Adoro as reviews carinhosas de vocês. Espero que gostem do capítulo a seguir, porque é um dos poucos pela frente que será PoV Edward.
Comentem, por favor. É muito importante para mim saber o que estão achando da história.
Até sexta que vem! 3
Capítulo 24 – How Long?
Pov Edward
"Não há nenhuma prisão em nenhum mundo na qual o Amor não possa forçar a entrada."
(Oscar Wilde)
Me revirei na cama sentindo calor com aquela roupa quente. Pela única minúscula janela que tinha em meu quarto eu podia ver que já era manhã, e que era hora de acordar. Levantei, passando a mão pelo cabelo bagunçado e me lembrando de Bella penteando-o naquele banheiro do motel. A última noite que estivemos juntos, e a única noite que assombrava minha cabeça.
Olhei para o relógio na parede, - o que eu considerava uma das maiores regalias de se estar aqui, - e vi que já eram quase dez horas da manhã. Eu não sei como eu conseguia dormir tanto, mas agradecia por isso. Parecia que minha estadia passava mais rápido. No começo, eu achei bom ter um relógio a meu alcance, mas com o tempo fui aprendendo que ter acesso ao tempo em si só me fazia mal. Porque dessa forma ele me era mais palpável e me fazia ter a oportunidade de realmente ver ele passar.
E sentir ele passar só me dava mais agonia ao realizar que estávamos separados a mais de um mês e o quanto Bella precisava desesperadamente de mim assim como eu estava desesperado por ela.
Sonhei a noite inteira com minha menina. Aqueles sonhos bem detalhados onde eu sentia seu cheiro e podia sentir a ponta de seus cabelos acariciando meu rosto. Sonhos estes que me faziam acordar com ainda mais saudade e vontade de estar a seu lado. Isso me perseguia desde o primeiro dia que coloquei os pés nesse centro de correção, e de certa forma era bom, porque era uma forma de estarmos perto um do outro, mesmo que não fosse de verdade. Porém, acordar era muito pior. Pelo menos eu tinha bastante tempo para dormir aqui - e cada vez que fechava meus olhos eu tinha a oportunidade de vê-la.
Será que depois de um mês ela ainda pensava em mim? O meu maior medo é que ela estivesse com raiva por tudo que tinha acontecido. Raiva de mim por não ter cumprido com nossa promessa, por não ter ido buscá-la ou por não ter feito nenhum esforço para tirá-la daquele fim de mundo.
Mas eu fiz. Fiz tudo o que pude, mesmo sendo limitado. Fiz Carlisle e Aro procurarem por ela naquela noite em Monrovia, fiz Carlisle abrir um processo contra Charlie, e agora, como última tentativa, fiz Alice ir até aquela minúscula cidade buscá-la. Eu esperava do fundo de minha alma que ela não estivesse magoada comigo. Esperava que ela ainda acreditasse em mim e que viesse para Nova York.
Carlisle se irritava porque em tudo que eu falava, eu fazia questão de comentar que estava preocupado com ela e queria que ela viesse logo. Meu pai aparentemente não conseguia entender a força de minha ligação com Bella. Por uma parte eu chegava a entendê-lo porque eu realmente esquecia de mim e colocava o bem estar dela como prioridade, - mas ao mesmo tempo achava injusto ele não entender o quanto ela realmente precisava de mim. Não digo como namorado, mas sim como proteção. Como companhia. Como família. Bella era doce, uma menina perfeita, que não merecia ter a vida que tinha. Eu só queria ter a certeza de que ela estava segura e fora de perigo, mas Carlisle sempre colocava meu caso em primeiro lugar, repetindo que ele resolveria as questões de Bella assim que pudesse.
Eu não tinha como negar minha angústia ao saber que ela ainda estava naquela cidade, e nas mãos de Charlie. Mesmo depois de contar a meu pai tudo que tinha visto naquela oficina, - e de ter entregue a nota fiscal dos remédios proibidos, - eu ainda não estava calmo porque sabia que Charlie estava solto. Eu perguntava todos os dias por novidades, e sempre recebia a mesma resposta; "Edward, vamos nos focar em seus problemas..."
Só que Isabella era um problema meu. Eu prometi a ela que tudo ficaria bem. E era meu dever cumprir.
Ele não entendia minha obsessão por Bella mas também não queria entender. Toda vez que eu tentava explicar ele desconversava. Chegamos a brigar diversas vezes por conta disso, mas Alice sempre aparecia e acalmava nossos ânimos.
E foi Alice quem procurou me ajudar. Foi Alice a pessoa para quem pedi ajuda. E ela que estava fazendo tudo funcionar. Pelo menos tudo aquilo que eu me importava realmente. No dia em que pedi para que ela fosse buscar Bella, eu estava quase cometendo uma loucura. Tinha tido um sonho péssimo, no qual ela chorava e pedia por minha ajuda, e estar preso só me deixava mais tenso. Eu não sabia o que estava acontecendo lá fora, não podia ter notícias dela, e tudo isso era demais para mim. Foi uma bomba emocional. Foi o único dia em que chorei.
O último mês havia sido meio conturbado e cheio de preocupações. Eu demorei pra me adaptar com uma vida limitada como essa. Meu mal humor aumentava gradativamente e por mais que eu tentasse me acalmar, era difícil. O psicólogo daqui me receitou alguns remédios anti depressivos que não pareciam adiantar. Só me davam mais raiva. Eu continuava com as mesmas preocupações na cabeça e a mesma ansiedade que parecia não querer me abandonar.
Eu não ia descansar enquanto não soubesse que Bella estava bem, e principalmente segura.
Por isso, hoje era um dia diferente. Eu conseguia sentir a ansiedade em todos os poros do meu corpo, e estava louco para falar com Alice e saber as novidades. Pela hora, minha menina dos sorrisos já devia estar em Nova York, em sua primeira manhã. Como terá sido sua primeira noite? Será que ela dormiu bem? Será que Esme deu cobertores o suficiente para ela? O final do ano estava chegando, e a temperatura estava diminuindo. Bella veria o natal e a neve. Só essa pequena realização já me fez sorrir. Alice me informou que ia ontem buscá-la, e imaginei como tinha sido. Era sua primeira vez dentro de um avião... Como seus olhos haviam enxergado toda a terra lá embaixo? E a minha cidade, será que ela estava muito assustada? Ou será que estava fascinada?
Eu estava morrendo de saudades.
Pedi a Alice que cuidasse dela por mim. Ela era tudo de mais precioso que eu tinha no momento. Bella merecia toda a atenção do mundo porque sabia que a adaptação com a cidade não seria fácil. Ela disse que ia contar com a ajuda de mamãe por causa da faculdade e do estágio, e eu fiquei ainda mais aliviado. Minha mãe era um anjo e eu tinha certeza de que ela trataria Bella como se fosse uma filha. A única pessoa que me preocupava era Carlisle.
Ouvi umas batidas em minha porta e depois de um tempo e muitas trancas destrancadas, ela se abriu, com Aro e Carlisle nos seus melhores ternos, em uma de suas visitas diárias.
- Bom dia meu filho. – Carlisle me abraçou.
- Bom dia pai. Bom dia Aro. – cumprimentei Aro com um forte aperto de mão, e nos sentamos na mesa que eu usava para almoçar. O lugar em que eu estava não era ruim. Como Aro queria me manter preso durante a investigação que ele fazia de seu filho, - por questões de minha segurança apenas, - ele fez questão de "mexer seus pauzinhos" e me colocar em um lugar decente.
Aqui era o tipo de prisão que só pessoas muito poderosas ficavam sob custódia: mafiosos, grandes políticos, empresários, e por mais que eu não tivesse nenhuma acusação de ter matado Demetri, eu teria que ficar preso de qualquer forma. Pois agora eu estava com a acusação nas costas de ter tirado um menor de sua cidade, sem autorização de seus pais. Charlie havia me denunciado, e eu estava esperando pelo julgamento, podendo pegar até dez anos de cadeia se fosse culpado.
- Filho, Aro quer conversar com você sobre algumas coisas... – Carlisle falou. – Eu vou ficar aqui porque sou seu advogado, mas saiba que pode confiar nele. – ele sorriu para Aro.
- Eu sei. – dei um sorriso fraco. – Mas antes quero saber se Bella está em Nova York.
Aro sorriu e sibilou algo como: "Ah, o amor.."
- Converse com Aro primeiro, depois conversamos sobre isso. – Carlisle respondeu, tentando esconder a irritação.
Bufei. – Pai…
- Conte logo para o menino, Carlisle. – Aro falou inclinando-se na cadeira e descansando sua coluna. – Não vê que ele está aflito? – ele entrelaçou seus dedos e repousou as mãos na barriga.
- Obrigado, Aro. – respondi.
- Por nada. – ele sorriu para mim.
- Bella está em Nova York sim, filho. – Carlisle respondeu. – Pronto? Satisfeito?
Meu coração começou a bater ainda mais forte no peito, tão forte que eu podia sentí-lo em minha garganta. Minha respiração até ficou descompassada e tive vontade de sorrir. Mas o semblante trevoroso de Carlisle para comigo acabou me desanimando.
- Satisfeito? – provoquei. - Não muito. Quero saber como ela está, o que aconteceu… afinal eu não tenho como saber sozinho, e...
- Alice virá mais tarde. – ele me cortou. - Ela poderá te contar, até porque ainda nem vi a menina, Edward. Passei a madrugada no escritório. – o jeito que ele tratava Bella como "menina" não era carinhoso. Era como se ela fosse qualquer uma. E meu peito já travava de tanta raiva.
- E Bella pode me visitar? – perguntei esperançoso.
- Bella tem dezesseis anos, Edward. – ele disse irritado. – Óbvio que não. Podemos nos preocupar com você agora?
- Que seja. – encostei meus cotovelos na mesa. – Digam.
Aro voltou seu corpo em minha direção. Todo o medo que eu tinha dele havia sido dissipado em esperança. Era muito bom você ter a certeza de que tinham pessoas que acreditavam que você não era culpado. Dava um sentimento de alívio. Eu nunca faria isso a Demetri e estava satisfeito por saber que Aro tinha plena certeza de que eu falara a verdade.
- Você está quase absolvido do caso do meu filho, Edward. Não existe nenhuma acusação contra você em relação a isso. Mas precisamos descobrir quem foi que fez tamanha atrocidade. Já temos uma vaga idéia. – ele sorriu, e Carlisle sorriu, como se estivessem guardando um grande trunfo. – Por isso precisamos de algumas informações. E informações muito sérias. Acho que provavelmente você vai ter que depor. Tudo bem?
- Claro. Sem problema nenhum. – respondi. Eu faria de tudo para ajudar a descobrir quem quer que tenha feito isso com Demetri.
- Filho, quero que você entenda que o que Aro está fazendo por você é único. Para você se livrar da acusação da morte de Demetri ia ter que penar. Eu também. Tenho plena certeza de que teríamos que trabalhar bastante.
Eu estava sabendo que Aro foi a júri, declarar que sabia quem estava por trás da morte de seu filho, e que eu não tinha culpa de nada. Apresentou provas, ameaças, da família inimiga, e o juiz aceitou, me liberando da acusação. Porém, eu ainda teria que participar da audiência, e principalmente ajudar a descobrir quem pudesse ter feito isso, afinal, fui eu quem achou o corpo de Demetri. Se não fosse pela acusação de Charlie, eu poderia até estar em casa, respondendo em liberdade. Mas o filho da puta fez questão de colocar obstáculos em minha vida.
- Eu entendo. E agradeço por tudo que fez por mim, Aro. Pode contar comigo para o que precisar. – falei. Carlisle me irritava muito às vezes. Ele agia como se eu não agradecesse o suficiente, ou como se eu fosse uma criança que não conseguia reconhecer o que os outros faziam por mim.
- Edward, eu preciso que você me forneça informações sobre a vida de meu filho na faculdade. Amigos, festas, contatos... tudo. Se ele usava drogas, se ele frequentava igrejas, cultos, boates, qualquer coisa. Tudo que você falar aqui só ficará entre nós.
Parei por alguns segundos para pensar antes de falar. Então contei que Demetri era um santo. Ele não frequentava boates, não estava namorando, não usava drogas… passava apenas o dia inteiro estudando no quarto, ou na biblioteca. Ocasionalmente íamos a um bar, mas ficávamos apenas na cerveja. Contei de nosso círculo de amizades, de Angela, Ben, e de Tanya. Aro me pediu um perfil de todos eles, e contei que Tanya na época era minha namorada, mas que eu havia terminado com ela algumas semanas antes de sua morte.
O que mais chamou atenção foi o motivo de nosso término.
Tanya havia dado em cima de Demetri. E Demetri me contou. Ela disse a ele que estava comigo somente porque achava que era uma forma de se aproximar dele. Que ele era o homem da vida dela. Que eu não era nada. Eu podia sentir o bolo no estômago ao me lembrar de todas essas palavras, a sensação horrível de rejeição sendo memorizada por meu corpo, mas em hora nenhuma eu duvidei de Demetri. Em hora nenhuma coloquei nossa amizade em risco por causa de Tanya.
Ela fez intriga. Ela queria que eu e ele brigássemos. Queria ver nossa amizade destruída. No dia seguinte, depois de ter tomado o fora de Demetri, ela veio me contar o que tinha acontecido, de forma completamente destorcida. Falou que ele deu em cima dela, que ele tinha dito que ela era a mulher da vida dele, e que eu não servia para ela. Só que ela não esperava que ele tivesse me contado tudo antes.
- Filho, e você não acha que isso que Tanya fez possa ter sido um motivo, um gancho para que você ficasse com raiva de Demetri e pudesse matá-lo?
- Pai, eu não matei Demetri. – sacudi minha cabeça.
- Eu sei que não, Edward. Mas precisava de um motivo não precisava? – ele levantou uma sobrancelha. – Não precisava de uma causa? De um culpado?
- Será? Tanya… - eu não podia acreditar que Tanya poderia estar envolvida. Ela podia ter feito o que fez, mas não era uma pessoa má. Nós namoramos por quatro meses, e o pouco que conheci dela achava que era o suficiente.
- Essa moça, Tanya.. – Aro falou com cuidado. - Desapareceu logo depois que você saiu de Wisconsin, Edward. Não acha que seja suspeito?
- Mas eu não sou suspeito e também fugi. – falei.
- Eu acho que ela se tocou da besteira que fez e mandou Edward embora. – Carlisle constatou. – Até porque aqueles policiais que estavam na faculdade, não eram policiais. Eles eram da família. Eles queriam colocar Edward preso para se livrar da culpa de ter matado Demetri.
- Exatamente. – Aro assentiu. – O que exatamente Tanya te falou antes de você ir embora, Edward?
- Que a morte de Demetri tinha muito mais coisas por trás do que a gente imaginava… - sacudi minha cabeça tentando encaixar as coisas e ver que caía como uma luva. – Falou que você era de um crime organizado, máfia, clã, e que a morte dele tinha sido por vingança.
Aro riu. Sem humor nenhum.
Continuei. – Depois ela disse que eu ia ser acusado de tudo e tinha que fugir dali. E que ela se arrependia de ter sido uma péssima namorada sendo aquele o melhor jeito de se redimir.
- Encaixa perfeitamente. – Carlisle sorriu, olhando para Aro.
- Filho… - Aro aproximou-se de mim. – Você sabe a que "família" eu pertenço?
- Não faço idéia. – respondi nervoso. Eu nunca tinha chegado perto de ninguém que fosse criminoso, a não ser por Charlie, mas aquele merda não era nada perto de um líder de máfia.
- Aro é da Interpol, Edward. – meu pai respondeu.
- In… interpol? Você não é da máfia? – perguntei.
- Óbvio que não. Eu luto contra ela. – ele ajeitou seu terno. – E foi justamente ela que tirou meu filho de mim.
- Mas você disse que quem tinha feito isso era uma família inimiga da sua.. – respondi, lembrando de nossa conversa no avião. Aro tinha cara de máfia. Aro era italiano.. como assim Interpol?
- Sim. Eles são uma família e eles são meus inimigos. Onde eu estava errado em te falar isso?
- Eu imaginei uma coisa completamente diferente… - ri, com vergonha de mim mesmo, por ter julgado Aro tão precipitadamente.
- Você acha que eu estaria dentro de uma prisão, conversando com você, e arrumando um centro de detenção melhor para você ficar se eu fosse da máfia, Edward? – ele riu, Carlisle riu, e eu acabei rindo por tabela. – Eu entraria aqui, e não sairia nunca mais. – os risos continuaram.
- Não sei.. nunca se sabe o que a máfia pode fazer. – respondi.
- É. Isso é verdade, filho. – Aro falou. – Bom, mas vamos ao principal. Tanya está envolvida no caso da morte de Demetri, Edward. Nós já desconfiávamos, mas ouvir o que você teve para falar só aumentou ainda mais as possibilidades.
- Não posso acreditar... – falei em choque.
- Acredite. – Carlisle respondeu. – Fontes seguras minhas informaram que ela foi contratada para se infiltrar na faculdade, e para se aproximar de Demetri. Como viu que não conseguia se aproximar dele, se aproximou da pessoa mais próxima dele.. você.
Meu estômago revirou. Me senti usado e arrependido. Eu levei o perigo para Demetri sem nem ao menos perceber. Ele tinha morrido por minha causa. De certa forma tinha sido por minha causa. Se eu não tivesse me envolvido com Tanya, isso nunca teria acontecido.
- Não se sinta culpado, meu filho. – Aro falou, como se adivinhasse meus pensamentos. – Mesmo que ela não tivesse se aproximado, ela daria um jeito para se aproximar, independente de namorar você ou não. – ele suspirou. – Bem, agora tudo está certo, só viemos falar que sua probabilidade de sair daqui já melhorou. Só precisamos encontrar Tanya. E tirar de suas costas a acusação que Charles Swan colocou em cima de você.
- O que não vai ser fácil. – sussurrei.
- Quanto à Charles já estamos resolvendo tudo, Edward. – Carlisle falou, abrindo sua pasta e tirando alguns papéis. – Aqui está o mandado de prisão dele, oficial. Ele está sendo procurado pela polícia desde anteontem, e pelo que parece, ele não está longe de ser encontrado. Sendo assim, quando tivermos sua audiência sobre o problema da fuga com Isabella no mês que vem, o fato de Charles ser um criminoso vai ajudar a absolver você.
- Ainda bem que ele é um criminoso. – ri, também sem humor nenhum. Eu não aguentava mais ficar aqui, e saber que minha estadia ainda dependia de duas pessoas, - que estavam desaparecidas, - agoniava.
- O problema é encontrar Tanya. – Aro falou. – Mas já estamos resolvendo isso. Só precisamos de um depoimento dela para que você se veja completamente livre. Acusação você já não tem. Mas o que ela tem pra falar vai ajudar ainda mais. Afinal, mesmo sem acusação você ainda é suspeito.
- É, eu sei...
Depois que terminamos a conversa séria, Carlisle resolveu trazer outros assuntos como esportes e política para deixar o ambiente menos pesado. Ele e Aro conversavam sobre os acontecimentos atuais - coisas que eu parcialmente via na televisão e não me importava muito. Disse que os Knicks tinham vencido o campeonato nacional, e ri, porque já fazia tanto tempo que eu não me ligava a basquete, que já nem me importava mais.
- Alice vai trazer lasanha, que Esme preparou ontem. – ele disse tentando me animar.
- Tudo bem. Obrigado. – falei desanimado, mostrando a ele que não adiantava falar as coisas para me acalmar. Só uma coisa me acalmaria agora, - na realidade uma pessoa, - e ela não tinha idade o suficiente para vir me ver.
Eles se despediram, na promessa de voltarem no dia seguinte com mais atualizações sobre meus dois casos. Aro remarcou que não descansaria enquanto não encontrasse Tanya, e eu torcia para que isso acontecesse. Seria menos um problema em minha vida, e mais um passo para minha liberdade. Minha liberdade ao lado de Bella.
Sem muito o que fazer e com todos os livros da cabeceira já lidos, resolvi me deitar. Eu tinha televisão, mas só podia assistir por uma hora ao dia, então eu preferia para a parte da noite, que era quando eu realmente não tinha nada para fazer. Enquanto fechei os olhos, vieram flashbacks da manhã fria em que encontrei o corpo de Demetri igualmente frio no chão daquele quarto. Os lábios roxos, os olhos sem vida, como de alguém que estivesse lutado para sobreviver e não conseguiu. Lembrei de Tanya, e todas as palavras que me disse, e comecei a passar pelos quatro meses de nosso relacionamento tentando achar indícios de que nosso namoro realmente era uma farsa.
Mais uma vez a idéia de que Demetri foi morto por minha causa se passou por minha cabeça. Meu peito apertou de arrependimento, e me vi em uma daquelas situações que daria de tudo para voltar ao tempo. O que mais intrigava é que se nada disso tivesse acontecido, eu nunca teria conhecido Bella. Ela tinha sido o maior presente da minha vida, e chegava a ser irônica a circunstância pela qual nos conhecemos. Parecia um ciclo, em que fomos obrigados a viver para que nossas vidas se encontrassem.
Parei de filosofar quando ouvi uma batida na porta e as muitas trancas novamente destrancando. No fundo eu tinha esperança de Alice dar um jeito e trazer Bella consigo para me ver, mas a lembrança de que ela tinha apenas dezesseis anos me desanimava. Ela só poderia me visitar se fosse da família. Mesmo que tivéssemos um vínculo muito forte, ela ainda era menor e não podia frequentar um centro de correção.
Minha irmã revirou os olhos ao me ver.
- Levanta dessa cama, e tira essa cara emburrada. Tenho ótimas notícias. – ela se sentou no pequeno sofá preto que tinha em uma das quatro paredes daquele cubículo.
Levantei da cama, com um pouco mais de ânimo por saber que teria notícias de Bella. Meu coração palpitava de emoção e ao mesmo tempo de angústia por estar tão perto do meu amor, e ao mesmo tempo tão longe. Tão impedido.
- Primeiro. – ela falou em sua voz fina, abrindo uma sacola. – Trouxe lasanha. Ficará aqui em cima da mesa. Segundo... Toma. Dê um jeito nisso AGORA. – falou em tom firme.
Quando olhei para sua mão, percebi que Alice estava segurando creme e lâmina de barbear. Passei a mão pelo rosto sentindo minha palma ser arranhada. Eu não conseguia lembrar quando foi a última vez que fiz a barba, então acabei rindo com a reação dela.
- Alice, precisa ser agora? – reclamei que nem criança.
- Sim. Você está uma bagunça Edward. Essa roupa já não te favorece, laranja não cai bem em você. Argh.
- Bom, eu não tenho muitas opções aqui, não é? – falei com ironia.
- Mas tem a opção de fazer a barba, e eu já tive que implorar para me deixarem entrar com essa lâmina, então faça o favor. – ela apontou para o banheiro.
- Só faço a barba se você for me contando as novidades enquanto eu estiver fazendo. – continuei reclamando. Nem parecia que Alice era mais nova do que eu.
- Está bem. – ela se deu por vencida. – Vamos.
Enquanto passava o creme de barbear em meu rosto, Alice ficou apoiada no vão da porta daquele banheiro de um metro por dois, contando como foi sua viagem para Monrovia. Não deixou de ressaltar que a cidade era uma merda, atrasada, que ninguém queria falar onde Isabella estava, e que ela teve que ficar procurando por mais de duas horas por minha menina.
Contou sobre o encontro com Bella, em como ela chorou, na emoção que ela teve ao ver Alice, como elas se reconheceram imediatamente - Meu sorriso era tamanho que cheguei a me cortar diversas vezes. Ela me disse que Bella estava hospedada na casa de Emmett, pelo que fiquei aliviado. Só de pensar nela morando com Charlie dava arrepios em todo o meu corpo. Dava medo. Receio de que coisas piores pudessem acontecer. Eu ainda agradeceria muito Emmett por isso.
Alice também comentou que teve que comprar malas, porque Bella não tinha nenhuma – mas que ela ainda tinha a minha mala, daquele dia, guardada com ela. Elas tiveram que sentar nas bagagens para poder arrumar tudo, e que foi engraçado, e que elas riram... e eu ri, me cortando mais uma vez.
Ela conheceu Emmett, Claire, Rosalie e Kelly. Adorou todos. Não viu Charlie, e de certa forma eu agradeci por isso. Não sei o que aconteceria se Charlie soubesse que Alice estava ali para levar Bella. Lembrei a ela que ele estava sendo procurado pela polícia e ela ressaltou que não viu polícia nenhuma em Monrovia. E que a delegacia estava fechada.
- Como foi no avião? – perguntei já passando a lâmina pelo queixo.
- Foi normal. – ela deu de ombros. – Ela não quis demonstrar que estava nervosa, mas estava muito. Perguntou bastante de você. Eu repeti milhões de vezes que você estava bem. Ela também me perguntou onde você estava, e eu disse que era bem perto da gente. Ela está morrendo de saudades, maninho.
- Nem me fala. Eu também estou morrendo de saudades dela.
- Por isso que eu trouxe coisinhas.. – ela fez uma cara de criança cheia de presentes e arregalou os olhos para mim pelo reflexo do espelho. Terminei de lavar a lâmina e joguei-a na pia, alcançando a toalha e secando meu rosto rápido.
- Que coisinhas? – falei com a boca ainda na toalha.
- Venha. Vou te mostrar.
Voltamos para o mini quarto/sala/sala de jantar/sala de tv/biblioteca onde eu estava morando no último mês e voltamos a sentar no sofá. Alice pegou novamente a sacola de onde vieram as coisas e tirou uma garrafinha bem pequena. Ela abriu um sorriso de orelha a orelha, e eu simplesmente não conseguia entender.
- Ela mandou para você. – ela sorriu, me entregando a garrafinha.
Meu peito se encheu de alegria e minhas mãos começaram a tremer quando dei por mim do que era aquela garrafinha.
Suco.
O Suco de Bella.
Alguma de suas receitas mágicas e perfeitas.
Engoli em seco, querendo esconder a vontade dos meus olhos de soltarem lágrimas. Seria vergonhoso, ainda mais na frente de Alice. Ela já tinha me visto chorar, e não queria que isso se tornasse constante.
Usei a tampa da garrafinha como copo e despejei o líquido bem rápido.
- Eu já provei hoje de manhã... ela é muito talentosa. – Alice riu. – Ficou toda maravilhada com o liquidificador que mamãe ganhou de vovó no Natal.. – ela riu novamente. – Acho que se morássemos debaixo da ponte não importaria para Bella, contanto que tivéssemos aquele liquidificador.
Ri. Essa era exatamente a minha Bella.
Bebi sentindo o gosto doce, bem doce, e suave. A cor era forte, meio avermelhada, com roxo, e eu pude distinguir gosto de morango e de uva. Fechei os olhos e respirei fundo, ainda com um pouco de suco em minha boca, e aquilo era tão Bella que acabei deixando cair uma lágrima de meu olho. Alice colocou sua mão em cima de minha outra mão, que estava em minha perna, e passou as pontas de seus dedos por minha pele, esperando me dar algum conforto.
- Edward, se acalme, senão se você ver o que mais tenho aqui você infarta. – ela falou baixo.
Abri os olhos.
- O que mais você tem aí? – falei exasperado.
- Eu falei pra você se acalmar. – ela levantou a sobrancelha.
- Alice... – reprovei.
- Toma. – ela retirou de dentro da mesma sacola um envelope azul.
- O que é isso?
Ela revirou os olhos.
- Leia, seu chato. Pare de fazer perguntas.
Passei a mão pelo papel, e abri o envelope, tirando a pequena folha branca de dentro. Sorri, ao ver que era uma carta do meu amor, provavelmente retribuindo a carta que eu tinha mandado para ela. Aquelas coisas que eu disse, eu tinha lido em alguns dos inúmeros livros que vim lendo ao longo da minha estadia aqui, e achei que encaixava perfeitamente no que Bella significava para mim.
Edward,
Minhas palavras não serão tão perfeitas quanto as suas, mas eu quero que saiba que tudo que estou escrevendo está saindo diretamente de meu coração.
Eu não tenho como expressar como estou agradecida por tudo que você fez, e quero que saiba que em momento nenhum eu deixei de acreditar em você. Eu sempre te esperei.
E encontrar Alice na porta da casa de Emmett anteontem foi a única alegria verdadeira que tive desde que você foi embora.
Nova York é muito estranha! As pessoas são apressadas e não costumam conversar com as outras. Percebi muito isso ontem, enquanto olhava pela janela do carro de Alice. Tive muito tempo para isso, afinal ficamos mais de uma hora dentro do carro, por causa do "rush".
Muitos prédios. Muito cinza. Mas chegar em sua casa foi como uma mudança radical. É tudo lindo. O jardim da sua mãe é lindo. Fiquei encantada com a quantidade de verde que tem atrás da sua casa. E eu dormi essa noite em seu quarto. :)
Eu queria te ver, mas sei que não posso. Mas não quero que fique triste, porque tenho certeza que falta pouco para que a gente se veja novamente. Eu sinto isso.
Espero que tenha gostado do suco. E agradeça a Alice por ter ido no mercado popular comigo às 6 da manhã para que eu achasse dois tipos de uva diferente e morangos bem docinhos. O nome desse suco é "Don't be afraid, I love you."
E é verdade. Não tenha medo. Eu te amo. Eu sempre te amei, E sempre te amarei.
Eu sei, eu não tenho jeito para cartas. Não como você. Mas espero que minhas palavras tenham te animado, nem que seja um pouquinho. Seja forte. Eu estou em seus pensamentos e em seu coração, assim como você está nos meus.. Eu te amo.
Bella :D (um sorriso para você)
Eu já não conseguia conter minhas lágrimas de saudade. Beijei o papel, ignorando a presença de Alice, e fiquei que nem um idiota, lendo e relendo aquelas mesmas palavras.
- Ela escreveu de caneta verde... – ri. Até nisso ela era natural.
- Ela que escolheu. – Alice falou sorrindo. – Mostrei toda minha coleção de canetas para ela, que você sabe que não é pequena, e ela pegou essa.
Sorri.
Ouvimos uma batida na porta, avisando que a visita estava terminando. Alice me olhou chateada, curvando o canto de sua boca com a realização de que tinha que ir embora, mas eu assenti com a cabeça que estava tudo bem. Que ela podia ir, que eu ia ficar bem.
Ela reuniu tudo dentro da sacola e me abraçou bem apertado dando um beijo em minha bochecha.
- Quer mandar algum recado? – ela falou com a cabeça em meu ombro.
- Diga que a amo mais do que tudo. – falei com a minha voz fraca, querendo chorar de novo. – E que eu não vejo a hora para estar com ela novamente.
Alice separou nosso abraço e sorriu para mim.
- Falarei. Semana que vem eu volto, ok?
- Ok. – assenti, passando meus dedos por debaixo de meus olhos, limpando as lágrimas.
Ela foi embora e fiquei ali. Deitei no sofá e fiquei lendo milhões de vezes a letra da minha menina, sorrindo cada vez que via os dois sorrisos que ela fez questão de colocar na carta.
Carta esta que tinha tido o poder de me dar ânimo para continuar e não desanimar. Que valeria mais do que qualquer remédio anti-depressivo ou visita de psicólogo.
Minha pequena cura.
