Notas: Aleluia! Mais um capítulo pronto antes do fim do ano! Feliz ano novo para todos vocês! Sobre esse capítulo, resolvi escrevê-lo todo do ponto de vista do Harry. Ou seja, é um resumão de tudo o que o Harry andou sentindo durante esse tempo todo que passou com o Draco! Espero que gostem! Beijos pra todos vocês!
Capítulo 25
Harry
Era final de janeiro e as pilhas de papéis em cima de sua mesa chegavam quase até o teto. Certo, ele estava exagerando. Um pouco. Mas não era exagero dizer que as pilhas só não desabavam porque sua secretária lançara nelas um feitiço para segurá-las no lugar alguns dias antes.
Burocracia era o que Harry mais detestava no seu trabalho, e ela vinha se acumulando exatamente por esse motivo. O que ele realmente gostava, o que fazia seu sangue ferver, era partir para a ação. Mas sendo o chefe do Quartel dos Aurores, sua missão era muito mais delegar a ação e se preocupar com a parte burocrática. Harry só assumia uma investigação quando o risco era alto demais, e sua experiência e técnica eram exigidas pelo Ministro da Magia em pessoa. Como no caso dos Poderosos e da Gangue dos Bruxos.
Harry suspirou e recostou-se na cadeira. Estava exausto. Aquele trabalho nem fora o mais difícil de sua vida, ou o mais perigoso. Mas era incrível como sua vida havia mudado por causa dele.
Lembrava-se perfeitamente do dia em que Shacklebolt havia lhe pedido que assumisse o caso pessoalmente, e a forma como Gina havia olhado pra ele no jantar quando lhe contara sobre o fato. Um olhar de resignação.
Em todos aqueles anos de casado, Harry e Gina quase nunca brigaram. Tinham discussões como todo casal, mas nunca haviam levantado a voz um para o outro, nem ido dormir sem antes fazerem as pazes. A única coisa que realmente irritava Gina era quando Harry se afundava no trabalho, e mesmo aí ela conseguia ser incrivelmente compreensiva. Ou assim Harry pensava.
Ele devia ter percebido que as coisas haviam mudado entre eles. A forma como ela andava reticente e distraída. O fato de que, embora partilhassem a mesma cama, já não faziam amor há muito tempo.
Hermione sempre havia lhe dito que, quando o assunto era o seu coração, Harry era um completo babaca. Ela tinha razão. A verdade era que Harry nunca havia sido um homem arrebatado pela paixão. Ele com certeza amava Gina, e sempre a amaria. Mas era muito mais um carinho do que uma paixão avassaladora. Sempre fora assim. Ele só demorara a perceber como aquilo machucava sua esposa.
Ela vinha tentando conversar com ele por algum tempo, mas Harry sempre adiara aquilo que já era óbvio para a família toda, menos pra ele. Eles se amavam e, no entanto, não era o bastante. Gina queria mais, e Harry não conseguia dar a ela o que ela queria. Ela queria fogo e paixão, e acabara indo procurar consolo nos braços de seu colega de trabalho, um ex-jogador de Quadribol metido a besta que não chegava nem aos pés de Harry.
Quando a ficha finalmente caiu, Harry ficou furioso. Sua vontade era de procurar o desgraçado e ensinar-lhe a não mexer com a mulher dos outros. Ron inclusive o incentivara, e somente Hermione e seu bom-senso o havia impedido de fazer uma besteira.
A grande conversa com Gina fora extremamente dolorosa para ambos, mas pelos filhos e pela família, Harry decidira dar uma nova chance ao casamento. Não se destruía uma vida toda juntos de uma hora para outra. Ele também tinha sua parcela de culpa na história e sentia-se um fracasso como homem. Prometera a si mesmo se dedicar mais à relação dos dois, mostrar mais paixão, mais arrebatamento.
Harry deu uma risadinha cínica. Passara as férias de verão inteiras se perguntando por que não conseguia sentir-se arrebatado pela própria esposa. Ele a amava. Tinha ciúmes dela. Porém, seu amor era sereno. E o que havia de errado com isso? Não era isso o verdadeiro amor?
Pouco antes de Tiago e Alvo irem para Hogwarts, a família se juntou para um grande almoço. Harry se sentira em paz. Tudo parecia perfeito. Até Hermione sentar-se ao seu lado e ter uma conversa franca com ele. E pior, dar razão a Gina.
De acordo com Hermione, o único momento em que ela vira Harry realmente agir com paixão era quando brigava com... Draco Malfoy. Ela o fez voltar ao passado e relembrar de cada momento doloroso da relação entre eles. De cada palavra ácida, de cada olhar cheio de raiva, da obsessão que Harry chegara a sentir por ele no sexto ano. Harry até mesmo guardara a varinha de Draco.
Não, ela não estava dizendo que Harry era apaixonado por Draco Malfoy. Só estava lhe dizendo que toda aquela energia empregada odiando Draco havia sido a única vez em que Hermione realmente vira Harry tão entregue a um sentimento. Tão envolvido por alguém que não fosse Voldemort.
Então Draco passou a ser o personagem principal dos seus pensamentos. A princípio as lembranças de Harry o deixaram com uma raiva absurda, o que não fazia mais sentido nenhum. O passado já não mais importava. Draco seguira com sua vida e Harry com a dele. O único que ainda lhe causava dores de cabeça de vez em quando era Lucius Malfoy, mas notícias sobre Draco eram curiosamente esparsas.
A raiva deu lugar à ponderação. Realmente, Draco sempre despertara nele emoções incontroláveis. Só de pensar nele seu sangue já fervia. Tanto tempo havia se passado. Ele não conseguia imaginar Draco como um amigo, mas já devia tê-lo perdoado. Afinal de contas, Draco fora apenas um garoto mimado preso numa realidade que nunca nem imaginara. Ele fora vítima das circunstâncias. Vítima de uma família insana e ambiciosa. Harry vira a dor nos olhos de Draco durante a guerra, e também vira o medo. Draco não tinha mais nenhuma importância. Certo?
Mesmo assim, só de pensar em reencontrar Draco sentia-se extremamente inquieto. E naquele turbilhão de emoções que ele não conseguia entender, houvera aquela fatídica troca de olhares entre eles na Plataforma Nove ¾, e o mundo de Harry desabara.
Ele ficara chocado com a palidez anormal de Draco. Mais do que isso, mesmo a certa distância, Harry podia ver que os anos não estavam sendo generosos com seu antigo inimigo. Ele parecia doente, derrotado. Mesmo que ainda mantivesse a pose altiva dos Malfoys, esta parecia forçada. O coração de Harry ficou apertado. Sua curiosidade foi a mil, assim como seu coração quando os dois trocaram olhares. E foi aí que Harry finalmente conseguiu entender o que Hermione quisera dizer naquele dia. A forma como o olhar de Draco o queimou por dentro deixou-o atordoado. Ele não conseguia entender como um simples olhar podia deixar uma impressão tão forte em todo o seu ser.
Harry descobriu então que realmente precisava de um tempo sozinho para descobrir o que diabos seu coração queria. Uma semana depois, ele saiu de casa. Gina, como sempre, foi mais forte do que ele. Harry demorou a se acostumar com o vazio do novo apartamento de dois quartos que alugara em Londres. O pior fora ter que explicar as coisas para a caçula Lili. Seu coração se partira em tantos pedaços que ele achara quase impossível conseguir emendá-lo.
Felizmente, as crianças têm um poder tremendo de recuperação. Lili se acostumou logo com a nova realidade, especialmente quando Harry lhe deu um celular e lhe disse que ela poderia entrar em contato com ele sempre que precisasse e 'papai viria correndo'. As idas de Lili para Londres também eram freqüentes, e a saudade foi atenuada um pouco.
A família Weasley sentiu muito por eles. Harry para eles era como um filho. Molly e Artur lhe garantiram que Harry já era da família, e mesmo que ele e Gina estivessem separados, isso não mudaria.
Explicar as coisas a Tiago e Alvo havia sido bem mais difícil, e dos três, Tiago fora o mais afetado. Ele se recusava a aceitar a situação e andava bem mais rebelde do que o usual.
Pelos filhos, Harry decidiu pensar muito bem no que fazer do casamento. Não tinha tanta certeza de que o divórcio era a melhor solução. Considerara até mesmo terapia de casais. Mas com tão pouco tempo disponível, a idéia foi logo esquecida.
Harry, como era de seu feitio, se afundou no trabalho. As coisas entre o Grupo dos Poderosos e a Gangue dos Bruxos andavam fora de controle. Seus informantes, Lucius Malfoy sendo um deles, andavam lhe deixando no escuro. Sua palestra na Mansão Junian viera a calhar.
E por uma daquelas ironias do destino, Draco estava lá. Irônico porque, de acordo com os relatórios sobre o Clube dos Esnobes Bruxos, Draco era um membro ausente. Ele não deveria estar lá, mas estava. E mais uma vez, Harry foi tomado pelas mesmas emoções de sempre, e mais. Porque quando ele vira Draco tão fragilizado em seus braços, ele sentira uma vontade louca de protegê-lo. Era absurdo. Draco Malfoy não precisava de sua proteção. Pelo menos ele pensava que não.
Conforme Draco foi se envolvendo cada vez mais na investigação, Harry começou a achar que ele tinha algo a ver com os Poderosos. Não era possível que Draco fosse um cordeirinho. Ele nunca havia sido. Quando Alfred e Angel entraram na vida de Draco, Harry recusara-se a achar que fosse apenas coincidência. Draco não estava na Travessa do Tranco como um passante inocente. Muito pelo contrário. Mas Harry nunca havia imaginado que Draco estava do seu lado, procurando informações para ele. Era tão surreal que Harry nem sabia como encarar a questão.
Ele pedira uma investigação sobre Draco. Queria saber se a entrada dele na sua vida fora mesmo mera coincidência ou um plano arquitetado pela mente insana de Lucius Malfoy.
A investigação levara a nada. Draco agora era um recluso. Quase nunca deixava a Mansão. Estava em tratamento com um psiquiatra bruxo, e estava perdendo sua magia. Aquilo para Harry fora o mais chocante. Ele nunca havia ouvido falar de algum bruxo que deixasse de ser um. Que aquilo estivesse acontecendo a um Malfoy, uma família que prezava o sangue puro acima de tudo...
Entre a investigação, seu casamento estremecido e Draco Malfoy, Harry achou que fosse ficar maluco. Seus encontros com Draco eram sempre intensos. Não que ele deixasse o outro perceber. A gama de sentimentos que assolava Harry a cada olhar trocado entre eles era avassaladora. Mais perturbador ainda fora perceber que Draco sentia-se tão abalado quanto ele.
Raiva, ressentimento, dor, e finalmente, desejo. Sua vontade de ferir Draco era crescente, assim como a vontade de tê-lo em seus braços. A primeira vez que o vira tocar piano, Harry sentira uma parte do muro que erguera para se proteger de Draco desabar. Aquele Draco tão humano, tão frágil, conseguira tocar seu coração.
Harry viu-se cada vez mais confuso. A esposa de Draco apenas o deixou ainda mais perdido. Astória Malfoy não era nada do que Harry esperava que fosse. Ela era discreta, mas vivia lhe dando indiretas quando Draco não estava por perto. E a cada palavra aparentemente inocente dela, Harry se pegava prestando mais e mais atenção a cada gesto de Draco, a cada olhar em sua direção.
Seria possível que Draco Malfoy fosse apaixonado por ele? Seria possível que Harry sentisse o mesmo? Harry bem que tentou deixar aquela loucura de lado, mas via-se a cada dia mais envolvido por Draco. Harry descobriu que gostava de provocar o loiro, e que realmente, ficar perto de Draco o deixava mais vivo.
Hermione tinha razão. Para o bem ou para o mal, Draco despertava nele a paixão avassaladora que Harry tanto queria sentir por Gina. Quando Draco o beijou pela primeira vez, aquilo ficou ainda mais aparente. Harry sentiu-se tentado a mandar tudo para o alto, a enlaçar o loiro nos braços e beijá-lo até deixá-los sem fôlego. Mas só o que conseguira fora mandar Draco para o hospital por exaustão mágica.
Harry sentira-se culpado. Hermione lhe garantira que era muito improvável que o problema de Draco tivesse alguma coisa a ver com Harry e o fato dele ter tomado a varinha do loiro pra si. A varinha que ele ainda tinha. Para desencargo de consciência, Harry decidiu devolver a varinha para Draco. A luz radiante nos olhos acinzentados de Draco quando ele finalmente a tomara de Harry deixara o moreno sem fôlego. Por alguns instantes o loiro recuperara sua força interior, aquele lado maroto que tanto atraía Harry. Fora aquele sorriso e aquele olhar, mais do que sua missão, que fizera Harry enlouquecer e pedir para ficar na Mansão.
Na sua primeira noite na Mansão Harry descobrira duas coisas. Uma, que o relacionamento entre Astória e Draco decididamente não era a de um casal normal. Os dois dormiam em quartos separados e em alas separadas. Ainda assim, os dois pareciam compartilhar uma grande amizade e respeito. Harry ficara ainda mais confuso.
Sua segunda descoberta: ver-se nu na frente de Draco e tê-lo comendo-o com os olhos deixara Harry tremendamente excitado, a ponto dele não mais poder mentir pra si mesmo nem se quisesse. Teve que usar todo o seu autocontrole de Auror para não demonstrar exatamente o quanto ele desejava tomar Draco nos braços naquele momento.
Também ficara evidente que Draco o queria, e sua preocupação com Harry era genuína. O toque de Harry no rosto de Draco deixara a ambos trêmulos. Ele não pudera evitar. Não com Draco olhando-o daquela forma tão doce e ao mesmo tempo tão intensa.
Se não fosse o telefonema de Lili naquele exato momento, Harry provavelmente teria mandado seu rígido controle às favas.
Ver Draco tão debilitado uma segunda vez deixou Harry fulo da vida. Ele não conseguia entender como Draco podia ser descuidado com a própria saúde. Era como se ele estivesse se auto-punindo.
Ele devia ter se afastado naquele dia. Mas Draco era como um ímã. Harry acabara voltando. Eles acabaram discutindo. E Draco acabara beijando-o.
- Eu quero você. Só você. – ouvira Draco confessar para seu desespero.
Pela segunda vez, Harry deveria ter fugido. Ele até que tentou, mas as palavras de Draco ficavam ecoando em sua mente até que ele já não agüentasse mais. Por isso Harry teve que voltar. E tinha vergonha de se lembrar como atacara Draco como um animal selvagem. Era como se seu desejo tivesse ficado adormecido por tanto tempo que, depois de ouvir a palavra mágica, ficara impossível contê-lo.
Draco não reclamara. Pelo contrário. Aceitara Harry com todo o seu ser, o que fizera tudo ficar infinitamente melhor... e infinitamente pior também. Porque depois de provar o fruto proibido uma vez, ficava difícil não querer provar novamente.
Ele até havia se surpreendido com si mesmo. Harry nunca havia feito sexo com outro homem, nem de maneira tão selvagem.
Fez uma careta. Na verdade, ele só havia feito sexo com uma pessoa em toda sua vida. Gina.
O que ele sentira nos braços de Draco era bem diferente do que ele sentia quando estava fazendo amor com Gina. Harry acordara com a mente em polvorosa, assim como seu coração.
De uma coisa tinha certeza. Seu casamento com Gina não podia mesmo continuar. Harry já não podia negar a grande atração que sentia por Draco. Nem queria.
Só que havia muita coisa em jogo. Harry estava se envolvendo demais com Draco e esquecendo que havia um trabalho bastante delicado pela frente.
- O nobre Harry Potter. Trabalho em primeiro lugar. – Draco havia lhe dito como uma acusação.
Era verdade. Mas naquela situação, não podia ser diferente. Draco estava envolvido. E Harry estava envolvido por ele. Aquilo não era nada bom. Se Harry não se afastasse, se não focasse no que tinha que fazer, perderia tudo, inclusive Draco. O idiota estava fragilizado e ainda assim tentava bancar o forte na frente dele. O loiro era tão teimoso que acabou driblando a segurança da Mansão e partindo para o Egito sozinho, deixando Harry fulo da vida.
Harry realmente não queria Draco envolvido em tudo aquilo. Os dias que passaram juntos viajando lhe deixaram mais certo disso. Mas o loiro era tão cabeça-dura e estava tão disposto a ajudar Harry que o moreno não tinha mais argumentos contra ele. Além disso, Draco era peça principal na sua busca pelo Livro dos Mortos, quer ele quisesse ou não.
Tentara com todas as suas forças focar toda a sua energia na missão que tinham pela frente. Por alguns dias ele até conseguira. Resistir a Draco, porém, não era tarefa fácil, especialmente quando os dois tinham que conviver tão próximos. E como era possível não se apaixonar cada vez mais quando tudo o que Harry conseguia enxergar era o loiro tentando se redimir?
Draco se confessara no pior momento possível. Mas era incrível como o coração de Harry se enchera de alegria ao ouvi-lo dizer que o amava. Seu medo era que eles perdessem o foco. Já haviam chegado tão longe. Harry não podia deixar que eles se distraíssem de maneira nenhuma. Qualquer distração que fosse poderia lhes custar a vida, mesmo Draco tendo tomado a poção da sorte.
Então o idiota fizera algo que Harry nunca imaginara que ele faria. Draco se oferecera como sacrifício, literalmente. Quase morrera por ele. Tudo para ajudar Harry.
O sentimento de culpa quase esmagara Harry nos dias que se sucederam. Sabia exatamente de cada boletim médico sobre o estado de Draco, embora não pudesse visitá-lo pessoalmente. Sabendo que Lucius Malfoy estava por perto, Harry acabou pedindo ao Dr Rupert que mantivesse sigilo sobre seu interesse.
Após recuperarem o Livro dos Mortos, o caso contra os Poderosos acelerou, e Harry precisou se afastar da Inglaterra para resolver o assunto de uma vez por todas. Já passara da hora. Com a ajuda de Hermione e Rony, Harry finalmente conseguira as provas de que precisava para mandar os cabeças da operação do Grupo dos Poderosos para a prisão. Não que fosse ser fácil. Com a ajuda de Hermione, eles estavam armados de todas as medidas legais possíveis para fazer com que os líderes do bando ficassem por muito tempo atrás das grades.
Ao voltarem para a Inglaterra, Harry decidira encarar de uma vez por todas o divórcio. Gina ficara desapontada, mas aceitara sua decisão. A família Weasley também. Molly lhe garantira que Harry sempre seria seu filho.
E dos seus próprios filhos, Tiago ainda era o que mais preocupava Harry. A pior reação de todas foi a de Rony, especialmente depois de saber sobre Draco. Os dois não estavam se falando. Harry esperava que o amigo pudesse perdoá-lo um dia.
Encarar Draco também não seria tarefa fácil. Harry tinha pesadelos quase todas as noites com a Câmara que quase exigira em troca a vida de Draco. Seu coração pesava cada vez que se lembrava que Draco havia esgotado seus poderes mágicos naquela missão. Era tudo culpa de Harry, não era? Mesmo quando Rony insistia em dizer que era castigo divino, e que Draco merecia o que estava passando pelo que havia feito no passado.
Harry achava que era um castigo bastante cruel para um bruxo de uma família tão cheia de pompa como a dos Malfoys. Talvez na adolescência ele tivesse desejado que coisas bastante ruins acontecessem a Draco, mas não agora. Draco tinha o direito à redenção. Mesmo que ele tenha tentado contrabandear um filhote de dragão para o aniversário do filho anos atrás.
Harry sorriu ao se lembrar do episódio. Lembrava-se perfeitamente das desculpas esfarrapadas de Draco, do ar de desafio ao conversar com Harry, mas que ao mesmo tempo trazia um respeito que nunca estivera lá antes. Na época Draco ainda não parecia tão doente. Harry inclusive lembrava-se de como o achara atraente.
Riu ainda mais. Será que não fora exatamente naquele momento em que a semente da atração escondida pelo loiro começara a germinar?
Encontrar Draco em Hogsmeade na véspera de Natal fora uma benção e uma maldição. Benção porque vê-lo tão bem, tão saudável apesar da falta de magia deixara Harry um pouco menos aflito. Maldição porque não havia tempo suficiente para acertar as coisas entre eles. Mesmo assim, Harry não resistira a puxá-lo para si, a beijá-lo, a se confessar. E as coisas entre eles continuavam no ar, para desespero de Harry.
Harry soltou um palavrão. Não agüentava mais ficar preso dentro do escritório. Será que não tinha direito de se dedicar a sua vida pessoal ao invés do trabalho o tempo todo?
Passou as mãos pelos cabelos negros e densos, despenteando-os. A culpa era sua. Ele sempre dera prioridade ao trabalho. Talvez fosse hora de tirar uma longa folga.
A porta da sua sala se abriu e Hermione entrou. Os dois ficaram se olhando por algum tempo, depois sorriram.
- Como está Ron? – perguntou Harry.
Hermione fez uma careta.
- Fazendo drama. Mas ele vai sobreviver.
- Acha que ele vai voltar a falar comigo? – Harry perguntou num tom meio brincalhão, meio sério.
- Depois de tanto tempo e tantas coisas que passamos juntos, Harry, acha mesmo que ele vai conseguir não falar com você? – ela piscou. Aproximou-se dele e, como era de hábito, deu-lhe um abraço apertado. – Dê-lhe um pouco mais de tempo. Só isso.
Harry sempre havia adorado os abraços de Hermione. A amiga tinha o poder de deixá-lo calmo como ninguém.
- E você? – ele continuou.
Hermione olhou-o e o inundou com sua sabedoria.
- Acho que você deve fazer o que seu coração mandar, Harry. Gina também pensa assim.
O coração de Harry se apertou ao pensar em Gina. Ele havia lhe contado sobre Draco. Ela não parecera surpresa, mas também não ficara nada feliz em saber que o grande amor de Harry no final das contas era Draco Malfoy.
- Além disso, nós vamos ficar de olho em Malfoy.
Harry deu uma risada. Ele podia até imaginar.
- Ele está diferente. – Harry disse.
- Acredito em você. Fui eu quem te ajudei a investigar os últimos anos da vida dele, não? Sou expert em Draco Malfoy a essa altura. Mesmo assim, você é meu melhor amigo, Harry. Não quero que se machuque.
- Ele se machucou muito mais do que eu, Hermione...
- É. Quem diria... – Hermione sempre se impressionava quando se lembrava do sacrifício de Draco. – Nosso mimado bad boy que amávamos odiar acabou de uma maneira bastante diferente da que a gente imaginava.
- Ele tem melhorado. Ouvi dizer que já está conseguindo recuperar parte da sua magia. – Harry disse. – Dr Rupert me disse que ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas ele está bastante esperançoso.
- E o que você ainda está fazendo aqui? Por que não vai ver a melhora dele por si mesmo?
Harry até podia culpar o trabalho, mas a grande verdade era que estava com medo. Ir atrás de Draco e contar-lhe toda a verdade abriria uma nova etapa na vida de Harry. Ele não sabia se os dois estavam preparados. Harry estava num processo de divórcio. Draco ainda era casado com Astória, embora ele agora soubesse que os dois eram muito mais amigos que amantes. Havia tantas coisas a serem consideradas.
- Você lutou contra Voldemort e sobreviveu, Harry James Potter. Não se atreva a se acovardar a essa altura da vida. – ralhou Hermione para espanto de Harry.
- Não é covardia. É bom senso. E você é a única que parece estar 100% do meu lado.
- Dê tempo ao tempo, Harry. Vai ser difícil para Gina aceitar você com ele... E Ron... Bem... Você sabe como ele é.
- Eu não queria magoar ninguém.
- Não é assim que a vida funciona. A gente sempre acaba magoando alguém. E mesmo assim a vida continua. Você ama o Malfoy?
- Amo. – não era mais difícil para Harry admitir e aceitar que amava Draco. Pelo menos não para Hermione.
- Então... – Hermione deu-lhe um tapinha no ombro. – Vá atrás dele.
Mais fácil falar do que fazer. Porém, era o próximo passo. Já estava na hora.
Continua...
No próximo capítulo: o grande encontro!
