Capítulo XXV- As Intenções de Paul Rosier
- Sarah, eu poderia falar com você? – ele perguntou, como que tateando o caminho.
- Claro, Paul- disse ela, erguendo-se do banco e caminhando em direção a porta do vagão sob os olhares de curiosidade dos amigos e o de ódio contigo de Willian. Sarah fechou a porta atrás de si, deixando todos o vagão aos cochichos.
- Fale, Paul. – pediu ela, olhando o garoto.
O garoto ficou em silêncio por alguns instantes, o que deixou Sarah apreensiva:
- O que houve, Paul.. algo de grave? – ela arregalou os olhos negros, prestando atenção a cada movimento dele.
Mas o garoto permanecia em silêncio apenas olhando para ela. E um instante depois pareceu se decidir. Veio se aproximando lentamente dela, que olhava tudo atônita, escorada na porta do vagão. E antes que Sarah pudesse entender as intenções dele, apenas sentiu os lábios quentes dele, sobre os seus.
- Hermione, que história surpreendente. – Era a velha sra. Longbotton quem falava, observando contra a luz o bordado que fazia.
- Sim. – afirmou Hermione, olhando para a velha senhora. – Foi o que Severo contou. Não aceitaram nosso divórcio por nos terem visto juntos no velório da Pansy. Maldita Pansy Parkinson!- exclamou Hermione- Mesmo depois de morta ainda consegue atrapalhar as coisas.
- Não fique assim, Hermione. – considerou a velha. – Talvez a oferta do professor Snape não tenha sido tão vultuosa quanto eles esperavam.
-Severo sempre comenta que Lúcio Malfoy dissera apenas uma coisa de correta em toda a sua vida: "Todo o homem tem seu preço." – sentenciou ela. – A senhora não faz idéia do tamanho da oferta, sra. Margarida. Milhares e milhares de galeões.. seria um belo pe´de meia para cada um dos membros daquela comissão.
- Pois é.. nada como tentar subornar as pessoas em grande estilo! – comentou a velha, em tom de elogio. – Mas talvez.. – ela colocou a mão sob o joelho de Hermione- pelo que você comenta, minha querida o seu marido não tenha se esmerado ao Máximo para resolver essa questão.....
- Não, sra. Margarida. Desta vez realmente não posso reclamar de Severo... até o suborno ele organizou e bem... – ela parou e olhou para a velha senhora, a quem os sinais da grave doença que a acometia, tornam-se pouco a pouco visíveis.
- O que houve, querida? – quis saber a velha frente ao silêncio de Hermione.
- Sarah...- Hermione começou a explicar baixando os olhos.- Sarah quer arranjar uma esposa para Severo.
- O quê? – exclamou a sra. Longbotton- Sarah quer o quê?
- Sim, exatamente o que a sra. escutou – explicitou Hermione – e ainda por cima sugeriu que nos casássemos.
- Sarah é mesmo incrível.. – comentou a velha senhora orgulhosa- Mas e porque você não respondeu a ela que vocês já eram casados??
- Sra. Longbotton! – exclamou Hermione, levemente surpresa. – Eu perderei a filha no dia que fizer isso. – Hermione sentenciou a frase e levantou-se da poltrona aonde lia. – Boa Noite.
- Boa Noite, filha! – exclamou a velha senhora sem jeito.
Sarah usou toda a sua força para jogar Paul Rosier longe de si. Ele era atrevido, muito atrevido. O que pensava dela para ir assim, beijando-a sem pedir licença? Sarah Granger quase lhe desferiu um tapa, mas não teve tempo.
- Paul saia de perto de mim.. – dissera ela, limpando a boca, com expressão de nojo, para o garoto que estava no outro lado do corredor.
- Sarah, você só pode estar brincando comigo! – afirmou ele, com rispidez.. – Se não quisesse que eu a beijasse, não deveria Ter me deixado segurar a sua mão no velório da mãe do Malfoy.
-Paul, não é isso que você está pensado.. eu apenas... – ela começou a justificar.
- Eu apenas –e ele interrompeu a frase dela.- estou usando você.
- Paul, eu não estou usando você. – ela afirmou com impressionante sinceridade. – Mas nunca lhe disse que queria ser algo mais do que sua amiga.
- E não quer? – ele quis saber, atravessando o estreito corredor do trem em direção a ela. – Não quer ser mais do que minha amiga??
- Paul, eu acho que você esta confundindo as coisas. – respondeu ela, tentando se esquivar, mas não foi suficiente rápida, e ele a agarrou, olhando-a nos olhos.
- Eu gosto de você. Sempre gostei, desde que lhe vi. – ele fez questão de enfatizar bem todas a palavras pronunciadas. – Não me importo com as coisas que dizem por ai de você, nem com o fato de que metade da escola acredite que você é filha do Snape.
- Mas eu não sou. – protestou ela, tentando se desvencilhar, mas Paul era muito mais forte que ela.
- Eu sei que não é! – afirmou o rapaz,com um maio sorriso agarrando-a com mais força. – Mas isso pouco me importa como eu disse. – Eu quero você, Sarah! Você... você será minha namorada. – afirmou ele.
Sarah sorriu com deboche.
- E quem lhe disse que irei ser sua namorada? – ela quis saber.
- Eu estou dizendo. – afirmou o garoto com um sorriso levemente sagaz. Isso deixou Sarah preocupada com o rumo da conversa.
- E baseando-se em quê? – ele tentou parecer tranqüila, mas não havia feito nada para se preocupar.
- Nisso. – ele tirou um bolo de fotografias do bolso e as entregou a Sarah. – Lhe espero amanha, antes do café na biblioteca para saber sua resposta. – Dizendo isso, ele agarrou a menina mais uma vez, beijando-a com intensidade.. Sarah tentou resistir, mas não tinha força suficiente.. –Este é ultimo beijo roubado que terei. Depois de ver essas fotos, você me dará quantos beijos eu mandar. Não se esqueça que eu tenho os originais dessas fotos.
Dizendo isso, ele saiu na direção da locomotiva, desaparecendo num vagão.
Sarah olhou para as fotos que tinha em mãos e seus olhos se arregalaram: eram fotos dela e Paul Rosier, juntos em posições sensuais e explicitas. Para ela, criada entre os trouxas aquilo não passava de montagens bem evidentes, mas sabia que para os bruxos sangue-puro.. para seus amigos.. eles seriam capazes de acreditar naquelas fotos nojentas.. Ela, Sarah Granger que sempre fora a vilã, seria pela primeira vez a vitima. Ela continuou apreciando as fotos com depreciativa incredulidade. Paul Rosier não poderia ser tão ordinário... chantageando-a para que namorassem. Não poderia acreditar que aquilo estivesse acontecendo.
mas seus amigos acreditariam nela.. será que acreditariam? Será que Louise, George, Carl e William acreditaram que aquilo era uma mentira? Ela desejava que sim. Mas o conhecia bem e tinha suas duvidas. Louise acreditaria
E se aquelas fotos caíssem na mão do professor Snape. Não aquilo não era algo possível.. Seria pior se as fotografias caíssem na mão da Mcgonagall.. seria expulsa da Grifinória e de Hogwarts. E não queria sair de Hogwarts.. Tinham muitas coisas queridas por lá. Mas para Paul pouco aconteceria.. maldita sociedade bruxa machista...
E o pior era aquela velha historia de "onde há fumaça, há fogo"
Sarah estava perdida... Sabia disso.. Tinha que elaborar um plano para ontem, mas realmente não sabia o que fazer. Iria conversar com Louise.
Era noite escura e duas sombras se esgueiravam em direção a Torre da Grifinória.
- Mas Sarah, o que aconteceu de tão urgente? – era a voz de Louise Nott, toda enrolada em mantas de dormir que caminhava atrás dela
- Louise preciso falar com você em algum lugar que ninguém nos ouça..
-Belo lugar onde estamos indo, para o seu dormitório. – comentou Louise com frieza, então seguia rapidamente os passos da outra menina. – Lá tem as gêmeas e a Wood.
- è que falaremos com elas também.
- Com as gêmeas? – perguntou Louise surpresa. – o que temos em comum com as gêmeas?
- Nada.. mas acho que elas podem Ter brilhantes idéias... Não pense que gosto de dizer isso- dissera Sarah a amiga, mas é a verdade.
Louise ficou extasiada quando Sarah disse a senha e a mulher gorda afirmou de Louise não entraria ali pois não era Grifinória e Sarah prometeu-lhe alguns doces da cozinha, caso fosse conivente ... Louise Nott não pode deixar de pensar que Sarah era mesmo uma Sonserina. Elas subiram a escada em espiral e entraram no dormitório do primeiro ano, onde eram esperadas.
- Ainda bem que vocês chegaram, Granger! – era a voz de uma das gêmeas. Louise se sentiu incômoda ali. –Já estava cansada de esperar.
- É isso mesmo.. diga logo o que quer, Granger. – era a voz da outra gêmea – E ainda mais trazendo essa sua amiga Sonserina aqui a essa hora da noite.
- Calma, meninas. – era Pâmela Wood quem falava e depois se dirigindo a Louise– Sinta-se à vontade , Nott.
Louise só assentiu com a cabeça.
- Muito bem - dissera Sarah, tirando algo do bolso. – Preciso da ajuda de vocês quatro.
As outras meninas se entreolharam. O que a Granger estaria tramando desta vez???
- Sim ajuda, ou para me vingar ou para fazerem essa historia se espalhar. – disse ela largando as fotos sobre a cama. As outras avidamente pegaram as fotos e ficaram olhando-as. As gêmeas exclamavam com algumas poses, enquanto Pâmela parecia enojada. Louise tinha no rosto uma expressão de absoluta incredulidade.
- Granger, isso não é verdadeiro, é? – quis saber uma das gêmeas, depois de apreciarem inteiramente as fotos – Você não fez isso tudo com o Rosier, fez?
- Não, não fiz. – disse Sarah. – isso é foto montagem. Um recurso trouxa. Quem tem ligações com os trouxas, percebe na hora que é armação...
Daí ela contou as quatro o que Rosier dissera e da chantagem que pretendia fazer.
- Granger, você merece isso! – afirmou uma das gêmeas. – Você merece por ser uma insuportável intragável.. Mas sempre jogou limpo- considerou ela- .. sempre.. todos sabem como você é.. todos sabemos que temos de nos cuidar.
- Sim isso é verdade, e aquele Paul Rosier que sempre aparentou ser um santo.- comentou Pâmela.
- Eu sempre disse que ele gostava de você.... – comentou Louise e as demais concordaram. – Mas desta vez ele se excedeu.. você esta pensando em fazer o quê, Sarah?
- Não sei... –disse ela- Mas antes preciso saber de vocês o que pretendam fazer com essa informação.
- Olha aqui, Granger.. Isso é uma mentirada suja. Não tem nenhuma graça ficar espalhando essas coisas... – Fanny pegou uma das fotos e olhou com nojo – que duvido que você tenha feito. Qual é a graça?
- Granger, primeiro quero saber porque quer nossa ajuda. – disse a outra gêmea.
- Não é uma questão de ajuda... – explicou Sarah.- apenas quero saber se vocês acham que a escola acreditaria nisso.
- Olha Sarah. – era a voz de Louise. – A maioria acreditará sim. Infelizmente é verdade.. mesmo que você peça para o Snape abafar o escândalo, não sei até que ponto se conseguira algo, se tudo isso vazar...
- A Nott tem razão... – era Pâmela Wood. – o que você quis saber de nós, Sarah era se as pessoas iriam acreditar nessa sugeirada...
- Basicamente isso, Wood. – concordou Sarah. – Pois decididamente não sei o que fazer. Se aceitar a chantagem dele, endosso as fotos; se não aceitar ele faz isso cair na boca do povo e eu fico desmoralizada.
- Não que você tenha muita moral, não é Granger?
- Fanny! – reclamou Pâmela.
- Mas é verdade....
- Sarah, Sarah.. tive uma idéia. – disse Louise com o rosto em súbita felicidade. – Já sei como podemos nos vingar de Paul Rosier.
Todas as outras meninas ficaram olhando para ela, em flagrante expectativa.
