Quase engasguei com meu vinho quando ouvi a pergunta da minha mãe.
- Se nós temos um acordo pré-nupcial? Sim. – respondi confuso. Bella tirou um brinquedo e deu para meu avô brincar com Zoe.
- E ele é?
- Nós vamos dividir tudo após o casamento e somos herdeiros diretos caso aconteça algo conosco. – Bella respondeu meio confusa. – Desculpa, o que isso tem a ver?
- Eu vou abrir uma cadeira no conselho do hospital para você. – Elizabeth disse e eu virei surpreso. – Minha adorável irmã, querendo ser apenas uma médica dermatologista de sucesso e uma boa mãe, deu os seus plenos poderes no conselho para Carlisle. Tecnicamente, ele não pode fazer o que está fazendo, mas ao mesmo tempo não existe uma punição para ele já que está fazendo em nome de Esme...
- Eu sinto muito, pensei que fosse uma boa ideia, ele é meu marido.
- Eu sei, querida. Ninguém está te julgando, amo seu marido como um irmão e por isso posso dizer que ele é obcecado e ambicioso, com muitos poderes não é uma pessoa confiável. O poder cega.
- Eu nunca gostei dele. – Vovô ofereceu. – Eu disse para Edward não dar nada a ele e meu genro me ouviu, já a minha filha além de casar com ele, também não me ouviu. Esme nunca foi boa em ouvir.
- Desculpa, mas eu continuo sem entender nada. – Bella disse e eu sorri.
- Minha mãe quer te dar uma cadeira no conselho, ela quer te dar parte do hospital e por consequência o direito de voto sobre qualquer coisa que irá acontecer nele e com ele. – disse e ela me olhou bem assustada. – A única forma de impedir Carlisle é 3 contra 1. Quando eu assumi a cadeira no conselho, meu pai ainda estava. Antes meu avô me representava.
- Jasper irá assumir por Alice. Irei contar a ela esta noite. Será em segredo, eu não quero que os outros internos pensem que ela tem alguma vantagem ou que ela sinta que de alguma forma, está traindo seu pai. – Esme disse e eu bebi mais um pouco do meu vinho. – Eu não posso revogar esse documento sem acabar com meu casamento. Amo meu marido e quero lutar por ele, mas sei que isso é errado e estou fazendo o que está no meu coração.
- Você está de acordo disso? – Edward perguntou ao seu avô.
- Tudo isso é do seu pai, eu só o represento. Isso era o sonho dele. Eu vi aquele garoto crescer e sonhar com isso, o que for certo, eu vou fazer.
- E então, Bella?
- Posso conversar com Edward sobre isso a sós? – perguntou e minha mãe assentiu. Levantamos e peguei sua mão, indo até a cozinha. – Amor... É muito. Quer dizer, é a oportunidade perfeita de lutar pelo meu lugar sem envolver toda família em um escândalo, mas também é querer cruzar a linha de chegada com alguém me carregando no colo. – disse e eu sorri. Suas metáforas são as piores.
- Eu acho que é oficializar o que temos. Assinamos um acordo pré-nupcial, que o advogado redigiu. Nós vamos dividir tudo, o hospital está no bolo. – respondi e ela mordeu o lábio. – Algo mais está acontecendo com meus tios que as gêmeas não estão compartilhando. Para isso estar acontecendo, o casamento da minha tia já acabou e eles não oficializaram.
- Isso é triste.
- Eles vão se acertar. Meu tio só precisa de um freio e lembrar que ele não é Deus do hospital.
- Tudo bem.
Nós voltamos para sala e minha mãe já tinha todos os documentos prontos. Eu li e achei que estava tudo certo e compatível com nosso acordo pré-nupcial. Não queremos ser aquele casal preocupado com a separação, porque nós não vamos nos separar, mas nós dois viemos de famílias que envolvem muito dinheiro e temos uma família. Queremos certificar que Zoe ou nossos futuros filhos nunca fiquem desamparados para o que possa acontecer. Bella assinou a sua posição e seria enviado para o advogado da fundação logo pela manhã, que já estava ciente do caso e ele mesmo emitiu um comunicado, chamando todos os atendentes e a diretoria para uma reunião amanhã na parte da tarde.
- Vovô, você tem algo mais a dizer? – perguntei quando a minha mãe disse que iria colocar o jantar.
- Não. Eu só vim pelo bebê e a comida. – respondeu sinceramente e eu ri. – Carlisle não é um cara ruim, só precisa tirar a cabeça da bunda.
- Papai! – Tia Esme repreendeu. – Ele tem estado obcecado. Desde que Edward ficou nessa condição, ele está obcecado em descobrir a cura do Alzheimer e fazer do hospital o melhor lugar do mundo. Não dorme em casa há dias.
- Sinto muito, mas eu ainda não estou com o feeling para sentir pena. – Bella disse e minha Tia Esme sorriu. – Em parte, eu entendo, mas não vou aceitar. Sei que vou ser tão boa mãe quanto sou boa médica.
- Carlisle é machista, você sabe disso. Veja o que ele faz com Alice... Ele disse que se ela namorar Jasper, vai ter que casar e ter filhos.
- Zoe vai dominar o mundo. – Bella disse e eu sorri, porque quero a mesma coisa para minha filha. – Talvez presidente do país ou representante da ONU. Ou apenas uma professora infantil. Ela vai dominar o mundo da sua forma.
Zoe sorriu para Bella, jogando-se de volta para o colo dela e ganhando o afago que ela tanto adora.
- Ela já domina o vovô. – disse e meu avô sorriu. – É verdade que Liam se inscreveu para o programa de estágio do hospital?
- Ele não vai passar. – deu os ombros. – Começou a faculdade porque Carmen pagou sua entrada. Amo meu neto, mas eu não quero ser tratado por ele. Acordou e decidiu ser médico? Isso não existe.
O programa de estágio é apenas para estudantes da pré-medicina conhecerem a rotina do hospital, aprender a coleta de exame e coisas bem básicas que estão sendo vistas nos primeiros anos, mas ele não é um médico, não é chamado de doutor, é um estudante fazendo anotações para ajudar em suas provas. Meu primo decidiu começar bem tarde, afinal, ele tem vinte e três anos e é um cara bem idiota. Mas se ele quer ser médico, que vá até o fim.
Minha mãe nos chamou para o jantar e Alice entrou, exausta, faminta, jogando suas bolsas e livros no sofá e indo para o banheiro lavar as mãos. Amassei algumas batatas no canto do meu prato, com ervilha, carne e não dei o molho porque estava muito temperado. Bella esquentou a papinha de Zoe, mas ela gosta de comer o que estamos comendo.
- Ela come tão bem. – minha mãe sorriu ao ver Zoe pegar uma ervilha e enfiar na boca. – E tudo.
- Eu a deixo amassar a comida, brincar e comer. Não quero que ache que a comida é algo ruim ou intocável. – Bella respondeu e Zoe bateu na mesa, sujando toda toalha da minha mãe de comida, mas ela não parecia se importar ao tirar foto da sua neta toda suja. – Ontem ela arremessou uma quantidade considerável de purê na cara de Edward. Foi impagável.
- Ah, ela engatinhou. Bella filmou, ainda é meio engraçado, mas está indo bem. Bebês na idade dela já engatinham e ela se desenvolveu bem para duas semanas.
- É incrível como ser amado muda tudo. – Tia Esme disse sorrindo para Zoe. – Ela parece de vocês. O jeitinho que já olha fazendo manha, pedindo colo e até choramingando para dormir...
- Ela foi feita para nós, não é amor? – Bella beijou a bochecha gordinha e Zoe estava com a boca cheia de batata. – Não está comendo nada direito, só brincando. Alguém vai querer mamar antes de dormir.
Alice não gostou muito de saber que tinha parte do hospital e ninguém contou a ela, mas uma das coisas que mais amo na minha prima é que ela não é o tipo de garota mimada que chora e bate o pé. Ela encara os fatos e tenta lidar da melhor forma com eles. Então, apesar de chateada, aceitou a posição, mas quis fazer parte do conselho mesmo assim, sem ter um representante. Expliquei que ela provavelmente não seria mais aquela boa vista pelos internos, porque as conquistas seriam creditas ao fato dela ser basicamente chefe deles, sem ser. Combinamos que ela não participaria de todas as reuniões e a informação da sua cadeira no conselho não seria espalhada pelo hospital. Seria uma missão quase impossível, porém, não custava nada tentar.
Nós fomos embora quando Zoe começou a ficar uma pessoinha irritante e antissocial que só queria ficar no colo, puxando a gola da minha camisa. Ela estava com sono. No meio do caminho para casa, ela fez cocô, que tornou a viagem um pequeno momento difícil já que ela não parou de chorar. E ela não queria ficar comigo. Apenas com Bella. Eu percebi que preciso tirar essa licença o mais urgente possível para também ter momentos com a minha filha. Não quero ser o cara que chega a noite para o jantar. Quero que tenhamos esses momentos juntos agora, por mais que ela não lembre quando crescer, teremos uma conexão mais forte no futuro. Bella tirou a fralda, limpou os excessos e a levamos para banho. Ainda chorando, foi uma novela colocar sua roupa de dormir.
Fiz a mamadeira e troquei de roupa enquanto Bella se despia e tirava a maquiagem. Zoe ficou sentada na cama, olhando-nos, com os olhos vermelhos, nariz e os lábios em um beicinho, fazendo careta a cada vez que não voltamos para perto dela.
- Ok. Você simplesmente quer chorar, não é? Jogou a chupeta longe, empurrou seu pai, arrancou a presilha do cabelo, me mordeu durante o banho... Virou um pequeno monstrinho. – Bella disse e deitou na cama, acomodando Zoe e pegou a mamadeira. – Eu não vou ficar lá no seu quarto com você chorando, pelo menos vou passar pela tortura bem acomodada.
Mamou até a metade e dormiu. Uma guerra para dormir. Não entendo crianças. Em seu sono, virou para o meu lado e eu sorri, observando sua feição serena, toda calma e linda. Ela era um bebê lindo. Não parecia mais aquela criança sofrida, cheia de marcas, machucados e abaixo do peso. As suas perninhas gordinhas eram a prova de que agora come muito bem.
- Eu não acho que Carlisle não goste de mim, sabe? Como pessoa ou profissional. Acho que o problema dele é manter um hospital em um nível de atendimento que ele não vai conquistar se só contratar homens como atendentes ou mulheres secas como Tanya. Katrina é ótima, mas não tem compaixão. Um dos motivos que eu tenho ressentimento com ela é por tratar mal uma família de um paciente muito delicado e querido.
- Deus me livre termos outra Tanya. – disse baixinho e olhei para o seu rosto. – Ele gosta de você e provavelmente não interpreta isso como algo ruim. Eu aposto cem reais que ele vai dizer que vai ser para você ter mais tempo para família. Ontem ele teve uma conversa comigo que faz todo sentido. Ele disse que adorava a época que minha tia ficava em casa porque era a coisa certa a fazer pela família. – completei e pensei que talvez eu não seja machista ou tenha um pensamento do tipo. Não quero que Bella fique em casa com Zoe, quero que ela tenha uma carreira de sucesso como desejo ter a minha. Quero nossos prêmios na parede e que nossos filhos tenham orgulho disso. - A gente não percebe esses detalhes até algo assim acontecer.
- Quando ele ficou tão obcecado com o hospital?
- Quando meu pai adoeceu, meu tio surtou, ele ficou sem acreditar, ele queria que chamássemos outro médico.
- Quem diagnosticou seu pai com Alzheimer? Foi Emm?
- Não. Emmett não era um atendente na época, nós tínhamos acabado de nos especializar, éramos só secundários. O hospital tinha um neurologista muito bom. Ele se apontou logo em seguida, era um bom cara, não vimos necessidade de ter outra opinião e meu tio não aceitou. Ele e meu pai são bem próximos, foi meu pai quem apresentou Carlisle a Esme, para infelicidade do meu avô. – sorri e ela deu uma risadinha.
- É melhor a gente dormir. Amanhã cedo Zoe tem consulta e irá tomar a vacina que ainda falta. Ela pode ficar o dia inteiro enjoadinha e com febre, podemos ter uma noite longa e ainda tem essa reunião que receio que não será fácil.
- Vou colocá-la no berço.
Voltei para cama e abracei Bella, no escuro do quarto, sem entender como coisas como essas acontecem. Não vou esconder do meu tio o quanto estou desapontado e me sentindo traído pessoalmente e profissionalmente, infelizmente, terei que mostrá-lo como é a corrida de quem manda. Eu odeio ser esse tipo de cara. Sou um atendente da cardiologia, não me intrometo nas suas decisões, quando acho errado, dou a minha opinião, mas não fico batendo no peito que eu sou o chefe. Ele é o diretor e deve fazer seu trabalho.
Acordei antes de o meu celular despertar. Bella não estava na cama. Levantei e encontrei-a falando com alguém do hospital e explicando exatamente como fazer uma intubação em um bebê de nove meses e ao mesmo tempo, estava trocando a fralda de Zoe, que não parava de sacodir as pernas. É claro que ela vai ser muito boa nas duas coisas. Dei um beijo nas duas e desci para preparar o café. Peguei a receita que estava na geladeira e fiz a papinha de banana que Zoe adorava. Fiz o café sagrado de todas as manhãs e peguei queijo, para fazer queijo quente na frigideira. É gordura pura e eu quase não como por isso, mas adoro. Permito-me comer uma vez a cada mês ou mais.
- Adoro queijo quente! – Bella desceu com Zoe só de fralda e camiseta. – Eu ia arrumá-la para sairmos logo, mas ela se sujar toda... E então, que roupa eu uso?
- É uma pena não poder ficar te olhando o tempo todo de camisola. – retruquei e ela riu, abraçando-me e apertei sua bunda. Ela me bateu e apontou para o bebê que batia a mamadeira com força na cadeira. – Desculpe, Zoe. Você não viu nada.
- É claro que ela viu. – riu e me beijou deliciosamente. – Eu vi nossa agenda, não vai ser possível termos uma lua-de-mel em algum lugar longe, então eu pensei em tirarmos uma noite e um dia após o casamento e quando o inverno chegar, ficarmos em Aspen. Ano que vem a gente programa uma viagem legal, o que acha?
- Tem aquele congresso em Miami depois do seu aniversário, podemos tirar dois dias antes e aproveitarmos a praia. Ainda vai estar com o tempo bom.
- Excelente ideia. Uma vez fiquei lá em um resort incrível. Vou ver as reservas logo.
Saímos de casa com Zoe distribuindo sorrisos para todo mundo. Ao invés de irmos direto para consulta, Bella foi até a pediatria fazer o pré-operatório e acalmar uma mãe muito nervosa que ficou mais calma ao ver que ela estava afastada para cuidar da sua filha. Depois de feito, descemos para o primeiro andar onde alguns pediatras tinham consultório, não fazia parte do hospital em si, eram apenas salas alugadas por médicos que queriam clinicar. Conversamos com a secretária do pediatra que escolhemos para cuidar da Zoe e esperamos a nossa vez sentados com ela que ficou jogando seu brinquedo no chão para que eu pegasse toda hora. Ela estava verdadeiramente se divertindo as minhas custas.
Zoe gritava a cada vez que arremessava seu Michael Wazowski de Monstros S.A. e quando olhei para o lado, vi Mike e Jéssica chegando juntos ao hospital. Cutuquei Bella e ela riu, tapando a boca, ao vê-lo beijar a mão de Jess e ir em direção à emergência. Ela nos viu, deu a língua e saiu correndo para recepção do hospital porque estava atrasada. Os dois ficaram numa guerra depois da internação, era briga para todo lado, conforme as brigas aumentavam, mais a determinação dele crescia e eu percebi ali que ele era o cara perfeito para ela. Jéssica é o tipo de mulher impossível, porque é um pé no saco de tão de irritante. Ela precisava de alguém que não se abalasse com a sua fachada de fria e nem tivesse medo das suas respostas ácidas.
- Agora que Mike tem uma namorada, vou excluir o "acompanhante" do convite dele. – Bella disse anotando no celular. – Não coloquei acompanhante para seus primos. Se quiser ir, vão sozinhos, senão, tudo bem.
- Eles irão mesmo sem acompanhante. Minha mãe comentou que tem alguma prima minha namorando...
- Esse povo sempre começa a namorar perto de casamentos, impressionante. – murmurou olhando a lista de convidados mais uma vez. – Mais de 60 pessoas não dá.
- Eu sei, mas se não convidar a família, no próximo evento seremos execrado e a minha mãe vai falar horrores na minha cabeça.
- Humpf. – murmurou e Zoe arremessou o bichinho verde bem longe. – Ela está disposta nesse jogo.
- Não tá engraçado, Zoe. – reclamei levantando e peguei do outro lado corredor. – Vamos treinar esse arremesso no jogo. Será uma boa lançadora.
Bella revirou os olhos e eu pensei em comprar um kit completo para Zoe começar a se interessar por jogos. Se começar a assistir agora comigo, vai ser uma garota que vai entender tudo quando tiver tamanho para jogar.
- Como ainda falta um mês para o seu aniversário, decidi fazer um jantarzinho lá em casa. Fiz a lista: Seus avós, seus pais, seus tios, meu pai, Charlotte, Alice, Jasper, Emmett, Rose, Ângela e Benjamin. E agora Jéssica com Mike. Eles estão juntos e você vai ter que aceitar a presença dele. E por educação, vou chamar suas duas tias mais velhas e aquela tia por parte de pai que mora em Londres, mas sei que só vem para o casamento. Alguém mais?
- Jane e Félix. – disse e não lembrava mais ninguém. – Acho que só isso.
Chegou a nossa vez e o Dr. Connor foi bem simpático. Nós começamos conversando sobre Zoe, sua internação, a adoção, o ganho de peso, as vitaminas e sua alimentação. Ele passou novos exames de sangue para controlar sua anemia e eu reparei que ele ficava olhando para a folha como se estivesse perdido. Bella o ajudou duas vezes, dando-me um olhar preocupado. Meu telefone tocou e como era a minha mãe, sai rapidamente do consultório, deixando-as lá dentro.
- Edward, sei que está na consulta, mas o seu tio ainda não sabe o teor da reunião, mas ele já anunciou que irá falar de uma nova contratação. Não fale nada com ele, não queremos causar desconfortos antes, quero resolver tudo isso da melhor forma.
- Não vou falar nada, mãe. Não sou uma criança implicante. – murmurei revirando os olhos.
- Eu sei que não é, mas é uma situação chata e exige que sejamos delicados.
- Ele não foi muito delicado ao tentar tirar o emprego da minha mulher pelas nossas costas só porque agora ela é mãe. Não é justo.
- Sei que não, mas você conhece o seu tio, ele faz as coisas achando que está de boa intenção. Ele não pensa direito em alguns aspectos. – disse e suspirou. – Ele voltou com o assunto do diagnostico do seu pai. Será que devemos mesmo procurar uma segunda opinião?
- Mãe... Já passou tanto tempo... O que poderia mudar agora? Eu acho que na época era viável, mas você não quis, entendi seu sofrimento, mas hoje em dia? Você não quis e agora...
- Tudo bem. Nos vemos daqui a pouco.
- EDWARD!
Ouvi o grito de Bella e voltei correndo.
- ALGUÉM AJUDA!
Abri a porta e ela estava segurando o Dr. Connor de lado, tendo uma convulsão no chão e Zoe estava atrás dela, chorando.
Apertei o botão da emergência no corredor e mandei a secretária dele correr para chamar ajuda. Segurei-o mais firme, porque estava se debatendo muito e contraindo o maxilar.
- Droga, Edward. Está chamando há um minuto. – disse nervosa entre os gritos de choro da Zoe. – Ele quase caiu com ela no chão. Segurei a tempo, mas ele caiu e eu te gritei.
Mike chegou com outros médicos e o Dr. Connor ainda estava convulsionando, logo que seus tremores pararam, afastei-me para que eles pudessem começar a trabalhar nele. Bella pegou Zoe e passou o algodão no bracinho que ela tomou a vacina, acalmando-a do susto do momento e também pela picada da vacina. Eles saíram com o médico na maca a nós continuamos encostados na parede, completamente chocados com o que tinha acabado de acontecer. Eu recolhi as bolsas delas e os pedidos de exame que estavam separados e saí da sala, conduzindo até a cafeteria. Pedi dois cappuccinos, porque nesse momento tudo que eu queria era um café e observei Bella acalmar Zoe.
- Está tudo bem, já passou... – murmurou gentilmente e ofereceu a chupeta. Rosalie é categórica contra a chupeta, mas só Deus sabe o silêncio que ela nos proporciona em alguns momentos, além do mais, ela não é de ficar o tempo todo sugando o plástico, é mais um conforto porque não há como Bella dar-lhe o conforto do seio. – Nós vamos ficar bem, melhor você subir.
- O que vai fazer até a hora da reunião?
- Tenho cinco horas até lá, então, vou ficar com ela em casa para acalmá-la.
- Eu vou em casa almoçar com vocês se não surgir nenhuma emergência, estou sem cirurgias programadas hoje porque o centro cirúrgico está em manutenção e só tem duas salas disponíveis para o atendimento, então, só programei cateterismo e angioplastia, que podem ser feitas na hemodinâmica do andar mesmo. – respondi e bebemos nosso café. – Te vejo em casa. Eu te amo.
- Também te amo. Pergunte notícias do Dr. Connor, por favor.
Observei as duas irem até sumir na esquina e comecei a trabalhar, evitando meu tio. Emmett me bipou duas vezes e eu sabia que estava curioso, mas eu não queria falar nada agora. Alice passou por mim várias vezes, mas não parou e depois que eu comecei a minha série de exames com vários internos assistindo, não tive mais tempo para nada. Enquanto explicava o passo a passo do procedimento e muitos deles anotavam, tentei não deixar a minha mente escorregar do trabalho para pensar em outros problemas. Meu Tio Carlisle sempre teve as ideias mais bizarras, mesmo com boa intenção, mas querer contratar outra pessoa para substituir Bella é pedir muita compaixão da minha parte. Em outras vezes eu não me importei muito, talvez porque não estava diretamente ligado ou por ser hipócrita. E eu me perguntei quantas funcionárias foram demitidas e afastadas por terem se tornado mães.
Não sei como não recebemos nenhum processo por isso até hoje ou se recebemos, ele deve ter feito o acordo na justiça sem realmente passar para o conselho. Aí eu me dei conta que talvez o problema não seja as funcionárias e sim os atendentes. A maioria é homem. E ele acha que Rosalie nunca terá filhos. E Bella era muito focada no trabalho antes de mim. A obsessão dele é colocar o hospital no ranking de primeiro lugar em todos os atendimentos que oferecemos e é capaz dele realmente achar que filhos atrapalham. Terminei os primeiros exames e na hora do almoço, tomei banho, troquei de roupa e vi que meu tio estava me ligando. Ele estava na varanda do hospital acenando na minha direção e eu fingi que não vi, saindo do hospital e atravessando a avenida correndo quando o sinal fechou. Entrei em casa e parei com a cena linda na minha frente.
Bella estava dançando com Zoe no colo. Havia panelas a pleno vapor na cozinha, vários vegetais espalhados pelo balcão e ela estava com o Ipod na base com o som alto o suficiente para superar o choro dela. Zoe estava segurando o rosto da Bella que sorriu para ela que ainda estava choramingando e meio rindo. Encostei-me à porta da sala pensando o quanto amo essa mulher. Ela é a luz da minha vida. Ela é a luz do dia na escuridão que eu estava vivendo. Zoe acabou gargalhando em uma rodopiada e Bella me viu, sorrindo e continuou dançando.
- Olha o molho do frango pra mim, se eu parar e colocá-la na cadeirinha para fazer o almoço, o choro vai começar de novo. Só quer ficar no colo. – disse e entrei, fechando a porta, passando da sala para cozinha e abri as tampas da panela. Ela preparou um dos meus pratos favoritos. Frango assado ao molho agridoce. Preciso vir almoçar em casa mais vezes.
- Parece pronto pra mim.
- Só servir. – disse e eu reparei que a mesa estava colocada. – Tive tempo de sobra. Ela dormiu um pouco quando chegamos e eu comecei a preparar o almoço. Depois que ela acordou ficou uma tarefa um pouquinho complicada.
- Com quem vamos deixá-la para a reunião?
- Zoe vai participar da reunião. Mamãe e papai têm uma cadeira no conselho e nenhuma babá. – disse com uma risadinha.
- Vai levar a provocação até o último nível.
- Só vou ensinar ao seu tio o que sou capaz, não é culpa dele duvidar de mim, ele ainda não me conhece por completo. Estou aqui vai fazer um ano e já fiz muitas mudanças e conquistei muita coisa, mas não terminei ainda. – sorriu e Zoe voltou a chorar. – Eu sei que você nem sabe por que está chorando, mas juro que vai passar.
- Já teve febre?
- Não. Essa parte será reservada para madrugada. – sorriu e servi o almoço para nós dois, levando até a mesa. Peguei o almoço de Zoe que já estava pronto e coloquei na cadeirinha, mas ela não queria ficar lá, queria ficar no colo. Para deixar Bella comer, fiquei com ela, o que significava que nada ficaria limpo ao meu redor. Ela sempre consegue enfiar a mão na minha comida.
Chegamos ao hospital após o almoço com Zoe dormindo nos meus braços. Ela comeu pouco e chorou bastante, mas acabou dormindo. Minha mãe e Tia Esme já estavam na sala quando chegamos. O advogado da fundação e meu avô também estavam. Alice chegou correndo, fechando a porta atrás de si e as persianas para ninguém vê-la dentro. O advogado distribuiu a pauta da reunião e meu Tio Carlisle entrou, sua expressão foi de confusa para irritada em alguns segundos.
- Pensei que fosse uma reunião do conselho. – disse a minha Tia Esme.
- E é. Vamos apresentar os novos membros. – respondeu.
- Sem me consultar? Eu te represento.
- Elizabeth é quem tem a palavra, ela é a presidente. – retrucou e minha mãe fez sinal para Carlisle sentar.
- Ultimamente tenho refletido muito sobre as ações deste hospital e percebi que devido à doença do meu marido, ausentei-me dos meus poderes, deixando boa parte da responsabilidade nas suas costas. Edward não tem costume de interferir e Esme lhe passou a sua parte, então, eu decidi que isso vai mudar a partir de hoje. Você agirá somente como Diretor deste hospital e nós vamos assumir a responsabilidade que nos cabe. – disse e ele assentiu, ainda não relaxado. – E a partir de hoje, nenhuma contratação será feita sem a aprovação do conselho.
- Isso já é feito. – Carlisle disse e olhou para Bella com Zoe adormecida no colo. – Vocês sabem sobre a Dra. Katrina. – disse e suspirou. – Eu não queria que ninguém descobrisse assim. Ela é muito competente e boa. Não que Bella não seja, você realmente é uma adição incrível para este hospital, mas agora... Com Zoe... Eu preciso que a pediatria seja o primeiro lugar da região e você tem Zoe, não sei se será capaz.
- Agradeço por me procurar e partilhar suas dúvidas e me dar à chance de provar do que sou capaz. – Bella respondeu ironicamente.
- Não quero que vejam dessa forma. Katrina era a minha segunda opção, você continuaria como uma das nossas pediatras, mas eu precisaria de alguém livre para o trabalho. O que você vai fazer quando Zoe estiver doente e não puder vir?
- Isso não te diz a respeito como Diretor do Hospital. É um comportamento retrogrado e machista, que continuando com esse pensamento, nós nunca chegaremos a lugar nenhum. Mulheres no mundo inteiro são mães e trabalham. – disse indignada e segurei a sua mão para não arremessar algo no meu tio. - A mesma capacidade que Edward tem em continuar chefe da cardiologia eu tenho em continuar na pediatria. Você me perseguiu por anos, Carlisle. Não foi eu que vim aqui bater na sua porta e pedir um emprego. Foi você que foi até a mim e seu movimento em fazer um contrato com a Katrina sem o meu consentimento fere o nosso contrato.
Carlisle ficou pálido.
- Em todo caso... – Elizabeth limpou a garganta. – Hoje, Bella e Alice assumem suas posições no conselho do hospital.
- Alice? Nós combinamos que ela não assumiria até completar seus trinta anos. – Carlisle falou com Tia Esme.
- Ela tem direito após o 21 e eu decidi que ela poderia ter o direito de escolha.
- Por que você não me falou, Esme? Como sempre tomando as atitudes sem me consultar.
- Isso não é sobre vocês dois. – me intrometi na discussão deles. – É sobre o hospital. Do sonho que o meu pai não está vivendo. E eu errei em ser tão relapso quanto as minhas funções no conselho e isso não se repetirá mais. Minha mãe será a presidente enquanto achar que deve, mas nada passará sem a minha autorização. – disse e ele recostou na cadeira. – Não é porque Bella é a minha noiva, mas porque isso é errado. Amanhã ou depois Rosalie decide ter filhos, terá o mesmo futuro? Não é assim que as coisas funcionam. O contrato com a Dra. Katrina será cancelado e é melhor garantir que não saia nenhum custo do hospital em relação a isso.
- Carlisle, você deu a sua vida por este hospital e agora está dando o nosso casamento. Não existe nenhuma parte sua que não esteja remotamente preocupada que isso é demais? – Tia Esme perguntou suavemente. – Todos nós erramos em te sobrecarregar, não queremos chegar e puxar o seu tapete, mas para que este lugar funcione... Cada um de nós deve assumir o seu próprio espaço. É por isso que foi feito uma divisão e um conselho. – disse e esticou um papel. – Estamos em família e por isso que eu digo... Quero salvar o nosso casamento, mas para que isso aconteça, preciso ter um marido em casa e você precisa de mim mais presente aqui.
Meu Tio Carlisle pegou as mãos da minha tia e as beijou, abraçando-a apertado logo em seguida.
- Eu tentei fazer o meu melhor, eu sinto muito se acabei magoando alguém... Eu não queria que você ficasse chateada, eu estava pensando no hospital, Bella. – disse e ela assentiu friamente. Ela não vai esquecer isso tão cedo e honestamente, eu também não.
O advogado seguiu com a pauta da reunião. Foi acertado algumas coisas e nós assinamos a pauta, devolvendo. Tio Carlisle tentou falar com Bella e ela fez o que costuma fazer comigo quando estamos brigando – fingir que a pessoa não existe. Levei Bella em casa, porque já estava escuro e eu queria dar mais uma ronda antes de encerrar meu turno.
- Rosalie enviou uma mensagem dizendo que você fez reservas naquela pizzaria que vocês gostam porque Emmett queria assistir o jogo lá. Vamos? – perguntou e eu sorri.
- É claro. Zoe vai ficar bem?
- Ela vai ficar assim dentro ou fora de casa. Talvez se distraia um pouco na rua e fique menos irritada.
- Eu já volto, deixe tudo pronto que quando chegar é só sairmos.
Quando cheguei ao hospital, meu tio estava falando com a tal da Dra. Katrina e ela não parecia nenhum pouco feliz quando jogou um envelope, provavelmente do contrato, na cara dele. Bella disse que ela é temperamental como um vulcão e realmente não precisávamos de outra Tanya circulando pelo hospital. Eu ri da reação dela e ele viu que eu ri, mas virei antes que achasse que estava tudo bem. Terminei a minha ronda importunando Jéssica sobre seu relacionamento com Mike e até os convidei para a pizzaria, ela disse que iria sozinha, porque não tinha nada com ele, não era obrigada a levá-lo conosco.
- Vocês estão morando juntos.
- Ele precisava de um lugar para ficar e eu fiquei com pena, na verdade, Ângela ficou com pena.
- Mas vocês estão morando no meu apartamento... O que ela tem a ver com isso?
- Depois que eu saí do apartamento dela, Kate ainda vive lá e ela disse que eu estava procurando um colega de quarto. Ele dorme no sofá e faz uma completa zona.
- Sei que ele dorme no sofá. Sei.
- Você tem sorte de ser meu chefe. – suspirou completamente irritada.
- Basta assumir e eu paro.
- Não tenho nada para assumir. Você não tem mulher e filha para cuidar? Que tal desaparecer?
- Até daqui a pouco, Jess. – apertei suas bochechas e entrei no elevador rindo.
Caramba, eu tenho mulher e filha para cuidar. Deus me ajude.
