Capítulo 24: Vergonha

N/A: Oiii Gente! Nossa, desculpem a demora de atualização. Estou me adaptando aos horários do trabalho, estava desacostumada a acordar antes das 7h, muitas coisas para se adaptar. Emprego novo é muito bacana, estou adorando, mas agora as atualizações demorarão um pouquinho mais. Não se preocupem, a fic continua até o fim ;)

Obrigada aos lindos comentários. Adorei cada um deles. Espero que curtam o capítulo. Sem betagem, mas relido. Beijos!

Tudo que começa com raiva acaba em vergonha-Benjamin Franklin

Sirius estava sentado na mesa da cozinha, observando Lily e Mellani sentadas do lado de fora na beira da piscina. Ele não sabia se conversavam ou não. Estavam de costas, mas Mellani abraçava a ruiva. James suspirou e Sirius o encarou.

-O enterro será hoje?- o Black perguntou sentindo o coração pesar. James assentiu e continuou olhando para as garotas no lado de fora. O dedo do Potter contornava a boca da xícara de café de maneira quase obsessiva.

-Eu...- James levantou a cabeça, estava com olheiras e o olhar perdido. Seu cabelo parecia mais bagunçado que o normal. Sirius tomou um susto, parecia que James tinha envelhecido uns 3 anos em apenas uma noite.- Não sei como falar com ela. Como fazê-la se sentir melhor.- engoliu em seco e Sirius levou sua própria xícara de café até a boca, tomando um gole longo. James largou seu café na mesa e levou as mãos até o rosto, como se fosse fazer uma oração. Descansou-as na altura dos lábios e encarou Sirius com muito sofrimento.

- Matei uma pessoa...-sua voz saiu tremida- Pelas costas.- fechou os olhos e franziu o cenho, uma expressão de dor muito grande- Você tinha razão.- então James abriu os olhos e voltou a olhar para as garotas ao lado de fora.- Eu não tinha ideia de como era numa batalha. Eu não vi nada ao ver aquele comensal torturando Lily. Eu...-suspirou.- Eu o tinha dominado. Eu tinha. Ele estava apenas correndo apavorado e eu fiz. Eu o matei.- murmurou indignado.

-James. É uma guerra. As coisas acontecem. Não poderia simplesmente deixá-lo ir.

-Não entende?- o moreno limpou as lágrimas que caiam e tentou se controlar. Os lábios tremiam e sua expressão deixou Sirius com o coração partido- Eu consegui lançar o feitiço.- sussurrou- eu tive algo dentro de mim. Algo errado que me fez lançar esse feitiço horroroso.

- Não James...Não caia nessa.

- Eu te disse que não valia a pena ser como eles.- o garoto estava acabado, Sirius se sentia responsável. Queria dizer algo que o ajudasse a entender que não era culpa dele- Mas eu fui! Lancei uma maldição...

- Hey.- Sirius puxou a cadeira até ficar próximo ao amigo. Segurou o ombro dele e o olhou nos olhos- Não James. Não caia nessa. Nós estamos vivendo uma guerra e eu tentei lhe dizer que não é fácil e nem bonito. Nós não vamos conseguir vencer com feitiços estuporantes e pegadinhas. O homem que matou não era uma pessoa inocente, iria matar Lily e depois você se tivesse a chance.- James abaixou a cabeça e meneou negativamente.

- Não Sirius. Eu não quero ser como eles. Eu não quero ter a capacidade de conseguir lançar um feitiço desses. Eu não quero, mas na hora eu senti tanta raiva, foi tão fácil me perder no calor da batalha. Foi fácil demais. Fácil de um jeito que não foi pra Lily.

Sirius entendeu a preocupação do amigo e viu-o tão maduro naquele momento. Até então ele olhava para James e enxergava apenas seu jovem amigo de farra, alguém inocente que só se preocupava em conquistar Lily e ajudar os amigos. Mas depois da noite passada algo tinha mudado bruscamente dentro do rapaz, como se mais da metade de sua meninice fosse arrancada abruptamente e sobrasse apenas um terço, que logo seria retirado também. E o Black não fazia ideia do que dizer a ele. Suspirou e olhou profundamente nos olhos de James, queria que ele acreditasse naquilo:

-Você não é uma pessoa ruim James. Estava numa situação extrema pela primeira vez em sua vida e é muito jovem, ficou cheio de ódio, medo, desespero ao ver Lily naquela situação. Você foi pressionado até o último fio de sanidade.

-Mas eu quero ser controlado nessas situações. Podia ter matado Lily e morrido no processo...

-Vocês estão vivo que importa agora. Você precisa ser forte por ela. Lily perdeu toda a família dela em questão de horas. Ela não vai aguentar se você quebrar também. Ela confia em nós e precisamos segurar por ela. Você é só um menino James. Ainda vai passar por coisas horríveis. Mas também viverá coisas maravilhosas.

-Eu...- ele suspirou tentando conter o choro- Meus tios expuseram o lado ao qual estão, esse foi só o primeiro embate...Eu estou assustado. Nunca imaginei que fosse assim. Eu...-bufou- Ele é poderoso. Eu o vi. Ele entrou na minha mente como se meus treinamentos, feitos desde criança, não fossem nada. Ele viu Mellani...Ele viu minha vida inteira em segundos.- suspirou e Sirius ficou preocupado. James começou a chorar e o olhou com súplica- Eu nem devia estar na Grifinória. Estou morrendo de medo de passar por isso de novo e eu sei que vou, eu tenho certeza. Eu não quero ter que matar alguém para poder viver. Sou um covarde. Como posso fazê-la ficar bem se eu não me aguento no momento?

-James. – Sirius foi firme ao chamá-lo. Tocou o rosto do amigo com carinho, como tinha feito com Harry há tanto tempo. Pareciam séculos desde aquele episódio onde Harry veio tão perdido para si.

- Não precisa se envergonhar de ter medo. O medo é o nosso super poder. Ele nos avisa quando algo está errado e envia sinais ao nosso corpo para reagirmos a isso. O medo nos faz correr mais rápido, lutar mesmo quando estamos cansados e continuar em frente. Ele é o que nos move.* Se não fosse seu medo de perder a liberdade, de perder Lily ou sua família, você não lutaria contra tudo que está acontecendo. E...-Sirius limpou as lágrimas do amigo de maneira paternal- Não tem problema nenhum em temer entrar em outra batalha. Nós arriscamos muito quando vamos para campo e seria tolice não temer. Você é uma pessoa boa, não vai se perder, não vai esquecer quem você é. Tenha isso dentro de você.- James fungou e assentiu. Sirius o abraçou protetoramente lembrando dolorosamente de Harry, sentindo falta de seu afilhado, mas aliviado de ter seu melhor amigo de volta. Se afastaram e olharam para a porta de vidro. As garotas ainda estavam sentadas na beira da piscina, abraçadas.

-Será que elas querem comer antes de ir?- James perguntou tentando mudar de assunto e limpando o nariz com um guardanapo. Sirius o olhou e sorriu com compreensão. Trocaram um olhar cúmplice e de agradecimento. Sirius ficou preocupado com o tipo de álibi que os Potter levariam ao ministério para cobrir os rastros de James na batalha. Sentiu uma pontada na cabeça e decidiu deitar um pouco no sofá antes de rumarem para o enterro. A vida perfeita que tentou construir até o momento começava a ruir.

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O enterro foi muito triste. E mais triste ainda foi ver Petúnia ficar o mais distante possível da irmã e lançar olhares rancorosos a ela o tempo todo. Sirius queria dizer poucas e boas para ela, mas sabia que não tinha esse direito. Muito menos num momento daqueles. Se limitou a abraçar Lily por alguns momentos e deixá-la chorar em paz nos braços de James. Voltaram todos para a mansão Potter. Petúnia e Lily tiveram mais uma discussão, sobre onde a ruiva ficaria e após mais uma briga a Evans mais velha foi embora, deixando a ruiva desolada para trás.

A noite, quando todos dormiam em suas camas Sirius desceu até a piscina, sem conseguir pensar em nada a não ser no sofrimento que viria a partir desse evento. Bufou e engoliu em seco. Sentar na escuridão da noite, apenas com as luzes de dentro da piscina para iluminar, o ambiente o deixava calmo. Avistou Lily sentada numa das espreguiçadeiras. Estava enrolada num roupão fino e com o olhar fixo no chão. Sirius se aproximou e tocou-lhe o ombro.

-Sem sono?- ela fungou e assentiu, limpando o nariz com a costa da mão e voltando o olhar para o nada- Posso?- perguntou apontando para o lado dela. A ruiva deu de ombros e ele sentou.

-Por que está acordado?

-Eu tenho crises de insônia. Por causa do meu problema.- tocou a têmpora e Lily assentiu. Sirius puxou o cigarro de trás da orelha e acendeu-o com um feitiço- Se importa?- ela negou com a cabeça- Quer um?- a ruiva assentiu, surpreendendo-o. Sirius duplicou seu cigarro com um movimento elaborado de mão e entregou a Lily.

-Acende pra mim?- Sirius assentiu e assim o fez. Ela tragou e soltou a fumaça como se já tivesse feito aquilo antes- Outro dia estava tão irritada com Petúnia e essa história de não saber do casamento que... Só queria fazer algo idiota pra esquecer. Mellani me ofereceu os cigarros dela.- riu sem emoção, os olhos marejados. A penumbra não o deixou ver muito dela, mas sabia que a amiga devia estar uma bagunça só. Os cabelos presos precariamente e o fungar constante. Ela não parava de chorar.- Eu só quero fazer coisas estúpidas pra esquecer das coisas sérias.- e tragou de novo. Sua voz estava embargada e Sirius queria dizer qualquer coisa para ouvir o tom positivo e alegre de Lily novamente. Fumaram lado a lado e em silêncio.- James fala de mais, o tempo inteiro. Eu adoro quando ele faz isso porque me faz esquecer de todo o resto, mas ele está tão calado.

-Você sabe que ele...

-Eu sei.- o interrompeu- Só me parece que...Após esse enterro, tudo ficou real. A batalha, as torturas, mortes, o calor do momento. Perder meus pais e finalmente perder minha irmã. – fungou- Eu não quero ficar triste todo o tempo.- suspirou- Não quero entristecer vocês.

-Hey.- Sirius tocou o ombro dela e a olhou nos olhos- Não tem vergonha em ficar triste. Você só vai conseguir seguir em frente se passar por isso. Negação, tristeza, revolta, aceitação e então seguir em frente.- Lílian sorriu fracamente e Sirius sentiu que estava dizendo algo certo. Precisava dizer algo que a deixasse bem. Ele sabia como era perder alguém. Ele sabia como era perder tudo!- Lily.-olhou-a no fundo dos olhos e apagou o cigarro. Franziu o cenho e quase sussurrou as próximas palavras- A tristeza e a dor que está te consumindo por dentro não são motivo de vergonha, ok? – ela assentiu e Sirius limpou uma lágrima que a ruiva deixou rolar- Ninguém vai entender o que você está passando porque só você sabe o que sentia por sua família, mas... –estalou os lábios- Nós estaremos aqui quando precisar de um abraço.- lembrou de si mesmo, largado sozinho na mansão Black, seus melhores amigos mortos... Remus lhe foi tão importante naquele momento.- E não precisa se envergonhar de ficar assim. Você vai superar e quando fizer isso vai perceber como a vida se tornará mais bela. A dor nos faz apreciar mais o que temos. –Lily o abraçou abruptamente, largando o cigarro no chão. Sirius sorriu fracamente, aliviado que ela não se fechasse na própria concha como ele mesmo fazia. Abraçou-a de volta e sentiu-a suspirar.

-Quando os pesadelos vão passar?- sussurrou num tom perdido e Sirius murmurou:

-Eu não sei.- os dele ainda continuavam- Mas essa dor vai embora com o tempo.

-Eu me sinto paralisada.

-Eu sei.- engoliu em seco e se afastou dela aos poucos. Sorriu fraternalmente para a adolescente, com o mesmo carinho que sentia por James.- Mas você é forte.- Sussurrou- E precisa lembrar disso.- Lily assentiu- Não precisa ser agora.- sorriram um para o outro- Vem.- levantou puxando-a pelo pulso- Vamos assaltar a cozinha. Você não comeu nada o dia todo e sei que não quer voltar pra cama agora.

-Mellani chuta um pouco.- murmurou tentando rir.

-Eu sei.- Sirius respondeu risonho e ambos entraram. Comeram um pacote dos salgadinhos trouxas que Mellani tanto adorava e conversaram sobre a escola e banalidades. Sirius sabia que ela queria falar de qualquer coisa, menos dos pais e da irmã.

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No dia seguinte Sirius foi surpreendido pela visita de sua mãe. Ela estava na sala dos Potter esperando-o para ir embora.

-Não quero ir. – falou parado no fim das escadas e encarando Margaret com súplica.

-Não é ela quem decide isso.- Walburga o lembrou e franziu o cenho- Ficou aqui dois dias, sem dar notícias, quando cheguei em casa quase tive um ataque de preocupação. E ainda colocou seu amigo em risco por causa de uma...-Sirius a avisou com o olhar- Por causa de tolices. Vamos. Quero você em casa.

-Eu quero ficar. Me deixa ficar. Por favor!

-Seu pai o quer em casa hoje à noite.- Sirius torceu os lábios.

-Problema dele.

-Sirius querido.- Margaret murmurou se aproximando dele- É melhor ir. Prometo que falo com ela e você volta pra cá na próxima semana, ok?- Sirius sentiu algo estranho no ar- Ou mando Mellani pra lá. Se preferir.

-Não. Quero ficar aqui. Ajudar Lily.

-Ela está em boas mãos querido. Avisou Remus sobre tudo? Sobre Dorcas?

-Sim, mas o pai dela a escondeu em algum lugar que ninguém sabe.- Sirius respondeu- Não podemos fazer muito agora.

-Eu sei querido. Vá com sua mãe, por favor.- Sirius assentiu.

-Vou me despedir.- avisou para a mãe que assentiu e levantou do sofá. Sirius ouviu a voz dela falando com Margaret, mas não prestou muita atenção. Entrou no quarto de James e viu que a ruiva ensinava o Maroto a dedilhar no violão.

-Hey, vocês.- sorriu- Walburga está aqui. Quer que eu vá pra casa.

-Por quê?- James perguntou preocupado. Sirius deu de ombros.

-Acho melhor eu ir. Pelo menos hoje. Depois eu volto.- deu um abraço em James e outro em Lílian- Se cuidem. – foi para fora e andou até o quarto de Mellani. Bateu na porta e ouviu um "entra" dela. Abriu a porta e se deparou com a maior bagunça de roupas e material escolar. Ela estava limpando o malão. Sorriu ao vê-la sentada no chão no meio da bagunça. Ajoelhou na frente dela.

-Hey.- ela cumprimentou sorrindo e ele passou as mãos pelo rosto dela, segurando-a. Beijou-a profundamente, arrancando suspiros da garota e sentindo seu mundo sumir para dar lugar ao mundo deles. Apartou o beijo com um selinho lento e molhado.- Tudo bem?

-Preciso ir pra casa. Walburga está lá embaixo. Veio me buscar...-encostou a testa a dela e de olhos fechados continuou - Morta de preocupação. -imitou a voz da mãe de maneira torpe e beijou Mellani mais uma vez, sentindo muito carinho. Ela rodeou o pescoço dele com as mãos e o moreno sentiu os dedos enfiarem-se em seus cachos. O gosto dela e a maneira faminta como suas bocas se moviam dizia muito aos dois. Apartou o beijo outra vez, com mordidinhas que a fizeram sorrir contra seus lábios- Eu vou tentar voltar.

-Ok.- ela sussurrou.

-Toma conta da Cereja, ok?

-James e eu não a deixaremos pensar mais nisso.- ambos riram e ele finalmente se afastou- Vou descer com você.- Sirius assentiu. Desceram de mãos dadas esquecendo que não tinham assumido nada para os tios. Walburga e Margaret pararam de conversar quando os viram e ambas sorriram fracamente. Sirius ignorou a mãe. Soltou a mão de Mellani e abraçou a senhora Potter.

-Até mais tia.- murmurou sentindo Margaret sorrir e abraçá-lo de volta.

-Se cuida menino.- e o Black sentiu um beijo nos cabelos. Ao virar para a própria mãe viu que ela o olhava magoada. Tentava disfarçar, mas estava nitidamente incomodada. Ao saírem da casa dos Potter ele segurou o braço da mãe, olhou mais uma vez para trás acenando para Mellani e então tudo sumiu, dando lugar a sensação horrível de aparatar acompanhado.

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Sirius entrou em casa e subiu, esbarrando em Monstro sem pedir desculpas, correu até o quarto do irmão e abriu sem bater. Regulus estava deitado, jogando uma bolinha para cima e pegando-a no ar antes que batesse no próprio rosto. O mais jovem sentou e suspirou aliviado.

-Que bom que está bem. Como as coisas estão por lá?- Sirius meneou a cabeça negativamente e sentou na ponta da cama, próximo aos pés do irmão.

-Lily perdeu toda a família. Os avós, tios e pais estavam no centro, passeando, ficaram no meio da confusão bem na hora que começou. O legista disse que morreram na primeira hora do ataque.- Regulus engoliu em seco e Sirius fitou o irmão seriamente- O que vai fazer Reg?

-Não começa.

-O que vai fazer se unindo aquelas pessoas? E por qual motivo? Pra agradar a mãe?- Sussurrou a última frase sem forças para alterar o tom de voz. Regulus largou a bolinha vermelha que segurava e esfregou o rosto com as mãos. Sirius o ouviu suspirar. Quando o mais novo o encarou novamente estava nitidamente cansado.

-E James? Muito ferido?- Sirius negou.

-Traumatizado...Reg, por favor, não mude de assunto. Quero te ajudar, não o quero indo para um lugar no meio do nada com pessoas não confiáveis.

-É apenas um acampamento, um estudo. Vou passar o recesso de fim de ano lá e se não gostar eu não preciso voltar nas férias. Apenas um estudo. A mãe não nos colocaria em tanto risco.

-E se...-Sirius engoliu em seco- E se no recesso, onde eles se apresentam, for apenas um estudo, mas quando você decidir aderir se tornar algo... Reg, não vá. Por favor!

-Eu tenho minhas razões assim como teve as suas para sair daqui no meio de um ataque e deixar seu amigo se enfiar naquele inferno.

-Onde eles estavam?- Sirius mudou de assunto abruptamente- Walburga e Orion?

-Convenção do Ministério. Um evento em Cardiff.

-Pra quê?- ele deu de ombros.

-Não me falaram. Apenas disseram que era um evento de suma importância. Por isso a mãe foi junto. Ela levou uma mala, passaram dois dias por lá. A mãe e a tia estavam falando de vestido durante toda a semana então capaz que seja verdade.- Sirius meneou a cabeça negativamente.- Lembrei! Celebração de posse do novo ministro. Informal, ainda não foi divulgado oficialmente...Nos meios...Profeta Diário.- Sirius cruzou as mãos embaixo do queixo e arqueou as sobrancelhas.

-Rosier.- Murmurou completamente aturdido.

-Não sei. Fudge está saindo por problemas nos nervos. Foi anunciado no Profeta, lembra?- Sirius negou, estava tão preocupado com Southhampton que esqueceu de ficar atento aos jornais.- Sabe aquela revista, O Pasquim?

-Com as teorias da conspiração?- Regulus assentiu- Não são um bando de malucos?

-Bem, eles disseram, antes do Fudge renunciar, que estavam ameaçando-o e que ele renunciaria colocando alguém duvidoso no poder. Que o mais cotado seria nosso pai. Talvez nossos pais tenham ido esperando uma promoção, mas foi politicamente melhor colocarem Rosier e deixar o pai como chefe de execução das leis mágicas.

-Mas o pai foi transferido para departamento de leis internacionais. No lugar dele quem tinha ficado era o Rosier.

-Sim. Mas vai ver colocaram outra pessoa de confiança no cargo que era do pai. – Sirius sentiu a cabeça pulsar.

-Orion já está em casa?- Regulus negou- Então vamos até o escritório.

-Ele odeia que entrem lá. Apenas Monstro pode entrar.

-Regulus! Isso é importante!

-Por quê?- Sirius levantou e andou até a porta. Olhou para o irmão de cenho franzido.

-É nossa liberdade que está em jogo.

-Não está sendo extremista?

-Você viu, da janela do meu quarto.- apontou para a janela de Regulus- O que aconteceu dois dias atrás. Não me venha dizer que o extremista sou eu.

-Você está me assustando.

-E medo é normal diante uma guerra.- Regulus engoliu em seco- Vai me ajudar?- o mais novo assentiu e levantou.

Os irmãos seguiram sorrateiramente até o andar debaixo e foram para a porta do escritório do pai. Tentaram abrir, mas estava trancado.

-Nenhuma surpresa.- Sirius murmurou puxando a varinha e murmurando um feitiço. A porta abriu fácil demais. Regulus arqueou a sobrancelha- Fica aqui e se o pai chegar começa a bater na porta e gritar comigo.

-Pra quê?

-Sei lá, algo como "Sirius me devolve minha coleção de qualquer coisa chata que eu tenha".- Regulus meneou a cabeça negativamente.

-Por que eu não bato na porta e você saí pela outra entrada?

-Tem outra porta?- Regulus assentiu.

-Obviamente e saí na sala de lazer. Cuidado.

-Ok.

-O que exatamente vai procurar?

-Tic tac.- Sirius advertiu e entrou fechando a porta atrás de si. Respirou fundo e olhou em volta. O que estava procurando? O que deveria descobrir? Suspirou e andou até a mesa que ficava no centro da luxuosa sala. Engoliu em seco. Mexeu nas gavetas, estavam cheias de papéis. Mexeu neles, lendo-os. Despesas da família, despesas pessoais, contratos de imóveis. Franziu o cenho. Fechou as gavetas e começou a mexer na papelada dentro de envelopes. Era trabalho do ministério, leis para ler e aprovar. Nada que ele já não sabia. Coisas absurdas que estavam sendo aprovadas atualmente. Se afastou da mesa e cruzou os braços, franziu o cenho olhando em volta.

-Pensa, pensa.- sussurrou. Infelizmente ele não era tão brilhante quanto Mellani e não tinha nenhuma ideia fascinante do que poderia achar ali. Esfregou os olhos. – Que inferno.- voltou para perto da mesa, lendo de maneira mais atenta aos papéis e contratos. Voltou para as gavetas pegando os contratos de imóveis. - Por que tanto lugares em nome dos Black?- Sirius olhou para aqueles contratos. Eram antigos, nada que incriminasse uma nova sede ou o que quer que fosse. Eram propriedades que estavam na família há pelo menos duas décadas. Era meio óbvio que ele não deixaria nada ali. Saiu do escritório pela porta que entrou. Regulus o olhou curioso.

-Então?

-Não consegui nada. Não sei, parece que estou deixando passar algo, mas...Não tem nada ali.- Regulus deu de ombros e Sirius notou que ele queria muito sair dali antes que os pegassem. – Vamos. Não tem nada aqui.- voltaram para cima. Ficaram conversando até a hora do jantar.

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Sirius tinha um problema com seu pai. Um problema desde que começou a entender mais as coisas. Ele não o tolerava, não o entendia e não o respeitava. E o nojo pelo mais velho apenas agravou na idade adulta. Sirius não tinha uma única lembrança de seu pai lhe dando um carinho, nem mesmo quando era pequeno. Ele suspeitava de que o homem nunca o tinha pego no colo. Nem ele e nem Regulus. As únicas vezes que o homem lhe falava era pra brigar, rebaixá-lo, fazê-lo se sentir inadequado e todas as vezes que o Orion o tocou foi de um jeito violento. Fosse pegando no seu braço de maneira dolorida para fazê-lo subir as escadas ou sair de seu caminho ou para agredi-lo. Cada mínima lembrança que Sirius tinha do mais velho era coberta e recheada do mais puro desprezo e desrespeito.

Era por isso que aquela noite estava tão difícil. Estava impossível jantar na mesma mesa que o homem e disfarçar seu desagrado. Orion estava sentado na ponta da mesa e fez questão de fazer Sirius sentar ao seu lado. Lugar que geralmente Regulus ocupava, bem de frente para a mãe.

-Algum problema na família que eu não esteja sabendo?- Orion perguntou, a voz dele fez o braço de Sirius arrepiar de raiva. – Tirando o fato de meu primogênito ter se arriscado em meio a um ataque por causa de um rabo de saia?- Sirius ficou com os ombros tensos e largou o garfo cheio de comida no prato. Regulus e Walburga pararam de comer e encaram aos dois, uma tensão dominou o recinto. Apenas os quatro Black estavam em casa aquela noite. – Sirius, sua mãe me disse que saiu de casa, em meio a um ataque, para ver uma garota. Que história é essa?

-Você já sabe a história.- falou levando o copo de suco até a boca e arqueando a sobrancelha até o limite. No segundo seguinte o copo do Maroto voou longe e aturdido Sirius notou que o pai tinha dado um safanão no objeto. Sirius arregalou os olhos e ficou boquiaberto, olhando para a mesa. A voz baixa e irritada do homem soou de maneira dura:

-Essa é a minha casa, você faz parte da minha família, deve respeito, não falará comigo feito um delinquente. Caso contrário o farei aprender a se comportar, entendido?- Sirius franziu o cenho e fitou a mesa. Ele não era mais um adolescente com medo do pai, ele era um homem adulto, mas aquela sensação de sua infância, de sentir tanta raiva e impotência perante aquele homem, aquilo o fez paralisar. – Agora, o que aconteceu?- Sirius ficou calado, encarando a mancha de suco que espalhava pela toalha branca. Seu peito começou a subir e descer e ele tentava fazer algo, qualquer coisa, mas era como se tivesse voltado a ter 6 anos e ouvisse seu pai ameaçá-lo de novo- Me responde.- Orion falou aproximando mais o rosto do dele e trincando os dentes. A raiva borbulhou, igual quando tinha 16 anos. Engoliu em seco- Me responde agora! Eu sou seu pai e estou ordenando- e segurou o pulso dele. Sirius puxou bruscamente e encarou o pai com os olhos arregalados selvagemente- O que aquela ordinária te falou em? Pra você sair correndo assim no meio de um ataque? Em? Seu moleque petulante.- Sirius levantou no segundo seguinte, explodindo de raiva. O barulho da cadeira soou alto no recinto. O Maroto puxou a gola do pai com força e rosnou com muito ódio:

-Cala essa boca, cala essa sua maldita boca. Nunca mais fale dela, nunca mais fale como se ela fosse uma das vagabundas que dormem na sua cama. Nunca mais toque em mim ou em meu irmão ou cortarei sua garganta enquanto estiver dormindo.- cerrou os olhos e no segundo seguinte sentiu um soco no olho. Toda a raiva passou, dando lugar a desespero descrença. Ele tinha apanhado de Orion novamente. Sentiu o corpo tremer quando o pai lhe deu um chute e caiu no chão. O homem iria lhe bater de novo, mas Regulus se colocou no meio, levando um tapa forte no rosto. Sirius não viu muita coisa enquanto tentava levantar do chão, se sentia zonzo. Ele ouviu gritos e coisas quebrando e depois Regulus lhe ajudando a levantar. Não conseguia abrir o olho esquerdo.

Saiu da sala de jantar e foi para seu quarto ainda aturdido. Era como se fosse criança de novo, mesmo depois de ter vivido toda uma vida e viver mais outra. Era como se toda a impotência voltasse. Tudo de novo, sua mãe parada, vendo Orion descontar a raiva neles, deixando. Seu peito começou a subir e descer com raiva. Encarou Regulus enquanto as lágrimas começavam a cair, seu olho esquerdo não abria e doía. Fungou e gritou:

-Como pode defendê-la ainda?- não sabia que sua voz estava rouca até se ouvir gritar- Como pode...-não conseguia falar, apenas arfava e ficava mais raivoso. Como tinha se deixado intimidar daquele jeito? Como tinha se deixado bater feito um menino de 6 anos? Como pode regredir tanto em apenas alguns minutos sentado ao lado daquele homem? Levou a costa da mão a boca e encarou Regulus com angustia e nojo enquanto meneava a cabeça negativamente- Ela não está nem aí!

-Sirius. Se acalme.

-Eu vou matá-lo. Eu vou matá-lo! Cortarei a garganta enquanto ele dorme.

-Então irá para Azkaban.

-Eu já estive no inferno antes e vou te falar!- Sirius gritava, descontrolado- O diabo tem a cara do nosso pai!

-Sirius!- Regulus o segurou pelos ombros e só então o Black mais velho notou que andava de um lado para o outro- Se acalma.

-Eu não posso ficar aqui! Eu não posso!- começou a andar cegamente pelo quarto, pegando as roupas e enfiando no malão.- Eu não aguento mais. Esse homem...Ele...-soluçou, sem conseguir mais segurar deixou as lágrimas caírem- Olha o que fez comigo!- apontou para o olho que doía- Olha só no que me reduziu! Eu não sou assim, eu não sou...Eu vou matá-lo! Vou matá-lo! Quero ver a vida saindo dos olhos dele!

-SIRIUS!- Regulus gritou com desespero- Por favor, pare.

-Não vou mais tolerar. Não vou. Eu não sei qual seu problema. Não sei porque aguenta isso. Não sei...

-Sirius!- os irmãos olharam para a porta e viram Walburga parada e de braços cruzados. Ela andou até ele- Pode ir para os Potter, os dois. Podem ficar lá até o fim das férias. Só, por favor, espere seu pai viajar. Ele saí daqui dois dias.- Sirius a olhou com raiva e ela se aproximou mais, segurando o rosto dele. Sirius desviou com um movimento brusco para trás. Ela entregou um pano a ele embebido em algum líquido estranho- Vai curar. É só passar de meia em meia hora que no dia seguinte saiu tudo.

-Não quero! Eu quero que doa, que fique roxo, pra eu me lembrar o tipo de pessoa que você deixa morar conosco!- Walburga fechou os olhos e largou o pano em cima da cama. Assim que ela saiu Sirius pegou o retalho e encostou no olho, sentiu um alívio imediato. – Você vai?- Perguntou sentido a garganta trêmula. Tirou o pano do olho e este abriu, sem dor.

-Não.- Sirius o olhou incrédulo- Preciso ficar.- o Maroto voltou a enfiar as roupas apressadamente na mala, sem conseguir ficar parado.

-Por quê?!- seu tom ofendido saiu sem perceber.

-Ela é nossa mãe. O pai saí em viajem daqui dois dias, mas volta em cinco.

-E? Acha que ele vai fazer o que com ela?

-Eu vou ficar.- Regulus disse de maneira mais dura.- Pode ir. – Sirius ficou com raiva. Estava tão ferido por dentro e seu irmão parecia preferir ficar com a mãe, que nada fazia para ajudá-los, a ir com ele para a casa de James.

-Eu não consigo te entender.- falou com nojo. Regulus assentiu e murmurou:

-Eu te amo Sirius. Muito. –o moreno encarou o irmão, parou de andar e enfiar roupas na mala.

-Mas?

-Mas nós teremos que trilhar caminhos diferentes, uma hora isso vai acontecer. É o nosso destino.

-Não.- Sirius sentiu a voz tremer e irritou-se por isso- Não me venha com essa. Não me venha colocar no destino a culpa por uma escolha errada sua! Nossa vida é uma sucessão de escolhas...

-Então cuidado com as suas.- o mais novo respondeu cortante. Sirius bufou, sentindo-se traído, e disse com a voz indignada:

-Saí daqui.- não precisou pedir duas vezes. Seu irmão o deixou sozinho.- O caralho que fico aqui mais dois dias!- estava sentindo-se ridículo por hiperventilar daquele jeito. Não queria sentir-se tão fraco, tão impotente. Ele faria o que sabia fazer de melhor: correr, fugir, fingir que nada lhe atingia quando tudo estava lhe esmagando por dentro. Deixou o menino de 16 anos dentro de si ditar todas suas ações. Fechou o malão e começou a descer as escadas com raiva. Sua mãe apareceu.

-Onde vai?

-Não me impeça!- gritou irritado e ela parou no final das escadas, de braços abertos.

-Não sairá dessa casa!- a mulher parecia quere rchorar a qualquer momento.

-Me deixa ir. Não posso ficar mais um minuto se quer embaixo do mesmo teto que aquele monstro.

-Não vai sair assim, essa hora da noite, pra se debandear para os Potter em transporte trouxa!- Sirius sentiu tanta raiva no momento que a olhou com toda a dor e revolta que sentiu durante toda a vida.

-EU TE ODEIO!- gritou e levantou a mão para passar no cabelo, mas no movimento de levantar o braço sua mãe se encolheu, com muito medo. Sirius arregalou os olhos e empurrou o braço dela, saindo de perto.

-VOLTE JÁ!- gritou.

-NÃO!- gritou de volta e começou a correr até a porta. Sentiu um feitiço lhe atingir e sua mala ficou tão pesada que ele não conseguia mais puxá-la- ME-DEIXA-IR!- rosnou gritando a todos pulmões.- Por que não quer me deixar ir?- continuou gritando. Largou o malão e andou até sua mãe- Você quer que eu me case com a Mellani, não é? Estou fazendo o que quer, estou seguindo seus planos!- riu indignado- EU SÓ QUERO IR LÁ NOS POTTER E FODER COM ELA ATÉ ESQUECER QUE VOCÊ É MINHA MÃE! –Gritou a frase em plenos pulmões. Walburga lhe deu um tapa muito forte no rosto e Sirius virou o rosto. O silêncio imperou. Quando ele voltou o rosto para a mãe a viu de olhos arregalados e mão na boca.

-Sirius, eu...Sirius...

.ir.- pontuou sentindo que estava prestes a quebrar. Poderia fazer qualquer coisa, qualquer coisa se ela não o deixasse ir naquele momento. Ela desfez o feitiço na mala e ele deu as costas indo em direção a porta.

-Você já me odeia mesmo.- ela gritou- Isso não vai fazer diferença.- ele a ignorou e saiu. A cabeça estava girando. Como podia se deixar levar daquele jeito? Apontou a varinha para a rua e alguns minutos depois, que lhe pareceram horas, o nightbus apareceu. Ele entrou e deu o endereço dos Potter. O ódio era tão grande em seu coração, tão grande, que não conseguia pensar em mais nada a não ser no sentimento ruim que travou sua garganta.

Subitamente seus pensamentos pararam, se concentrando apenas em Harry. Sirius se sentiu envergonhado, estava agindo como um garoto de 13 anos. Tinha feito a mesma coisa que seu afilhado fez na primeira vez que o viu. O menino tinha saído de casa, numa situação perigosa, no meio da noite, porque brigou com gente que já odiava.

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Sirius chegou na casa dos Potter quase uma hora da manhã. Chamou na campainha e sentou no malão, esperando. Ninguém atendeu e ele chamou de novo. Algum tempo depois a senhora Potter apareceu no portão.

-Sirius! O que houve querido? Meu deus, está tudo bem? Seus pais?- abriu o portão e puxou-o para dentro.

-Como sabia que era eu?- perguntou confuso e suspirando quando a mulher o abraçou.

-Temos um feitiço de identificação. Céus! Quer me matar de preocupação? O que aconteceu?

-Orion.- Margaret se calou no mesmo instante. Ela tinha convivido com seus pais durantes alguns anos, ela sabia quem era Orion.

-Deixaram você vir?- Sirius negou e a olhou quase chorando.

-Por favor, não me manda de volta.

-Não querido, não mandarei. Venha. –Sirius assentiu e a seguiu- Quer tomar um banho? Comer algo?- Foi então que o Black percebeu o quanto estava faminto.

-Se eu puder comer algo.- ao entrarem na casa, após andarem pelo imenso jardim, a senhora Potter arfou.

-O que aconteceu com você?! – ela estava horrorizada. Sirius sentia o olho esquerdo pulsar novamente e começar a fechar. O efeito da poção devia ter passado há um tempo. - Deixe-me ver esse rosto. Hum, que feio. Tudo bem, tenho uma poção que pode ajudar. Oh querido.- ele suspirou- Deixe a mala aí, nosso elfo pega pela manhã. Sinto muito, não conseguirei tirar o roxo, mas a dor diminuirá. Deixe-me ver.- segurou o queixo de Sirius e o fez olhar para a luz. Ele sentiu o olho lesionado doer com a claridade- Vamos, venha comer algo. – Sirius a seguiu, querendo apenas esquecer aquela noite horrorosa.

N/A: Aí! Aí! Que ficwriter má! Que pessoa ruim que sou! Tadinho do Sirius. E aí, o que acharam? Eu fico muito tensa com esse capítulo, Sirius está tendo os traumas de infância cutucados, tá difícil para o Black mais lindo da Inglaterra segurar essa barra. Espero que tenham curtido. Me mandem suas opiniões. Beijos até a próxima atualização.