– Sakura? –Mikoto perguntou adentrando no quarto da Haruno já á noite.

– Não consigo falar com Sasuke de maneira alguma, ele não atende nenhum telefone. –estava aflita.

– Com todo esse fuso-horário ele deve estar ocupado... Não se preocupe, deve estar tudo bem. –tentava acalmar a nora.

– Eu sei, mas... Minha cabeça sabe que está tudo bem, porém alguma coisa aqui - apontou para o próprio coração. – me diz que há algo errado.

– Um mau pressentimento?

– É... Algo assim. Deve ser bobeira minha, desde que Sasuke ficou em coma aquele tempo, tenho ficado ainda mais cautelosa e com um temor de passar por aquilo novamente.

– Todos nós sentimos o mesmo em relação á isso querida. Entretanto, não pode ficar assim, seus pais estão tão contentes com sua vinda... Não precisam vê-la assim. -a rosada acenou com a cabeça e confortou-se nos braços da morena num abraço sincero.

Sasuke se encontrava mais uma vez dentro do armazém abandonado onde havia sido mantido antes.

– Podíamos ter sido amigos se não tivesse puxado o baka do seu otousan. –começou Madara andando ao redor do Uchiha que não estava amarrado, mas sabia que se tentasse qualquer coisa contra o mau caráter do tio seria barrado por seus capangas. – Quando éramos jovens, sempre estávamos juntos como unha e carne. Daí, ele entrou no mundo dos negócios e me colocou junto. Já como sócios, ele conheceu Mikoto, na verdade eu já a conhecia e ela foi a primeira coisa que ele tomou de mim.

– Minha okaasan sempre foi muito inteligente e soube escolher o melhor entre os irmãos. –Sasuke disse com gosto.

– Humpf, não se engane quanto á isso sobrinho, tenho certeza que ainda se lembra das discussões e de Fugaku dizendo o quanto sua linda família era inútil á ele. Enfim, nii-san se casou e vocês vieram ao mundo. A concorrência estava ficando acirrada, como Fugaku era o majoritário, você e Itachi seriam os futuros donos da maior parte das ações.

– E então você traiu otousan e deu o primeiro golpe na Uchiha's. - o mais novo acrescentou.

– Vejo que dessa parte você foi inteirado. Foi isso mesmo e o que era unido se separou e nos tornamos rivais. –o mais velho sorriu com satisfação. – O que você talvez não saiba é que não foi aquela a única vez que tentei prejudicar Fugaku. Lembra-se afogamento de Itachi e do assalto em sua casa quando ainda eram pequenos? Pois é, tudo á meu mando.

– É pior do que eu imaginava. –Sasuke bufou saindo de seu autocontrole.

– Espero que agora entenda porque seu otousan vivia tão irritado. Ele me pagou na mesma moeda... Mas acho que temia tanto que se machucassem, que a saída que encontrou foi se afastar de sua família, se enterrando naquele escritório.

– Por que está me dizendo tudo isso agora?

– Não quero que morra pensando que foi desprezado por seu otousan, Fugaku só não foi bom o suficiente para me deter. –foi irônico.

Sasuke então não resistiu e derrubou Madara no chão com um golpe e colocou-se sobre ele dando socos em sua face, pôde descarregar sua raiva por pouco tempo, já que os homens lhe seguraram.

– Quanta revolta. –disse se recuperando enquanto limpava o rosto com um lenço. – Nada disso adiantará agora, até porque não nos veremos nunca mais. Foi um desprazer conhecê-lo fedelho.

– Ei chefe! –chamou um dos brutamontes. – E quanto á nossa parte do pagamento?

– Ah! Que esquecido eu sou, obrigado por lembrar-me. –disse gentilmente para em seguida jogar uma esfera pequena no centro deles, logo ela se abriu e um gás começou a sair dela.

Sasuke viu o sorriso de escárnio de Madara enquanto fechava a porta e a trancava por fora. Mais do que depressa, tapou a boca e o nariz com a camisa que usava e correu para encontrar um meio de sair dali ao mesmo tempo em que os outros caiam ao chão. Mais ao fundo, um deles quebrava uma parte da parede que era de madeira com uma marreta, quando caiu inconsciente assim como os outros. Aproveitando a deixa e agradecendo mentalmente pela chance, Sasuke saltou por lá tossindo, sentindo as pálpebras pesarem e tendo como última visão, o tio de costas para si subindo em um helicóptero e decolando dali.

Abriu os olhos assustado e percebeu que estava em sua cama, em seu quarto, na sua casa. Pensou então, que tudo não havia passado de um pesadelo.

Já era de manhã. Ergueu-se dali e na sala deu de cara com Naruto e Hinata que, ao notarem sua presença ali ficaram aliviados.

– Teme! –o loiro veio até si o erguendo do chão e abraçando apertado. – Você já passou muito tempo no hospital durante aquele coma, então o trouxemos para casa para que se recuperasse aqui.

– Hospital? –perguntou confuso saindo do abraço.

– Sim Sasuke-sama. Encontraram você caído diante de um armazém. Lá dentro vários homens estavam inconscientes e alguns até mesmo mortos por intoxicação.

– O que aconteceu teme?

– O Madara. Ele me pegou com aqueles capangas e fez com que eu transferisse toda a minha fortuna para uma conta dele no exterior. Ou isso, ou ele machucaria minha okaasan e a Sakura também. –contou ainda chocado. – Quando vi, ele já estava escapando e eu lutando para sair daquele lugar.

– Ah... Então temos uma notícia pra você teme. –começou sem graça.

Hinata lhe trouxe um jornal do dia que trazia na capa a seguinte manchete:

UCHIHA MADARA É MORTO EM ACIDENTE DE HELICÓPTERO.

O HELICÓPTERO NO QUAL ESTAVA O EMPRESÁRIO UCHIHA MADARA FOI ENCONTRADO ESSA MADRUGADA NO MEIO DE UMA FLORESTA DENSA NA AMÉRICA DO SUL. SEGUNDO INVESTIGADORES, A CAUSA FOI UMA FALHA MECÂNICA QUE FEZ COM QUE O AEROVEÍCULO CAÍSSE. ALÉM DE MADARA, O PILOTO TAMBÉM FALECEU NO ACIDENTE.

Esse foi um trecho que o Uchiha leu atento sem mal acreditar nisso. De um jeito ou de outro, Madara havia finalmente pagado pelo que fez e agora, ele próprio teria paz.

O que mais queria agora era reencontrar Sakura e Mikoto, mas não tinha o direito de estragar a viagem delas. Então se contentou em descansar e se recuperar, sabendo que agora tudo seria mais fácil.

Quando Sakura e Mikoto retornaram, elas estavam tão chocadas quanto ele com a notícia da morte de Madara. Sasuke contou sobre o que havia enfrentado, porém foi somente com Itachi e a mãe que disse o que o tio contou sobre o pai e que ele só havia se afastado porque estava farto das ameaças do irmão e que talvez assim ele parasse de tentar machucar sua família.

Ambos se emocionaram com a verdade e juntos perceberam que a família Uchiha ficaria ainda mais unida daqui pra frente.

Quase três meses depois, estavam todos na mais plena harmonia quando ouviu-se um grito na grande mansão Uchiha:

– SASUKE! –o moreno e sua mãe correram até o banheiro onde encontraram Sakura aflita.

– O que houve?

– A-a minha bolsa estourou. –anunciou nervosa, o prazo certo era daqui á uma semana, mas o bebê estava adiantado.

– Temos que levá-la ao hospital agora mesmo Sasuke. –Mikoto se desesperou ainda mais afetada pela chegada do primeiro neto.

Ainda em estado de choque, Sasuke carregou a rosada até o carro e seguiram até o hospital onde Shizune os aguardava com uma equipe preparada para realizar o parto.

O trabalho ali foi imediato, mal Sakura chegou já estava devidamente vestida e anestesiada para o grande momento. Levada até a sala numa maca iniciou-se o trabalho de parto.

Sasuke estava ao seu lado segurando sua mão e dizendo que lhe amava por baixo da máscara. Dele tirou forças para atender ao pedido de Shizune e empurrar para que seu filho enfim viesse ao mundo. Mas não foi só seu amor que lhe motivou: pai, mãe, Ino, e até pessoas que só vieram a fazer parte de sua vida posteriormente como Mikoto e Naruto. Lembrou-se imediatamente de seu irmão e que por ele tudo daria certo.

Continuou esforçando-se até que Shizune ergueu a frágil figura que chorava sem parar entre as mãos.

Não conteve também as lágrimas que vieram depois e quando olhou para Sasuke se surpreendeu ao ver que, seu futuro marido que quase nunca chorava estava tão emocionado quanto ela e não escondia as lágrimas que caiam de seus orbes negros.