Os últimos raios de sol do verão ardiam sobre a minha pele enquanto eu caminhava pelas ruas de Londres, conseguia avistar alguns paparazzi, mas nem isso era capaz de me incomodar, uma felicidade inexplicável tomava conta do meu ser, talvez isso se devia ao fato do rapaz de cabelos acobreados que acordou ao meu lado na cama.
Jacob me esperava no La Rue, um restaurante de comida francesa, para me contar uma notícia que, segundo ele, merecia ser contada pessoalmente.
– Jacob Black – chamei sua atenção e seu sorriso brilhou
– Isabella Swan – retribuiu o cumprimento.
– Agora trate de me contar a grande novidade – exigi logo após o garçom sair com nossos pedidos.
– Leah está grávida – senti meu queixo cair enquanto olhava para o sorriso branco na cara do meu amigo.
– Não acredito! Você sabe disso há quanto tempo? – tentei controlar o tom de voz, mas ainda chamei a atenção de algumas pessoas.
– Alguns meses – deu de ombros.
– E por que não me contou antes?
– Leah quis esperar completar os três meses.
O almoço flui normalmente, conversar com o Jacob me trazia lembranças da minha adolescência, um tempo em que eu podia ser eu mesma, sem me preocupar se no dia seguinte o mundo todo saberia.
– Até logo Jake – me despedi dele com um abraço na porta do La Rue e senti diversos flashes disparados contra nós – Droga – murmurei.
– Sinto muito por isso – Jake deu um sorriso triste e retribui.
Segui caminhando com a cabeça baixa, enquanto os paparazzi gritavam perguntas como "Quem era aquele com você?" "Você e o príncipe terminaram?" "Você esta o traindo?"
Finalmente entrei no meu carro e respirei profundo antes de ligá-lo e dirigir em direção ao hospital.Say Something tocava no rádio, mas eu mal conseguia ouvir as palavras, minha mente parecia estar em um estado de êxtase depois de ingerir uma droga muito forte: "A fama".
Say Something – A Great Big World feat. Christina Aguilera
Olhei pelo retrovisor e percebi que um carro preto com alguns paparazzi me seguia, comecei a acelerar na tentativa de despistá-los, mas parecia uma missão impossível, a distância entre nós ficava cada vez mais curta.
Meu velocímetro já marcava 120 km/h e estava cada vez mais difícil manter o controle sobre o carro, eu nunca havia dirigido em uma velocidade tão alta quanto essa.
Desviei a atenção da estrada para poder checar os retrovisores e foi quando tudo aconteceu, perdi o controle da direção e senti um forte baque contra o carro, minha visão ficava cada vez mais turva, os carros eram apenas borrões, enquanto as pessoas eram apenas vozes. Estava ficando mais e mais difícil manter meus olhos abertos, então era esse o preço de me apaixonar? A morte? Então valeu a pena. Obrigada Edward, por esses incríveis anos ao meu lado.
– Bella – ouvi o grito de Alice ecoar pela garagem e me virei para a porta – Você já viu quem vai estudar na no mesmo curso que você? – a animação dela era tão grande que fiquei com uma pontada de curiosidade
– Não, quem? – fingi desinteresse enquanto terminava de colocar minhas caixas no porta malas da minha Land Rover.
– Príncipe Edward Cullen – Alice disse com uma expressão que me deixou com um certo medo dela
– O príncipe? – murmurei chocada enquanto encarava Alice
...
Fiquei batendo as minhas unhas na ponta do quando ouvi o barulho daquele sininho irritante que tinha na porta para avisar que havia chegado alguém. Como a minha curiosidade era extremamente aguçada virei para ver quem era e quase morri do coração. Era nada mais, nada menos que o rei Carlisle e o príncipe Edward.
– A senhorita trabalha aqui? – a voz do rei era algo inexplicável, claro que eu já havia escutado-a antes, mas pessoalmente... Nunca.
– Ér... Não – consegui murmurar com certa dificuldade.
...
– Dude* a Bella pode dormir aqui essa noite? A idiota aqui ta com medo – Emmett coçava a nuca enquanto perguntava
De repente um surto de realidade me atingiu, eu estava ali, de pijamas e pantufas, esperando o príncipe dar permissão para eu dividir o mesmo quarto que ele durante uma noite inteira.
– Claro, mas de que a bela senhorita está com medo? – Edward abriu um sorriso torto que fez o meu pequeno coração acelerar
– Do Emmett – murmurei desorientada – Quer dizer, do filme que o Emmett me fez assistir
– Terror? – riu levemente quando eu acenei confirmando
...
– Droga – Edward sibilou baixo e ríspido
Não conseguia enxergar nada, senti alguém segurar a minha mão e deixei me guiar, entramos em um dos milhares provadores e quando consegui voltar a enxergar vi que quem me "salvou" havia sido Edward.
– Desculpa por isso – seu tom era baixo e amargurado – Eu devia ter lembrado desses seres quando decidimos sair.
– Ei Cullen, a culpa não é sua. Quem mandou eu conhecer o príncipe – tentei amenizar o clima e acho que funcionou quando vi Edward rir.
...
Estava colocando o último quadro quando senti duas mãos em minha cintura que me puxaram, soltei um grito e esperei o impacto no chão, mas havia caído em cima de algo macio.
– Ai – ouvi o gemido de Edward e me sentei assustada
– Ai meu Deus! Edward você está bem? – passei a mão em seu rosto preocupada
– Estou sim – sua voz estava difícil mas seus olhos esmeraldas me encararam
Não sei o que aconteceu, mas comecei a sentir como se tivesse um imã me puxando de encontro a Edward e o mesmo parecia acontecer com ele, fomos nos aproximando cada vez mais, até que senti sua mão na minha nuca me puxando de encontro a sua boca. Seus lábios eram macios e se encaixavam perfeitamente aos meus, agarrei-me em seus cabelos e acabei subindo em seu colo, nossos lábios se moviam em um ritmo perfeito, mas o ar começou a se fazer escasso.
– Esperei tanto tempo por isso – Edward sussurou com a testa colada na minha
– No fundo, eu também – sorri acariciando seu rosto.
Quando disse isso, Edward abriu os olhos e me deu o sorriso mais lindo de todos, me abraçando fortemente, puxou meu rosto de encontro ao seu e nos beijamos de novo. Naquele momento, finalmente senti o que eu tanto procurava, eu me senti completa.
Pov Edward
Meu celular tocava insistidamente e decidi levantar para ver quem ligava tanto, me assustei ao ver mensagens de Alice, Jasper, Rosalie, Emmett, Carlisle, Esme e até mesmo de Charlie, ao ver esse último liguei correndo para Bella e ela não atendeu.
– Jasper! O que aconteceu? – questionei assim que meu irmão atendeu
– A Bella... Ela está no hospital – parecia que meu irmão segurava o choro.
– O que? Qual hospital? – gritava ao telefone, enquanto corria até o carro.
Havia milhares de paparazzi na porta do apartamento e minha vontade era mandar todos aqueles seres para a puta que os pariu.
– Me conte o que aconteceu – adentrei a sala de espera, chamando a atenção de todos – Agora – exigi.
Analisei o local e vi Alice no canto chorando abraçada a Rosalie, ambas possuíam os olhos vermelhos e inchados e eram consoladas por Emmett. Charlie estava isolado com os braços cruzados em frente ao peito e um olhar perdido, Carlisle, Esme e minha avó me olhavam com piedade e por fim, Jacob balançava a cabeça enquanto Leah tentava acalmá-lo e por fim, Jasper caminhava em minha direção cautelosamente, mas era possível ver o pânico em seu rosto.
– Irmão, a Bella foi almoçar com Jacob, os paparazzis viram e começaram a seguir a partir dali, ela sofreu um acidente de carro – meu mundo despencou, minha garganta secou imediatamente.
– Como a mamãe? – minha voz parecia com a de um bebê amedrontado.
– Da mesma forma – sua voz parecia não ter força.
Minhas pernas fraquejaram e precisei sentar, coloquei minha cabeça apoiada entre minhas mãos e deixei as lágrimas de medo dominarem minha face. Bella não podia morrer, eu precisava torná-la princesa, eu precisava dela em minha vida. Eu não podia perdê-la.
Os minutos pareciam durar horas, a sensação de déja vu, rezava a cada segundo que passava para que Bella não tivesse o mesmo fim que minha mãe. Um médico apareceu no vão da porta e imediatamente, estávamos todos em pé e ele se assustou ao ver Carlisle, Jasper e eu.
– A srtª Swan passou bem pela cirurgia, apesar de seu estado ainda ser crítico – soltei o ar lentamente – Decidimos deixá-la em coma induzido por 24hrs para a observarmos melhor – Carlisle o agradeceu brevemente enquanto todos digeriam a informação.
Bella ainda não estava cem por cento salva, mas já era um grande passo ter passado pela cirurgia, precisava vê-la, ter certeza que ela ainda lutava por sua vida.
– Pensa positivo meu irmão – Jasper colocou a mão em meu ombro e apertou levemente – Bella já chegou mais longe que nossa mãe.
Me esforcei a esboçar um sorriso e comecei a caminhar pelo hospital na esperança de encontrar o e lhe pedir um favor.
– Edward Cullen, quanto tempo – Johnson sorriu ao me ver.
Dr. Johnson durante muitos anos foi o médico pessoal da realeza, após a morte da minha mãe, ele escolheu se afastar.
– Olá Johnson, vim lhe pedir um favor – fui direto ao assunto e ele me instigou a continuar – minha namorada sofreu um acidente como o da minha mãe – respirei fundo antes de continuar – e está em coma, quero que consiga que eu vá vê-la.
– Edward, esse é um pedido ousado, existem regras bem restritas a pacientes em coma após cirurgias – sua resposta não me ajudou muito e então usei a frase mais repugnantes, mas que me ajudaria.
– Eu sou o príncipe, essas regras não se aplicam a mim – cruzei os braços em frente ao peito e Johnson riu.
– Tem razão rapaz – suspirou fundo e levantou fazendo sinal para que eu o seguisse. – Você tem 5 minutos – anunciou quando chegamos à ala em que a Bella estava.
Acenei com a cabeça, não tinha condições emocionais de respondê-lo e então olhei para dentro do quarto dela e reprimi o grito de raiva que sentia daqueles paparazzis. Bella tinha várias escoriações em todo seu rosto, em seu braço diversos hematomas começavam a se destacar no contraste do roxo do machucado com o branco de sua pele, embaixo dos seus olhos havia fundas olheiras, várias máquinas estavam ligadas a ela, sua perna estava engessada, seu pescoço imobilizado e parecia que a vida deixava seu corpo.
– Não desista – murmurei olhando pelo vidro – Lute por sua vida meu amor, lute por nós.
– Edward – quando ouvi a voz de Johnson, dei uma última olhada para Bella e rezei para que ela saísse dessa situação – Vamos rapaz.
Sai daquela ala com o coração partido, a visão da minha Bella tão... sem vida estava fincada em minha mente.
Algumas horas se passaram, até que Charlie e minha avó insistiram que eu fosse em casa descansar e tomar banho, com muito sacrifício fui. O motorista do palácio escolheu me levar, eu não tinha condições de dirigir.
Adentrei o meu apartamento e parecia que canto estava impregnado com lembranças da Isabella, na sala estava uma de suas milhares de bolsas, no quarto havia roupas no chão, a porta para seu closet estava aberta e adentrei para sentir seu cheiro, fiquei no chão deixando as lágrimas rolarem pelo meu rosto, eu não podia perder a Bella, não como perdi minha mãe.
Deixei a água quente do chuveiro cair nas minhas costas, enquanto as lágrimas ainda permaneciam em meu rosto.
Enquanto escolhia uma roupa qualquer, encontrei a caixinha que continha o anel que eu daria a Bella essa noite, se ela estivesse bem.
– Alguma novidade? – perguntei ao adentrar a sala de espera na manhã seguinte.
– A Bella será retirada do coma e precisamos rezar para que ela não tenha sequela – um Charlie desolado me respondeu.
Acenei com a cabeça com medo que minha voz saísse embargada. Estralava os dedos, enquanto esperava o médico para saber qual era a situação da Bella após permanecer sedada por essas vinte quatro horas.
– A srtª Swan foi retirada do coma e todos seus sinais vitais estão respondendo perfeitamente, ela tem consciência do que está acontecendo. – as palavras proferidas pelo médico causavam um instantâneo alívio em meu ser.
– Podemos vê-la? – Charlie parecia desesperado para se certificar das palavras do médico.
– Um por vez
– Vá primeiro Charlie – ele me agradeceu com um aceno de cabeça.
POV Bella
A escuridão que parecia ter durado tempo demais, começava a se dissipar, seria esse um sinal de que meu corpo finalmente havia se entregado a morte? Abri os olhos lentamente e uma luminosidade branca me fez fechar os olhos rapidamente.
– Isabella Swan? – escutei meu nome ser pronunciado e abri os olhos. – Sabe onde está?
Um homem com cabelos levemente grisalhos, aparência cansada, maxilar quadrado e olhos em tons quase da escuridão que estava há pouco, me encarava com um semblante preocupado.
– Sou eu – minha voz saiu rouca, me assustando.
O homem que até então não havia se identificado, me entregou um copo de água que bebi em longos goles.
– Sabe onde está? – sua voz era grave e me intimidava um pouco.
Depois de olhar ao redor e reconhecer as paredes intensamente brancas, os diversos aparelhos ligados em mim e o bip irritante do eletrocardiograma, tive certeza de onde estava.
– No hospital
– Se lembra o motivo de ter parado aqui?
E então minha mente foi preenchida com uma enxurrada de vozes e flashs, uma perseguição e então o baque do meu carro contra algo que eu não tive tempo de assimilar o que era.
– Os paparazzis – murmurei
Após ter certeza que minha mente funcionava perfeitamente, o Dr. Raymond começou a checar meus sinais vitais e se certificar que todos os meus membros superiores e inferiores reagiam.
– Parece que está tudo bem aqui – murmurou – Irei liberar a entrada para seus familiares, estão todos muito ansiosos.
Quanto tempo havia ficado na escuridão? Dr. Raymond não me avisou. Como será que Edward havia recebido a notícia? E Charlie? E Alice? Senti o meu coração acelerar os bips ficarem mais constantes.
– Bells? – a voz de Charlie me deu uma calmaria e trouxe, quase que instantaneamente, as lágrimas para o meu rosto – Shh, não chore, está tudo bem agora.
Ficamos apenas abraçados, enquanto ele acariciava meus longos cabelos negros.
– Quanto tempo fiquei aqui? – murmurei.
– Pouco mais de 24hrs, não tem ideia de como rezei para que não passasse disso – sua voz estava embargada, como se precisasse controlar o choro.
Charlie começou a explicar o que aconteceu após o acidente, a cirurgia, o coma, o desespero de Edward e dos outros.
– Irei deixar o garoto entrar, Edward precisa lhe ver – Charlie se pôs de pé e me deu um singelo beijo em minha testa.
Comecei a contorcer a mão em meu colo só de imaginar como teria sido essas 24hrs para Edward, ele deveria estar desesperado.
– Olá – sua voz me trouxe de volta para a realidade
– Oi
– Como se sente? – ele se aproximava lentamente da cama e isso me frustrava.
– Um pouco dolorida.
– Você me assustou, por um minuto pensei que iria te perder para sempre – e então sua máscara caiu e vi um homem quebrado.
Apenas abri os braços e o deixei ali, senti suas lágrimas molharem meu ombro e então o beijei, suas lágrimas se misturavam as minhas, enquanto passava a mão pelo seu cabelo.
Os dias no hospital passavam lentamente, Alice sempre vinha me fazer companhia, enquanto os outros revezavam os horários. Edward sempre passava a noite comigo, mas logo hoje que sairia do hospital, ninguém havia aparecido.
Peguei o notebook que Edward havia deixado aqui e comecei a mexer na internet, todos os sites noticiavam meu acidente e exigiam o controle dos paparazzi. Se a morte da princesa Chelsea não serviu de exemplo, não será meu acidente que servirá.
A noite logo chegou e junto dela, um Edward ansioso adentrou meu quarto.
– Preparada para chegar em casa? – questionou enquanto dirigia em direção ao seu apartamento.
– Não imagina o quanto – brinquei e sua gargalhada preencheu o ambiente.
Cada vez que nos aproximávamos do apartamento, Edward aparentava maior nervosismo e quando estávamos dentro do elevador, parecia que iria ter um ataque de ansiedade ali mesmo.
– Está tudo bem?
– Está sim, logo tudo ficará ótimo – sorriu torto e retribui.
Quando Edward abriu a porta, senti meu queixo cair lentamente. O apartamento estava todo decorado com rosas, velas e uma mesa se postava com dois lugares, fotos nossas estavam espalhadas por todos os cantos da sala.
Edward começou a se aproximar de mim e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele se colocou de joelho em frente a mim e sentir as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
– Isabella Swan, você traz a tona o melhor de mim, o meu verdadeiro eu, fiz a besteira de lhe perder uma vez e novamente o sentimento de perda tomou conta de mim, mas dessa vez poderia ser para sempre. Eu a amo tanto e quero lhe tornar não só a minha princesa, mas como a princesa do Reino Unido – as lágrimas já escorriam descontroladamente pelo meu rosto – Você me daria a honra de ser minha esposa? – e então abriu a caixinha que continha o anel de noivado da princesa Chelsea.
– Sim.
