10 de dezembro de 2016 – Uma nova saga P2

(Quinn)

E lá iríamos nós. Michele, a coordenadora do cerimonial, falou com algumas pessoas pelo rádio antes de praticamente exigir que eu e minha família saíssemos do quarto. Meu pai segurou a minha mão e era a única pessoa que parecia inalterada ao meu redor. Minha mãe já começava a chorar e Frannie a abraçava de lado, dando-lhe suporte. As duas foram levadas até as cadeiras destinadas a minha família antes que eu e meu pai pudéssemos aparecer para os nossos poucos convidados.

"Preparada?" – meu pai perguntou e eu apenas acenei.

Então ouvimos o violeiro começar a tocar "Jesus, Alegria dos Homens", de Bach. Rachel e eu, em nome da simplicidade que queríamos para o nosso casamento, queríamos apenas um violão solo para compor a trilha da cerimônia. Eu escolhi o tema para a minha entrada porque sempre achei a música mais linda nos casamentos em que assisti ao longo da minha vida, em especial na igreja que frequentava em Lima. Sei que o meu casamento seria apenas no civil, mas eu queria colocar um pouco da minha religiosidade cristã.

Começamos a caminhar. O salão não era tão grande assim, não eram muitos os passos que me separavam do altar. Controlei as minhas emoções e caminhei como uma Fabray ao lado de meu pai. Sinceramente, nem vi os rostos dos convidados em pé que estavam a beira do caminho, mas sorri para eles. Sorria para todos enquanto o meu coração batia forte como se um baterista de heavy-metal estivesse dentro dele. Que belo contraste, não? Por fora, a música mais suave de todas preenchia o ambiente. Internamente, era com se meu corpo reagisse ao som de alguma música do Pantera (meu pai ficaria contente se soubesse que andava pensando em referências sulistas).

No final do percurso, quando a juíza de paz já estava de prontidão atrás do altar, recebi um beijo no rosto de meu pai e acenei para Mike, já posicionado para ficar atrás de mim como um bom padrinho. O violeiro terminou de tocar a melodia e as pessoas permaneceram em pé. Era tempo de esperar por Rachel e pelo momento em que ela seria entregue de uma vez por todas a mim.

Acho que eu parei de respirar quando vi Santana e Shelby contornando o salão para se posicionar próximo ao altar. Beth estava sentadinha em uma cadeira do lado dos Lopez. Sorri para a minha filha e mesmo que ela não tivesse correspondido, estava grata por minha Beth poder assistir ao meu casamento. Shelby sentou-se na cadeira ao lado da minha pequena e Santana se posicionou da mesma forma que Mike, como a madrinha que era da minha muito em breve esposa. Ela piscou para mim e acenou. Estava tudo em ordem no universo.

O violeiro começou a tocar "Fly me to the Moon" e eu não pude me furtar em sorrir. Essa música era a cara de Rachel: standard, popular, interpretada por grandes vozes, e que refletia perfeitamente o estado dela. Ou ao menos eu queria pensar assim.

Então ela entrou no salão acompanhada de Juan Lopez. Véu no rosto. Meu coração pulou uma ou duas batidas.

...

(Rachel)

Sei que a tradição manda a madrinha ou as madrinhas entrarem junto com a noiva. Quinn não tinha madrinha e em nome dos direitos iguais como, assim esperava, nortearia nosso casamento, Santana também não entraria pelo tapete vermelho. Acho que ela agradeceu a mim. Meu pai suspirou. Estávamos muito emocionados por causa do encontro anterior, e vi que ele lutava para manter a postura. Não devia ser fácil para ele ser sempre tão austero e durão se mostrar frágil e emocionado. Só tinha visto isso acontecer em tragédias.

"Fly me to the Moon?" – ele comentou baixinho quando a minha música começou.

"Sabe o quanto gosto da versão da Diana Krall."

"Será que eu não te ensinei nada sobre a Sarah Vaughan?"

"Pai!"

A breve conversa serviu para uma leve descontração. Era bom para espantar um pouco do nervosismo que estávamos sentindo. Estávamos mais confortáveis em nossos passos e encaramos os convidados. Eu a encarei. Quinn estava literalmente como uma deusa grega com o vestido branco de uma única alça. Ela era Afrodite. Sim, só podia ser a deusa do amor, mesmo tivesse momentos de Atenas e Hades. Meu queixo caiu? Não sei, talvez sim. Estava simplesmente bestificada. O que fiz para merecer desposar uma criatura tão linda?

Quando chegamos ao altar, meu pai me deu um beijo na testa depois beijou Quinn no rosto. Então ele completou o ritual de me entregar a ela. Quinn pegou na minha mãe e nos postamos diante do juiz de paz.

...

(Santana)

Havia poucas pessoas no salão, mas isso era previsto pela festa quase familiar. Os pais de Quinn e Frannie estavam sentados em cadeiras reservadas no lado direito. Mike, como bom padrinho, estava em pé atrás de Quinn. Devo admitir que a bitch estava de tirar o fôlego. Minha irmã não ficava trás. Era de fato um casal bonito e diferente, e não falo pelo fato de ser um par de garotas. Era a união da branca, cristã, loira de beleza tipicamente americana, com uma judia com genética latina. Não falo por causa dos Lopez porque não existe essa certeza quando se trata de Rachel. Shelby tem descendência italiana pelos avós maternos dela.

Enfim, Shelby e eu nos posicionamos. Beth já estava sentadinha no lugar dela. Minha mãe ficou sentada ao passo que eu fiquei de pé do lado esquerdo do altar como uma boa madrinha fazendo a guarda da aliança que minha irmã colocaria no dedo de Quinn Fabray. Rachel e papi atravessaram o salão com certa rapidez. Ela tinha um sorriso nervoso congelado no rosto, e ele, os olhos marejados. Achei bonito quando papi "entregou" a filha dele nas mãos de Quinn. O trabalho dele foi feito. Agora era com as duas. Na prática já estava sendo desde os nossos 17 anos.

Rachel e Quinn se acomodaram diante do juiz de paz, e eu dei uma olhada no salão. O lado da minha irmã estava mais cheio. Brittany sentou ao lado de Kurt. Mercedes estava acompanhada de Julio e, por ali perto, tia Maria, tio Pedro, Daniela e noivo. Tia Rosa não pode vir a Nova York, o que foi uma pena. Bubbee e zaide estavam sentados próximos a mim. Johnny estava ao lado deles sorrindo como um idiota lindo. Tinha os amigos de Rachel: Rom, Amanda e Luis. Cada um com seus respectivos. E também Josh Ripley com a esposa e Nina Morris com o filho. O senhor Weiz foi convidado, mas no lugar dele vieram o advogado Richard White e esposa.

Os rostos do lado de Quinn eram conhecidos. Além dos Fabray e da madrasta, estavam por ali dois chefes de Quinn cujos nomes esqueci, Santiago e Kayla, Roger Benz e esposa, e também Bena, a nossa faxineira.

O juiz de paz pegou o microfone e sorriu para o casal diante dele.

"Senhores, senhoras e senhoritas. É um imenso prazer estar num ambiente confortável e familiar. Como sabem, essa não é uma cerimônia religiosa, muito embora tenha ficado honrado em atender ao pedido das noivas para vir aqui para dizer algumas palavras antes de ser feita a assinatura da licença matrimonial.

"Soube que Quinn Fabray é cristã, ao passo que Rachel Berry-Lopez é judia. Diferentes religiões, mas que possuem a mesma base de princípios: amar a deus e ao próximo. Sabemos que nem sempre os princípios são cumpridos por nós, e até mesmo são distorcidos por frases fora do contexto, pela má interpretação, pela não compreensão de metáforas que levam tantos a encontrar nas palavras de amor subsídios que justifiquem atrocidades. Amar a deu definitivamente não é atacar, agredir, diminuir.

"Cabe aqui a reflexão. Amar a deus é respeitar uns aos outros. É o respeito nas diferenças e no conviver. É o respeito entre meros desconhecidos, colegas, amigos, família, entre pais e filhos e entre os casais. Isso é simples na teoria, mas como é difícil na lida. Rachel e Quinn têm agora em diante um grande desafio: o respeito dentro da intimidade do casamento. Para os olhos de jovens apaixonados como tantos que vemos por aí, encantados uns com os outros e que procuram as documentações que oficializem o amor imenso que sentem um pelo outro, o casamento parece coisa simples. Não é.

"O casamento é um exercício diário de parcimônia e de saber respeitar sempre. Veja só: é muito mais do que declarações românticas e dividir o mesmo teto. Casamento significa companheirismo, respeito, renúncia, parceria, cuidado, tolerância. É o compromisso para se constituir uma família. Significa, sobretudo, o amor mútuo de corpo e alma. Amor forte e bravo que faz mover montanhas. Vocês sabem o significado de mover montanhas?".

"Significa superar os obstáculos por maiores que eles sejam" – Rachel respondeu com a voz fraca.

"Exato!" – o juíz continuou – "Mover montanhas é um ato de fé, de amor. Mas ele só é possível com muito trabalho. Casamento também é trabalho, também é ter objetivos em comum. Objetivos estes que visem mais do que ganhos e títulos. Não existe ganho maior do que a conquista do bem comum, da paz de espírito e do crescimento de vocês como indivíduos. Algumas pessoas buscam essas coisas individualmente. Deve ser um caminho muito solitário. Aqueles que se casam buscam alcançar essa evolução pessoal com a ajuda da pessoa que ama ao lado. Se vocês forem capazes de construir esse lar em rocha e regado de amor, mais do que isso, reproduzir esses bons princípios nos ambientes em que participam. Então, Rachel e Quinn, vocês não apenas estarão amando a deus, como também ajudando a construir uma sociedade melhor com os seus bons exemplos e ações.

"Como vê, a responsabilidade é tamanha, mas tenho certeza que vocês duas, lado a lado, vão conseguir."

O juiz colocou os óculos e pegou um papel que parecia oficial a julgar pela marca d'água.

"Estou aqui com os papeis que vão oficializar o casamento das duas de acordo com as leis que regem o estado de Nova York. Mas antes gostaria de saber se vocês gostariam de trocar os votos e as alianças" – as duas acenaram – "Muito bem, então."

Rachel e Quinn viraram de frente uma para a outra com as mãos unidas. Quinn começou os votos.

"É uma maldade me fazer dizer coisas bonitas a Rachel depois que tudo foi dito aqui" – algumas risadas vindas dos convidados – "Eu pesquisei em livros de poemas coisas que poderiam ser ditas a você, mas me pareceu errado. Eram palavras de outras pessoas, corações de outras pessoas. Não o meu. O meu coração é aquele que bate depressa toda vez que te vê. É um sujeito teimoso que toda vez que peço para ser um pouco racional, ele não me escuta porque sempre está assim, meio louco quando você está presente. É uma sensação maravilhosa que não posso evitar. Rachel Berry-Lopez, eu te amo com toda minha lógica, coração, alma, corpo, inteligência, burrice, insegurança, orgulho. Enfim, todo esse conjunto de qualidades e defeitos que fazem ser quem sou simplesmente te ama. Sou tão egoísta que tudo que desejo é que você fique ao meu lado pelo resto de nossas vidas. Será que isso seria pedir demais?"

"Não mesmo" – Rachel respondeu. Queria ver o rosto da minha irmã neste momento. Uma pena que ela estava de costas para mim. Com certeza, estava chorando.

"Então você aceita ser minha esposa?"

"Eu ia dizer outra coisa, mas achei melhor ficar no tradicional. É aceito!" – mais algumas risadas.

Mike passou a aliança a Quinn, que logo a colocou no dedo de Rachel e beijou a mão dela. Olhei para a platéia e todos pareciam hipnotizados pela candura do momento. Eu também estava feliz e encantada pela cerimônia simples e bonita. Olhei para Johnny. Ele me encarava com um sorriso. Pouco atrás dele estava Brittany. Ela olhava para mim com os olhos vermelhos. Meu coração bateu rápido e desviei o olhar para o casal no altar. Era a vez de Rachel dizer algumas palavras.

"Maldade é você querer que eu diga coisas bonitas e inteligentes depois de suas palavras. Irônico pensar que eu, que sou a eloqüente da casa, possa estar aqui diante de você praticamente sem palavras. Você representou muitas coisas ao longo da minha vida. No início, era o meu terror, meu tormento, minha adversária. Agora, é o meu amor, minha companheira, minha cúmplice. O amor que sinto por você é tão grande e intenso que é impossível mesurar com palavras ou até mesmo com ações. Tudo que sei é desse desejo de continuar ao seu lado porque você me traz uma felicidade incompreensível. Porque faz com que eu procure ser uma pessoa melhor por mim, por você e por todas as pessoas que amamos. Quinn Fabray, eu desejo muitas coisas na minha vida, mas nenhuma delas é mais forte e sincera do que ficar ao seu lado. Por favor, me aceite e me leve contigo para onde for!"

"Claro que sim, minha lady."

Foi a minha vez de entregar a aliança nas mãos de Rachel para que ela pudesse desposar Quinn. Minha repetiu o gesto de Quinn e beijou a aliança.

"Agora passamos às assinaturas."

O violeiro começou a tocar "True Love Ways", de Buddy Holly. Rachel me contou a história particular que ela tinha com essa música. Foi no dia em que contei que tinha sido aceita pela Stuyvesant High e que iria me mudar para Nova York. Nós brigamos no refeitório e Quinn foi atrás dela. Rachel disse que Quinn a consolou cantando essa música antes de as duas se beijarem. Acho que foi pela primeira vez. Ou será que estou enganada? Enfim, devia ter sido uma cena romântica suficiente para marcar tanto.

Rachel assinou primeiro. Depois Quinn. Eu fui a próxima a pegar na caneta e não tinha reparado no quanto estava trêmula. Mas assinei no lugar correto de testemunha de Rachel Berry-Lopez num suspiro só. Quando terminei, fui até as noivas, agora esposas, e deu um beijo e um abraço em cada uma antes de voltar a minha posição. Mike fez o mesmo. O juiz de paz conferiu a papelada com óculos no rosto e voltou a se pronunciar.

"Com a assinatura da licença de casamento, Rachel Barbra Berry-Lopez agora passará a se chamar Rachel Berry-Lopez Fabray. E Quinn Lucy Fabray passará a se chamar Quinn Berry-Lopez Fabray. Pelo poder conferido a mim pelas leis do estado de Nova York eu voz declaro casadas. As noivas podem se beijar."

Quinn levantou o véu de Rachel, a segurou pela cintura e se inclinou de forma a beijá-la com postura cinematográfica. O gesto veio acompanhado de aplausos e alguns gritinhos. Quando se desgrudaram, Quinn veio até nós e abraçou primeiro papi, Shelby e a mim. Ela também fez um carinho em Beth, mas acho que temeu uma reação forte da minha irmãzinha e por isso não tentou um beijo ou um abraço. Zaide veio até o altar quando as duas se uniram outra vez ainda no altar. Primeiro recebeu um beijo carinhoso de Rachel e de Quinn. Disse alguma coisa que não consegui ouvir e em seguida enrolou uma taça num lenço e a quebrou. Entre tantos significados, o que mais gostava era a metáfora de que somos com vidro: mesmo quando quebrados, podemos ser reconstituídos. Também tinha a metáfora de que somos mortais e o casamento é a nossa forma sagrada para nos multiplicar.

Assim que zaide fez o ritual, Rachel pegou o microfone e se pronunciou.

"Muito bem meus amigos queridos e família. Quinn e eu vamos nos recompor logo ali, mas sintam-se à vontade para começar a festa. Até breve!"

Quinn puxou Rachel pela mão e as duas saíram como crianças do salão enquanto recebiam uma chuva de arroz. Eu nunca entendi a parte do arroz.

"Missão cumprida" – papi suspirou e me abraçou de lado.

"Feliz?" – perguntei.

"Sua irmã está feliz, então eu estou."

...

(Quinn)

Eu estava nas nuvens. Rachel e eu voltamos ao quarto em que ela estava à espera antes da cerimônia. Ríamos feito crianças. A sensação era ótima, meu espírito estava leve e realizado. A mulher que mais amava neste mundo era minha para sempre. De jeito nenhum que isso teria volta. Eu a beijei como gostaria de ter feito assim que trocamos as alianças, mas isso choraria os nossos pais e convidados. Coloquei o corpo dela contra o meu. Um braço meu laçava a cintura dela e a minha mão acariciava aquele rosto lindo.

"Agora você é toda e completamente minha, senhora Fabray" – como era delicioso dizer senhora Fabray. Era como um sonho.

"Com todo prazer, senhora Fabray."

Voltamos a nos beijar com paixão, mas dessa vez eu me permitir explorar mais devagar aquela boca maravilhosa. Enquanto a beijava com calma e paixão, aproveitei o decote do vestido dela e da ausência do sutiã para massagear um dos seios.

"Quinn..." – ela disse com a respiração alterada – "Agora?"

"Por que não?" – beijava o pescoço dela enquanto puxava uma alça do vestido.

Como Rachel não fez objeções, fiz o mesmo com a outra alça enquanto beijava e mordiscava o ombro nu. Bendita escolha de vestido. Mais um puxão de leve e ela estava com o tórax todo exposto para a minha apreciação. Fazia uma semana que não a tocava e estava necessitada. Senti os dedos dela brincando com o zíper do meu vestido até que eles finalmente se moveram para baixo. Rachel beijava meu pescoço enquanto os dedos dela procuravam meus seios.

"Está fazendo cosquinhas" – sorri.

"Mesmo?" – disse provocante – "Diga se isso faz cosquinhas também?"

Ela se curvou e eu senti a boca quente de Rachel nos meus mamilos. Àquela altura estava prestes a arrancar o vestido de uma vez do corpo dela quando ouvimos batidas na porta.

"Senhoras Fabray? É Michele. Posso entrar?"

"Não!" – Rachel e eu respondemos ao mesmo tempo.

"Nos dê 15 minutos" – disse.

"Não... 20 minutos" – Rachel complementou.

Sorrimos e nos encaramos.

"Teremos que ser rápidas" – alertei.

"Sorte sua que eu já esteja tão molhada."

Levantei o vestido dela não me importando que formaria um bolo de tecido envolvido na cintura. Puxei a calcinha para baixo e minha mão teve livre acesso ao sexo da minha esposa. Ela estava mesmo molhada. Rachel estava tendo trabalho em tentar suspender o meu vestido quando eu a encostei contra a parede e dois dos meus dedos a invadiram enquanto o meu polegar estimulava o clitóris.

"Quinn..." – ela estava com a respiração pesada – "Tem uma cama a três passos daqui."

"Não quero essa cama" – sussurrei no ouvido dela enquanto me mexia mais rápido e usando mais força. Dentro e fora, dentro e fora. Procurando girar os meus dedos a cada invasão. Rachel desistiu do meu vestido e eu sentia os dedos cravados nas minhas costas. A boca dela estava no meu ombro e eu podia sentir os dentes fazendo mais e mais pressão sobre a minha pele enquanto os músculos internos pulsavam contra os meus dedos. Ela jogou a cabeça para trás e já não controlava os gemidos.

"Estou quase..." – conseguiu vocalizar entre os gemidos. As unhas delas cravaram em minhas costas – "Quinn!" – ela gritou com o orgasmo.

Diminuí o ritmo e quando me retirei levei os meus dedos molhados à boca para que Rachel pudesse provar do próprio gosto. Juro que a maneira com que ela chupava os meus dedos era a coisa mais sensual do mundo. Enquanto ela se ajoelhou eu a ajudei a levantar o meu vestido.

"Sem calcinha!" – ela sorriu com malícia.

"Marcaria o meu vestido."

Foi a minha vez de encostar-me à parede para não cair. Minhas pernas tremeram quando Rachel lambeu o meu sexo. Graças a parede e pelo fato de eu ter apoiado uma das mãos na penteadeira eu não caí. Minha outra mão estava muito ocupada segurando o meu vestido. Assim com o eu, Rachel não perdeu tempo e me penetrou também com dois dedos enquanto a boca dela sugava o meu clitóris com energia. Eu sempre procurei me controlar nos vocais, mas eu estava tão excitada que estava difícil me manter discreta.

"Oh deus!"

"Já disse milhares de vezes que não devemos mencionar o nome dele enquanto estamos fazendo essas coisas" – só Rachel mesmo para me passar um sermão expresso no meio de uma rapidinha.

"Rachel! Porra! Mais forte!" – disse alto quando ela voltou a se mover. Estava tão perto. Tão perto –"Rachel!" – fechei meus olhos e deixei o meu corpo fluir pelas ondas do orgasmo.

Rachel se retirou e se levantou. Me beijou com o meu gosto ainda forte.

"Senhoras?" – de novo a tal coordenadora nos importunou – "Só para avisar que os convidados estão a espera da primeira dança."

"Mais 15 minutos!" – gritei.

"Tudo bem. Quando estiverem prontas."

Rachel começou a gargalhar nos meus braços. Adorava o som daquela risada. Era um dos meus favoritos, tal como tudo que envolvesse a voz de Rachel Fabray. Quase tive outro orgasmo só em pensar nisso.

"É melhor a gente se arrumar e novo" – ela disse e eu concordei.

Nos limpamos da melhor forma que dava naquele lavabo, arrumamos nossos vestidos, retocamos a maquiagem e demos um jeito em nossos cabelos. Nos olhamos no grande espelho da penteadeira e tirando uma marca fresca de dente no meu ombro, que ficava nu, até que não dávamos pinta de que transamos entre a saída do altar e o retorno para a festa. Acho que isso não contava como noite de núpcias, certo?

"Senhoras?" – havia um garçom a nossa espera do lado de fora com duas taças de champanhe. Eu não me fiz de rogada e fiz um discreto bochecho com a bebida.

"Os convidados estão à espera" – reforçou Michele – "É a última formalidade antes de servirmos o buffet para o almoço."

"Ok" – coloquei a minha taça de champanhe de volta a bandeja do garçom e olhei para a minha esposa – "Rach?"

Ela sorriu e colocou a taça dela junto a minha. Segurei a mão dela e entrelaçamos os dedos.

...

(Rachel)

"Senhoras e senhores" – ouvimos o DJ anunciar – "Eu vos apresento Rachel e Quinn Berry-Lopez Fabray."

Entramos mais uma vez no salão, desta vez na direção oposta ao altar, e nos posicionamos na pista de dança debaixo de aplausos, mas o DJ não tocava ainda nada. Isso deixou Quinn confusa, mas era uma surpresa que havia preparado a minha incrível esposa. Minha voz não estava preparada, mas e daí. Peguei o microfone do DJ e acenei para ele com Quinn ainda parada na pista, mas àquela altura, acho que ela já sabia o que se passava. Tanto que levou uma das mãos a cintura e a outra ao próprio rosto.

"Quinn Berry-Lopez Fabray, minha esposa, essa é para você."

Acenei para o DJ e ele disparou o karaokê.

"Lembra de quando tínhamos 16 anos?" – disse e Quinn abriu um sorriso enorme.

Comecei a cantar a música que tinha alguma a ver com a nossa história e que basicamente era mais ou menos um resumo da nossa trajetória.

"Guess this means you're sorry/ You're standing at my door/ Guess this means you take back/ All you said before" – Quinn soltou uma gargalhada e começou a dançar ao meu lado – "Like how much you wanted/ anyone but me/ Said you're never come back/ but here you are again."

Quinn se aproximou de mim e começou a cantar junto mesmo sem o microfone.

"Because we belong together now, yeah/ Forever united here somehow, yeah/ You got a piece of me, and honestly/ My life would suck without you"

Quando percebi, Santana, Brittany, Kurt, Mike e Mercedes estavam na pista de dança resgatando pequenas coreografias. Teve direito até uma reedição de alguns segundos do unholy Trinity.

"Maybe i was stupid/ for telling you goodbey/ maybe i was wrong/ for trying to pick a fight/ i know that i've got issues/ but you're pretty messed up too/ either way i found out/ i'm nothing without you"

Eles começaram a dançar e correr ao meu redor feito adolescentes.

"Because we belong together now, yeah/ forever united here somehow, yeah/ you got a piece of me, and honestly/ my life would suck without you."

Quando terminamos o karaokê, Quinn imediatamente me abraçou e nos beijamos sob aplausos. O DJ começou a tocar uma música romântica e lenta em seguida para que as coisas pudessem esfriar.

"Eu te amo, esposa" – Quinn disse no meu ouvido.

"Eu também" – dei uma risadinha – "Esposa."

Mais alguns movimentos e senti alguém tocar no meu ombro. Era meu pai. Conforme a tradição, ele se apresentou para dançar comigo enquanto Quinn esperou por Russel. Eu encostei a cabeça no peito do meu pai e senti o conforto de uma das pessoas mais importantes do mundo para mim.

...

(Santana)

Quinn e Rachel pareciam num mundo próprio na festa de casamento. Elas dançaram, sentaram e comeram um pouco, beberam champanhe e as pessoas pareciam muito à vontade no ambiente. Pelo menos os nossos, porque, sinceramente, o único momento em que prestei atenção em Russel Fabray foi quando ele saiu do bar para fazer um discurso-ode ao próprio clã e de como Rachel era uma mulher de sorte por agora ser uma agregada da família.

Mike, na condição de padrinho, fez um discurso polido e carinhoso. Não sei porque, mas me passou a impressão de que ele estava se despedindo de Quinn de alguma forma. Um dia eu perguntarei o que ele quis dizer exatamente com: "Rachel agarrou a melhor de todas e agora só nos resta sair à procura."

Eu também fiz o meu discurso e fui breve: "Q e Rachel. Desejo toda a felicidade do mundo ao novo casal e que vocês tenham uma excelente lua de mel. Uma tão boa que nem vão ligar quando chegarem em casa e descobrirem que eu dei algumas festas no apartamento (ganhei algumas risadas aqui). Falando sério, vocês são as minhas melhores amigas e que sempre vou amar vocês. Sei que o caminho para que ficassem juntas foi tempestuoso porque tive o privilégio de acompanhar tudo de perto. Por isso mesmo tenho a certeza que todas as dificuldades fizeram com que a relação de vocês criasse raízes fortes e profundas. Tudo isso que acontece hoje, essa celebração, foi uma conquista. Do fundo do meu coração, que esse casamento dure a eternidade."

Quando passava das três da tarde e as pessoas estavam quase bêbadas numa pista de dança, Michele, a coordenadora que eu pensava que já tinha vazado, pegou no meu ombro.

"Sua irmã deseja se despedir."

Não é que ela fosse pegar o carro e ir ao aeroporto. Estava mais para subir no elevador até a suíte nupcial para fazerem coisas que não quero pensar a respeito antes de pegar um avião amanhã cedo. Iam sair do gelo que estava Manhattan para curtir o caribe ensolarado. Quanto ao resto de nós: gelo. A não ser Kurt, Mike e Mercedes que vão voltar a Los Angeles.

"Aonde vai?" – Johnny me perguntou. Ele estava um pouco inseguro com a presença de Brittany no mesmo teto e começou a agir de um jeito engraçado, engasgado, como a pessoa que está com ciúmes que mesmo assim faz de tudo para não transparecer.

"Rachel vai sair a francesa, mas não antes de falar com a família" – dei um beijo no meu namorado e segui a tal coordenadora.

Encontrei minha mãe e Beth pelo caminho e fomos até um hall reservado que antecedia o corredor dos elevadores. Quinn e Rachel estavam ali de pé abraçando os Fabray. Russel continuava deslocado, mas fazia questão de manter o ar superior. Aposto que deu conselhos bem machistas a Quinn, como se ela já não tivesse essas tendências. Judy estava de porre e era algo cômico de se ver. Ela com o vestido amarelo de festa agindo como uma espaçosa. Frannie parecia estar sóbria e, pelo visto, já tinha se despedido das noivas quando cheguei.

Rachel olhou para nós e abraçou primeiro a minha mãe enquanto eu empurrei Beth para dar um abraço de despedida em Quinn, que se ajoelhou para abrigar a pequena.

"Cuide-se pequena" – ela disse encostando o dedo no nariz de Beth – "Saiba que eu estarei aqui sempre que você quiser e precisar."

Ela acenou e se afastou. Foi a minha vez de ganhar um abraço da minha, agora oficialmente, cunhada.

"Obrigada por tudo, San" – ela sussurrou no meu ouvido.

"Cuide bem da minha irmã, Fabray. Ou vou chutar o seu traseiro."

Quinn sorriu e foi abraçar papi, que havia chegado naquele instante. Enquanto isso, abracei Rachel. A gente não trocou palavras. Não precisava. Nosso elo era forte demais para a gente precisar verbalizar o que uma sente pela outra. O mesmo aconteceu quando papi se despediu da filha. Foi um abraço silencioso, emocionado. Tanto que precisei virar o rosto para não me pegar chorando. Por mais que soubesse que Rachel estaria de volta a Nova York em 11 dias, aquela era uma sensação forte de despedida para uma transição. Ela não voltaria a mesma: agora era a senhora Fabray, estava casada, a dinâmica era outra.

As duas pegaram o elevador e nós não tínhamos mais o que fazer além de voltar para a festa que duraria mais uma horinha até que os convidados sentissem a falta das noivas e começassem a sair.

Por hora, o que via no salão eram as pessoas aproveitando o que era oferecido. Mike rodopiava junto com Brittany. Os dois, aliás, davam um show à parte. Tio Pedro era o mais engraçado: estava meio alto e ele não conseguia dançar nem dois pra cá e dois pra lá com o mínimo de coordenação caso a vida dele dependesse disso. Mas ele estava nem aí e fazia caras e bocas junto com Mercedes, que era a nora dele, afinal. Olha que ela também não era grande coisa. Beth foi direto pentelhar Johnny e o puxou para a pista de dança. Ele pegou a pequena e não se intimidou. Nunca vi alguém lidar tão naturalmente com uma criança. Era como se ele se transformasse em uma.

"Espero que a sua irmã não tenha te inspirado" – Shelby me abraçou por trás enquanto observávamos a diversão – "Ainda vou precisar de algum tempo para me recuperar do choque de ver uma filha casada."

"Augurando meu relacionamento? Isso não é legal, mãe."

"Augurando, não. Só pedindo para que você tenha mais alguns anos de namoro pela frente antes de trocar alianças. Sua mãe aqui está se sentindo velha."

"Cadê papi?" – meu velho estava em lugar algum do salão.

"Decidiu subir. Ele está exausto."

"Talvez deva fazer o mesmo. Minha vontade é de tomar um banho e apagar na minha cama. Sem mencionar em tirar esses sapatos."

Foi o que fiz. Avisei a Johnny que iria embora e perguntei se ele gostaria de dormir na minha casa. A resposta foi afirmativa. Mas antes de pegar o meu carro e cumprir a promessa de apagar para o mundo. Precisei me despedir de algumas pessoas. Uma das últimas foi Brittany.

"Não acredito que já vai embora. Nós mal conversamos desde que cheguei" – ela fez beicinho.

"Em outra oportunidade, Britt Britt. O casamento foi uma correria para mim."

"Eu sei. Você me disse. Isso não muda o fato de eu sentir falta de uma maior presença sua."

"A gente pode combinar uma saída depois... talvez eu vá a L.A. te visitar em breve."

"Ou eu posso vir a Nova York mais uma vez" – ela piscou para mim e tentou soar misteriosa.

"Ou isso" – desconversei e a abracei – "Até mais, Britt Britt."

Depois de Brittany, fui até o meu namorado, peguei alguns pertences de Rachel e Quinn que estavam nos quartos de espera (o pessoal do hotel pegou e guardou) e Johnny e eu saímos em meio a um dia frio, branco, até ao meu carro. Olhei para a sacada do hotel e tive a forte impressão que coisas não estavam resolvidas. Não entre Rachel e Quinn, mas na minha própria cabeça. Por outro lado, deixaria para penar nisso depois.

...

(Quinn)

"Foi uma festa e tanto" – Rachel comentou enquanto eu a ajudava a tirar o vestido com alguns beijos no ombro entre um movimento e outro. Eu já estava nua por debaixo do roupão me preparando para tomar um banho rápido junto com minha esposa. Estava tão cansada que a nossa noite de núpcias da forma como imaginava teria de acontecer mais tarde, depois de uma soneca – "Nem acredito que tudo isso aconteceu de verdade. Parece um sonho bom" – dei um beliscão no bumbum dela para que pudesse se certificar de que tudo era bem real – "Ei!" – ela reclamou.

"Você está é enrolando. Vamos logo tomar o nosso banho."

Rachel tirou o vestido e a calcinha. O corpo dela estava simplesmente maravilhoso. Os anos deram abdômen mais forte a ela, com definição bonita e feminina de músculos. As pernas continuavam de tirar o fôlego. Os seios firmes, mesmo que pequenos. O bumbum redondinho, bem torneado. Tirei o meu roupão e conduzi minha mulher até a banheira já preparada. Primeiro eu entrei e depois ela, Rachel encostou-se a mim, com as costas dela na minha frente.

"Eu poderia tirar uma soneca aqui nessa água quentinha, contra o seu corpo..." – ela disse com ar sonhador e eu a abracei.

"Você pode."

"Sei disso."

"Rach?"

"Hum?"

"Está feliz?"

"Como nunca estive antes. E você?"

"Não estou cabendo dentro de mim de tanta felicidade."

"Como será daqui para frente?"

"Não sei predizer o futuro. A minha única certeza é que eu encaro qualquer obstáculo contigo ao meu lado."

"Também sinto o mesmo."

"Então vamos em frente?"

"Sempre e juntas."

FIM da Saga Casamento.

Um grande abraço a todas as pessoas que acompanharam e comentaram. Até a próxima