Não, eu não abandonei FS e nem vou abandonar. Só estava doente... explicações na nota final! Boa leitura. :)


Capítulo Vinte e Quatro – Freakshow

O quarto estava parcialmente escuro, ele não gostava de muita luz em seu campo de visão quando estava pensando. Sentou-se na cadeira e observou seu quarto lentamente. Fazia um bom tempo desde que estivera ali. As paredes ainda pareciam às mesmas, a cama arrumada do jeito que sempre requisitou, entretanto, olhando aquele lugar que foi sua casa por alguns anos, não lhe parecia mais seu lar. Por mais que tudo estivesse como sempre esteve, ele se sentia como se algo estivesse faltando. Ele sabia muito bem o que faltava ali. Ela. A mulher que havia aparecido do nada em sua vida, inocente como uma virgem, mas sedutora como o diabo e ela nem ao menos sabia disso. A mulher dos cabelos castanhos que contrastavam perfeitamente em suas mãos quando ele enfiava seus dedos pelos fios macios enquanto ambos faziam o melhor sexo que ele já havia experimentado. A mulher dos olhos redondos e castanhos, com cílios longos e um brilho de excitação por cada coisa nova que ela via e aprendia. Sim, o Cullen sabia muito bem que o que faltava ali para que ele pudesse chamar aquele lugar de lar novamente era ela, Isabella Marie Swan. Ele necessitava tanto dela que chegava a ser frustrante. Nunca havia entendido a necessidade que envolvia um relacionamento amoroso. Afinal, nunca havia se apaixonado por ninguém antes. Sempre colocara seu trabalho em primeiro lugar, nunca abrindo espaço em sua vida para relacionamentos reais e duradouros. Entretanto, no momento tudo o que ele conseguia pensar, era na necessidade de pegar um avião e voltar para Paris, para que pudesse ter a Swan em seus braços novamente. Queria despi-la com calma, como fizera da primeira vez em que dormiram juntos, queria tocar cada parte do corpo dela que seus lábios e mãos conseguissem alcançar. Queria sugar o lábio superior dela lentamente, apenas para vê-la fechar os olhos e soltar um gemido baixo de prazer. Queria também amá-la e adorá-la por uma noite inteira e então finalmente dizer a ela as três palavras que estavam presas em sua garganta. As três palavras que ele nunca imaginou dizer para ninguém, as três palavras que ele sequer se recordava de tê-las ouvido sair de sua boca alguma vez em sua vida.

Soltou uma lufada de ar, que ecoou no silêncio do quarto e levantou a taça de cristal preenchida com um pouco e vinho tinto do porto até os lábios. Fechou os olhos quando o líquido de cor vermelha desceu pela sua garganta e se permitiu soltar um gemido baixo ao mais uma vez pensar em Isabella. Vinho sempre fora sua paixão, sempre fora mais do que apenas um hobby. Porém agora sempre que tomava tal bebida, ele só conseguia se lembrar do quão sexy Isabella ficava ao degustar do mesmo. Certamente ela tinha um paladar apurado. A forma como ela fechava os olhos e fazia levemente um bico com os lábios enquanto a bebida tocava sua língua e ela apreciava o gosto alguns segundos antes de realmente engoli-la, era uma das coisas mais sexys que o Cullen já havia observado em toda a sua vida. Grunhiu, sabendo que não poderia ficar pensando muito nela, uma vez que ele precisava se focar em ir atrás de Louis Russeau N. e terminar de uma vez por todas aquilo que já estava se prolongando mais do que o necessário. Lançou um olhar para o relógio que havia no quarto, os números fortes na penumbra e constatou que por ser um pouco depois das nove horas da noite em Milão, Isabella certamente já estaria no jantar de comemoração de noivado de sua melhor amiga e companheira, Rosalie Hale. Ele queria poder estar ao lado dela naquele momento, mas sabia que não poderia. Ele tinha negócios para cuidar e realmente queria acabar logo com aquilo.

O quarto está vazio e frio sem você. Preferia ter você em meus braços ao invés de estar sozinho e tomando vinho no escuro. EC.

Bloqueou o celular, sabendo que não poderia enrolar mais e guardou no bolso novamente. Provavelmente Isabella demoraria a responder por estar ocupada com o jantar e com os convidados e além do mais ele realmente precisava andar logo. Jasper havia lhe dado às informações sobre onde ele deveria ir naquela noite. Seu melhor amigo sempre ficava responsável por esta parte, enquanto ele ficava responsável pela parte mais divertida: a finalização. Foi até seu closet, afastando suas roupas de uma das araras e então abriu a parede falsa, pegando ali tudo o que ele necessitaria para aquela noite. Louis não era um homem esperto e muito menos andava precavido, provavelmente mal saberia sobre o fato de Edward já estar em Milão para finalizá-lo. Então o Cullen não precisaria de muito. Pegou a pequena arma prateada, guardando-a em seu bolso, juntamente com uma pequena adaga, também de prata, apenas por precaução. Duvidava muito de que realmente fosse usar tal. Fechou a parede falsa novamente, recolocando as roupas na arara e retornou para o quarto. Pegou mais uma vez a informação do lugar de onde precisaria ir e repassou em sua mente os detalhes. Nada muito complicado. Louis havia saído da cidade, sozinho, enquanto seus dois filhos e mulher haviam ficado em casa. Não havia trazido seguranças uma vez que não foi esperto o suficiente para pensar na possibilidade de Edward aparecer ali. Seria algo fácil, rápido e indolor. Se pudesse pegaria o primeiro voo para retornar a Paris assim que acabasse seus serviços ali, mas sabia que Esme o esperava no dia seguinte para um brunch e para assistir a uma partida de Polo que Carlisle estaria jogando. Mas se tudo desse certo, antes das quatro da tarde, ele estaria de volta para Paris e então teria sua querida em seus braços novamente.

Saiu de seu quarto, indo até a sala onde sua governanta, Gianna o esperava com seu casaco e um sorriso nos lábios.

- Donnan já providenciou o carro para o senhor, Sr Cullen - ela disse docemente.

- Ótimo - assentiu aceitando o casaco. - Você pode se retirar e dormir, Gianna. Não precisarei dos seus serviços pelo resto da noite.

A governanta assentiu suavemente, desejando uma boa noite ao patrão e então rapidamente seguiu em direção ao seu quarto. Edward vestiu o casaco sem muita pressa, saindo da sua luxuosa cobertura em Milão em seguida. O elevador desceu em uma velocidade torturante e quando ele chegou à garagem, Donnan o esperava ao lado de sua Ferrari preta, segurando as chaves em uma das mãos. O Cullen a pegou rapidamente, também dispensando os serviços do motorista pelo resto da noite e entrou no carro em seguida, dando a partida e seguindo em direção ao prédio que Jasper havia mencionado. As ruas em Milão não estavam tão calmas e por isso ele demorou um pouco mais do que o esperado para chegar ao subúrbio da cidade. Estacionou um pouco distante da entrada, averiguando o fato de que aquela rua estava parcialmente vazia, a não ser por algumas pessoas que estavam mais ao fundo e então saiu do carro. Entrar no prédio não foi difícil. Ele rapidamente arrombou a fechadura sem chamar atenção para si, subindo as escadas em silêncio e com atenção. Sua arma já estava posta em suas mãos e ele estava pronto para usá-la a qualquer momento. Franziu o nariz enquanto subia os degraus, odiando o odor de urina misturado à maconha e álcool que predominava o local. Não poderia ter escolhido um lugar menos precário para se esconder?, ele se perguntou mentalmente. Como já esperado o prédio estava vazio e ele logo chegou ao último andar, onde supostamente Louis estaria. Barulhos de risadas chamaram sua atenção e ele soube que estava no lugar certo. Ficou parado alguns minutos, apenas ouvindo atentamente o que se passava ali, querendo ter a certeza de que o homem estava sozinho e então constatou que o mesmo estava ao telefone. Uma vez que ele falava, ria, mas apenas sua voz era escutada. Abriu a porta de uma vez, preparado para pegá-lo, mas foi surpreendido com o vazio do local. Estreitou os olhos, checando cada milímetro do local e confirmou então que não havia ninguém ali. Os sons vinham de um pequeno aparelho que estava posto em cima de uma mesa no meio da sala e ele grunhiu, jogando o mesmo na parede fazendo com que o som morresse imediatamente e o aparelho despedaçasse em vários pedaços ao atingir a parede suja, antes de notar um pequeno bilhete ali também. Ainda com suas luvas de couro que impediam qualquer digital, ele o pegou e o desdobrou.

Não tão fácil assim, Anthony Masen. Ou devo dizer Edward?

Amassou o papel com força, sentindo a raiva dominar seu corpo. Como ele havia descoberto? E porque diabos ele não estava aqui? Socou a mesa com força, fazendo um barulho alto ecoar e saiu da sala imediatamente. Se o infeliz não estava em Milão, onde ele estaria? Teria ele ficado em Paris? E se ele sabia sobre seus dois nomes, isso significava que... Não, não tinha como. Ele não conseguiria fazer tal ligação. Saiu do prédio rapidamente, descendo as escadas ainda se sentindo frustrado e entrou em seu carro, acelerando o máximo possível até chegar a seu apartamento onde ele estacionou e em questão de segundos já estava no elevador em direção a sua cobertura. Assim que passou pelas portas da mesma, seguiu direto para seu quarto, onde pegou seu celular apenas para confirmar que Isabella ainda não havia o respondido. Mas que diabos! Tudo parecia estar conspirando contra ele naquela noite. Ele precisava conversar com Jasper, precisava analisar o que estava acontecendo. Pela primeira vez em anos ele estava realmente nervoso e praticamente sem saber o que fazer ou o que pensar. Muitas perguntas formavam-se em sua cabeça no momento. Perguntas estas que ele não fazia a mínima ideia da resposta. Soltou uma lufada de ar, puxando os fios do cabelo com força e completamente nervoso, antes de pegar o celular e discar o número. Sim, ele tinha muitas dúvidas, mas antes de tudo ele precisava ouvir a voz de Isabella para saber que tudo estava bem. A ligação chamou uma, duas, três, quatro, cinco vezes e então caiu na caixa postal. Ele grunhiu, então tentou mais uma vez, apenas para obter o mesmo resultado frustrante de outrora. Por que diabos ela não estava atendendo?, ele se perguntou. Ele não iria suportar se algo tivesse acontecido a ela... Não! Nada havia acontecido. Afinal, o que poderia acontecer? Ela estava em um local rodeado de pessoas, onde inclusive seu amigo e sua irmã estavam, não havia nenhuma possibilidade de que algo pudesse ter acontecido com a sua querida, talvez ela só estivesse ocupada demais curtindo o noivado da sua melhor amiga e amigo. Então ele teria que focar no momento em tentar localizar Louis e acabar logo com isso.

~x~

Alice Cullen, futura senhora Jasper Whitlock, analisava o salão com seus olhos verdes azuis. A decoração estava impecável, os convidados - em sua maioria - pareciam realmente estar se divertindo e muitos olhavam com real admiração para o casal da noite. Taças de espumantes eram tomadas, os mais caros dos petiscos eram distribuídos, risadas e conversas altas eram abafadas pelas música amigável que tocava no momento. Mas não era bem isso que a jovem Cullen procurava no momento. Ela estava à procura de Isabella. A mulher que por algum motivo divino havia entrado na vida de seu irmão e feito com que ele amolecesse um pouco a armadura que havia colocado em si desde muito pequeno. A mulher que havia sido capaz de tocar o coração dele quando nenhuma outra mulher jamais chegou perto de conseguir tal proeza. A baixinha petulante sentia vontade de se jogar nos braços da morena e agradecê-la por tudo o que ela vinha feito para Edward. Lembrava-se do primeiro encontro entre as duas, que ocorreu surpreendentemente há basicamente meio ano atrás, onde mesmo quando Isabella e Edward não eram de fato um casal, a Cullen já podia sentir que algo mais intenso rolava ali. Bastava observar os olhares que eles lançavam um ao outro, a forma como Edward segurava sua cintura de forma protetora e possessiva, ou o fato de que um sempre estava se inclinando em direção ao outro como se fossem dois ímãs. Então, quando ela os reencontrou algum tempo mais tarde na pequena e familiar comemoração do aniversário de vinte e sete anos do mesmo, ela sabia que algo definitivamente havia mudado ali. E ela não podia estar mais feliz e animada sobre tal coisa. Sempre quis que Edward encontrasse alguém que pudesse partilhar sua vida com ele, alguém que fosse capaz de compreendê-lo, apoiá-lo, cuidar dele... e agora finalmente ele tinha esse alguém.

- Alice, amore mio, há algo errado? - A voz rouca de seu noivo e melhor amigo do seu irmão, Jasper Whitlock, soou preocupada perto de seu ouvido.

- Não sei - respondeu sinceramente, sentindo-se preocupada por não ver Isabella em lugar algum.

- Como assim não sabe? Há ou não algo errado?

- Veja bem, amore, Isabe- quero dizer, Bella - corrigiu-se rapidamente, lembrando como a morena preferia ser chamada de Bella - foi para varanda tomar um ar fresco, entretanto ela ainda não retornou. Com a confusão do brinde e do anúncio oficial que Rosalie e Emmett fizeram, eu não prestei atenção, mas agora não a vejo em lugar algum... E bem, já fazem uns bons trinta minutos desde que ela foi lá para fora.

- Talvez ela foi embora, Alice - disse sorrindo e acariciando a mão da noiva. O olhar pairando alguns segundos no enorme anel solitário que ele havia colocado ali.

- Como se ela fosse fazer isso, Jasper - revirou os olhos diante do absurdo proferido pelo loiro. - Rosalie é sua melhor amiga desde a infância, hoje é, provavelmente, a noite mais importante da vida dela até o momento. Bella não iria simplesmente embora se algo não tivesse acontecido. Além do mais, os pais dela ainda estão aqui e Edward está na Itália. Qual o motivo ela teria para deixar a festa mais cedo? A não ser que Edward tenha retornado de surpresa.

- Não, ele não retornou ainda - murmurou meio distante, tentando analisar os fatos. - Agora você me deixou paranoico, amore.

- Eu vou até a varanda ver se talvez ela tenha voltado para lá - disse a Cullen, levantando-se da cadeira sem chamar atenção. É claro que Jasper não iria permitir que ela fosse sozinha então, após desculpar-se rapidamente para os outros presentes na mesa, ele levantou-se também e a seguiu com alguns segundos os separando.

- Alice? - chamou, sentindo a rajada de ar frio bater em seu rosto. - Ela não está aqui, talvez esteja no banheiro. Certo? - indagou.

- Eu nã-

Entretanto a Cullen foi interrompida quando o barulho de algo vibrando chamou a sua atenção e então ela olhou para baixo encarando o aparelho celular esquecido ali. A tela brilhava fortemente e o nome da pessoa que ligava imediatamente chamou a sua atenção.

- É o Edward - ela disse olhou com os olhos arregalados para o celular.

Definitivamente algo estava errado.

~x~

De volta a Milão, Edward insistia mais uma vez em ligar para Isabella. Havia algo o incomodando por dentro, ele não sabia exatamente o que. Era uma sensação estranha de que algo estava muito errado e ele não sentia aquilo desde que era um moleque e seus p-... Balançou a cabeça, aquilo não importava no momento. Era passado e no momento ele só precisava se certificar de que ela estava bem. Não importava se ele estava sendo chato e insistente. Isabella precisava atender aquele maldito telefone para que ele pudesse relaxar, ligar para seu cunhado e conseguir focar no segundo problema do dia: Louis. A ligação voltou a chamar algumas vezes e, quando ele já pensava em desistir e arremessar seu celular na parede, alguém atendeu.

- Isabella! - ele exclamou aliviado. - Finalmente você resolveu me atender, minha querida. Eu já estava ficando extremamente preocupado aqui. Nunca mais faça isso comigo, ouviu bem?

- Edward, aqui não é a Bella. - Uma voz fina e doce que ele conhecia muito bem soou em um italiano perfeito do outro lado da linha.

- Alice? O que você faz com o celular de Isabella? - demandou voltando a se sentir nervoso novamente. - Onde ela está?

- Eu... Eu não sei - repetiu as mesmas palavras que havia dito para o noivo há pouco tempo atrás.

- Como assim você não sabe, Alice? - rebateu irritado. - Você está com o celular dela, não está?

- Sim, mas... ela não está aqui - murmurou com a voz trêmula. - Eu acho que... que alguém a pegou, Edward. Ela veio tomar um ar na varanda e simplesmente desapareceu, então eu encontrei o celular dela, jogado no chão. Eu sinto muito... Eu-

- Passe o telefone para Jasper - disse urgentemente. Isso não podia estar acontecendo. Mas que merda. Diante de tudo que poderia acontecer em sua vida, isso era a única coisa que ele implorou para que não acontecesse. Ele não seria capaz de lidar com a ideia de que Isabella estivesse machucada.

- Edward - Jasper disse do outro lado da linha.

- É verdade? - perguntou sem delongas. - Diga-me que isso é uma maldita brincadeira ou qualquer merda do tipo, mas me diga que Isabella está bem! - berrou. - Jasper isso não pode acontecer. Como isso foi acontecer?

Entretanto o silêncio de Jasper do outro lado da linha foi uma resposta suficiente para Edward, que praguejou como jamais havia feito outrora, antes de finalizar a ligação dizendo que ele estava voltando para Paris.

Sem se importar com malas ou qualquer coisa do gênero, ele apenas ligou para avisar a Donnan que ele precisaria de seus serviços imediatamente e que estivesse na garagem em dois minutos. Não se importava se o funcionário estivesse dormindo ou não. Nada mais importava. Ele precisava chegar a Paris o mais rápido possível. E não havia nenhuma maneira que ele conseguisse dirigir até o aeroporto privado onde o jatinho o esperava sem causar algum acidente. Assim como previsto, quando o elevador parou na garagem do prédio, Donnan já esperava Edward do lado do carro e o mesmo rapidamente entrou no veículo, ordenando que o motorista seguisse até o aeroporto. Enquanto o mesmo fazia o caminho, ligou para o aeroporto, avisando que precisava do seu jatinho pronto para no máximo vinte minutos. Ele não podia perder tempo.

- Mais rápido, Donnan! Eu não tenho a porra da noite inteira para chegar nessa merda de aeroporto!

Donnan arregalou os olhos, nunca tendo ouvido o patrão falar daquela forma antes, mas obedeceu a ordem e pisou fundo no acelerador, chegando ao aeroporto com sete minutos de antecedência. Ele parou o carro no lugar esperado, mas Edward não esperou que ele abrisse a porta. Apenas rosnou que ele poderia voltar para o apartamento e então seguiu até o jatinho. Alguns minutos depois, após muitos gritos e profanidades expressadas por um Edward furioso e desesperado, o voo fora autorizado e então o jatinho logo havia começado seu caminho para o lugar onde o Cullen precisava estar naquele momento, que era ao lado de Isabella, com ela sã e salva em seus braços.

Pegou o celular impaciente, ligando para Jasper a fim de saber se ele havia descoberto algo, apenas para se frustrar ao saber que não havia nenhuma novidade.

- Maldição! - grunhiu.

~x~

Cerca de uma hora depois o jatinho aterrissava no solo francês e Edward rapidamente se viu fora da aeronave, indo direto para o veículo que já o esperava. Almos abriu a porta prontamente para ele, sem fizer nada. Conhecia seu patrão o suficiente por agora para saber que era melhor ficar calado. O Cullen entrou no carro, sendo imediatamente rodeado pelos braços finos da sua irmã e tentando não ser grosso com ela, ele apenas acariciou seus cabelos rapidamente em uma tentativa de confortá-la também. Sabia como ela tendia a ser emotiva quando se tratava das pessoas que tinha algum afeto e, mesmo não tendo demasiado contado com Isabella, Edward sabia muito bem que sua irmã sentia uma afeição muito forte pela morena. Mas também, era completamente impossível resistir aos encantos da Swan.

- Eu sinto tanto, Edward - murmurou chorosa. - Eu espero que ela esteja bem.

- Ela vai ficar bem, Alice - prometeu, afastando-se delicadamente dela e então olhou para a outra figura que estava no carro. - Jasper...

- Eu estou tentando fazer alguma ligação, Edward! - exclamou, também sentindo desesperado. - Muito provavelmente este sequestro não tenha nada a ver com você. Charlie Swan está ajudando na investigação do desvio de dinheiro que vem ocorrendo entre algum departamento governamental e uma empresa de grande porte no país. Talvez tenham usado Isabella como uma forma de tentá-lo parar as investigações.

- Não creio que seja isso. Eles poderiam ter a pegado antes, então. Poderiam ter pegado Renée - rebateu. - Mas por que escolheriam pegar Isabella e justamente em uma noite na qual eu estava fora da cidade?

- Eu não sei como aconteceu, Edward - disse calmamente. - Mas ainda não acho que tenha algo a ver com você... Quero dizer, não há como fazer uma ligação entre você e ela. Aqui você é apenas Edward Cullen. Não há muitas chances de qu-

Edward imediatamente arregalou os olhos. As palavras de Jasper batendo em seu rosto com força e então o bilhete deixado por Louis naquela sala voltaram a ecoar com força em sua mente, zombando dele como nunca fizeram antes.

- Merda! - praguejou interrompendo o que o amigo dizia.- Ele sabe, Jasper! Ele malditamente sabe! Inferno!

- O que você quer dizer com isso?

- Louis! Ele não estava lá quando eu cheguei, a sala estava vazia e havia um bilhete no qual ele me chamava de Edward Cullen! Merda, Jasper, ele sabe quem eu sou, sabia que eu estaria fora da cidade e pegou Isabella!

- Como ele descobriu? - arregalou os olhos. - Eu vou fazer o necessário e descobrirei qualquer informação que seja capaz de nos levar até ele. Aquele infeliz. Eu não o vi na festa, só sua mulher e seus dois filhos estavam lá. Provavelmente ele estava com capangas. Ele teve ajuda de alguém que sabe sobre você.

- Isso é óbvio! - berrou. - Mas quem?

- Isso é o que eu vou descobrir - respondeu friamente.

- Faça isso e quando você descobrir eu terei o prazer de ver a morte escorrendo pelos olhos desse miserável quando eu acabar com a vida dele - prometeu e Alice estremeceu ao seu lado, mas não disse nada. Não estava em posição de julgar ninguém.

Alguns minutos depois o carro finalmente parou no apartamento de Edward e os três desceram do carro seguindo em silêncio até o elevador. Em seu jeito singelo, Jasper acariciou a mão de Alice a fim de deixá-la mais tranquila. Não queria que ela tivesse uma crise de estresse e acabasse no hospital. Eles não precisavam disso naquele momento. Sua mente tentava furiosamente fazer as ligações de como Louis havia descoberto sobre Edward, sobre quem poderia ter dado com a língua nos dentes... O elevador abriu as portas liberando o caminho até o apartamento e eles entraram no mesmo.

- Vou preparar um chá para vocês dois - Alice disse sorrindo, o que fez com o que os dois homens soltassem uma gargalhada verdadeira por alguns segundos.

- Alice, amore mio, sabemos muito bem que você não se dá bem com nada relacionado às tarefas domésticas. Não precisamos que você se queime e vá parar no hospital, ou incendeie o apartamento e mate todos - Jasper disse dando um beijo no topo da testa de Alice. - Além do mais, não precisamos de ervas naturais no momento.

- Certo - disse fazendo um bico. - Ofereci um chá, pois é assim que fazem nos filmes.

- Creio que esteja vendo os filmes errados, Alice.

- Tudo bem, prepararei uma dose de uísque para vocês. Assim está melhor?

- Perfeito, amore.

Enquanto Alice caminhava até o barzinho para preparar as bebidas aos homens, os mesmos seguiram em direção ao escritório onde se sentaram com um suspiro cansado. Logo começaram a percorrer os olhos por toda a papelada que Edward guardava ali, analisando também arquivos no computador e as gravações feitas pelo sistema de segurança interno colocado em sua casa noturna. Alice chegou algum tempo depois, entregando os copos para eles e mesmo sabendo que não poderia fazer nada, ficou ali no escritório o máximo que conseguiu, até perder as forças e acabar adormecendo no sofá quando pouco se passava das três e meia da manhã.

- Levarei Alice até o quarto de visitas - Jasper avisou, notando sua belíssima futura esposa completamente encolhida no sofá, ainda trajando o mesmo vestido longo que usara na festa.

- Tudo bem, você pode descansar também. Eu cuido das coisas por aqui.

- Tem certeza?

- Absoluta, eu não vou conseguir dormir tão cedo. Vá em frente, descanse e conversaremos logo pela manhã.

- Certo. Você deveria tentar dormir também, sabe que precisará de energias para buscarmos Isabella, não sabe?

- Você tem razão - concordou com um suspiro derrotado. Ele estava exausto. Em meio a dois voos no mesmo dia, um trabalho mal sucedido e o sequestro da mulher da sua vida, ele se sentia completamente esgotado. - Talvez eu devesse tentar descansar um pouco, não que eu vá conseguir.

- Só deita na cama e tenta clarear a cabeça, talvez até ajude a pegar alguma dica que você deixou passar - orientou seriamente e então pegou Alice nos braços, siando do escritório e sendo seguido por Edward.

Este entrou em seu quarto e se jogou na cama, fitando o teto e sem saber o que fazer. Pela primeira vez em muito tempo, ele se sentia dentro de uma situação que ele não conseguia controlar. Uma situação que ele não sabia por onde procurar. Ele estava à mercê da escuridão naquele momento e odiava isso.

~x~

O dia chegou rápido em Paris. Edward não havia fechado os olhos por mais do que uma hora e meia e então a claridade que entrava pela janela do quarto já havia feito com que ele despertasse sentindo uma dor forte no pescoço devido à posição que havia dormido. Estalou o pescoço e foi até o banheiro, onde apenas jogou uma água gelada em seu rosto e escovou os dentes de qualquer jeito, antes de sair do quarto e ir em direção ao escritório e se surpreender ao encontrar Jasper já ali olhando as gravações.

- Você podia ter me acordado - disse fazendo com que o amigo o olhasse com uma sobrancelha arqueada.

- Você precisava descansar. Um homem quase morrendo por exaustão não consegue manusear uma arma devidamente.

- Não é como se eu estivesse menos cansado do que antes. De qualquer forma, achou algo?

- Não exatamente. Mas descobri algo que pode ser um problema.

- O que?

- Charlie Swan sabe que sua filha foi sequestrada.

Diabos, ele pensou, tudo o que eu precisava.

- Isso significa que eu preciso ir até ele antes que ele faça algo estúpido e que provavelmente mate Isabella - disse irritado e se levantou. - Continue procurando por algo, eu volto assim que resolver a situação com Charlie.

- Como se eu fosse fazer outra coisa. Vá logo antes que seja tarde.

~x~

Charlie Swan encontrava-se no escritório da sua casa completamente atordoado. Havia recebido uma ligação assim que havia acordado naquele dia, avisando que sua filha havia sido sequestrada e que se ele quisesse saber mais sobre os motivos, ele deveria ter uma conversa com seu querido genro, Edward Cullen. O que não fazia o menor sentido em sua cabeça. Edward estava na Itália, sua filha havia lamentado sobre tal fato na noite anterior. Entretanto, Isabella não havia voltado para casa depois da festa, e muito menos havia se despedido ao sair. Ela simplesmente havia sumido. Coisa que ela jamais havia feito em toda a sua vida. Mesmo já sendo maior de idade, Isabella respeitava seus pais demasiadamente e sempre se importava em informá-los do que estava planejando fazer. Não por obrigação, mas sim para não deixá-los preocupados. Então, não havia como ele ignorar tal coisa. Agora ele só procurava uma explicação para o envolvimento de Edward nisso tudo. Resolveu que não alertaria Renée sobre o ocorrido ainda, sabia como sua mulher tendenciada a ser um pouco mais exagerada e que o estresse não faria bem a ela. Pegou então o telefone, decidindo que não poderia cuidar de algo sério assim sem a ajuda de profissionais, entretanto foi interrompido com o barulho da porta do seu escritório sendo aberta e então Edward, parecendo completamente derrotado, entrou na mesma com uma expressão séria e cansada no rosto.

- Eu posso achar Isabella, Sr Swan. E eu vou achá-la - prometeu. - Mas eu preciso do caminho livre. Sem polícia, sem detetives, sem nada.

Isso fez com que o primeiro ministro da França, Charlie Swan, parasse de mexer nos papéis e colocasse o telefone no gancho. Foi inegável ver que, por alguma razão desconhecida para ele, o homem parado a sua frente estava falando a verdade. Ele não só falava como alguém que faria o possível para achar Isabella. Ele falava com certeza, como se realmente estivesse certo de que a acharia.

- Como você tem tanta certeza que vai achá-la? - indagou com real curiosidade.

- Porque eu sei quem a pegou, senhor - respondeu o Cullen, fechando os punhos ao imaginar aquele bastardo tocando em sua querida. Pensando que talvez ele pudesse machucá-la. - E não há nada que eu queira mais do que achá-lo e fazê-lo pagar por isso - completou com a voz fria e hostil.

Charlie soltou um suspiro, sentindo-se intrigado, mas ao mesmo tempo sabendo que Edward tinha uma vantagem em relação a qualquer pessoa que ele pudesse colocar atrás de Isabella: ele sabia quem a havia pegado. Isso economizaria tempo e os pouparia da mídia e sociedade caindo em cima deles devido ao ocorrido. Além do mais, ele também estava certo de que as intenções de Edward eram claras e verdadeiras. Ele sabia que, de um jeito ou de outro, o Cullen iria atrás de Isabella. Sabia que mesmo que ele negasse o pedido, o Cullen ainda assim se aventuraria e faria questão de trazer sua filha de volta para onde ela pertencia.

- Olha, eu não sei com o que você está metido, não sei o que você faz da vida, mas por alguma razão minha filha está feliz ao seu lado - Charlie disse verdadeiramente, levantando-se da cadeira e indo em direção a Edward, que o olhava impaciente. Por Deus, eles estavam perdendo tempo naquela maldita sala. Ele precisava ir atrás de Isabella! Será que Charlie não via isso? Quanto mais tempo eles perdiam, pior seria. - Eu estou confiando na sua palavra, Edward. Traga-a de volta para nós e faça o culpado pagar por isso. Eu deixarei o caminho livre para você.

Edward soltou um suspiro aliviado e, antes de se virar para sair da sala, olhou uma última vez para Charlie e murmurou com gratidão:

- É tudo o que peço.

E então saiu.

~x~

De volta ao seu apartamento, Edward foi recebido por Jasper que estava com uma expressão no mínimo intrigante no rosto. Um misto de alegria, alívio e satisfação. O que só indicava uma coisa: ele havia descoberto algo.

- Eu achei o informante - disse sorrindo abertamente. - Ou melhor ainda, a informante.

- Quem é ela, Jasper? Diga-me logo o nome dessa infeliz para que eu possa fazê-la pagar por isso.

- Tigra - ele respondeu. - Ou caso não esteja familiarizado com o nome, Yelena soa conhecido?

- Aquela maldita! - grunhiu. - Preciso pegar uma coisa em meu escritório e então podemos ir para a Freakshow. Não quero perder nem mais um segundo. Aquela desgraçada passou de todos os limites.

Jasper apenas assentiu, sentindo a mesma sensação que o amigo. Queria ver aquela dançarina pagar por colocar em risco a única coisa que fizera seu melhor amigo feliz em anos. Alice observava em silêncio a cena, sentindo uma sensação de ódio crescer em si. Algo que jamais havia sentido antes. Ela nunca fora uma pessoa rancorosa, nunca havia desejado o mal para ninguém. Sempre procurou ver o bem em tudo que a cercava, entretanto, naquele momento, ela sentia muito ódio. Ela só queria ter certeza que uma das pessoas responsáveis por Edward praticamente perder a mulher da sua vida pagasse caro por aquilo que havia feito. Viu quando ele retornou a sala alguns minutos depois, sabendo que ele havia ido buscar sua arma, e então, surpreendendo a todos ali, ela ficou de pé.

- Eu vou junto - anunciou de forma fria e petulante. - Quero ver com meus próprios olhos.

Jasper olhou para Edward que apenas assentiu silenciosamente e então ele virou-se de volta para Alice, concordando e estendendo o braço para ela para que pudesse guiá-la até o elevador juntamente dele e de Edward. Mais alguns minutos e então finalmente ele descobriria onde sua querida estava.


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N/A: Finalmente consegui escrever esse capítulo, eu estava meio "doente" e por isso não escrevi nada durante as últimas semanas. "Ah, Frida, mas você postou ABM e blablabla". Postei porque os capítulos já estavam prontos! Enfim, desculpem pela demora, nunca é intencional. Agora sobre o capítulo, muitas coisinhas sobre o Edward sendo revelada, assim como a Bella, ele está perdidamente apaixonado e agora ele vai fazer de tudo pra pegar a pessoa que sequestrou a Bella e fazer ela pagar caro. Será que a Yelena será alguma ajuda? Alguém tinha adivinhado que era ela no capítulo passado? Anyways, muito obrigada pelos reviews no capítulo passado. Vocês são lindas! Comentem, por favor! Ah, o próximo capítulo já está em andamento e sai no máximo em 15 dias. Beijos, beijos. Friida.

N/B: Capítulo cheio de tensão! Edward está completamente apaixonado, e agora furiosos e desesperado. Ele vai com certeza trucidar quem a pegou e colaborou para isso, mas isso se ele encontrá-la... Que aflição! Comentem xx LeiliPattz