Capítulo XXV

Richard Alpen entrou no bar em Galioch, ainda era muito cedo para uma bebida, mas ele estava realmente precisando. Estava cada vez mais difícil trabalhar para o Conde Benjamin Linus, o homem pedia-lhe tarefas cada vez mais difíceis. Era verdade que era muito bem recompensado por seus serviços, mas uma vez tendo vendido a alma ao diabo não havia mais volta, era o que costumava dizer sua falecida mãe.

Cumprimentou o barman que tinha acabado de abrir o bar e sentou-se em um banquinho de madeira de frente para o balcão. O barman perguntou-lhe o que desejava e Richard pediu uma dose de uísque dupla, a melhor coisa para se beber na Escócia.

Depois que o serviu, o barman se ausentou por alguns minutos e Richard checou o relógio de bolso, um relógio de ouro caríssimo, fabricado na Inglaterra, comprado com o dinheiro dos serviços sujos que fazia para Benjamin Linus. O sujeito deveria estar quase chegando, era um beberrão de marca maior.

Dito e feito, menos de dez minutos depois de Richard ter checado o relógio, Leslie Arnzt entrou no bar, louco por uma bebida. A mão de Richard pousou no bolso da calça, não queria ter que fazer isso, mas não ousaria infringir ordens do Conde. Leslie Arnzt precisava ser morto antes que o General Mikail Bakunin descobrisse em suas investigações que a arma de Lorde Sawyer fora sabotada por Arnzt antes do duelo. Ele era o responsável pelo carregamento das duas armas e trocou a arma que o Lorde usaria por outra descarregada, momentos antes do duelo. Fora por isso que Lorde Sawyer perdera, pela covardia do Conde Linus disfarçada de esperteza.

Portanto, Leslie Arnzt precisava morrer para que ninguém soubesse da verdade. Quando Leslie se aproximou de Richard e puxou um banco alto de madeira ao lado dele diante do balcão, ele o saudou com um movimento da aba do chapéu.

- Bom dia Arnzt, gastando a grana que eu te paguei ontem?

- Deixa quieto, Alpen. O General Bakunin foi à minha casa ontem à noite perguntar sobre as armas para o duelo.

- E o que tu dissestes a ele?

- Eu disse que não sabia de nada, mas sei que aquele miserável vai voltar a me interrogar, portanto, estou fora disso. O General disse que tem um tal de Capitão Shephard muito influente lá na Inglaterra exigindo esclarecimentos sobre o caso, o homem é hóspede no Castelo do Lorde Sawyer e por causa disso as coisas vão ficar bem complicadas.- Arnzt falava alto e não se importou de servir-se de uma generosa golada do copo de uísque de Richard.

- Acho que o Conde Linus não ia gostar disso, Leslie.- disse Richard em tom impessoal.

- Não estou me importando com o que o conde irá gostar ou não, quero é salvar a minha pele Alpen, e o segredo para isso é ficar do lado dos mais fortes, o que não é o caso do conde. O General Mikail e esse Capitão inglês não vão deixar a trapaça de Linus passar em branco, principalmente se Lorde Sawyer morrer.

- Tu tens toda a razão Arnzt.- comentou Richard tirando um pequeno objeto do bolso. O homem estava tão distraído que não viu quando ele colocou um pó de coloração branca dentro do uísque. O pó se misturou à bebida rapidamente. Era um tipo de veneno letal que matava em poucas horas, o suficiente para que Leslie Arnzt morresse e ninguém pudesse detectar o motivo ou o culpado. O Conde Linus jamais poderia ser acusado de trapacear no duelo e ter ferido Lorde Sawyer a propósito. – Preciso ir agora, Leslie, tenha um bom dia.

O homem apenas resmungou, sorvendo mais um gole do uísque, sem ter a menor idéia de que esse seria o seu fim.

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Rose bateu na porta dos aposentos de Lorde e Lady Sawyer e teve como resposta apenas o silêncio. O castelo inteiro estava muito quieto à exceção da cozinha onde ela tinha acabado de servir o desjejum dos homens.

Resolveu abrir a porta devagar e entrar. Encontrou Lady Sawyer cochilando em uma poltrona, com as costas em má posição enquanto Lorde Sawyer permanecia adormecido na cama e muito bem agasalhado. Caminhou até a poltrona onde Ana-Lucia dormia e tocou-lhe de leve os ombros.

- Senhora?

Ana-Lucia acordou de imediato e esfregou os olhos para afastar o sono.

- Acho que dormi...

- A senhora deve estar com dor nas costas por ter adormecido nessa poltrona, deveria ter me deixado ficar para ajudá-la com Lorde Sawyer.

- Não se preocupe Rose, correu tudo bem. Bernard ajudou durante a madrugada quando precisei.

- Ele me disse que a senhora mesmo o banhou. Não deveria ter feito isso, milady.

- E por que não? Ele é meu marido.

- Mas de acordo com as leis da nobreza, uma mulher não deve banhar um homem a não ser que seja uma criada. Apesar de estarem casados, ainda existem formalidades que precisam cumprir perante à sociedade, especialmente agora que Lorde Sawyer receberá uma herança e voltará a pertencer à nobreza endinheirada.

- Eu não me importo com isso Rose, quero apenas o bem-estar do meu marido.- Ana-Lucia levantou-se da poltrona com as mãos nas costas, de fato estavam doloridas.

Rose nada mais disse sobre o assunto, Ana-Lucia era a patroa e decidia como melhor deveria agir com o marido.

- O Capitão Shephard e minha irmã já acordaram?

- Eu não os vi ainda, milady, vim direto aos seus aposentos ver como estava Lorde Sawyer.

- Ele teve muita febre esta noite.

- Mas é assim mesmo, senhora. Acredito que hoje vá melhorar depois que o Capitão lhe fizer outro curativo.

- Gostaria que tu trouxesses algo para ele comer.

- E para a senhora também.- disse Rose. – Está pálida e abatida, precisa se alimentar. Voltarei logo com o desjejum.- dizendo isso, Rose se afastou com uma mesura.

Ana-Lucia foi sentar-se à cabeceira da cama e tocou a testa de Sawyer. A febre o tinha deixado e ela sorriu, acalentada. Começou a acariciar-lhe os cabelos loiros até que ele acordou de repente.

- Meu anjo...- ele sussurrou com a voz grogue.

- Meu amor.- disse Ana-Lucia, beijando-lhe a mão. – Como se sente?

- Péssimo.- ele respondeu virando a cabeça para o lado para uma tossidela. – O que aconteceu? Eu só me lembro de que...o duelo...

- O Conde Linus atirou em ti, querido. Aquele trapaceiro! O Capitão Shephard tem certeza de que ele trapaceou, não havia nenhuma bala em sua pistola.

- Aquele bastardo!- xingou Sawyer diante daquela revelação.

Ana abaixou o rosto e Sawyer segurou-lhe o queixo.

- O que foi, amada?

- Pensei que tinha te perdido, apenas seis dias contigo em minha vida e tinha te perdido.

- Não pequena, é preciso mais do que uma bala trapaceada para derrubar-me. Estou aqui, vivo, ao teu lado.

- Graças ao Capitão Shephard. Ele conseguiu tirar a bala e o salvou. Ele é um bom homem, milorde.

- Sim, ele é. Detesto ter que admitir isso em relação a um inglês.

- Ele seria o marido perfeito para a pequena Kate.

- Ana, queres mesmo que tua irmã se case com um inglês?

- Eles estão enamorados, meu amor. Posso ver isso no olhar deles.

- E o que tanto entendes de paixão já que fui teu único homem?- ele perguntou, enciumado, pensando se ela já amara outro homem antes dele.

- Entendo de paixão porque estou loucamente enamorada ti, meu marido e vejo no Capitão e em minha irmã o mesmo amor que compartilhamos.

Sawyer sorriu e puxou o rosto dela para beijá-la, mas ao fazer tal esforço, seu corpo inteiro doeu.

- Au!- ele queixou-se.

- Fique quietinho, milorde. O senhor não pode fazer esforço ainda.

- Talvez a senhora possa fazer o esforço por mim.- ele disse com malícia.

- Nada disso, Lorde Sawyer. O senhor precisa se recuperar primeiro.- enfatizou Ana-Lucia. – Rose deve estar trazendo o desjejum e eu o ajudarei a se alimentar.

- Poderia me ajudar em outras coisas antes.- Sawyer falou quando ela se levantou da cama e lhe deu as costas. Ele aproveitou para acariciar-lhe as ancas e dar uma leve palmadinha em seu traseiro.

- Quieto, homem!- ela pediu, rindo. Porém, seu riso logo deu lugar à uma expressão consternida e ela indagou sobre algo que estava preso em sua garganta. – James, quem é Jesse?

- Jesse?- ele retrucou. – Do que está falando?

- Tu dissestes este nome durante a febre.- ela respondeu.

- A única Jesse que conheço é minha prima que vive em Florença com mamã. Não a vejo há tempos, desde que retornei à Escócia, talvez em meus delírios eu tenha lembrado de algum momento que vivemos quando crianças, costumávamos brincar juntos quando a família dela ia nos visitar no Castelo de Butterfly.

Ana-Lucia franziu o cenho, mas resolveu dar o assunto por encerrado. As palavras que seu marido proferira durante o delírio causado pela febre nada tinham a ver com lembranças infantis, mas ela preferiu ficar calada e voltou a sentar-se com ele na cama enquanto esperavam por Rose.

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Os raios de sol que entravam pela janela do aposento através da cortina branca rendada bateram no rosto de Kate e ela franziu o nariz, se mexendo na cama. Sentiu que um braço masculino possessivo a envolvia e sorriu.

Ainda estava no quarto do Capitão Shephard depois da tórrida noite de amor que tinham tido, e ao se lembrar das coisas que fizeram durante a madrugada seu rosto corou levemente. Tinha feito amor de tantas maneiras diferentes àquela noite, fantasias que ela nunca ousara sequer pensar antes de conhecer Jack. Ele havia despertado um instinto ainda adormecido nela e que agora que estava desperto, nada poderia calá-lo.

Ela virou o corpo na direção dele e ficou observando-o dormir. Seus dedos começaram a passear pelo belo rosto do Capitão, contornou devagar uma ruga de preocupação na testa dele e seus dedos delicados deslizaram brincando com a ponta do nariz até chegarem aos lábios quando foram surpreendidos pela boca que se abria e mordiscava –lhe os dedinhos.

- Ai!- exclamou Kate, fazendo dengo.

Jack deu uma risadinha.

- Tu estavas acordado o tempo todo?- ela indagou, fazendo beicinho e fingindo zanga.

- È o que parece!- ele respondeu, acariciando a cintura dela com ambas as mãos.

- Estou feliz de estar aqui contigo.- disse Kate, os olhos brilhando de satisfação por estar nos braços de Jack.

- Eu também.- concordou ele. – Principalmente agora porque tu não tens mais como fugir do nosso casamento, logo todos saberão que dormimos juntos e seremos obrigados a nos casar o quanto antes ou sua reputação estará arruinada.

Os olhos de Kate se alargaram, ela não tinha pensado nisso.

- Não está pensando em contar ao meu cunhado que passamos a noite juntos, não é?

- È claro que estou.- Jack respondeu. – Ou tu pensas que não pensei nisso ontem quando viestes até minha cama seduzir-me?

- Ora, seu...- Kate gritou, levantando da cama e puxando o lençol para se cobrir, o movimento acabou deixando Jack nu. Ele deu uma gostosa risada e Kate sentiu-se ultrajada. – Não pense que vais conseguir teu intento, não vou casar-me com um inglês, meu cunhado jamais dará sua benção para nós dois!

- Oh sim, ele dará, e em breve gata selvagem ou endiabrada se prefere, serás minha esposa e me deverá obediência.

- Vai sonhando!- ela gritou sem se importar se sua voz seria ouvida por alguém do lado de fora do quarto de Jack e descobrisse que ela estava lá.

O Capitão Shephard se levantou da cama e caminhou até Kate com o olhar predador. Ela engoliu em seco, vendo o quanto ele estava excitado, mas dessa vez não iria ceder, estava muito zangada para isso.

- Afasta-te de mim, seu corsário enganador!

Jack sorriu e o coração de Kate amoleceu.

"Deus, estou perdida!"- disse ela em pensamento.

- Vem aqui, minha linda endiabrada... – ele sussurrou, mas não foi adiante porque escutou batidas fortes na porta de seus aposentos.

- Capitão Shephard, o senhor está aí?- chamou Bernard do outro lado da porta.

- Sim.- respondeu Jack. – Algum problema com Lorde Sawyer?

- Não senhor, ele está bem, milady está dando o desjejum a ele agora. Vim chamá-lo porque o meu filho Karl acabou de chegar ao castelo trazendo um homem que diz ser seu primo e que acabou de chegar da França.

- Des!- Jack exclamou, feliz da vida.

- O que eu digo a ele, Capitão?

- Que já estou descendo.- respondeu Jack

- È mesmo o seu primo?- Kate perguntou.

- O próprio, Sir Desmond Hume.- falou Jack, procurando por suas roupas de oficial. – Acho melhor se vestir e descer daqui a pouco milady, quero que conheça meu primo já que vai entrar para a família.

- Não vou entrar para a sua família!

- È claro que vai Lady Austen. O motivo do meu primo estar aqui é justamente o nosso casamento. Mandei a ele que conseguisse uma licença na Inglaterra e assim que obtivermos a benção do seu cunhado nos casaremos aqui mesmo na Escócia e depois partiremos para o meu país.

Kate não podia acreditar no que ele estava dizendo, de repente viu-se completamente sem saída.

- Acho melhor começar a preparar seu enxoval, milady.- disse ele com um sorriso de triunfo ao deixar os aposentos, deixando uma Kate atônita para trás.

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- Primo!- Desmond exclamou assim que viu Jack. – Que bom te ver!

- Des!- disse Jack, abraçando o primo efusivamente. Quando os dois se afastaram, Jack fez uma careta ao sentir o cheiro ruim que exalava de Desmond e seus companheiros. – Desmond, mas o que foi que aconteceu com vocês? Viajaram numa carruagem que transportava estrume?

Os quatro se entreolharam e Desmond respondeu:

- Fomos assaltados por bandoleiros na estrada.

- Experiência terrível!- comentou Kelvin com desagrado.

- Que nada, foi muito divertido.- acrescentou Desmond. – Há tempos que eu queria viver uma aventura como essa.

- Mas primo, se vocês foram assaltados isso significa que também levaram os documentos que te solicitei- Jack concluiu isso com palavras amargas, sentindo sua vitória sobre Kate ir anuindo rapidamente.

- Não!- falou Desmond com um sorriso. – Aqui está a licença de casamento que tu solicitasses, primo, um pouco amassada e respingada é verdade, mas devidamente assinada e autorizada pelo Padre Manfrey.

Jack abriu um largo sorriso.

- Des, se tu não estivesses cheirando a estrume, eu seria capaz de te beijar-lhe as bochechas agora.

- Nossa, deves estar muito enamorado por essa dama para fazer com que eu saísse da França e viesse até aqui só para trazer-te essa licença.

- Eu tenho pressa em me unir a esta dama por um motivo muito importante.

- Jack, vais ser papai?- cumprimentou Desmond e os outros homens sorriram também, preparando-se para felicitá-lo.

- Que eu saiba ainda não.- Jack os cortou. – Mas duvido muito que isso vá demorar a acontecer pois a dama é muito persuasiva, no entanto, isso não vem ao caso agora, o motivo pelo qual pretendo casar-me logo é altamente sigiloso, tudo o que preciso é da benção de seu tutor, o cunhado dela.

- Creio que não será difícil conseguir esta benção, Capitão Shephard.- comentou Ana-Lucia descendo as escadas.

Os quatro homens na cozinha puseram-se a fazer mesuras. Os olhos de Desmond mediram a dama de cima a baixo, ela trajava um alegre vestido azul marinho, com um decote ousado, os cabelos negros presos em uma trança que lhe pendia pelos ombros. O rosto de traços ciganos os fitando com doçura. – Bom dia, cavalheiros.

- Bom dia, senhorita.- eles responderam em uníssono, achando que Ana-Lucia tratava-se da futura noiva de Jack.

- Na verdade, senhora.- Jack corrigiu. – Esta é Lady Ana-Lucia Sawyer.

- Oh, acho que me lembro da senhori...digo senhora, nos vimos no baile na Mansão Rosseau em Paris, pouco tempo atrás.- comentou Desmond.

- Sim, eu mesma, mas naquele tempo eu ainda era solteira. Como eu dizia, não será difícil para o Capitão Shephard conseguir o consentimento de meu marido para casar-se com minha irmã, pois Lorde Sawyer tem o Capitão em grande estima.

- Isso é muito bom de se ouvir, senhora.- disse Desmond, fazendo mais uma mesura para Ana-Lucia.

- Gostariam de um banho, uma boa refeição e descanso, cavalheiros?- Ana-Lucia ofereceu. – Sei que nosso castelo pode parecer um pouco rústico à primeira vista, mas temos cômodos de qualidade aqui. Tornei-me senhora desse castelo há pouco tempo e eu e meu marido ainda não pudemos pensar com calma na reforma.

- Não se preocupe com isso, senhora. Somos muito gratos por sua especialidade.- disse Kelvin, ansioso por desfrutar de um banho e uma refeição decente.

Ana-Lucia assentiu, e disse:

- Nos veremos mais tarde então, queiram me desculpar mas meu marido está enfermo e precisa de mim o tempo todo. Com licença cavalheiros.- ela fez uma mesura e saiu subindo as escadas de volta para seus aposentos.

Rose desceu logo em seguida e disse aos homens:

- Mandei que meu filho Karl preparasse um aposento no andar de cima e levasse água limpa para que os senhores se banhassem enquanto preparo uma refeição para os cavalheiros.

- Seria ótimo, senhora.- disse Wilson, ansioso por um bom prato de caldo, acompanhado de pão preto.

- Tomasso irá acompanhá-los.- ela mostrou o homem armado, vestido com um típico traje escocês, o kilt.

- Gostei da sainha.- comentou Desmond para Tomasso quando eles começaram a subir as escadas. Deve bater uma brisa refrescante aí debaixo, não?

- O senhor está falando do meu kilt?- o homem perguntou com certa hostilidade e Jack puxou Desmond para perto de si.

- Hey, deixe o homem, não se esqueça que a Inglaterra está em guerra com a Escócia. Até dois dias atrás eu era prisioneiro desse castelo.

- Prisioneiro?

- È uma longa história, depois eu te conto.

- Jack, fiquei impressionado com a beleza de Lady Sawyer, não me lembro de tê-la visto tão bonita no baile, ela tinha um ar doce e inocente, mas agora é a própria voluptuosidade em pessoa. Simplesmente deslumbrante, eu poderia colocar aqueles belos seios em duas taças...

- Ficou louco, Des? A dama tem um marido, possessivo devo acrescentar. Ele não a deixa sozinha por um minuto sequer, sempre tem algum homem vigiando-a.

- Mas Jack, eu não estava pensando em fazer nada demais, a dama disse que o marido está enfermo, eu só ia cuidar para que ela se divertisse enquanto o homem se recupera.

- Depois que ouvires a voz de trovão de Lorde Sawyer mudarás de idéia se bem o conheço, sempre preferistes as esposas com maridos tolos.

- E tu? Também temes Lorde Sawyer?- cochichou Desmond com ar de deboche.

- È claro que não, estou à altura dele para um combate, mas tu, mal sabes manejar a espada, primo.

- Pode debochar de mim Jack, mas verá que conseguirei as atenções da dama sem muito esforço.

Jack deu um tapinha nas costas de Desmond, não o levando a sério.

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Á noite, Rose preparou um jantar especial para os convidados do castelo. Assado de carneiro com batatas e cenouras, bolinhos de aveia e torradas de pão preto. Lady Ana-Lucia discutiu com seu marido porque ele fazia questão de descer para conhecer os ingleses que eram convidados em seu castelo.

Ela advertiu que o ferimento à bala ainda estava muito recente e que ele precisava descansar, mas Lorde Sawyer não quis conversa e mandou chamar Bernard para ajudá-lo a vestir-se para a ocasião.

Enquanto ele se aprontava, Ana-Lucia foi até o quarto de Kate conversar com a irmã, ela não descera o dia inteiro, comera as refeições no quarto e Ana estava preocupada.

- Irmã, você já está pronta?- indagou Ana-Lucia quando entrou no quarto, porém encontrou Kate ainda em sua combinação, calçola e anágua, sentada na cama com a expressão longe. – Oh Kate, estou tão preocupada contigo, minha irmã. O que está havendo?

- Sawyer vai dar seu consentimento para o Capitão se casar comigo não vai?

- Creio que sim, Kate. È o mais certo a fazer, perdestes tua virtude.

- Não me importo com isso! E quanto aos meus sentimentos?

- Oh pare com isso, endiabrada! Estás com medo do amor, é isso? Estás loucamente enamorada do Capitão Jack Shephard, e sei que passastes a última noite com ele.

- Como sabes disso?

- Rose me disse que quando foi arrumar tua cama esta manhã, além de não encontrá-la em seus aposentos tão cedo, a cama nem tinha sido desfeita. Por favor, pare de fugir de seu amor, de seu destino.

- Ana, quando Sawyer te seqüestrou para casar-se contigo, não sentistes vontade de fugir?

- Sim, e tentei fugir, mas o destino não deixou e não me arrependo de ter me entregado ao meu marido, estou muito feliz com ele e serás feliz com o Capitão Shephard...

- Ele é um inglês, Analulu, se eu casar-me com um inglês, como ficará a causa?

- A causa seguirá, assim como tu precisas cumprir teu destino. Anda, venha comigo, vou ajudar-te a vestir-te para o jantar. Tenho certeza que o Capitão anunciará o noivado de vocês esta noite e Sawyer dará sua benção. Precisas estar preparada para esse momento tão especial.

Kate por fim resolveu aceitar a mão que a irmã lhe estendia e esperava que os planos do destino não a afastassem da vida revolucionária que almejara para si desde sempre.

Continua...