Nota: Os personagens de Naruto pertencem a Kishimoto Masashi e empresas licenciadas. Fic sem fins lucrativos a não ser diversão. Feito de fã para fã.


Sumário: Eu também te amo... Aquela era a frase pela qual mais ansiara em toda a sua vida, poder de fato compreender um sentimento literalmente tatuado em sua pele, algo que jamais pudera experimentar. Mas seria ele capaz de realmente compreender esse sentimento?


Um obrigada especial a todos que comentaram o capítulo anterior, mesmo ele sendo uma "NOTA". Agradeço de coração a compreensão de todos vocês: VeronicaLee, Gaspard, Analu-san, Anika-san, Sabaku no Gaabi, Lust Lotu's, Yume :D' e Gabriela.

Yume, esse capítulo foi uma nota, mas ainda sim você comentou, se apresentou. Seja bem vinda! Bem, sendo então, você tem direito a uma fanfic presente do universo de Naruto com o casal de sua escolha. Pode ser o casal mais impossível ou então o mais comum, clichê, desde que não seja um yaoi ou yuuri. Nada contra, só não escrevo esses genêros.


Uma boa leitura a todos!


Aishiterumo

Capítulo XXI: Aishiterumo

O fogo da paixão ardia em sua boca, em sua língua, em seus corpos. Uma vez acesa aquela chama, ela não mais se extinguiria. Matsuri havia ansiado tanto por aquilo que agora lhe custava acreditar que fosse mesmo verdade. Se não fossem os braços dele, as mãos dele e sua boca a lhe devorar, pensaria estar em mais um sonho distante em noites de solidão. Seus sonhos sempre foram algo vívido, mas não como aquilo. Aquilo sim era real.

Os braços de Gaara a apertaram para então a comprimir contra uma superfície lisa e fria. O pilar de pedra atrás de si era frio e fazia um contraste gritante com o calor que sentia, com o calor oferecido por ele. Gaara parecia querer mais do que lhe beijar, parecia querer sugar-lhe a alma atravéz de beijos e carícias. Matsuri se rendia a ele com afoita resignação. Era um desperado querer, um lânguido sucumbir. Era tudo tão novo e maravilhoso. Era a consumação de um desejo até então reprimido.

Matsuri sentiu-o se comprimir com mais força e não conteve um gemido. A prova incontestável de sua virilidade crescia contra si e aquilo a envergonhava ao mesmo tempo em que satisfazia. Era uma imensa satisfação saber que ele a queria tanto quanto ela o queria. Impelida e num gesto de ousadia que jamais pensou que teria, Matsuri levou a perna direita até a cintura dele e o puxou mais pra perto. Era como se o precisasse abraçar de todas as formas.

Impulsionou-se para cima abraçando-o com ambas as pernas. Gaara gemeu em seu ouvido, um gemido rouco seguido de uma leve mordida em seu ombro. Aquilo vez com que as pernas de Matsuri bambeassem e deslizassem de volta ao chão.

Gaara a fitou. Seus olhos claros a esquadrinharam tão intensamente que foi impossível não corar. No instante seguinte ele já havia tomado posse de sua boca mais uma vez. Matsuri levou as mãos até o pescoço do rapaz sentindo-o envolvê-la por completo entre os braços. Mais uma vez impulsinada por seus instintos, Matsuri começou a caminhar sem rumo e desajeitadamente para trás, Gaara consequentemente era levado junto consigo.

Tropeços, pés que se evitavam ao se aproximarem desajeitados um do outro, aquilo era inevitável em meio àquela ânsia. No instante seguinte o catre baixo rangeu sob o peso de seus corpos a se chocarem de encontro ao chão.

Matsuri sentiu todo o peso do corpo dele sobre o seu e gemeu, um gemido abafado contra a boca dele. Por alguns instantes apenas deixou-se ser consumida por ele. Gaara beijou-a até senti-la sem ar e então passou a dedicar-se a algo mais que aqueles lábios docemente entregues. Deslizou os lábios pelo queixo pequeno, a ponta da língua em seu maxilar suave. Queria desfrutar do gosto de sua pele.

Seu corpo queimava e essa chama só aumentava a cada novo sabor que descobria. Queria sentir mais, queria saber até onde aquela chama iria e se acabaria incinerado por ela.

Sentiu-a se remexer sob si estimulando-o a continuar. E Gaara continuou. Sua mão se infiltrou sem resistência sob o tecido da saia curta da kunoichi. Sua pele era suave e deliciosa ao toque. As pernas de Matsuri eram rijas e torneadas devido ao treinamento ninja e mais uma vez elas se apertavam contra sua cintura lhe dando total acesso. Aquilo o fez gemer novamente contra o pescoço da kunoichi.

A ânsia pelo prazer, pelo êxtase, estava tão próximo, tão infimamente protegido apenas por aquelas incômodas peças de tecido. Queria urgentemente sentir sua pele na dela, seu corpo junto ao dela. Queria estar dentro dela.

Só assim se sentiria satisfeito, completo.

A razão, há muito, já o havia abandonado.

Matsuri sentiu a urgência disso. Arrepiou-se inteira com o soprar úmido e quente dos lábios dele em seu ouvido, com o gemido abafado de Gaara contra o seu pescoço. Não sabia ao certo o que fazer, ou como fazer, mas o fez. Entrelaçou as duas pernas contra a cintura dele e como resultado sentiu sua crescente virilidade pulsar com ainda mais força contra si.

O gemido que escapou dos lábios de Gaara dessa vez foi longo, quase que doloroso. Ele a fitou, mirou sua boca pequena e entreaberta e então se comprimiu com ainda mais força contra seu corpo macio. Beijou-a, buscou-lhe e sugou-lhe a língua com sofreguidão. Suas mãos agora subiam com desespero pelas pernas firmes da kunoichi até que um pequeno obstáculo o fez parar. Um meio sorriso inesperadamente curvou-lhe os lábios.

-O que foi?

Matsuri indagou confusa e sentiu-se ainda mais confusa quando ele enfim lhe fitou. Ele sorria. A esfinge sorria? Aquilo fez o seu corpo estremecer de expectativa.

-Jouhyou?

As mãos dele subiram um pouco mais até encontrar a fivela em sua coxa direita. Ele habilmente a abriu e retirou a pequena arma dali. Matsuri ainda não sabia porque raios havia trazido aquela arma consigo, aliás, sabia sim, nunca conseguia sair sem ela sem sentir-se nua, mas o que aquilo poderia ter significado pra ele? Os olhos da esfinge lhe eram um mistério, um verdadeiro enigma como sempre.

-Acaso... Pretendia me matar, Matsuri? –Gaara voltou a sorrir e Matsuri estremeceu. Suas mãos ainda estavam ali, massageando o local onde estivera preso o jouhyou. Sua pele se arrepiava sob o toque dele, suave e terno.

-Gaara-sama, eu...

Gaara levou o indicador até os lábios da kunoichi impedindo-a de continuar. Beijou-a com suavidade e então rumou até seu ouvido.

-Eu não me importaria de morrer entre um gemido e outro... E realmente gostaria de re-descobrir o sabor da morte se fosse através da sua boca...

Ele voltou a lhe fitar e aquele meio sorriso estava lá mais uma vez, incrivelmente sedutor, hipnótico. Gaara definitivamente não devia saber o quanto um sorriso seu podia afetar alguém.

Matsuri sentiu a mão dele se apoiar com firmeza sobre seu seio esquerdo. Seus lábios úmidos foram de encontro ao seu pescoço, num deliciar sem pressa.

-Vamos, eu quero morrer na sua boca...

Ele a instigava entre um beijo e outro, entre uma carícia e outra. Matsuri o puxou para si, seus dedos finos se entrelaçando entre os fios flamejantes dos cabelos do rapaz. Mirou-o por alguns instantes de silêncio, seu belo rosto indecifrável.

-Sou eu quem quero morrer nos seus braços, Gaara-sama...

Matsuri puxou-o para um desesperado beijo e ao longe, muito ao longe, pode ouvir o titilar do jouhyou sendo derrubado sobre o piso de pedra.


Hana jazia sentada na sacada, num banco de pedra liso e polido. Seus olhos dourados buscavam cada canto daquela paisagem arenosa, mas... Nada. Passara o dia todo ansiando por um instante junto dele, mas ele, como sempre, a evitava. Precisava da presença de Gaara para reafirmar seu compromisso com ele, seu sentimento por ele. Ela o amava. Pelo menos pensava que sim até sentir-se confusa como estava agora. Aquela confusão tinha de ser sanada, devia e iria se casar. Iria amar Gaara e somente ele, seu futuro marido. Ele era parecido consigo, só, necessitado de amor e carinho, não seria difícil aprenderem a compartilhar isso e quem sabe um dia isso realmente se tornasse amor.

-Hana?

Hana sentiu seu corpo todo estremecer. Conhecia aquela voz. Aquela voz vinha do causador de toda aquela confusão em sua mente e em seu coração. Era justamente quem não devia rever naquele momento.

-Kankurou-sama.

Kankurou se aproximou e então se sentou ao lado da princesa. Seus olhos buscaram os dela por um longo instante de silêncio. Ela não os desviou, como a maioria faria. Como sempre isso fazia com que se sentisse hipnotizado por ela.

-Se sente melhor, hime? –indagou Kankurou depois de alguns instantes de silêncio.

-Melhor?

-Fui te procurar mais cedo, mas sua serva Yasmim me disse que estava indisposta. Havíamos combinado de irmos ao centro de Suna mais uma vez, lembra? –explicou-lhe Kankurou.

-Ah, sim; respondeu-lhe Hana e dessa vez realmente evitou os olhos da rapaz, talvez pela primeira vez desde que o havia conhecido. Odiava ter de inventar mentiras como aquelas, rodeios, mas havia sido melhor assim.

-E então, sente-se melhor? –insistiu Kankurou, evitar seus olhos só o havia deixado mais preocupado.

-Hai.

Hana suspirou. O tom do rapaz a incomodava. Ele realmente estivera preocupado consigo. Droga! Não tinha escolha, não é? Yasmim estava certa, não devia continuar a sair com ele estando comprometida com Gaara. Aquilo não era certo, mas... Por que raios as coisas semprem tinham de ser assim? Tudo tinha de ser tão difícil? Tão doloroso? O mundo Shinobi antes de qualquer coisa?

A infelicidade de terem nascido naquela era os impediam de ter suas próprias escolhas, seus próprios desejos, sua própria vida. Nada mais eram do que joguetes políticos. Os olhos de Hana inevitávelmente se encheram de lágrimas amargas e elas verteram por sua face.

-Hana?

Kankurou a chamou e ela o fitou. Seu belo rosto jazia maculado pelas lágrimas. Sem pensar Kankurou se aproximou e a abraçou. Sabia que não devia ter uma aproximação tão direta como aquela com a futura esposa do irmão, mas vê-la naquele estado e não fazer nada era inconcebível para si. Abraçou-a apertado e afagou-lhe os cabelos sedosos e perfumados. Hana aconchegou-se contra o peito do rapaz, as batidas cadenciadas do seu coração aos poucos lhe acalmavam. Aquele calor gostoso, aquele carinho, era tudo o que precisava.

-Hana...?

Kankurou voltou a lhe chamar depois de um longo instante de silencio. A princesa o fitou com seus olhos marejados. As lágrimas ainda vertiam de seus olhos marcando aquele belo rosto. Por impulso, Kankurou levou o polegar até as bochechas da princesa e apagou cada marca infâme deixada ali.

-Por favor, não chore; pediu-lhe. –Eu simplesmente não posso te ver chorando...

-Kankurou-sama, eu...

As palavras de Hana morreram.

Morreram de encontro aos lábios do rapaz...

Kankurou a beijou, beijou sem pensar em nada mais do que naquele momento. Não haviam regras, tradições, compromissos, nada disso. Havia somente uma mulher linda e machucada na sua frente, a qual, queria a todo custo sanar as feridas.

Os lábios da princesa eram doces e cálidos e apresentaram uma certa resistência que tão logo se abateu. Beijou-a com carinho, com doçura, sentindo-a aos poucos ceder, corresponder-lhe timidamente. Não a forçaria a nada, afinal, sua intenção era exatamente o contrário. Queria confortá-la e só o continuaria se ela o quisesse.

Hana queria.

As mãos do rapaz se entrelaçaram entre a massa volumosa de cabelos da princesa e seus lábios aprofundaram a carícia. O sabor dos lábios dela era muito melhor do que pudera imaginar: era doce e viciante, era o sabor do pecado, mas ainda sim não sentia culpa, somente satisfação em enfim descobrir que gosto tinham.

Hana era uma mulher diferente de todas as que havia conhecido. Ela era doce e ao mesmo tempo forte como uma rocha, decidida, ardente. Ela sabia o que queria, como queria e como deixar um homem realmente louco de desejo... Se antes ela lhe parecia indecisa, logo depois docemente entregue, agora, ela lhe era realmente ardente. Sua boca buscava a sua como ele a buscava, um desejo insano pulsando nas veias, algo irrefreável. E aquilo perdurou, perdurou até que seus corações pulsassem desesperados dentro do peito. Perdurou até que o ar lhes faltasse e enfim a consciência lhes retornasse.

Hana se afastou, ofegante. De olhos fechados levou a ponta dos dedos até os lábios. Sentia-os levemente inchados. Kankurou ainda sentia o gosto deles em sua boca, o sabor daquela delícia proibida. Os olhos da princesa finalmente se abriram e ela apenas lhe fitou por um longo instante de silêncio.

-Hana?

Kankurou a chamou, mas ela nada disse, apenas se levantou mirando o longe. Kankurou a segurou pelo braço, mas a princesa se desvencilhou de seu toque como se ele a queimasse. Aquilo de certa forma fez uma crescente apreensão tomar conta do manipulador de marionetes.

-Hana? –ele mais uma vez insistiu em se aproximar, mas dessa vez o recado foi mais veemente, físico.

A princesa o esbofeteou com toda a força que tinha e Kankurou sentiu sua face queimar. Quando voltou a fita-la seus olhos jaziam rijos como pedras.

-Nunca mais... Nunca mais me toque; sua voz saiu baixa e com menos ênfase do que Hana esperava impor.

-Hana...

-Nunca mais...; Hana deu um passo para trás ao senti-lo mais uma vez tentar se aproximar de si. –Eu sou a prometida do seu irmão, me respeite e respeite ao Gaara também.

Dessa vez, com um aperto no coração Hana sentiu que suas palavras haviam imposto o que queria. Kankurou se afastou e a dor contida em seus olhos, algo que infrigira a ele ao mencionar o irmão fez com que quase houvesse se arrependido de ter dito aquilo. Quase. Aquilo era doloroso, mas era preciso.

Hana sentia que aquele mesmo nó subia até sua garganta e antes que ele se desfizesse, deu as costas ao rapaz e correu para longe dali.


-Kumo-sama; o homem se apresentou ao mais velho. O velho, por sua vez, nem sequer o fitou, fitava a janela. –Kumo-sama, sinto, mas não consigo encontrar o kazekage-sama em lugar algum. É como se Gaara-sama tivesse sido engolido pela terra... Ele realmente não quer que o encontremos, senhor.

O velho enfim se voltou para o homem prostado à sua frente.

-Deixe que ele se divirta por enquanto, afinal, ele não parece ser o único, ainda que seja mais cuidadoso do que o irmão mais velho e a futura esposa...

-Como disse, senhor? –indagou o homem sem entender.

-Nada. Esqueça, mas... Diga a hime do País da Terra que preciso conversar com ela ainda hoje.

-H-Hai, Kumo-sama.

O homem mais jovem se foi e o velho voltou a fitar a paisagem arenosa do fim de tarde. No patamar abaixo, Kumo via um Kankurou prostado a socar o chão de pedra.


Hana havia se jogado sobre a cama e chorava desesperadamente contra o travesseiro, em seus braços a pequena marionete. Era como se seu peito tivesse sido rasgado e um alguém invisível continuasse a aprofundar a ferida. Aquilo realmente era um verdadeiro inferno! Como podia ter cedido àquela ponto? Ter se tornado tão fraca? Tão... Tão desesperada por amor e carinho ao ponto de trair seu compromisso com Gaara?

Sentia-se suja, tão suja quanto jamais havia se sentido e por um simples motivo, não se arrependia do que havia feito. Havia desejado aquele beijo, havia gostado de ser beijada por Kankurou e havia desejado mais beijos depois daquele. Se não fosse a sua consiência, aquela incômoda consciência de que tinha um dever a cumprir, um compromisso a honrar com toda uma nação, teria sim cedido àquele sentimento avassalador que ainda retumbava em seu peito. Kankurou havia lhe dado o que homem nenhum jamais havia dado, o que Gaara provavelmente jamais lhe daria: a chama da paixão, aquilo que tanto desejava desde seus sonhos românticos de menina.

A sua vida toda havia sonhado com um homem que a amasse e a desejasse mais que a tudo no mundo e agora sentira isso.

Como rejeitaria um sentimento como esse? Como conseguiria viver sem aquele sentimento? Conseguiria sobreviver apenas de sobras? De fragmentos? De ínfimos fragmentos de paixão? Gaara não lhe daria mais do que isso. Gaara poderia lhe dar ínfimos instantes de prazer, de paixão quando ambos estivessem desesperadamente a procura de conforto, mas amor? Ele não a amava e agora percebia que talvez também não fosse capaz de amá-lo, não como amava Kankurou. Isso a fazia pensar em como seria a sua vida de agora em diante.

Dormiria com um homem pensando em outro? Desejando outro? Seria mesmo capaz de conviver com isso? Seria capaz de resistir a insana vontade de estar nos braços de Kankurou mais uma vez?

Hana tinha medo da resposta.

Estar tão perto e ao mesmo tempo tão longe lhe seria uma tortura, e Hana sabia que uma hora ou outra acabaria não resistindo, acabaria cedendo. Gaara não merecia aquilo, aliás, nenhum deles merecia aquele maldito destino traçado por terceiros.

-Hana-sama? –era Yasmim, depois de bater na porta. Hana tão logo enxugou as lágrimas o melhor que pode, mas isso não enganou a serva. –Está tudo bem, hime?

-H-Hai; confirmou Hana enquanto a serva adentrava o aposento.

-Tem certeza? –os olhos escuros de Yasmim a esquadrinharam. Percebendo que naquele instante nada saíria dos lábios da princesa, Yasmim continuou. –Acabei de cruzar com um dos conselheiros e ele me disse que o líder deles que falar com você.

-Como? Comigo? –Hana piscou confusa. –Por que?

-Eu não sei, mas; Yasmim ponderou, seus olhos fitando um ponto distante no quarto. Seus punhos se cerraram ao se voltar para a princesa. –Esteja preparada, pois dizem que essa raposa velha destila veneno como uma serpente...


Kumo estava no mesmo lugar, de frente para a janela oval onde aos poucos o crepúsculo tingia o céu quando Hana adentrou sua sala. A sala jazia vazia e parcialmente escura, os olhos luzidios da princesa pareciam ser o único foco de luz na sala.

-Senhor; Hana se aproximou e dirigiu ao velho uma respeitosa reverência. –Disseram-me que queria falar comigo.

O velho enfim se voltou, seus olhos fitaram a princesa por um longo instante de silêncio. Esperava que ela se curvasse sob seu olhar, mas sua bela face manteve-se indiferente e seus olhos firmes como rocha. Aquilo era algo que adimirava e ao mesmo tempo temia, ainda mais numa mulher. Mulheres não deviam erguer os olhos daquele jeito.

-Hime; Kumo se aproximou. –És realmente muito bela, o Kazekage-sama fez uma boa escolha ao aceitar desposá-la.

-Arigato; Hana lhe agradeceu, mas pressentia que havia um algo mais por debaixo daquelas palavras gentis, algo que certamente não era bom. –Bom, mas creio que não é por isso que me chamou até aqui, não é senhor? Para declarar-me elogios?

-Direta; Kumo sorriu, um esgar de lábios que Hana não gostou de presenciar. –Seria um bom líder se tivesse nascido homem.

-Meu pai costumava dizer isso; respondeu-lhe Hana, com certo orgulho na voz, um meio sorriso curvou-lhe os lábios.

-Seu pai era um homem sábio, hime, mas... Creio que não a educou corretamente como uma mulher deve ser educada.

-Como disse? –o meio sorriso nos lábios de Hana se esvaiu.

-És refinada, o esperado de uma princesa, mas acho que não aprendeu a como se portar, não inteiramente. Uma mulher jamais deve elevar o seu tom de voz acima de um sussurro. Jamais deve interferir em assuntos de homens e, principalmente, jamais deve esquecer o seu lugar na sociedade.

-O que quer dizer com isso, conselheiro? –Hana sentia aos poucos a ira crescer dentro de si. Odiava aquele tipo de discurso retrógrada e machista.

-Que mulheres que se vestem de seda devem se comportar como tal, uma princesa e não como uma rameira, como a uma vagabunda maltrapilha que se encontra em qualquer esquina.

Hana suspirou, conteve-se, mas não por muito tempo.

-O que você é, princesa? –o tom do velho era ácido e seu riso de escárnio varreu para longe qualquer fragmento de sensatez que Hana ainda possuía.

Hana o esbofeteou.

-Acaso já me portei como tal em sua presença, ou na de Gaara-sama para que me julgues assim, velho?

-Em minha frente, talvez não; Kumo sorria enquanto massageava a face dolorida, era como se isso lhe desse prazer. –Mas sei que andou visitando o quarto de Gaara-sama durante a noite e que de manhã se insinua como uma gata no cio para o Kankurou. Acho que isso é o bastante, não é?

-Está...; Hana mais uma vez se conteve, os punhos cerrados a ponto de sentir as unhas se cravando na carne. –Está me vigiando? –seus dentes se cerraram de raiva.

-Quando fechamos o acordo com o país da Terra, tivemos algumas exigências e essas exigências devem ser mantidas para que não rompamos o contratro matrimônial. Uma noiva para o Kazekage, antes de qualquer coisa, deve ser...

-Virgem e apta a lhe gerar herdeiros; Hana o interveio, tão firme quanto outrora. –Eu sei cada linha desse maldito contrato.

-Realmente é uma mulher e tanto, hime, mas esse seu comportamente só irá lhe trazer problemas. Pouco me importa se realmente já se deitou com Gaara-sama, afinal, ele será seu futuro esposo, mas não posso admitir que faça o mesmo com o irmão mais velho dele. Quer mesmo desgraçar a vida de Gaara-sama?

-Cale a boca, velho maldito!

Hana mais uma vez levantou a mão para desferir-lhe outro tapa, mas dessa vez, kumo se defendeu. Segurou o pulso fino e delicado da princesa e o torceu, até sentir seus ossos estralarem. Hana porem ainda lhe parecia dura como pedra.

Sem lágrimas? Sem implorar para que parasse? Aquilo não tinha graça. Kumo a soltou e a princesa cabaleou para longe de si.

-Está avisada, hime. Não volte a se aproximar do Kankurou ou de qualquer outro homem além de Gaara-sama por hipótese alguma. Estarei logo atrás de você e sabe disso. Saberei de todos os seus passos. Estarei em todos os lugares e em todos os momentos, até os menos esperados. Diga-me, não é verdade que costuma refrescar-se do calor quase todas as tardes após o...

Hana não resistiu mais, aproximou-se e então cuspiu na cara do velho que alargou o sorriso.

-Volte a fazer isso e Gaara-sama será o primeiro a saber!

Kumo riu, vendo-a se afastar e então sumir dali.

-Mulher tola... Tão tola quanto bela, mas... Jamais será considerada perigosa para mim.


O sol já havia se posto e o frio, o custumeiro frio das noites no deserto caía sobre Suna. Gaara porem, não sentia o abraço frio da noite, seu fiel companheiro anos após anos. A luz pálida da lua adentrava as janelas corroídas pelo tempo e desmaiava sobre a tez leitosa e suave a sua frente. Os olhos semi-cerrados da kunoichi, suas bochechas rosadas, tudo era perfeito como um pedaço de sonho perdido.

Seu corpo nu e suave se entrelaçava no seu, uma delícia muito maior do que imaginava que seria. Ela arfava e seus seios firmes subiam e deciam.

Tocou-lhe o seio esquerdo, o mamilo róseo e rijo lhe chamava a atenção. Sentiu-o sob a palma da mão, com os dedos, mas não era o suficiente. Sua boca rumou até eles. Beijou-os, inicialmente numa exagerada reserva de pudor para então sugá-los até ouvir a kunoichi gemer alto e contorcer sob o seu corpo. Retomar a carícia em seu outro seio não havia sido uma tarefa difícil.

Matsuri gemeu e se contorceu, ronronou feito uma gata manhosa. Aquilo o fez conciente de algo mais, de que necessitava completar o ato. Sentia seu baixo ventre pulsar quase que dolorosamente.

-Matsuri; Gaara gemeu contra os lábios da kunoichi.

Em resposta Matsuri se abriu pra ele, puxou-o para si. Gaara gemeu. Estava enfim dentro dela. Buscou-lhe a face e viu que a Kunoichi jazia numa concentrada expressão de dor, não de prazer. Aquilo o incomodou.

-Matsuri; Gaara voltou a chamá-la e viu algo estranhamente contraditório se formar em sua face.

Matsuri apertou os olhos derrubando grossas lagrimas para então sorrir. Delicadamente suas mãos rumaram até o rosto do rapaz e seus lábios se aproximaram de sua testa. Aishiteru? Talvez ele jamais lhe dissesse isso claramente, mas o amor estava ali, tatuado em sua pele, só teria de responder a sua declaração muda.

-Aishiterumo.

Gaara sentiu os lábios da kunoichi em sua cicatriz, um beijo tão suave e terno que o fez se perguntar se realmente não estava sonhando.

-Aishiterumo, Gaara-sama...

Era a voz dela de novo e agora ela o cobria de pequenos beijos e o abraçava apertado. Era real. Ela o queria, o instigava. Remexia os quadriz de encontro ao seu corpo. Sim, ela o queria, mas Gaara sabia que queria mais do que o prazer que seu corpo poderia lhe oferecer. Amor? O que raios era amor? Ainda não o conseguia definir em palavras. Conseguiria um dia proferir essa palavra para alguém com o real significado que tal palavra tinha? Se o conseguisse, certamente seria para ela.

-Me faça sua Gaara-sama, apenas me faça sua...

E ele o fez, dessa vez sentindo-se inteiramente dentro dela, sentindo seu corpo pulsar contra o dela. O que se seguiu depois foi tão natural quanto se podia esperar. Beijos sôfregos, gemidos, um movimentar frenético de corpos suados. Mãos e lábios já sem rumo certo, apenas ansiando pelo êxtase final. E ele veio lento e abrasador, uma tormenta que se abatia sobre corpos aparentemente frágeis demais para suportarem tamanha sensação.

Gaara enfim desabou sobre o corpo da kunoichi e ela lhe acariciou os cabelos com doçura.

-Tenho sono; murmurou contra o colo da kunoichi que arfava docemente.

-Eu também; Matsuri sorriu beijando-lhe o topo da cabeça e um longo instante de silêncio se passou.

-Matsuri.

-Hai.

Gaara levantou parte do corpo apoiando-se nos cotovê-los e fitou a kunoichi por um longo instante.

-O que foi? Mudou de idéia? –Matsuri sorriu diante daquela expressão tão pensativa.

-Hai. Eu quero fazer de novo...

Continua...


N/a: Gente! Que demora, eu sei, mas cá estou e espero um "alô" de vocês, hein? A fanfic já está em reta final! ^^