N/a: Bom, como eu disse que nós teríamos uma passagem de tempo. Atualmente a fic está em março de 2009, então qualquer ano anterior vai ser uma lembrança. Coisas como quem matou Mikoto; Mai; e o comercial que a Sakura fez, futuramente irão aparecer, então não precisam se preocupar ;D


Sugestão: Sunday Bloody Sunday – U2 (também há uma versão do paramore e king of leons, então vocês que escolhem).


Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado

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Capítulo Vinte e Cinco

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Mulheres Grávidas

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Há mudanças de personalidade, vulnerabilidade, enjoou, tontura, sede por coisas bizarras e ainda por cima dores de parto. Mas, nem todas estão grávidas, certo? Pode ser simplesmente o resultado do seu mais longo relacionamento.

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28 de Março de 2009

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Estávamos deitados na minha cama, os olhos meio fechados e o sono preenchendo nossos corpos. Sozinhos nesse apartamento enorme, aconchegados debaixo das cobertas e confortáveis com os corpos juntos. Kakashi havia inventado uma desculpa, porque ele sabia que o dia de hoje eu queria passar sozinha com Sasuke.

Bom, você deve estar pensando "meu Deus, eu tenho certeza que eles tiveram uma tarde libidinosa depois de ter lido 'corpos juntos'". E não, isso infelizmente não meus aniversários eram com Sasuke, certo, que a grande festa seria amanhã, porém, a nossa ideia foi passar o fim de semana juntos, deitados como estávamos, ou fazendo algo não muito grande. Como ver um filme ou almoçar juntos. Acho que até termos sido acordados essa manhã pela minha mãe dizendo que precisava da nossa ajuda para organizar a grande tradição que era a festa da maioridade para nossa família, bem, até uns poucos minutos antes disso tínhamos a esperança de passar uma tarde tranquila.

Okaa-san fez com que eu provasse um vestido e confirmasse minha aprovação na decoração que ela planejara. Enquanto isso, o pobre coitado do meu namorado passou grande parte do dia escutando coisas sobre a empresa. Era um porre, bem na real, porque já falávamos sobre isso de segunda a sexta e no sábado, no dia do meu aniversário, tudo o que mais queríamos era ficar longe dos negócios. Acredito que para os nossos pais, família e trabalho sempre estariam unidos, mesmo você vendo seus parentes no trabalho e seus colegas de trabalho em casa.

Concordo que eu gosto do que faço lá, deve ser algo que está no sangue, essa aptidão para administração de empresas. Só que ao contrário do que meu pai pensa agora, e eu tenho certeza que ele pensava como eu na minha idade, eu desejo esquecer um pouco esse tipo de problema. Não quero que minha vida particular e meu trabalho sejam sempre uma fusão.

O ponto aqui era que tanto Sasuke quanto eu estávamos podres de cansados e nem um pouco animados para uma noite de sexo selvagem, como originalmente tínhamos planejado. Acho que começamos a adquirir essa coisa que pessoas mais velhas sempre falam, sobre você ser uma máquina de sexo só com a nossa idade, porque com o tempo vem surgindo ocupações e outras coisas para preencher sua cabeça. Apesar de que, quando um de nós estava excitado, deuses que nos ajudassem, pois seria uma noite inteira dentro disso.

- Lembre-me de arranjar alguma desculpa para próxima vez que okaa-san nos chamar para organizar uma festa, a qual eu continuo sendo contra. – Murmurei, aconchegando-me no seu peito e sentindo meus olhos se fecharem.

- Ao menos você não ouviu sobre bolsa de valores.

- Temos que fazer meus pais conhecerem coisas novas. – Levantei meu rosto, lembrando-me de algo que foi obscurecido pelo meu aniversário. – Aliás, feliz sete meses de namoro.

Eu sorri, porque ele arqueou as sobrancelhas para mim de uma forma realmente cômica. Na realidade, ontem dia vinte e sete, deveria ser nosso dia de comemoração. No entanto, nós estávamos em uma enorme correria. Era metade do nosso último semestre e havia uma enorme pressa com o trabalho de conclusão, fora as horas que desperdiçamos na empresa com os novos designers, porque desde aquela vez que eu opinei sobre o comercial e as táticas de marketing, as responsabilidades nesses cargos foram jogadas em cima de mim. O mês estava acabando e eles precisavam de renovações, o que não deixou só a mim, mas Sasuke com a cabeça cheia também. Ou seja, novamente desabamos na cama, cheios de sono.

- Quem diria que nós ficaríamos com um mesmo alguém por tanto tempo. – Comentei, roçando nossos lábios.

- Eu ia mencionar Sai, mas ele não conta.

- Não conta. – Assenti sorrindo.

Certo, como qualquer casal, nós discutíamos às vezes por opiniões que não se consentiam, todavia, ainda tínhamos momentos como o de agora, com pequenas brincadeiras e coisas sem sentido. Na realidade, parecíamos aqueles casais idosos, Naruto era o primeiro a frisar isso. Ele e Hinata não estão tão envolvidos com a H&U como Sasuke e eu. O Uzumaki gostava de sair bastante com a Hyuuga, enquanto o Uchiha e eu optamos por fazer algo menos barulhento.

Ficamos um tempo em silêncio e eu refleti na mudança que eu havia imposto em mim mesma. Sério, eu estava lendo romances pré-adolescentes, ou para virgens, como Sasuke gostava de chamar. Ele me olhou atônico quando chegou ao meu quarto e eu estava lendo O Diário da Princesa. O bom é que eu descobri o que eu precisava realmente descobrir. A inocência é o que eu necessitava restabelecer, aquele sonho de amor impossível e a audácia de um homem para reconquistar uma mulher. A magia dos contos de fada. Ignorar totalmente os questionamentos sobre se era real e acreditar que o era. Por um lado foi bom, o ruim são os suspiros românticos que eu adquiri. Um tanto constrangedor, se me deixar salientar.

Havia cores nas minhas paredes e quadros de paisagens coloridas, como um sapo sorridente que Naruto e Hinata me deram no último Natal. Flores na cozinha e na bancada perto da minha janela, que era coberta por cortinas amarelas alegres. Tudo isso me fazia lembrar aquele velho budista. Eu normalmente tentava fixar suas palavras dia após dia. Seus ditos sobre como tudo foi necessário, que era uma coisa do destino, e que meu afastamento de todos os meus amigos foi por uma boa razão.

Eu gostava que assim o fosse. Por mais que eu tenha me tornado "má" em alguns sentidos, isso fez com que todos nós melhorássemos em outros. Como eu ter parado com as drogas, e Hinata ter sido a chave para Naruto não fumar mais "marijuana". Ou quem sabe uma relação menos estressante com os meus pais. Eu estava tão feliz de que ia ter um irmão nascendo daqui a pouco tempo. Eu poderia não usar roupas chamativas que mostravam todos os aspectos fortes da minha personalidade, mas de um modo ou de outro, eu tinha criado um equilíbrio entre meu "eu" de antes e o de agora. Isso era majestoso.

Eu sorri sacana, puxando as cobertas para o lado. Minhas pernas uma de cada lado do seu corpo. Eu usava uma camiseta folgada dele e minhas bermudas de algodão. E lá estava meu homem, só de calças de pijama para alegrar meu dia.

- Sabe, eu fiquei animada agora.

Suas mãos foram até a minha cintura em resposta e seu corpo se moveu para frente, eu acabei sentada no seu colo, com mãos grandes roçando meus seios. Eu quase gemi, sentindo a pulsação do seu membro exatamente embaixo da parte úmida do meu corpo. Sexo tinha se tornado diferente agora, não era bem a mesma coisa, como se tivesse melhorada com o tempo. É inexplicável. Mas só de sentir seus dedos deslizando por cada parte do meu corpo fazia minha ânsia por ele aumentar. As preliminares me deixavam cada vez mais insana.

Quando ele se ajoelhou na cama e tirou meu calção fora, uma sensação de náusea começou a invadir meu corpo. Eu fiquei tonta, e espalmei as mãos no seu peito. Levantei da cama e corri o mais rápido possível até o banheiro. A porta bateu atrás de mim e eu me ajoelhei no sanitário, colocando tudo o que eu comi nas últimas horas para fora.

Sasuke deveria ter ficado confuso. Porque eu escutei seus passos e o choque da porta contra a parede. Quer acabar com a excitação de um homem? Corra para o banheiro e vomite. Ele realmente pareceu preocupado, mas logo eu dei descarga e escovei meus dentes. Sua testa estava franzida e os braços cruzados, aquilo não disfarçava o seu pensamento distante. Eu tinha certeza que ele estava pensando em possíveis causas para o meu mal estar. Sempre existiu um instinto médico dentro de Sasuke. Realmente acredito que isso só ficou mais forte depois que sua mãe faleceu.

Sentei-me no chão, encostando minhas costas nos azulejos gelados. Minha cabeça latejava e eu sentia umas pontadas de dor no peito. E o Uchiha continuou a me encarar, por mais que eu não tivesse conseguido colocar os olhos nele ainda. Eu sabia a primeira coisa que veio em sua cabeça, e meio que me doía pensar nisso. Sua mão pousou na minha testa, escorregando para cima e acariciando meus cabelos, a sua mão esquerda foi estendida a mim. Eu segurei sem me mover de verdade, eu tinha entrado em um estado de inércia.

- Sakura.

- Eu não quero falar sobre isso.

Eu o ouvi bufar e depois se abaixar na minha frente, seus braços circularam minhas costas e pernas, em poucos segundos eu estava sendo carregada de volta à cama. Isso realmente estava sendo estranho. Porque eu sou o tipo de pessoa que reprime sentimentos negativos, ou coisas ruins que acontecem, e eu não gosto sequer de pensar sobre elas, no entanto eu sabia que, em algum momento, nós dois deveríamos ter essa conversa.

- Não estou grávida, deve ter sido por causa de um tempero novo que Tsunade colocou na comida.

Deixei minha cabeça baixa, minhas mãos envolvendo minhas pernas enquanto ele só me analisava. Eu me sentia exposta. Tudo que eu tinha feito no passado voltava para mim agora. Existiam as coisas estúpidas, e meu ódio por Mai superou qualquer outro sentimento que poderia existir por ela, mas esse não era o ponto. Minha mãe biológica não pode ter mais filhos, e era por isso que andava ao meu redor agora, foi isso que Tsunade supôs. Mas entre nós duas havia uma grande diferença, e eu tinha que dizer ao homem ao meu lado sobre isso, agora.

- Naquela vez, em Veneza, os médicos disseram que foi bom eu ter abortado, porque de uma forma rara, eu já tinha prejudicado o feto. Isso machucou meu útero e a possibilidade de eu poder engravidar de novo é quase nula. E eu não quero falar sobre isso.

Fechei os olhos e deitei, ficando de costas para ele. Eu conheço Sasuke praticamente desde que eu nasci, e ele estava abalado também, de sua própria forma. Senti quando seu corpo se deitou de costas no colchão e suas mãos foram atrás de sua cabeça, o olhar deveria estar fixo no teto.

Exames mais caros e detalhados haviam garantido que seria um menino. Impressionante os avanços da genética. Se tivesse sobrevivido teria três anos agora, provavelmente teria nascido pelo começo de março. Mikoto torceria para ele ser do signo de peixes, porque nós dois éramos geniosos demais. Signos de fogo, e precisaríamos de alguém que nos acalmasse. Foi isso que ela brincou comigo, tentando me animar no hospital.

Talvez o moreno tenha escutado as lágrimas silenciosas que desciam pelo meu rosto, ou só precisasse de contato, como eu. Porque ele se aproximou e segurou meus ombros, e me apertou nos seus braços. Seu peito tremulava tanto quanto o meu.

Acho que um dos motivos para eu ter ficado irada quando descobri sobre a gravidez de Akane foi isso. Essa coisa humana de sentir raiva por ver uma pessoa com algo que você não pode ter. Não que eu pensasse em ter filho agora, no meu planejamento original era para que eles viessem quando eu tivesse quase trinta anos. Crianças eram irritantes às vezes, mas como toda mulher, eu tinha um instinto materno dentro de mim.

- Amanhã vamos te levar ao médico. – Sasuke disse, com sua voz meio embargada.

Eu assenti e me apertei mais contra ele. Ao menos eu sabia que poderia contar com sua presença e apoio com o que for. Normalmente as coisas que me machucavam também o afetavam.

Ainda um pouco amargurada, eu levantei meu rosto e dei um beijo casto nos seus lábios.

- Eu te amo. – Murmurei.

Seu aperto ficou mais forte, como se toda a aproximação fosse necessária, nossos corpos tinham que estar juntos como nunca estiveram antes.

- Eu sei.

Beijou minha testa. E eu tentei dormir com o conforto e a segurança das suas palavras.

...

07 de Maio de 2005

...

Ela usava um macacão desbotado, com uma blusa larga por baixo. Chegava a ser engraçado, realmente tinha aderido ao tema "fazendeira do interior". O cabelo rosa preso em cômicas tranças, que começavam no topo da cabeça e iam até os ombros. Nós dois andávamos mais atrás com meu pai e Touya conversando passos à frente.

- Sasuke. – Ela chamou de uma forma que soou "Sssssassssukeee".

Eu arqueei as sobrancelhas para ela, continuando com as mãos no bolso e entediado. Sakura parou na minha frente e espalmou as mãos no meu peito. Eu conhecia aquele brilho nos seus olhos e sabia que o que quer que fosse que ela quisesse, ia bater o pé até conseguir. Era absurdamente irritante.

Suas mãos me empurravam para trás até que nos distanciamos bastante dos nossos pais. Aquela fazenda era grande e a garota a conhecia com a palma da mão. Haruno's Farm era um lugar bem diferente do resto das propriedades da sua família. Sakura tinha ganhado esse lugar no seu último aniversário. Como ela não queria mais um "fingimento em família" como a mesma chamava, apenas disse que queria esse lugar. Ela nunca me disse como soube dessa fazenda. Ela ficava praticamente do outro lado do país, não tinha como conhecer esse lugar totalmente isolado do mundo.

- O que inferno você quer?

- Amo quando você é estúpido, idiota. – Ela revirou os olhos. – Eu quero escalar às montanhas daqui, e você vai comigo.

- Eu não vou fazer isso.

- Por favor, Uchiha baby, você é o único que sabe primeiros socorros aqui. – Sakura começou a se expressar exageradamente com as mãos. – Quando você se tornar um médico gostoso vai poder dizer que se não fosse pela sua linda prima de cabelo rosa jamais teria se tornado um profissional no assunto. Imagine quantas vidas você vai salvar, por minha causa.

Aquele era o pior argumento que eu já tinha ouvido. Obriguei-me a menos dessa vez ela não estava falando sobre como as nuvens mudavam seu humor, ou como a direção do vento fazia com que se sentisse feliz ou triste. A única explicação que eu encontrei até hoje para os seus surtos foi bipolaridade e doenças mentais crônicas.

Sakura é insana.

Ela agarrou meu pulso e me arrastou para os montes de terra. No fim tudo era um plano dela, foi por isso que na semana passada a garota me obrigou a comprar botas de escalada com ela. Sakura só queria assustar Touya ou, no mínimo, ver se isso funcionava. É tão cheia de "planos de dominação mundial" que se torna cada vez mais problemática. Provavelmente depois disso ela iria para minha casa e passaria a semana lá, por ter brigado novamente com Touya.

Haruno Sakura é tão dramática que chega a ser cômico.

Eu andei atrás dela enquanto a menina tinha inventado de escalar perto da cachoeira. Revirei os olhos. Lá estava, mais uma atitude suicida. Deveria saber que as rochas dali são úmidas, eu tinha cem por cento de certeza que ela queria se espatifar no chão. Ou talvez quisesse testar o que a vendedora disse sobre suas novas botas, elas deveriam ser anti-deslizantes.

- Pinku, você vai cair.

- Medo de altura, cabeça de galinha?

Bufei, aproximando-me dela. Sakura rangia os dentes. Já tinha ralado os joelhos e as mãos, sem contar os deslizes. Se não fosse mais cuidadosa e menos teimosa, desistiria de mais uma tentativa de mutilação.

Ela estava quase no topo quando finalmente caiu – em cima de mim.

Travei os dentes. Minha perna estava latejando e a garota me olhou com os olhos esbugalhados. Sorriu rapidamente, abraçando meus ombros.

- Hum... Acho que esse seria um maravilhoso momento para dizer... – Fez uma pausa. – Meu herói...?

...

29 de Março de 2009

...

- Isso é uma péssima ideia. – Falei.

- Você concordou. – Sasuke deu de ombros, mantendo os olhos focados no trânsito.

- Você viu o tamanho da barriga dela? Da última vez que eu disse não para algo que ela quis, okaa-san começou a chorar e dizer que a culpa era dela por eu odiar me exibir em público.

- Sakura, você ama se exibir em público.

- Eu sei! E esse é o problema. Por que se não bastasse minha mãe no último mês de gestação, eu vou ter que usar um vestido cheio de laços e dançar valsa na frente de idosos. É minha festa de dezoito, eu deveria dar uma rave, não uma quinceanera.

Ele riu e continuou a balançar a cabeça. Era algo bom mudar o tópico, ter um clima mais leve e esquecer a tragédia de ontem. Pela manhã eu fiz de tudo para que esquecêssemos esse assunto. Acordei mais cedo e fiz café, tivemos amassos no sofá que por mim teriam levado algo a mais se Kakashi não tivesse chegado ao apartamento e se jogado no sofá oposto ao nosso. Sem contar que meu tio estava cheio de chupões e a demorou a perceber que não estava sozinho. Antes disso, foram apenas suspiros de sua parte.

Nesse momento estávamos indo para a casa dos meus pais, onde eu tentaria ludibriar a minha mãe para usar um vestido mais leve e solto. Nós estávamos no verão, quase outono, mas a temporada de chuvas ainda não tinha começado e qualquer lugar tinha suas temperaturas incrivelmente altas. Eu realmente não queria usar camadas e camadas de roupa.

- Eu sei que seria um escândalo, mas eu estou pensando seriamente em fugir para praia.

O encarei sugestiva e estiquei-me para beijar seus lábios, enquanto o sinal estava vermelho. Sasuke segurou meu queixo e encarou meus olhos, seriamente.

- Você se sente culpada.

- Não sei do que está falando.

- Sempre que algo te incomoda você ou se fecha, ou se torna o ser mais feliz do mundo.

- Então por hoje vamos fingir que eu sou o ser mais feliz do mundo. – Falei sorrindo.

Ele não disse nada por alguns minutos. O seu cenho estava franzido e o carro começou a ir na direção da calçada. O Uchiha estacionou, mas continuou com uma mão no volante, no entanto a outra só estava desgrenhando cada vez mais os seus cabelos. Agora, provavelmente, entraríamos em uma conversa nada agradável.

- Pare com isso. Está me irritando. – Disse. – Faz três anos, já passou a época de pensar nos "se". Pela quantidade de drogas que corriam pelo nosso sangue os dois já poderíamos estar mortos por overdose. O feto morreu, não tem mais por que pensar nisso.

- Esse é o tipo de coisa que eu não consigo esquecer. – Mordi o lábio.

- Então ignore o fato, você é a campeã nesse assunto.

- Certo. – Rangi os dentes. – Eu vou tentar.

Esfregou o rosto e suspirou. O grande 'x' da questão era que no fundo os dois se culpavam por isso. Era mais uma bomba que tinha estourado na minha vida. Segredos são uma merda, eles sempre acabam sendo revelados.

- Você vai poder ter filhos, rosada. – Murmurou. – Existem milhares de tratamentos para isso.

- Ok... Eu só não quero falar disso agora.

- Ok.

Eu saí do carro e ele veio em seguida. Estávamos parados na frente da casa dos meus pais sem saber o que dizer ou que fazer e, por alguma estúpida razão, nenhum de nós pôde caminhar até a porta.

Eu fechei os olhos com força, cruzando os braços e me escorando no carro. Minha respiração estava rápida e minha cabeça latejava. Algo parecido com os sintomas de ontem à noite.

Tudo isso desabou por causa dessa maldita náusea. E nós dois estávamos agindo assim por insegurança, e coisas ainda não resolvidas. Esse era o ruim em conhecer tão bem uma pessoa, você sabe quando ela está mal, o jeito que ela disfarça e fica tentando sempre desvendar o problema. É frustrante e familiar... Nesses momentos, dada a minha santa ignorância, eu não sei o que fazer, e perder o controle da situação é algo que aprendi a odiar.

No momento ele estava escorado ao meu lado no carro, as mãos nos bolsos e ambos fitávamos a casa enorme escondida pelos muros de tijolos. Respirei fundo, deixando que as palavras fossem despejadas.

- O meu problema é se eu estiver grávida de novo. Porque eu não vou saber lidar com isso, Sasuke. Nós temos dezoito anos agora, se é para ser mãe que seja com os trinta.

- Você está com medo de se tornar Mai.

Eu o olhei pelo canto do olho, dando de ombros. Aquela mulher tinha adorado atanazar minha vida nos últimos meses. De todo modo, Emiko queria engravidar e porque não chamar aquela víbora para ajudá-la? Afinal, eram animais da mesma espécie, deveria existir grande familiaridade uma com a outra. Quando Itachi jantou conosco na última semana ele deixou bem claro que sua madrasta deveria ter dopado Fugaku para conseguir o que queria. Antes disso os dois não faziam sexo há meses.

Como ele soube disso? Bem, sendo o advogado do pai, entre outras coisas, os exames médicos sempre caem em suas mãos. E acabou que quando meu sogro estava doente ele teve que dizer sobre isso no relatório médico. Que como sempre, passou pelas mãos do meu cunhado.

Sem contar o fato de que eu tinha certeza que meu pai continuava dormindo com Mai. Que homem não desejaria uma mulher de quarenta e poucos com um corpo digno de uma de vinte. Lógico que ele a trocaria por sua mulher grávida e com desejos estranhos. Eu não gostava de pensar nisso, mas sempre me vinha à cabeça como Akane e Touya dormiam juntos. A relação deles nem poderia ser descrita como a daqueles casais que se casam apaixonados e o amor evapora com os anos. Toda essa situação, além de ser estranha, era inusitada. Por isso, eu tentava passar a menor quantidade de tempo com eles.

- Você não é ela, Sakura. – Falou. – A única coisa que vocês têm em comum é o aborto. O seu foi um acidente, o dela não.

- Eu sou a cara dela!

- Eu sou parecido com Madara e nem por isso sou igual a ele. – Bufou. – Você não é australiana, não é loira ou tem os olhos azuis como Mai. Quando sua avó tinha sua idade poderiam ser chamadas de irmãs. Convencida agora?

- Não, mas obrigada por tentar. – Torci meus lábios. – Eu só não gosto do fato de que ela está aqui durante todos esses meses. E eu não sou estúpida para acreditar na sua ânsia de se aproximar de mim e, acima de tudo, eu tenho medo que ela faça algo com Akane, e até mesmo com você.

- Se você se preocupar sempre com todas as possibilidades de acabar morta, nunca sairá de casa.

- Como você é fofo. – Revirei os olhos. – Outras pessoas diriam que eu sou uma completa apaixonada e só estou preocupada com o fato de que uma psicopata que odeia a sua namorada, acabe te matando.

- Diga-me uma única coisa que Mai fez e que você tenha certeza disso.

- Foi ela que colocou aquele vídeo na sua festa de aniversário. – Falei junto de um suspiro.

A tensão era visível nos seus ombros e logo estávamos frente a frente mais uma vez. O cenho franzido e aquele olhar questionador no rosto. Haruno Sakura e seus segredos, grande novidade. Aposto que essas sete palavrinhas rodeavam sua mente.

- Eu pedi a ajuda de Madara e ele descobriu que tinha um dedo dela nisso.

- E o que pretende fazer sobre isso?

- Não tenho ideia.

- Pelo contrário, de alguma forma você se importa com ela e não quer que ela seja presa.

- Não comece.

- Tudo que eu estou te pedindo é que a esqueça. – Ele apontou para casa com a cabeça, pegando minha mão. – Vamos.

Agora eu realmente entendia porque sempre evitei relacionamentos amorosos. É meio sinistro deixar que uma pessoa conheça seus medos, o que te faz feliz, e o que te deixa com raiva, o quanto você é fraca e sempre usa uma armadura ao seu redor. E Sasuke sabe todas essas coisas sobre mim. Isso é ruim às vezes, porque quando eu não quero preocupá-lo e tento agir normalmente, ele já sabe que eu estou com um problema.

Caminhamos calmamente pela estradinha de pedra do jardim da frente. Pela janela eu podia ver Akane na sala de estar com Kushina ao seu lado. A sua filha caçula estava sendo embalada pelos braços da minha mãe, e eu vi que okaa-san desejava que Hiro nascesse logo. A cesariana estava marcada para a próxima semana e meu irmão já tinha tudo pronto para sua chegada.

Eu parei na frente de Sasuke antes que abríssemos a porta da frente e segurei seus ombros, inclinando-me para frente. Eu o abracei, em um não audível pedido de desculpas. Ele estava certo, eu realmente temia me tornar Mai, ou ser alguém desprezível. Meu problema é que eu penso demais em coisas que eu devo deixar apenas seguirem seu rumo.

- Eu vou tentar esquecer, eu prometo.

Inclinei-me na ponta dos pés, dando um beijo na sua bochecha. Encostei minha cabeça no seu ombro, deixando-me ficar alguns minutos inspirando ali. Era confortável e aconchegante. Era a melhor forma de acalmar meus nervos. O maldito sempre teve a habilidade de estar certo, não em suas ações consecutivas, só na forma que ele lia as pessoas.

- Sakura! Sasuke! Vocês dois vão passar a tarde aí? Ainda precisam se arrumar para festa.

Eu ri baixo, encarando Tsunade que se escorava no arco da porta. Que essa noite fosse menos constrangedora do que deveria ser. Dando um último beijo nele, deixei que a mulher loira nos arrastasse para dentro da casa. Afinal, como a mesma havia salientado, havia muitas coisas para fazermos hoje.

To Be Continued...


Notas:

Olá chocolovers. ;D Como estão? Gostaram do capitulo?

Então uma vez eu vi em Bones quando eles analisaram o corpo de uma mulher que tinha morrido com um pouco mais de uma semana de gravidez, não sei se é realmente possível, ou se estava correto, porque já tem um tempo que eu vi esse episodio. Então, só para salientar, não tenho certeza se é possível distinguir o sexo de um feto com tão pouco tempo, mas iremos fingir que sim. Afinal, pode ter algo haver com os cromossomos X (feminino) e Y (masculino).

MARIJUANA: maconha em inglês.

PINKU: japonês para Rosa. Também achei "Momoiro" e "Barairo" como tradução para a cor, no entanto PINKU foi a mais correta, segundo o google. Segundo a pesquisa que eu fiz, Pinku é o mais usado, é também variável para .

QUINCEANERA: são como as festas de quinze anos são chamadas no México, onde originalmente a decoração e o vestido da aniversariante eram cor-de-rosa. Da quinceanera que veio a tradição das quinze rosas e a troca da sapatilha pelo sapato de salto, tudo uma representação da menina se tornando mulher.

Bom, eu estou gostando de Meu Anjo, eu tenho o próximo capitulo planejado na minha cabeça e só não tinha mandado esse capitulo para Bella betar porque imaginei que mudaria algumas coisinhas, o que foi o caso.

Tenho que dizer, eu amo de paixão escrever essas conversas do nosso casal. Eu acho irritante em alguns livros que eu já li onde há um casal sem discussões ou trocas de opiniões, meio inertes ali na história. Para ter um relacionamento verdadeiro você tem que ter a maturidade de saber que não resolve as coisas apenas sorrindo, tem que ir lá e conversar sobre isso. A mesma coisa que se faz com um psicólogo ou sua melhor amiga. Acho que esse foi o ponto que eu quis salientar aqui. Kk'

Ainda tem muita coisa para acontecer e eu realmente espero que vocês tenham gostado do capitulo. Eu tentando revisar fiquei prestando mais atenção na música do que no capitulo, então me desconcentrei algumas vezes e depois fui de cabeça. A lua mudou e meu bom humor está voltando, agradeço muito as senhoritas por isso.

É isso. Nós vemos em breve.

Bgbgs

Sami

N/b:

Hey girls... Noooossa, o que será que está havendo com a Sakura? Palpites? E quando achávamos que a Mai não poderia jogar mais sujo, descobrimos que ela está relacionada ao vídeo exibido na festa do Sasuke... é mesmo uma cobra peçonhenta! Tem razão da Sakura ter medo de ficar como ela.

Alguém aí tem um palpite do que está acontecendo com a Sakura? Mandem reviews, pleaseeee!

Beijos

Bella


Reviews:

Yukitachi: Gata, eu não consegui responder sua review por PM, como eu faço com usuários cadastrados, porque aparentemente você bloqueou esse tipo de serviço, espero que não tenha problema que eu responda sua review por aqui. ;D Nossa, é fantástico ler essas coisas. Pois é, a Sakura não é do tipo sortudo, então todas as coisas ruins aconteceram naquele bendito dia. Olha, eu até achei que eu exagerei um pouco com algumas coisas da fic, mas saber que você gostou me deixa bem mais contente com o que eu ando escrevendo. Muito obrigada, mesmo. Sabe eu tenho muitos amigos homens então pode acreditar, toda a cafajestice do Sasuke é baseada neles. Amigos maravilhosos, namorados terríveis. :x Nossa eu não sei, mas tudo que vem em romance para mim vai acabou acontecendo na casa de campo. Acho que essa ideia de amor as escondidas do mundo me fascina. Kkk' Como você pode ver o vídeo que saiu no aniversário do Sasuke foi a Mai que enviou ao publico, digamos assim, mas ainda não foi mostrado quem o gravou. *tanananan* KAKSOAKSKOOAK Quando eu postei a fic eu disse que ia ser M, mas deixei como T para aparecer nas atualizações, o problema é que essa é a minha fic com mais favoritos e alerts, fora as pessoas que visitam a página, mas são muito poucos que comentam. Se tiver uma coisa que eu amo quando eu escrevo são as pessoas me contestando sobre o que acontece na fic, suposições, duvidas, criticas etc... Eu não sabia sobre a classificação do 'cujo' eu não vi isso na escola ainda, meu professor de português até falou que iriamos ver coisas desse tipo no último semestre, e gata, eu realmente agradeço por você ter me dito isso, porque eu não gosto quando alguém escreve errado ou conjuga "mais" no lugar de "mas" então é bom saber o que eu estou escrevendo errado para poder arrumar depois. Valeu mesmo. Não tenho uma ideia de quantos capítulos faltam para terminar a fic, no entanto, com o último capitulo entramos em reta final. :3 Meu Anjo acabou sendo a fic mais longa que eu já escrevi. Realmente é bom saber que você tenha gostado. Espero que esse capitulo tenha sido animador para você. ;D

Kahli Hime: Ah obrigada Hime. Eu gostei de ter visto isso. Acho que como autora agente fica contente quando os personagens vão crescendo, eles são nossos bebes no final das contas, não é? Kkk' Espero que tenha gostado desse capitulo!

Alice C. Uchiha: Wow, muito obrigada mesmo! Pois é, nisso você está certa, vai ter muita coisa acontecendo ainda, mas já entramos em etapa final da fic. Espero que tenha gostado desse capitulo também gata. Kk' Adoro suas reviews, mesmo, elas são super fofas. ;D

Liilly: Valeu Liilly! O capitulo passado foi mais relax, acho que esse também, ou não, vai saber. Kkk' Obrigada mesmo pelos elogios, viu? Espero que esse capitulo também tenha te agradado.

Maya: Oi gata, como está? Obrigada mesmo pelo elogio, espero que a fic continue te agradando. Kk' Pois é, eu conheço os escritos da luh-chan, ela é uma ótima autora, mas mesmo assim, obrigada pelo sugestão. Espero que tenha gostado do capitulo. :D