N/A: Aí está o penúltimo capítulo para vocês. Desculpem não ter atualizado ontem.
O próximo capítulo (e último) está dividido em duas partes e a primeira parte eu vou carregar aqui no domingo, dia 4. Se der, eu atualizo a segunda parte no domingo mesmo, mas vai depender se eu vou conseguir postar tudo no orkut.
Reta final, galerinha. Depois teremos Message Received. Talvez eu faça também alguns capítulos extras para complementar a fic, mas não há previsão de data para isso. Mas vocês serão avisadas =D
Mandem reviews, please... está quase no final e estou começando a ficar deprimida com saudades disso aqui.
CAPÍTULO XIX
~ 19º Dia ~
A primeira coisa que percebi quando acordei foi que não estava sozinha na cama. Sorri enquanto me espreguiçava lentamente, sentindo Edward me abraçando por trás.
- Bom dia, meu amor. – ele murmurou com a voz tranqüila beijando meu ombro nu.
- Bom dia. – murmurei de volta, e diferente da dele, a minha voz estava completamente grogue e sonolenta. – Faz tempo que você acordou?
Edward continuou beijando meu ombro, me deixando arrepiada com seus lábios gelados.
- Muito tempo. – ele sussurrou contra o meu pescoço.
Sua mão que antes estava apenas me envolvendo pela cintura passou a acariciar minha barriga e todas as sensações da noite anterior voltaram com força total.
- Insônia de novo? – perguntei com a voz começando a ficar entrecortada pela falta de ar.
- Você quer mesmo falar sobre isso? – ele perguntou num sussurro, mordiscando a ponta de um lóbulo enquanto sua mão subia mais em direção aos meus seios.
Óbvio que eu não queria conversar. Não quando tinha um homem incrivelmente sexy me acariciando com tanta perfeição. Mas fiquei completamente incapaz de responder à sua pergunta quando sua mão cobriu um seio e ele começou a brincar com o mamilo túrgido entre os dedos.
Arfei baixinho ondulando meu corpo contra o dele, fazendo minhas nádegas roçarem no seu membro que já começava a ficar rijo. No segundo seguinte Edward girava nossos corpo, ficando por cima de mim.
Esses movimentos rápidos dele me deixavam ligeiramente perdida, mas logo voltei a me concentrar nos seus toques quando ele se posicionou entre as minhas pernas e deslizou as mãos pelas laterais do meu corpo, subindo pelo meu quadril e cintura, e ergueu meus braços sobre a minha cabeça. Uma mão sua manteve as minhas firmemente presas pelo pulso enquanto a outra voltava a descer pelo meu corpo, chegando à minha coxa e puxou minha perna para cima, rodeando seu quadril.
Fiz o mesmo com a outra perna e gemi quando Edward soltou um pouco do seu peso sobre o meu corpo, e eu pude sentir sua excitação contra a minha intimidade, ainda por cima da calcinha, e aquela barreira já estava me dando nos nervos.
Mas quando sua boca cobriu um seio, sugando um mamilo com urgência, eu esqueci completamente de qualquer protesto. Tudo que eu conseguia fazer era estremecer sob o seu corpo e gemer palavras incoerentes enquanto ele me torturava prazerosamente com sua boca, seu quadril começando a fazer pequenas pressões contra o meu.
- Aula. – ele murmurou num tom rouco e arfante, subindo os beijos dos meus seios para o meu pescoço, dando pequenas mordiscadas. – Precisamos ir para a aula.
Eu mal conseguia ouvir o que Edward falava, meu corpo se contorcendo por inteiro enquanto ele continuava movendo seu quadril contra o meu e eu tinha certeza de que ele podia sentir a umidade que se concentrava na minha intimidade.
- Não. – gemi, arqueando meu corpo contra o dele, apertando seu quadril com força com as minhas pernas. – Nada de escola.
- Bella, não me tente. – ele murmurou, interrompendo os movimentos e tirou minhas pernas facilmente do seu quadril, mesmo eu estando usando toda força que possuía.
- Eu quero mais, Edward. – murmurei tentando puxá-lo de voltando quando ele saiu de cima de mim. – Eu quero sentir aquilo de novo.
- Não fala assim. – ele pediu numa voz torturada, fechando os olhos como se tentasse se acalmar.
Mas seu descontrole pareceu falar mais alto porque ele voltou a me beijar com sofreguidão. Mesmo sem voltar para cima de mim, eu fui recompensada pela sua mão que deslizou pelos meus seios, acariciando-os lentamente e continuou descendo, passando pela minha barriga, deixando meu corpo ainda mais em chamas, até chegar à minha intimidade.
Gemi contra a sua boca e usei minhas mãos agora livres, agarrando seus cabelos com uma delas enquanto a outra deslizava pelo seu corpo, passando pelo seu abdômen firme até chegar ao seu membro, tocando-o gentilmente por cima da cueca.
Foi a vez de Edward gemer na minha boca, mas antes que eu pudesse continuar os movimentos, ele removeu minha mão de lá e a colocou sobre o seu peito, voltando a me tocar intimamente. E para a minha surpresa, sua mão fria se infiltrou pela minha calcinha, me tocando agora sem barreiras.
Mesmo com seus lábios sobre os meus, o gemido que escapou da minha boca foi alto o bastante para ecoar pelo quarto. Nem me preocupei com a possibilidade de Charlie ouvir aquilo, afinal era provável que ele já tivesse ido trabalhar. Tudo que eu conseguia me preocupar naquele momento era em sentir os dedos de Edward movendo freneticamente no meu sexo, fazendo pequenas pressões no meu clítoris e às vezes brincando com o dedo na minha entrada, mas nunca me penetrando.
Parecia que a cada segundo ao lado de Edward eu descobria uma nova forma de sentir prazer, cada vez mais intenso, quase me levando à loucura. E apesar de não conseguir formular nenhuma palavra coerente, eu estava decidida a proporcionar ao menos um terço do prazer que ele estava me dando.
Decidida, voltei a deslizar a mão pelo seu corpo e cheguei ao seu membro rijo, sentindo Edward se contorcer violentamente quando eu o apertei entre os meus dedos. Tomando aquilo como um incentivo e reunindo um pouco mais de coragem do que eu possuía, eu puxei o elástico da sua cueca e infiltrei minha mão para tocá-lo sem barreiras, assim como ele fazia comigo.
Mas nem bem tinha roçado a ponta dos meus dedos no seu membro e Edward puxou minha mão de novo, segurando-a com firmeza contra o colchão.
- Não. – ele rugiu num tom baixo e estrangulado, interrompendo o beijo, mas continuando a me tocar, sua respiração arfante contra a minha orelha levando descargas elétricas por todo meu corpo. – Meu controle está por um fio agora. Se você fizer isso eu não vou resistir.
- Já disse que não quero que você… – eu tentava falar, tentava argumentar, mas começava a sentir os tremores cada vez mais próximos, seus dedos agora se movendo freneticamente na minha intimidade, e eu fiquei incapacitada de produzir algum som coerente.
- Não é apenas ao controle sexual que me refiro, Bella. – ele sussurrou contra o meu ouvido, mordiscando meu pescoço de leve. – Esse eu não me incomodaria muito em perder. Mas o outro… Jamais me perdoaria.
Apesar do seu tom aparentemente calmo e totalmente rouco, eu pude perceber algo mais na sua voz. Algo que se assemelhava a um profundo pesar. E foi apenas isso que me levou a conseguir reunir força de vontade para o que eu fiz a seguir.
Coloquei minha mão sobre a sua que continuava entre as minhas pernas e delicadamente a tirei dali, meu corpo inteiro agora protestando pela interrupção do contato arrebatador.
Seu rosto saiu da curva do meu pescoço e ele me encarou com os olhos carregados de luxúria, mas com o cenho franzido, estranhando aquele meu gesto.
- Direitos iguais daqui para frente. – expliquei com a voz arfante e entrecortada. Respirei fundo quando o ar faltou e só então continuei – Você só me toca se eu puder te tocar. E eu só vou permitir que você me dê prazer quando você deixar que eu faça o mesmo com você.
Respirei fundo mais uma vez ignorando o olhar surpreso de Edward e levantei da cama, vestindo minha blusa que estava extremamente amarrotada, pegando a calça que tinha caído no chão e a vesti também.
Enquanto eu me vestia apressada, Edward sentou na beirada da cama e ficou me observando em silêncio. Já ia me afastando quando ele me segurou pelo pulso e me puxou delicadamente para perto, me deixando em pé a sua frente, entre as suas pernas.
- Eu te amo, Bella. – ele sussurrou acariciando meu rosto gentilmente. – E a cada minuto que eu passo ao seu lado esse amor só aumenta.
Mesmo me sentindo completamente frustrada por não ter conseguido sentir o prazer que eu queria, nem fazer o mesmo por Edward, eu acabei sorrindo como uma boba e me deixei ser beijada.
- Também amo você. – sussurrei quando ele interrompeu o beijo.
Ficamos nos encarando por um tempo, trocando pequenos selinhos, até que Edward mais uma vez teve que quebrar o clima.
- É melhor se arrumar ou estaremos oficialmente atrasados.
- Vou me trocar no banheiro. – falei já pegando uma roupa dentro do guarda roupa.
- Vou pegar o carro enquanto isso. – ele falou vestindo sua calça que também tinha ido parar no chão. – Não demoro.
- Ok.
Tomei um banho rápido e quando saí do banheiro, Edward ainda não tinha voltado. Estava no meu quarto pegando meu material escolar e guardando de qualquer jeito na mochila, quando ouvi um barulho no andar de baixo, vindo da cozinha.
Olhei rapidamente pela janela e vi o Volvo estacionado na entrada de carros. Como ele tinha entrado e eu nem ouvi?
Joguei a mochila sobre um ombro e desci as escadas quase correndo. Quando cheguei à cozinha encontrei Edward preparando alguma coisa em cima do balcão, de costas para mim, mas ele se voltou com um sorriso assim que eu entrei.
- Fiz um sanduíche para você. – ele anunciou enquanto eu me aproximava, reunindo o material que tinha usado, e guardou tudo na geladeira.
- Você trocou de blusa? – perguntei quando parei ao seu lado e percebi que ele estava usando uma blusa azul agora. Tinha certeza de que a outra era cinza escuro.
- Sim. – ele respondeu apenas, envolvendo o sanduíche num guardanapo e me entregou.
- Só um? E o seu?
- Estou sem fome. – ele murmurou com um sorriso que dizia claramente que havia muito mais por trás daquilo tudo.
- Essa sua constante falta de apetite tem algo a ver com a sua dieta especial?
- Tudo a ver. – ele murmurou sorrindo ainda mais e beijou meus lábios de leve, passando um braço sobre os meus ombros e me levou para fora da cozinha, pegando a minha mochila que tinha deixado em cima de uma cadeira.
Queria perguntar mais, mas não queria estragar aquele momento perfeito. Então apenas suspirei de leve e dei uma mordida no sanduíche que estava delicioso, enquanto Edward me guiava para fora de casa e abria a porta do passageiro para mim.
Apesar de termos saído de casa faltando apenas cinco minutos para a aula começar, o sinal tocou no instante em que Edward entrou no estacionamento. Aquela forma louca dele dirigir podia me deixar apavorada, mas ao menos hoje eu agradeci por isso. Silenciosamente, é claro. Não queria que ele soubesse que ao menos uma vez eu tinha aprovado a sua direção perigosa.
Os poucos alunos que ainda estavam no estacionamento ficaram nos encarando quando eu desci do carro depois de Edward abrir a porta para mim.
Não me sentia muito confortável com aqueles olhares e não sei se Edward percebeu meu desconforto, ou se fez aquilo por algum motivo pessoal, mas eu agradeci internamente quando ele passou um braço ao redor dos meus ombros e me puxou para perto, andando comigo assim até pararmos na frente da sala da minha aula de Inglês.
- Boa aula. – ele murmurou, depositando um beijo rápido nos meus lábios.
- Boa aula para você também. – murmurei de volta, respirando fundo antes de pegar a minha mochila com ele e entrar na sala.
O professor ainda estava escrevendo seu poema do dia e eu apenas me dirigi à minha carteira e sentei silenciosamente, ignorando os olhares me acompanhando em cada movimento.
Passei a aula inteira pensando em Edward e na noite maravilhosa que tivemos juntos, tendo que me concentrar para não levar bronca do professor por não estar prestando atenção em nada do que ele falava.
A aula de Trigonometria foi um pouco mais tensa do que a de Inglês porque assim que entrei na sala, Jessica veio direto ao meu encontro, nem mesmo esperando que eu chegasse à minha carteira.
- Ai meu Deus. – ela exclamou alto fazendo todos os alunos que já estavam na sala voltarem o rosto na nossa direção. – Você e Edward! Me conta tudo! – ela exigiu me rebocando até a minha carteira a parou ao meu lado me olhando ansiosa.
- Por que eu deveria te contar? – perguntei num tom neutro, colocando minha mochila em cima da carteira e tirei o caderno com o exercício. – Para você sair fofocando com Lauren pelas minhas costas?
Pela sua expressão surpresa, Jessica definitivamente não esperava aquela minha resposta.
- Nós estávamos brincando, Bella. – ela murmurou com o rosto ficando levemente avermelhado.
- Não, vocês não estavam, Jess. – falei ainda num tom calmo, me surpreendendo com a minha tranqüilidade. – Se está esperando que eu fale algo, vai perder seu tempo. – continuei quando ela permaneceu parada ao meu lado.
O professor entrou em seguida e mandou todos sentarem e só então Jessica saiu de perto de mim. Algo no seu olhar dizia que aquilo não tinha acabado, mas estava pouco me lixando para o que ela pudesse estar planejando.
Assim que saí da sala, dei de cara com Edward que já me esperava no corredor ao lado da porta e foi impossível não abrir um sorriso enorme ao vê-lo ali.
- Oi. – ele cumprimentou com um sorriso tão radiante quanto o meu.
- Oi.
Seu olhar desviou do meu apenas por uma fração de segundos, olhando para algo ou alguém atrás de mim e ele pegou minha mochila, me puxando pela cintura.
- Como foi a aula da minha namorada perfeita? – ele perguntou isso num tom um tanto mais alto que o normal e logo percebi o motivo quando vi Jessica passando ao nosso lado, tão concentrada em nós que esbarrou em outro aluno e todo seu material foi parar no chão.
Segurei o riso e deixei Edward me conduzir até a cafeteria, tentando ignorar todos os olhares cravados em nós. A conversa sempre tão alta ali dentro agora não passava de um leve burburinho, todos conversando em sussurros.
Saímos da fila do almoço com apenas uma bandeja com o meu lanche e sentamos à sua mesa de sempre. Mais uma vez eu fiquei de costas para a cafeteria e consegui relaxar um pouco quando Edward pegou minha mão na sua, levando-a aos lábios e a beijou lentamente, seus olhos cravados nos meus.
- O que você vai fazer esse final de semana? – ele perguntou sem soltar a minha mão e eu comecei a comer a fatia de pizza com a outra.
- Não tenho nada planejado.
- Hum…
Seu olhar ficou vagando em algum ponto atrás de mim e ele continuou em silêncio enquanto eu comia sem pressa.
- Por quê? – perguntei finalmente, não resistindo à curiosidade.
Antes de responder, Edward puxou sua cadeira para perto de mim e colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha e ficou acariciando meu rosto delicadamente.
- Estava pensando em te levar a um lugar amanhã.
- Eu vou. – respondi sem pestanejar e ele riu baixinho.
- Você nem sabe para onde é, Bella.
- Você vai estar lá? – perguntei apenas e ele acenou afirmativamente – O que mais eu preciso?
Lá estava aquele sorriso perfeito nos seus lábios e meu coração disparou no meu peito. Por alguns segundos eu esqueci de respirar.
- Sabe aquela clareira do seu sonho? – ele perguntou num tom baixo, voltando a acariciar meu rosto e eu apenas acenei que sim com a cabeça. – Lembra que eu falei que costumava ir à uma parecida com a que você descreveu?
- Lembro. – e se lembrava!
Apenas a menção daquela clareira, seja a minha ou a dele, era o bastante para me deixar quente.
- O que acha de irmos lá amanhã? Assim podemos confirmar se você é uma médium ou não. – ele completou com um sorriso radiante.
Me imaginar numa clareira com Edward levou pensamentos nada puros à minha mente e eu tive que me forçar para voltar à realidade onde ele me encarava com os olhos dourados e curiosos.
- O que você está pensando?
- Bobagens. – respondi dando de ombros e sorri para ele. – Adorei a idéia da clareira.
- Não fica muito longe da minha casa. – ele continuou, seu olhar desviando algumas vezes para algum ponto atrás de mim e seu rosto ficou ligeiramente tenso, o sorriso sumindo completamente. – Posso te pegar às nove ou é muito cedo para você?
- Às 9h está bom. – respondi estranhando sua atitude quando ele simplesmente parou de olhar para mim e cravou os olhos em algo ou alguém na cafeteria.
- Posso ir em outro horário se você quiser dormir até mais tarde.
Todo o tempo ele falava sem olhar para mim, seu olhar se assemelhando ao dia em que ele tinha saído furioso da cafeteria depois de receber uma mensagem minha, como se quisesse matar alguém.
Ignorei sua pergunta e desvencilhei minha mão da sua, levando-a até o seu rosto e acariciei seu maxilar tenso.
- O que aconteceu? – perguntei com a voz baixa.
Finalmente ele me encarou e piscou algumas vezes como se tentasse voltar ao normal, respirando fundo antes de responder.
- Desculpe.
- O que houve? – insisti quando vi que ele não iria responder.
- Eu não consigo entender porque você é amiga desses idiotas. – ele murmurou falando quase por entre os dentes. – Desculpe chamá-los assim, mas é o que eles são.
- Nem todos.
- A única que se salva ali é Ângela. – ele falou ainda naquele tom levemente irritado. – Ela é a única que não fica preocupada com o que eu vi em você, com que tipo de feitiço você fez para me conquistar ou se eu corresponderia se uma delas viesse sentar no meu colo.
Abri a boca para falar alguma coisa, mas nada saiu. Continuei encarando-o de boca aberta sem saber o que falar, sentindo meu rosto esquentar de forma violenta por saber que ele tinha ouvido essas coisas. Uma coisa era elas falarem isso para mim. Outra bem diferente era Edward ouvir tudo. Mas… Como ele…?
- E saiba que não suporto esse tal de Mike. – ele continuou, completamente alheio aos meus pensamentos. – E Tyler também. As coisas que eles pensam sobre você… Se não fosse por você, iria agora mesmo tirar satisfações com eles. E com esse Eric também. Ele é mais calmo, mas não gosto dele tentando se imaginar no meu lugar, tocando seu rosto.
- Como você ouviu isso?! – perguntei sem me conter, olhando rapidamente por sobre o meu ombro para a mesa que eu sempre sentava e voltei a encará-lo. – Eles estão longe demais. Não dá para você ouvir tanto.
- Eu apenas sei.
- Mas você se enganou quanto aos meninos. Tyler namora Lauren e Mike está com Jessica. Eles não sentem nada disso do que você falou sobre mim. Muito menos Eric. Ele só é calado.
- Tyler está com Lauren, mas isso não o impede de ficar com Jessica algumas vezes, não é? – Edward perguntou com uma sobrancelha arqueada. – E eu não me enganei quanto a nenhum deles. Eric é calado, mas sua mente não para. Ele é o que mais está tentando se ver no meu lugar.
- Você fala como se soubesse o que eles pensam. – falei de brincadeira, mas o sorriso sumiu quando vi que Edward tinha ficado ainda mais sério, me encarando intensamente. – Edward?
- Eu sei o que eles pensam, Bella. – ele murmurou num tom baixo, tirando minha mão do seu rosto e a apertou de leve.
- Você… – comecei, mas então parei, achando ilógico demais tudo aquilo. Sabia que Edward era diferente, mas isso? – Você… Lê mentes? – perguntei finalmente, mesmo que a minha mente gritasse sobre o quão absurdo aquilo soava.
- Por mais que eu tente bloquear, os pensamentos vêm até mim, às vezes tão alto que é como se alguém gritasse no meu ouvido.
- Você lê mentes! – exclamei num tom baixo e esganiçado, levando a mão à minha cabeça como se tentasse deter meus pensamentos. – Podia ter me avisado antes. – murmurei sentindo meu rosto esquentar de forma preocupante.
As coisas que eu havia pensado sobre ele… Meu Deus! Tudo que eu pensei, todo esse tempo e ele estava lendo… Ouvindo! Oh, céus!
- Hey, calma. – ele sussurrou num tom gentil, tirando minhas mãos da minha cabeça e entrelaçou nossos dedos, aproximando seu rosto do meu. – Eu não posso ler a sua mente se é isso que está te deixando tão aflita.
- Não… pode? – perguntei, parando um pouco com o surto leve e o encarei.
- Não. Por isso nunca soube quem você era. – ele começou a explicar quando viu que eu estava mais calma – Eu não conseguia ler a sua mente aqui dentro e várias vezes cheguei a pensar que você estava mentindo sobre estudar aqui. Porque, por mais que eu vasculhasse cada mente dentro dessa cafeteria, eu não conseguia captar nada.
- Por que não? – perguntei num tom normal, curiosa agora para saber por que ele não lia a minha mente. Não que estivesse reclamando, mas seria bom saber.
- Não sei. – ele respondeu dando de ombros. – Acho que você está destinada a sempre ser um mistério para mim. Agora te conheço, mas não faço idéia do que você está pensando. O silêncio da sua mente é como um descanso para minha, mas fico frustrado por não saber o que se passa aí dentro.
- Acho que prefiro continuar em silêncio para você.
- Por quê? – ele perguntou abrindo um sorriso. – O que você tanto pensa que eu não posso ouvir?
- Nada. – murmurei baixando o rosto quando senti o calor aumentar.
- A julgar por esse lindo tom de vermelho no seu rosto – ele falou com o sorriso ainda maior, levando um dedo ao meu queixo e ergueu meu rosto, me forçando a encará-lo – vou deduzir que é algo inapropriado para menores.
Apesar do seu tom brincalhão, eu não pude evitar o novo calor que percorreu meu corpo ao lembrar as coisas que tínhamos feito na noite anterior e desviei o olhar do seu. Levantei da cadeira e peguei minha bandeja, ignorando a risada perfeita de Edward e fui até a lixeira. Quando girei o corpo para voltar à mesa, Edward já estava ali e me envolveu pela cintura, ainda rindo com gosto.
- Bom saber que acertei. – ele murmurou, inclinando o rosto na direção do meu e beijou meu pescoço, me deixando mole em seus braços. – Mas ainda não sei sobre o que exatamente você estava pensando.
- Nem vai saber. – resmunguei, embora não tivesse com o mínimo mau humor.
- Me dá uma dica então. – ele pediu sem me soltar, mas afastou o rosto do meu pescoço para me encarar. – Estava imaginando coisas ou recordando algo?
- Recordando. – murmurei apenas, baixando o rosto de novo e estremeci ao sentir sua boca no meu pescoço novamente.
- Eu também não consigo parar de pensar no que aconteceu essa noite. – ele murmurou com a voz rouca. – Mas infelizmente seus amigos estão pensando alto demais nesse momento e isso está tirando minha concentração.
- O que eles estão pensando?
- Coisas nada agradáveis. Sobre nós dois. – ele falou, afastando seu rosto do meu pescoço mais uma vez e sorriu para mim. – Menos Ângela. Ela está pensando em como nós dois ficamos bem juntos e no quanto você parece feliz.
- Eu estou feliz. – confirmei, sorrindo abertamente.
- Eu também. Mais do que imaginava ser possível.
Quando o sinal tocou, Edward me levou até a minha sala e mais uma vez ele estava lá quando a aula acabou, me esperando encostado na parede ao lado da porta. Pensar em fazer Educação Física perto dele me fez cogitar a possibilidade de faltar a aula novamente, mas Edward se recusou a permitir isso. E eu também não podia me dar ao luxo de cabular a mesma aula duas vezes em uma semana.
Apesar de estar com vergonha de pagar algum mico na frente dele, foi Edward quem chamou mais atenção durante a aula, recebendo tanta reclamação do professor que chegava a ser engraçado.
Ele tinha resolvido ficar no limite da sua quadra com a minha, ignorando completamente o jogo de basquete, sua atenção totalmente voltada para mim, várias vezes invadindo a minha quadra para me ajudar com alguma jogada ou para me desviar de alguma bola. E o mais engraçado foi quando ele simplesmente esqueceu do seu jogo e veio para o meu lado quando chegou a minha vez de sacar, me mostrando como deveria fazer para conseguir melhor resultado.
- Edward, quer assumir meu lugar e conduzir as duas equipes? – o professor perguntou já irritado, praticamente gritando do outro lado da quadra e Edward apenas sorriu para mim e voltou para o seu lado da quadra, me mandando um beijo no ar.
Ao final da aula nós tivemos uma pequena briga, nada muito sério, quando ele insistiu em me levar para casa no carro dele, mas eu argumentei dizendo que meu pai não iria acreditar se eu dissesse que meu carro não tinha funcionado de novo e nós nos despedimos no estacionamento.
Queria que ele fosse para a minha casa de novo essa noite, mas ele disse que precisava resolver uma coisa antes do nosso passeio de amanhã e pediu apenas para que eu garantisse que Charlie estaria em casa quando ele chegasse na manhã seguinte, para que os dois pudessem se conhecer.
- Vou deixar meu celular em casa e é provável que eu chegue tarde. – ele falou quando eu já estava dentro do meu carro, quando eu pedi para que ele mandasse uma mensagem avisando que tinha chegado.
- Me avisa assim mesmo. Só para eu saber que você chegou bem.
Eu estava morrendo de vontade de perguntar para onde ele iria, mas algo me dizia que ele iria responder apenas com uma meia verdade e eu não queria isso.
- Tudo bem.
Liguei o motor barulhento do meu carro e Edward se afastou quando eu comecei a manobrar, e acenei para ele antes de sair do estacionamento.
Como iria sair amanhã, aproveitei a tarde livre para lavar as roupas acumuladas e quando Charlie chegou o jantar já estava pronto. Ele parecia estar de bom humor essa noite, principalmente porque amanhã era dia de ir pescar com Billy e eu aproveitei seu ânimo para falar de Edward.
- Hum… Pai, que horas o senhor vai sair amanhã? – perguntei espetando uma batata, evitando seu olhar.
- Acho que por volta das nove horas. Por quê?
- Amanhã vem uma pessoa aqui que quer te conhecer.
Mesmo eu não falando nome nem fazendo qualquer menção de que era homem ou mulher, eu percebi quando ele ficou imóvel à minha frente e eu me atrevi a levantar o rosto para encará-lo.
- Quem? – ele perguntou apenas, sua garrafa parada a meio caminho da boca.
- Edward. Edward Cullen.
- O rapaz que mora sozinho? – ele perguntou ainda sem se mover.
Bela descrição dele.
- Sim.
- Como vocês se conhecem?
- Nós… Estudamos juntos. – respondi, sentindo minha voz diminuir um pouco quando o nervosismo começou a me dominar diante da expressão nada amigável de Charlie.
- Não lembro de ter ouvido você falar nele alguma vez. – dessa vez eu não consegui falar nada e me limitei a dar de ombros. – Por que ele quer me conhecer? – ele perguntou, finalmente bebendo da sua cerveja e eu esperei até que ele engolisse o líquido para responder.
- Nós estamos namorando.
Certamente foi um acerto ter esperado ele engolir tudo porque logo em seguida ele começou a se engasgar, mesmo sem ter nada na boca.
- Na-namorando?! – ele exclamou com a voz esganiçada, seu rosto se tingindo de vermelho por conta da tosse.
- É.
- Desde quando você namora?
Ignorei aquele comentário sobre a minha completa falta de vida amorosa e levantei da mesa, retirando meu prato sem respondê-lo.
- Nós vamos sair amanhã e ele vem me pegar às nove. – anunciei enquanto lavava os pratos. – Edward pediu para verificar se o senhor vai estar em casa nesse horário porque quer conhecê-lo. Posso confirmar?
- É sério isso? – ele perguntou, levantando também e trouxe seu prato vazio para a pia.
Parei o que estava fazendo e cruzei os braços, arqueando uma sobrancelha e fiquei em silêncio.
- Ok. Já vi que sim. – antes de continuar, ele respirou fundo e olhou ao redor como se procurasse alguma coisa para falar ou algum buraco para se esconder e só então falou, já se encaminhando para fora da cozinha. – Tudo bem. Eu vou esperá-lo.
A primeira coisa que fiz quando cheguei ao quarto foi mandar uma mensagem para Edward confirmando sobre o "encontro" dele com meu pai no dia seguinte.
Fiz o dever de casa sem muita pressa e deitei na cama, levando meu celular comigo e o deixei ao lado do meu travesseiro para esperar a mensagem de Edward. Em algum momento acabei adormecendo e acordei um pouco depois com o aparelho tocando ao meu lado, anunciando uma nova mensagem.
From: E.C.
April 24 – 0:06
"Estou em casa. Espero não ter te acordado. Se acordei, volte a dormir. Nos falamos amanhã. Te amo ainda mais. Beijo."
"Vou dormir mais tranqüila agora. Até amanhã. Venha preparado para enfrentar a fera. Amo você. Beijo."
Enviei a mensagem e coloquei o celular ao lado do travesseiro novamente, adormecendo quase instantaneamente.
