Oi!!
Voltei, não morri, não... apesar de ter sumido completamente, aqui estou eu de volta.
A demora foi causada por meu computador, que quebrou e foi para o espaço. Tive que comprar um novo, e depois atrasei ainda mais pela falta de tempo... sorry pessoal!
Espero que vocês gostem do capítulo novo. E aviso aos cardíacos... esse capítulo pode causar fortes palpitações! :)
Beijos
Priscila Black
Cap. 25 – Nós sempre teremos Paris
Duas amigas caminhavam lentamente pela calçada. Ambas estavam bem agasalhadas. Era o primeiro dia que o comércio abria, depois do natal. E elas estavam cumprindo a tarefa da trocar os presentes que não gostaram, ou que estavam de alguma forma inadequados. Bem, uma das duas trocava um número enorme de presentes, e a outra estava mais acompanhando a amiga.
- É na próxima loja. – a garota de cabelos castanhos falou – Vamos logo que está frio.
A ruiva acenou com a cabeça, e se encolheu um pouco mais. Ambas vestiam roupas adequadas ao início do inverno. Botas longas, casacos compridos. Mas continuavam a maratona.
- Quantas lojas ainda faltam?
A morena, Ellie Dumbledore, olhou para a enorme sacola que trazia nas mãos. Contou rapidamente o conteúdo, e respondeu.
- Umas cinco lojas, eu acho.
- Cinco? – a ruiva, Lily Evans, resmungou – Nós temos que fazer isso agora mesmo?
Ellie sorriu, e falou como se explicasse o motivo a uma criança.
- Lily, esse é seu primeiro natal em Londres. Acredite em mim, se não trocarmos agora, não vai sobrar nada que preste...
Lily apenas suspirou, e falou.
- Eu só não consigo compreender como alguém consegue trocar a maioria dos presentes que recebe de natal... Sério, Ellie. Você não gostou de nada?
Ellie abriu a sacola novamente, e a exibiu para Lily.
- Grande parte dos presentes que eu recebo é de aliados políticos da minha mãe. E eles não têm idéia do que uma garota de 16 anos gosta...
Ela exibiu um suéter particularmente horroroso. Lily teve que concordar com a amiga, aquilo merecia troca imediata.
Ellie abriu a porta da loja, e elas entraram para seu interior aquecido. Lily acabou sentindo-se mais animada.
- Eu nunca troco os presentes dos meus avós, nem das minhas tias. Minha mãe nem preciso dizer, ela é a pessoa de mais bom gosto que eu conheço no mundo. Acho que nunca troquei um do James também. Mas sempre tinha que trocar os do Sirius. Ele costumava me dar os presentes mais absurdos que eu já vi. – ela sorriu brevemente, mas logo completou com uma voz que não escondia a decepção – Bem, esse ano não vou ter esse problema...
Lily ficou com um pouco de pena da amiga. Sirius não tinha aparecido na casa de Ellie no dia do natal. Ela e a mãe convidaram todos os amigos da família para passarem lá. Lily foi após a ceia com sua família, e encontrou James, Remus, Marlene, Mike, Alice, Frank e vários outros alunos de Hogwarts lá. Mas Sirius nem deu sinal de vida. Até Melissa apareceu, mais no fim da festa. Fora que a casa estava cheia de convidados de Lisa, além dos primos de Ellie, com as tias e tios. Lily nunca tinha ido numa festa de natal tão animada.
Lembrando da festa de natal, Lily sorriu. James a puxou para um canto, e deu seu presente. O rapaz tinha comprado um Ipod de presente para ela. Até então, já seria um ótimo presente, já que ela estava mesmo pensando em comprar um mp3 player. Mas o que tornou o presente tão especial foi que James tinha colocado na memória do aparelho uma música gravada por ele mesmo, em que ele tocava violão e cantava With or without you, do U2. Lily teve que se segurar para não chorar. E isso acabou fazendo a garota ficar com vergonha do presente que tinha comprado para James. Ela tinha comprado um livro que continha as partituras para guitarra de todas as músicas do Led Zeppelin. James pareceu muito animado com o presente, e agradeceu muito, mas Lily continuou sentindo que o presente dele tinha sido muito mais especial.
Quando Lily voltou a si, Ellie já tinha trocado o presente, e estava pronta para seguir para a próxima loja. E ela retomou a conversa com a amiga.
- Um a menos. – ela falou – Mas Lily, você não terminou de me contar sobre a noite do baile. O James não te soltou um só minuto na festa de natal lá em casa...
Lily concordou com a cabeça. Elas tinham conversado muito brevemente sobre o baile de Natal. Ellie relatou sua conversa com Sirius, mas não entrou em detalhes. Mas Lily não contou sobre sua discussão com James. E, principalmente, ela não contou o que aconteceu depois da discussão.
- É verdade... – Lily confirmou, com a voz levemente sonhadora.
Ellie imediatamente parou de andar. Sua expressão de curiosidade estava estampada no rosto.
- Quer dizer que você andou me escondendo alguma coisa importante, senhorita Evans? Pode ir falando rapidinho!
Lily riu, e pensou em brincar com a amiga, se fingindo de desentendida. Mas sabia que isso só atiçaria ainda mais a curiosidade de Ellie. Então se rendeu, e começou a contar.
- Bem, foi tudo bem na festa, até um dado momento, que o James foi ao banheiro.
Ellie acenou com a cabeça, e Lily prosseguiu.
- Logo depois que ele saiu, o Kyle veio conversar comigo. E me convidou para dançar.
Ellie sorriu, e falou, num tom brincalhão.
- Kyle Wilshire, o herói dos bêbados e drogados...
Lily revirou os olhos, e continuou sua história.
- Tudo estava indo bem, quando eu percebi o James nos observando. E ele simplesmente saiu andando, indo embora do baile.
Ellie franziu a testa, e Lily prosseguiu.
- Mas eu o alcancei na escada. E nós discutimos. Você acredita que ele estava com ciúme do Kyle?
Ellie concordou com a cabeça, e respondeu, de forma simples.
- Sim.
Foi a vez de Lily franzir a testa.
- E isso não te surpreende?
Ellie olhou para a amiga, e respondeu.
- Nem um pouco.
Lily fez cara de incompreensão, e Ellie explicou.
- Ah, Lily. Eu conheço o James desde sempre. E ele é meio... superprotetor com tudo que ele se importa. É bem normal ele ter ficado enciumado.
- Mas ele não tem motivo nenhum para ter ciúmes!
Ellie ficou calada por um segundo, e falou, de forma cuidadosa.
- Não tem não?
Lily abriu a boca, e rebateu de imediato.
- Lógico que não!
Ellie parecia um pouco sem graça, mas não deixou de explicar.
- Lily, eu não estou te acusando de nada. Mas... acho que em relação ao Kyle... o James tem razão. Ele parece estar caído por você.
Lily ficou assombrada.
- Ah, não, você também? Ele é só meu amigo!
Ellie deu um pequeno sorriso.
- E você não reparou o sorriso sonhador que ele sempre tem nos lábios quando te vê?
Lily franziu a testa.
- É o sorriso normal dele.
Ellie finalmente riu de forma normal. E concluiu.
- Bem, Lily, vamos colocar desta forma. O Wilshire nunca sorriu desta forma para mim, ou para qualquer outra garota de Hogwarts que eu tenha visto. É só com você...
Lily ficou alguns segundos pensando sobre o que Ellie tinha acabado de falar. Para ela, ainda soava absurdo alguém falando que Kyle estava interessado nela. Mas ela nunca tinha dado muita atenção ao assunto. E resolveu que pensaria nisso numa outra oportunidade. E esse não era o assunto que ela queria conversar com Ellie.
- Deixa isso para lá. O que eu quero te contar é sobre outro assunto.
Ellie apenas acenou com a cabeça, e Lily retomou o assunto.
- Bem, nós estávamos na maior discussão, e eu acabei falando umas verdades para ele. Nem sei como fiquei tão nervosa. Mas depois...
Lily parou de falar. Percebeu que estava envergonhada de falar o que estava pensando para Ellie. Ela confiava na amiga incondicionalmente, mas, no momento de contar, estava se sentindo inibida.
Obviamente Ellie farejou que o assunto era importante, e logo falou.
- Lily, nem tenta me deixar curiosa. Pode ir falando logo!
Lily inspirou profundamente, e recomeçou seu relato.
- Bem, nós fomos para a casa dele e... nós...
Ellie abriu tanto a boca que caberia um limão inteiro dentro.
- Vocês... vocês...
Lily reagiu de imediato.
- Não! Mas...
Ellie quase derrubou as sacolas de compras de suas mãos. Ela agarrou as duas mãos de Lily,e falou, sorrindo.
- Lily! Não me poupe dos detalhes sórdidos. Você sabe que eu amo os detalhes sórdidos!
Lily sentiu suas maçãs do rosto ficarem quentes. Devia estar tão vermelha quanto seus cabelos.
- Nós não chegamos aos... finalmentes, mas...
- Lily! – Ellie protestou.
Lily inspirou profundamente, e finalmente falou.
- Eu acho que o dia finalmente chegou. Quer dizer, no sábado, eu realmente queria...
Ellie abriu um enorme sorriso, e abraçou a amiga, sem se conter.
- Ai, Lily, isso é tão... eu estou tão feliz por você e pelo James!
Lily começou a rir da reação de Ellie.
- Nossa, parece que o James me pediu em casamento pela sua reação!
Ellie soltou Lily do abraço, e falou, olhando diretamente para a amiga.
- Pois eu tenho certeza que um dia ele vai.
Lily se perdeu por um momento, pensando num futuro distante. Será que ela e James um dia se casariam? Ou o namoro deles era algo de juventude, e ela apenas se lembraria dele como seu primeiro amor? Estava pensando nesse assunto, quando percebeu que Ellie tagarelava ao seu lado.
- Nós temos muita coisa a planejar. Hum... acho que vamos ter que pegar um táxi até o Soho...
Lily franziu a testa, e perguntou.
- Soho? Por quê?
Mas Ellie continuou raciocinando.
- Tem uma em Selfridges, mas eu prefiro a loja do Soho... apesar das vitrines fantásticas da loja de Selfridges!
- Ellie! – Lily chamou.
A garota pareceu acordar. E Lily perguntou.
- Por que temos que ir ao Soho?
Ellie sorriu, e respondeu.
- Por que temos que planejar todos os detalhes da noite de vocês dois. Eu quero que minha amiga tenha uma primeira vez perfeita!
Lily franziu a testa. Conhecia muito bem esses planos de Ellie, e eles costumavam envolver alguma coisa embaraçosa. Então ela tentou argumentar.
- Você não planejou sua primeira vez, e foi tudo perfeito!
Ellie inspirou profundamente, e falou.
- É, minha primeira vez foi um sonho. Pena que depois veio o pesadelo.
Lily ficou um pouco chateada de ter comentado aquilo. Mas Ellie logo se recuperou, acenou para um táxi que passava. Gentilmente, ela empurrou Lily para dentro do carro, falando.
- Não discute. Vamos logo, por que não temos muito tempo!
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Assim que elas saltaram do táxi, já no Soho londrino, Lily finalmente entendeu o que Ellie estava planejando. Ela entendeu assim que viu a loja que pararam em frente.
- Ah, não! – Lily reagiu de imediato.
- Lily, deixa de ser boba. Vamos dar uma olhada.
Lily arregalou os olhos. E respondeu.
- Ellie, eu sei muito bem que tipo de coisa essa loja vende!
Ellie sacudiu os ombros, e continuou tentando puxar Lily pela mão.
- Lógico que sabe, eu tenho um monte de coisas deles.
Lily ainda estava parada, tentando fazer força para que Ellie não a puxasse para dentro da loja. E tentava argumentar, em vão.
- Mas você é você, e eu... sou eu!
Ellie parou de puxar Lily por um instante. E perguntou.
- E o que isso quer dizer?
Lily deu um sorrisinho sem graça, mas acabou falando.
- Você é mais esse estilo, mais... sexy. E eu não sou assim!
Ellie riu da amiga.
- Que besteira! Vamos fazer um acordo: se você não gostar de nada, simplesmente não leva. Combinado?
Lily olhou para o nome da loja, estampado em letras estilizadas.
Agent Provocateur.
- Eu sei que vou me arrepender disso... – Lily falou, inutilmente.
Ellie riu, e falou.
- Vai nada. Vai é adorar!
Sem conseguir evitar ser conduzida para dentro da loja, Lily decidiu pelo menos dar uma olhada. Ela já conhecia algumas das peças que a loja vendia, principalmente por Ellie ser uma compradora assídua da marca. Ela apenas não imaginava que um dia entraria ali para comprar algo para si mesma.
As duas passaram pela porta de vidro, e Lily pode dar uma boa olhada no interior da loja. Cortinas de veludo caíam até o chão, e toda a decoração da loja lembrava os cabarés do século XIX de Paris.
Araras com lingeries penduradas chamaram a atenção de Lily. Mas, quando ela virou para falar com Ellie, viu a amiga já conversando animadamente com a vendedora.
- O que tem de novidade? – ela perguntou.
A moça vestida de forma atraente sorriu, e falou.
- Vou mostrar para vocês.
Lily aproveitou para puxar Ellie para um canto, e falar.
- Ellie, eu acho que não tem nada aqui que eu goste. Vamos embora?
Ellie revirou os olhos, e falou.
- Você não põe o pé para fora desta loja sem pelo menos experimentar um sutiã.
Lily arregalou ligeiramente os olhos, e Ellie prosseguiu.
- Lily, você não quer que tudo seja perfeito? Isso inclui a lingerie perfeita. Imagina você usando uma calcinha bege bem na hora do vamos ver...
Lily ficou um pouco corada, mas não precisou responder nada. A vendedora voltou com várias peças para mostrar para as garotas.
Lily deu uma espiada nas peças, e viu que provavelmente não escolheria nenhuma delas se fosse sozinha naquela loja. Mas Ellie já estava revirando as calcinhas, sutiãs, corselettes e cintas-ligas, e já separava as peças que julgava serem adequadas para Lily.
- Olha essa aqui, é tão linda... – ela falou, exibindo uma calcinha preta ligeiramente transparente.
Lily franziu a testa, e falou.
- Ellie, isso é transparente! Vai dar para ver... tudo!
Ellie pegou a calcinha, e olhou contra a luz. E riu.
- Ah, você quer dizer que é um pouco transparente. Não liga não. No fim da noite você vai estar sem ela, e aí é que vai dar para ver tudo...
Lily respirou fundo. Seu rosto estava completamente vermelho. E ela tinha a impressão que até o fim do dia ela esse fato iria se repetir diversas vezes...
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As duas amigas já estavam dentro da loja de lingerie há pelo menos uma hora. Ellie sumariamente obrigou Lily a provar algumas peças. A garota não queria nem olhar, mas tanto a vendedora quanto Ellie invadiram o provador para ver se as peças estavam ficando boas. Lily quase morreu de vergonha.
No final das contas, Lily acabou levando um conjunto de calcinha e sutiã. Ela queria um modelo um pouco mais recatado, mas como eles não existiam na Agent Provocateur, ela acabou levando algo mais chamativo que desejava. Mesmo assim, o modelo era delicado, e, para sua felicidade, não era transparente. Mas Lily ficou assombrada com a quantidade de peças que Ellie levou. E também com o estilo de coisa que ela comprava.
- Ah, é tão lindinho! – Ellie falou, exibindo um espartilho todo trançado nas costas. – Eu vou levar.
Lily riu da coragem da amiga. Mas não pode evitar o comentário.
- Ellie... não me leva a mal, mas você... não está sem namorado? Pra que você compra tanta lingerie dessas... desse tipo mais... chamativo?
Mas Ellie não se aborreceu com a pergunta de Lily. Sorriu, e falou.
- Em primeiro lugar, eu amo lingerie. Não compro para mostrar para namorado! Se bem que... bem, não posso negar que é bem legal mostrar de vez em quando!
Lily riu da amiga. E Ellie prosseguiu enquanto entregava o cartão de crédito para a vendedora.
- Além do que, quem sabe eu não conheço um francês lindo e sedutor que me faça querer mostrar todas essas peças novas?
Lily franziu a testa.
- Francês?
Desta vez quem não entendeu foi Ellie.
- É. Mas por que você está perguntando isso?
Nova dúvida de Lily. As duas ficaram se olhando por alguns segundos, então Ellie pareceu entender melhor o que acontecia.
- Lily, você esqueceu? Da viagem?
Lily franziu a testa, e Ellie falou, admirada.
- Você não sabe? Nós vamos viajar. Para Paris.
Lily entreabriu os lábios. Ellie prosseguiu sua explicação.
- Acho que essa correria toda de Baile de Natal fez todo mundo esquecer. Mas Hogwarts sempre organiza pequenas viagens na semana entre o natal e o ano novo. Esse ano vamos passar o reveillon em Paris.
Lily ficou ainda mais assombrada. Ninguém tinha comentado sobre o assunto com ela.
- Eu achei que você soubesse! Os pais assinaram a autorização há pelo menos um mês. O professor Binns escolheu o roteiro esse ano, com certeza vai nos obrigar a ir a vários museus e locais históricos. Bem, eu não estou reclamando, vai ser o máximo!
Lily ainda absorvia a informação. Então seu pensamento se fixou no que Ellie falou sobre a autorização.
- Eu não levei nenhuma autorização para meus pais assinarem!
Ellie novamente sorriu.
- E nem precisa. A escola entra em contato direto com os pais. Acho que eles não confiam nos alunos a esse ponto. Devem ter medo de alguém falsificar a autorização. Então pedem para os pais compareceram pessoalmente na escola.
Lily então se lembrou do período de provas. Coincidia mais ou menos com a época que Ellie falou. Era bem provável que ela estava tão preocupada com as provas que nem prestou atenção se sua mãe mencionou alguma ida a Hogwarts.
- Mas não se preocupa. Se seus pais esqueceram-se de ir, eu posso falar com meu avô, e ver se eles podem assinar a autorização em cima da hora.
Lily concordou com a cabeça. Então finalmente tudo passou a fazer mais sentido. E sua preocupação aumentou. Agora ela estava diante de uma situação mais urgente. A viagem para Paris era iminente. E ela tinha acabado de se decidir em relação a James e a vida sexual dos dois. O que ela não imaginava era que as coisas poderiam se concretizar tão cedo. Ela estava planejando deixar tudo acontecer naturalmente, sem pressa. Mas agora, ela poderia ser forçada a adiantar seus planos por conta desse imprevisto.
Ela olhava para o nada, pensando no assunto, quando Ellie pareceu ler seus pensamentos, e verbalizou seus temores.
- Parece que você vai ter a oportunidade perfeita ainda nessa semana. Imagina que romântico, é quase uma lua de mel em Paris!
O que Lily não conseguia definir ainda era se seria uma lua de mel ou um pesadelo.
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Os alunos de Hogwarts não tinham mais aulas naquele ano. Eles só retornariam à escola em janeiro. Depois da esperada viagem à Paris.
Então, compreensivamente, o único assunto entre os amigos de escola era a viagem. Todos ficavam ligando uns para os outros, fazendo planos, arrumando malas, combinando escapadas. E Lily percebeu que a viagem era um acontecimento realmente importante. Ela acompanhou Ellie até a casa da amiga, e já no caminho, a viu atender pelo menos 5 telefonemas de pessoas diferentes, já falando sobre a viagem. E, chegando à casa de Ellie, elas foram direto para o quarto da amiga. Ela queria iniciar a arrumação da mala.
- Ellie, nós só não vamos depois de amanhã? Porque você precisa arrumar a mala hoje?
Ellie olhou para Lily como se a amiga falasse grego.
- E você acha que eu vou começar a arrumar hoje? Eu já comecei desde anteontem!
Lily arregalou os olhos. Assim que elas entraram no enorme closet de Ellie, Lily percebeu que ela falava sério. Pelo menos duas malas estavam abertas, e várias roupas estavam dobradas de forma impecável dentro delas.
- Eu não coloquei nada que amarrote ainda. Mas já separei os sapatos, e calças e casacos mais grossos. Eu vi a previsão do tempo, e deve estar frio nos próximos dias em Paris. Só espero que pelo menos o tempo fique aberto. Poucas coisas se comparam com a vista de cima da Torre Eiffel num belo dia...
Lily lembrou que Ellie já tinha morado em Paris, quando era mais nova. Ela devia conhecer bem a cidade. E aproveitou para fazer algumas perguntas.
- Que tipo de roupa eu devo levar?
Ellie franziu a testa, e começou a raciocinar.
- Bem, várias calças bem alinhadas, mas confortáveis. Casacos, já que vai estar frio. Mas escolha bem as roupas, os parisienses se vestem de forma impecável, é um sonho... – ela falou, com um sorriso nos lábios – Ah, mas não se esqueça de duas coisas: a lingerie que você comprou, e um biquíni bem bonito!
Lily franziu a testa, e perguntou.
- Biquíni? Pra que, já que vai estar frio lá?
Ellie sorriu de forma misteriosa, e falou.
- Surpresa!
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Os dois dias que precediam a viagem passaram num piscar de olhos. Lily mal notou o tempo passando.
Ela gastou boa parte do tempo arrumando sua mala. E ouvindo os resmungos de Petúnia.
A irmã mais velha de Lily não se conformava com o fato de que sua irmã mais nova iria passar o réveillon em Paris com os amigos de escola. Lily percebeu que ela estava enciumada, mas não falou nada para não deixá-la ainda mais irritada. Apenas a expulsou de seu quarto quando flagrou Petúnia investigando a mala dela quando Lily tinha saído do quarto para pegar luvas no armário do corredor.
Já os pais de Lily estavam muito animados com a viagem da filha. Lily nunca tinha ido à França, e, como se tratava de uma viagem da escola, supervisionada por professores, eles estavam tranqüilos quanto à segurança da garota. Fora que ela estaria o tempo inteiro com a neta do diretor da escola, e eles duvidavam que os professores se descuidariam das duas.
Mas, logicamente, isso não impediu as milhares de recomendações de sua mãe quando eles a deixaram no aeroporto de Heathrow.
- Não se esqueça de tirar muitas fotos, querida! Ah, e cuidado ao atravessar a rua, os franceses dirigem do lado errado da rua!
Lily pensou que, na verdade, quase todo o resto do mundo dirigia de forma contrária aos britânicos, mas não disse nada. Ela estava ansiosa para encontrar logo os amigos.
Lily empurrava seu carrinho, buscando com os olhos alguém conhecido. Viu vários rostos familiares, mas nenhum dos seus amigos próximos. Até encontrar Remus.
O rapaz estava se despedindo dos pais, e parecia tão animado com a viagem quanto ela.
- Oi Lily! Bom dia, Sr. Evans, Sra. Evans.
Lily abraçou brevemente o amigo, e falou.
- Oi! Alguém já chegou? – ela falou, percorrendo com os olhos em volta. Mas apenas viu seus pais puxando conversa com os pais de Remus.
- Não vi ninguém. Mas já recebi umas três mensagens da Ellie, ela falou que a mãe dela está estacionando o carro. Mas todo mundo já deve estar chegando.
Lily olhou para o amigo, e baixou o tom de voz.
- E a Melissa? Alguma notícia?
Lily sabia que Remus e Melissa tinham ficado no baile de Natal, mas eles tinham tido algum tipo de desentendimento durante a festa de natal na casa de Ellie. Não tinha sido nada sério, pelo que Remus relatou brevemente, mas qualquer pequeno problema poderia abalar o delicado relacionamento dos dois.
- Ela está vindo com a Ellie. Aparentemente a mãe dela só a deixaria vir na viagem se a Ellie aparecesse lá para buscá-la, junto com a Lisa. Acho que pela Ellie ser neta do diretor, ela acha que a Melissa vai ficar segura, ou algo do tipo. Vai entender...
Lily apenas concordou com a cabeça, ainda olhando em direção à porta de entrada do aeroporto. Não demorou muito para ela avistar Ellie chegando junto com a mãe, Lisa, e com Melissa.
Ellie empurrava um carrinho lotado de malas até em cima. Eram malas suficientes para uma viagem de um mês. Lily olhou para as suas duas malas, uma pequena e uma grande, e imaginou se não estava levando poucas coisas. Quando viu Remus rindo do exagero de Ellie, ficou mais relaxada.
Melissa vinha caminhando em silêncio. Ela, por algum motivo, parecia mal humorada. Estava com o olhar um pouco perdido.
Logo as três se aproximaram deles. Ellie sorriu para Lily e Remus, e os cumprimentou.
- Oi! Já estão fazendo o check-in?
Remus respondeu.
- Acho que estão começando agora.
- Então já vou despachar minhas malas de uma vez. Não vou ficar empurrando essa montanha de malas de um lado para o outro!
Lisa seguiu a filha, após cumprimentar Lily e Remus, e de trocar algumas palavras com os Evans e os Lupin. Melissa fez menção de seguir Ellie, mas Remus a interrompeu. Lily rapidamente resolver seguir Ellie, e dar privacidade ao casal.
- Melissa, espera um pouco. Eu quero falar com você.
Melissa parou por um instante, e olhou para Remus. Uma memória vívida dos intensos beijos que eles trocaram no corredor escuro, no baile de natal, veio a sua mente. A garota sacudiu a cabeça, tentando afastar a memória. Queria falar com ele de forma racional.
Como ela não respondeu nada, Remus prosseguiu.
- Você não retornou minhas ligações.
Melissa inspirou profundamente. E respondeu.
- Remus, eu acho melhor nós conversarmos depois.
- Mas Melissa... sobre a noite de natal...
Melissa ficou desconcertada por um instante, mas logo falou.
- Depois, Remus. Vamos despachar as malas.
Ela começou a empurrar o carrinho, desviando seu olhar do dele. Remus apenas inspirou profundamente, e a seguiu.
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Lily e Ellie tinham alcançado o balcão da companhia aérea. Vários outros colegas de Hogwarts passavam por elas. Muitos cumprimentavam, outros paravam para conversar. E todos pareciam muito animados com a viagem. Quando as duas entregavam sua documentação para a atendente da companhia aérea, Lily ouvia as recomendações que Lisa fazia à Ellie. Ela sorriu ao notar que mães são todas iguais.
- Ellie, não se esqueça de guardar bem o passaporte. E se alimente direto, querida. Não quero saber de você ficando sem comer nada!
Ellie parecia contrariada ao responder.
- A Mary andou enchendo sua cabeça com besteiras, não é? Vou ter uma conversinha com ela quando voltar...
Mas Lisa continuou séria ao prosseguir.
- Ela se preocupa assim como eu. Então se comporte! – mas sua expressão se suavizou ao que ela continuou falando – Ah, eu vou ligar para o Karl amanhã, avisando da sua visita. Está bem?
Ellie ficou um pouco pálida, mas concordou com a cabeça. Lisa notou, e falou, sorrindo.
- Não se preocupe, querida. Vai dar tudo certo.
Ellie concordou brevemente, e virou para o balcão, sem dizer mais nada. Lily, que tinha acabado de fazer seu check-in, e já estava com o cartão de embarque na mão, começou uma busca com os olhos. Ela ainda não tinha visto James. E fazia alguns dias que eles não se viam, já que os preparativos para a viagem estavam tomando o tempo de todos. Fora que James estava passando algum tempo com sua família, já que era época de festas. E Lily sorriu ao notar que ela estava era sentindo muita saudade do namorado.
Lily viu Alice chegando com Frank. Ela acenou para a amiga, que logo entrou na enorme fila de check-in. Lily olhou para trás, e viu que Ellie ainda esperava seu cartão de embarque, então resolveu se afastar um pouco da fila para ter uma visão melhor dos que chegavam. Ela viu Sirius chegando com o irmão Regulus. Ela sorriu para o amigo, e acenou. Sirius sorriu de volta, e entrou na fila. Mas nenhum sinal de James ainda.
- Ninguém chegou ainda? – perguntou Ellie, que se juntou à amiga, com o cartão de embarque na mão.
Lily não tirou os olhos da porta ao responder.
- Alice e Frank estão na fila, e o Sirius acabou de chegar com o irmão.
Ellie imediatamente buscou a fila com os olhos, e viu Sirius ao lado de Regulus. Ela desviou o olhar rapidamente, mas não o suficiente para Lily deixar de notar.
- Ellie... será que não existe uma forma de vocês se entenderem?
Ellie suspirou, desanimada. E respondeu.
- Eu tentei, Lily. Eu o convidei para ir à festa de natal lá em casa. Ele não respondeu minha mensagem, e não apareceu lá. Acho que ele deixou bem clara a posição dele.
Lily abriu a boca para continuar o assunto, mas foi interrompida por uma voz muito animada.
- Ellie! Lily!
Marlene vinha caminhando pelo saguão do aeroporto, acompanhada de seus pais, e seu irmão Mike. Mike empurrava o carrinho de malas de Marlene, que só não ultrapassava Ellie no exagero de bagagem. A loira logo estava abraçando as amigas, e parecia mais animada que o normal para uma viagem de escola.
- Eu achei que estava atrasada. Mas demoramos porque o pateta aqui quis vir se despedir no aeroporto de última hora!
Marlene apontava para o irmão, ignorando o fato de ele estar empurrando um bocado de malas bem pesadas. Mas Mike sorria, assim como o casal Mckinnon. E Mike falou.
- Eu queria me despedir das minhas garotas preferidas!
Lily franziu a testa ao ver Mike colocar o braço sobre os ombros de Ellie, que sorriu para ele. Ela imediatamente olhou para Sirius, na fila, para ver se o amigo tinha notado a ex-namorada junto com o irmão de Marlene. E Lily constatou que Sirius olhava o casal com uma expressão fechada. Mas ela também notou que Regulus, irmão de Sirius, olhava na direção do grupo.
- E então, Ellie, o que você vai trazer de presente para mim de Paris? – Mike falou, exibindo aquele sorriso impecavelmente branco e perfeito. Algumas alunas que passavam por perto suspiraram alto o suficiente para eles ouvirem.
- Não sei. – respondeu Ellie, rindo ao notar as paixões que Mike despertava – O que você acha que merece?
Mike fez uma expressão engraçada, fingindo convencimento.
- Merecer, eu mereço o mundo, sweety! Mas estou disposto a aceitar o que você quiser me dar...
Marlene riu, mas fez uma cara de nojo logo em seguida.
- Mike! Nada de falar putaria antes da hora do almoço!
Mas Mike apenas riu, acompanhado de Ellie. Lily ainda olhava a reação de Sirius, que ficava cada vez mais emburrado a cada sorriso de Mike e Ellie.
- Irmãzinha! O que você anda fazendo que deixou sua mente tão suja? Eu só estou pedindo um inocente presentinho para a Ellie!
Lily olhou para Mike, e notou que a associação da palavra inocente a Mike Mckinnon era algo muito improvável. O rapaz tinha cara de que aprontava mais que James e Sirius juntos.
Mas Marlene, por algum motivo inexplicável, ficou vermelha como um pimentão. Mike aproveitou para brincar com a irmã, bagunçando os cabelos dela, e falando.
- Ah, ficou com vergonha...
Os jovens ainda riam de Mike e Marlene quando uma pessoa se aproximou. E chegou falando.
- Ei pessoal.
Lily virou imediatamente na direção da voz. Era James, finalmente.
Assim que Lily viu James, ela sentiu suas pernas bambearem. Ele parecia ainda mais bonito. Provavelmente isso se devia ao fato que ela não o via há alguns dias, mas Lily achou que ele parecia um pouco diferente. Ele tinha um ar um pouco mais maduro. Podia ser apenas impressão dela, mas isso a fez suspirar baixinho.
Por sorte, James não notou. E isso a poupou de uma situação um pouco embaraçosa. James se colocou ao lado de Lily, e pegou a mão dela de forma delicada.
- Oi princesa.
O sorriso de James era tão bonito que Lily apenas deixou escapar a resposta.
- Oi.
Logo ela sentiu os braços de James envolvendo suas costas. E ele falou, bem perto do seu ouvido.
- Eu estava morrendo de saudades de você.
Lily sentiu suas pernas moles, e teve que se controlar para não cair sentada no saguão do aeroporto de Heathrow. E a única coisa que sua mente foi capaz de processar foi a idéia fixa de que aquela viagem seria certamente inesquecível.
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O embarque não foi muito demorado. O que tomou mais tempo foi as longas despedidas entre pais e filhos. Muitas mães chorosas observavam os filhos, o que soava estranho para os passageiros normais no aeroporto. Até porque apenas os alunos maiores de 15 anos tinham permissão para ir à excursão da escola, e eles só ficariam fora de casa por alguns dias.
Quando todos já estavam acomodados no avião, Lily finalmente se deu conta da quantidade de alunos que tomavam conta do vôo. Ela e Ellie estavam debruçadas em suas poltronas, aguardando o restante do embarque dos alunos. As duas foram das primeiras a entrarem no avião, e agora viam calmamente o vai e vem dos passageiros.
- Você já notou que tomamos a maior parte dos assentos desse vôo? Quase não têm outros passageiros! – Lily falou, admirada.
- É sempre assim. – Ellie esclareceu – Mas você ainda não notou a melhor parte de todas. Já reparou nas ausências?
Lily franziu a testa. E buscou a aeronave com os olhos. Os alunos estavam sendo acomodados por ordem alfabética no avião, considerando os sobrenomes. Então Lily finalmente notou. Ela viu Sirius e Regulus, cujo sobrenome era Black, ajeitando suas malas no compartimento de bagagem de mão. E isso a fez falar imediatamente.
- As irmãs Black não vieram!
Ellie sorria, triunfante.
- Exatamente! E o bônus é ainda maior porque os nojentos dos namorados também não vieram.
Lily pensou em Rodolphus Lestrange, e sentiu um arrepio incômodo na nuca. Ainda bem que ele não tinha ido à viagem.
- Você acha que tem algo a ver com aquela denúncia que o pai da Lene fez? – Lily perguntou.
Ellie confirmou com a cabeça.
- Acho que sim. Você viu o Sr. Mckinnon e minha mãe conversando? Pelo que eles falam, a coisa está cada vez pior. Nem sei como o Reggie e o... Sirius... vieram. Acho que os pais deles já tinham assinado a autorização há muito tempo, antes dessa confusão, e resolveram deixar mesmo assim. Mas os Malfoy são certamente mais... superprotetores, e não quiseram deixar o Lucius se expor sozinho. Eles já fizeram pior por bem menos, no passado. E a Narcisa logicamente não deve querer deixá-lo sozinho.
Lily franziu a testa, e perguntou.
- Você... conhece os pais de Lucius Malfoy? – ela falou, estranhando o conhecimento de Ellie sobre a dinâmica familiar dos Malfoy.
Ellie acenou a cabeça, e respondeu.
- Ah, Lily... é uma coisa meio de... – ela estava visivelmente sem graça – É que as famílias nobres... elas meio que todas se conhecem, sabe? E sempre existe algum tipo de parentesco, ou algo do tipo.
Lily arregalou os olhos.
- Você é parente de Lucius Malfoy?
Ellie continuou um pouco envergonhada ao prosseguir.
- Acho que sim, um pouco... mas ele não é o único! Eu sou parente até dos Black, só que bem afastada. Tudo pelo lado do meu pai, minha mãe não tem sangue nobre. – e ela começou a tentar desviar o assunto, acrescentando informações novas – Se você for pensar assim, eu sou um pouco prima do James! Mas acho que ele é ainda mais afastado que o Sirius. Se bobear eu sou mais próxima dos Windsor que do James...
Lily apenas acenou a cabeça, concordando. Era uma das poucas vezes que ela notava o quanto era afastada daquele mundo no qual tinha entrado. Ela já se sentia habituada, mas em momentos como esse ela via a distância que ela, uma garota do interior, tinha de boa parte dos alunos de sua escola. Vários deles eram de famílias nobres. E isso incluía sua melhor amiga Ellie, seu amigo Sirius, e até seu namorado, James. Por mais que James fosse completamente normal, e seus pais nem ligassem para sua origem plebéia, ela pensou que estaria numa situação muito pior se, por algum acaso, estivesse namorando com algum dos irmãos Black, ou algum outro membro de família nobre. Aquele era um mundo diferente demais para ela, e Lily sempre imaginou que os nobres viviam em suas casas enormes de grandes jardins, e ofereciam grandes bailes para os membros da família real. Agora ela freqüentava essas casas enormes. Será que James era convidado para bailes assim com freqüência? E, o pior de tudo, será que ele achava que ela era de alguma forma inferior, por nunca ter freqüentado esse tipo de evento?
Lily se deixou cair na poltrona do avião. Ellie notou a expressão da amiga, e achou, erradamente, que Lily não tinha aprovado seu parentesco com os Malfoys. Ellie começou a se justificar imediatamente.
- Lily, não é como se eu andasse com eles, ou freqüentasse a casa deles regularmente. Para falar a verdade, a última vez que eu vi todos os Malfoys juntos foi no meu Début na sociedade... e eles tinham que estar lá, afinal a filha...
Mas Lily não reparou no fim da frase de Ellie. Ela lembrou claramente quando Ellie mostrou casualmente um álbum de fotos, que tinha algumas fotos da apresentação de Ellie à sociedade londrina. Dois fatos ficaram marcados em sua memória. Fora o belo vestido branco que a amiga tinha usado, Lily lembrou que os dois príncipes da Inglaterra, William e Harry, tinham comparecido ao evento de gala. E que o acompanhante de Ellie para o baile, que tinha dançado a valsa com ela, era James.
James. Ela ficou ainda mais chateada.
James estava acostumado com esses tipos de evento. Ela visualizou em sua mente a foto de Ellie e James sorridentes, ele com um traje formal completo, e cabelos muito alinhados. Não lembrava nem de longe o James que ela estava habituada. De cabelos revoltos, ouvindo rock o tempo inteiro, ou tocando sua guitarra. Ou então aprontando em Hogwarts junto com Sirius, recebendo detenções e jogando basquete.
Aquele rapaz da foto não era o James que Lily conhecia. Era um James completamente diferente.
E então Lily pensou. Será que aquele era o James real? Será que o James que ela conhecia era apenas uma faceta do rapaz, e que ele tinha vários outros aspectos que ela desconhecia completamente?
E, o pior pensamento de todos: será que ela se adaptava às outras facetas de James?
Lily não tinha idéia de como se portar num evento que envolvia membros da família real. E, por mais desligada que ela pudesse ser, ela já tinha notado que, invariavelmente, tanto James, quanto Ellie e Sirius freqüentavam eventos assim de vez em quando.
Será que ela se adaptaria? Ou, ainda pior, será que James teria vergonha dela, por ela ser uma garota do interior, e acabaria nunca a levando para eventos desse porte?
Lily olhou brevemente para o lado, e notou que Ellie ainda contava sobre o seu baile de début. Agora a amiga sorria animadamente enquanto falava.
- Então, depois da fuga espetacular, o Sirius me jogou por cima do ombro, e pulou o muro. Nem preciso dizer que nós nos esborrachamos do outro lado. Mas eu estava completamente bêbada mesmo, nem senti! E o James se jogou pelo muro logo depois, e quase caiu em cima de mim ao aterrissar. Meu vestido de debutante quase foi para o lixo depois disso. Por sorte a lavanderia fez milagre e eu não fiquei com um vestido todo enlameado em vez de branco...
Lily sorriu ao ouvir o fim da história. Aquilo parecia finalmente com algo que James, Ellie e Sirius faziam. Ela sentiu um pequeno alívio. Mas não esqueceu completamente o receio.
E ela pensou, de forma triste, que a única preocupação que ela tinha, antes de entrar naquele avião, era a respeito de sua resolução em iniciar sua vida sexual com James. Antes fosse...
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Assim que o avião estava completamente ocupado por passageiros, os professores responsáveis pela excursão, no caso, o professor Binns, de história, e a professora McGonagall, de física, começaram a conferir todos os alunos presentes. Após constatarem que todos estavam presentes, eles se acomodaram em seus assentos.
Lily estava sentada numa das fileiras centrais aeronave. Ao seu lado direito estava sentado James, e do lado esquerdo, Ellie. James estava extremamente carinhoso com ela naquele dia, já que eles não se viam há alguns dias. E Ellie estava ficando visivelmente entediada com isso.
Após o décimo beijo que James deu em Lily, Ellie começou a reclamar.
- Ah, qual é! O vôo é super curto, são só 40 minutos! Vocês dois precisam ficar me torturando até lá?
James se inclinou para visualizar a amiga, e respondeu.
- Eu estou com saudade dela!
Ellie levantou uma das sobrancelhas, e retrucou.
- Ela não vai fugir, sabia? E vocês têm todo o tempo do mundo para tirar o atraso em Paris. – Lily ficou imediatamente vermelha ao notar o duplo sentido da frase da amiga. Mas Ellie prosseguiu – Além do que, para onde eu olho tem gente beijando na boca!
Ellie apontou para as poltronas à sua esquerda, depois do corredor. Alice e Frank davam um mega beijo completamente agarrado, sem se importarem com as outras pessoas.
James apenas sacudiu o ombro, e puxou Lily para um novo beijo. Ellie bufou, e resmungou baixinho.
- Odeio ficar de vela.
Mas James e Lily não se soltaram, então ela apenas soltou seu cinto de segurança, e debruçou em sua poltrona, olhando para trás. Com esperança de encontrar alguém para conversar, e que não estivesse interessado em trocar saliva com a pessoa mais próxima.
Nas três poltronas logo atrás de James, Lily e Ellie estavam sentados Sirius, Remus e Melissa, respectivamente.
Um pequeno momento de constrangimento se passou quando Ellie e Sirius trocaram um olhar, mas a garota engoliu o receio, e falou com o grupo.
- Alguém quer bater papo? Não agüento mais esse grude aqui na frente.
Remus riu do comentário de Ellie, mas Melissa e Sirius ficaram quietos. Mas não por muito tempo. Lily e James fizeram um som de beijo mais alto que conseguiu arrancar uma risadinha de Melissa, e um sorriso torto de Sirius.
- Quem mandou sentar com o casalzinho apaixonado? É isso que acontece! – Remus falou.
Ellie abriu a boca para responder, mas não falou nada. Sua resposta incluía uma óbvia referência a ela não poder sentar ao lado de Sirius, e, em nome da convivência pacífica entre os dois, ela ficou muda. Mas nem precisou responder, já que eles foram interrompidos pela voz da professora McGonagall.
- Senhorita Dumbledore! Sente em seu lugar e afivele o cinto. Daqui a pouco vamos decolar.
Ellie voltou seu rosto para frente, e acenou para a professora. Mas logo voltou para trás ao ouvir a voz de Sirius.
- Por que será que a McGonagall veio numa excursão sob responsabilidade do professor Binns? Ela dá aula de física, e essa excursão vai valer notas extras para história!
Melissa sacudiu os ombros, sem saber responder. Ela era novata em Hogwarts, e nunca tinha ido numa excursão dessas. E Remus respondeu.
- Não sei, vai ver ela vai nos levar em algum lugar relacionado à matéria dela...
Mas Ellie, ainda pendurada na poltrona, respondeu de imediato. Ela nem lembrou que estava com o relacionamento estremecido com Sirius.
- Ah, você nem desconfia? É por causa de você e do James!
Um barulho de bocas se descolando foi ouvido, e logo James também estava dependurado em sua poltrona.
- Eu ouvi meu nome?
- Minha causa e do James? E por quê? – Sirius perguntou.
Ellie revirou os olhos, e respondeu.
- Vocês dois são quase incontroláveis pelos professores na escola. Imagina o Binns, que já é um bocado velho, tentando controlar vocês no Louvre! McGonagall veio para servir de cão de guarda.
Neste momento Lily também tinha esticado o pescoço para participar da conversa. Remus ria do comentário de Ellie, e concordou com a garota.
- Lembra daquela vez que fomos numa fazenda para aprender sobre a produção agrícola na Grã-Bretanha? – ele falou, entre risos – O James e o Sirius soltaram as vacas que estavam no curral e as tocaram em direção ao Snape! O cara quase teve um ataque cardíaco...
Melissa, inesperadamente, teve uma crise de riso como nenhum deles jamais tinha visto. Por um instante eles se entreolharam, espantados, mas logo se juntaram a ela nos risos. Ellie completou.
- E eu não esqueço que eles reuniram uma sacola inteira de penas de galinha e jogaram em cima da Narcisa e da Bellatrix. Imagina as duas cobertas de penas!
Agora quem riu mais foi Lily. Ela visualizou Narcisa, tão esnobe, coberta de penas fedorentas. Devia ter sido impagável.
- Bons tempos... – suspirou Sirius.
- Com certeza! – James concordou.
Melissa agora estava mais recomposta, mas ainda sorria. O ambiente ficou bem mais descontraído, mas logo a conversa foi interrompida.
- Srta. Dumbledore! Já não falei para afivelar o cinto? O mesmo vale para você, Sr. Potter! Vou ter que começar a distribuir detenções?
Ellie sorriu amarelo, e começou a voltar para o assento. Ela franziu a testa ao ver Lily já sentada e de cinto afivelado.
- Ei, como você sentou tão rápido?
Lily apenas sorriu, mas quem respondeu foi Alice, que tinha largado Frank por um segundo, e estava prestando atenção na conversa dos amigos.
- A Lily voltou ao lugar assim que McGonagall falou a primeira letra. Você devia ter visto, ela parecia ter desmaterializado. Juro que nunca vi alguém se mexer tão rápido...
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Como Ellie tinha previsto, o vôo de Londres a Paris foi muito rápido. Nem deu tempo para curtir a viagem. Eles logo estavam pousando no aeroporto Charles de Gaulle. Um pequeno tumulto no desembarque, causado pela ansiedade dos alunos, teve que ser controlado pelos professores.
Lily alcançou a sua bagagem de mão, e sentiu uma mão pegando a sua. James sorria para ela, e a puxou para saírem da aeronave.
Os professores tentavam fazer com que os alunos não se dispersassem, mas isso parecia uma tarefa quase impossível. McGonagall teve que usar dos seus melhores gritos para conseguir conter a pequena multidão de alunos entusiasmados por passarem o reveillon na cidade luz.
Quando ela finalmente conseguiu reunir todos no saguão do aeroporto, ela começou a dar instruções.
- Nós vamos agora pegar o transporte que vai nos levar para o hotel. Lá o check-in será feito, e eu os lembro que ficarão dois alunos em cada quarto. E isso significa dois alunos do mesmo sexo, Sr. Prewett! – ela falou, olhando feio para Gideon Prewett, que visivelmente tentava aliciar uma garota do terceiro ano a ficar no mesmo quarto que ele.
Gideon apenas sorriu de forma falsamente inocente para a professora de física, e McGonagall continuou.
- Então todos deverão embarcar. Eu irei com metade do grupo, e o professor Binns vai com o restante do grupo. Assim que todos tiverem se acomodado no hotel, nós iremos... SR. BLACK! SRTA. DUMBLEDORE! SERÁ QUE VOCÊS PODEM PARAR UM SEGUNDO COM ISSO?
Lily olhou assustada na direção que a professora encarava. Ellie e Sirius estavam ligeiramente afastados do aglomerado de alunos. E eles estavam discutindo ferozmente até o instante que a professora os interrompeu.
Os dois apenas acenaram com a cabeça para a professora. Mas não pararam a discussão, apenas baixaram o tom de voz, e tentavam fingir que nem se falavam. Lily e James se aproximaram dos dois, e Lily conseguiu ouvir parte da discussão, que já estava no meio.
- Mas isso foi logicamente sua culpa, Sirius! – Ellie falou, num tom baixo, mas obviamente raivoso.
- Minha culpa? Você bebeu, foi, garota? Eu não tive nada a ver com isso! – Sirius também mantia a conversa em tom baixo.
Lily, por um instante, achou que eles estavam brigando a respeito do término do namoro dos dois. Mas logo ela percebeu que a discussão dos dois era por algum motivo menos sério. Ela notou isso ao ver o sorriso nos lábios de James.
- O que foi, James?
James olhou para Lily, após rir de Ellie, que chamou Sirius de "imbecil e completo energúmeno", e respondeu.
- Sabe, eu acho que eles ainda tem uma chance boa de se entenderem de vez.
Lily franziu a testa, e falou.
- Mas eles parecem que vão se matar a qualquer momento!
James olhou de relance para os amigos, e depois virou para Lily.
- É que eu conheço os dois desde sempre, Lily. Eu já vi isso acontecendo várias vezes. E eu sei que esse tipo de briga é a "versão Ellie e Sirius" de preliminares. É sempre assim que começa. Logo, logo eles estão se embolando por algum canto... e de uma maneira que nem de longe lembra uma briga!
Lily sorriu, um pouco sem graça. Por sorte James a abraçou, e não percebeu sua expressão. Algo no fato de James ter falado a palavra "preliminares" a deixou nervosa. Muito nervosa.
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Assim que McGonagall conseguiu ordenar os alunos, eles deixaram o saguão do aeroporto. Assim que chegaram ao exterior do aeroporto, eles notaram dois enormes ônibus de turismo estacionados ao lado da calçada. A professora explicou que os ônibus os levariam até o hotel. E lentamente os alunos começaram a entrar no transporte.
Lily e James entraram no primeiro ônibus, e logo acharam duas poltronas para sentarem. Ellie e Sirius, ainda discutindo, entraram sem pensar, e sentaram juntos nas poltronas logo atrás de James e Lily. James cutucou de leve Lily, e indicou o casal com os olhos. Os dois estavam tão absortos na discussão que nem notaram que estavam sentados juntos. E, provavelmente esqueceram que praticamente não se falavam mais. McGonagall, que iria acompanhar os alunos do primeiro ônibus, chamou novamente a atenção dos dois, prometendo uma enorme detenção se eles não parassem de perturbar tranqüilidade de todos. Novamente o casal diminuiu o volume, mas ainda trocavam insultos em tom baixíssimo. Volta e meia Lily ouvia um "idiota" ou então um "maluca" vindo da fileira de trás.
Remus aproveitou a confusão que os alunos criavam para embarcar nos ônibus, e se aproximou de Melissa.
- Já decidiu com quem você vai dividir o quarto?
Melissa se voltou para o rapaz, e franziu a testa.
- Eu... não sabia que teríamos que dividir o quarto com outra pessoa.
Remus a olhou, um pouco admirado.
- Você não leu o roteiro da viagem?
Melissa sacudiu os ombros, e falou.
- Não perco meu tempo com detalhes.
No instante que ela terminou a frase, se arrependeu. Ficou claro que Remus tinha lido aquele roteiro pelo menos duas vezes. Ela abriu a boca para tentar se desculpar, mas nenhuma palavra saiu.
Mas Remus não ficou chateado com a frase da garota. Ele estava esticando a mão para tentar pegar a mão de Melissa, quando alguém se aproximou muito rápido, já falando.
- Mel! Senta comigo no ônibus? Eu quero conversar com você!
Marlene Mckinnon olhava para Melissa com uma expressão de óbvia ansiedade. Melissa apenas entreabriu os lábios, mas Marlene não precisava de resposta nenhuma. Simplesmente saiu puxando Melissa pela mão, e a conduziu para o segundo ônibus.
Remus ficou parado, sozinho, na calçada. Então a voz ligeiramente rouca do professor de história o fez acordar.
- Sr. Lupin, não vai embarcar? Todos já entraram no ônibus!
Remus rapidamente pegou sua mochila, jogou nas costas, e entrou no segundo ônibus.
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Todos os alunos já estavam acomodados, ou terminando de guardar suas bagagens de mão quando Remus iniciou sua caminhada pelo corredor do ônibus. Ele logo localizou Melissa sentada ao lado de Marlene, que falava algo em seu ouvido. Ele e Melissa trocaram um breve olhar, mas ele prosseguiu seu caminho. Não havia nenhum local vago na parte da frente do ônibus, então o rapaz foi caminhando até as últimas fileiras. Como ele pode constatar, apenas um local estava vago. Era na última fileira, e o assento da janela já estava ocupado. Seu ocupante olhava pela janela, mas virou o rosto assim que Remus fez menção de sentar. Era Regulus Black.
Remus e Regulus trocaram um olhar silencioso, e Remus sentou ao lado do rapaz.
Remus se sentiu um pouco desconfortável. Ele sabia do segredo de Regulus, mas nunca tinha trocado mais que duas frases com o rapaz na vida. E ele tinha ajudado Regulus e Marlene a ficarem juntos no Baile de Natal. Mas ele não podia simplesmente puxar assunto com o irmão mais novo de Sirius, e perguntar se o namoro dele com Marlene estava indo bem. Era esquisito demais.
Os dois permaneceram mudos por um longo tempo. Nenhum dos dois tinha idéia do que conversar um com o outro.
Já a situação de outra dupla de alunos, várias poltronas na frente, era completamente diferente. Marlene e Melissa não paravam de conversar. Mesmo que isso significasse dez frases de Marlene para cada frase de Melissa.
- Então foi isso que aconteceu, Mel. Eu não tenho como agradecer mais a você eu ao Remus. Sério, foi incrível o que vocês fizeram por nós dois. Valeu mesmo!
Melissa apenas sacudiu a cabeça. Não conseguia se acostumar com alguém sendo tão grata a ela. Fora que Melissa achava que não tinha feito nada demais. Só tinha acompanhado Regulus ao Baile, e dançado uma música com ele. Eles mal conversaram durante o tempo que estiveram juntos, e ela percebeu que Regulus era calado. Melissa achou aquela uma boa qualidade do rapaz. Até porque suas novas amigas, Ellie e Marlene, costumavam falar mais do que ela estava acostumada. Pelo menos com as companhias que ela tivera no último ano.
- Nós não conseguimos combinar nada ainda, para essa viagem. – prosseguiu Marlene, mantendo o tom baixíssimo de voz, para que ninguém ouvisse – Sem as aulas, fica ainda mais difícil arrumar uma forma de comunicação. A Ellie tentou ajudar, mas ela também não pode entrar em contato direto com o Reggie.
Melissa apenas olhou para a loira ao seu lado, e falou.
- Que chato.
Marlene enfiou a mão no bolso da calça jeans que usava, e mostrou um pequeno papel todo dobrado. E falou.
- Eu tentei entregar esse bilhete para ele durante o vôo, mas não consegui. Ele estava sentado ao lado de um grupo de sonserinos do terceiro ano. E eles não tiraram os olhos de mim quando eu passei. Provavelmente por causa dessa história com o meu pai...
Melissa observou o papel por um instante, e falou, sem pensar.
- Se você quiser...
Marlene abriu um sorriso luminoso. Ela não se conteve, e abraçou Melissa brevemente.
- Você faria isso? Ah, Mel... nem sei como agradecer!
Melissa apenas sorriu de lado, novamente incomodada com a demonstração de afeto da garota. Ela tinha ficado tanto tempo sem amigas de verdade que agora estava difícil se acostumar com esse tipo de comportamento tão espontâneo tanto de Marlene quanto de Ellie. Ela então pegou o papel, e falou.
- Volto daqui a pouco.
Melissa escondeu o papel na mão direita, e começou a percorrer o corredor. Alguns alunos a observaram discretamente, e ela fez o máximo para evitar encarar os rostos que a olhavam. Ela apenas procurava o semblante pálido e os cabelos muito pretos de Regulus.
Não demorou muito a localizá-lo, na última fileira. E, ao lado dele, estava sentado Remus.
Melissa poderia rir naquele momento. Será que esse tipo de coisa só acontecia com ela?
Remus não demorou a notar a presença dela no corredor. E sorriu, vendo-a caminhando na direção dele.
Melissa então percebeu que poderia usar a presença de Remus ali para entregar o papel de forma ainda mais discreta para Regulus. Assim que chegou até a fileira deles, ela olhou para os dois, e falou.
- Oi. – sua voz saía um pouco diferente, já que ela tentava falar da forma mais casual possível. – Tem alguém no banheiro?
Remus olhou para trás, e viu a porta do banheiro entreaberta. Ele franziu a testa, e se perguntou para que Melissa estava perguntando aquilo, já que era óbvio que o recinto estava vazio. Ele ia responder a garota, mas o ônibus freou, parando num sinal de trânsito. Naquele instante, Melissa apoiou a mão esquerda na poltrona de Remus, e o rapaz viu claramente um papel dobrado voando diretamente no colo de Regulus.
Remus franziu a testa por um segundo, mas Regulus pareceu entender instantaneamente. Ele recolheu o bilhete de forma discretíssima, e se virou para a janela do ônibus. Fingindo estar observando a paisagem da capital da França, o rapaz desdobrou o bilhete, e leu o conteúdo.
Melissa sorriu muito brevemente, e entrou no banheiro.
E Remus entendeu o que tinha acontecido. Ele escorregou o tronco em direção ao corredor, e pode ver Marlene se virando para trás, encontrando o seu olhar, e sorrindo muito brevemente.
Melissa não demorou nada no banheiro. Ela logo estava novamente no corredor, e parou por um instante, como se esperasse algum tipo de resposta de Regulus. Assim que a viu, parada ali no corredor, Regulus levantou, e falou com Remus.
- Eu... vou ao banheiro.
Remus levantou para dar passagem ao primeiranista. Melissa também se afastou, e ficou um instante sem saber o que fazer. Mas, desta vez, quem pensou rápido foi Remus.
- Senta um instante aqui comigo, eu quero falar com você.
Ele não esperou a resposta de Melissa. Simplesmente ele a pegou pela mão, e a fez sentar ao lado dele.
Assim que se viu sentada, Melissa olhou para Remus. O rapaz tinha um sorriso brincalhão no rosto. Melissa começou a sentir um calor inexplicável.
- Quer dizer que você virou pombo correio dos apaixonados? – ele falou, debruçando na direção dela, para ninguém ouvir o que os dois conversavam.
Melissa, mesmo tendo que se controlar pela repentina proximidade de Remus, ainda assim conseguiu dar uma resposta ligeiramente atravessada ao rapaz.
- Eu só estou fazendo um favor!
Remus, mesmo ouvindo o tom ligeiramente áspero dela, ainda assim riu, e falou.
- Eu estou brincando com você.
Melissa abriu a boca para dar uma nova resposta atravessada, mas não conseguiu. O olhar dela se perdeu nos olhos castanhos e brilhantes de Remus. Ela então desviou o olhar por um instante dos olhos dele, e mirou o sorriso do rapaz. Os lábios dele pareciam perfeitamente desenhados no sorriso divertido e sincero que ele exibia. Melissa nem percebeu seus lábios se entreabrindo. A única coisa que ela queria, naquele instante, ela beijar aqueles lábios tão apelativos. Remus notou que a garota olhava fixamente para a boca dele, e resolveu ser um pouco mais ousado. Ele se aproximou um pouco mais dela, e falou.
- O que foi, se distraiu com alguma coisa? Ou você não tem mais respostas atravessadas para me oferecer?
Melissa novamente não conseguiu responder. Isso porque Remus usou uma voz bem mais baixa e grave para falar. Fora que ele usou uma entonação de sarcasmo insinuante que ela nunca o tinha visto usar antes. De alguma forma, o tom de voz dele a fez ficar completamente sem reação.
Remus novamente se aproximou da garota, que sequer conseguia se mexer. Ele falou, com os lábios quase colados ao ouvido dela.
- Será que agora nós podemos conversar sobre a festa de Natal na casa da Ellie?
Antes que Melissa pudesse reagir, ou que tentasse reagir, já que parecia congelada na mesma posição, Regulus saiu do banheiro. Ele franziu ligeiramente a testa ao ver Melissa sentada na poltrona dele. Mas Remus olhou para o rapaz, em pé ao seu lado, e falou.
- Regulus, será que você se importa de trocar de lugar com a Melissa por algum tempo? Nós ainda não terminamos a conversa.
Regulus olhou para Melissa por um segundo, mas a única coisa que a garota conseguiu fazer foi sacudir de leve a cabeça. Regulus então acenou com a cabeça, e foi andando para a parte da frente do ônibus. Assim que avistou o assento de Melissa, o único vazio, ele prendeu a respiração por um instante. Marlene estava sentada na poltrona ao lado.
Remus acompanhou com os olhos Regulus sentando na poltrona que Melissa ocupava anteriormente, e novamente sorriu. Só que agora ele tinha voltado seus olhos para Melissa. E ele falou.
- Onde nós estávamos, mesmo?
Melissa percebeu que o restante da viagem até o hotel seria ainda mais difícil. Mas de uma maneira perturbadoramente boa.
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Finalmente os dois ônibus percorreram as ruas de Paris, e chegaram ao seu destino. Lily se debruçou na janela, e avistou a Place Vendôme. Logo os ônibus estacionaram, e lentamente os alunos começaram a saltar. Lily virou para James, que carregava as bolsas de mão dos dois, e falou.
- Você sabe em que hotel vamos ficar?
James franziu a testa.
- Lily, você realmente não leu o roteiro da viagem?
Lily apenas abriu um pequeno sorriso, e respondeu.
- A Ellie não deixou. Disse que seria uma "surpresa".
Ellie, que estava logo atrás de Lily na fila de descida do ônibus, e momentaneamente tinha deixado sua discussão com Sirius para lá, falou.
- E vai ser uma ótima surpresa!
James caminhou até a porta do ônibus, e desceu assim que o aglomerado de alunos foi se dissipando. Lily o seguiu, e então avistou o hotel.
Lily o reconheceu assim que viu a fachada. Obviamente, como já havia sido cenário de diversos filmes, o hotel mais famoso da capital francesa era fácil de reconhecer. Lily imediatamente virou para trás, e olhou para Ellie de forma muito espantada.
- Vamos ficar no Ritz? Você está de brincadeira?
Ellie olhava para o hotel com um sorriso no rosto, e um ar de familiaridade que fez Lily perceber que ela era hóspede regular do local. Mas Ellie simplesmente respondeu.
- Vamos. Gostou?
- Os quartos devem custar uma fortuna! – Lily falou, ainda de olhos arregalados.
Ellie sorriu de forma cúmplice, e falou, baixando o tom de voz.
- Quando meu avô contou que a excursão desse ano seria em Paris, eu meio que "sugeri" o Ritz. Ele gostou da idéia. Mas não se preocupe com o preço. Hogwarts sempre paga parte do preço da viagem.
Lily sentiu alívio ao ouvir aquilo. Ela não queria que seus pais precisassem desembolsar uma pequena fortuna para que ela se hospedasse num hotel de luxo. Mas tranqüila, ela apenas ficou observando a bela fachada do prédio. Ellie, ao seu lado, inspirou profundamente, e falou.
- Ai, o cheiro de Paris... eu estava morrendo de saudades disso!
Sirius, que estava ao lado de James, retrucou.
- Cheiro? Está maluca? Essa cidade cheira como qualquer outra cidade. E ainda tem a desvantagem de estar cheia de franceses!
Ellie imediatamente olhou para ele, ligeiramente ultrajada.
- Como é que é? E o que você quer dizer com "cheia de franceses"?
Sirius revirou os olhos, e respondeu.
- Franceses são uns babacas. E são um bando de gays.
Ellie franziu a testa, e, invariavelmente recomeçou a discussão.
- Então porque você veio na viagem, se detesta tanto os franceses?
Sirius nem se abalou com a pergunta dela, e falou, de forma simples.
- Por vários motivos. Um deles é ficar bem longe da minha família. Outro é que eu gosto de viajar, não importa para onde. Mas o melhor deles é que, se eu não viesse, como eu iria poder estragar a sua viagem?
Ellie escancarou a boca. Lily viu os olhos da amiga faiscando. Mas Sirius imediatamente virou as costas para a garota, jogou sua mochila nas costas, e seguiu para a porta de entrada do hotel.
Ellie começou a respirar de forma profunda e rápida. Lily notou que, se alguém não contivesse os ânimos entre o ex-casal, eles acabariam se atracando rapidamente. E de uma forma não muito saudável.
É, aquela viagem podia ser maravilhosa, ou poderia simplesmente acabar num total desastre. Mas Lily teve certeza absoluta que ela seria agitada. Muito agitada.
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- E então, você vai responder a minha pergunta, ou não?
Melissa ainda estava presa naquela conversa com Remus quando o ônibus parou. Ela nem notou a falta de movimento do veículo. Estava tentado pensar numa resposta que não parecesse completamente estúpida. Mas tudo que ela pensava soava ridiculamente patético a ela.
- Melissa? Você vai responder? – Remus insistiu.
- Eu... – a garota arriscou.
Remus apenas sorriu. Melissa pensou se alguém iria notar se ela pulasse no colo dele e arrancasse a camisa dele ali mesmo. Era lógico que notariam. Mas ela estava quase convencida que o risco valia à pena. Mas Remus continuou falando, e a voz dele soava cada vez mais apelativa à garota.
- É bem simples, na verdade. Você apenas precisa aceitar o meu convite. Nada mais.
Novamente Melissa abriu a boca. E novamente som nenhum saiu dali. Só que desta vez Remus não esperou uma resposta. Ele se inclinou em direção à Melissa, e estava mirando em seus lábios. Ele estava a centímetros de beijá-la quando foi interrompido.
- Sr. Lupin, Srta. Kensington. Vocês ainda não desembarcaram? Todos já estão no hotel fazendo check-in!
O casal se afastou imediatamente, e olharam a expressão questionadora do professor Binns. Imediatamente eles levantaram, pegaram suas bagagens de mão, e desceram do ônibus. Eles foram seguidos de perto pelo professor, que parecia imaginar que a dupla poderia fugir a qualquer momento.
Melissa aproveitou a presença do professor para ganhar mais tempo. Assim não precisaria responder a pergunta de Remus naquele instante.
Quando eles finalmente entraram, Melissa ficou momentaneamente distraída com a suntuosa decoração do lobby do hotel. O enorme lustre de cristal atraiu sua atenção. Foi apenas quando o professor Binns os chamou novamente, que ela voltou sua atenção a ele.
- Vocês são os últimos a fazerem o check-in. Como existe um número ímpar de alunos e alunas...
Mas Melissa arregalou os olhos imediatamente, e interrompeu o professor.
- O senhor está sugerindo que eu fique no mesmo quarto que o Remus?
O velho professor parecia ainda mais assustado que Melissa com aquela possibilidade. E falou de forma muito séria.
- Lógico que não, Srta. Kensington! O único inconveniente é que vocês terão que ficar sozinhos em seus quartos. Não terão companheiros para dividir o quarto.
Melissa ficou aliviada por um instante, mas logo pensou se seria tão ruim assim dividir um quarto com Remus. Ela observou o rapaz ao seu lado, preenchendo uma ficha com informações para o hotel. Uma onda de calor percorreu seu corpo, e ela teve certeza que não seria nem um pouco ruim. Muito pelo contrário.
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Lily e Ellie chegaram ao quarto que iriam ocupar. Assim que elas abriram a porta, Lily ficou maravilhada com o quarto. A decoração clássica, inspirada na época de Luís XVI estava marcante em todos os objetos, nas longas cortinas, na lareira em frente à cama, e nas poltronas acolchoadas. Ellie prontamente deu uma larga gorjeta ao carregador, que teve o trabalho de carregar suas inúmeras malas. E elas finalmente puderam conversar.
Lily se jogou na enorme cama de casal, enquanto Ellie abria uma de suas malas, e começava a pendurar as roupas que eram mais sujeitas a amassar.
- Nossa, eu adorei o quarto! – Lily exclamou, abraçando um travesseiro.
- É ótimo, não é? – Ellie respondeu, enquanto pendurava um vestido preto elegante no cabide do armário. – Está à disposição para você e o James. Só me deixe encontrar alguma alma boa o suficiente para me acolher por uma noite...
Lily parou de sorrir imediatamente. E olhou para Ellie.
- Você... está falando sério mesmo?
Ellie deu uma gargalhada. E respondeu.
- E como você espera perder a virgindade comigo dormindo do seu lado na cama? Eu posso até ser um pouquinho mais... ousada que você, mas ménage à trois não é minha praia, não...
Lily sorriu brevemente, mas logo voltou a pensar em seu pequeno dilema. Ela se sentia preparada para ir para cama com James. Mas mil dúvidas povoavam sua mente. E a mais freqüente, naquele momento, era a relativa às origens dos dois. Será que aquilo iria interferir no relacionamento dos dois, no futuro? Algo dentro dela dizia que James não se importava com isso, e que ela não deveria se importar também. Mas, todas as vezes que ela tentava racionalizar, ela via que existia a possibilidade real de James notar que eles eram de mundos diferentes, e que isso era algo importante.
- Lily? Está tudo bem? Eu estou brincando, tá!
Lily notou que Ellie tinha uma peça de roupa na mão, mas que ela olhava na sua direção. Lily rapidamente concordou com a cabeça, e falou.
- Está tudo bem, sim. Eu sei que você está brincando.
Algo em Lily a fez não ser honesta com a melhor amiga. Lily achava que Ellie não era a melhor pessoa para se ter uma conversa sobre aquele assunto. Até porque a amiga estava na mesma situação que James. Ela também tinha sangue nobre. Ela não sabia como era ser alguém de origem comum. E sua perspectiva não seria igual à de Lily a respeito do caso.
Mas Lily não ficou pensando durante muito tempo sobre o assunto. Já que ela ouviu uma leve batida na porta. Ellie rapidamente foi até lá, e abriu a porta. Era James.
- Ei, Jimmy. – Ellie falou, esticando uma blusa que estava dobrada. – Entra aí. A Lily está experimentando a cama.
Ela pontuou a palavra com um pouco de malícia, e Lily olhou para a amiga com os olhos um pouco arregalados. Mas Ellie apenas sorriu, e voltou à sua arrumação de armário.
James entrou no quarto, e logo estava sentado na cama junto com Lily.
- Oi princesa. Já arrumou suas coisas?
Lily esqueceu quase por completo seus receios. James tinha alcançado uma mecha de seus cabelos, e deslizava os dedos suavemente por ela.
- Ainda não. A Ellie está monopolizando o armário.
Ellie esticou apenas a cabeça por detrás da porta do armário, e reclamou.
- Ei, eu estou deixando bastante espaço para você colocar suas coisas!
Tanto James quanto Lily riram. E James olhou para o quarto das garotas, notando as diferenças entre o quarto delas e o dele.
- O meu quarto é um pouquinho maior. Mas também tinha que ser, para caber as duas camas.
Lily riu brevemente.
- Ah, é. Homens não podem dormir na mesma cama...
James franziu a testa, e falou, levemente indignado.
- Lógico que não! Isso seria... nojento.
Lily riu novamente, e falou.
- E por que não é nojento duas garotas dividindo a mesma cama?
James sorriu, e respondeu.
- Porque vocês são garotas, e garotas não são nojentas. São cheirosas e lindas.
Lily caiu na gargalha, e constatou.
- Mas você é um homem! Como pode achar homens nojentos?
James recostou a cabeça num travesseiro, e falou sorridente.
- Todos os outros homens do mundo são nojentos. Menos eu!
Lily levantou uma das mãos, e passou pelos cabelos de James. E falou.
- Convencido!
James começou a se inclinar para beijar Lily, mas uma voz o fez pular imediatamente da cama, e ficar em pé tão rápido quanto possível.
- SR. POTTER! O que você está fazendo neste quarto?
A professora McGonagall estava parada na porta do quarto, que James tinha deixado aberta, e tinha as duas mãos na cintura. Só faltava ela estar batendo um dos pés no chão.
- Eu... só estava vendo se as garotas precisavam de... ajuda.
James estava em pé de forma tão reta que parecia no exército. Lily sentiu que seu rosto esquentando. E Ellie sufocou precariamente uma gargalhada. Mas ela foi em auxílio ao amigo.
- Ele está nos ajudando com as malas, professora.
Mas os olhos da professora de física se estreitaram, e foram da expressão falsa de inocência de James, ao rosto em chamas de Lily.
- Não parece que vocês precisem de ajuda. O Sr. Potter já pode voltar para o quarto dele. E nada de visitinhas!
James sacudiu a cabeça e seguiu a professora, que ficou na porta do quarto para ter certeza que James sairia de lá. Assim que eles saíram, Ellie caiu no tapete de tanto rir.
- Ai meu Deus, você tinha que ver sua cara!
Lily, ainda corada pelo flagra da professora, apenas falou.
- Ei, não ri, não! O que eu vou fazer para... você sabe... distrair a McGonagall?
Ellie levantou do tapete, enxugando as lágrimas de tanto rir. E ela sentou na cama, ao lado de Lily. Olhou para a amiga ainda com um ar risonho, e respondeu.
- Bem, acho que precisamos de um bom plano. Mas não se preocupe. James é especialista nesse tipo de coisa!
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Assim que todos os alunos estavam acomodados, os professores passaram de quarto em quarto, avisando que em meia hora eles iriam deixar o hotel, e começariam as atividades da excursão. Então boa parte deles tomou banho, e trocou de roupa, se preparando para o passeio.
Logo Lily e Ellie desceram para o lobby, e o encontraram apinhado de jovens. Elas localizaram os amigos, e foram até eles.
- Nós vamos novamente nos dividir em dois grupos, e os ônibus vão nos levar até a Catedral de Notre-Dame. Lá o professor Binns vai conduzir o grupo, e tirar quaisquer dúvidas que vocês tiverem. – a professora McGonagall falava em voz alta para todos ouvirem.
Lily e Ellie se juntaram a Alice, Marlene e Melissa. James, Sirius, Remus e Frank estavam um pouco mais afastados das garotas, e conversavam entre si. Assim que Lily e Ellie se juntaram às garotas, Ellie perguntou.
- Oi. Com quem vocês estão dividindo o quarto?
- Eu fiquei com a Mary MacDonald. – disse Alice. – Ela é tranqüila. Meio quietinha, mas é legal.
- Eu estou dividindo com a Emmeline Vance. – respondeu Marlene.
Melissa foi a única que não respondeu de imediato. Então Lily perguntou.
- E você, Melissa?
Melissa olhou brevemente na direção dos rapazes, que riam de alguma coisa que um deles falou, e respondeu.
- Eu fiquei sozinha.
Lily e Marlene franziram a testa. E Marlene perguntou.
- Sozinha? Por quê?
- Número ímpar de alunas. E eu fui a última a me registrar no hotel.
Ellie sorriu, e falou.
- Sortuda! Vai poder aproveitar a privacidade se quiser levar alguém para te fazer companhia.
Todas as garotas riram. Melissa, ao contrário, ficou séria. Ela só conseguia pensar em uma pessoa que ela quisesse que fizesse companhia a ela...
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- Sozinho no quarto! Sozinho! Você não sabe como é privilegiado...
Remus ouviu Sirius repetir essa frase pela milésima vez. Mas não foi só ele. Frank e James também admiraram a sorte do rapaz.
- Não foi como se eu tivesse planejado isso, Sirius.
- Mesmo assim. Você tem idéia do que tem nas mãos? Você vai poder leiloar o quarto!
Remus franziu a testa. Não gostava da idéia de alugar seu quarto como motel para casais de namorados. Principalmente porque ele precisava de um lugar para dormir, de qualquer forma.
- Cara, você tem que me emprestar esse quarto em uma das noites! – Frank falou, já fazendo planos.
Mas Sirius imediatamente protestou.
- Ei, eu falei sobre isso primeiro! Eu tenho prioridade!
James, que tinha ficado quieto durante boa parte da conversa, se manifestou.
- E quem você pretende levar para o quarto, Sirius?
Sirius não conseguiu deixar de olhar na direção de Ellie, que sorria, ao conversar com as amigas. James captou o olhar do amigo, e falou, com uma das sobrancelhas levantadas.
- Acho difícil você convencer a Ellie a sequer entrar no mesmo cômodo que você. Você acha que conseguir levá-la para cama? Vocês só fazem brigar!
Sirius ainda olhou para a ex-namorada por um instante, mas desta vez ficou quieto. Mas logo Frank falou.
- E você, James? Não vai entrar na fila do quarto?
James olhou de relance para Lily. No mesmo instante, ela olhou na direção dele. E sorriu.
James inspirou profundamente. Não respondeu a pergunta de Frank, mas era óbvio que ele queria, e muito, poder entrar na fila.
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A excursão não tardou a chegar na catedral, primeira parada do roteiro. Eles atravessaram a Pont Neuf, e seguiram até a Île de la Cité. Logo estavam avistando a catedral. O professor Binns começou a conduzir o grupo até a igreja. E falava sobre a famosa catedral enquanto eles caminhavam.
- A Catedral de Notre-Dame começou a ser construída no ano 1163, e é dedicada a Nossa Senhora. Isso fica óbvio pelo significado do nome. Notre-Dame significa literalmente Nossa Senhora...
Lily observava a bela fachada gótica da catedral. Era ainda mais bonita do que ela via em fotos. Ao observar as gárgulas, ela se lembrou de quando leu O corcunda de Notre Dame, e viu que elas eram ainda mais impressionantes na realidade, do que ela tinha imaginado durante a leitura.
James logo se aproximou da namorada, e sorriu ao vê-la anotar num pequeno caderno as informações fornecidas pelo professor. E, evolvendo Lily com um dos braços, ele falou.
- Está gostando da viagem até aqui?
Lily sorriu, e concordou.
- Estou adorando. Paris é ainda mais bonita do que eu imaginava.
- Isso porque você nunca veio aqui durante a primavera. – falou Ellie, que se aproximou do casal com sua máquina fotográfica na mão. Ela bateu uma foto dos dois, e prosseguiu. – A cidade fica tão florida e linda que você fica quase intoxicada... fora as barraquinhas que vendem cerejas frescas por todos os lados!
- Os turistas se intoxicam por causa do mau cheiro dos franceses. – eles ouviram uma voz se aproximando.
Ellie virou para Sirius, o dono da voz, e fez uma expressão de desagrado.
- Então pega o primeiro vôo, e volta para casa. E nos poupe da sua presença irritante!
Mas Sirius não se abalou com a alfinetada da garota. Sacudiu os ombros, e falou.
- Não. Eu prefiro agüentar esses frogs fedorentos, se posso continuar irritando você!
Por um instante, pareceu que Ellie iria partir para cima dele. Mas ela se conteve, e virou as costas, caminhando em passos duros na direção que Marlene e Melissa estavam. Sirius não se conteve, e riu. James franziu a testa, e falou.
- Qual é a sua, Sirius? Vai ficar pegando no pé dela a viagem inteira?
Mas Sirius nem ligou, e continuou sorrindo. E respondeu.
- Vou. Se eu puder fazer com que ela sinta a metade da raiva que eu senti com aquela confusão toda na escola, vou ficar satisfeito.
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A longa visita à Catedral de Notre-Dame tomou um bom tempo dos alunos. Muitos queriam subir na torre da igreja, e isso custou um bom tempo de espera na fila. Lily subiu na torre, já que não a conhecia, e Ellie a seguiu, mesmo já tendo subido anteriormente. Ela queria tirar fotos da bela vista.
Assim que a visita a Notre-Dame terminou, o professor Binns os conduziu até Sainte-Chapelle, uma capela que também ficava na Île de la Cité. Ele queria mostrar aos alunos os belos vitrais coloridos da capela.
- Essa capela foi construída na segunda metade do século XIII, durante o reinado de Luís IX. Ele negociou durante dois anos a compra da suposta coroa de espinhos usada por Jesus Cristo durante a crucificação. Então mandou construir essa capela para guardar a relíquia...
Lily continuava anotando as informações que considerava mais importantes. O professor explicava sobre a arquitetura gótica da capela, falava sobre o período histórico da sua construção, dava diversas informações que ela nunca tinha visto num livro de história.
James, que andava ao lado da namorada, estava tentando fazê-la parar de escrever por um instante, e prestar atenção no que ele dizia.
- Então, foi isso que aconteceu... – ao notar que Lily não ouvia uma palavra sequer do que ele dizia, ele chamou a atenção da garota – Lily, você está me ouvindo?
Isso fez Lily levantar o rosto, e olhar para James.
- Ãhn? Oh, desculpe, James... eu estava anotando o que o professor Binns dizia...
James apenas sorriu brevemente, e Lily fechou o caderninho. Ele ficou satisfeito ao ver que ela agora lhe dava total atenção. Então criou coragem, e resolveu arriscar. Ele queria sondar o que Lily achava da possibilidade de Remus emprestar o quarto dele durante uma noite. Pelo que James podia deduzir, Remus não ficaria chateado em ter que dividir o quarto com Sirius durante uma noite.
- Bem, eu estava conversando com os caras mais cedo, e todos estavam contando com quem estão dividindo o quarto.
Lily não percebeu a intenção dele, uma vez que não sabia que Remus estava num quarto sozinho. Ela só sabia de Melissa.
- Você está dividindo com o Sirius, não é?
James confirmou com a cabeça. Naquele momento, Sirius passou por perto, e eles ouviram Ellie, que andava ao lado dele, resmungando.
- Não são janelinhas idiotas de vidro colorido, Sirius! São vitrais!
Lily torceu a boca, segurando o riso. Sirius seguiu seu caminho, ao lado de Ellie. Provavelmente ele estava criticando as obras de arte da Igreja só porque sabia que a garota adorava arte.
Logo James retomou a conversa. Ele não queria que Lily desviasse a atenção até que ele conseguisse falar o que queria.
- É, eu e o Sirius estamos no mesmo quarto.
Lily apenas concordou com a cabeça. James inspirou de forma mais profunda antes de falar.
- E o Remus... você sabia que ele ficou num quarto sozinho?
Lily franziu a testa, e falou.
- Ele também? A Melissa também ficou. Ela disse que estávamos em número ímpar, então deram um quarto só para ela.
Desta vez quem se surpreendeu foi James. Ele pensou que logo alguém proporia à Melissa alugar o quarto dela também. Mas, assim que ele pensou melhor, achou bem menos provável isso acontecer com a garota. Melissa era conhecida em Hogwarts pelas diversas fofocas que a envolviam com bad boys, e ela tinha fama de atrair problemas e ser extremamente mal humorada. Ele achou que precisaria de alguém com muita coragem para propor algo do tipo para a morena.
Tentando não se desviar do assunto, ele falou.
- Deve ter acontecido a mesma coisa com ele. – James concluiu. E, reunindo coragem, ele prosseguiu – O engraçado foram as propostas que ele recebeu...
James não concluiu para ver se Lily teria curiosidade suficiente para dar continuidade à conversa. E, previsivelmente, ela perguntou.
- Que propostas?
James se aproximou um pouco mais, e diminuiu o tom de voz. Não queria que ninguém em volta ouvisse.
- Bem, o Sirius e o Frank pediram o... quarto emprestado.
Lily franziu ligeiramente a testa. Mas logo um pensamento lhe o correu. E, para desânimo de James, não o envolvia.
- Espera aí. Quem o Sirius pretende levar para o quarto?
James, mesmo desapontado pelo novo rumo da conversa, respondeu. Ele logo pensou que essa poderia ser uma outra forma de abordar o assunto.
- Quem mais seria, Lily? A Ellie!
Lily não conteve a risada.
- A Ellie? E o que ele pretende, amarrá-la e levá-la à força? Por que eu acho que essa é a única forma dela aceitar entrar num quarto sozinha com ele.
Mesmo concordando com Lily, James resolveu argumentar. Ela achou que seria uma boa forma de chegar ao ponto.
- Ah, Lily, as coisas mudam. Eles terminaram, mas podem voltar. Eles sempre viveram brigando mesmo. Além do mais, você lembra que ela não queria nem falar com ele depois do Baile de volta às aulas? Logo depois eles começaram a ficar.
Lily ficou calada por um instante. James tinha um bom argumento, mas mesmo assim ela achava pouco provável que Ellie e Sirius evoluíssem dos insultos ao sexo em poucos dias. Mas James finalmente conseguiu chegar ao argumento que queria. Antes que ela pudesse falar qualquer coisa, ele disse.
- Veja nós dois, por exemplo. – ele falou. Ao falar dos dois, ele percebeu que Lily ficou ainda mais atenta – No início do período letivo nós nem nos conhecíamos. E em menos de 6 meses nós começamos a namorar, ficamos íntimos, e até já dissemos "eu te amo"...
James ficou quieto por um instante. Ele queria perceber se Lily iria lembrar-se de uma conversa que eles tiveram no quarto dela, depois da festa de aniversário de Melissa.
Lily inicialmente não notou a indicação de James. Mas, alguns segundos depois, a verdade a atingiu. Ela lembrou perfeitamente da frase de James: "Fora que... eu não quero que nada aconteça... até nós dois estejamos... amando um ao outro."
A frase ficou ecoando em sua cabeça. A referência era óbvia. James tinha mencionado o quarto de Remus, tinha falado em como as coisas podem mudar, dando Ellie e Sirius como exemplo. E finalmente falou sobre eles já terem se declarado um para o outro.
Eles estavam amando um ao outro. Isso era muito claro. Até as pessoas em volta deles notavam. Será que James queria dizer aquilo mesmo? Na última vez que eles tinham ficados sozinhos, as coisas tinham evoluído um bocado. Lily podia até usar uma desculpa, e culpar a raiva que ela estava sentindo no dia do Baile de Natal, já que James teve uma crise de ciúmes. Mas, na verdade, tudo que aconteceu no quarto de James, naquela noite, foi resultado do que ela sentia. E o que ela sentia não era raiva. E não lembrava nem de longe.
Naquela noite, Lily não sem importou com o fato que os pais de James não estavam em casa, e poderiam chegar a qualquer minuto. Também não se importou com ter seu vestido todo puxado para cima, ou desamarrado do pescoço. Se dependesse dela, ele teria ido parar no chão do quarto de James. E ele quase foi parar lá. Se os pais de James tivessem demorado mais alguns minutos, certamente era isso que teria acontecido.
Agora ela não sabia o que pensar. Uma coisa era ela ter contado à Ellie que se sentia preparada para levar o relacionamento dela e de James a um outro nível. Mas outra era perceber que ele estava exatamente na mesma situação. E que ele estava meio que dando um prazo para isso acontecer.
Ela tinha ido naquela viagem já com um plano mais ou menos feito em relação ao assunto. Tinha comprado uma lingerie que não usaria normalmente. Tinha até providenciado camisinhas. Bem, não exatamente ela tinha providenciado. Ellie simplesmente jogou em cima de Lily uma caixa cheia de preservativos de todos os tipos de cores e dos mais variados sabores. Lily não queria nem saber onde a amiga tinha conseguido aquelas coisas.
Mas agora, vendo algo que era uma possibilidade, se tornando algo quase concreto, Lily ficou insegura. Será que essa era mesmo a melhor decisão?
James logo notou a reação da garota. Lily ficou com o olhar perdido, como se lembrasse de várias coisas ao mesmo tempo. James deu um tempo para ela, mas como ela não falou nada, ele resolveu se manifestar.
- Lily... o que foi? Você está bem?
Lily voltou a encarar o namorado. E percebeu que, naquele instante, não seria capaz de dar nenhuma resposta concreta a ele. Então usou sua saída tradicional.
- Estou sim. – ela falou, com um sorriso pouco convincente nos lábios – Mas acho que devemos voltar para a excursão, eu quero continuar ouvindo o professor Binns...
James franziu a testa rapidamente, mas acabou se deixando conduzir por Lily. A garota pegou a mão dele, e saiu em busca dos outros alunos.
O rapaz se conformou temporariamente. Mas prometeu a si mesmo que voltaria a tocar no assunto. E que, na próxima vez, ele e Lily teriam uma conversa real e honesta sobre a situação deles.
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A última parte da excursão, naquele dia, envolvia uma visita ao Palais de Justice. Mas, obviamente, a maior parte dos alunos já estava cansada, e eles só queriam voltar logo para o hotel. Mas o professor Binns continuava com suas longas e monótonas explicações.
- O Palais de Justice foi, do século XVI até a revolução francesa, sede do Parlement de Paris...
Melissa já estava quase se arrastando. Ela estava morrendo de sono, e a voz repetitiva do professor contribuía ainda mais para seu tédio. Ela queria tomar um banho bem quente, e se jogar em sua enorme cama de hotel. Por um momento a garota sorriu. Não estava dividindo o quarto com ninguém, então poderia dormir toda esticada na cama, e também poderia dormir no horário que quisesse. Essa era uma boa vantagem.
- Você parece tão entediada quanto eu.
Melissa se voltou em direção à voz. Remus estava de braços cruzados, mas sorria levemente.
- Está tão óbvio assim? – ela perguntou.
Remus então alargou o sorriso, e fez uma voz de confidência.
- Você bocejou pelo menos três vezes no último minuto.
Melissa ergueu as duas sobrancelhas. Mas um pequeno sorriso de lado apareceu em seus lábios. Remus se aproveitou daquilo para se aproximar, e puxar conversa.
- Você fugiu de mim o dia todo. – ele falou, de forma direta, mas não acusatória.
Melissa olhou para o rapaz ao seu lado. Aquele não parecia muito o Remus Lupin que ela conhecia. Na verdade, desde a rave, antes do Natal, Remus estava diferente. Continuava sendo gentil e educado como sempre fora, mas algo nele havia mudado. Ele estava muito mais seguro de si. Melissa arriscaria até mesmo que ele estava mais ousado. A forma que ele a abordou no corredor, durante o Baile de Natal, era inédita. Ele sempre recuava quando ela o rejeitava. Mas agora ele parecia não aceitar esse comportamento da parte dela. Foi como se a briga entre ele e Dan tivesse mudado o rapaz de alguma forma. E ele estava deixando claro que não iria desistir de Melissa.
- Eu não estava fugindo de você. – Melissa respondeu de forma séria, e em tom baixo – Eu estava fazendo minha boa ação do dia.
Remus franziu muito brevemente a testa, e Melissa esclareceu.
- Marlene e Regulus. Eles estão aproveitando que todos estão distraídos para... você sabe...
Remus riu baixinho. E falou.
- Quem diria... acho que você se comoveu com a situação dos dois!
Melissa olhou para ele de forma estranha. E retrucou.
- Eu só não quero que eles sejam flagrados se pegando numa catacumba, ou algo do tipo.
Remus novamente riu, e falou.
- Catacumba? Sexy, não é? – ele falou, irônico.
Melissa não resistiu, e sorriu de lado. Mas ficou séria assim que notou que Remus se aproximou ainda mais. O rapaz lhe ofereceu um sorriso, mas isso só a fez pensar nos mil motivos que ela tinha para tentar afastá-lo.
Esses mil motivos podiam ser reunidos em uma única figura. Dan. E no que ele podia fazer.
Melissa não tinha esquecido a ameaça de Dan, na rave. "Você vai pagar por isso, Mel! Pode se preparar, você e esse seu namorado playboyzinho! Eu vou pegar vocês dois!"
Melissa conhecia muito bem Dan. Por mais que quisesse esquecer que ele existia, ela sabia que ele não costumava fazer ameaças vazias. E sabia que ele era capaz de coisas muito ruins.
A garota suspirou brevemente. Ela não queria que nada de ruim acontecesse com Remus. Mas Remus parecia cada vez mais disposto a não sair de seu lado. Talvez fosse inevitável agora, mesmo que eles se afastassem, que Dan desistisse de perseguir Remus. Afinal, Remus tinha dado um soco tão bem dado no nariz de Dan, que era bem provável que ele tivesse quebrado. Dan não se esqueceria disso tão cedo.
Mas Melissa não pode concluir seu pensamento. Remus falou novamente.
- Será que agora você vai me dar uma resposta? Eu estou esperando há alguns dias...
Melissa voltou a encará-lo. Era até covardia. Ele sorria de forma sedutora. Parecia que ele sabia que, desta forma, ela não conseguiria dizer não.
- Eu... bem... acho que sim.
Remus sorriu ainda mais, mas mesmo assim não resistiu.
- Acha que sim? Ou tem certeza?
Melissa revirou os olhos, e respondeu.
- Não force a barra!
Mas assim que ela terminou a frase, sorriu de lado. Remus sabia que isso significava um sim no estranho dicionário de Melissa.
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Finalmente o primeiro dia de excursão terminou. Os ônibus levaram os alunos de volta para o hotel, e todos subiram para os quartos.
Lily e Ellie entraram em seu quarto, e Lily foi direto para o banho. Ellie entrou no banheiro para ficar conversando com a amiga. Na verdade, ela estava reclamando de como Sirius simplesmente acabou com seu dia.
- Eu acho que a estupidez desse ser dos infernos não tem limites, Lily! – ela falou, sentando na bancada de mármore da pia. – Quando eu achei que ele tinha desistido, e ido atormentar outro, ele voltou, e ficou falando aquelas asneiras sobre as obras de arte da Sainte-Chapelle serem um monte de velharias. Velharias, Lily! Imagina só!
Lily não agüentou, e riu. Ela ouviu Ellie resmungando algo que soou como "estúpido" e "retardado". Por mais que Lily achasse que Sirius estava pegando pesado com a amiga, ela não conseguia deixar de rir da expressão que Ellie fazia, simulando um enforcamento imaginário em Sirius.
- Eu juro que o próximo namorado que eu arranjar vai ser alguém realmente maduro. Talvez um cara com uns trinta anos, para não ter erro. Essas infantilidades do Sirius estão me tirando do sério! Eu estou quase arrependida de ter ficado com pena dele no dia do Baile!
Lily agora passava shampoo no cabelo, e parou um instante para conversar com a amiga.
- Com pena? Você não me contou tudo que aconteceu naquela noite.
Ellie revirou os olhos, mas começou a contar.
- Eu te falei que nós conversamos, e que foi super triste, não é?
Lily sacudiu a cabeça, confirmando. Ellie prosseguiu.
- Pois é. Naquela noite eu quase...
Mas ela não terminou a frase. Uma batida na porta a fez interromper. Ela saiu do banheiro para ver quem era. E logo voltou acompanhada. Era Melissa.
- Oi Lily. – a garota falou, ao entrar no banheiro. Lily teve que admitir, Melissa estava cada vez mais sociável. Há algumas semanas ela não imaginaria a garota batendo na porta do quarto delas para conversar.
Ellie voltou a sentar na bancada, e Melissa encostou-se à parede oposta. E Ellie prosseguiu a história.
- Voltando o assunto. Bem, eu quase... quase acreditei nele naquele dia. Ele parecia tão desolado, e parecia tão sincero quando falou aquelas coisas todas...
Melissa olhou para Ellie, e ficou observando o rosto da garota. Mas não se manifestou. Ellie continuou.
- Ele pediu para voltar... e eu queria. Queria mesmo. Mas... – ela fez uma longa pausa. Nem Melissa, nem Lily falaram nada. Então Ellie continuou – Só que agora, em vez de tentar conversar comigo, ele fica fazendo isso! Só me faz sentir mais raiva dele!
Lily olhou para Ellie por um instante. Desviou o olhar para Melissa, e depois falou, com cuidado.
- Você não acha que ele está tentando te irritar de propósito?
Ellie franziu a testa, e respondeu.
- É lógico que é de propósito!
- Não foi isso que eu quis dizer. É que eu acho que ele está tentando te mandar uma mensagem, ou algo do tipo.
Ellie bufou, e respondeu.
- Mensagem de que ele me detesta, deve ser...
Melissa ficou observando a conversa das duas por algum tempo. Ela nunca tinha questionado se Sirius tinha ou não espalhado a fofoca sobre ter transado com Ellie. Ela sempre achou que Sirius tinha, sim, falado para todo mundo. Suas experiências com homens a fizeram acreditar que eles são, em sua maioria, mentirosos. Mas, naquele momento, ela passou a questionar sua opinião. E percebeu que Sirius não agia como alguém que fosse culpado. Na verdade, Melissa não conseguia compreender nada do que Sirius fazia. Ele tinha um comportamento tão bizarro para a garota que, de forma inédita, ela cogitou que ele poderia estar sendo sincero. E que a atual implicância com Ellie poderia ser apenas o resultado da mágoa do rapaz, pela namorada não ter acreditado nele.
- Ele não te detesta, Ellie... você sabe disso. – Lily falou, delicadamente.
- Mas ele age como se detestasse! Eu devia é fazer a mesma coisa. Para ver se ele acha bom.
Lily terminou seu banho. Ela se enrolou na toalha, e Ellie tirou a roupa para entrar no chuveiro. Quando a garota se despiu, Melissa se manifestou. Ela viu a tatuagem de Ellie, e falou.
- Já está cicatrizada, não é?
Ellie se virou para trás, e olhou a tatuagem na parte de baixo de suas costas.
- Está ótima. E fica mais bonita a cada dia.
Lily, que secava os cabelos com outra toalha, e se manifestou.
- Vocês duas são malucas...
Ellie riu, e entrou no banho. Melissa sentiu algo estranho. Aquela interação normal entre garotas era algo que ela não experimentava há muito tempo. Ela lembrou muito brevemente de sua amizade com Kate. A garota que a traiu dormindo com seu namorado. Por mais magoada que ela tivesse ficado com os dois pela traição, ela ainda sentia falta da amizade entre elas. E, agora, ela estava finalmente convivendo de forma praticamente normal entre garotas de novo. Parecia que sua fase negra estava no fim. Bem, isso se ela não contasse com todo o problema relacionado a Dan.
- Mas chega de falar de mim. – falou Ellie, molhando os longos cabelos castanhos – Me falem de algo que me anime. Como estão as coisas com os seus queridos?
Lily sorriu brevemente, até lembrar-se de seu dilema em relação a James. E Melissa se fez de desentendida.
- Eu não tenho um querido, Ellie.
Ellie riu, e falou.
- E o Remus é o que seu, seu odiado?
Melissa fingiu que não era com ela. Ver Ellie tomando banho a fez pensar em como diabos Remus tinha deixado de gostar de uma garota tão obviamente linda, e ter se interessado por ela. Isso a fez questionar se Remus não era meio... doido.
Vendo que não conseguiria obter muito de Melissa, Ellie se voltou para Lily.
- Pode falar, Srta. Evans. Estou esperando.
Lily suspirou, e começou a falar. Para sua própria surpresa, não se importou em falar na frente de Melissa. A forma como Melissa tinha lidado com Ellie, quando a garota estava arrasada pela suposta traição de Sirius, a fez ver Melissa com outros olhos. Ela viu que ela era confiável. E estava disposta a comprar briga caso precisasse defender alguém com quem se importasse.
- Bem, eu acho que ele meio que está com a mesma idéia que eu... sobre essa viagem.
Ellie arregalou os olhos. Ela rapidamente olhou de Lily para Melissa, e fez uma expressão como se perguntasse se elas podiam falar sobre esse assunto na frente de Melissa. Lily acenou com a cabeça, confirmando. Melissa não estava entendendo, até que Lily se manifestou.
- Eu... bem, eu e o James nunca...
Melissa apenas acenou a cabeça, e completou para Lily.
- Vocês nunca transaram.
Lily ficou levemente corada, e confirmou com a cabeça. E continuou.
- Mas eu estava pensando que essa viagem podia ser uma boa oportunidade, sabe...
Melissa manteve a expressão natural, e falou.
- Fazer pela primeira vez aqui. Paris é uma escolha meio óbvia, mas com certeza funciona bem. – ela usou um tom normal, e sem nenhum sarcasmo. E se tratando de Melissa, isso já era um avanço.
Lily ficou quieta por alguns segundos. Melissa também. Mas Ellie logo começou a sorrir, e falou.
- Mas essa é uma ótima notícia!
Lily olhou para a amiga, sem entender. Melissa também olhou para Ellie, e esta continuava animada.
- Vai tudo dar certo. Quer ver? – ela falou. E, se voltando para Melissa, falou – Mel, eu posso dormir no seu quarto amanhã?
Melissa franziu a testa por um instante. Ela não sabia se Ellie estava pedindo o quarto emprestado, ou se estava pedindo para dormir lá com ela.
- Assim eu posso liberar o quarto para a Lily e o James!
As duas então compreenderam. Melissa sacudiu o ombro, e respondeu.
- Pode sim. Tranquilo.
- Ótimo! Então está decidido. – Ellie falou, sorridente.
Lily arregalou os olhos. Ellie estava simplesmente decidindo a data que ela perderia a virgindade. Apesar de ser exatamente o que ela queria, ela ainda não completamente segura quanto a essa decisão. E não tinha decidido nada com James ainda. Então ela falou.
- Espera aí, Ellie. Eu não conversei nada com o James...
Ellie riu, e falou.
- Acho que ele não vai rejeitar a idéia, Lily.
Melissa acompanhou o riso de Ellie. Ela nunca tinha visto um homem que deixasse passar uma oportunidade de fazer sexo. Ainda mais um que estava tão obviamente apaixonado como James.
Mas Lily sabia que tinha que conversar com James. Então ela decretou.
- Eu quero conversar com ele primeiro. Depois combinamos seja o que for.
Ellie concordou, e continuou seu banho. Ela e Melissa então começaram a conversar sobre os locais visitados naquele dia, e Lily ficou pensando em como arranjaria coragem para falar com James que tinha um quarto vazio disponível para o dia seguinte. E que eles poderiam, finalmente, dormirem juntos pela primeira vez.
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O dia seguinte chegou sem maiores acontecimentos. Como todos estavam cansados por causa da viagem e do longo passeio, eles dormiram cedo.
Mas a manhã já começou agitada. Lily abriu os olhos antes de o despertador tocar. E ela foi acordada por um barulho que vinha da direção do armário.
Assim que ela conseguiu focalizar alguma coisa, ela viu Ellie com dois cabides nas mãos, e olhando para o armário. Aquilo era inédito, já que Ellie sempre dormia muito, e acordava depois de Lily.
- Ellie... – Lily falou, com a voz ainda rouca do sono.
A amiga se voltou para ela, e Lily viu que Ellie já tinha tomado banho, estava com enormes rolos nos cabelos, e vestida com um dos insinuantes conjuntos de lingerie que ela tinha comprado junto com Lily.
- Acordou? Que bom. Assim você me ajuda a escolher a roupa.
Lily tinha esquecido momentaneamente do compromisso matutino de Ellie. A amiga não se juntaria ao grupo que iria bem cedo ao museu do Louvre. Como ela tinha morado em Paris, e visitava a cidade regularmente, não perderia nada durante a visita ao museu. Ellie já tinha visitado o Louvre diversas vezes.
- E então, o preto ou a camisa com a calça?
Ela exibiu um vestido preto, e uma camisa branca de alfaiataria, e uma calça preta. Lily achou os dois bonitos.
- Não sei, os dois são bons. Qual fica melhor em você?
Ellie suspirou. Colocou o vestido na frente do corpo, e falou, mais para si mesma que para Lily.
- Se eu usar o vestido, posso usar as botas longas.
- Então usa o vestido. – Lily decretou, levantando para ir ao banheiro.
Lily foi até o banheiro, e viu a enorme bagunça que Ellie tinha feito ao se arrumar. Maquiagens espalhadas por toda a bancada, um secador de cabelos enorme, muitos grampos e escovas tomavam todos os lugares. Lily se espremeu para conseguir lavar o rosto. E ficou imaginando como não tinha acordado quando a amiga usou o secador de cabelos.
Quando Lily voltou para o quarto, Ellie já estava usando o vestido. E Lily constatou como ela estava linda.
- Ficou perfeito! – ela falou, sorrindo.
Mas Ellie franziu a testa. Estava insegura.
- Tem certeza? Não é inadequado? Tem certeza?
Lily sorriu, e falou, segurando os ombros de Ellie.
- Tenho certeza, sim. Você está tão linda que poderia ser fotografada para uma revista de moda.
Ellie abriu um sorriso tímido.
- Mesmo cheia de rolos nos cabelos?
Lily riu. E falou.
- Lógico! Mas, para ninguém questionar sua sanidade mental, vamos tirar isso aqui...
As duas foram para o banheiro, e Lily ajudou Ellie a terminar o cabelo. A garota concluiu sua arrumação logo, e pegou uma bolsa dentro da mala. Colocou tudo que precisava dentro, e ainda falou.
- Não é bobeira eu usar uma bolsa Chanel? Não vai ficar parecendo que eu quero só agradar?
Lily sorriu, e respondeu.
- Lógico que não. Você gosta dessa bolsa, então deve ir com ela.
Ellie sorriu, um pouco mais confiante.
- Me deseje sorte! – ela falou.
Lily sorriu, abraçou a melhor amiga, e falou.
- Você nem precisa de sorte, você tem talento! Vai arrasar. Mas, de uma forma ou de outra, boa sorte!
Elas soltaram o abraço, e Ellie se despediu.
- Divirta-se hoje. O Louvre é incrível, você vai adorar!
Lily sorriu, e acompanhou com os olhos sua amiga percorrendo o corredor, e indo embora. E Lily esperou, de todo o coração, que ela se saísse muito bem em sua reunião.
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Assim que todos acordaram, e tomaram café da manhã, a professora McGonagall e o professor Binns reuniram os alunos no lobby do hotel. E informaram como seria a visita ao museu do Louvre.
- Não se afastem muito do grupo, o museu é muito grande. Então fiquem atentos, porque não iremos a todas as alas.
Lily desceu sozinha de seu quarto. Mas logo localizou seus amigos.
James estava junto com Sirius e Remus. Não muito longe, Alice e Frank estavam abraçados, ouvindo a professora de física. E na direção deles vinham juntas Marlene e Melissa.
Ela parou ao lado de James, e deu a mão ao namorado. Ele sorriu para ela, e então ela se lembrou de sua missão.
Tinha que conversar com James sobre o quarto estar disponível. Mas como ela conseguiria entrar nesse assunto? E, principalmente, como ela conseguiria evitar quase morrer de vergonha?
James notou que Lily o observava em silêncio. Então ele perguntou.
- O que foi, princesa?
Lily sabia que não conseguiria conversar com James, estando cercada pelos outros alunos de Hogwarts. Então resolveu adiar temporariamente, e procurar um local adequado para a conversa.
- Nada, não. Só estou ansiosa para ver logo o museu.
James sorriu, e respondeu.
- Aposto que você vai adorar.
Lily concordou com a cabeça. E tentou sorrir de forma convincente.
James então a puxou para mais perto, e a abraçou. Naquele momento, Lily finalmente relaxou. Os braços quentes de James eram tão protetores e confortáveis que ela esqueceu temporariamente qualquer aflição que pudesse ter. E sentiu seu coração quase derretendo quando James sussurrou em seu ouvido.
- Eu te amo, sabia?
Apenas um suspiro escapou dos lábios de Lily. Ela não conseguiu falar nada por um bom tempo.
Mas o suspiro foi suficiente para James rir, e falar.
- Que bom que você se sente assim também.
Ele se afastou um pouco, e a olhou nos olhos. Beijou de leve seus lábios, e falou novamente.
- Vem, vamos acompanhar o pessoal. – só naquele momento Lily notou que os alunos se encaminhavam para o lado de fora do hotel – Senão ficamos para trás.
Lily começou a caminhar, acompanhada de James, que envolveu suas costas com um dos braços. O que ela não notou foi o olhar de tristeza que um dos alunos da escola lhe lançou.
Kyle Wilshire, que estava entre os últimos alunos a deixarem o saguão do hotel. O rapaz apenas inspirou profundamente, e seguiu o grupo em direção à rua.
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O grupo de alunos chegou ao museu do Louvre bem cedo. Como o local era enorme, os professores tiveram muito trabalho para organizar bem o grupo. O professor Binns novamente iniciou seus enormes discursos sobre o local. Mas, incrivelmente, desta vez a grande maioria parecia genuinamente interessada no que o professor dizia. Talvez pela vastidão do local, ou porque eles consideravam o que ele dizia agora realmente interessante.
O grupo seguiu em direção à Ala Denon, no braço direito do museu. Era tanta informação para absorver, que Lily se sentiu um pouco perdida. Ela notou as peças romanas e etruscas, algumas esculturas gregas.
Mas era óbvio que o professor conduzia o grupo para o maior chamariz do museu: a Monalisa, pintura de Leonardo da Vinci. Então, assim que o grupo entrou na Salle de Etats, o professor Binns retomou o discurso:
- A Salle de Etats foi inteiramente renovada, numa reforma que começou em 2001, reabrindo em abril de 2005. Agora, com a nova iluminação, é possível se observar a pintura com mais calma, e a sala abriga melhor os milhões de visitantes anuais que o museu recebe. A Monalisa, do mestre italiano Leonardo da Vinci, é considerada a obra prima do pintor. Alguém sabe me dizer a qual período essa obra pertence, e qual a técnica marcante foi usada na pintura do quadro?
Lily sabia a resposta sobre o período da obra, mas não sabia sobre a técnica de pintura. Ela imaginou que se Ellie estivesse presente, ela certamente já estaria com a mão levantada para responder. Mas a resposta veio de trás do grupo. E Lily reconheceu o dono da voz.
- A Monalisa é uma das obras mais famosas da renascença italiana, e Leonardo da Vinci usou a técnica do sfumato na confecção da pintura. Ele foi um dos pintores que mais contribuiu para a evolução da técnica.
Lily buscou com os olhos, e viu Kyle respondendo ao professor. Ele estava sério. Mas sério de uma forma que Lily nunca tinha visto.
- Muito bem, Wilshire. Excelente resposta. – o professor falou.
Ao ouvir o nome Wilshire, James imediatamente se voltou para prestar atenção. E ele não conseguiu evitar o olhar na direção de Lily. Ele viu a namorada olhando para Kyle. E sentiu um enorme incômodo com isso.
Lily viu que, logo após o término da resposta, Kyle olhou para ela. Seus olhares se cruzaram por um instante. Lily não tinha falado com Kyle desde o dia do baile, quando ela o abandonou para seguir James, que estava indo embora. Lily se sentiu mal por sequer ter se desculpado por largar o rapaz daquela maneira. Ainda mais Kyle, que sempre era tão educado e prestativo com ela.
Mas antes que ela pudesse reagir, de qualquer forma que fosse, Lily sentiu James puxando sua mão, e a conduzindo pela sala. A excursão seguia seu caminho, e James estava fazendo questão que Lily ficasse o mais longe possível de Kyle Wilshire.
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- Eu já falei que não tenho a menor idéia, Sirius. Será que você pode parar com isso?
Sirius bufou pela milésima vez. Já estava cansado de repetir a mesma pergunta para diversas pessoas.
Remus, que foi o alvo da última pergunta, tentou se afastar do amigo. Ele não queria ser interrogado novamente, coisa que Sirius fez com a maior parte dos amigos, naquela manhã.
Então Sirius se viu sozinho. Marlene e Melissa andavam juntas, e ele notou quando as duas o viram, e obviamente desviaram o caminho, para passar o mais longe possível dele. Ele já tinha bombardeado as duas diversas vezes ao longo da visita ao museu.
O rapaz ficou frustrado. Sabia que só tinha duas opções sobrando. E ele não queria ter que perguntar para nenhum dos dois.
Mas, já que estava sem qualquer outra alternativa, escolheu a opção que lhe parecia menos arriscada. E o nome dessa opção era James Potter.
Ele se aproximou sorrateiramente do melhor amigo. Não queria, de forma alguma, que Lily desconfiasse de sua intenção. Quando já estava bem próximo, ele simplesmente segurou um dos braços de James, que virou instantaneamente para trás.
- James, posso dar uma palavrinha com você?
Lily virou para trás, ao perceber que James parou. Ela olhou para Sirius, que falou, tentando arrastar James pelo braço.
- É só um minutinho, Lily. Daqui a pouco eu o devolvo.
Lily franziu a testa, mas prosseguiu seu caminho. Sem entender direito o que estava acontecendo.
Sirius esperou o grupo de alunos se afastar o suficiente, e, finalmente falou.
- Onde é que ela se meteu?
James franziu a testa, e falou.
- A Lily? Ela está logo ali na frente, com o resto da excursão!
Sirius sentiu seu sangue fervendo. Estava cansado de não obter a resposta que queria, e ele sentia a curiosidade corroendo seu cérebro.
- Não a Lily, a Ellie! Onde é que a doida se enfiou?
James observou por um instante o rosto do amigo. Sirius parecia que teria um colapso nervoso a qualquer instante. Por mais engraçado que isso fosse, James não riu. Mas não perdeu a chance de brincar um pouco com o amigo.
- Eu achei que você odiasse a Ellie. Agora quer saber onde ela está?
Sirius estava sem tempo ou paciência para posar de difícil. E isso não adiantaria mesmo, em relação a James. James sabia o quanto Sirius gostava de Ellie, e não seria enganado por um segundo sequer.
- Ah, você sabe muito bem, James. Ela não apareceu hoje para a visita, e os professores estão agindo como se nada estivesse acontecendo. Fora que ninguém parece saber onde ela foi!
James encarou Sirius por mais um instante. Teve que fazer força para não rir. Sirius tinha gasto a maioria de seu tempo na França arranjando mil formas de implicar e irritar Ellie. Durante o jantar do dia anterior, no hotel, ele atormentou tanto a garota que ela simplesmente levantou da mesa antes de terminar sua refeição. E ela parecia a ponto de quebrar a cara de quem quer que falasse um "a" com ela.
Mas agora, quem estava nervoso era Sirius. Mesmo que não fosse intencional, Ellie tinha conseguido pelo menos uma pequena vingança contra o ex. Mas James mesmo assim respondeu.
- Eu também não sei aonde ela foi.
Sirius viu suas esperanças escapando por entre seus dedos. Agora sabia que a única pessoa que poderia dizer o paradeiro de Ellie era Lily. E ele não queria perguntar para a ruiva porque sabia que Lily imediatamente contaria para Ellie que ele estava perguntando por ela. E Sirius não queria dar a Ellie o gostinho da satisfação.
- Pô, James! Você ainda se diz o melhor amigo dela? Você nem sabe onde ela foi!
James apenas sacudiu os ombros, e falou.
- A única coisa que eu sei é que ela foi numa espécie de encontro, ou uma reunião, sei lá. A Lily não falou especificamente, ela disse que a Ellie vai voltar ao grupo durante a tarde.
Sirius ficou ainda mais curioso. Mas James tentou apaziguar a situação, falando.
- E por que você não pergunta para ela?
Sirius fez uma expressão conformada, e disse.
- É o que eu vou acabar tendo que fazer. Não queria ter que perguntar para a Lily...
James franziu a testa, e falou.
- Não falei para você perguntar para a Lily, disse para você perguntar para a Ellie! E talvez assim você pare com essa implicância com ela...
Sirius fez uma expressão ofendida.
- Perguntar para ela? Está louco? Não vou dar essa satisfação para ela, não. Prefiro ficar sem saber!
James olhou para Sirius com uma expressão incrédula. E falou, de forma irônica.
- Ah, então eu me enganei quando vi você perguntando para literalmente todos os amigos dela onde a Ellie se enfiou. É porque você nem liga para ela, não é?
Sirius levantou uma das sobrancelhas, e fez cara feia. James finalmente concluiu.
- Você devia falar para ela como se sente. E parar com essa besteira. Vai acabar piorando tudo.
Mas Sirius finalmente desfranziu a testa, e suavizou a expressão. E falou, em tom baixo.
- Eu falei, Jay. Falei como me sentia naquele baile estúpido. E mesmo assim ela preferiu não ficar comigo.
James apenas bateu de leve no ombro do amigo, e fez uma expressão solidária. Sirius ergueu os ombros, em sinal de derrota.
Ele viu James se afastando, em direção à Lily. E, muito baixo, ele completou sua frase. Sem ninguém para ouvir por perto.
- Ela preferiu ir embora... com ele.
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Lily caminhava despreocupadamente pelos corredores do museu. Ela observava as obras de arte, tirava fotos. Parou em frente a uma pintura que ela adivinhou ser do período renascentista. Observou as delicadas pinceladas, e se preparou para tirar uma foto. Estava aproximando o foco quando ouviu uma voz baixa falar com ela, por sobre seu ombro direito.
- Olá.
Lily virou seu rosto, e viu Kyle a observando. Ele sorria, mas ela identificou algo estranho no sorriso do rapaz. Ele, mesmo sorrindo, parecia triste.
- Oi Kyle. – ela respondeu. – Está gostando do passeio?
Kyle sacudiu a cabeça, confirmando.
- Estou sim. Quase não lembrava do Louvre.
Lily sentiu-se um pouco incomodada. Queria pedir desculpas para Kyle, por tê-lo largado na noite do baile. Mas não sabia exatamente como dizer isso. Então prosseguiu a conversa.
- Você já tinha visitado o Louvre antes?
- Já sim. – o loiro confirmou – Mas era muito novo, naquela época eu nem ligava para museus.
Lily sorriu levemente. A tristeza praticamente sumiu do rosto de Kyle. Ela agora tinha um ar levemente esperançoso. E prosseguiu.
- Mas o que eu queria mesmo era que fossemos logo visitar os prédios da Université de Paris.
Lily franziu a testa. E perguntou.
- Vamos visitar faculdades?
Kyle sorriu ao ver que o assunto interessava a garota.
- Bem, essa visita é facultativa. Eu falei com a professora McGonagall, e ela disse que, se eu conseguisse um grupo de alunos do último ano, ela nos levaria. E eu estou pensando em me inscrever no curso de medicina daqui. É um curso muito bom, e famoso. Mesmo com meu francês sofrível, vale à pena arriscar.
Lily ficou ainda mais admirada.
- Você pretende fazer faculdade de medicina?
Kyle concordou com a cabeça. Lily baixou ligeiramente seu rosto, e falou, com a voz mais baixa.
- Eu também.
O sorriso de Kyle aumentou significativamente. E ele falou, sem conter o entusiasmo na voz.
- Mas isso é ótimo! Você devia ir à visita também, vai adorar!
Lily mordeu o lábio inferior por um instante. Ela olhou para Kyle, e viu o sorriso do rapaz. Imediatamente lembrou-se da conversa que teve com Ellie, alguns dias antes. Principalmente da parte que Ellie dizia sobre o sorriso sonhador de Kyle. O sorriso que, segundo a amiga, ele só tinha quando olhava para Lily.
Kyle parecia esperar uma resposta de Lily. E Lily não conseguia decidir se concordava com Ellie, e achava que Kyle estava gostando dela, ou se continuava achando que James e Ellie estavam doidos, e que Kyle gostava dela apenas como um amigo.
- Lily? – ele perguntou, quando ficou óbvio que ela estava perdida em pensamentos.
A garota imediatamente olhou para o rapaz. Era impressão, ou ele tinha os olhos brilhando mais que o normal?
- Eu... ahn... – Lily não sabia o que dizer. Mas foi salva pelo gongo. James vinha caminhado, vindo da porta da sala que o resto dos alunos ocupava. – Eu tenho que ir. Depois a gente conversa, Kyle!
A garota saiu andando, e apenas acenou brevemente para o rapaz.
Quando Lily virou de costas para Kyle, e começou a caminhar em direção a James, ela percebeu o que tinha feito. Ela tinha feito exatamente a mesma coisa que tinha feito no baile. Tinha deixado Kyle praticamente falando sozinho, para ir atrás de James.
Agora Lily pensou que precisava se desculpar duplamente com Kyle. Mas, para o bem de seu namoro, ela preferiu deixar as desculpas para uma outra oportunidade. Uma que não tivesse James por perto.
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A visita ao museu do Louvre chegou ao fim. Não que os alunos de Hogwarts tivessem conseguido visitar o museu inteiro. Era grande demais para apenas um dia de visita. Mas todos pareciam muito satisfeitos com o que viram.
O grupo então foi almoçar. E ocuparam todo um restaurante que ficava nas imediações do museu.
Durante o almoço, Lily não conseguia deixar de pensar em como arrumaria uma oportunidade para se desculpar com Kyle. Ela estava sentada numa mesa, acompanhada de James, Sirius, Alice e Frank. Frank contava algo sobre uma visita à Paris com os primos. Alice ouvia atentamente o que o namorado dizia, principalmente porque ele contava sobre um grupo de garotas francesas que eles tinham conhecido. James ria da história de Frank, e Sirius lançava olhares constantes para Lily, como se quisesse perguntar algo à garota.
Quando Lily percebeu o que Sirius fazia, ela se cansou, e falou.
- O que você quer, Sirius? Vai ficar o almoço inteiro me encarando?
Sirius imediatamente desviou o olhar de Lily, e fingiu que não era com ele.
- Ah, não é nada. É que... o prato que você escolheu parece bom.
Frank, Alice e James olharam para o amigo com olhares de óbvia pena. A desculpa que ele arranjou não era nem de perto convincente.
- Ah, sim. Vai nessa. – Lily falou, irônica.
Sirius vasculhava a mente em busca de algo para falar, mas nada lhe vinha à cabeça. Ele abriu a boca, e ia falar qualquer besteira que lhe ocorresse. Mas nem precisou. Alice, que estava sentada virada para a frente do restaurante, falou, levantando a mão e acenando.
- Oi! Aqui!
Os outros viraram para olhar quem ela estava chamando. E viram Ellie chegando, caminhando entre as mesas, com seu casaco escuro até os joelhos abotoado, enormes óculos escuros no rosto e botas pretas longas. Gideon Prewett assoviou quando ela passou, e a garota riu para o rapaz.
Assim que ela chegou à mesa, ela falou.
- Oi amigos.
Lily imediatamente olhou para a amiga. Ellie tirou os óculos escuros, e as duas trocaram um olhar significativo. Ellie apenas sussurrou "depois", e puxou uma cadeira para sentar com os amigos.
- E aí, como foi a visita ao Louvre? – ela perguntou, sorrindo.
Lily foi a primeira a responder.
- Ótima. Você perdeu.
Sirius encarava Ellie, praticamente sem piscar. Tanto que ela notou. Mas escolheu ignorar temporariamente. Então Alice perguntou.
- Onde você estava, Ellie?
Sirius apertou os olhos, à espera da resposta. Mas Ellie não poderia decepcioná-lo mais ao responder.
- Fui resolver umas coisas. Mas consegui voltar a tempo de ir ao Museu d'Orsay com vocês.
- Como assim? – Sirius não conseguiu se conter, e perguntou.
Ele queria mais informações sobre o local misterioso que Ellie fora, durante a manhã. Mas a garota interpretou, erradamente, que o rapaz iria iniciar sua sessão de hostilidade naquele momento. Então ela respondeu.
- Olha aqui, Sirius. Eu posso até agüentar suas piadinhas de mau gosto, ou então suas grosserias comigo. Mas, se eu ouvir qualquer comentário idiota sobre Monet no museu, você vai conhecer um novo significado para a palavra dor!
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O Museu d'Orsay foi visitado bem mais rapidamente que o museu do Louvre. O tamanho diminuto do local, em comparação ao Louvre, contribuiu para que, ainda durante a tarde, o grupo de alunos de Hogwarts já tivesse visto tudo que deveria.
Então, para a alegria da maior parte dos presentes, o professor Binns anunciou que eles iriam à Torre Eiffel.
Animado, o grupo seguiu até o Champ de Mars. E logo avistaram a torre.
Lily já tirava fotos, mesmo dentro do ônibus. Ela pensava que, se não tirasse fotos suficientes, sua mãe provavelmente iria ficar reclamando por meses a fio.
Quando todos já tinham desembarcado dos ônibus, o professor Binns e a professora McGonagall liberaram os alunos para tirar fotos, e passear pelo campo que cerca a torre. Todos sacaram suas máquinas fotográficas, e tiravam fotos sem parar.
A tarde ia chegando ao fim, e logo todos começaram a subir a enorme torre, na expectativa de apreciar o por do sol parisiense de cima da torre.
Por sorte, o tempo estava aberto o suficiente para que a visão da cidade pudesse ser apreciada. E a visão de Paris, dourada pela luz do sol poente, era fantástica.
Após uma pequena espera para pegar o elevador que a levaria até o topo da torre, Lily finalmente chegou ao local de observação. E viu que a espera na fila valeu completamente a pena. A vista era tudo o que ela esperava, e um pouquinho mais.
Várias fotos depois, ela resolveu observar os mapas que identificavam os pontos visíveis do mirante. E tentava tirar fotos que identificassem os pontos turísticos que ela viu no mapa. Estava distraída com essa tarefa quando notou duas mãos envolvendo sua cintura. As mãos de James.
- Gostando?
Lily virou seu rosto para James, e sorriu, respondendo.
- Eu sei que todo mundo deve dizer isso, mas agora eu estou me sentindo realmente em Paris.
James riu, e falou.
- A primeira vez que eu subi aqui, ainda era criança. Eu vim visitar a Ellie, quando ela morava aqui. E ela ficava me mostrando mil pontos turísticos, apontando o dedo, meio dependurada na grade...
Lily sorriu. E, ao ver o sorriso que James lhe ofereceu em retorno, ela sentiu que o frio do inverno parisiense era incapaz de afetá-la. Mas também se lembrou de sua tarefa. Tinha que falar com James sobre a possibilidade de eles usarem o quarto dela aquela noite. Já que Ellie tinha se oferecido para dormir no quarto de Melissa, para o casal ter privacidade.
O problema era que Lily não tinha idéia de como começar a conversa.
Bem, eles estavam sozinhos naquele momento. Todos estavam distraídos demais tirando fotos, dando beijos agarrados, no caso de Frank e Alice, ou então em bater com um jornal dobrado em outra pessoa, como era o caso de Ellie, que "gentilmente" batia em Sirius com seu exemplar do Le Figaro daquele dia.
- Meu Deus, esquece de mim por um segundo! – a garota resmungava.
Lily voltou a observar James. O namorado aproveitou o momento de privacidade, e a puxou para um beijo.
Lily, ao sentir os lábios de James nos seus, esqueceu o que tinha de falar. E pensou que teria várias oportunidades para tocar no assunto no decorrer do dia. Afinal, ela só teria o quarto disponível à noite, depois que Ellie reunisse o que iria precisar para a noite, e escapasse discretamente em direção ao quarto de Melissa. Lily estava certa que teria diversas oportunidades de falar com James. Naquele instante, ela estava mais interessada em beijar o namorado, e aproveitar aquele momento romântico ao lado dele.
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Não eram só James e Lily que aproveitavam momentos românticos em cima da Torre Eiffel. Vários outros casais aproveitavam o momento. Frank e Alice logo conseguiram um cantinho mais reservado. Marlene e Regulus tinham literalmente sumido das vistas de qualquer um, Gideon e Fabian Prewett finalmente convenceram duas alunas do terceiro ano a "curtir a vista" longe da visão treinada da professora McGonagall. E Remus parecia ter convencido Melissa a dividir um binóculo com ele, e os dois conversavam muito próximos um do outro.
A única pessoa que não estava tendo um momento romântico na Torre Eiffel era Ellie Dumbledore. E o motivo disso tinha um só nome. Sirius Black.
- Olha só aquele prédio idiota. Só mesmo um francês seria imbecil o suficiente para fazer algo assim!
Ellie revirou os olhos pela milésima vez. Sirius não cansava de bombardeá-la com frases criticando tudo que ele via. E, como eles estavam no mirante da Torre Eiffel, isso significava que ele via muita, mas muita coisa para criticar.
Ellie tentou reclamar, brigar, resmungar, e até bater nele com um jornal. Mas nada parecia capaz de fazê-lo parar.
- Aposto que essa torre está aqui para servir de ponto de suicídio para os franceses. Nem eles agüentam esse país...
Ellie estava a ponto de explodir. Ela abriu a boca para gritar com ele, quando ouviu seu celular tocando em sua bolsa.
- Salvo pelo gongo! – Ela resmungou. E Sirius deu um sorrisinho vitorioso.
A garota alcançou o telefone, e o atendeu.
- Alô?
Sirius observou ligeiramente curioso. Ele deduziu que era Lisa ligando para a filha. Mas estava enganado.
- Mike! Oi!!! – Ellie falou, sorrindo.
Sirius fechou a cara imediatamente. E passou a prestar muita atenção na conversa.
- Estou sim. Adivinha onde eu estou agora?
Mike respondeu algo do outro lado da linha, mas Sirius obviamente não ouviu. E Ellie prosseguiu a conversa.
- Na Torre Eiffel! E a vista está maravilhosa!
Novamente Mike falou algo, mas Ellie não respondeu nada. Ela apenas riu. Sirius ficou ainda mais incomodado com aquilo. Sirius sempre se orgulhara de sua capacidade de fazer Ellie rir. E ele não gostava que outro homem fosse capaz disso.
- Não, ela não está comigo agora. Ela deve estar tirando fotos do outro lado. – Ellie continuou sua conversa.
Sirius agora pensava na noite de Natal. Ellie o tinha convidado para a festa que ela e Lisa sempre ofereciam. Ele lembrou que colocou uma blusa que Ellie tinha lhe dado de presente durante o verão, seu melhor casaco, a calça que ela tanto gostava, e fugiu da entediante festa na mansão dos Black. Pegou um táxi, e saltou em frente à casa de Ellie. Ele ia tocar a campainha da casa quando ouviu risos vindos de seu interior. Então resolveu se aproximar da janela da sala principal, e viu uma cena que ele preferia nunca ter visto. A decepção foi tanta que ele simplesmente foi embora, sem jamais tocar a campainha.
Sirius voltou ao presente. Ellie ainda falava ao telefone. E ria, ao responder uma pergunta de Mike.
- Ah, nem vem! Não vou te contar de jeito nenhum.
Mike falou algo do outro lado da linha, e ela riu novamente. E completou.
- É surpresa, Mike...
Ao ouvir Ellie usar aquele tom de voz que ele conhecia tão bem, levemente misterioso e muito charmoso, Sirius perdeu total contato com a realidade. Ele simplesmente agiu. Não pensou. Apenas precisava fazê-la parar de usar o tom de voz que ele achava que era exclusividade sua. E precisava fazer Ellie parar imediatamente de falar com Mike Mckinnon.
O problema é que o que Sirius fez, para fazer Ellie interromper sua conversa, e suposto flerte com Mike, foi dar um beijo na garota. E um beijo na boca.
Sirius pegou o rosto de Ellie com as duas mãos, e sem hesitar, puxou-a ao seu encontro. Quando os lábios dos dois se encontraram, Ellie estava com os olhos arregalados. Nunca, nem em mil anos, ela imaginaria uma reação assim de Sirius.
Mas, à medida que ele aprofundou o beijo, ela também cerrou seus olhos. E o deixou conduzir o beijo.
A garota sentiu seus braços perdendo a força, e caindo ao lado de seu corpo. Ainda na ligação, Mike falava, sem ninguém para ouvi-lo.
- Ellie? Ellie!
Ao sentir a resistência de Ellie enfraquecendo, Sirius deslizou as mãos do rosto para a cintura dela. Ele mesmo já tinha esquecido que seu objetivo era fazer Ellie desligar seu telefonema com Mike. A garota, por sua vez, já tinha esquecido completamente que estava falando com alguém ao telefone. Estava sentindo tanta falta do beijo de Sirius que nada mais importava naquele instante.
Mike, sem nenhuma resposta para seus chamados, desligou a ligação. Ele achou que havia algum problema com a recepção. E decidiu ligar depois.
O casal continuou se beijando, até que, ao se moverem ligeiramente, Ellie esbarrou um dos braços na grade de proteção da torre. E isso a fez finalmente notar o que estava fazendo.
Ela se afastou de Sirius. Ele ainda manteve uma das mãos na cintura dela. Mas ela logo falou.
- Sirius... o que... você está fazendo? – a voz dela não saiu tão segura quanto ela gostaria.
Então Sirius percebeu que realmente se deixou levar pelo momento. Ele abriu e fechou a boca por alguns instantes, até conseguir responder.
- Nada. Apenas te distraindo um pouco.
Ele olhou para a mão direita de Ellie, que ainda segurava o celular. Então a garota percebeu qual era a intenção dele.
- Você... você... – ela começou a falar, e seu tom agora era de crescente raiva – fez isso para atrapalhar minha conversa com o Mike?
Sirius recuperou a compostura. E respondeu.
- Exatamente. E não é que deu certo? – ele arrematou, sorrindo.
Ellie bufou alto. Ela abriu a boca, completamente ultrajada. Mas não conseguiu formular frase alguma. Ficou resmungando e falando palavras desconexas.
- Você... cretino...eu vou...
Sirius franziu um pouco a testa, receando a reação da garota. Mas ela acabou virando as costas para ele, e saiu batendo os pés no chão, morrendo de raiva. Sirius então achou que tinha escapado de uma, já que os acessos de raiva de Ellie costumavam ser extremamente violentos. Ele falou, para si mesmo, com um sorriso de lado nos lábios.
- Pelo menos ela não me jogou daqui de cima...
Mas o que ele não percebeu é que Ellie, mesmo tendo descoberto que ele a beijou para fazê-la desligar seu telefonema, não retornou a ligação de Mike Mckinnon. Não retornou logo em seguida, e nem pelo resto daquele dia.
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A noite chegou, e com ela veio o retorno ao hotel. Apesar de muito cansados, os alunos estavam bem mais animados naquele dia, que no dia anterior.
O jantar, servido no hotel, fez todos se reunirem novamente. Os grupos conversavam animadamente, trocando impressões sobre o dia de passeio. E, numa das mesas, um grupo de garotas conversava.
Lily, Ellie, Melissa, Marlene e Alice se reuniram em uma das mesas para jantar. Alice e Lily estavam sem os namorados porque eles subiram direto do passeio para os quartos, para deixar guardar as câmeras e outros objetos que tinham comprado durante o dia. E as garotas aproveitaram a oportunidade para fofocar sem homens por perto.
Marlene olhou para as amigas e perguntou, dando continuidade a conversa entre elas.
- E vocês têm algum plano para hoje? Temos a noite livre.
Lily imediatamente desviou o olhar. Melissa e Ellie trocaram um olhar, e depois olharam para Lily. Mas as duas ficaram caladas, já que ambas esperavam a resposta de Lily, sobre a decisão da garota. Elas não tinham tido a oportunidade de perguntar para a ruiva se ela combinara o encontro com James.
- Não sei. Mas acho que vou ver se consigo passar um tempinho com o Frank. Um tempinho mais... sozinha com ele.
Ellie riu da amiga, e falou.
- Vai tirar o atraso, não é, Sra. Longbottom?
Alice apenas riu, e não respondeu nada. Marlene então voltou seu rosto para Lily, como se esperasse que a amiga falasse qual era o seu plano. Mas Lily não respondeu. Ela avistou os rapazes voltando, e indicou isso para as amigas.
- Eles voltaram.
Marlene e Melissa mudaram de cadeira, para dar espaço para Frank e James sentarem perto das namoradas. Mas os rapazes nem sentaram. Eles continuaram em pé. E, junto com James e Frank, vieram Sirius e Remus.
Frank começou a falar.
- Ah, não vamos ficar para o jantar. Não estamos com fome.
Alice imediatamente franziu a testa. E falou.
- Não estão com fome? Como assim?
Frank olhou em volta, para ter certeza que ninguém iria ouvir. E respondeu a namorada.
- É que... nós temos outros planos...
Antes que Alice pudesse falar toda a indignação que estava estampada em seu rosto, Lily foi mais rápida, e perguntou.
- E que planos são esses? – Ela falou, um pouco desconfiada. Conhecendo aqueles garotos, não podia ser boa coisa.
James a respondeu. E ele parecia animado.
- É que nós arrumamos um esquema. Que podem render certos... lucros.
Ellie olhou desconfiada para a presença de Sirius no meio do grupo. Ela o conhecia bem o suficiente para saber que ele sempre arrumava confusão. E ela falou.
- Expliquem melhor.
- Nós vamos participar de um jogo... de poker. – respondeu James. – Com um pessoal que conhecemos.
- E que pessoal é esse? – perguntou Alice, ainda mais desconfiada.
Frank respondeu a namorada.
- Eles trabalham no hotel. São cinco funcionários, mas ninguém pode saber por que vamos jogar na ala destinada somente a quem trabalha aqui.
Ellie então se manifestou.
- Então me leva também! – ela virou para James, e falou – Você sabe que eu adoro poker, e vocês são quatro apenas. Se eles são cinco, vai ficar faltando alguém.
Mas foi Sirius que respondeu.
- Não, você não pode ir.
Ellie olhou para o rapaz, indignada. E retrucou imediatamente.
- Ei, eu jogo poker muito melhor que você! E eu realmente falo francês, ao contrário de você e do James.
Mas Sirius não se abalou com a resposta da garota, e falou.
- Mas nós temos um jogador muito melhor que eu ou você para completar nosso time. E ele também fala francês.
As garotas se entreolharam, sem entender. Então Sirius virou para trás, em direção a uma das mesas próximas. Ele chamou o nome do último integrante do grupo.
- Regulus! Chega aqui um instante.
Marlene sentiu seu corpo gelar da cabeça aos pés. Mas ela manteve a expressão impassível quando viu o jovem Black se aproximando, com seus cabelos muito negros caindo ligeiramente sobre os olhos.
Regulus ia dar uma resposta atravessada ao irmão, mas assim que viu os cabelos loiro-dourados de Marlene, sentada na mesa junto com as amigas, ele engoliu as palavras. Aproximou-se lentamente, falou.
- O que foi, Sirius?
Sirius colocou o braço em volta dos ombros do irmão mais novo, e sorriu. Regulus soube imediatamente que ele ia pedir alguma coisa. Mas não falou nada, e tentou olhar de forma muito discreta para Marlene.
- Eu e meus amigos aqui temos uma proposta imperdível para você, irmãozinho!
Regulus pareceu pressentir que se tratava de mais uma confusão que Sirius e James estavam aprontando. Mas, por poder estar tão perto de Marlene, sem despertar desconfianças em ninguém, resolveu dar corda ao irmão.
- Que proposta?
James se aproximou do jovem, e falou, também sorrindo. Regulus pensou que estava enrascado.
- É que nós vamos participar de uma jogatina com um... pessoal... que conhecemos. E os prêmios são bem tentadores. Só que precisamos de mais um jogador.
Regulus olhou imediatamente para Ellie. Ele sabia que a garota sempre jogava com os amigos, e ela costumava limpar todo o dinheiro da carteira de Sirius quando jogava contra ele. Mas não teve tempo de perguntar sobre o assunto, já que Frank já estava emendando.
- E o Sirius nos contou sobre sua habilidade com as cartas, então nós pensamos em você para completar nosso quinteto.
Regulus pensou por um instante, e falou.
- E que prêmios são esses?
As garotas pararam de conversar entre si imediatamente, e prestaram muita atenção à resposta. Foi Frank quem respondeu.
- Digamos que, por eles trabalharem no hotel, vão nos fornecer meios de exercitar maior liberdade nas dependências.
Regulus levantou uma das sobrancelhas. Então Remus se aproximou, e falou, baixo, para Regulus ouvir.
- Eles vão tentar fornecer chaves de quartos vazios. Se algum quarto do hotel ficar disponível. E prometeram tentar distrair os professores o máximo que conseguirem. Fora que, se alguém quiser fugir para dar um passeio noturno, eles vão fornecer uma rota de saída e entrada que não precise passar pelo saguão do hotel.
E James completou.
- Mas só vão fazer isso tudo se ganharmos.
Regulus ficou quieto. Ele já estava convencido quando Remus falou sobre as chaves de quartos vazios. Quando ouviu a parte do passeio noturno, ele se deixou levar por um instante, imaginando uma noite extremamente íntima e romântica com Marlene. Só os dois pelas ruas de Paris. Ele realmente tinha sido convencido pelos rapazes.
Só que as garotas não conseguiram ouvir o que eles falavam. E estavam todas muito curiosas. Elas só voltaram a ouvir o que eles falavam quando Regulus deu sua resposta.
- Eu topo.
Sirius sorriu, e bagunçou o cabelo do irmão.
- É isso aí, moleque!
Os cinco rapazes então viraram para as garotas. Elas não tinham expressões satisfeitas no rosto. Foi só aí que eles notaram.
Frank olhou para Alice, e sorriu. Ela simplesmente levantou da cadeira, e falou.
- Eu já vou indo. Vocês me acompanham, garotas?
As outras quatro garotas levantaram juntas, e, sem dizer nenhuma palavra, seguiram Alice.
Os cinco se entreolharam. James percebeu que eles tinham feito besteira, assim como Frank. Remus não queria fazer nada que contrariasse Melissa, ainda mais com os planos que ele tinha feito para a noite seguinte. Regulus não queria magoar Marlene de forma alguma, mas o prêmio era muito tentador. E, se eles ganhassem, eles teriam uma liberdade que nunca tiveram antes. E Sirius... bem, ele não tinha plano algum. Sabia que Ellie estava a ponto de assassiná-lo mesmo. Ele só queria se divertir num jogo com os amigos. Mas, ao ver que a garota ficou chateada assim como as outras, ele não pode deixar de pensar que tinha algum envolvimento com o fato de ele não ter deixado que ela participasse do jogo. E ele achou que era porque Ellie queria jogar junto com ele.
Então, obviamente, todos os cinco seguiram as garotas. E cada um por um motivo especial.
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As garotas discutiam entre si quando os rapazes as alcançaram. Frank foi o primeiro a alcançar a namorada. Ele delicadamente a puxou para longe das outras garotas.
James chegou perto de Lily, e falou.
- Posso falar um instante com você?
A ruiva, mesmo contrariada, se deixou levar pelo namorado.
Remus chegou perto de Melissa. A morena parecia espumar de raiva. Remus inspirou profundamente, e falou.
- Melissa, por favor, vamos conversar um pouco?
Melissa não queria ceder. Remus pediu novamente.
- Por favor?
Ela revirou os olhos, e o acompanhou. Mas manteve uma pequena distância entre eles.
Agora, no lobby do hotel, se encontrava apenas Ellie e Marlene. As duas conversavam baixo entre si, mesmo o lobby estando vazio. Mas, num instante, os dois irmãos Black as alcançaram.
Por um instante, os quatro ficaram olhando uns para os outros. Marlene e Regulus não tinham uma boa desculpa para conversar entre si, já que Sirius, que nem desconfiava do envolvimento dos dois, estava presente.
E Ellie, que não namorava mais com Sirius, não tinha um motivo real para ficar brava com ele. Mas isso não a impedia de sentir tanta raiva quanto as demais.
Marlene então lançou um olhar significativo para Ellie. A garota sabia que teria que se virar para arranjar uma desculpa para afastar Sirius de Regulus e Marlene. Então ela simplesmente falou, muito brava.
- Sirius! Eu quero falar com você!
Ela não esperou a resposta de Sirius. Ela viu o rapaz olhando para o irmão e para Marlene. Não queria arriscar a possibilidade de Sirius perceber o enorme clima entre os dois.
Então Ellie agarrou o braço de Sirius, e saiu puxando o ex pelo lobby. E a força com que ela pisava no chão demonstrava a sua raiva.
Sozinhos, finalmente, então ficaram Regulus e Marlene. Os dois se olharam, e o rapaz sabia que teria que fornecer uma boa explicação, e bem rápido.
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- Frank, você prometeu que nós iríamos ficar juntos hoje! Eu até já arranjei uma desculpa esfarrapada para a Mary não desconfiar do meu sumiço!
Frank estava planejando uma surpresa para Alice no dia seguinte. E a surpresa dependia do quarto que ele iria arranjar no jogo de poker daquela noite.
- Alice, eu não estou desmarcando, só estou adiando!
Mas essa frase não deixou Alice mais feliz. Simplesmente a deixou mais brava.
- Adiando? Quer dizer que se seus amigos te chamam para um jogo idiota de poker, você simplesmente me dá um fora e adia a seu bel prazer nosso encontro?
Aquilo não estava indo bem. E Frank sabia muito bem disso.
- Eu não estou de dando um fora, Alice. Você não está entendendo as coisas direito!
- Se eu não estou entendendo, é você que não está explicando direito!
Frank suspirou alto. Alice nunca perdia uma discussão entre os dois. Parecia que a garota tinha argumentos infinitos. E sempre tinha uma resposta para tudo que ele dizia.
O suspiro de Frank também não teve uma boa recepção. Alice simplesmente olhou para ele, e falou.
- Se eu te deixo tão entediado assim, acho melhor procurar minhas amigas. Elas não ficam entediadas comigo, Frank!
Alice virou as costas para o namorado, e saiu andando.
Frank sabia que era inútil ir atrás dela. Alice só iria esfriar a cabeça no dia seguinte. E ele pensou que, quando eles ganhassem o jogo, ele teria a solução perfeita para se desculpar com a namorada. E ele tinha certeza que ela o desculparia, quando visse o que ele tinha planejado para os dois.
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- Lily, por que você está tão chateada? É só um jogo de poker com os caras...
Lily estava de braços cruzados. Ela não estava brigando com James, como Alice fez com Frank. Mas ela estava desapontada, porque seus planos foram por água abaixo.
- Eu não estou chateada. – mentiu Lily. Mas mentiu tão mal que James tinha certeza que ela estava chateada.
James parou bem na frente da namorada. Ele tentou soltar os braços da garota, mas eles pareciam cimentados junto ao corpo dela.
- Lily...
Mas Lily permanecia irredutível. Ela não culpava James por ter feito outros planos. Ela estava mais chateada consigo mesma. Por não ter conseguido falar para James sobre o plano que tinha feito com Ellie. De não ter conseguido avisar que ela estava com o quarto livre aquela noite.
Então Lily olhou para James, e falou.
- Eu não estou chateada, James. Pode ir para o jogo com os rapazes.
Mas James não se deixou convencer pela frase de Lily. O que ele queria, realmente, era falar com Lily que ele ia conseguir passe livre para a cidade, fora a chance de arranjar quartos extras no hotel, se eles ganhassem o jogo. Mas não podia falar isso naquele momento, Lily já estava chateada com ele. Se ele mencionasse quartos vazios ela poderia reagir ainda pior.
- Eu não vou demorar. – James tentou argumentar.
Lily descruzou os braços, e falou.
- Pode ir. Eu vou encontrar as meninas. A gente se fala depois.
Sem a coragem de contar seu plano original, Lily simplesmente abandonou o namorado, e foi atrás das amigas. Mas nem um pouco satisfeita com o resultado da noite.
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- Eu não sou sua mãe, Remus.
Melissa repetiu essa frase pela décima vez. Remus despejava mil justificativas para o jogo. Menos a verdadeira.
- Mas eles insistiram muito. E eu quase nunca tenho a oportunidade de fazer coisas assim, sabe... e o James e o Sirius praticamente me obrigaram...
Melissa olhou para ele com seu típico olhar irônico.
- Tanto faz.
Mas sua voz deixava transparecer sua frustração. Ela finalmente tinha decidido dar uma chance para Remus. Ela aceitou a proposta dele. Mas agora, ele tinha decidido jogar poker com os amigos?
- Nós não tínhamos marcado nada específico para hoje... – Remus argumentou.
- Eu sei! – a resposta de Melissa foi muito mais raivosa do que ela pretendia. Ela estava tentando fingir que nem ligava. Mas não estava conseguindo.
Melissa tinha alimentado a esperança de passar aquela noite na companhia de Remus. Mas estava vendo que não seria possível.
Já Remus queria ter certeza que conseguiria o passe livre do hotel. Ele tinha planejado um encontro bem romântico, e ele só poderia se concretizar se eles ganhassem o jogo de poker daquela noite. O que ele não sabia era que Melissa esperava era que esse encontro ocorresse naquele dia, e não no dia seguinte, conforme Remus esperava.
- Eu... – Remus tentava argumentar – Desculpe...
Mas Melissa o cortou.
- Não precisa se desculpar. – ela falou da melhor forma que conseguiu – Não é como se nós tivéssemos algum tipo de compromisso, ou fossemos namorados. Você faz o que bem entender.
Mas a voz da garota denunciou sua decepção. Remus ainda tentou falar com ela, mas Melissa se afastou rapidamente, sem olhar para trás.
E Remus desejou, ardentemente, que eles tivessem, sim, um compromisso. E pensou que isso seria mais fácil se eles ganhassem o jogo de poker naquela noite.
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Ellie só parou de puxar Sirius quando julgou estarem longe o suficiente de Marlene e Regulus. Mas quando ela olhou para o rapaz, percebeu que não tinha argumento algum para tê-lo puxado daquela forma.
Ela entrou em pânico. Não tinha o que dizer. E não tinha idéia do que falar. E precisava ganhar tempo para Marlene conversar com Regulus.
Ellie então falou a primeira frase que lhe veio à cabeça.
- Você é um idiota, Sirius Black!
Sirius olhou para Ellie, franzindo a testa. Ele queria entender a intenção da garota quando ela o arrastou pelo lobby do hotel. Mas ele logo respondeu.
- Idiota? Por quê?
Ellie buscava qualquer coisa para falar naquele momento. Mas nada lhe ocorria, zero total.
- Porque é! – ela decretou. Assim que proferiu as palavras, viu o quanto idiotas elas soaram.
Sirius novamente analisou a expressão de Ellie. Ela definitivamente estava com raiva. Mas tinha outra coisa em sua expressão. Era... receio? Sirius então deduziu que Ellie estava com receio de que ele fizesse a mesma coisa que tinha feito na Torre Eiffel.
Logicamente, Ellie estava com receio que Sirius desconfiasse de Marlene e Regulus juntos. Mas ele não percebeu nada, então resolveu arriscar sua teoria.
- Você está com medo... – Ellie arregalou os olhos ligeiramente – de que eu faça a mesma coisa que fiz na torre?
Ellie foi pega de surpresa com aquela pergunta. Ela estava achando que Sirius tinha descoberto sobre Regulus e Marlene. Mas ele agora falava sobre o incidente na torre. Então ela finalmente percebeu que ele estava falando sobre o beijo deles. E ficou ainda mais nervosa com isso.
- Eu... eu... – ela gaguejou. Mas logo inspirou fundo, e retomou sua rotina de reclamações – Lógico que não. Se alguém devia ter medo, esse alguém é você. Eu estou a ponto de quebrar sua cara feia!
Mas Sirius riu, achando graça do embaraço dela. Só que Ellie não gostou nem um pouco daquilo. Ela endureceu sua expressão, e deu um passo na direção dele. O rosto dos dois estava muito próximo.
- Isso não tem graça nenhuma! E você quer saber? Vai para esse jogo idiota. E eu espero que você perca todo seu dinheiro nele!
Ellie virou as costas, e saiu andando. Mas Sirius ainda falou alto, rindo, com a garota.
- Se está com saudade, é só dizer!
Ellie virou rapidamente, com o rosto vermelho de raiva. E apenas gritou, antes de continuar seu caminho.
- Vai pro inferno, Sirius!
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Assim que se viram sozinhos no lobby do hotel, Marlene e Regulus olharam um para o outro. E Marlene pegou Regulus pela mão, o puxando para um canto discreto.
- Que história é essa de poker? – ela perguntou. Não estava exatamente com raiva. Estava mais era receosa do que isso pudesse significar.
Regulus olhou para os lados, certificando-se de que ninguém os observava. E então respondeu.
- Eu só fiquei sabendo naquela hora. E... – ele não queria falar sobre os prêmios oferecidos pelos funcionários, queria que fosse uma surpresa para Marlene – acho que pode ser uma boa oportunidade de ninguém desconfiar de nada. Se eu estiver com o Sirius, ninguém vai ficar se perguntando onde eu fui.
Marlene apenas suspirou. E falou, muito baixo.
- Achei que nós íamos ficar juntos essa noite...
Regulus olhou para Marlene. Viu nos belos olhos da loira que ela estava desapontada. Ele tocou suavemente o rosto dela, e aproximou o rosto do dela. Os narizes dos dois quase se tocavam quando ela falou, muito baixo.
- Não vai ter... nada de mais nesse jogo, não é?
Regulus franziu a testa, sem compreender imediatamente o que ela queria dizer com aquilo. Mas no instante seguinte ele entendeu. Ela estava achando que o jogo era uma desculpa para os rapazes saírem solteiros naquela noite.
Regulus sorriu muito de leve. E respondeu.
- Acho que não. Duvido que o Remus aceite qualquer coisa que envolva outras mulheres. Ele está tão na da Melissa que vai querer ir embora na primeira oportunidade. Se esse for o caso, eu volto com ele.
Marlene sorriu brevemente. Mas ainda assim sentiu receio. O que ela mais temia, naquele momento da sua vida, era perder Regulus. E ele notou que ela ainda não estava segura.
- Eu só quero você, Lene. Só você.
Marlene baixou os olhos por um instante. Regulus pegou o queixo da garota, e o ergueu. Ele se aproximou para beijar os lábios dela quando eles ouviram passos. Regulus olhou imediatamente para ver quem era, mas viu Ellie se aproximando rapidamente. E com cara de poucos amigos.
Assim que a garota localizou o casal, ela se aproximou. E resmungou.
- Seu irmão é um imbecil. – Ellie falou.
Regulus sorriu de lado, e falou.
- Agora fala uma novidade.
Ellie apenas bufou. Mas logo falou.
- É melhor vocês se separarem. Daqui a pouco o povo volta.
Marlene concordou com a cabeça. Ela se afastou de Regulus, que ainda segurou a mão dela por um instante. Mas ela e Ellie logo começaram a caminhar, se afastando do lobby. Regulus apenas observou as garotas irem embora, e ficou esperando os outros voltarem. Mas ele não conseguia afastar a idéia de que Marlene ainda estava chateada.
Não demorou muito para Sirius voltar. Ele tinha um sorriso sarcástico nos lábios, e Regulus imaginou o que ele teria feito com Ellie para deixar a garota tão nervosa. Mas, logicamente, ele não arriscou perguntar.
Um a um, os rapazes retornaram ao lobby. James olhou os rostos de seus amigos, e falou.
- Bem, já que não podemos fazer mais nada, acho que devemos simplesmente aproveitar nossa noite num bom jogo de poker.
Frank acenou com a cabeça, tentando esquecer a discussão com Alice.
- Vamos logo. Ainda temos que combinar nossa estratégia para ganhar esse jogo.
Remus, que estava apenas observando os amigos, se manifestou.
- Eu acho bom mesmo. Algo me diz que, se não ganharmos esse jogo, vamos estar completamente ferrados amanhã.
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- Estúpido jogo de poker! – resmungou Alice.
As garotas tinham se juntado, e subido juntas para os quartos. Todas concordaram em ficarem juntas naquela noite. Afinal, nenhuma delas estava com vontade de ir para o quarto, e ficar remoendo o fato de terem sido abandonadas por seus namorados, ou os rapazes que gostavam. Então elas juntaram os pijamas, e tudo que precisariam naquela noite, e se reuniram no quarto de Lily e Ellie.
Ellie estava guardando as coisas que tinha comprado naquele dia. Como ela não foi na excursão ao Louvre, aproveitou que seu encontro terminou no fim da manhã, e passou o tempo livre fazendo compras. Então ela retirava roupas, sapatos e acessórios de várias sacolas. Mas não estava nem de longe tão animada com eles quanto ficou quando os comprou, durante a manhã. Ainda estava com raiva de Sirius.
- Nós temos que fazer alguma coisa para esquecer isso. – falou Lily. A garota já estava de pijamas, e Marlene estava pintando as unhas dos pés dela. Marlene mesma se ofereceu para fazer aquilo. Queria alguma coisa que a fizesse esquecer a idéia fixa que ela tinha em sua mente. Regulus jogando poker, bebendo e com várias mulheres francesas seminuas dançando em volta dele.
- Lily, não mexe os pés senão eu vou borrar o esmalte. – ela falou, quando a ruiva se exaltou um pouco ao falar.
- Espera aí. – falou Ellie, saindo de trás da porta do armário, no qual guardava as roupas novas. Ela também estava pronta para dormir, mas usava uma camisola de seda até os joelhos. – Nós vamos ficar amargando a ausência deles? Deles? Eles nos largaram aqui!
Melissa estava deitada na cama, folheando o jornal daquele dia. O francês dela era sofrível, então ela mal entendia o que estava escrito. Mas qualquer coisa era melhor que ficar pensando em como Remus tinha simplesmente sumido com os amigos, enquanto ela esperava que eles pudessem finalmente sair naquele dia. Então ela falou.
- Eu topo qualquer coisa. Você sabe disso. – Melissa levantou os olhos do jornal para responder Ellie.
- Ótimo. – decretou Alice. – Então qual é a idéia?
As cinco garotas se entreolharam. Nenhuma delas falou nada.
Lily suspirou, desanimada. Ellie olhou para as amigas, e arriscou.
- Bem, eu sempre quis conhecer o Budha Bar de Paris... – mas a voz dela nem de longe apresentava entusiasmo.
Novo silêncio entre elas. Melissa voltou a ler seu jornal, Marlene a pintar as unhas de Lily, que observava o trabalho da amiga. Ellie voltou a retirar roupas das sacolas. E Alice se irritou com aquilo.
- Garotas! Qual é? Nós precisamos de alguma animação!
Então a morena levantou da poltrona que ocupava, e foi até o som do quarto. Ligou o aparelho, e procurou uma música. Assim que achou algo animado o suficiente, aumentou o volume. E falou.
- Vamos lá, ânimo!
Ela foi dançando até Ellie, e esticou a mão para a amiga. Ellie sorriu, pegou a mão de Alice, e a acompanhou na dança. Alice então virou para Melissa, e falou.
- Vamos lá, Mel!
Melissa apenas ergueu um das sobrancelhas, e falou.
- As líderes de torcida são vocês. Eu passo.
Marlene e Lily riram das duas dançarinas. Mas como Marlene ainda pintava as unhas de Lily, elas continuaram sentadas na cama.
Alice e Ellie continuaram dançando até a música acabar. Mas como as outras três continuavam sentadas, ela observou as amigas. E teve uma idéia.
- Acho que sei de algo que pode animar vocês três aí.
Ela foi andando até o armário. Retirou de lá uma caixa com aparência de pesada. Colocou-a no chão, e abriu o lacre que a fechava. As garotas observavam curiosas. Até que Lily se manifestou.
- Ellie...
A garota retirou de dentro da caixa uma garrafa de champagne. Mostrou para as amigas, sorrindo.
- Encomenda da minha mãe. Mas acho que posso repor amanhã...
Alice sorriu, e correu para colocar a garrafa na geladeira. Melissa finalmente sorriu, e falou.
- Agora sim você está falando minha língua!
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Finalmente o horário do jogo chegou. Os rapazes ficaram horas planejando uma estratégia que eles julgaram imbatível. Eles estavam reunidos no quarto de James e Sirius.
- Então está tudo certo. – James falou – Vamos andando, o cara falou onze e meia.
Os rapazes, silenciosamente, saíram do quarto. Tinham vigiado por um bom tempo, e viram pelo olho mágico da porta a professora McGonagall passando pelo corredor alguns minutos antes. Isso deveria dar tempo suficiente para eles alcançarem as escadas de emergência, onde tinham marcado o encontro com o funcionário que os levaria para o jogo.
Pé ante pé, eles foram até a escada. Assim que chegaram lá, encontraram o rapaz. Ela era garçom do restaurante do hotel, e não devia ter muito mais que vinte anos. Ele tinha cabelos castanhos e cacheados, e um sorriso sarcástico nos lábios.
- Ah, chegaram. – ele falou, num inglês de sotaque muito carregado – Achei que tinham desistido.
Frank olhou para o rapaz, e falou.
- Desistir? Não temos motivo nenhum para isso.
O sorriso do rapaz aumentou. Ele foi olhando para todos os rapazes, um por um. Quando ele olhou para Regulus, viu o rapaz se adiantando, e estendendo a mão para ele.
Regulus olhou nos olhos do garçom, e falou, num francês impecável.
- Bonne nuit. Je m'appelle Regulus.
O garçom levantou uma das sobrancelhas, aparentemente admirado de um dos rapazes saber falar francês. Mas logo ele voltou ao sorriso original, e falou.
- Sigam-me.
Ele os conduziu pelas escadas. Depois percorreram um corredor, e entraram numa porta. Lá, eles perceberam que estavam na área restrita a funcionários do hotel. Percorreram outro corredor, e finalmente chegaram.
A sala em que iriam jogar era uma espécie de depósito. Uma mesa grande estava forrada com uma toalha, e dez cadeiras a circulavam. Os rapazes se entreolharam. Os outros jogadores eram dois funcionários da cozinha do hotel, um mensageiro e um recepcionista. Eles já estavam sentados, esperando os jogadores.
- Fiquem à vontade, cavalheiros. – o garçom continuou – Ah, já ia me esquecendo. Trouxeram o dinheiro?
James retirou um maço de dinheiro do bolso da calça. Os cinco funcionários do hotel sorriram. Os rapazes então se acomodaram nas cadeiras disponíveis, e o recepcionista começou a embaralhar as cartas. Regulus olhou para o homem, e falou.
- Qual vai ser o tipo de jogo?
O recepcionista sorriu de forma cínica, e respondeu.
- Texas Hold'em. E sem limites para a aposta. Vale o que estiver na mesa.
Os cinco se entreolharam. Aquela ia ser uma longa noite.
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Já no quarto da garotas, jogo de cartas não nem de longe o assunto dominante. As meninas já estavam na segunda garrafa de champagne, e o efeito disso era visível.
Ellie e Alice continuavam dançando. E cantando, acompanhando a música que tocava muito alto no aparelho de som. Para a sorte delas, isolamento acústico dos quartos era muito bom. Senão a professora McGonagall já teria acabado com a festinha delas há tempo.
Ellie e Alice usavam uma das garrafas de champagne como microfone, e cantavam animadas.
She's a loaded
gun
In my shaking hands
Am I in hell, or the promised land,
yeah
(Whats your name)
So
I tell you my name when I'm on your skin
(You can be)
You can
be the queen, and I'll be the king
(I'll get born)
Now I'm
gonna echo but never again, not for anyone, anyone
Elas imitavam o falsete ao cantar, e Lily morria de rir das duas. Fora que ambas faziam uma dancinha supostamente sexy para a canção. O que ficava hilário pelo fato das duas estarem de camisola.
Marlene estava servindo mais champagne em sua taça, e na taça de Melissa, que assistia ao show das duas amigas tentando não rir. Mas, quando elas chegaram ao refrão, ela as acompanhou, cantando a letra.
She said
Show me
yours, (Show you what I got yeah)
I'll show you mine (Will you
tell me what you need)
Show me yours, (So put your money where
your mouth is)
I'll show you mine
Então Ellie e Alice subiram na cama, e ficaram em pé, continuando a dança e a cantoria. Mas elas puxaram as outras garotas para participar, puxando-as para ficarem em pé na cama também.
And the beat goes
on
She knows nothin' is wrong
She goes down, like a setting
sun, ow
(Whats your name)
If
I tell you my name you gotta let me in
(You can be)
You can be
the sinner, I'll be the sin
(I will take)
I'll take what I
want, and it's easy to see, I got everything, everything
She said
Show me
yours, (Show you what I got yeah)
I'll show you mine (Will you
tell me what you need)
Show me yours, (So put your money where
your mouth is)
I'll show you mine
Come on!!
As cinco pulavam e dançavam na cama. Marlene derrubou quase todo o champagne de sua taça, e Melissa teve que virar todo o conteúdo da sua para não fazer o mesmo. Lily abraçou Ellie, e as duas pulavam juntas no meio da cama.
Show
me yours, (Show you what I got yeah)
I'll show you mine (When you
tell me what you need)
Show me yours, (So put your money where
your mouth is)
I'll show you mine....(Watch out, watch out...)
Any
face, (Yeah yeah yeah...), anytime
A música finalmente acabou, e elas se jogaram na cama, rindo. Logicamente, a grande quantidade de champagne contribuía para a euforia das garotas. Mas elas logo acalmaram um pouco, recuperando o fôlego. Ellie foi a primeira a levantar, e correr para o frigobar. Ela pegou uma nova garrafa de champagne, e abriu, estourando a rolha.
- Ei, eu achei que o reveillon fosse só depois de amanhã... – falou Melissa, se protegendo para não ser atingida pela rolha que saiu voando pelo quarto.
- É, mas nós não temos nada melhor para fazer hoje, temos? – perguntou Lily, estendendo sua taça para Ellie encher.
As cinco ficaram em silêncio por algum tempo. Ellie encheu a taça de todas, e devolveu a garrafa à geladeira. Ela sentou-se na cama, ao lado de Lily. Elas bebiam em silêncio até Alice falar.
- E então, o que vocês acham que eles estão fazendo?
A pergunta provocou reações diferentes nas garotas. Lily ergueu os ombros, em dúvida. Marlene desviou o olhar, tentando fingir que não era com ela. Melissa apenas bufou, e Ellie respondeu de bate pronto.
- Por mim eles podem fazer o que quiserem. Não poderia ligar menos.
Só que a frase da garota foi tão pouco convincente que as outras riram. E Lily falou.
- Tá bom, Ellie. Agora fala a verdade.
Ellie revirou os olhos, mas não disse nada. Então Alice olhou para a amiga, e falou.
- Ellie, como estão as coisas entre você e o Sirius?
Ellie suspirou, obviamente desanimada. Mas, como todas estavam um pouquinho tontas por causa do champagne, ela respondeu de forma sincera.
- Não estão. Está tudo uma confusão só.
As garotas se aproximaram para ouvir melhor o relato dela. E Ellie prosseguiu.
- O problema é que o idiota me... beijou hoje. Na Torre Eiffel.
Lily arregalou os olhos, e perguntou imediatamente.
- Te beijou? E você não disse nada? Por quê?
Ellie novamente tomou fôlego, e prosseguiu sua história.
- Mas não foi um beijo romântico, nem nada. Eu estava no telefone, falando com o Mike – Marlene ficou mais atenta ainda ao Ellie mencionar seu irmão – quando o doido simplesmente me tascou o maior beijão. Mas ele só fez isso para me fazer desligar o telefone.
Alice riu, e falou.
- Isso está soando mais como um "flashback"...
- Nem vem, Alice. – Ellie protestou, imediatamente – Eu não vou voltar com o Sirius.
- E por que não? – surpreendentemente, a pergunta partiu de Melissa.
Ellie franziu a testa por um instante. Melissa foi a primeira a apoiá-la, quando ela terminou com Sirius. E ela sempre deu razão à Ellie, dizendo que era melhor ela ficar afastada do ex-namorado. Ellie sempre pensou que Melissa achava que Sirius tinha espalhado a fofoca em Hogwarts.
- Porque... ele... ah, você sabe! – Ellie resmungou, sem saber exatamente o que dizer.
Mas Melissa prosseguiu a conversa.
- Você tem certeza que foi ele mesmo? Por que eu tenho que admitir, Ellie, ele não está se comportando como alguém culpado.
Melissa jamais falaria o que pensa tão abertamente, mas, depois de várias taças de champagne, ele tinha baixado suas barreiras. As garotas a faziam se sentir segura. E ela nunca tinha se sentido tão segura assim com amigas desde sua amizade com Kate. Cada uma ali tinha uma característica marcante. Lily era muito inteligente. Alice era sincera. Ellie tinha aquela alegria contagiante. Marlene era doce. E elas mantinham um relacionamento sem ciúmes ou inveja. Eram companheiras, e extremamente leais, como Melissa pode comprovar de perto, ao participar do arranjo que Ellie fez para ajudar Regulus e Marlene.
Ellie ficou olhando para Melissa, sem saber o que dizer. Ela apenas resmungou algumas palavras sem sentido, e depois falou, com voz de raiva.
- Mesmo assim. Ele me deixa... eu fico...
Alice sorriu, e completou para a amiga.
- Com tesão?
Ellie arregalou os olhos, e respondeu de imediato.
- Não! Com ódio!
Mas Alice riu, e não deu bola para o que Ellie tinha acabado de falar.
- Pois eu acho que você está precisando é dar umazinha... você anda muito nervosa.
Ellie ficou com as maçãs do rosto um pouco coradas, e abriu a boca. Melissa riu baixinho, e Lily sorriu. Marlene ficou esperando a resposta de Ellie, que demorou alguns segundos.
- Mesmo que isso seja verdade, eu sou provavelmente a pessoa com menos probabilidade de fazer sexo neste quarto.
Lily ficou um pouco corada. Os planos que ela tinha para aquela noite, antes de descobrir sobre o jogo dos rapazes, era exatamente fazer sexo com seu namorado.
- Pois eu acho que, se você ligar agora para um certo moreno alto de olhos azuis, ele vem correndo suprir suas necessidades... – Alice falou, maliciosa.
Ellie revirou os olhos, e falou.
- Nem vem, Alice! E eu fiquei de Judas hoje? Por que vocês só querem discutir minha vida sexual? Já não basta a escola inteira ter feito isso? Falem de vocês também!
As quatro ficaram quietas. Então Ellie começou.
- Já que você insistiu tanto, pode falar, Alice!
Alice fez-se de desentendida.
- Eu não tenho nada para falar.
Mas Marlene logo se adiantou.
- Ah, Alice, você namora o Frank faz um tempão. Não tem nada para dizer?
Alice então sorriu, e começou.
- É que não tenho muito a contar, mesmo. Eu e o Frank só começamos a... transar... há alguns meses. Vocês devem lembrar. – Ela completou, indicando Ellie e Lily.
As duas concordaram com a cabeça. E Alice falou, olhando para Marlene.
- E você, Lene?
Marlene abaixou ligeiramente a cabeça, mas logo respondeu.
- Comigo foi... com eu último namorado. Anthony, vocês lembram dele? Ele estudava em Hogwarts também, e foi para a faculdade esse ano. Mas já tem... algum tempo. Eu terminei com ele no começo das aulas.
Alice e Ellie concordaram, já que foram as únicas a conhecerem o ex de Marlene. E Alice se manifestou.
- Ele era um gatinho. Por que você terminou com ele? Não foi porque ele era... ruim de cama, foi?
Marlene arregalou os olhos ligeiramente, e respondeu, sob os risos das outras garotas.
- Não! É que eu... não gostava dele mais. Quer dizer, não da mesma forma que costumava gostar. Ainda conversamos de vez em quando, e ficamos amigos.
Lily não conseguiu conter a curiosidade. Queria aproveitar a oportunidade, já que as garotas estavam falando sobre o assunto, e recolher o máximo de informações possível.
- E como... foi? – ela perguntou para Marlene.
- Como foi o que? – Marlene rebateu.
Lily corou muito de leve, mas mesmo assim perguntou.
- Sua primeira vez.
Marlene inspirou, e respondeu.
- Foi com o Anthony mesmo. Nós já estávamos juntos há algum tempo, e eu queria, mas estava morrendo de medo. Não foi do tipo "uau", mas acho que foi tudo bem. Ele foi bem cuidadoso comigo.
Lily ficou pensando como seria a sua primeira vez. Mas seu pensamento foi completamente deixado de lado pela voz de Melissa, que se manifestou de livre e espontânea vontade.
- Sorte a sua. – ela falou.- A minha foi horrível.
As quatro imediatamente viraram para Melissa. Não era comum ela começar a falar de si mesma sem ninguém perguntar. Provavelmente o champagne tinha subido muito rápido na cabeça dela.
- Eu detestei. Doeu muito, e eu só queria que acabasse logo. Mas pelo menos eu não precisei dar satisfação nenhuma para o cara, ele não era meu namorado, nem nada. Eu pude ir embora e nunca mais liguei para ele.
Lily ficou muito incomodada com aquele relato. E se sua primeira vez fosse como a de Melissa, e não como a de Ellie, por exemplo? O que ela iria falar com James, depois que acontecesse? Ela estava tão preocupada que as garotas notaram sua expressão angustiada.
- Lily, está tudo bem com você? – Marlene perguntou.
Então Lily finalmente falou.
- Eu não acredito que sou a única virgem aqui!
As quatro garotas viraram para Lily imediatamente. E Marlene foi a primeira a falar.
- Você e o James nunca...
Lily negou com a cabeça. E Alice falou.
- Eu achei que já tinha rolado.
Lily novamente negou. E ela finalmente confessou.
- Eu... tinha combinado com a Ellie, ela ia dormir no quarto da Melissa. E eu ia falar com o James que o quarto estava disponível hoje... só que ele inventou esse jogo idiota!
Marlene e Alice, que não sabiam do plano da ruiva, se solidarizaram com ela. E Alice também reclamou.
- E eu também levei um fora hoje. Eu e o Frank tínhamos combinado de ficarmos juntos, mas ele furou.
Surpreendentemente, Melissa também confessou seus planos.
- O Remus me chamou para sair. E eu aceitei. Achava que ia ser hoje, mas ele...
Ellie se largou na cama, deitando.
- Eu não sempre falo que os homens são a fonte de todos os nossos problemas?
Marlene riu da frase de Ellie. Mas Lily tinha a testa franzida. Ela olhada de Melissa para Marlene. Não teria coragem de fazer essa pergunta sóbria, mas como tinha bebido...
- Melissa... – ela começou, de forma cuidadosa – Você vai sair com o Remus?
Melissa franziu a testa, sem compreender exatamente o que a ruiva pretendia. E respondeu.
- Vou. Quer dizer, eu ia. Ou irei, sei lá.
Lily olhou de canto de olho para Marlene, e voltou o olhar para Melissa. E finalmente fez a pergunta que estava querendo fazer desde o Baile de Natal.
- Então por que você não foi ao baile com ele?
A pergunta caiu como uma bomba. Melissa não tinha idéia do que falar. Ellie olhava de Melissa para Marlene. Alice parecia estar tão curiosa quanto Lily. Melissa começou a ficar cada vez mais nervosa. Ela levantou da cama repentinamente. Lily se arrependeu de ter feito a pergunta, e ia se desculpar, quando Marlene falou, com a voz séria.
- Tudo bem, Mel. Pode deixar comigo.
Lily e Alice olharam para Marlene, sem entender. E ela virou para as duas, e falou.
- Eu explico tudo, mas tenho que pedir para vocês não falarem com absolutamente ninguém o que eu vou dizer.
As duas, ainda sem compreender, concordaram. Então Marlene inspirou, e começou a contar.
- A Melissa não foi ao baile com o Remus porque ela estava fazendo um favor para mim.
Alice e Lily olharam uma para a outra, ainda sem entender. Melissa voltou a sentar na cama, e ela e Ellie ficaram em silêncio, ouvindo Marlene falar.
- É que eu estou... saindo com o Regulus.
Alice falou tão rápido e alto que parecia ter levado um choque.
- Regulus Black?
Lily não parecia menos surpresa, mas não falou nada. Marlene respondeu.
- Sim.
Alice assoviou baixo, ainda muito surpresa. E Lily perguntou.
- E tem quanto tempo?
Marlene tomou fôlego, e prosseguiu sua história.
- Nós começamos a conversar no dia da festa de Halloween. Quando a Lily sumiu, nós fomos procurar juntos. E eu percebi como ele é... Aí, na festa de aniversário na casa da Melissa, nós nos encontramos de novo. E ele acabou me beijando. Nós estávamos ficando na cozinha, sem ninguém por perto, quando demos de cara com a Ellie entrando. No dia seguinte eu falei com ela, e pedi segredo.
- Você sabia esse tempo todo? – perguntou Lily.
Ellie confirmou com a cabeça, e falou.
- Ela me pediu segredo. Isso é algo sagrado para mim.
Lily sorriu brevemente para a amiga, e ficou satisfeita em confiar seus segredos a alguém tão fiel. Marlene então prosseguiu.
- Tudo estava indo bem até aquela confusão com meu pai, e o pai dele. Foi horrível, nós brigamos, e nos separamos. Mas ele foi à casa da Ellie conversar com ela, e pediu ajuda. E ela teve a idéia de "trocarmos" os casais para irmos ao baile. Assim que todos começaram a dançar, depois da eleição de rei e rainha, nós fomos embora sem ninguém perceber.
Lily franziu a testa, e perguntou.
- Então você e o Remus não têm nada um com o outro?
Marlene sorriu, e respondeu.
- Não. Ele foi muito gentil em nos ajudar, mas foi só isso. Ele é todinho da Mel!
As garotas riram, mas Melissa ficou séria. Ela realmente queria que o que Marlene tinha acabado de dizer fosse verdade. Mas Remus aparentemente preferia ir jogar poker a sair com ela.
Então Alice finalmente falou, ficando ajoelhada na cama.
- Ei, vocês notaram que nós cinco fomos literalmente abandonadas pelos nossos homens, que foram jogar poker. Poker!!
Ellie foi a primeira a protestar.
- Espera aí, o Sirius não é meu homem!
Melissa revirou os olhos, e falou.
- Cai na real, Ellie. Vocês continuam tão enrolados como sempre foram. Só não estão juntos oficialmente. E isso só depende do quanto teimosos vocês conseguem ser.
Ellie ia retrucar, mas Marlene interrompeu.
- Ela tem razão, Ellie. Por mais que eu torça por você e pelo Mike, acho que sua história com o Sirius ainda não acabou.
Ellie então se conformou, pelo menos temporariamente. E Lily se manifestou.
- O que a Alice disse é verdade. Eles simplesmente nos deixaram aqui.
- É. – falou Melissa, de mau humor. Ela deitou na cama, e pegou um bloquinho de papel que estava na mesa de cabeceira. Alcançou uma caneta, e começou a rabiscar no papel, desanimada.
- É verdade... – Marlene parecia a mais desanimada delas.
- Ok, eu concordo. – falou uma mal humorada Ellie, não querendo dar o braço a torcer.
Alice sentiu-se animada com as amigas terem concordado com ela. E isso a fez prosseguir.
- E o que nós fazemos então? Não podemos ficar aqui de mau humor!
Lily olhou para o seu copo vazio, e disse.
- Nós podemos... beber mais!
Ellie então esqueceu o desânimo, e sorriu. Ela pulou da cama, pegou a garrafa de champagne na geladeira, e falou.
- Lily, é por isso que você é conhecida com a garota mais inteligente do nosso ano!
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- Eu aposto mais cento e cinqüenta.
Sirius colocou três fichas na mesa, segurando suas duas cartas com firmeza na mão direita. Regulus olhou para o irmão com a testa franzida. Pelo que ele conseguia analisar, pelas cartas na mesa, e pelas cartas que já tinham saído, a probabilidade de Sirius ter um bom jogo não eram muito boas.
- Eu cubro. – um dos franceses falou.
O carteador virou o river, e Regulus teve certeza que viu o rosto de Sirius contrair muito ligeiramente. Aquilo comprovava sua tese, o irmão não devia ter um jogo muito bom.
O jogo não estava indo muito bem. Eles já tinham perdido boa parte do dinheiro que tinham levado, e, por mais competente que Regulus fosse ao contar cartas e analisar probabilidades, ele não conseguia conter os ânimos dos outros. Cada um dos seus "parceiros" tinha uma falha fácil de se explorar durante um jogo de poker. Sirius não sabia blefar bem (foi aí que Regulus descobriu como Ellie sempre vencia o irmão no poker), James exagerava nas apostas, sempre gastando mais do que devia. Remus não era muito fã de altos riscos, o que limitava consideravelmente os ganhos quando ele tinha uma boa mão, e Frank não tinha uma estratégia definida, por vezes apostando demais, e por vezes deixando de entrar em disputas ele que poderia facilmente ganhar.
No final, Regulus estava praticamente jogando sozinho, contra cinco jogadores visivelmente experientes, e que sabiam muito bem aproveitar cada falha dos adversários.
As apostas estavam encerradas, e o carteador da rodada, que era um dos franceses, falou.
- Mostrem as cartas.
Os únicos que continuavam naquela jogada eram Sirius e o garçom. Sirius exibiu seu jogo.
- Dois pares, dez e oito.
Regulus revirou os olhos. Um dos pares de Sirius estava na mesa, e, para piorar, era o par mais alto, de dez. A chance do adversário ter um jogo melhor era bem grande.
- Sinto muito, garoto. – o garçom falou, sem esconder o sorriso – Full house.
O garçom exibiu suas duas cartas, um dez e um sete, que, juntamente com as cartas da mesa, formavam a trinca de dez e o par de setes. Sirius jogou suas cartas na mesa, desanimado. James, sentado ao lado do amigo, se aproximou para falar com ele.
- Cara, nós estamos levando uma lavada. Isso está indo de mal a pior.
Sirius, ainda irritado com a última rodada, respondeu, mal humorado.
- Eu sei, eu sei!
James então virou para Regulus, e falou.
- Regulus, está na hora de você fazer sua mágica, e nos tirar desse enrascada.
Regulus viu todos os seus companheiros olhando para ele. Ele inspirou profundamente, e acenou com a cabeça.
Mas, o que ele não falou, era que ele não tinha idéia do que fazer. Ele não podia controlar seus companheiros. E não havia sinal algum de que eles fossem melhorar suas jogadas instantaneamente.
As chances eram muito pequenas. Mas mesmo assim ele tinha que arriscar. Ele pensou em Marlene, e na possibilidade de um encontro maravilhoso com a garota.
Sorriu muito brevemente, e apanhou o baralho. Embaralhando habilmente as cartas, ele viu que precisava urgentemente de um bom plano.
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- Pega outra, Alice. Vamos deixar a Lily tentar dessa vez.
As garotas ainda estavam no quarto, bebendo e se divertindo. Naquele instante, Alice e Ellie, as mais bêbadas, estavam tentando ensinar Lily como se coloca uma camisinha num homem. A ruiva estava corada, parte pela bebida e parte por embaraço. Marlene achou a câmera fotográfica de Ellie, e tirava fotos de todas. E Melissa continuava com o bloquinho de papel na mão. Só que agora ela estava escrevendo, intercalando goles de champagne e sua escrita rápida no papel.
- Ah, meninas... – Lily falou, franzindo a testa.
- Isso é importante, Lily! Você precisa saber. – Ellie falou, rasgando a embalagem da camisinha com os dentes, e a retirando de lá.
- É verdade. Você já vai estar preparada quando o James... – Alice falou, mais foi interrompida por Lily.
- Alice!
Ellie e Alice se entreolharam, e riram. A ruiva ficou um pouquinho mais corada. Ellie retomou a aula, com a camisinha nova na mão.
- Olha só, você pega na pontinha. Segura com firmeza, mas de forma gentil...
- Senão você pode avariar o cara, e ninguém quer isso, quer? – Alice completou, rindo.
Lily se perguntou o que ela tinha feito para merecer aquilo. Sem encontrar uma resposta, ela continuou observando as garotas.
- Ah, não se esquece de segurar a ponta de forma que não entre ar. Senão a camisinha pode estourar durante o... rala e rola. – falou Marlene, que clicava Melissa concentrada em seu bloquinho.
Ellie riu, e falou.
- Olha só a senhorita Mckinnon! Falou a voz de experiência...
Marlene corou de leve, mas ficou completamente vermelha quando Alice completou.
- Será que o Regulus vai dar conta dela?
Alice e Ellie se abraçaram, morrendo de rir. Lily ainda observava discretamente a camisinha na mão de Ellie. Um pouco receosa.
Mas logo as duas amigas se soltaram, e retomaram a aula para Lily.
- Então você vai desenrolando devagar, e ajustando enquanto desenrola. – Ellie prosseguiu. Mas ela logo franziu a testa, e reclamou – O problema é que não temos como demonstrar... se ao menos tivéssemos uma banana...
Alice quase caiu da cama de tanto rir. Quando se recompôs um pouco, ela falou.
- Imagina, a gente liga para o serviço de quarto falando: "Alô, serviço de quarto? Eu preciso de uma banana. Bem grande e com casca!"
Nenhuma das garotas resistiu. Até Melissa, que estava concentrada em sua escrita, morreu de rir. Assim que elas se acalmaram um pouco, Lily falou.
- Meninas, eu acho que não preciso de banana nenhuma para treinar. Eu vou deixar essa... parte... para ele. Acho mais seguro.
Mas Ellie ficou séria, ou o mais séria possível levando-se em conta a quantidade de champagne que ela tomou.
- Mas Lily, é importante aprender. É a coisa responsável a se fazer. Eu, por exemplo, aprendi a colocar numa banana mesmo.
Alice riu, e falou, maliciosa.
- Achei que tinha sido no Sirius...
Ellie estreitou os olhos, e respondeu.
- Não foi naquele... pateta!
Mas Alice continuou rindo, e perguntou.
- E então, Ellie, o Sirius tem um bananão, ou uma bananinha?
Ellie arregalou os olhos imediatamente, e ficou tão vermelha quanto os cabelos de Lily. Alice se acabou em risos, e falou.
- Pela sua cara acho que está mais para o bananão!
Melissa, que não conteve o riso com a frase de Alice, falou, levemente sarcástica.
- E o nível da conversa sobe cada vez mais...
Marlene, ainda rindo de Alice, e da vergonha de Ellie, que se enrolou na cama, e deitou a cabeça no colo de Lily, falou, observando Melissa.
- Mel, o que você tanto escreve nesse papel?
Melissa olhou para a loira, e respondeu, sacudindo os ombros.
- Sei lá. Idéias que me vêm à cabeça.
Marlene se aproximou, e observou o que Melissa tinha escrito. Depois de ler algumas linhas, ela riu. E falou.
- Nossa, é muito bom. E engraçado!
Ellie levantou do colo de Lily, que também se aproximou. Alice esticou o pescoço para ver também.
- Ei, você está escrevendo sobre essa noite! – Lily falou, interessada.
Ellie riu ao prosseguir a leitura, e falou.
- Nossa, Mel, você escreve muito bem!
- Escreve mesmo. – concordou Alice.
Melissa sacudiu os ombros. Mas, no fundo, ela ficou feliz ao ouvir os elogios. Ela apenas falou.
- É a única coisa que eu sei fazer que pode... sei lá... virar algo que eu possa fazer profissionalmente.
Lily sorriu para Melissa. E Ellie de repente falou.
- Você podia reabrir o jornal de Hogwarts! Com certeza rende um bom currículo.
- Jornal de Hogwarts? – Melissa falou, franzindo a testa.
Desta vez foi Marlene que acrescentou.
- É, está fechado desde que Mike se formou. Ele era o editor-chefe. Mas quando ele saiu, o jornal virou uma bagunça só, e o diretor achou melhor fechar antes que os repórteres matassem uns aos outros...
Melissa ainda não parecia muito segura de que aquela era uma boa idéia.
- Não sei, não...
Mas Ellie novamente argumentou.
- Você faz aula extra de redação, não é? Então vê se alguém de lá se interessa em remontar o jornal. Aí vocês podem falar com o vovô, digo, o diretor. Tenho certeza que ele vai gostar da idéia. Ele sempre gostou do jornal.
Melissa apenas acenou com a cabeça. Sabia que se não concordasse, pelo menos temporariamente, elas iriam ficar o resto da noite falando sobre o assunto.
- Tá bom, tá bom. Eu vou pensar no assunto.
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- Je suis désolé... – falou um dos franceses, enquanto reunia todas as fichas da mesa. Mas ele tinha um sorriso nos lábios.
- Ele não me parece nem um pouco désolé. – resmungou Frank.
James olhou em volta. Todos os seus amigos estavam desanimados. Regulus tinha uma expressão de constante desespero. Na última rodada, o rapaz conteve um grito de desespero ao ver Frank apostando praticamente todas as suas fichas numa jogada visivelmente perdida. Remus nem falava mais, apenas murmurava sons incompreensíveis. Sirius simplesmente jogou suas duas cartas na mesa, e resmungou.
- Eu desisto. Cansei de perder!
Ele olhou para os outros, esperando a reação deles.
Todos baixaram a cabeça, menos Regulus. Ele olhou para o garçom que os conduziu pelo hotel, e falou.
- Eu tenho uma proposta.
O garçom olhou para os companheiros rapidamente, e acenou para Regulus continuar. E ele falou.
- Eu proponho que o jogo acabe agora, e cada uma sai com o que tiver.
Os franceses riram. Os rapazes tinham tão poucas fichas que não deviam ter nem dez euros, juntando os cinco. Mas logo os rapazes começaram a se manifestar.
- Mas se sairmos agora não vamos conseguir o que precisamos! – falou James.
- O passe livre pelo hotel. – falou Remus.
- Ou os quartos extras. – reclamou Frank.
Sirius, que estava com o rosto apoiado numa das mãos, nem falou nada. Apenas concordou com a cabeça.
Os franceses olharam para os rapazes. Eles conversaram entre si, muito baixo e em francês. Regulus tentou escutar alguma coisa, mas não ouviu nada.
- O que eles estão falando, Reg? – perguntou Sirius, baixo, para o irmão.
- Não sei, não consigo ouvir. – falou o rapaz.
Os funcionários do hotel ficaram algum tempo conversando, e pareciam ter chegado a um veredicto. O garçom, que parecia o líder do grupo, falou.
- Vamos mudar um pouco esse acordo. Vocês saem sem nada. – Regulus abriu a boca para protestar – E nós vemos o que podemos fazer por vocês.
Eles se entreolharam. E James perguntou.
- Como assim?
O garçom sorriu, e falou.
- Vocês estão precisando de ajuda... com as suas mademoiselles... então nós tentamos ajudar nesse problema.
Os cinco se juntaram um pouco para conversarem entre si.
- O que vocês acham? – perguntou James.
- Eu acho que essa é a melhor solução. – respondeu Remus.
- É a única, você quer dizer. – respondeu Regulus.
Frank e Sirius apenas concordaram com a cabeça. Então eles se afastaram novamente, e James respondeu.
- Tudo bem. Mas vocês têm que nos ajudar. Vocês prometeram.
O francês sorriu, e falou.
- Nós prometemos tentar. – James franziu a testa, mas ele prosseguiu – Mas não se preocupe. Nós vamos fazer o possível.
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Eram três horas da manhã. Os rapazes voltaram para o andar de seus quartos, caminhando em silêncio. Nenhum deles estava animado com o resultado da noite. Todos tinham conseguido irritar suas namoradas ou garotas que gostavam. E não conseguiram ganhar o jogo de poker, o que significava que eles não tinham conseguido o prêmio. A única coisa que eles tinham agora, fora o fato de estarem vários euros mais pobres, era a promessa de cinco funcionários do hotel de que eles iriam tentar ajudar os rapazes.
E isso era só.
James andava de cabeça baixa. Sirius caminhava com as mãos nos bolsos da calça. Regulus carregava sua jaqueta nas costas. Remus suspirou alto. E Frank falou um palavrão baixinho.
Aos poucos, eles foram para os próprios quartos. Frank se despediu silenciosamente, e entrou no quarto. Regulus apenas sacudiu os ombros, e sumiu atrás de sua porta. Remus, que estava sozinho em seu quarto apenas falou um "boa noite" baixo, e foi embora.
James e Sirius, que dividiam o quarto, entraram em silêncio.
Sirius jogou suas coisas em cima de uma mesa, e sentou na sua cama para retirar o tênis. James se jogou em sua cama de casal, sem se importar em trocar de roupa, ou se cobrir.
- Eu estou ferrado. – ele falou para Sirius.
Sirius jogou as meias longe, e também deitou em sua cama, sem trocar de roupa. E respondeu o amigo.
- Pelo menos sua ruiva ainda te ama. Ela vai te desculpar amanhã.
James passou as mãos pelos cabelos, e resmungou.
- Essa noite foi uma idiotice. Aliás, esse dia inteiro foi uma perda de tempo.
Sirius apenas virou a cabeça na direção de James. Ele riu ligeiramente, e falou.
- Bem, para mim não foi exatamente isso...
James virou para olhar o melhor amigo. E perguntou.
- Como assim?
Sirius deu um sorriso sem vergonha, e falou.
- Eu dei o maior beijão na Ellie hoje.
James levantou o corpo um pouco, espantado com a notícia.
- Você a beijou? Quando?
Sirius parecia satisfeito consigo mesmo quando explicou.
- Na Torre Eiffel. Ela estava no telefone com aquele viadinho do Mckinnon. Eu a fiz esquecer o que estava fazendo. E ela ficou fula da vida quando percebeu!
James não sabia se ria ou não. Sirius continuava sorrindo satisfeito. Então ele virou para o amigo, e falou.
- Não esquenta não, James. Amanhã você resolve tudo.
James deitou na cama novamente. Olhou para o teto, e inspirou profundamente. Desejando que seu melhor amigo tivesse razão. E que ele conseguisse resolver tudo no dia seguinte.
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James acordou tarde no dia seguinte. Como aquele dia seria praticamente livre, ele não se preocupou em colocar o relógio para despertar. Fora que ele tinha ido dormir tarde por causa do jogo da noite anterior.
Quando ele abriu os olhos, viu Sirius passando em direção ao banheiro, escovando os dentes. O amigo já tinha tomado banho, e estava usando apenas uma calça jeans.
- Bom dia. – James ouviu Sirius falar, de dentro do banheiro.
James se esticou na cama. E percebeu que tinha ido dormir com a roupa do dia anterior.
Quando Sirius voltou para o quarto, ele falou.
- Pode usar o banheiro. Eu já terminei.
James aproveitou para tomar um banho de uma vez. Quando ele entrou debaixo do chuveiro, e sentiu a água quente batendo em suas costas, ele ficou imaginando o que falaria para Lily quando a encontrasse. E ficou pensando se a ruiva tinha ficado muito chateada pela noite anterior.
Após longos minutos, ele terminou o banho. Escovou os dentes rapidamente, se vestiu e saiu do banheiro.
Sirius estava deitado na cama dele, assistindo televisão. Ele trocava de canal sem parar, procurando algo para assistir.
- Nesse lugar só tem malditos programas em francês? Que droga de país idiota!
James, que secava os cabelos com uma toalha, falou.
- Bem, estamos na frança. Geralmente as pessoas falam francês aqui.
Sirius desistiu, ao constatar que o único canal que era totalmente em inglês era o BBC news. Ele não suportou nem os filmes em inglês com legendas francesas.
- Vamos arrumar alguma coisa para fazer. Estou entediado. – ele reclamou.
James penteou os cabelos, e calçou o tênis, falando.
- Eu vou ao quarto da Lily ver se ela está lá. Quero falar logo com ela. Não vou dar a chance de ela ficar ainda mais brava comigo.
Sirius levantou num pulo, e falou, animado.
- Eu vou com você. Quero assistir.
James franziu a testa. E reclamou.
- Ah, Sirius, qual é?
Mas Sirius continuou sorrindo, e falou.
- Não esquenta. Eu também quero ver a cara da Ellie hoje. Para ver se ela continua revoltada como ontem.
James revirou os olhos, e foi andando até a porta. Seguido de Sirius.
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Assim que James chegou ao corredor, ele deu de cara com Remus. E ele não estava sozinho.
- Vocês viram a Alice? – Frank, ao lado de Remus, perguntou.
James viu as expressões preocupadas tanto de Remus quanto de Frank. E ele respondeu.
- Não. Acabamos de acordar, não saímos do quarto ainda.
- A Melissa também sumiu. – falou Remus.
Sirius e James se entreolharam. James abriu a boca para falar, mas uma voz à suas costas falou.
- Aconteceu alguma coisa?
Regulus vinha caminhando pelo corredor. Ele se aproximou dos quatro rapazes, e Remus respondeu.
- A Alice e a Melissa sumiram. Não estão nos quartos delas.
Regulus franziu a testa, ligeiramente preocupado. E James falou imediatamente.
- Vamos no quarto da Lily e da Ellie. Pode ser que elas saibam de alguma coisa.
James foi conduzindo o caminho, seguido de Sirius, Remus, Frank e Regulus, que se juntou ao grupo. Ele parecia curioso para saber o paradeiro das garotas.
Assim que chegaram à porta do quarto das garotas, James bateu na porta.
Nenhuma resposta.
Ele insistiu. E desta vez ele aproximou a boca da porta, e falou.
- Lily, você está aí?
Frank se adiantou, e bateu na porta com mais força, falando.
- Pára de bater como uma moça, James! – e ele também chamou – Lily! Ellie! Abram a porta!
Após alguns segundos eles ouviram o barulho de alguém mexendo na maçaneta. Demorou alguns segundos para que a pessoa conseguisse abrir a porta.
James não estava preparado para ver a cena que viu.
Lily estava do outro lado da porta. Mas ela estava completamente diferente.
Os cabelos ruivos estavam totalmente bagunçados. Ela estava com maquiagem borrada nos olhos. E com uma cara de que não dormiu nada aquela noite.
- James... – ela falou, com a voz fraca. – O que você está fazendo aqui uma hora dessas? É muito cedo!
James olhou para o relógio, e falou.
- É uma da tarde, Lily!
Lily arregalou um pouco os olhos. Mas logo em seguida levou a mão à cabeça, como se estivesse latejando.
James conhecia muito bem a expressão que a garota fez. Era de alguém com ressaca. E das bravas.
- Lily, você bebeu ontem à noite? – ele entoa baixou um pouco os olhos, e os arregalou imediatamente. – E por que você está usando um sutiã por cima do pijama?
Lily olhou para baixo, e viu que ela estava usando um sutiã rosa e rendado por cima do pijama. A garota ficou ainda mais assustada, e começou a tentar retirar a peça imediatamente.
O problema é que, assim que ouviram a palavra sutiã, os rapazes chegaram mais perto para observar a cena. Sirius empurrou um pouco a porta, e eles conseguiram ver dentro do quarto.
O chão estava cheio de garrafas vazias de champagne. Várias lingeries estavam jogadas pelo chão, calcinhas, sutiãs, espartilhos e cintas-ligas. E, para horror de James, camisinhas abertas estavam espalhadas no chão, assim como suas embalagens.
- O que diabos aconteceu aqui? – ele perguntou, assustado.
O tom de voz dele fez despertar a reação de alguém, dentro do quarto. Um travesseiro saiu voando em direção à porta, e a voz de Ellie soou pelo quarto.
- Seja quem for, CALE A BOCA!
Outros gemidos de protesto foram ouvidos, e Sirius, não se contendo, escancarou a porta do quarto. E todos os rapazes as viram.
As garotas estavam todas deitadas na cama, meio amontoadas umas em cima das outras. Melissa estava encolhida num canto, com Alice dividindo um travesseiro com ela. Marlene dormia atravessada na parte de baixo da cama, e Ellie estava com a cabeça apoiada nas pernas dela. Um espaço vazio, apesar de pequeno, tinha sido ocupado visivelmente por Lily até ela levantar para abrir a porta. Sirius entrou no quarto e falou, sem se preocupar com o tom de voz.
- O que vocês fizeram ontem à noite? Uma orgia?
Ellie levantou a cabeça ligeiramente das pernas de Marlene, e resmungou.
- Desinfeta daqui!
Mas o rapaz a encarava. Ela não percebeu, mas estava dormindo de costas, e sua camisola estava levantada, mostrando metade da sua calcinha. Ele não perdeu a oportunidade de falar, num tom bem safado.
- Linda calcinha, Ellie...
A garota nem olhou para ele, simplesmente tomou o travesseiro que Marlene usava, e atirou no rapaz. Mas a loira protestou.
- Ei! Meu travesseiro!
Regulus arregalou os olhos ao ver Marlene daquela forma. Ela usava um pijama curto, que deixava as pernas todas de fora. Fora que ela parecia com tanta ressaca quanto às outras. Ele a viu escondendo o rosto entre os cabelos loiros, tentando voltar a dormir.
Mas Frank também entrou no quarto, e imediatamente falou com Alice.
- Alice! Dá para explicar tudo isso?
Alice virou o rosto na direção do namorado, e ele viu que ela também estava maquiada. A garota fez apenas um sinal de silêncio, levando o dedo aos lábios. E no instante seguinte desabou com o rosto no travesseiro novamente.
Esse foi o sinal para a confusão começar. Todos os rapazes começaram a falar, ao mesmo tempo. Remus se abaixou, para ter certeza que Melissa estava bem, mas a garota apenas emitiu uns sons estranhos, e tentou empurrá-lo para longe. Mas como ela nem abriu os olhos para fazer isso, não conseguiu encostar no rapaz.
Lily tentava, sem êxito, expulsar os rapazes do quarto. Mas todas as vezes que ela levantava um pouco a voz, imediatamente levava as mãos à cabeça. A dor de cabeça, causada pela ressaca, a estava deixando doida.
Frank agora tentava fazer Alice levantar, James falava com Lily sem parar, Sirius ficava cutucando o braço de Ellie, que resmungava e tentava bater nele. Regulus aproximou-se de Marlene discretamente, mas estava sem coragem de falar com a garota. E Remus continuava ajoelhado perto de Melissa, e agora tocava a testa dela para ver se ela tinha febre.
Lily finalmente explodiu.
- VOCÊS CINCO. PODEM DAR O FORA AGORA!
Imediatamente os cinco rapazes olharam para ela. As garotas também. E elas pareciam bem mais despertas depois do grito de Lily. A ruiva então foi empurrando os rapazes para fora do quarto, reclamando.
- Vão embora. Nós precisamos acordar de forma decente. Tomar um banho com calma, sem vocês por perto!
No instante que Lily mencionou a palavra banho, Sirius arregalou os olhos, e falou.
- Vocês vão tomar banho juntas?
Lily abriu a boca para responder o amigo, mas Ellie foi mais rápida. Ela falou, em tom irônico.
- Vamos sim, Sirius. Todas juntas, uma ensaboando a outra...
Sirius olhou para Ellie, e seu olhar era de assombro. Ela apenas acenou com as sobrancelhas, e ele falou.
- Espera aí, Lily...
Mas Lily já estava com a paciência esgotada. Ela o empurrou para junto dos outros, no corredor, e falou.
- Agora vão embora.
- Mas Lily... – James tentou argumentar.
A ruiva novamente demonstrou raiva.
- Nós nos falamos mais tarde, James. Vão tomar café, ou sei lá!
Antes que James pudesse falar qualquer outra coisa, ela fechou a porta do quarto. Deixando os cinco rapazes do lado de fora.
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Sentados à mesa do restaurante, os cinco rapazes já tinham sido servidos. Seus pratos de almoço estavam á frente de cada um. Mas nenhum deles tocava a refeição. E estavam num silêncio sepulcral.
Nenhum deles olhava para o outro. James olhava para o saleiro, mas com a cabeça longe dali. Frank olhava pela janela, observando o jardim. Sirius tinha o olhar desfocado, completamente perdido. Remus olhava para o próprio garfo, sem tocá-lo, e Regulus mexia em sua comida com o garfo, mas sem levá-lo à boca.
Então James quebrou o silêncio.
- O que vocês acham que elas fizeram ontem?
Essa era a pergunta que ficava ecoando em sua cabeça. A parte que elas beberam ficou bem óbvia. Mas porque diabos elas tinham lingeries espalhadas pelo quarto? Fora as camisinhas, que deixaram James tomado por receio. E o fato delas estarem ainda maquiadas parecia denunciar que elas tinham saído do hotel na noite anterior.
Frank sacudiu os ombros. E respondeu.
- Não tenho idéia. Mas não pode ser bom.
Remus apenas suspirou, sem falar nada. Eles novamente ficaram em silêncio por um bom tempo, até que Sirius falou, verbalizando seus pensamentos.
- Vocês acham mesmo que elas vão tomar banho juntas?
Os outros quatro olharam para Sirius imediatamente. E James reclamou.
- É nisso que você está pensando?
Sirius olhou para o amigo, e respondeu, sinceramente.
- Cara, não consigo pensar em outra coisa.
- Pois eu acho que o problema de ontem é mais importante. – James falou.
Mas, no instante que ele olhou os outros amigos, viu as expressões deles mudando completamente. E ele teve certeza que todos estavam pensando no que Sirius tinha acabado de dizer.
- Vocês também? – perguntou James.
- Cara... – falou Frank, muito baixo. Estava obviamente visualizando a cena.
Regulus não falou nada, mas seus olhos estavam um pouquinho arregalados. E ele parecia em outra dimensão.
- Sinto muito James... mas o Sirius tem um ótimo argumento. – falou Remus.
James revirou os olhos, mas no instante seguinte começou a pensar em Lily tirando o pijama para entrar no banho. As outras garotas também no banheiro, rindo, jogando água umas nas outras...
- Oh droga! – ele falou, o olhar tão perdido quanto os outros.
Sirius olhou para James, e apenas falou.
- Bem vindo ao clube.
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- Eles acham que podem vir aqui, depois do que aprontaram, como se nada tivesse acontecido?
Alice estava revoltada. As garotas estavam se dividindo entre o banho, algumas já colocando a roupa, outras escovando os dentes ou os cabelos.
- Eu concordo com a Alice. E atrapalharam nosso sono. – Ellie reclamou. Uma das coisas que ela mais detestava era que interrompessem seu sono.
Lily, que penteava os cabelos, falou.
- Pelo menos eles lembraram que a gente existe.
- Pois eu não acho isso vantagem nenhuma. – Alice continuou.
Marlene, que estava no chuveiro naquele momento, se manifestou.
- Pelo menos eles ficaram assustados pelo que viram no quarto. Vocês viram as caras que eles fizeram?
As cinco riram do comentário. E Melissa falou.
- Achei que o James ia ter um ataque cardíaco.
Lily desviou o olhar imediatamente. E Alice continuou.
- Nós devíamos fazer a mesma coisa com eles hoje.
No instante que Alice terminou a frase, Ellie, ainda de toalha, veio correndo do quarto.
- Excelente idéia! Podemos sair juntas, hoje o dia é livre mesmo. Passear, fazer compras, só nós cinco!
Melissa foi a primeira a concordar.
- Por mim, está ótimo.
Alice também se animou com a idéia. Ela ainda estava com raiva de Frank por ele tê-la abandonado na noite anterior.
- Grande idéia. Estou dentro.
Marlene concordou com a cabeça, enquanto retirava o shampoo. Só faltou Lily.
Todas olharam para a ruiva. E então ela falou.
- Bem, se todas concordam...
- Ótimo. – Ellie falou, sorrindo – Vamos planejar o roteiro. Que tal uma passada na Galeries Lafayette?
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O dia passou lentamente para os ocupantes de um dos quartos do Hotel Ritz. Sirius e James estavam vendo televisão. Ou tentando já que nenhum dos dois conseguia se concentrar no filme que passava. Já era noite, e nenhum sinal das garotas.
James tinha ido novamente ao quarto de Lily, depois do almoço. Mas ele cansou de bater na porta. E ninguém atendeu. Então ele resolveu checar na recepção, e a atendente o informou que as duas ocupantes daquele quarto tinham saído, deixando a chave na recepção. A moça foi caridosa o suficiente para informar que as duas estavam acompanhadas de mais três garotas, uma de cabelos pretos compridos, uma de cabelos castanho-escuros curtos, e uma loira de cabelos longos. Provavelmente a recepcionista tinha ficado com pena da cara desolada de James.
Então ele, junto com Sirius, Remus e Frank, ficaram vagando pelo hotel, sem saber o que fazer. Regulus, que tinha ido para o próprio quarto durante a tarde, novamente os encontrou quando anoiteceu. E ele também parecia não saber o que fazer.
Já tinha passado da hora do jantar, mas tanto James quanto Sirius não estavam com fome. James ia desistir do filme, e ia tentar dormir cedo, quando ambos ouviram uma confusão no corredor.
James pulou da cama, e foi até a porta do quarto. Antes que ele a abrisse, ouviu alguém batendo na porta, e gritando.
- Festa! Saiam já daí!!
James abriu a porta, e viu os gêmeos Prewett percorrendo o corredor, batendo de porta em porta. Várias pessoas saíam de seus quartos, e alguns seguiam os gêmeos.
- Fabian! O que está acontecendo? – James perguntou.
O rapaz virou o rosto, balançando os cabelos castanho-avermelhados. E respondeu.
- Festa na piscina! Troquem de roupa, e vamos logo!
James e Sirius se entreolharam. Remus tinha saído de seu quarto, que era ao lado do de James, e falou.
- E aí? Topam?
Os dois acenaram a cabeça, e Sirius respondeu.
- Melhor que ficar de bode vendo televisão.
----------------------------------
Os rapazes se trocaram, e foram até a piscina. Desceram a escada de mármore claro, e passaram pelas colunas suntuosas que adornavam a piscina coberta.
A maior parte dos alunos que forma na excursão já estava na piscina, ou ocupando as espreguiçadeiras em volta. Alguns corriam e pulavam dentro d'água, outros brincavam de jogar água nos amigos. E o pobre professor Binns, que estava encarregado de vigiar os alunos, falava, inutilmente.
- Não faça isso, Sr. Prewett! Cuidado com a borda, Sr. Corner, vai acabar machucando alguém!
Obviamente, era serviço demais para o velho professor. Ele agüentou mais alguns minutos, mas já estava caindo de sono. Quando foi impossível evitar o cochilo, ele voltou ao próprio quarto, mas não sem antes implorar aos alunos que se comportassem na sua ausência.
Assim que o professor Binns foi embora, a festa de verdade começou. Os alunos do terceiro ano que já tinham mais de 18 anos começaram a pedir drinks ao bar da piscina, e alguém ligou um aparelho de som portátil que tinham trazido para baixo. E ligaram a música em volume considerável.
James e Sirius encontraram os outros amigos. E logo se reuniram a eles. Remus conversava com Frank, que estava bebendo um drink colorido, que contrastava com o inverno que fazia do lado fora do hotel. Mas, como a piscina era aquecida, e em local fechado, o clima ali dentro era quase tropical.
- Ei, Frank, pede uma parada dessa aí pra gente. – falou Sirius, apontando para o drink de Frank.
Ele acenou para o garçom, que já parecia completamente perdido. Ele já não conseguia distinguir para quem podia servir as bebidas, ou para quem não poderia, por serem menores de idade. Sirius percebeu, e pediu um drink alcoólico para o rapaz. Como Sirius era bem alto, e tinha o físico de um adulto, o garçom nem questionou a idade, e saiu para buscar a bebida.
Os quatro conversavam distraidamente. Regulus os viu, e se aproximou. Inconscientemente, ele foi até eles. Já estava se acostumando a conversar com o grupo de amigos do irmão. E ele estava até achando Sirius bem mais fácil de se lidar, desde que eles jogaram poker no dia anterior. Regulus sentiu que o irmão passou a respeitá-lo mais, e de uma forma diferente, ao ver que ele fez o que pode para evitar uma derrota muito mais humilhante que a que eles sofreram. Fora que ele não tinha falado absolutamente nada a respeito da família deles desde que eles chegaram à França. E Regulus se sentia muito mais amigável em relação ao irmão mais velho quando ele não criticava a cada cinco minutos seu pai ou sua mãe.
Sirius estendeu seu drink para o irmão mais novo, ao vê-lo se aproximar. Regulus segurou o riso. Era um pouquinho surreal como Sirius repentinamente estava tão amistoso em relação a ele. Regulus deu um gole no drink, e o devolveu ao irmão.
- Vocês sabem qual é o plano par amanhã? – perguntou Frank. – Para a hora da virada?
- Devemos ir par a Torre Eiffel, ver os fogos. – respondeu Remus. – Geralmente é isso que os franceses fazem. E era o previsto pelo roteiro de viagem.
James concordou com a cabeça. Ele observava de forma distraída a um grupo de alunos, que jogava vôlei na piscina. Até que Rachel Pryce, integrante da torcida da Grifinória que os cabelos cheio de mechas coloridas, abandonou o jogo falando.
- Hora de trocar de cd!
A garota retirou o cd que tinha acabado, e colocou um novo para tocar. A música animada começou a tocar. James voltou a observar o jogo de vôlei quando sentiu um cutucão dolorido em suas costelas.
- Merda, Sirius! O que foi?
Ele viu não só seu melhor amigo, mas também Frank, Remus e Regulus observando a escada que dava acesso à piscina. E entendeu o motivo assim que as viu.
Go!! So
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Because you look so fine
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As cinco garotas vinham andando juntas. Lily Evans, Ellie Dumbledore, Melissa Kensington, Alice Mckenzie e Marlene Mckinnon. Elas andavam de forma despreocupada, e quase displicente. Todas usando roupões do hotel.
Assim que elas terminaram de descer as escadas, caminharam juntas até uma espreguiçadeira vazia. E começaram a desamarrar os roupões.
I
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That I
really wanna make you mine.
James olhou por um instante para seus amigos, e viu que eles pareciam hipnotizados. Então ele percebeu o motivo ao olhar novamente as garotas.
Elas estavam despindo os roupões. Por acaso, elas estavam de costas para eles, e para a piscina.
Os roupões iam escorregando, e cada um teve uma reação.
Regulus estava com a boca quase escancarada, olhando para Marlene. Ele nunca tinha visto a garota de biquíni, e isso o fez praticamente ignorar seu comportamento normal, sempre evitando olhar diretamente para a loira. Ele a encarava de maneira tão óbvia que, se alguém tivesse prestando atenção nele, teria no mínimo desconfiado que ele tivesse uma queda por ela.
Sirius imediatamente falou, sem tirar os olhos de Ellie. E com uma voz um pouco falhada.
- Cara, eu tinha esquecido como ela fica gostosa de biquíni...
Frank imediatamente começou a olhar para os lados, para ter certeza que nenhum outro homem, que não fosse ele, ficasse olhando para Alice. Logicamente ele flagrou alguns garotos mais novos olhando para ela. E ele fechou a cara imediatamente.
Remus sentiu sua garganta ficar seca. Ele também nunca tinha visto Melissa usando algo mais curto que seu uniforme de Hogwarts. Ele nunca tinha reparado como ela tinha pernas tão lindas. Ou como a tatuagem que ela tinha nas costas contrastava com a pele clara dela.
James olhou para Lily, e, por mais incrível que pudesse parecer, ele a achou ainda mais linda naquele dia que na primeira vez que a viu de biquíni, no inicio do ano letivo. E se flagrou com uma vontade quase incontrolável de puxar aquela cordinha que amarrava a parte de cima do biquíni dela...
Oh,
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Finalmente as garotas estavam só de biquíni. E elas começaram a caminhar até a piscina. Ellie foi a primeira a pular na água. Ela sacudiu os longos cabelos castanho-claros, e mergulhou. Sirius pareceu ter se livrado de um encanto quando ela desapareceu na água. E, quase no instante seguinte, ele saiu de perto dos rapazes para seguir a garota que nadava embaixo d'água.
Big black
boots,
Long brown hair,
She´s so sweet
With her get back
stare.
Lily testou a temperatura da água com o pé. James inconscientemente entreabriu os lábios. Nunca tinha visto alguém molhar o pé numa piscina de forma tão sensual. Não que Lily estivesse fazendo aquilo intencionalmente. Mas ele, após uma tarde inteira ouvindo Sirius falando sobre o que as garotas supostamente podiam ter feito na noite anterior, ele passou a ver a namorada de uma forma muito mais sexual do que jamais tinha feito antes.
Well
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You home with
me,
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Before I let you get away, yea!
I said, are
you gonna be my girl?
Remus foi o primeiro deles a se mover. Melissa tinha sentado na borda da piscina, e colocados os pés na água. Assim que ele se aproximou dela, a garota falou.
- Nossa, a água não está quente o bastante para você estar assim tão corado...
Remus demorou um instante para responder. E Melissa sorriu de forma sarcástica ao notar o motivo.
- Ah... é que eu estou... com calor.
A garota revirou os olhos, e falou.
- Você é capaz de uma desculpa melhor.
Então ele se aproximou dela, e falou.
- Quer a verdade?
Melissa fez uma expressão de pouco caso, mas Remus falou mesmo assim.
- Você devia esperar esse tipo de reação ao usar tão pouca roupa...
Ela pareceu desconcertada por um instante, mas logo reassumiu a pose. Pulou dentro da piscina e, antes de mergulhar para nadar, ela falou, sorrindo de lado para o rapaz.
- Vou tomar mais cuidado da próxima vez.
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Frank foi andando até Alice, que conversava despreocupadamente com Marlene, na borda da piscina. Ele já chegou falando.
- Alice, isso é forma de se vestir?
Alice franziu a testa, e Marlene mergulhou na piscina, para dar privacidade ao casal. Então Alice encarou Frank, se fazendo de desentendida.
- E tem alguma coisa errada? Estou usando um biquíni numa piscina.
Frank olhou em volta, para se assegurar que nenhum dos garotos que estavam olhando para Alice anteriormente continuavam a observar sua namorada. E falou com ela, num tom nervoso.
- Alice, esse biquíni é muito pequeno, não cobre quase nada!
Alice sacudiu os ombros, sem dar bola.
- Ah, não seja exagerado. O da Ellie é muito menor.
Frank estava ficando cada vez mais nervoso.
- Acontece que eu não namoro a Ellie, eu namoro você! E não gosto de babões idiotas te olhando!
Mas Alice apenas sorriu, e falou.
- Ah, meu amor, mas isso não é culpa minha...
Ela deu um beijo rápido no rosto do namorado, e pulou dentro d'água.
I
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That I
really wanna make you mine.
Marlene estava com o corpo dentro d'água, mas apoiava os dois braços na borda da piscina. Ela estava rindo sozinha da cara com que James olhava para Lily, quando notou a aproximação de uma pessoa à sua esquerda. Olhou com o canto do olho, e a pessoa era exatamente quem ela achava que seria. Regulus.
- Você... sumiu o dia todo. – ele falou, de forma muito discreta. Só que estivesse por perto poderia ver o casal conversando.
Marlene não se virou para responder.
- Saí com as meninas.
Regulus ficou em silêncio por algum tempo. Marlene permaneceu na mesma posição até que ele falou.
- Eu... senti sua falta.
Marlene sentiu toda sua determinação se esvaindo. O tom de voz que ele usou, tão sincero e suave, a fez desistir de qualquer punição que pudesse ter planejado. Ou ele era um gênio manipulador, ou não tinha idéia do poder que tinha sobre ela.
Na verdade, ele não tinha idéia. Ele apenas falou o que sentia.
Marlene virou o rosto na direção dele, mas apenas por um instante. E falou, de forma sincera.
- Eu também.
Regulus teve que conter o sorriso que lhe chegou aos lábios. E falou, antes de ver a garota se afastar, nadando.
- Amanhã vamos ser só nós dois.
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- Ei Ellie! Volta aqui!
Sirius foi nadando até Ellie, que emergiu apenas do outro lado da piscina. Quando a garota abriu os olhos, deu de cara com Sirius. E ele estava muito perto.
Ela arregalou os olhos ligeiramente, e falou.
- O que você quer?
Sirius olhava para ela com uma expressão de espanto. Segurou o braço dela, e falou.
- Você fez uma tatuagem? Mostra!
Ele puxou o braço dela, tentando fazê-la virar e mostrar a tatuagem que ficava logo acima do biquíni branco dela. Mas Ellie não virou, e começou a puxar o braço de volta.
- Me larga! Não vou mostrar nada!
- Mostra! – ele resmungou.
Mas Ellie puxou o braço com força, e falou, olhando bem nos olhos dele.
- Acontece que eu não saio mostrando minha tatuagem para qualquer um por aí, não.
Sirius estreitou os olhos.
- Quer dizer que eu sou qualquer um, agora?
Ellie apenas sorriu de forma vitoriosa, e falou, se afastando.
- Talvez seja.
Mas isso só serviu para deixar Sirius ainda mais bravo. Ele chegou perto dela novamente, e falou.
- Você já mostrou isso para o Mckinnon?
Desta vez foi Ellie que estreitou os olhos.
- Não é da sua conta. Mas pode ter certeza que ele não despejaria um litro de baba na piscina ao ver, como você fez.
Ela se afastou dele, mergulhando novamente. E Sirius ficou parado no mesmo lugar. Totalmente sem argumentos.
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- Lily… - foi só o que James foi capaz de falar.
A ruiva virou para ele, como se não o tivesse notado até aquele momento.
- Ah, oi James.
James continuava encarando a garota de biquíni. Tanto que Lily mesma reparou que ele olhava para seu corpo, em vez de olhar para o rosto. Mesmo um pouco constrangida, ela não perdeu a oportunidade.
- O rosto é aqui em cima...
James imediatamente notou o que fazia. E olhou para Lily, que tinha um sorriso nos lábios. Ele tentou se desculpar, mas não conseguiu de forma clara.
- Eu... é que...
Lily então sentou na borda da piscina. E ficou olhando para James, o que o deixou ainda mais enrolado no que dizia.
- É que... quando...
Mas ele não terminou a frase. Lily ouviu alguém chamando seu nome, e virou o rosto na direção.
- Lily! – Ellie gritou – Vamos jogar!
Ellie estava junto com o pessoal do último ano. E eles iam jogar vôlei. Ela pulou na água, e falou com o namorado.
- Quando você descobrir o que quer me dizer, é só me procurar.
E saiu andando até a amiga.
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I know we,
Ain´t got much to
say,
Before I let you get away,
yea!
Oh, be my girl.
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Are you gonna be my girl?!
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Novamente os rapazes se reuniram na borda da piscina. Cada um observando uma garota em particular. Agora todas as cinco estavam jogando vôlei com os alunos do último ano. E nenhum deles parecia muito satisfeito com isso.
- Vocês sabiam que a Ellie fez uma tatuagem? – Sirius perguntou, emburrado.
James e Remus sacudiram a cabeça positivamente. E isso deixou Sirius ainda mais mal humorado.
- E ela nem me mostrou. – ele reclamou.
- Ah, Sirius. Existem coisas piores no mundo. – falou Remus, que agora via como o comportamento mais aberto de Melissa estava fazendo com que os rapazes da escola perdessem o receio de se aproximar dela. Ele ficou particularmente incomodado quando Fabian Prewett ficou com a mão no ombro dela mais tempo que a brincadeira permitia.
- Como um bando de pirralhos babando pela sua namorada. – resmungou Frank, que continuava a vigiar Alice de longe.
- Ou o fato de sua namorada ficar absurdamente atraente de biquíni, e você não poder fazer nada. – decretou James. Isso fez o grupo de rapazes olharem para ele. E foi só aí que ele percebeu o que tinha falado.
Frank franziu a testa, e falou.
- O que foi, James. A Lily não quer...
James ficou um pouco incomodado em ter que falar sobre o assunto, mas respondeu.
- Eu não sei o que ela. E esse é o problema.
- Conversa com ela. – sugeriu Remus.
Mas a resposta de Remus fez James se irritar.
- Ótimo conselho. – ele falou, ironicamente – É muito fácil falar. Você por acaso já fez isso com a Melissa?
Remus ficou visivelmente ofendido com a resposta de James. Ele olhou para o lado, desviando o olhar. E só então James percebeu o que tinha feito.
- Pô, foi mal, Remus.
Remus apenas acenou com a cabeça. E James, mais tranqüilo, prosseguiu.
- É que eu não quero parecer que estou forçando a barra. Se ela não quiser, eu vou entender.
- Vai entender, mas não vai gostar. – falou Sirius.
James passou a mão pelos cabelos, e falou.
- A questão não é essa. É lógico que eu vou preferir se ela quiser também. Mas é algo que não dá para forçar, nem fingir que não é importante. Por que é importante.
Remus concordou com a cabeça, e Frank também. Então Sirius decretou.
- Cara, você só tem mesmo uma solução. Seguir o conselho do Remus, e conversar com ela. Senão vai ficar nessa para sempre.
James apenas inspirou profundamente, e concordou com a cabeça. Era mesmo a única solução.
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Por volta da meia noite a festa na piscina acabou. A professora McGonagall desceu de seu quarto, deu uma enorme bronca em todos, e os mandou ir dormir. Logicamente, ela inspecionou a ia aos quartos, para ter certeza que ninguém fugiria, ou acidentalmente, entrasse no quarto errado.
James não conseguiu trocar mais que duas frases com Lily. E a professora estava particularmente preocupada em acompanhar Lily e Ellie de volta ao quarto delas. Era provável que ela achasse que as duas representavam um atrativo extra para alunos com a ficha tão suja como ele e Sirius.
Então, no dia seguinte, James tratou de acordar cedo, se arrumar, e bater na porta do quarto de Lily assim que considerou que a garota já estava acordada.
Após alguns segundos de espera, alguém abriu a porta. Mas, ao contrário do dia anterior, quem atendeu foi Ellie.
- Oi Jamie. Bom dia. – ela falou com a voz rouca, de quem tinha acabado de acordar. E só abriu uma fresta da porta.
- Oi Ellie. A Lily já acordou?
Ellie franziu a testa, e falou.
- Depende. Seu amiguinho está com você?
James franziu a testa, e respondeu.
- Não.
A garota então sorriu, e falou.
- Então pode entrar. Ela já acordou sim. E aproveita que a McGonagall não está por perto.
James entrou rapidamente no quarto. Lily estava saindo do banheiro naquele instante. Ela já tinha lavado o rosto e escovado os dentes, mas ainda estava de pijama.
- Bom dia, Lily. – James falou.
A garota se assustou um pouco ao vê-lo tão cedo em seu quarto. Ela ficou satisfeita de, pelo menos, estar com os cabelos penteados e os dentes escovados. No dia anterior ela abriu a porta para ele num estado muito pior.
- Bom dia, James.
Os dois ficaram se olhando por alguns instantes, sem falar nada. Ellie viu a cena, riu, e falou, abrindo o armário e pegando roupas novas.
- Eu vou tomar banho. Podem conversar à vontade.
Assim que Ellie sumiu pela porta do banheiro, Lily sentou na cama. E esticou a mão para James sentar também.
Novo silêncio entre os dois. Até que James tomou coragem, e falou.
- Lily... desculpe pelo dia do jogo de poker. Eu devia ter conversado com você antes de decidir qualquer coisa.
Lily concordou com a cabeça, mas falou.
- Tudo bem. Deixa para lá.
- Não, eu devia ter feito isso. – James insistiu. – Eu vi que você ficou chateada.
Lily lentamente foi abrindo um sorriso. James se sentiu encorajado ao vê-la sorrindo, e se aproximou. Lily então falou.
- Já passou. Não importa mais.
Ao ver que Lily realmente demonstrava não estar mais chateada, James a puxou para perto dele. Lily sentiu os braços de James envolvendo-a, e o abraçou de volta. Os dois ficaram assim por alguns segundos, até que ele falou.
- Estava com saudades de você.
Lily sorriu, encostou seu rosto no peito dele, e falou.
- Eu também.
James se afastou ligeiramente, e capturou os lábios dela com os seus. O beijo, inicialmente delicado e suave, foi se aprofundando rapidamente. Lily sentiu James deslizando os dedos pelos seus cabelos. E ela deslizou suas mãos pelas costas dele.
Os dois rapidamente se moveram, e deitaram na cama. Os beijos aumentavam de intensidade rapidamente, e Lily logo sentiu James descendo uma das mãos até a sua cintura. Ele estava escorregando a mão para dentro da blusa do pijama dela, quando os dois ouviram Ellie desligando o chuveiro.
Isso fez James acordar. Ele queria falar com Lily sobre o assunto que o perturbava há dias. Mas não tinha muito tempo para isso. Então ele logo se posicionou ao lado da namorada, e começou a falar.
- Lily, eu queria te contar sobre o jogo de poker, daquele dia...
Lily franziu a testa, e falou.
- Não precisa, James. Está tudo bem, mesmo.
Mas James insistiu.
- Não, eu quero falar. Porque não expliquei sobre o que estávamos apostando.
Lily recuou instintivamente. E sentiu uma corrente gelada percorrer seu corpo. Ela falou, com a voz falha.
- O que?
James inspirou, e respondeu.
- Nós cinco levamos dinheiro para apostar, como se faz normalmente nesses casos. Mas os funcionários do hotel ofereceram outros prêmios como aposta.
Lily continuou sem entender. E estava cada vez mais ansiosa para saber o que era.
- É que eles ofereceram alguns tipos de facilidade. Por exemplo, se nós ganhássemos o jogo, eles iam ajudar quem quisesse sair à noite do hotel, sem precisar passar pela portaria. Então os professores não saberiam que saímos.
Lily concordou com a cabeça. E James, ainda receoso, prosseguiu.
- E também ofereceram... quartos vazios.
Lily não queria falar nada, mas a palavra escapou.
- Quartos?
James concordou com a cabeça, tentando ler ao máximo a expressão da garota. Mas como ela estava com expressão de surpresa pela notícia, ele não soube dizer se isso era positivo ou negativo.
- Sim. Se alguém quisesse levar... a namorada para lá.
Lily entreabriu os lábios. Então estava explicado o motivo pelo qual os rapazes não desistiram do jogo de forma nenhuma. James abriu a boca para continuar, mas o barulho da porta do banheiro abrindo o fez parar. Ellie saiu de dentro do cômodo, com uma das mãos tampando os olhos.
- Posso olhar, ou vocês estão numa situação comprometedora?
Lily não respondeu nada, por estar envolvida ainda na conversa com James. Mas o rapaz falou.
- Pode olhar.
Ellie abriu os olhos, e riu.
- Está vendo, eu não sou como você, James!
James sorriu para a amiga, e rebateu.
- Não é culpa minha que você e o Sirius gostam de ficar se pegando em locais públicos...
Ellie revirou os olhos. Mas ela observou que o clima no quarto estava um pouco pesado, então falou.
- Qual é o problema de vocês? Hoje é dia 31 de dezembro! O último dia do ano. Não dizem que, o que você fizer durante o último dia do ano, desde que acorda até a hora que vai dormir, vai ser o que você vai repetir durante o ano novo inteiro? Então ânimo!
Lily sorriu ao ouvir a frase da amiga. Então, o novo ano iria ter várias surpresas para ela. Definitivamente.
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O último passeio do roteiro de viagem era uma visita ao Arc de Triomphe. Uma mal humorada professora McGonagall conduziu os alunos, acompanhando o professor Binns. Os alunos tiraram várias fotos, ouviram a explicação do professor. Mas a proximidade com o réveillon estava deixando todos muito ansiosos. Os professores reconheceram que seria difícil fazer os alunos se interessarem por assuntos acadêmicos, então os deixaram livres para passeios pelas redondezas, e para fazerem compras. Um grande grupo de alunos, que reunia Lily, James, Ellie, Sirius, Remus, Melissa, Marlene, Frank, Alice, Gideon e Fabian Prewett, Rachel Pryce, Regulus e mais dois amigos dele da sonserina, Emmeline Vance e uma amiga muito tímida, Matt Corner, todos caminhavam por entre lojas, fazendo compras do que precisavam para comemorar a chegada do ano novo.
Lily, Ellie, Alice e Marlene caminhavam juntas. Ellie estava um pouco chateada por não conseguir uma fita cor de rosa para amarrar ao pulso, na hora da virada.
- Que droga, não tem em loja alguma! – ela resmungou.
Sirius e Remus, que andavam logo atrás das garotas, se adiantaram. James tinha parado com Frank em uma loja de CDs. Sirius, ao ouvir a reclamação da garota, falou numa voz irônica.
- Ah, a condessa não consegue achar o que quer! Isso é um absurdo, chamem o embaixador para resolver isso agora!
Ellie imediatamente virou para trás, e retrucou para Sirius.
- Não enche, Sirius. Condessa é a mãe!
Mas Sirius apenas riu, e rebateu.
- Na verdade é duquesa...
Ela parou de andar, e começou a discutir com o rapaz. Lily olhou para o lado, e viu que Marlene e Alice riam. Ela franziu a testa, e perguntou.
- Por que condessa?
Alice respondeu com simplicidade.
- Porque é o título dela.
Lily continuou com a testa franzida, e Marlene começou a explicar.
- Na verdade, é o título da família dela. Mas ela é a herdeira, quando os avós morrerem. Mas ela detesta ser chamada assim. E o Sirius sabe bem disso...
Ellie vinha andando, e se reuniu às garotas. Mas Alice ainda arriscou uma frase sobre o assunto.
- Ela não gosta de condessa porque quer ser duquesa...
Ellie franziu a testa, e parecia com mais raiva ainda. Ela retrucou, com a cara fechada.
- Qual é, Alice! Deus me livre!
Lily novamente franziu a testa, e Marlene traduziu para ela.
- Os pais do Sirius são duques. E ele vai herdar o título, por ser o filho mais velho.
Mas o assunto obviamente aborrecia Ellie, que reclamou novamente.
- Qual é a de vocês duas? – ela falou, indicando Marlene e Alice – Quer que eu comece a chamar vocês de ladies? Lady Marlene e Lady Alice!
Mas as duas não se importaram tanto quanto Ellie com aquilo. Apenas riram, e continuaram caminhando. Enquanto Ellie resmungava algo incompreensível e muito baixo, Lily começou a pensar.
Novamente o mesmo assunto a deixava daquela forma. Sua melhor amiga era uma condessa. Ou herdeira do título. Fora as outras duas amigas, Alice e Marlene, que também eram de família nobre. E ela ali no meio.
Se James não fosse de família nobre, como ela, Lily não se importaria com aquilo. Mas ele era. E isso a deixava insegura.
Todas as vezes que Lily pensava sobre o assunto, ela sentia que, mais dia, menos dia, o fato de ela ser uma plebéia iria acabar afastando James dela. Nos últimos dias, Lily não tinha pensado no assunto. Mas agora ele tinha voltado.
- Lily, você vai ficar aí parada? Vamos lá. – Ellie chamou.
Lily tentou tirar o assunto um pouco de sua cabeça. Era o último dia do ano. Ela não queria ficar deprimida.
O problema era que ela não conseguia tirar aquilo da cabeça.
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O dia passou voando. Todos os preparativos estavam sendo feitos. E todos estavam muito animados em passar o réveillon em Paris.
A ceia de ano novo no hotel foi espetacular. Todos brindaram diversas vezes. Alguns cantavam músicas, outros abraçavam os amigos. Mas todos estavam muito felizes.
Após a ceia, a professora McGonagall reuniu os alunos no movimentado lobby do hotel. E começou o discurso.
- Nós vamos de ônibus até o Champ de Mars, de onde vamos assistir a queima de fogos da Torre Eiffel. E depois da meia noite, vamos voltar ao hotel. Apenas, e eu disse apenas, Sr. Black, os alunos maiores de dezoito anos, vão poder ficar até mais tarde na rua. Mas se eu souber que qualquer um de vocês chegou ao hotel depois das duas da manhã, seus pais vão receber uma longa carta relatando esse fato!
Ela terminou o discurso, e começou a organizar os alunos. Ela avisou que, quem quisesse buscar algo no quarto, deveria ir logo. Então James puxou Sirius para o canto, e falou.
- Sirius, posso te pedir um favor muito, mais muito grande?
Sirius franziu a testa, e falou.
- O que foi, Jay? Você não virou gay e quer um beijo meu, quer?
James revirou os olhos, e falou, nervoso.
- Não, seu babaca!
- Me chamar de babaca não ajuda muito quando você precisa pedir um favor, sabia?
James inspirou profundamente, e falou.
- Está bem. Sirius, meu melhor amigo, eu preciso da sua ajuda.
Sirius sorriu, e falou.
- Melhorou. Pode pedir!
James olhou para os lados, para ter certeza que ninguém iria ouvir.
- Eu queria... o quarto... hoje a noite.
Sirius levantou uma das sobrancelhas, mas logo depois sorriu.
- Convenceu a ruivinha? Pô, maneiro, Jay!
James fez sinal de silêncio. Sirius não era muito discreto ao falar essas coisas. Mas ele esclareceu logo.
- Ainda não. Mas eu quero falar com ela sobre o assunto. Até comecei, mas não consegui terminar. Então, se ela aceitar...
- Você quer ter o quarto disponível. – Sirius completou.
James confirmou com a cabeça. E, com muita expectativa, ele perguntou.
- Isso. E então?
Sirius demorou apenas um segundo para responder.
- Tranqüilo. Eu peço "asilo político" ao Remus.
James respirou aliviado. Agora só faltava a parte difícil. Conversar com Lily.
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- A gente podia se espremer no quarto da Melissa.
Lily ouviu Ellie falando. Ainda não estava convencida se aquela era uma boa idéia.
- Não sei, Ellie...
Ellie aproximou-se da amiga, e falou.
- Qual é, é uma boa causa... eles nunca tiveram essa oportunidade, Lily.
Lily não queria admitir, mas ela tinha a esperança de poder usar o quarto das duas com James. Mas tinha que admitir, Regulus e Marlene precisavam muito mais do que ela. Ela namorava com James, enquanto Marlene e Regulus precisavam ficar se esgueirando, e sempre preocupados se alguém iria vê-los. Então ela finalmente cedeu.
- Tudo bem. Você tem razão, eles não vão ter uma oportunidade como essa tão cedo.
Ellie sorriu, e falou.
- Vou contar para ela.
Lily viu Ellie levantando no ônibus, e caminhando até a poltrona que Marlene e Melissa dividiam. Assim que ela levantou, James se aproximou, e sentou no lugar de Ellie.
- Oi. Animada?
Lily sorriu, e concordou.
- Estou sim. E você?
- Muito. – ele falou, honestamente.
James então a puxou para um beijo. Delicado como só ele conseguia. Quando se separaram, Lily suspirou baixinho.
Aproveitando o clima romântico, James resolveu arriscar. Então ele se aproximou, e falou, baixinho.
- Eu tenho algo para te contar.
Lily olhou para o namorado, interessada. E ele continuou.
- É que... o Sirius vai dormir no quarto do Remus hoje.
Lily não conseguiu evitar, e sentiu um arrepio frio pelo corpo. Mas tentou esconder essa reação de James, para que ele continuasse a falar.
- Então eu pensei que... nós poderíamos ficar juntos no meu quarto. Você podia dormir lá comigo.
Nova onda de frio em Lily. E ela não era causada pelo tempo frio no lado de fora do ônibus. James continuou falando, já que ele sentia a obrigação de explicar tudo muito bem.
- Eu não estou querendo... te obrigar a nada. Só achei que seria legal se pudéssemos dormir juntos. Só dormir, se você quiser.
Lily não conteve sua boca antes que ela falasse praticamente sozinha.
- Você quer só dormir?
James franziu a testa, e respondeu, levemente embaraçado.
- Não, eu... não sei... – então ele se recompôs, e falou, de forma segura – Eu quero o que você quiser.
Essa frase fez Lily sentir seu estômago revirando. Mas de uma forma boa. Era uma das frases mais bonitas e significativas que ela já tinha ouvido James falar.
Então ela se sentiu mais segura, e respondeu.
- É... é uma boa idéia.
James imediatamente sorriu. Sentiu uma descarga de alívio percorrer seu corpo. E puxou Lily para um novo beijo delicado. Quando eles se afastaram, James ficou ainda mais satisfeito ao ver um sorriso nos lábios de Lily.
Ele então enfiou a mão no bolso, e entregou um objeto na mão de Lily.
- Essa é a chave do Sirius. Acho melhor nós subirmos separados, já que a McGonagall vai estar no pé de todo mundo. Aí você pega o que precisar no seu quarto, e vai para o meu quando o corredor estiver vazio.
Lily concordou com a cabeça. James apenas sorriu, e beijou a testa dela. Mas o rapaz não a viu encarando fixamente a chave em sua mão.
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Ellie estava contando a boa notícia para Marlene, sobre o quarto dela e de Lily estar disponível para ela e Regulus, quando elas viram uma figura se aproximando, e esticando a cabeça para perto delas.
- Oi garotas! – falou Alice.
- Oi Alice. – respondeu Marlene, muito mais animada que o normal. – Adivinha só: eu ganhei um quarto para essa noite!
Alice sorriu, e Ellie explicou.
- Eu e a Lily estamos emprestando o quarto para ela essa noite.
Alice então retirou do bolso do casaco uma chave. E falou.
- Eu também arranjei um quarto extra!
As três olharam para a morena, sem entender. E Alice explicou.
- O Frank acabou fazendo amizade com o recepcionista que jogou poker com os garotos naquela noite. E o cara meio que ficou com pena por eles terem perdido, então descolou uma chave de um quarto vazio para ele. Nós vamos comemorar o réveillon lá...
As três riram de Alice, e Ellie falou.
- Acho que sua raiva do Frank passou, não é?
Alice riu, e falou.
- O Frank consegue ser bem persuasivo quando ele quer...
Ellie riu, e falou.
- É, acho que eu, você e a Lily sobramos hoje, Mel...
- Vocês duas. – corrigiu Melissa – O Remus me chamou para sair hoje, e eu aceitei. Acho que só vou voltar bem tarde para o quarto...
As outras garotas a olharam, espantadas. E Marlene falou.
- Acho que nenhuma de nós guardou raiva do dia do poker...
Mas Ellie levantou uma das sobrancelhas, e falou.
- Fale por si mesma. Eu ainda quero enforcar o Sirius!
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A chegada ao Champ de Mars foi lenta. Por conta do enorme trânsito de carros e pessoas nas imediações da torre. Quando conseguiram se livrar de tudo, e chegar à praça, os alunos viram como ela estava cheia.
Milhares de pessoas se amontoavam para ver a queima de fogos. A professora McGonagall se esgoelava para tentar conter os alunos, e fazer com que eles não se afastassem muito.
Os mais velhos tinham levado garrafas de champagne para estourar à meia noite. Vários deles cantavam, aproveitando que nas proximidades um grupo de jovens tinha levado um aparelho de som portátil.
All is quiet on New
Year's Day. I... will be with you again.
A world in white gets underway.
I want to be with
you, be with you night and day.
Nothing changes on New Year's
Day.
On New Year's Day.
I...
will be with you again.
- Está quase na hora! – Ellie falou, animada. Ela consultava o relógio sem parar.
- Ainda falta meia hora. – James falou. Ele estava abraçado à Lily, que estava mais quieta que o normal.
Ellie observou a amiga. No mesmo instante, Lily se desvencilhou cuidadosamente de James, e falou.
- Ellie, vamos ali comigo comprar água? – ela apontou na direção de um vendedor ambulante.
Antes que Ellie pudesse concordar, Lily simplesmente pegou a mão da amiga, e a puxou pelo caminho.
Quando elas estavam afastadas o suficiente, Ellie perguntou.
- O que foi, Lily?
Lily inspirou profundamente, e falou de uma vez só.
- O James me chamou para dormir no quarto dele hoje.
Ellie ficou um instante parada. Mas no instante seguinte, ela sorriu, e falou, abraçando a amiga.
- Ah! Que bom!!! Finalmente vocês vão tirar o atraso!
Lily não deu bola para a brincadeira da amiga, e falou.
- Mas não está nada combinado em relação a... isso.
Ellie olhou para Lily, sem dar crédito ao que a amiga falou.
- Qual é, Lily. Vocês vão dormir juntos, está garantido!
Lily franziu a testa, e falou.
- Mas você dormiu com o Sirius várias vezes, antes de realmente... transar com ele.
Ellie concordou, e explicou.
- Sim, mas isso foi uma opção minha. Tenho certeza que, se eu quisesse, teria rolado na primeira vez que dormimos juntos. Mas você já decidiu que quer... então definitivamente vai ser hoje!
Lily tentou se sentir mais calma depois do que Ellie tinha dito. Mas não conseguia. Então ela virou para a amiga, e falou.
- Você quer água? Vamos procurar o vendedor.
Mas Ellie, que era bem alta, e estava usando botas de salto, avistou o cara antes de Lily. Ela franziu a testa, e falou.
- Ah, Lily, eu não quero comprar desse cara, não... Ele é muito esquisito, não parece muito... limpo.
Lily observou o vendedor, e concordou imediatamente com a amiga. Mas não teve tempo de se manifestar. As duas ouviram alguém falando com elas.
- A condessa não pode sujar as lindas mãozinhas dela...
Era Sirius, novamente implicando com Ellie. Ele provavelmente não tinha esquecido o fora que ela tinha lhe dado na festa da piscina.
- Vai perturbar outro, Sirius. Hoje é réveillon, me deixa em paz! – Ellie retrucou.
- Falando nisso. – Sirius continuou, sem dar bola para o pedido dela – Quem você vai beijar na meia noite?
Ellie fez uma expressão de quem tinha acabado de se lembrar que essa tradição existia. Ela ficou sem resposta por um segundo, mas logo rebateu.
- Alguém interessante.
Sirius sorriu de forma sedutora.
- Eu?
Ellie franziu a testa, e respondeu.
- Lógico que não!
Lily ficou assistindo o ex casal discutindo, e pensando que eles nem notariam se ela saísse de fininho. Ela começou a andar, caminhando na direção que seus amigos estavam, quando ouviu uma voz conhecida.
- Lily!
Ela virou para trás, e viu Kyle sorrindo para ela. Ela se aproximou, e ele falou.
- Perdida?
- Não. – ela respondeu – Estava com a Ellie, mas o Sirius chegou e...
- Ah, então não precisa explicar mais nada. – ele falou, sorrindo ao completar a frase dela – Os dois provavelmente nunca vão deixar de ser um casal, por mais que digam que terminaram.
Lily riu. E pensou como isso era fácil quando ela estava com Kyle. Eles se pareciam em muitos aspectos. E, durante aquela viagem, ela descobriu que ele até queria fazer o mesmo curso que ela na faculdade.
Então Lily pensou em outro assunto. O assunto que ela não tinha comentado com ninguém ainda. Por ela não saber com quem falar.
Mas Kyle a olhava de uma forma que inspirava tanta confiança que ela nem percebeu que já estava falando. O assunto escapou de forma natural, sem pensar.
- Kyle, Você sabe se todos os alunos de Hogwarts têm alguma conexão com a nobreza?
Kyle franziu a testa por um instante, sem saber onde ela queria chegar. Mas respondeu com sinceridade.
- Todos, não. Mas é verdade que os nobres tendem a mandar os filhos para escolas de tradição. E que já acolheram nobres e membros da família real. É assim em Hogwarts.
Lily apenas sacudiu a cabeça. E falou, em voz baixa.
- Ah...
Então Kyle a observou atentamente. E tentou adivinhar o que ela pensava. E passou bem perto.
- Isso tem a ver com você não ser de família nobre?
Lily não sabia o que responder. Ficou gaguejando, até que Kyle a resgatou com sua frase.
- Por que isso é uma besteira, Lily. Eu também não tenho sangue nobre, e ninguém me trata de forma diferenciada lá. Talvez um ou outro sonserino, mas você não pode levar a opinião deles em conta.
Lily não soube exatamente porque, mas sentiu um enorme alívio ao ouvir aquilo. Ela pensou que poderia ser porque ela sempre considerou Kyle uma das pessoas mais inteligentes e capazes que ela conhecia.
- O que importa é o que você sente Lily. – Kyle começou a falar, com a voz bem mais baixa do que antes. – É só isso que importa.
Lily então levantou os olhos, e viu os belos olhos de Kyle. O rapaz a observava com óbvio carinho. E foi neste instante que ela entendeu o sentido do que ele tinha acabado de falar.
Era como se Kyle tivesse sido enviado para acabar com as dúvidas de Lily. Ela então sorriu, e, sem se conter, abraçou Kyle.
Ela ficou na ponta dos pés para conseguir enrolar seus braços no pescoço do rapaz. E falou, muito feliz.
- Obrigada, Kyle! Você é incrível!
Kyle ficou estático. Não esperava essa reação de Lily. Demorou alguns segundos para que ele também a envolvesse com os braços.
Lily então se afastou um pouco, e, sorrindo, falou.
- Um feliz ano novo para você, Kyle. Muito obrigada mesmo! E desculpe por eu sempre ficar largando você, mas eu realmente preciso ir!
Lily se inclinou, e deu um beijo no rosto de Kyle. Depois soltou o abraço, e saiu correndo, acenando para Kyle enquanto se afastava.
- Que todos os seus sonhos se realizem no ano novo!
Então ela sumiu na multidão. Kyle abaixou a cabeça, e falou, para si mesmo.
- Se apenas um se realizar, eu vou ficar mais que feliz...
Ele inspirou profundamente, e foi andando até seus amigos.
Mas o que Lily e Kyle não sabiam era que alguém tinha visto toda a conversa deles.
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- Dez, nove, oito, sete...
Lily corria sem parar. Não podia perder tempo.
- Seis, cinco, quatro...
Ela avistou seus amigos. Alice estava abraçada a Frank, Remus tinha pegado a mão de Melissa, e Ellie e Sirius estavam tentando vencer a multidão, para se aproximar dos amigos. Previsivelmente, eles ainda brigavam.
- Se eu perder a meia noite você vai ver! – ela resmungava. – Seu grande chato...
- Três, dois...
Sirius simplesmente a puxou no meio da frase, e tascou um beijo na boca de Ellie. A garota tentou se desvencilhar por um instante, mas logo parou de se debater.
Lily então olhou em volta, e finalmente avistou James. Ele parecia num péssimo humor, e ela julgou que ele estava assim por ela ter sumido temporariamente.
- UM!!!
Lily se atirou nos braços de James, e o beijou. O rapaz ficou um pouco surpreso, mas a beijou de volta.
- FELIZ ANO NOVO!
Todos se abraçavam. Alguns pulavam de alegria. Mas todos estavam, obviamente, muito felizes. Quer dizer, se você não contasse algumas poucas pessoas.
- Me larga! – Ellie gritou, quando Sirius afrouxou o abraço, e descolou os lábios dos dela.
A garota deu um empurrão nele, e saiu andando a esmo por entre os alunos da escola. Sirius apenas a observou ir, e resmungou.
- Maluca.
Lily e James só se soltaram do beijo muito tempo depois da meia noite. Lily então sorriu, e falou no ouvido de James.
- Acho melhor nos separarmos no ônibus. Você vai primeiro, depois eu vou. – James ainda tinha a testa franzida, mas acenou com a cabeça. Lily continuou sorrindo quando disse – Eu te amo!
Ela então se afastou, seguindo a direção da professora McGonagall, que agora reunia os alunos para voltarem ao hotel.
James baixou a cabeça ligeiramente. Inspirou profundamente.
Mas isso não adiantou. A imagem de Lily abraçando Kyle Wilshire ainda estava impressa em sua retina.
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Com grande esforço, a professora conseguiu reunir os alunos nos ônibus. Alguns dos mais velhos ficaram para trás, para o desagrado da professora. Mas ela conseguiu ter certeza que todos os menores de idade tinham embarcado, e estavam sãos e salvos.
Quando eles chegaram ao hotel, uma enorme confusão se instalou. Muitas pessoas transitavam pelo lobby, e a professora gritava de um lado para o outro, tentando reunir os alunos.
- Voltem aqui. Não quero ninguém saindo do hotel!
Alguns dos alunos foram para a área da piscina, que estava cheia de hóspedes comemorando. Outros subiram aos quartos.
Lily foi uma das que subiram ao quarto. E, quando chegou ao seu quarto, ela encontrou Ellie e Marlene lá dentro.
Marlene estava sorridente, mas um pouco nervosa. E Ellie estava falando com a loira.
- Fique calma. Com certeza essa noite vai ser "uau" para você.
Marlene sorriu, mas falou.
- Eu não sei o que vai acontecer, Ellie. Nós não combinamos nada.
Ellie então abriu uma de suas malas, e pegou algo dentro.
- De uma forma ou de outra, toma. – ela entregou camisinhas para Marlene – Eu não vou usar mesmo... vou ficar no quarto da Melissa vendo televisão enquanto vocês se divertem...
Marlene viu Lily, e falou.
- Oi Lily. Já vai?
- Só vim pegar algumas coisas.
Ellie sorriu, e falou.
- Já arrumei sua mala.
Lily franziu a testa, e falou, desconfiada.
- Ellie... o que você colocou na bolsa?
Ellie sorriu, e falou.
- O que você vai precisar.
Lily abriu a pequena mala, e viu que Ellie tinha colocado uma muda de roupa, camisinhas e várias lingeries. Algumas que ela lembrou ter visto no dia que elas foram à Agent Provocateur. Lily imediatamente abriu a boca para protestar, mas Ellie foi mais rápida.
- Não reclama e leva. Eu comprei sem você repara, naquele dia. Pelo menos prova, Lily, se não gostar você tira e coloca a que você comprou.
Lily não gostou muito da idéia, mas Ellie começou a empurrar a amiga em direção à porta.
- Não adianta. E vai logo antes que o Jamie fique louco.
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Ellie terminou de arrumar suas coisas. Ela deixou Marlene em seu quarto, esperando por Regulus. Antes de sair, ela verificou se a professora McGonagall não estava patrulhando o corredor. Quando viu que podia passar sem ser vista, abriu a porta.
Logo na saída do quarto, ela encontrou Regulus. O rapaz já estava com a chave do quarto, e sorriu para Ellie ao encontrar a garota.
- Ellie, eu...
Mas Ellie o interrompeu, e falou.
- Não se preocupa. – ela falou, sorrindo – Vai lá, ela está te esperando. Espero que tudo dê certo.
Regulus sorriu, e segurou a mão dela por um segundo.
- Obrigado.
Ellie sorriu novamente, e falou.
- Feliz ano novo, Reggie.
Os dois se despediram, e Ellie foi até o quarto de Melissa. Encontrou-a passando batom, em frente à penteadeira.
- Nossa, coitado do Remus. Vai ter um ataque cardíaco...
Melissa apenas revirou os olhos, e guardou o batom. Ela pegou sua bolsa, colocou uma das chaves do quarto dentro, e falou.
- Você vai ficar bem aqui sozinha?
Ellie riu ao responder.
- Agora você está preocupada comigo? Qual é! Eu vou ficar muito bem aqui. Trouxe até companhia.
Ela abriu sua enorme mala, e mostrou para Melissa uma garrafa de champagne. Melissa sorriu de lado, e Ellie foi até o frigobar colocar a garrafa para gelar.
- Sério, eu estou bem. – Ellie falou. Mas Melissa sentiu que Ellie estava um pouco desanimada – Pode ir, divirta-se no seu encontro.
Melissa a observou por um instante, e falou, saindo.
- Então tá. Boa noite.
- Beija muito na boca por mim! – Ellie ainda gritou, antes de Melissa fechar a porta.
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Remus tentava organizar o quarto antes de Melissa chegar. Mas Sirius ficava tagarelando em seu ouvido sem parar.
- Então ela simplesmente me deu um empurrão, e saiu andando com raiva.
Remus revirou os olhos. E falou.
- Isso é que dá beijar uma garota à força.
Mas Sirius fez pouco caso, respondendo.
- Ah, como se ela não estivesse doida para me beijar também!
Remus segurou o riso. Ele ia começar a argumentar em como ele ficar beijando Ellie a força não era uma boa idéia, quando ouviu batidas na porta.
Ele olhou por um segundo seu reflexo no espelho, o que fez Sirius rir e zombar.
- Que linda! – ele falou, em voz de deboche.
Mas Remus nem deu bola, e foi direto até a porta. Melissa estava parada, com uma bolsa grande à tiracolo. E ela apenas falou.
- Oi.
Remus sorriu, e respondeu.
- Oi. Entra.
A garota entrou no quarto, mas franziu a testa imediatamente após dar de cara com Sirius.
- Oi Melissa. – Sirius falou, sem levantar os olhos. Ele mexia na sua mala, parecia estar procurando alguma coisa.
Melissa virou novamente para Remus, pedindo uma explicação silenciosa para o que estava acontecendo ali. O rapaz entendeu, e falou.
- Estou abrigando o Sirius hoje. Lily e James estão ocupando o quarto deles.
Melissa apenas concordou com a cabeça. Mas Remus logo falou.
- Mas ele já está de saída. – ele virou para o amigo, e fez uma expressão significativa – Não está, Sirius?
Sirius franziu a testa. Ele e Remus não tinham combinado nada, já que ele gastou o tempo inteiro tagarelando sobre o beijo em Ellie.
- Estou? Ah, sim, estou.
Remus foi gentilmente conduzindo Sirius até a porta, e falando em tom baixo.
- Cara, eu vou ficar te devendo essa. Mas dá para pelo menos sumir por umas duas, três horas?
Sirius continuava com a testa franzida. Ele achava que Remus e Melissa iam sair.
- Mas você não ia sair com ela? Eu achei que não tinha problema eu ficar aqui!
- Sirius, por favor. – continuava Remus, em voz baixa. – Vai dar uma volta, vai para a piscina, sei lá.
Mas Melissa, mesmo que não estivesse ouvindo tudo que eles falavam, entendeu o sentido da conversa. Ela ficou observando a interação dos rapazes por algum tempo, até algo realmente brilhante lhe ocorrer.
Melissa abriu um enorme sorriso. Provavelmente um dos maiores da vida dela. E com um pequeno toque de malícia. Então ela voltou à expressão normal, e falou.
- Sirius, se você quiser, pode ficar no meu quarto.
Sirius e Remus olharam para Melissa, Ela teve que fazer força para manter a expressão normal. Ela estava segurando o riso.
- Seu quarto? – perguntou Sirius.
- É. – ela respondeu. E abriu a bolsa, retirando a chave do apartamento, e estendendo ao rapaz – Pode ficar lá. Tem TV, frigobar, uma cama confortável.
Sirius pegou a chave da mão de Melissa. Remus observava Melissa com a testa franzida. E a garota ainda acrescentou.
- Ah, leva sua mala também. Eu posso acabar pegando no sono aqui... aí você pode dormir no meu quarto!
Sirius achou aquilo ainda mais estranho. Mas Remus não queria questionar sua sorte, e empurrou a mala de Sirius nas mãos dele.
- Vai. – ele falou, muito baixo – E vê se dorme por lá mesmo!
Sirius apenas verificou se o corredor estava livre. E saiu, carregando sua mala.
No instante que Remus fechou a porta de novo, Melissa caiu na gargalhada. Por mais bonita que ela ficasse assim, Remus ainda teve que perguntar.
- Por que você está rindo?
Melissa sentou na cama do rapaz, e falou, ainda sorridente.
- Porque meu quarto não está vazio. Eu também estou abrigando uma pessoa essa noite.
Remus perguntou, mas teve a impressão de já conhecer a resposta.
- Quem?
Melissa olhou para o rapaz de forma divertida.
- A Ellie!
Remus riu ao ouvir a armação de Melissa. Ele sentou na cama, ao lado da garota, que repentinamente parou de rir. E ela perguntou.
- O que vamos fazer hoje? Achei que você queria sair.
Remus olhou diretamente no rosto dela, e falou, com um sorriso leve nos lábios.
- Eu também pensei isso, mas achei uma boa idéia assistirmos um filme. O que você acha?
Melissa apenas concordou com a cabeça. Remus levantou da cama, e começou a pesquisar as opções do pay-per-view. Melissa respirou fundo, pensando em qual resultado aquela noite teria.
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Lily entrou lentamente no quarto de James. Ela encostou a porta com cuidado, e virou para ver o namorado.
Mas, ao contrário do que ela esperava, James não tinha feito nenhum preparo especial no quarto. E não estava sorrindo quando ela entrou.
Lily franziu a testa. Ela foi andando até James, que estava parado, em pé, no meio do quarto. E ela falou, ao parar bem na frente dele.
- James... o que foi?
James inspirou profundamente. E respondeu.
- Nada.
Mas a expressão dele continuava séria. Tanto que Lily não acreditou nele.
- Sério, James. O que houve?
James então bufou de leve, e não se conteve.
- Eu vi você.
Lily não entendeu. E perguntou.
- E o que você quer dizer com isso?
James virou de costas, e foi andando até a janela. E, ainda de costas, respondeu.
- Eu vi você com o Wilshire.
Lily não compreendeu por um instante, mas logo entendeu. E ela falou.
- James, não tem nada...
Mas ele a interrompeu, falando de forma um pouco mais alta.
- Todas as vezes que eu viro as costas, você vai e se pendura nele!
Lily abriu a boca de assombro. E reclamou.
- Como é que é?
James virou novamente para a garota. E falou, em tom de raiva contida.
- Hoje foi ainda pior. Era quase meia noite, e eu fui te procurar. E te encontrei agarrada a ele!
Lily reagiu de imediato.
- Eu não estava agarrada a ele, eu dei um abraço. Amigos se abraçam, sabia? Você vive abraçando a Ellie.
Mas essa resposta enfureceu James. Ele gritou de volta.
- A Ellie é minha irmã! Ela não está querendo ir para cama comigo, como o Wilshire quer com você!
Lily ficou assustada com o grito de James. Ele mesmo pareceu ter ficado um pouco assustado, tanto que baixou a voz.
- Olha aqui, Lily. – ele começou a falar, se contendo – Talvez... essa noite tenha sido uma má idéia.
O assombro de Lily só aumentava. Ela mal podia acreditar que James estava falando aquelas coisas.
- James... – ela tentou, mas ele continuou falando.
- Eu... vou dar uma volta por aí. Se você quiser, pode deitar para dormir. – o tom dele era frio – Eu não vou te acordar quando chegar.
A garota olhou para o namorado, esperando que ele desmentisse o que tinha acabado de dizer. Mas ele sequer a olhou, como se estivesse deliberadamente evitando o contato visual. E foi caminhando em direção à porta do quarto. Antes de ele sair, Lily tentou pela última vez.
- James, por favor...
Mas ele não se virou. Saiu do quarto, fechando a porta em silêncio.
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Sirius entrou com cuidado no quarto de Melissa. Antes de fechar a porta com rapidez, ele jurou ter ouvido, de longe, a voz da professora McGonagall brigando com um aluno qualquer. Então todo cuidado era pouco.
Assim que ele deixou sua mala num canto, o rapaz percorreu o quarto com os olhos. O quarto de Melissa era menor do que ele ocupava com James. Mas isso já era de se prever, já que o quarto da garota tinha uma única cama de casal, e não duas, como no quarto dos rapazes.
Mas algo chamou a atenção do rapaz. Melissa tinha deixado o som ligado. E uma música estava começando a tocar, muito alta. Sirius franziu a testa, e notou que o som não era a única coisa estranha naquele quarto.
Uma enorme mala com o monograma da Louis Vuitton estava em cima da cama. Ele achou aquela mala muito familiar, ainda mais por algumas peças de roupa que estavam em cima da cama. Ele definitivamente conhecia aquelas roupas. E muito bem.
So, so, so
scandalous
You know you wanna sing with us (baby)
That's why
you know you should be scared of us (baby)
Só aí que Sirius notou um barulho vindo de dentro do banheiro. Ele franziu a testa, e percebeu. Alguém estava ali dentro. O barulho era do chuveiro ligado.
Então ele finalmente teve certeza. Ele sabia exatamente quem estava dentro daquele banheiro.
Non stop looks to
kill
Straight talk sex appeal
One touch gives me chills and we
ain't even close yet
Rough neck all around
Inking all over
town
Show me how you get down
Cos we ain't even close yet
De forma quase inconsciente, Sirius foi caminhando até o banheiro. A porta estava aberta, e o barulho do chuveiro e da música alta abafava sua movimentação. Ele tinha certeza que não seria notado.
Foi aí que ele ouviu a voz dela, cantarolando junto com a música.
You got me feening
and you got me feeling weak
Listen as I speak cos I'm careful as I
creep
You got me going crazy and you know I can't sleep
No
fortune your moves and you hypnotize me
You got me trembling like
a little baby girl
You're so special, you're like diamonds and
pearls
You got me spinning and you got me in a twirl
You're my
number one baby and you come to rock my world
Isso fez Sirius apressar o passo imediatamente. Logo ele estava na porta do banheiro. Logicamente teve o cuidado de tentar se esconder atrás da porta. E foi aí que ele a viu.
You're
dangerous
Just get it up
The way you move so scandalous
It's
all about the two of us
A one night stand just ain't enough
I
need some stimulation baby
A little conversation maybe
You got
me spinning out like crazy
There goes my baby
Sirius estava certo. Ellie estava tomando banho. Ele a viu dançando enquanto se ensaboava. E ficou hipnotizado. Nem sentiu sua boca entreabrindo.
Ela cantava baixo, acompanhando a letra da música. E não percebeu a presença dele ali.
Então Sirius pode observar sem ser notado.
Fazia mais de um mês que ele não a via nua. Fora que ele só a tinha visto assim no fim de semana da primeira vez deles. Isso certamente contribuiu para os olhos arregalados dele.
Scandalous (baby)
So
scandalous (baby)
Scandalous (baby)
So, so, so scandalous
Sirius analisava cada centímetro, como se fosse esquecer se não fizesse isso. Da cabeça aos pés. E, quando ela virou de costas no chuveiro, ele finalmente pode ver com clareza a tatuagem que ela insistia em esconder dele. Era uma borboleta. Delicada e colorida. Sirius sorriu. Mas no instante seguinte sua mente foi tomada por idéias nem um pouco inocentes em relação à tatuagem, e, principalmente, à dona dela.
Hot stuff, head to
toe
Where you go, no one knows
You smile playing the dough and
we ain't even close yet
Solid as a rock
How many ways can you
hit the spot?
Show me what you got 'cos we ain't even close yet
O devaneio do rapaz foi interrompido quando ele ouviu a água do chuveiro sendo desligada. Rapidamente, ele voltou ao quarto. E, sorrindo, teve uma idéia. Pulou na cama, empurrando a mala dela para o lado. Cruzou os braços atrás da cabeça, e ficou ali esperando o resultado.
You got me feening
and you got me feeling weak
Listen as I speak cos I'm careful as I
creep
You got me going crazy and you know I can't sleep
No
fortune your moves and you hypnotize me
You got me trembling like
a little baby girl
You're so special, you're like diamonds and
pearls
You got me spinning and you got me in a twirl
You're my
number one baby and you come to rock my world
You're
dangerous
Just get it up
The way you move so scandalous
It's
all about the two of us
A one night stand just ain't enough
I
need some stimulation baby
A little conversation maybe
You got
me spinning out like crazy
There goes my baby
Não demorou muito para Ellie sair do banheiro. Ela ainda tinha os cabelos molhados, e estava enrolada numa toalha. Estava cantarolado até entrar no quarto, e ver alguém deitado na cama.
O choque foi imediato, e a reação também.
- AH!
O susto foi tanto que ela quase deixou cair a toalha. Sirius percebeu isso, e não perdeu a oportunidade.
- Calma, se quer ficar nua na minha frente não precisa ficar tão nervosa. É só tirar a toalha bem devagar.
Ellie levou a mão ao peito, recuperando o fôlego. Assim que conseguiu se acalmar do susto, ela falou, em tom acusatório.
- O que você está fazendo aqui?
- Eu? – ele falou, se fazendo de inocente – A pergunta mais correta seria o que você está fazendo aqui.
Ellie fez uma expressão de desagrado, e respondeu.
- A Melissa me emprestou o quarto. Eu vou dormir aqui. Então pode dando o fora...
Mas Sirius a interrompeu, exibindo a chave que Melissa tinha lhe dado.
- Na verdade, a Melissa também me emprestou o quarto. Então estamos na mesma.
Scandalous (baby)
So
scandalous (baby)
Scandalous (baby)
So, so, so scandalous
A little
conversation goes a long, long way
Show a little patience
That
you are here to stay
So show me that you're game oh
Ellie olhava para a chave não mão dele, completamente incrédula. Ela demorou alguns segundos para falar.
- Não... importa. Pode ir indo embora, eu cheguei aqui primeiro.
Mas Sirius continuou inabalável. Ele falou.
- Sabe, por mais sexy que seja nós termos essa conversa com você enrolada nesta toalha prestes a cair, acho que você vai pegar uma gripe se não trocar de roupa e secar o cabelo...
Ellie imediatamente olhou para a toalha, e realmente ela estava precariamente dependurada em seu corpo. Ela bufou alto e virou para ir ao banheiro. Mas, no instante seguinte, voltou, e pegou a camisola que estava em cima da cama. Sirius lhe ofereceu um sorriso safado, mas ela apenas revirou os olhos, e sumiu banheiro adentro.
Sirius então relaxou, novamente cruzando os braços atrás da cabeça. E manteve o sorriso no rosto.
You're
dangerous
Just get it up
The way you move so scandalous
It's
all about the two of us
A one night stand just ain't enough
I
need some stimulation baby
A little conversation maybe
You got
me spinning out like crazy
There goes my baby
Mas Ellie não demorou nada no banheiro. Ela apenas vestiu a camisola, penteou rapidamente os cabelos, e voltou ao quarto decidida a expulsar Sirius dali. Ela desligou o aparelho de som, e falou.
- Certo, agora você pode pegar suas coisas, e voltar para o quarto do Remus.
Mas Sirius não se moveu, e perguntou.
- Como é que você sabe que eu estava no quarto do Remus?
Ellie continuava em pé, ao lado da cama. Ela parecia cada vez mais sem paciência.
- Porque o James e a Lily estão no quarto de vocês! Não é óbvio?
Sirius continuou imóvel, e sorrindo.
- Não posso, o Remus está com a Melissa lá. Por que você não volta para o seu quarto, já que a Lily não está lá?
Ellie não respondeu a pergunta. Demorou um segundo para reagir. Ela simplesmente agarrou um dos braços de Sirius, e começou a puxar, tentando levantá-lo da cama.
- Sai daí! Vai embora!
Mas obviamente ela nem conseguiu fazer com que ele se movesse. Mesmo assim ele ficou tentando, e ele apenas rebateu.
- Garota, o seu quarto está livre. Por que você quer continuar aqui? Eu só consigo pensar numa possibilidade...
Ellie ficou vermelha. Sirius não conseguiu distinguir se era de vergonha ou de raiva. Por que no instante seguinte ela começou a reclamar.
- Não vou! Você que tem que ir embora!
Sirius levantou o tronco ficando sentado na cama. E falou.
- Mesmo se eu pudesse voltar para o quarto do Remus, ainda tem a McGonagall patrulhando o corredor. Eu não vou me arriscar. Vai você.
Mas Ellie continuava tentando puxar Sirius pelo braço, mas não tinha muito sucesso nisso. Então a raiva dela atingiu um ápice, e ela falou.
- Vai logo! Eu não posso voltar!
Sirius ficou imediatamente interessado no assunto. E retirou o braço das mãos dela com facilidade, perguntando.
- Não pode? Por quê?
Ellie percebeu a besteira que fez. E tentou corrigir.
- Por... nada.
Mas Sirius a conhecia há tempo demais para perceber quando ela estava mentindo. Sabia que tinha algo a mais naquela história. E insistiu.
- Por que você não pode voltar, Ellie?
- Não enche, Sirius! – ela retrucou.
Mas Sirius não desistiu. E continuou insistindo.
- Conta, vai... – ele pensou por um instante, e chegou a uma conclusão – Você... emprestou sue quarto para alguém!
Ellie inspirou fundo. Ele acertou na mosca. Mas ela se fez de desentendida.
- Não tenho idéia do que você está falando.
Mas Sirius tinha certeza que era isso. E continuou.
- Você emprestou sim! Para quem?
- Esquece isso, Sirius.
Mas Sirius não ia esquecer tão cedo.
- Conta, vai... eu não espalho para ninguém.
Essa frase fez Ellie tremer o lábio. Ela desviou o olhar dele, e se afastou. Sirius demorou alguns segundos para entender o porque. Ela estava lembrando sobre a briga dos dois, e sobre ele supostamente ter espalhado para toda a escola que eles tinham transado. Sirius então, por mais curioso que estivesse, ou mais chateado por ela não acreditar nele, mudou um pouco o tom de voz, e falou.
- Conta para mim.
Ellie virou de costas para ele, e ficou olhando para a janela. E apenas falou.
- Eu prometi não contar. Então, por favor, você pode parar de perguntar?
No instante que ela falou a palavra "prometi", ele soube que ela jamais contaria. Ele sabia que ela tinha uma espécie de código de honra que a fazia cumprir absolutamente todas as promessas que ela fazia. Então era uma batalha perdida.
Tentando, então, mudar de assunto, ele resolveu propor uma trégua. E, ainda sentado, ele falou, para a garota de costas para ele.
- Ellie... que tal se a gente der um tempo nisso tudo e... sei lá, tentar ficar tranqüilo durante essa noite? Nós não temos mesmo outro lugar para ficar, então...
Ellie lentamente virou na direção dele. Ela estava séria, mas não aparentava raiva.
- Você vai se comportar? Como um ser humano, que quero dizer. – ela perguntou.
Sirius sorriu, e falou.
- Eu me comporto se você não tiver nenhum ataque de raiva súbita.
Ellie revirou os olhos, mas concordou com a cabeça.
- Certo.
Os dois ficaram se olhando durante algum tempo. Ellie não conseguiu sustentar o olhar, e desviou, caminhando até a cama, e sentando. Mas não muito próxima a ele. E Sirius arriscou.
- Então... o que nós vamos fazer?
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- Eu ainda não acredito que você nunca assistiu The Notebook...
Melissa sorriu de lado, e respondeu.
- Não gosto de filmes melosos.
Remus sorriu, e falou.
- Mas o filme não é meloso. – Melissa fez uma expressão incrédula, e ele continuou – Mas não é mesmo! É romântico, mas honesto. As pessoas cometem erros. E ficar pagando por esses erros por anos a fio não é lá muito saudável. Só que o filme mostra que os erros do passado podem ser consertados.
Melissa desviou o olhar brevemente. Ela sentiu que o que Remus tinha acabado de falar não era apenas uma descrição do filme, mas uma mensagem para ela. Ela se ajeitou melhor na cama, enquanto Remus mexia no controle remoto da televisão.
Ela ficou perdida em seus pensamentos. E chegou à conclusão que, ao lado de Remus, seus problemas pareciam menores. Como se a presença dele anulasse parte de todo aquele sofrimento que ela tinha passado. Mas, ao mesmo tempo, a quase perfeição dele só a fazia ficar mais consciente de sua própria imperfeição. Ela achava que ele, a qualquer momento, iria perceber que ela não valia aquele esforço todo, e a abandonaria. E Melissa percebeu que apenas esse pensamento a fazia sentir um desespero quase sufocante.
Remus se recostou ao lado dela na cama. O filme estava começando. Mas Melissa não olhava para a tela. Ela olhava para Remus.
Após algum tempo Remus notou que era observado. Ele sorriu, e falou.
- O que foi?
Melissa não respondeu nada. Ela simplesmente pulou no pescoço dele, e o beijou.
Remus não estava preparado para essa reação. Mas ele obviamente correspondeu imediatamente. Melissa se moveu na cama, e se posicionou meio por cima de Remus. O rapaz ficou ainda mais admirado com aquilo. Sempre era ele que procurava Melissa, sempre era ele que iniciava os beijos, sempre ele. Agora Melissa tinha não só tomado a iniciativa, mas como também estava fazendo as coisas evoluírem muito rapidamente.
Ele sentiu quando ela começou a puxar a blusa dele para cima. O toque dos dedos mornos dela o fez sentir um arrepio involuntário. Ela já tinha atirado longe o casaco que vestia, e continuava beijando-o como se não houvesse amanhã. E foi só aí que Remus percebeu a real intenção dela.
Ele se afastou de Melissa ligeiramente. A garota percebeu, e franziu a testa assim que abriu os olhos. Remus olhou para o rosto dela, e pode jurar que viu um enorme embaraço ali.
- Melissa, espera só um instante...
Melissa imediatamente desceu de cima dele. E sentou muito afastada dele na cama. Visivelmente constrangida.
Remus percebeu que ela estava se sentindo assim, e logo começou a explicar.
- Melissa, é que... eu não quero que você tenha uma idéia errada de mim.
Melissa franziu a testa, e continuou sem compreender. E isso a fez ficar nervosa. Então ela levantou da cama, e começou a falar ininterruptamente.
- Eu... acho que vou indo então. O filme fica para um... uma outra vez... eu...
Mas Remus levantou num pulo, e a alcançou no meio do quarto. Ele segurou a garota pelos braços, e falou.
- Ei, calma. Eu não estou dizendo que não estava gostando... na verdade adorando... o que nós estávamos fazendo. Só quero dizer que não foi para isso que eu te convidei para ficar aqui no meu quarto.
Melissa o olhou, sem entender. Ele queria dizer aquilo mesmo?
Remus então soltou os braços dela, e escorregou suas mãos até a cintura dela, e a puxou mais para perto. Ele baixou o tom e voz quando falou.
- Seria muito fácil simplesmente deixar acontecer. Não porque você tomou a iniciativa. – ele fez questão de dizer – Mas porque eu quero... muito. Mas muito mesmo, você não tem idéia...
Melissa não conseguiu controlar seus olhos. Ela os fechou instantaneamente, e sentiu Remus falando, mas baixo e mais perto de sua orelha.
- Fora que é impossível não pensar em como seria fantástico. Em como sua pele é macia, e como seria maravilhoso poder tocar a pele de seu corpo inteiro. – Melissa sentia os joelhos mais fracos a cada palavra que ele dizia. Para alguém que estava dizendo que eles não deveriam fazer sexo naquela noite, ele estava realmente se empenhando em fazê-la querer exatamente o oposto.
- Mas não é isso que eu quero. – ele falou, levando uma das mãos até os cabelos dela, e encostando seu rosto nos fios negros e macios – O que eu quero é algo muito maior. Eu não quero só o seu corpo. Eu quero... tudo.
Melissa abriu os olhos ao ouvir aquela frase. Remus pareceu ter percebido, tanto que afastou o rosto o suficiente para observar a expressão no rosto dela. E Melissa falou, com a voz falhada.
- Tudo... o que?
Remus olhou para ela diretamente nos olhos. E falou, e sua voz era deliciosamente quente e sincera. Tanto que Melissa teve que se segurar para não perder as forças.
- Corpo, alma, coração. Eu quero tudo, Melissa. Tudo.
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James saiu do quarto completamente sem rumo. Ele não sabia exatamente porque estava fazendo aquilo. Mas era mais forte que ele.
Por sorte, o corredor estava vazio, Já estava ficando tarde, e era provável que a professora tivesse desistido de sua ronda, ou então estivesse supervisionando os alunos que ainda estavam festejando na piscina do hotel.
Andando a esmo, ele só conseguia pensar na cena que tinha visto perto da Torre Eiffel. Lily abraçando Kyle Wilshire. Será que aquela visão ia persegui-lo para sempre?
James só queria esquecer que aquilo tinha acontecido. Ou melhor, queria que Lily nunca tivesse abraçado Kyle. Na verdade, ele queria mesmo era que Kyle nunca tivesse nascido.
Quando o rapaz percebeu onde estava, ele viu que estava no lobby do hotel. Estava consideravelmente mais vazio de quando eles chegaram da queima de fogos.
Ele olhou para os lados, e viu dois rapazes da Lufa-lufa, alunos do terceiro ano, rindo e indo na direção da piscina. Ele reconheceu os dois como amigos de Ted Tonks, que jogavam com ele no time da casa. Sem ter uma idéia melhor, James os seguiu vagarosamente.
Quando chegou à piscina, James notou porque os dois rapazes pareciam tão felizes. Uma enorme festa acontecia ali. Vários alunos de Hogwarts estavam misturados a hospedes do hotel. James reparou que a festa era meio que liderada por Gideon e Fabian Prewett, que colocavam músicas para tocar, e pediam drinks para todos.
Eles o viram, e acenaram. Gideon gritou, mas sua voz foi bastante abafada pelo som alto.
- James! Chega aí!
Mas James não estava com ânimo para confraternizações. Apenas acenou de volta, e ficou no mesmo lugar.
Então James percebeu que alguém o observava. Era uma garota.
Ela não estudava em Hogwarts, obviamente. Devia ter uns vinte anos de idade, tinha cabelos loiros lisos e compridos, e usava um diminuto biquíni azul. E ela sorria para ele.
James ficou observando a garota, mas sua mente estava concentrada em outra coisa.
Ele pensou em como eram as coisas antes dele conhecer Lily.
Quando era solteiro, ele nunca teve problemas com mulheres. Na verdade, ele nem precisava fazer esforço. Elas costumavam chegar perto dele para conversar.
Não que ele ficasse com todas que se aproximavam, mas certamente sua vida era mais tranqüila. Ele não se envolvia emocionalmente com nenhuma delas.
Ele se lembrou de como ria das homéricas brigas que Ellie e Sirius travavam por puro ciúme. Todas as vezes que ela o via ficando com alguma mulher, Ellie tinha uma crise. E exatamente o mesmo acontecia quando ela arranjava algum namorado, ou simplesmente ficava com outro.
Aquilo era engraçado naquela época. Mas agora ele sentia na pele o que os amigos deviam sentir.
E viu que não tinha graça nenhuma nisso.
A mulher loira, que não sabia o embate interno no qual James se encontrava, novamente o encarou, sorrindo.
James pensou em como seria fácil simplesmente chegar perto dela, e ficar com ela.
Era fácil. Muito fácil.
Mas James percebeu que ele não queria aquilo. Ele inspirou profundamente, e pensou que na verdade, ele só queria uma coisa na vida, naquele momento.
Lily.
James virou de costas para a loira, e deu de cara com uma cena que ele certamente não esperava.
Kyle Wilshire estava sentado numa espreguiçadeira. Ao lado dele, Rachel Pryce, da torcida da grifinória, falava algo no ouvido do rapaz. E James entendeu imediatamente o que a garota estava fazendo.
Ela estava consolando ele.
Rachel colocou a mão no ombro de Kyle. James sabia que eles eram do mesmo ano, e, ao que parecia, eram amigos. Ela falou novamente algo no ouvido do rapaz, passou a mão nos cabelos dele, de leve, e levantou, indo se juntar a Fabian Prewett, que a recebeu com um entusiasmo maior que o normal. James observou por um segundo a interação de Rachel e Fabian. Estava claro que ele estava interessado nela. E ela parecia corresponder o sentimento.
James se lembrou de quando conheceu Lily. E em como ele ficou interessado nela instantaneamente.
Novamente ele voltou seu rosto para Kyle. Agora ele apoiava a cabeça nas mãos, e estava visivelmente desolado. Uma garrafa long neck de cerveja, ao lado dele, denunciava que o rapaz estava bebendo.
E, naquele momento, James Potter sentiu pena de Kyle Wilshire.
James viu que Kyle sabia que não era correspondido por Lily. E então a verdade o atingiu como um raio.
Lily não estava interessada em Kyle. E o próprio Kyle sabia disso.
James imediatamente virou as costas para a festa. Saiu correndo na maior velocidade que conseguiu.
Ele tinha um enorme erro a reparar.
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- Então... – Ellie falava, recuperando o fôlego, entre as gargalhadas – Eu saí correndo o mais rápido que pude.
Sirius riu, e concordou.
- Eu lembro! Seu vestido ficou um lixo...
Ellie então inspirou profundamente, e falou, ainda sorrindo.
- Bons tempos...
Sirius concordou com a cabeça, mas não falou nada. Então ela levantou da cama, onde estava sentada, e falou.
- Mais champagne?
Sirius concordou, e estendeu a taça para Ellie. Ela colocou as duas taças em cima da penteadeira, e serviu a champagne para os dois. E falou, ainda virada de costas para ele.
- Acabou. Essas são as últimas taças.
Assim que ela virou, com as taças cheias nas mãos, viu que Sirius estava sério. Então ela perguntou.
- O que foi?
Sirius olhou para o rosto dela, e falou.
- Eu ia te beijar naquela noite.
Ellie franziu a testa, visivelmente surpresa com a frase dele. E Sirius continuou.
- No dia do seu Début. – ela ainda parecia surpresa, e ele explicou – Naquela hora que estávamos no jardim, e você estava com frio. E...
Ellie completou para ele.
- Você me emprestou o paletó do seu smoking. Eu lembro.
Os dois ficaram se olhando. E ambos lembravam-se da noite em questão. E Ellie se lembrou de como ela queria que ele a beijasse naquela noite.
Foi Sirius que desviou o olhar. Ele baixou um pouco a cabeça, e falou. Sua voz soou para Ellie exatamente como tinha soado no Baile de Natal.
- O que aconteceu com a gente?
Ellie fechou seus olhos por um instante. Podia até se refeito de champagne, mas ela simplesmente deixou escapar.
- Eu tentei, Sirius. Eu te chamei para o natal na minha casa. Você é quem não quis ir.
Então Sirius levantou o rosto. E olhou diretamente para Ellie, demonstrando uma crescente raiva.
- Eu não quis? Para que eu iria ficar naquela festa, para assistir o seu show com o Mckinnon?
Ellie franziu a testa, sem entender. E perguntou.
- Do que você está falando, Sirius?
Sirius inspirou fundo para tentar se acalmar. E respondeu.
- Eu fui à sua casa. Ia tocar a campainha quando resolvi olhar pela janela. E vi você com ele!
Ellie continuou sem entender. E perguntou.
- Viu o Mike comigo? Como assim?
Sirius perdeu a paciência. E falou bem mais alto.
- Você estava sentada no colo dele! Toda sorridente, e ele também. Não precisei ficar assistindo para saber como isso ia terminar.
Ellie então se lembrou do momento em questão. E olhou para Sirius, ainda incrédula.
- Sirius, você foi à minha casa naquele dia?
Um resmungo de Sirius foi a resposta. Ellie interpretou aquilo como um sim. E então ela começou a rir.
- Sirius, eu estava sentada no colo do Mike porque nós estávamos tirando uma foto. Só por isso. Eu levantei logo depois. Talvez, se você tivesse ficado olhando por mais alguns segundo, você teria visto exatamente isso.
Sirius ainda tinha a testa franzida, e Ellie prosseguiu.
- Quantas vezes eu vou ter que repetir que não existe absolutamente nada entre o Mike e eu? Nós somos amigos.
Ele não parecia completamente convencido. Então Ellie levantou da cama, e foi até sua mala. Procurou por um instante, e retirou um embrulho de dentro. Uma caixa retangular amarrada com uma fita.
Sirius não entendeu o que aquilo significava. Então ela explicou.
- Você não foi à minha casa no natal. Então eu pensei... bem, eu trouxe seu presente achando que poderia entregar aqui. Mas você fez tanta questão de ser desagradável comigo que eu... não entreguei. Mas ele estava debaixo da minha árvore de natal na noite do dia 24. Estava te esperando.
Ela estendeu a caixa para Sirius. O rapaz ainda tinha a testa franzida, mas parecia ser por não esperar algo como isso.
Lentamente ele desfez o laço. E abriu a caixa.
Enrolada num papel de seda estava uma camisa. Ele puxou para fora da caixa, e entreabriu a boca, espantado. Ellie sentiu seu rosto queimando quando ele a encarou, e ela começou a se justificar imediatamente.
- Eu... tinha pensado numa camisa nova do Chelsea... Mas quando vi o anúncio na internet, vi que era perfeito. Então eu participei do leilão, e me mandaram pelo correio. Como você quer jogar basquete profissionalmente, eu pensei... que você ia gostar.
Sirius olhou para o presente atentamente. Era uma camisa do Los Angeles Lakers. Sirius virou a camisa, e viu a parte de trás. O nome "Bryant" estava escrito em roxo no topo da camisa. E, logo embaixo, escrito a caneta, se encontrava uma dedicatória, com assinatura.
Sirius, boa sorte com sua carreira. Espero um dia jogar com você!
Kobe Bryant
Sirius arregalou os olhos, e Ellie continuou vermelha, e se justificando.
- É que eu sei que você é fã do Kobe... e eu entrei no leilão por causa disso. E foi por uma boa causa também, a renda era destinada à caridade...
Mas Sirius não falou nada. Olhou para a camisa por um instante, e então levantou. Foi até a própria mala, e, de dentro retirou uma pequena caixinha vermelha. Ellie franziu a testa.
Sem dizer uma palavra, ele estendeu a caixinha para a garota.
Ellie sabia a proveniência do presente antes mesmo de abrir a caixa. Ela inspirou fundo, e abriu.
Um par de brincos de brilhantes estava dentro da caixa.
Ellie entreabriu os lábios. E Sirius finalmente falou.
- Eu espero que você goste.
Ellie não tinha palavras. Aquele era o melhor e mais perfeito presente que ela já tinha ganhado na vida. Não porque eram brincos de brilhantes. Era porque Sirius, pela primeira vez na vida, tinha comprado algo que ela realmente gostou. E não só gostou. Ela simplesmente amou.
Quando recuperou a voz, Ellie falou.
- Sirius... isso é Cartier! È muito caro...
Mas Sirius não a deixou continuar. Ele simplesmente perguntou, num tom sério.
- Você gostou?
Ellie respondeu de imediato.
- Claro, mas...
Novamente ele a interrompeu.
- Então me deixa colocar em você para ver como fica.
Ele retirou os brincos da caixinha, e, de forma surpreendentemente delicada para alguém com mãos tão grandes, colocou os brincos nas orelhas dela.
Um sorriso triste percorreu sua face. E ele falou.
- Ficou linda.
Ellie olhou par Sirius nos olhos. Ela queria falar alguma coisa, mas não conseguia. Quando conseguiu forças para abrir a boca, viu o dedo de Sirius tocando levemente seus lábios, calando-a. E ele falou.
- Vem cá.
Num puxão rápido, mas delicado, Sirius a trouxe de encontro ao próprio corpo. Envolveu-a com os braços, e a beijou.
Desta vez Ellie nem fez menção de protestar.
-------------------------------------
Melissa não conseguia se mover. Remus estava acariciando seu rosto. E parecia que a beijaria a qualquer instante.
Então ela sentiu que aquele era o momento. Tomou sua decisão, e falou.
- Eu... quero conversar com você.
Ao contrário que ela esperava, Remus sorriu. E falou.
- Era exatamente o que eu estava esperando.
Melissa franziu a testa, e ele explicou.
- Chegou a hora de você me contar sobre seu passado.
Era exatamente esta a intenção da garota. Ela inspirou profundamente. E Remus a conduziu à cama.
Os dois sentaram, um de frente para o outro. Melissa abraçou os joelhos, e apoiou seu queixo neles. E Remus sentou com as pernas cruzadas, como se fosse meditar. Ele falou.
- Você quer começar, ou prefere que eu faça perguntas.
Melissa franziu a testa, e Remus resolveu que seria melhor que ela respondesse a perguntas.
- Como foi que tudo começou?
Melissa começou a buscar informações em sua mente. Ela não gostava de pensar nesse assunto, mas tinha uma intuição bizarra que, se contasse a Remus, ela podia acabar se sentindo bem. E começou a falar.
- Eu acho que foi... há pouco mais de um ano. Quando eu terminei o namoro com o George.
Remus continuou olhando, e ela explicou.
- Lembra que eu te falei sobre uma amiga que dormiu com meu namorado?
Remus acenou com a cabeça. E ela continuou.
- Eu era tão boba. Achava que ele me amava. Que não se importava em esperar. Até eu chegar a casa dele de surpresa, e o encontrar na cama com minha melhor amiga.
Remus se lembrou da foto de Melissa abraçada a Kate, a amiga traidora. Mas não disse nada, já que ela prosseguiu.
- Eu me senti tão... traída. Tão decepcionada.
Remus esticou a mão, e tocou de leve a parte de cima dos pés dela. E ela começou a falar abertamente, sem se conter.
- Eu fiquei perdida. Num dia tinha minha melhor amiga e meu namorado. No outro não tinha mais ninguém. E foi aí que eu comecei a... sair a noite.
- E conheceu o Dan. – Remus completou.
Melissa sacudiu a cabeça, confirmando. E explicou.
- No início ele parecia ser a pessoa mais compreensiva do mundo. Ele estudava na minha escola. Ele me ouvia. Me entendia. Até que ele ofereceu algo para "me fazer esquecer".
Remus concordou com a cabeça. E ela continuou.
- De uma hora para a outra, as coisas saíram do controle. E eu fiz muita besteira. Coisas que me arrependo. Até o dia que eu fui numa festa, e o Dan estava lá. Ele me ofereceu cocaína, mas eu não queria. Eu não queria mais nada, queria sair disso tudo. Isso foi depois daquele dia... que eu te conheci na boate.
Remus levantou ligeiramente as sobrancelhas. Mas ela continuou.
- Então ele me ofereceu uma bebida. Eu bebi sem pensar. Mas ele tinha colocado.
- Drogas. Igual ele fez com a Ellie na rave. – Remus completou, entendendo tudo.
Melissa confirmou, e falou.
- Só que eu não tinha ninguém para me ajudar naquele dia, como a Ellie teve. E ele veio para cima de mim. Empurrou-me para dentro de um quarto vazio. Começou a tentar arrancar a minha roupa. Eu gritei, disse não. Mas ele não parava...
Remus engoliu seco. Era pior do que ele imaginava...
- E ele... – Remus falou, com a voz baixa.
- Não. Eu consegui fugir antes. Um bêbado entrou no quarto por engano, e eu consegui me livrar dele.
Remus sentiu o alívio percorrendo seu corpo. Mas Melissa continuou.
- Então, na segunda feira, eu cheguei à escola. Tentei ao máximo evitar encontrar com ele. Eu não tinha uma boa fama na escola, todo mundo sabia que eu era louca. Mas o Dan não. Ele conhecia muita gente ali, pessoas que cobriam para ele. Naquele mesmo dia, ele chegou perto de mim, se encostando, e eu não agüentei. Eu agarrei uma cadeira, e a quebrei nas costas dele. Na frente de todo mundo... e fui expulsa por causa disso.
Remus ficou observando Melissa, que estava com a cabeça baixa. Ela parecia ter todo o peso do mundo nas costas. Ele novamente fez carinho no pé dela, e ela falou.
- Eu vou... entender... se você não quiser mais falar comigo.
Aquilo fez Remus reagir instantaneamente. Ele se aproximou dela, e falou, levantando a cabeça dela pelo queixo, para que eles se olhassem nos olhos.
- Nem pense nisso. Eu estou nessa com você. Esqueceu o que ele falou, no dia da rave?
Melissa ainda tentou argumentar.
- Mas você pode se livrar... o problema dele é comigo.
Mas Remus já estava com os dois braços em volta dela, e falou.
- Quando é que você vai entender que um problema seu é um problema meu também?
Melissa levantou a cabeça. Remus se afastou para eles se olharem. Ela parecia assustada e indefesa como nunca. Ele tocou o rosto dela, e falou.
- Eu não vou te abandonar.
Melissa nem sentiu quando começou a se aproximar dele. Os dois se beijaram de uma forma que ela nunca tinha sentido antes. Era o beijo mais cúmplice da vida dela.
Delicadamente, ele a colocou deitada na cama, ao lado dele. Novamente capturou seus lábios. E Melissa se sentiu mais protegida naquele momento que em qualquer outro momento de sua vida. Os braços dele a envolveram, e ela finalmente percebeu.
Remus Lupin não iria abandoná-la. Nunca.
----------------------------------------
James abriu a porta do quarto afoito. Ele estava ofegante. Mal conseguia respirar.
Ele avistou Lily parada, de costas, olhando a janela. E imediatamente começou a falar.
- Lily... me desculpe... por favor.
Ela continuou perto da janela. Ele fechou a porta do quarto, e só entoa percebeu como tudo ali parecia diferente.
Apenas um abajur estava aceso. A iluminação delicada ressaltava ainda mais a bela decoração do cômodo. Uma música suave e baixa tocava no ambiente. E ele reparou que Lily não estava usando a roupa que usava antes dele descer.
Ela usava um penhoar longo, branco.
E ele se aproximou, desta vez tocando o ombro da garota.
Lily virou apenas o rosto para James. E ele achou que nunca a tinha visto tão linda, em toda a sua vida. E isso o fez despejar tudo que sentia.
- Lily, me perdoa. Eu fui um idiota. Jamais deveria ter te tratado daquela forma.
Lily continuou com sua expressão impassível. Mas ela não parecia estar com raiva.
- Eu te amo. Não quero te magoar, nunca. Eu só fiquei com ciúme, mas isso não é culpa sua. É só minha.
Lily continuava em silêncio. Até que James falou, desesperado.
- Por favor, diz alguma coisa...
Lily então virou seu corpo inteiro para James, e falou, com uma voz tranqüila.
- Eu também te amo, James.
James sentiu um enorme alívio. E a abraçou imediatamente.
Os dois ficaram abraçados por longos minutos. Até que Lily se afastou ligeiramente. James a observou. Ela levou sua mão até a faixa que amarrava o penhoar, e a puxou lentamente.
James abriu a boca de surpresa. Assim que o penhoar abriu, ele viu que Lily estava usando apenas lingerie. Ela usava um conjunto de calcinha e sutiã pérola, rendando e delicado. James balbuciou palavras sem sentido. E Lily sorriu.
Ela se aproximou lentamente, e o beijou com suavidade nos lábios. Então James se recuperou parcialmente, e falou.
- Lily, nós não precisamos... fazer nada.
Mas Lily riu levemente, e respondeu.
- Ah, precisamos sim!
Novamente James ficou sem palavras. Ele demorou alguns segundos para corresponder o beijo de Lily. Mas, assim que percebeu que ela estava falando sério, reagiu.
Os beijos, no instante seguinte, se tornaram muito mais intensos. James sentia como se estivesse inebriado por aquele momento.
Ele finalmente tocou o corpo dela. Abraçou-a pela cintura, e a puxou para perto. Ele ouviu Lily fazendo um sonzinho de prazer, e isso o deixou doido.
James nem percebeu, mas a puxou para a cama imediatamente. Ela se livrou do penhoar, e James não resistiu. Interrompeu os beijos para vê-la vestida só com calcinha e sutiã.
- Você é a mulher mais linda do mundo. – ele falou, entre os beijos.
Lily sentiu uma satisfação ainda maior quando reparou que ele se referiu a ela como mulher, e não como garota.
James se livrou de suas roupas rapidamente. Num instante, ele estava só de cueca. Foi nesse instante que ele diminuiu o ritmo de tudo, e a olhou nos olhos.
- Eu te amo, Lily.
Lily sorriu, e respondeu.
- Eu também te amo, James.
Ele a beijou de forma delicada. E começou a beijar lentamente seu pescoço. Depois desceu para o colo, e desabotoou o sutiã.
Ele ficou alguns segundos apenas olhando para Lily, Ela não conseguiu evitar o leve rubor em sua face. James sorriu, e prosseguiu.
Lentamente, como se tivesse todo o tempo do mundo, James beijou todo o corpo dela. E intercalava os beijos com toques delicados.
Após longos minutos dessa deliciosa tortura, James voltou a deitar pó cima dela. Retirou delicadamente os cabelos dos olhos de Lily, e a beijou nos lábios.
E Lily sorriu, sabendo que aquela seria a noite mais inesquecível de sua vida.
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Não muito distante dali, num outro quarto, o clima era bem diferente. Apesar de estarem fazendo quase a mesma coisa que Lily e James, Sirius e Ellie o faziam de forma muito mais intensa.
Ellie não tinha idéia de como tinha ido parar em cima da penteadeira. Sirius estava encaixado entre suas pernas, e a beijava como se não houvesse amanhã. A única coisa que os separava era sua fina camisola de renda.
Sirius agarrou os quadris de Ellie, e ela jogou a cabeça para trás. Ele beijava o pescoço dela, mordia, e ouvia os suspiros dela. Sem conseguir se contar mais, ele simplesmente rasgou metade da camisola dela, na tentativa de se livrar logo daquele tecido que atrapalhava sua passagem.
Mas Ellie nem notou. Ela deitou na penteadeira, e ajudou Sirius a se livrar do restante do tecido, e de sua calcinha. Ele mesmo re livrou de sua calça e cueca, e voltou a ficar agarrado em Ellie.
Ellie só sentiu a boca de Sirius beijando sua barriga, e descendo cada vez mais. Não conseguiu contar a palavra que escapou de seus lábios, como um gemido.
- Sirius...
Sirius interpretou aquele gemido com um sinal verde. Ele a pegou pelos quadris, e a levou para a cama. Assim que a colocou deitada, subiu em cima dela. Ele a sentiu agarrando seus cabelos, e o puxando para perto.
Se fosse capaz de um pensamento coeso naquele momento, Sirius Black teria pensado que jamais imaginaria como sua noite de réveillon fosse terminar daquela forma.
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Londres. Dia 1 de janeiro de 2008.
Em uma enorme mansão, tão antiga quando a família que a possuía, um rapaz alto, magro e de cabelos loiríssimos caminhava perdido pela casa. Ele não tinha absolutamente nada para fazer naquele momento.
O tédio já estava tomando conta dele, quando ele ouviu a campainha soando. Logicamente um dos vários empregados iria atender a porta. Mas, por curiosidade, ele foi caminhando até o enorme hall de entrada.
Quando chegou lá, viu várias malas no chão. Um empregado as estava recolhendo, e se encaminhava para a escada.
O rapaz, Lucius Malfoy, franziu a testa. Ele andou um pouco mais, e finalmente conseguiu avistar a pessoa que tinha chegado.
Uma garota loira, baixinha e magra estava parada na porta. Ela tinha cabelos loiros quase brancos, longos e lisos. Usava roupas de inverno, mas combinando perfeitamente. Lucius a olhou com espanto.
- Lara? O que você está fazendo aqui?
Mas a garota sorriu, e apenas falou.
- O que foi, Lucius? Ficou mal educado agora? Não vai abraçar sua irmã, não?
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Músicas do capítulo:
Put your money where your mouth is – Jet
Are you gonna be my girl – Jet
New year's day – U2
Scandalous – Mis-Teeq
Finalmente o fim! Espero que tenham gostado, e me mandem muitas reviews!!!
Beijinhos
Pri.
