alta:
-Há muy tiempo que esperaba tu visita, Isabella Morgan. – Nesse momento, a mulher voltou-se para depositar suas esmeraldas sobre um azul intimidado.
-Constância de Habsburgo. – Isabella assentou o dorso da mão contra a boca entreaberta, assombrada.
-Bien-Venida a España, donde parte de la trama de nuestra alma enamorada se inició. – Constância acariciou carinhosamente a pétala de uma rosa, para logo devolver um novo sorriso – Puede parecer extraño, pero apesar de terem pasado séculos, mi alma ay encontrado la persona cierta para quebrar la maldición que Davy Jones ay impuesto sobre el mismo.
-Por eso que me sentía extraña en su presencia. – Concluiu Isabella ao se aproximar mais da loira, ainda que sentisse tal desconforto por tal. - ¿Por eso él pensaba que yo era la reencarnación?
-Sí, Hermes ay dito a Davy que mi presencia sería anunciada atraves de lo medallón. – Prudente, Constância tomou as mãos de Isabella sob as suas, e em feições ternas, completou: - Sólo usted puede romper esa maldición.
-¿E o que puedo hacer para ayudar? – Determinada, Isabella apertou as mãos da espanhola.
-Apuñala el corazón.
De expressão carregada e taciturna, Constância largou brandamente as mãos de Isabella e caminhou em passos curtos pelo trilho verdejado do jardim. Confusa, Isabella chocalhou a cabeça e tratou de seguir a mulher, em busca de mais respostas para tal propósito. Já alcançando Constância, Isabella fitou a sua fisionomia pálida envolvida numa melancolia própria de quem não suporta tal ideia.
-Pero señora, así lo mataré…
-Ya que no podemos estar juntos en esta dimensión, entonces que nos quedamos juntos en otra vida. – De soslaio, a infanta fitou a jovem pirata e abriu um sorriso louvável. - Es increíble lo que el amor de una mujer lo hace, y yo te admiro por lo que estás haciendo en favor de un hombre como Jack Sparrow. Eres una gran mujer, Isabella Morgan.
-Gracias Señora, e yo prometo que cumpliré la promesa de quebrar la maldición, para que finalmente usted posa vivir su amor en otro tiempo. – Garantiu a joven pirata.
-Y yo te prometo que abandonaré tu cuerpo para siempre cuando tal ocurrir. – Constância deteve-se diante de Isabella, que cerrou o cenho, apreensiva. – Pero, antes de te liberar, tengo algo para te contar. Algo que minguen nunca tomó conhecimento. – A infanta fez uma pausa, porém, continuou após suspirar: - Yo morí con tu edad e con un hijo en mi vientre para defender lo hombre que amaba.- Isabella sentiu um frio percorrer-lhe a espinha que a sufocou. – Por eso, tiene cuidado con sus opciones.
Isabella resfolgou repentinamente ao abrir os olhos de rompante. A primeira imagem que capturou foi a de Cutler, que a fitava de uma maneira estranha, num misto de apreensão e precaução. Muito lentamente, a jovem foi baixando o olhar até os seus olhos recaírem sobre aquele maldito e imparável coração. De forma reservada, sentiu os seus dentes rangerem automaticamente, num profundo ódio por aquele órgão que pulsava em suas mãos, tão vivo e tão presente quanto a promessa que fizera à sua alma atormentada. Quase num impulso, e num fervor de coragem, uma das suas mãos voou em direcção ao local onde o seu punhal se encontrava, porém, reflectiu sobre o seu acto impensado. A frase congelante da infanta bateu nas barreiras do seu pensamento: "tiene cuidado con sus opciones". Não podia colocar a vida do seu filho em perigo, não agora que se encontrava mais frágil do que nunca.
-A milady está bem? – Certificou-se após ver a jovem num estado de transe assustador.
-És realmente notable e interesante. – Fez uma alusão ao coração de maneira a afastar a atenção sobre si.
-Sim, realmente admirável. – Aproximou-se da duquesa e colocou as mãos sob as dela, murmurando: - Imagine o poder resguardado neste pequeno órgão e nas maravilhas que ele nos pode proporcionar. – Um sorriso malicioso espalhou-se nos seus lábios. - Poderíamos ter o mundo aos nossos pés, basta apenas…
-Saber como florecer el bendito poder. – Completou Isabella ao se aperceber que Cutler estava cada vez mais satisfeito por vê-la chegar onde ele queria.
-Exactamente. – Ele fez uma carícia no rosto de Isabella, que sentiu uma náusea perante tal acto. – E eu quero que você esteja ao meu lado quando isso acontecer. – Ela sentiu-se incomodada com aquela intimidade.
-Gracias por toda la consideración…
Nesse instante, sem ela contar com tal acto, sentiu os lábios dele tocarem docemente nos seus. Sem saber o que fazer, e a muito custo, a jovem acabou por lhe corresponder, imaginando que os lábios que a tocavam eram os de Jack. O seu grande amor. De seguida, ele afastou-se carinhosamente e fitou-a nos olhos, com um sorriso satisfeito.
-Juntos, acabaremos por saber como acordar esse poder, e assim, acabaremos por destruir Jack Sparrow de uma vez por todas. – Aquele comentário tinha caído que nem um murro no estômago de Isabella.
-Él va a tener lo que merece…
Um movimento atrás da porta quebrou aquele momento entre ambos, para alívio de Isabella. Um guarda apareceu com uma expressão confusa e aflita sem saber como se pronunciar.
-Senhor governador, está havendo tumultos lá fora, já é o segundo esta semana. – Anunciou o guarda num ar arfante, como se tivesse feito uma grande corrida para chegar ali. – E agora ameaçam não sair da frente da residência. James está tentando aquietar os ânimos…
-Usem as armas se for preciso…
-Por Dios, Cutler, ellos son tu pueblo e usted eres lo su representante ante el rey. – Isabella recordou-se dolorosamente dos tratos miseráveis que havia sofrido naquela maldita ilha, por isso declarava uma fisionomia tensa e chocada perante tal acto.
-Eu sei, minha querida, mas o povo tem vindo a pedir demasiado para as verbas que o rei tem decretado para Port Royal. – E numa falsa expressão de pesar, deu continuação ao seu monólogo: - E já que eles não se vão embora perante a palavra da razão, então cabe-nos a nós usar a força para nos proteger de possíveis ataques.
Revoltada, e sem proferir qualquer tipo de palavra, Isabella entregou o coração a Cutler e empunhou a barra do vestido, afastando-se de um governador abismado. Ainda abanando a cabeça, a jovem subiu as escadas numa marcha acelerada. Teria de arriscar resolver aquilo, mesmo que Cutler ficasse furioso com a sua decisão precipitada. Não podia permitir que armas fossem usadas diante de pobres almas que apenas suplicavam pelos seus direitos.
Já quase a cumprir o seu destino, Isabella atravessou o hall, onde dois guardas permaneciam na retaguarda. Ainda tentaram cessar a marcha da duquesa, contudo Isabella fez um aceno de mão rude para não a deterem. De seguida transpôs a pequena frincha da majestosa porta e cruzou os jardins floridos, dando-lhe um breve arrepio, especialmente após aquela anterior visão com a infanta. Sentiu-se seguida pelos guardas, que fizeram questão de a acompanhar até ao seu desígnio para sua frustração. Já nos portões, Isabella visualizou várias pessoas de variadas classes etárias á frente do palácio, gritando enquanto os guardas tentavam evitar que aquela gente entrasse dentro daquela área governamental. No comando encontrava-se James, que fez um esgar de desdém quando a viu aproximar-se.
-O que faz aqui? – rosnou entre dentes, porém foi totalmente ignorado por Isabella, que se atravessou à sua frente para bramar em inglês perfeito, diante do barulho cada vez mais cessante:
-Que tanto manifestam?
-Milady, o povo reclama por fome. – Retrucou o possível representante de tal aparato. – Desde que este homem tomou posse do cargo de governador, nossas vidas têm vindo a piorar. O dinheiro é quase pouco e os impostos sobre o pão têm vindo a aumentar gradualmente, já para não falar no imposto que cobram pelas casas. – Após o tom de repulsa abrandar, o homem baixou o olhar e proferiu numa voz rouca: - Passamos fome e quase não somos reconhecidos pelo nosso trabalho. E aquele homem prometeu-nos melhorar de vida e até agora não vimos nada a ser cumprido.
-Nunca havíamos passado por tal coisa com o governador Swann. – Gritou uma mulher que se encontrava perdida no meio da multidão. – Ele sempre foi justo e bondoso com o seu povo, além de ter sido um governador exemplar. Nunca ousou usar o seu poder para aumentar o que quer que fosse na cidade, muito pelo contrário, sempre se disponibilizou a ajudar-nos…
-Yo entiendo lo vuestro punto de vista, nunca pensé que las cosas estaban tan mal. – Isabella passou a mão pelo rosto, sem saber como acalmá-los. – Ahora, por Dios, yo vos ruego para volvieren para sus casas. Me voy a comprometer a hacer algo para que esto no peor. – Pelo canto do olho apercebeu-se do olhar observador de James.
-Como teremos garantias que vossa senhoria está falando a verdade? A Milady vive repleta de luxo enquanto nós vivemos na total miséria…
-Sé que mi palabra no vale nada ahora, pero voy a tratar de convencer al gobernador a tomar nuevas medidas para mudar la situación. – E num tom desesperado, num misto de indulgência e resignação, a jovem concluiu: - Por favor, me dêem el benefício de la duda e ide para casa descansados.
Mais aplacados depois do pequeno discurso, o povo cruzou uma breve troca de olhares mais complacentes, ainda incertos de que medida tomar. Sem outra solução aparente, e percebendo que tais palavras eram sinceras, o povo resolveu aceitar tais condições, sobre a promessa de voltarem caso os resultados não fossem aparentes. Isabella resfolgou ao ver a sua tarefa bem sucedida, tal e qual como Cutler, que contemplava tudo da sua varanda, escondido pela cortina clara.
-Bravo Duquesa. – Ouviu uma pequena salva de palmas vindas por parte de James; este apenas ria enquanto se aproximava ainda mais da jovem para ficar ao seu lado. – Estou vendo que é caridosa para com o seu povo, certamente fala muito em público por conta das borradas patenteadas pelo seu rei.
-Vá para el diablo que te lleve. – Rosnou Isabella virando-lhe costas e voltando a atravessar o mesmo caminho que fizera.
-Comodoro, tenho aqui uma carta para si. – Berrou um pequeno garoto, maltrapilha, que corria incessantemente, parando apenas perto de James para resfolgar. – Tal como me pediu, eu recebi a carta que o navio de mercadoria trouxe directamente de Espanha. – Tirou a carta do meio do seu cinto e entregou-a. – Parece-me importante…
-Muito obrigado. – James remexeu no bolso e tirou uma moeda, atirando-a num giro ao garoto - Tome, você merece.
Esboçou um sorriso ao ver o garoto saltar de alegria e correr para longe do portão. Já sozinho, James fitou a envelope com um sorriso malicioso e começou a rasgar o laque vermelho com o símbolo Real de Espanha.
-Vamos lá ver se esta maldita Duquesa tem berço de ouro ou se esta pirata é boa actriz.
Arrastou a carta do envelope e deliciou-se com o texto bem caligrafado naquela folha. A cada linha que lia, uma nova expressão ia tomando posse do seu rosto saciado. Após finalizar a leitura, dobrou a cabeça para trás e gargalho alto tal era o seu regozijo perante os factos apresentados naquela carta. Por fim, acalmou a sua euforia e guardou a carta, agora dobrada em dois, num dos seus bolsos do casaco.
-Agora sim, posso entrar nessa peça de teatro juntamente com esta falsa duquesa. – Enrugou a testa, pensativo. – Mas primeiro tenho de escrever uma carta onde a possa desmascarar completamente perante mim. – Mordeu o lábio, sorrateiro. – O dia não me podia estar correndo melhor.
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No sossego oportuno do seu quarto arejado, Isabella, esgotada, deixou-se tombar contra o recosto almofadado do cadeirão pertencente à escrivaninha. Num acto de lamúria, a jovem repousou os cotovelos sobre o tampo desta e levou o rosto de encontro às mãos abertas, prontas a recebê-lo, massajando as têmporas levemente. Todavia, essa sua oportunidade de tranquilidade foi quebrada pelo bater suave da porta, do qual fê-la suspirar. Em tom rouco, deu ordem para que quem tivesse do outro lado entrasse. A pequena figura de Cutler fez-se presente, segundos depois, com um semblante comedido pela frincha da porta entreaberta.
-A Milady está bem? – A resposta não chegou como Cutler pretendia, para seu desconforto. Fechou, então, a porta e aproximou-se da jovem, concluindo: - Não devia ter arriscado dessa maneira, não no seu estado.
-És imperdonable lo que usted estay haciendo con tu pueblo. – Rosnou entre dentes ao fulminá-lo com o olhar. – Por Dios, estas personas tienen hijos para alimentar.
-Eu já lhe expliquei, minha querida. – Aninhou-se perto de Isabella e amparou as suas mãos nas dele, ainda suplicante por sua atenção, mesmo que inexacto. – A reconstrução da cidade após o grande terramoto foi custoso para os cofres do Rei e…
-No me vengas con eso. –Isabella soltou um riso contrafeito, dissimulado. - Lo gobernador Swann consiguió gobernar la ciudad con escasos fondos.
-Mas ultimamente vossa majestade tem mandado poucos fundos e eu tenho de puxar pelos impostos…
-Basta, no quiero oír mais. – Bateu com o punho fechado na escrivaninha, revoltada. – Sólo te pido para intentar cambiar la situación.
-Vou fazer os possíveis, prometo. – Beijou a mão que ainda permanecia entre as dele e ergueu-se. – Eu vou deixá-la descansar agora.
Sem nada dizer, Isabella viu Cutler dirigir-se arrastadamente para a porta. Deteve-se, porém, para encará-la, com uma expressão flexível, acabando por sair com um meneio de cabeça. Isabella fechou os olhos forçosamente, recordando o que havia passado naquela ilha e…da morte do seu pai. Do seu honroso pai que tinha dado a vida para ela lutar por uma vida melhor. Não podia desonrá-lo daquela maneira. Não com um propósito daqueles em mãos, especialmente quando sabia que Cutler tecia uma teia de mentiras para beneficio próprio.
-Não posso ficar parada perante isso. – Ela abriu os olhos, decidida. - Preciso fazer algo por eles.
Mordendo o lábio, a jovem procurou um papel limpo na escrivaninha, determinada a escrever uma carta ao Rei para extinguir com aquelas imposições impostas por aquele homem desprezível. Após estender o papel diante dos seus olhos, Isabella molhou a pena no tinteiro e começou por escrever tudo o que lhe ia na alma. Explicou ao Rei a situação declarada naquela cidade sobe risco de haver uma revolução; do papel de Cutler nesta discórdia e implorou para trazer novamente o governador Swan, que tinha sido tramado por Cutler que o havia certamente ameaçado. Aquela carta podia tramá-la, ainda que ela suspeitasse que já não estaria na cidade após a resposta do rei.
Depois a terminar, deixou a tinta secar e dobrou-a em dois para embrulhar num envelope ali perdido. Por fim ergueu-se do cadeirão e foi à procura de um dos empregados, sempre cuidadosa para que ninguém a visse.
-Deseja alguma coisa Milady? – Abordou o mordomo ao estranhar o comportamento esquivo da duquesa.
-Preciso que esta carta chegue o mais depressa possível às mãos Rei de Inglaterra. – segredou-lhe em inglês claro sempre olhando ao seu redor; retirou a carta do seu decote e entregou-a ao mordomo. – É extremamente confidencial, por favor.
-Com certeza, milady. – O homem guardou a carta e numa vénia, desapareceu.
Isabella suspirou de alívio ao ver que finalmente tinha conseguido concluiu o seu intento.
Parece que James finalmente desmascarou Isabella. Como será que o Comodoro irá abordar a jovem pirata? Contará ele a Cutler?
Bom, eu sei que não tenho conseguido ter muito tempo para me dedicar a esta fic, infelizmente tenho tido outros afazeres que me ocupam metade do tempo. O que interessa é que consegui postar este capítulo, e prometo que tentarei ser mais rápida da próxima vez.
Kadzinha: Fazendo previsão do futuro senhora Kadzinha? Tia Dalma que se cuide, que ainda perde o lugar. É, fiz os cálculos mentalmente e faltam mais ao menos nove capítulos para acabar a história, aí saberá se o que disse vai acontecer rsrsrs.
Srta Karol: Fico maravilhada por estar seguindo e gostando da fic. Espero que este capítulo não a decepcione.
Likha Sparrow: Pois é, está para vir um jacksinho ou uma Isabellinha. Eu prometo que da próxima vez não demoro semana a postar, mas infelizmente a escola tira-me metade do tempo e da imaginação.
Jane: Pois é, Ana e Jack estavam a lembrar-se de velhos momentos. E mais uma vez o Jack consegue fugir de Davy. Eu acho que ele tem escondido nas ceroulas um trevo de quatro pétalas lool.
Fini Felton: Isto é o que faz ele ser como é. Quem brinca com o fogo queima sempre. Esta review demorou mas veio lool…estou a brincar, fico contente por ainda teres paciência para leres as minhas maluqueiras. Adoro-te muito mana.
Gabriela Black: Eu também sou curiosa, mas tento sempre me conter (embora ás vezes dou uma escapadinha ao final das fic's rsrs). Espero que tenha gostado do resto do capitulo e também deste :)
No próximo capítulo não demorará a ser postado.
Até à próxima, fiquem bem.
Beijocas :)
Taty Black
