Silver: Esse capítulo foi interessante de escrever... Especialmente pela cena da Lyn... hohoho... Sabe que eu tenho me divertido muito com isso de escrever a quatro mãos?
Ana está ocupada com um feeds de não sei das quantas do Expresso. Assim, eu vim postar para vocês o capítulo novo, deixando que saibam afinal o que aconteceu com Remus e Tonks.
Outra coisa... Todos os anos, eu sempre me vejo à volta com presentes de Natal nessa época do ano - na verdade, eu me vejo às voltas com presentes de natal desde julho, mas isso não vem ao caso - e, no começo da semana, me sentei diante do pc e comecei a escrever o presente que ia mandar para a Equipe da Amaterasu.
O que isso tem, exatamente, a ver com os leitores de SS (e do Expresso e de Amaterasu que, por acaso, estejam por aí também), considerando que, a priori, esse "presente" é exclusivo para consumo interno?
Bem, tem a ver que o presente trata-se de uma coletânea de cenas de beijos inéditas de todos os personagens sobre os quais eu tenho algum... direito de maternidade. Na verdade, '36 beijos para fazer um dia feliz'.
E tem a ver também que algumas das cenas cruciais do final de 'O Sétimo Selo' estão nessa coletânea. Assim, o que mais posso dizer...
Os rumos dessa história estão razoavelmente fechados. Eu e a Ana já divisamos le grand finale. E, devo dizer, vai ser um Grande Final MESMO...
De toda forma, falei demais e ninguém veio aqui para me ver comentando sobre o tempo. Por sinal, está um dia lindo lá fora e eu aqui, às voltas com Processo Civil. Ninguém merece...
Capítulo 19: Uma certa lanterna
Lyncis, ainda com o vestido de festa, observava a cena com uma pontada de preocupação mesclada à tristeza e ao receio. Ela estava na casa de Remus Lupin. Ao seu lado, Mina, já usando roupas 'civis', demonstrava comportamento semelhante ao da amiga.
Ambas fitavam os casaizinhos sentados lado a lado no sofá. Órion segurava uma das mãos de Ariadne, que pousara a cabeça no ombro dele, enquanto Leda se recostava contra o peito do namorado, Kyle, que estava sentado no braço do sofá. A expressão de todos era tensa e contida - o que era mais que esperado, dada a situação.
A noite começara tão bem no Baile do Rei... Em comparação com o que tinha tido quando chegou em casa, ao receber a notícia do ataque ao tio e à prima, era como descer do céu ao inferno.
Seus pais, acompanhados por Lily Potter, seguiram para o hospital em busca de notícias. James estava fora da cidade e Sirius iria se encontrar com ele no dia seguinte. Achernar também seguira com a comitiva, juntamente com o primo - apesar de Draco ter viagem marcada para a França, na manhã seguinte, onde passaria o Natal na companhia da mãe. Harry, por sua vez, fora designado para cuidar de Claire, que acordara com a movimentação na casa.
E, a Lyn e Mina, sobrara o dever de fazer companhia para as gêmeas e seus respectivos acompanhantes.
Aquela poderia parecer uma tarefa aparentemente simples, não fosse o fato de que o silêncio mórbido e a ansiedade da espera tornavam a situação quase torturante. Lyncis imaginava o quão difícil aquilo deveria estar sendo para Ariadne e Leda, considerando que quatro anos antes tinham passado por uma situação deveras parecida e que terminara com a morte da mãe. Era quase como uma repetição do pesadelo que viveram naquela noite.
Foi Mina quem quebrou o silêncio, em uma parca tentativa de amenizar, ainda que minimamente, o ambiente.
- Eu tenho a impressão que já nos vimos antes, Kyle. Pelo menos você é bem familiar - ela gracejou.
O rapaz estreitou os olhos esverdeados, ao mesmo tempo em que Leda levantava o rosto, fitando o namorado com certa apreensão.
- Algumas pessoas dizem que eu lembro um pouco a família do meu pai, especialmente os olhos. - o rapaz disse, em um tom de voz meio seco - Eu não tenho muito contato com eles, a não ser por uma prima. Talvez vocês a conheçam, ela também estuda na Real Academia.
Mina piscou os olhos, fazendo mentalmente as ligações necessárias. Ela olhou de soslaio para Lyncis, que parecia ter chegado à mesma conclusão. O pai do rapaz era famoso, mas de uma maneira extremante desagradável. A mãe casara uma segunda vez, muito antes do verdadeiro escândalo. Estivesse ela no lugar de Kyle O'Neil, ela também não usaria o sobrenome paterno, tampouco gostaria que tocassem no assunto.
- Me desculpe... - a escocesa balbuciou.
- Eu é quem peço desculpas. - o rapazinho sorriu, de modo ameno - Não devia ter sido tão ríspido, você não tinha como adivinhar.
Mina sorriu de volta. Entretanto, sem terem mais o que conversar, voltaram todos à atitude casmurra e introspectiva até que Ariadne se soltasse delicadamente de Órion, levantando-se do sofá.
- Acho que vou trocar de roupa, e, guardar o presente que você me deu. - ela disse, encarando o caçador com uma expressão cansada, especialmente ao se esforçar para sorrir.
Antes que Órion pudesse responder alguma coisa, ele escutou a irmã mais velha se pronunciar. Ao sentir o sangue subir-lhe até as orelhas, o rapazinho evitou encarar Lyncis, mas imaginava que um sorriso divertido deveria estar se formando no rosto dela naquele exato instante.
- Presente? Pelo visto o caçador anda guardando segredos de mim... - ela disse, definitivamente se divertindo com a timidez do caçula, mas não tanto quanto se a situação que os trouxera ali fosse outra.
- Sim. - Ariadne estendeu a mão, mostrando uma caixinha de madeira, que, até aquele momento, estava escondida discretamente entre os dedos dela - É uma lanterna mágica - a loirinha disse, sem esconder a pontada de satisfação pelo presente recebido.
Mina estreitou os olhos. Ela sabia exatamente o que era uma lanterna mágica; seu avô tinha uma. Quando a escocesa ainda era criança, Holly costumava projetar na parede de seu quarto as belas pinturas do aparelho quase todas as noites, antes que ela fosse dormir.
Era um aparelho simples, que consistia na projeção de uma imagem pintada em uma lâmina de vidro... Tinta e vidro, como o caco que encontrara no teatro enquanto investigava o fantasma...
- Você comprou, Órion? - ela perguntou, em um tom aparentemente inocente.
- Não, eu mesmo fiz. - ele confessou, sem esconder o orgulho pelo feito - Pintei e montei o aparelho.
Lyncis percebeu o brilho sagaz que os olhos de Mina emanavam, apesar do semblante aparentemente sereno. Ela já vira aquele brilho antes, no dia que encontraram a pista sobre o fantasma, e, assim, sem muito esforço, acabou chegando à mesma conclusão que a amiga acabara de chegar. Entretanto, sabia que não era hora de colocar o irmão contra a parede.
- Eu sempre quis fazer uma. - Mina continuou falando, tentando arrancar mais do pequeno cientista sem que ele percebesse - Será que você me ensinaria, e, poderia me indicar onde posso comprar o material?
- Sem problemas, vou gostar de ajudar. - ele respondeu, solícito.
Naquele instante, a porta da saleta se abriu, revelando a figura de Madame Tatting, que não apenas trazia a bandeja de chá, mas também notícias.
- Acabaram de ligar do hospital. O pai de vocês está bem, dentro do possível. Parece que a detetive Tonks ainda não acordou, mas, está estável.
As palavras da senhora atingiram os seis jovem como uma onda de completo alívio. Ainda haveria Natal para eles, no fim das contas.
O dia seguinte chegou mais rápido do que Harry gostaria, com sua mãe abrindo as cortinas do quarto, deixando a claridade do dia incidir diretamente sobre seu rosto, enquanto Claire pulava em sua cama.
- HARRY!!!! – a menina gritou junto ao ouvido do irmão, batendo palmas.
Imediatamente, ele pulou do travesseiro, seu movimento fazendo com que a irmã caísse sentada, ainda rindo. Era incrível que ela ainda tivesse tanta energia depois da noite insone que compartilharam.
- Onde é o incêndio? – ele perguntou, sonolento, enquanto a figura de Lily Potter; um borrão indistinto para suas vistas sem óculos, percorria o quarto.
- Fogo, fogo! – Claire continuou batendo palminhas – Cadê o fogo?
- Nada de fogo. – Lily finalmente respondeu, parando ao lado da cama, estendendo os óculos de Harry enquanto alcançava a filha.
Com o mundo novamente em foco, o rapaz ergueu a cabeça para a mãe.
- Que horas são?
- Dez horas. Agora trate de se levantar que prometi a Susan que estaria lá antes do almoço para ajudar com os preparativos da ceia.
Harry suspirou. Tinha se esquecido que o pai viajara o dia anterior para "tratar de alguns negócios" – muito para desgosto de sua mãe – e só voltaria de noite, para o jantar. Sirius iria se encontrar com ele naquela manhã e, conseqüentemente, Lily e Susan precisavam se juntar para poderem compartilhar suas respectivas ansiedades.
- Sim, senhora. – ele suspirou, levantando-se finalmente.
Quando chegaram na casa dos Black, a família Potter seguiu diretamente para a cozinha. Mesmo com os empregados, Susan cuidava pessoalmente da ceia de Natal, e, reunir a família e os amigos para ajudar nos preparativos praticamente se tornara uma tradição.
A italiana estava com o cabelo preso sob um lenço, e, mexia vigorosamente uma vasilha, onde estavam os ingredientes do pudim de Natal, prato tipicamente inglês para se comemorar aquelas festividades.
Enquanto sua mãe colocava Claire no chão para a abraçar a amiga e ela mesma vestir um avental para começar a trabalhar, Harry sentiu o cheiro da massa do panetone tomar conta do recinto.
Aquilo era o melhor da ceia na casa dos padrinhos: a mistura perfeita entre o Natal inglês e o Natal italiano.
Ele lançou um olhar sobre a cozinha, vendo a irmãzinha sentar-se ao lado de Órion, que estava concentrado em raspar o resto de doce de uma gamela de cobre. A pequena sorriu para ele como um pedido de se juntar àquela difícil tarefa.
Só então ele viu Lyncis, sentada na ponta da mesa, enxugando as mãos em um pano de prato. Sentiu um bolo se formar em seu estômago. Aquela seria a primeira vez que estavam frente a frente depois do rompimento dele com Ginny.
- Lady Black. - ele cumprimentou, tentando sorrir.
-Sir Potter. - ela respondeu em um extremamente formal.
Harry sentou-se ao lado de Órion e Claire, que se colocavam exatamente entre ele e Lyncis na mesa.
- Eu vou buscar o bolo com Mina então. - virando-se para a mãe, Lyn falou, já se levantando - Nós tínhamos algumas coisas para resolver de uma maneira ou de outra, então, já aproveitamos para resolver isso.
Susan sorriu, acenando com a cabeça para agradecer.
- E não se esqueça de verificar se aquele pasteleiro colocou morangos frescos. Eu pedi expressamente morangos frescos.
- Pode deixar, mamma. - a morena sorriu - Mina já está me esperando lá fora, então, é melhor eu ir.
Harry observou a moça deixar a cozinha e voltou-se para Órion e Claire, que pareciam ter acabado de sair de dentro da vasilha de doce pela quantidade do mesmo que havia em seus rostos.
- Órion, você se importa de, depois que terminar de raspar, cuidar da Claire sozinho por uns minutos? - ele perguntou, já se levantando.
O garoto meneou a cabeça, particularmente contente.
- Não será sacrifício algum.
Sorrindo, o rapaz deixou então a cozinha, tentando descobrir por onde Lyncis fora. Finalmente, seguindo os sons, ele acabou por encontrá-la no vestíbulo.
- Lyn.
A morena voltou-se, ligeiramente surpresa por vê-lo.
- Harry. O que posso fazer por você? Quer morangos frescos também?
Se ele notou o ligeiro tom ácido da voz dela, não fez menção de dizer.
- Eu preciso conversar com você. - ele pediu, enquanto ela terminava de abotoar o sobretudo.
- Eu não estou com tempo agora, Harry. - ela respondeu, começando a calçar as luvas - Mina está me esperando e eu tenho certeza que, o que quer que você queira dizer, pode esperar até minha volta.
Ela teve vontade de acrescentar que, fosse o que ele fosse falar, certamente não era realmente importante, ou ele não iria procurar ela para dizer. Mas conteve-se. Tudo o que não precisava agora era de uma cena dentro de casa, com a mãe e o irmão a poucos metros de distância.
- Eu e Ginny terminamos.
Ela estava de costas para ele, de modo que Harry não pode ver a reação dela. Lyn deixou o queixo cair, incapaz de compreender exatamente por quê ele viera dizer aquilo para ela. Harry estava tentando provocá-la por acaso? Estava sendo cruel propositadamente?
- Sinto muito. - foi tudo o que ela respondeu, a voz quase metálica.
- Não sinta. Foi a melhor coisa que aconteceu nos últimos dias.
- Fico feliz por você então. Mas agora eu realmente...
- Eu sinto a sua falta, Lyn. - Harry disse finalmente, dando um passo a frente.
A morena girou nos calcanhares, os olhos azuis faiscando. E, se ele pensara que, de alguma forma, aquela confissão poderia fazer com que os dois voltassem a bons termos, sofreria agora uma enorme desilusão. Porque Lyncis certamente, não estava satisfeita com os rumos daquela conversa e sua paciência, nos últimos tempos sempre por um fio, acabara de chegar ao seu derradeiro limite.
- Eu não sei o que você acha que está fazendo, Harry Potter, mas não espere que eu vá consolá-lo agora ou coisa do tipo, muito menos dizer que está tudo bem e que voltamos a ser os mesmos de sempre, porque isso não vai acontecer. As coisas mudaram, Harry e eu não pretendo voltar atrás em nada do que eu disse antes.
- Lyncis, eu não... - ele tentou, dando mais um passo para se aproximar dela.
- Fique onde está. - ela sibilou entre dentes, séria. E, naquele momento, ela soube que era hora de colocar tudo entre eles em pratos limpos - Você sabia, Harry. Você sempre soube que eu gostava de você. Maldição... Eu tomei uma bala por você, Harry e teria feito muito mais se fosse necessário. E o que você fez em compensação? Você me tratou como uma criança, uma bonequinha de porcelana. Você nãoconfiou em mim. E isso eu não posso perdoar tão fácil.
Ele a encarou em silêncio. Não havia surpresa ou choque na face do rapaz, apenas um certo olhar distante, quase melancólico. Lyn cerrou os punhos, tentada a esmurrar o rapaz para que ele dissesse alguma coisa; qualquer coisa. Mas acabou por simplesmente voltar a dar as costas a ele, deixando afinal o vestíbulo.
Sozinho, Harry encostou-se à parede, passando uma mão pelos cabelos para tirá-los do rosto. Ele precisava se decidir sobre o que queria. Sobre o que realmente queria. E, quando fosse capaz de discernir isso... Então ele poderia finalmente começar a consertar os estragos que ele fizera nos últimos tempos...
- Desculpa a demora, Mina. - Lyncis desceu os degraus quase pulando, antes de juntar-se à amiga, que já estava ao pé do automóvel, esforçando-se para manter longe da mente o que acontecera minutos antes - Podemos ir agora.
A outra apenas meneou a cabeça.
- Não se preocupe isso. Eu estou mais aflita com a idéia de você dirigindo.
A morena riu, jogando os cabelos para trás.
- Você não acreditou realmente na história do meu irmão, não é?
- Ele me parece uma fonte bastante confiável. - Mina respondeu, enquanto tomava seu lugar no banco de passageiros - Seja como for, nós teremos que ser rápidas hoje se quisermos fazer tudo o que precisamos fazer antes da ceia. Então, acho que o melhor é você ser a motorista mesmo.
- Quando acabarmos, teremos que devolver a lanterna da Aria. Acho que para compensar meu irmão, podíamos trazer as meninas mais cedo, quando voltarmos. - Lyn observou, girando a chave para ligar o carro - O que acha?
- Uma excelente idéia. Então, qual será a nossa primeira parada?
- A pastelaria de Mme. Leroux. - dando a partida, Lyn fez um sinal com a mão para que o criado junto ao portão pudesse abri-lo - Eu aposto que não colocaram os morangos frescos da mamma. Então, vamos passar por lá para mandar que eles consertem logo o bolo e por último voltamos para pegá-lo.
Mina assentiu, voltando o olhar para a sacola em seu colo.
- Eu fiz uma lista dos lugares que seu irmão nos deu como dica para fazermos nossas próprias lanternas. Só vamos precisar confirmar se ele encomendou o material nelas antes do nosso fantasma começar a aparecer. Não deve demorar muito.
O carro já estava rodando pelas ruas de Londres a essa altura. Lyn suspirou, meneando a cabeça.
- Eu sinceramente não consigo acreditar que Órion tenha sido capaz de fazer isso. Ele não é o tipo de pessoa que se diverte pregando peças nos outros. Especialmente quando pode machucá-las.
- Eu não acho que ele quisesse machucar alguém. - a escocesa observou - Seu irmão deve ter tido algum motivo, Lyn. Além disso, eu verifiquei com a Meri, ela fez alguns dos exames de sangue das pessoas que acabaram na enfermaria por causa do fantasma. Pelo que ela me disse, a substância usada para deixá-los em choque era alguma coisa praticamente inócua, uma espécie de gás do riso.
Lyn sorriu, voltando-se ligeiramente para a amiga.
- Você realmente fez sua lição de casa, não é, Miss Holmes?
Mina sorriu de volta.
- No futuro, quando eu for uma detetive famosa, vão me perguntar qual foi o meu primeiro caso. E então eu vou me gabar de ter colocado as mãos no prêmio Nobel da química daquele ano, dizendo que Órion Black demonstrava todos os sinais de sua genialidade criminosa em sua mais precoce idade.
- Pensei que eu fosse a genialidade criminosa da família... – Lyn suspirou – Parece que eu estou perdendo o jeito...
Mina abaixou a cabeça, coçando ligeiramente o nariz.
- Bem, Lyn, considerando o que eu vi você tirando da sua mala quando chegamos, eu acho que sei a quem seu irmão puxou afinal.
Uma freada brusca. Mina segurou-se no painel, piscando os olhos violentamente, enquanto os óculos cambaleavam em seu rosto, presos por apenas uma perna. Lyn a olhava com a boca aberta.
- Você está tentando nos matar? – a escocesa perguntou quando finalmente recuperou a voz – Porque se está, devo dizer que está fazendo um trabalho muito bom.
- Você não vai contar para minha mãe, vai? – Lyn retorquiu – Ela vai me matar se souber.
- Não se você se matar antes... – Mina suspirou, antes de sorrir – Sorte nossa que estamos numa rua razoavelmente deserta... Mas não se preocupe, Lyn, eu não pretendo contar a sua mãe que você levou um revólver para a Academia. Não vejo por que não levaria, eu mesma sempre ando com alguma arma quando estou em casa.
- Você sabe atirar? – Lyn perguntou, curiosa, voltando a engatar o carro.
- Todo mundo nas Highlands sabe atirar. É uma questão de sobrevivência. – Mina respondeu.
- Bem, parece que temos então outro compromisso antes do final das férias. – Lyn observou, particularmente contente – Teremos de medir nossas capacidades num campo de batalha, Mina.
- Vou esperar ansiosa por isso, Lyn. – Mina retrucou – Agora, eu acho que acabo de ver uma senhora ali na frente vendendo frutas. O que acha de providenciarmos por nós mesmas os benditos morangos frescos?
Lyn piscou um olho, sorrindo.
- Eu diria que você teve uma excelente idéia, minha cara. Uma excelente idéia, mesmo...
As duas pararam para comprar os morangos, passando em seguida pela pastelaria onde, como Lyn esperara, o bolo estava pronto, mas com frutas secas decorando-o. Depois de deixarem sua encomenda, com recomendações expressas para quando voltassem, elas seguiram para o centro de Londres, começando a visitar cada uma das lojas da lista de Órion.
Não precisaram chegar à terceira para terem certeza de que o Pequeno Caçador era, realmente, o responsável pelo fantasma no teatro da Academia. Depois disso, almoçaram juntas em um pequeno café, não muito longe da casa de Remus Lupin, avaliando as descobertas do dia.
- Eu mal posso esperar para colocar meu irmão contra a parede. – Lyn observou, flexionando os dedos – Ele vai ter que cantar bonito dessa vez.
- Você sabe, Lyn, com essa linguagem eu acho que você fica parecendo uma gângster... Ou uma mafiosa, se formos pensar na sua descendência italiana...
A morena deu um meio sorriso amarelo. Se ao menos Mina soubesse...
- Mudando completamente de assunto, Mina... – Lyn acomodou-se melhor em sua cadeira – Nós ainda não conversamos sobre ontem à noite. Você não estava realmente com dor de cabeça. O que aconteceu afinal?
A outra moça corou de leve.
- Foi apenas um pequeno... desentendimento com Isaac.
- Desentendimento? – Lyncis repetiu, cruzando os braços.
Mina deu um ligeiro suspiro.
- Não foi nada demais. Eu reagi um pouco precipitadamente demais, acho. Isaac me deixa confusa às vezes.
Por alguns instantes, Lyncis apenas observou-a em silêncio, antes de dar um meio sorriso malicioso, compreendendo afinal parte dos sentimentos da amiga.
- Você gosta dele, não é? Você, Lady Mina, está realmente apaixonada pelo Duque de Winchester.
Dessa vez, Mina assumiu uma coloração rubra, enquanto mordia os lábios com força.
- Você tem razão. – ela esforçou-se por falar – Eu gosto do Isaac. Mas não é recíproco.
Lyn estreitou os olhos.
- Como não? Ele pediu você em casamento, não pediu? E ele se preocupa com você. Isso, ao menos, ficou claro pra mim ontem.
A outra meneou a cabeça.
- Minha história com Isaac é mais longa do que você imagina, Lyn. Ele está se sentindo culpado, eu acho. Desde que ele foi embora, nós... – ela respirou fundo – Eu já lhe disse uma vez, Lyn. É um casamento de conveniências. Ele mesmo deixou isso muito claro para mim quando fez o pedido.
- E por que ele está se sentindo culpado, Mina? O que ele fez? – Lyn questionou, colocando uma mão sobre a da amiga.
- Acredito que o mesmo que Harry Potter fez a você. – ela respondeu, encarando-a com um olhar sereno – Eu sinto muito, Lyn, mas ouvi sua conversa no vestíbulo antes de sairmos. Não foi de propósito.
A morena quedou-se em silêncio por alguns instantes, apenas encarando a amiga de volta.
- Lyn?
- Está tudo bem. – a morena meneou a cabeça, levantando-se – Você já terminou? Podemos ir?
A escocesa respondeu com um sorriso triste.
- Você gosta dele, não é? Está com o Malfoy, mas ainda gosta dele.
Lyncis respirou fundo.
- Talvez. Talvez eu ainda goste do Harry. Mas não faz diferença agora, não é? É tarde demais.
Mina também se levantou, parando diante dela.
- Não é tarde demais. A não ser que você queira que seja. Nós duas temos uma decisão a tomar, Lyn. Eu devo descobrir se vale realmente à pena entrar nesse casamento com um amor platônico e um grande ressentimento... E você tem que decidir se quer continuar usando o Draco até esquecer definitivamente o Harry ou se vai dar uma última chance para ele. No fundo... – ela sorriu – Somos mais parecidas do que imaginávamos.
- Você tem razão. – Lyn assentiu – Mas pelo menos agora temos uma a outra para resmungar, não é?
- Claro. – Mina riu – Em último caso, podemos virar duas solteironas e irmos morar juntas, à sombra de Freud e Jung.
- Você sabe, eu acho que já ouvi isso antes... – Lyn observou, enquanto elas se dirigiam para o carro – Sem a parte de Freud, obviamente... Mas a proposta parece tentadora, Miss Holmes... Acho que vou pensar no seu caso.
