Resumo: Eu tinha sete anos quando o conheci. E nem eu nem ele sabíamos como nossas vidas iam mudar a partir daquele momento. AU, B/B.
N/a: Ok, esse foi um pouco mais longo. E demorou até ele tomar essa forma, mas gostei do resultado.
Nina, muito obrigada por todas as suas anotações, me ajudaram imensamente nesse capítulo.
desch . lover, pois é, na série é assim, aqui não podia ser diferente. Na minha opinião, o Jared é um mala... Thath, você perguntou se está terminando a história? Por que eu ainda tenho muita ideia pra explorar... não achei que a fic ficaria tão grande... mary-gwg, muito obrigada! Isso me dá um incentivo a mais para continuar escrevendo! uchiha niinah, acho que agora a Bren vai ter que defender ele, não é? hahaha Angie, wow, você acertou em cheio. No momento que eu imaginei o Booth se machucando, achei que o passo mais lógico seria ela agir desse jeito. Parece que eu estava certa, pois você também pensou isso.
Brennan's Song
25. Sentimentos confusos
Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, meus pés me levaram arquibancada abaixo, e pra dentro da quadra. Ouvi Angela me chamar algumas vezes, perguntando o que eu estava fazendo. Os jogadores estavam parados, sem saber o que fazer, e o treinador e o juiz discutiam onde estava o enfermeiro da escola.
Me agachei perto de Booth, dando uma rápida olhada no rosto dele antes de mirar o joelho que ele segurava. Tinha que me concentrar em outra coisa, para não prestar atenção na dor que vi nos olhos dele.
-Bones... o que você está fazendo aqui?
-Não parece tão mal, pode ter sido só uma distensão. – disse eu, talvez para me acalmar, talvez para acalmar ele. – você vai precisar ir pro hospital, Booth.
Ele fez uma careta à menção da palavra. Eu sabia o quanto ele odiava hospitais.
Me virei, vendo que a maioria das pessoas ainda estava parada. As vozes enchiam o ginásio, mas ninguém parecia saber bem o que fazer. Será que eles esperavam que tudo se resolvesse por si?
-Hodgins! Me ajude aqui!
Ele e Angela já haviam descido das arquibancadas, estando quase na quadra. Hodgins correu os últimos passos até nós dois.
Com a ajuda dele, colocamos Booth de pé, sem que ele encostasse a perna direita no chão, e o apoiamos para andar.
-Você está com o carro?
-Sim.
-Vamos para o hospital.
Hodgins concordou com um meneio, e ouvi algumas pessoas atrás de mim. O treinador falou que podia dar uma carona, mas eu garanti que dávamos conta. Era o jogo da semi-final, e tanto eu como o treinador sabíamos que Booth nunca ia se perdoar se o jogo fosse cancelado por causa dele.
Em cinco minutos estávamos colocando Booth no banco traseiro do carro de Hodgins. Angela abriu a porta traseira e nós o sentamos com muito cuidado, a perna direita esticada e ele soltando um gemido toda vez que movimentávamos demais.
Angela deu a volta para se sentar no banco de carona, e eu abri a outra porta da parte traseira.
-Que maldito azarado que eu sou! – ouvi ele resmungar, pela primeira vez falando algo.
-Você não pode atribuir isso a sorte ou azar, Booth. Lesões no joelho são muito comuns em esportes, ainda mais esportes com grande esforço físico, como...
-Agora não, Bones!
Angela olhou para mim do banco da frente com um sorriso apaziguador e eu suspirei. Estava sendo inoportuna.
Novamente eu me lembrei de nosso acidente na infância.
-Booth, vai ficar tudo bem, a dor logo vai passar. – disse eu, me lembrando das palavras de meu pai naquele dia. Booth não respondeu, mas apertou a mão que eu havia colocado em seu ombro.
Ele ocupava grande parte do banco, do tamanho que era, e com a perna esticada. As costas dele estavam contra o meu ombro, e ele parecia desconfortável. Hodgins ligou o carro e arrancou bruscamente, e Booth gemeu de dor novamente.
-Bones... – disse ele, se virando minimamente. – Sobre o que eu falei mais cedo, me desculpe.
Eu forcei um pouco a memória. A pequena discussão já havia sido totalmente varrida da minha mente. Só com o que me preocupava naquele momento era vê-lo bem.
-Você me magoou. – afirmei – Mas não vamos discutir isso agora.
Ele concordou com um meneio e, ante uma virada um pouco repentina de Hodgins, gemeu novamente.
Passei minhas mãos pelos ombros dele, de modo que ele pudesse deitar no meu colo e se ajeitar melhor. Booth não reclamou, e quando inclinou a cabeça em direção ao meu corpo, a mandíbula travada e os olhos fechados, passei a mão pelos cabelos dele, tentando distraí-lo da dor.
-Vai ficar tudo bem. – repeti, baixinho.
Ele foi prontamente atendido quando chegamos à emergência, e eu, Hodgins e Angela ficamos na sala de espera. Saí por alguns minutos para ligar para Hank, e quando voltei, apenas Angela estava lá.
-O Jack foi pegar algo para comermos. Quando fico nervosa preciso comer...
Sorri para minha amiga, me sentando ao lado dela.
-Sei que não é o momento mais oportuno... – disse Angela, um sorriso brincando em seus lábios. – Mas preciso te contar uma coisa! Ia deixar pra contar quando saíssemos pra comer, depois do jogo, mas parece que isso não vai mais acontecer.
-O que é, Ange?
-Eu e Jack estamos namorando!
-Sério? – eu sorri, contagiada pelo sorriso imenso que preenchia o rosto dela. – Isso é ótimo!
Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, minha amiga me abraçou.
-Eu sei, querida, estou tão feliz!
-Quando foi isso?
-Hoje de manhã. Eu precisava contar, já que foi você quem nos apresentou, deveria ser a primeira a saber!
-Fico feliz que tenha dado certo. – disse com sinceridade.
-Agora só falta vocês dois, não é?
-Nós quem?
-Você e Booth, oras.
-Ange...
-Você pode falar o que quiser e negar o quanto quiser, Bren. Mas eu nunca vi alguém racional e senhor de si passar para mamãe urso tão rápido.
-Mamãe urso... ? Do que você está falando?
-Da sua preocupação e proteção com o Booth desde que ele caiu na quadra. Brennan, tá na cara que você está apaixonada.
-Eu saberia se estivesse.
-Saberia? Como? Já se apaixonou antes?
Eu fiquei momentaneamente sem resposta e foi tempo o suficiente para ela bater palmas e exclamar:
-Um a zero para mim!
Quando eu ia falar, ouvimos uma voz atrás de nós.
-Foram vocês que vieram com o Sr. Booth?
Nos levantamos.
-Sim, fomos nós.
-Por sorte não parece ter sido uma lesão grave, e não vai precisar de cirurgia. Ele já está medicado, podem vê-lo se quiserem.
Eu olhei para Angela, e minha amiga me deu um sorriso apaziguador.
-Vá você, vou esperar o Jack.
Booth estava deitado em uma cama, com o joelho imobilizado. Sorriu minimamente ao me ver entrando no quarto. Parecia cansado.
-Meu avô...
-Já liguei pra ele, está vindo.
-Obrigado, Bones. E agradeça ao Hodgins pela carona, e à Angela... por tudo. Vocês são incríveis.
-Não foi nada. – disse, me aproximando da cama.
-Eu me sinto um idiota por ter falado aquilo pra você. – disse ele, tombando a cabeça de lado para me olhar melhor. – O que eu posso fazer para me redimir?
-Está tudo bem, Booth. – disse, incapaz de brigar com ele naquele momento – Você estava nervoso, entendo que se precipitou.
Ele sorriu, sem tirar os olhos de mim. E não foi um simples sorriso. Era o sorriso que me fazia aquecer por dentro, que ele só dava quando não havia mais ninguém além de nós dois. E foi como se um peso tivesse sido tirado de minhas costas.
-A dor está melhor?
-Não estou sentindo nada no momento.
-O que o médico falou?
-Rompimento parcial do ligamento. Seis semanas de molho. – disse ele, deitando a cabeça no travesseiro com força e suspirando.
-Bom, poderia ter sido pior, você poderia ter rompido o ligamento cruzado.
-Não quero nem pensar como seria se fosse pior, Bones.
Eu pousei minha mão sobre a mão dele, querendo por tudo passar-lhe conforto, assim como ele havia feito comigo tantas vezes antes. Ele não falou nada, mas virou a palma da mão para cima, entrelaçando nossos dedos. E em alguns minutos, estava dormindo.
Por algum tempo fiquei observando seu sono, analisando sua figura de uma forma que não podia fazer quando ele estava acordado. Os cabelos castanhos, o rosto largo, o começo de uma barba rala. E os lábios. De repente tive vontade de xingar Angela, por ter trazido aquele assunto à tona algumas noites antes. Desde então o assunto não saía da minha mente. Como seria provar os lábios dele?
Sem poder conter minha mão, estendi para o rosto dele. A barba por fazer deixava um aspecto áspero em seu queixo.
Fui interrompida por passos, e quando me virei Hank e Jared entravam.
Delicadamente puxei a mão de volta e me afastei da cama.
-Ei, pequena. – disse Hank, se aproximando de mim e beijando meu cabelo.
-Como ele está? – perguntou Jared, os olhos no irmão.
-Melhor agora. Deram remédios para a dor e ele dormiu, não faz muito tempo.
-O que aconteceu? – perguntou Hank enquanto se aproximava da cama, olhando o neto com carinho.
-Eu não vi o momento certo em que ele se machucou. Mas Angela disse que foi depois de um salto. O médico já o examinou, disse que foi uma lesão parcial do ligamento.
-O que isso quer dizer? – perguntou Jared, confuso.
-Que o ligamento cruzado anterior do joelho direito foi lesionado durante a prática esportiva.
Hank me olhou com um sorriso divertido, e Jared continuou a me encarar confuso.
-Ele vai precisar passar por algum tipo de cirurgia?
-Não. Acredito que só fisioterapia.
Hank dispensou um beijo nos cabelos de Booth também, e se afastou.
-Vou falar com o médico. – e saiu.
Eu me sentei em uma das cadeiras, e ouvi Jared suspirar.
-Tempe, queria me desculpar pelo meu comportamento aquele dia.
Olhei para ele, que havia se sentado ao meu lado. O que acontecera que todos haviam tirado o dia para se desculpar comigo?
-O dia que dormi lá? Não há por que se desculpar, Jared.
-Eu só não quero que você pense que foi algo pessoal, sabe? Não tenho nada contra você. É só que o Seeley é sempre o protegidinho, não é justo que eu sofra com os castigos e ele não.
-O Booth, protegidinho, Jared? – ele ergueu os olhos para mim surpreso. Com toda a confusão e correria eu havia me esquecido do que Booth me contara mais cedo. Mas naquele momento, com aquela frase de Jared, a história voltou à minha mente, assim como a raiva que sentia.
-Ele me contou o que aconteceu ontem. – disse, o encarando duramente. – Depois de tanto tempo você ainda corre para ele? Nunca vai crescer, Jared?
-Wow, vamos com calma! Você está parecendo uma irmã mais velha agora, Tempe.
-Ele podia ter se machucado. – continuei, e ouvi minha voz soar um tanto embargada.
Não queria ver aquela expressão de dor no rosto de Booth novamente, era doloroso demais.
Jared apenas me encarou por alguns segundos.
-Você conhece o cara. Ele gosta de bancar o herói. Sim, posso ter me acomodado um pouco com essa proteção, mas a culpa é mais dele que minha.
Eu não podia deixar de concordar em parte. Suavizei um pouco a expressão.
-Eu falei para ele parar de te salvar de tudo. E vou ficar de olho para me certificar que ele vai cumprir, está bem?
-Sim, senhora. – murmurou Jared, erguendo a mão e fingindo uma continência.
Ficamos em silêncio algum tempo, e me tranquilizei um pouco. Jared olhou para o irmão por alguns segundos, então perguntou:
-Ele vai se recuperar?
-Da lesão? É claro que vai se recuperar.
-Mas não vai mais poder jogar, não é?
-Por um bom tempo não.
-Ele vai ficar arrasado, Tempe. Sabe o que o basquete significa na vida dele?
-Ele fica extremamente feliz quando fala nisso.
Jared sorriu.
-É verdade, ele se empolga. Mas não é só isso. Com essa coisa de não poder mais jogar, ele perde a bolsa para a faculdade.
-O Booth tinha uma bolsa para a faculdade?
-Não estava oficializado ainda, mas ele já havia falado com um olheiro que veio vê-lo jogar certo dia... ele ia para a NYU.
-Ele... ele nunca me contou isso.
-Não me espanta. Desde que você voltou, se o vovô puxa o assunto de faculdade, pra qual cidade vai e onde vai morar, ele desconversa. Um dia desses eu disse para ele que deixar de falar no assunto não vai fazê-lo sumir. Ele não vai poder ficar aqui no próximo semestre, e tem que encarar isso.
Baixei os olhos para minhas mãos, repentinamente com dificuldade para respirar. Eu nunca havia pensado nisso antes. É claro que Booth iria embora, ele estava no terceiro ano! Teria que estudar, ir para a faculdade, e não havia faculdades em Falls Church, as mais próximas deviam estar em Washington.
-Tempe? Tudo bem?
-Tudo, Jared, é só... preciso ir ao banheiro, ok? Já volto.
Eu saí rápido, e havia caminhado alguns passos pelo corredor quando vi Angela e Hodgins vindo no sentido contrário.
-Ei, Brennan. Como ele está?
-Dormindo agora, por que não vão lá vê-lo? O irmão e o avô dele estão lá. – e continuei a andar.
-Brennan!
Não respondi ao chamado de minha amiga, e continuei andando. Cheguei à recepção, mas não parei. Saí para fora do hospital, sem destino, e acabei me sentando no banco de um pequeno jardim, a alguns metros da entrada principal do hospital.
Fiquei ali muito tempo, tentando absorver a ideia que, mesmo eu fazendo de tudo para ficar perto de Booth, não seria mais assim em alguns meses.
Não era certo de minha parte pensar dessa forma, e eu sabia disso. Ele devia ter sua vida, oras.
Mas meus sentimentos estavam uma bagunça.
Sim, eu que me orgulhava de ser sempre racional, de tomar minhas decisões baseada na lógica. Eu não sabia o que fazer com tudo que sentia, eu não compreendia totalmente. Não estava habituada a lidar com sentimentos, e naquele instante eles eram muitos.
Mas as palavras de Angela voltavam a martelar em minha cabeça.
E já o beijou de novo desde então?
Vocês dois têm a confidência, a compreensão, o companheirismo.
Tá na cara que você está apaixonada.
Se minha amiga estivesse certa, isso só complicaria mais as coisas. E havia uma chance de Angela estar certa, ela entendia mais do assunto que eu.
Mas eu não queria estar apaixonada.
-Temperance, está frio aqui fora.
Ergui os olhos e vi Hank parado à minha frente. Mal havia percebido que já escurecia.
-Tudo bem?
Eu concordei, baixando o rosto e secando uma lágrima que não havia percebido que escapara.
-Eu queria agradecer por tudo que você e seus amigos fizeram.
-Não foi nada, Hank. Booth faria o mesmo.
Ele sorriu.
-Venha, vamos entrar.
Eu o acompanhei de volta ao hospital, mas sabia que teria que voltar para casa ou ficaria tarde. Hodgins e Angela já haviam saído, e Hank avisou que minha amiga havia reclamado de meu sumiço.
Booth ainda dormia, e o observei por alguns minutos antes de me despedir de todos e ir embora.
Olhar para ele não esclarecera em nada meus conflitos internos.
