Música para o post: I walk beside you – Dream Theater
Meu coração começou a partir-se novamente no instante em que Edward disse que precisávamos conversar. O medo de talvez ser tarde demais para fazê-lo ficar ao meu lado me consumiu e com isso comecei a falar – quase gritar – tudo o que vinha em minha cabeça.
O alívio tomou conta do meu ser quando ele soltou uma risadinha – ele pensa que não percebi – e disse apenas que iríamos nos mudar. Mudar... Parece que a vida como eu conhecia estava mudando também. Pensei que ficaria triste pela notícia, no entanto senti um alívio. Forks, apesar de ter se tornado meu lar – antes dos Cullens irem embora – acabou por se transformar no meu pior pesadelo. Muitas lembranças, muitas coisas ruins... Nada como uma boa mudança de ares, não é mesmo?
Deitada em seu peito com minhas mãos apoiadas sob meu queixo e olhando em seus serenos olhos dourados, eu não tinha medo de nada. Estava quase completa, mas algo estava faltando.
- Edward... o que vai acontecer com Charlie? – perguntei erguendo um pouco a cabeça.
- Bella, - disse me dando um sorriso – seu pai virá conosco também, contudo, precisamos simular um velório para ele. Acho que você entende o motivo, certo? – acariciou meu cabelo bagunçado.
- Sim, eu entendo. Quando partiremos e para onde? – perguntei entusiasmada.
- Em menos de uma semana e o velório acontecerá amanhã. Vamos passar um tempo no Alaska com outra família de vampiros que seguem a nossa filosofia de vida, os Denali. No momento estarão presentes somente Irina e Tânya. – falou receoso e fingi não perceber.
- Você as conhece? – perguntei querendo desvendar o olhar distante que tomou conta de seus olhos. Olhou para mim, hesitou antes de responder.
- Sim, eu as conheço. Irina é uma ótima pessoa e Tânya... – respirou fundo. – Tânya há muito tempo atrás tentou ser para mim o que Alice é para Jasper, mas sempre deixei bem claro que não sentia o mesmo que ela. – encarou o teto como se ponderasse o que deveria me falar ou não.
- E o que mais? Ed, você sabe que pode me falar as coisas... – disse acariciando seu rosto com uma de minhas mãos.
- Bom, a última vez em que a vi foi aquela vez em que desapareci de Forks durante uns dias, logo quando você chegou. Estava tão desesperado pelo seu sangue que resolvi fugir. Corri sem parar por sequer um segundo e logo cheguei à casa dos Denali. Pensei que durante todo o tempo que tinha passado Tânya já teria me esquecido... mas não tinha. Tentou se jogar para cima de mim, mas eu já tinha outra pessoa em minha mente... – olhou em minha direção. – Você, Isabella. – senti um frio percorrer minha coluna.
Rastejei meu corpo sobre o seu até alcançar sua doce e suave boca. Minha língua passou brincalhona pelo seu lábio inferior e ao mesmo tempo um gemido saiu por sua boca, juntamente com sua respiração de rendição. O hálito da boca dele era como uma droga que intoxicava minha sanidade mental, por completo.
Seu abraço de resposta me aproximou ainda mais de seu corpo e senti que ele já estava pronto. Aprofundei nosso beijo e em poucos segundos sua língua penetrava a minha boca, brigando por dominância. Acho que um maravilhoso sexo e excelente beijo deve ser algo natural para os vampiros também. Pensei, agradecendo por ele não conseguir ler meus pensamentos.
Edward virou nossos corpos e posicionou o seu sobre o meu. Seus lábios deixaram meu pescoço e foram diretamente para o meu pescoço. Vã expectativa ferveu em meu sangue e meus batimentos aceleraram. Percebendo, moveu seus lábios do meu pescoço para meu queixo. Começou a tirar a camisola que hora me cobria e com beijos cobriu meus seios, minha cintura e então meu estômago roncou.
Com as bochechas vermelhas de tanto embaraço, o encarei. Edward se contorcia de tanto rir e por um instante ele parecia irmão gêmeo de Emmett. Ao se acalmar, percebeu que tinha sido o único a achar engraçado toda aquela situção. Levantou-se da cama e me deu sua mão.
- Vamos vida. Tenho que alimentar esse leão dentro de você. – piscou e me puxou de uma só vez. Antes que eu pudesse protestar, selou nos lábios com um profundo beijo.
*
*
Enquanto Edward e restanto dos Cullens foram ao velório de Charlie, achei melhor permanecer na mansão. O crepúsculo já se aproximava e eu me encontrava na varanda observando o horizonte, perdida em pensamentos. A dor que a falta de drogas me causava tinha amenizado, apesar de sempre dar sinal de vida quando me encontrava sozinha.
- Quando a senhorita pretendia me falar que seu namorado é um vampiro? – Dei um pulo devido ao susto e, quando me virei, Charlie estava bem à minha frente.
- Char-, quero dizer pai! – disse me afastando. – Vo-você n-não deveria estar no caixão?? – me senti idiota ao fazer a última pergunta. Meu coração estava a mil por hora; um recém vampiro – ainda que meu pai – estava perto e eu sozinha.
- Calma filha, seu sangue não me interessa nenhum pouco... estranho, não? – falou parado no mesmo lugar com medo de me assustar ainda mais.
- C-como assim pai? – perguntei tentando me aproximar aos poucos.
- Deve ser o meu dom, sei lá, ser imune ao cheiro de sangue. Desde que acordei assim, não senti vontade nenhuma te sair sugando o sangue das pessoas. Claro, estava com fome, mas era perfeitamente controlável. Dr. Carlisle fez alguns testes e acredito que ele também está convencido de seja esse meu "poder". – disse olhando para mim sem desviar um momento sequer.
- Então... quer dizer que posso te abraçar? Senti tanta a falta de fazer isso... – meus olhos enchiam de lágrimas e meu corpo começava a tremer.
- Claro que pode filha. – numa velocidade que me assustou, se aproximou de mim e meu deu um abraço apertado demais.
- Pai, você está me sufocando... – disse ao sentir seu corpo duro me esmagando.
- Desculpe filha, ainda tenho que me acostumar com muita coisa. Mas mudando de assunto, como você está? Por um momento Dr. Carlisle pensou em internar você por causa das drogas. Fiquei tão preocupado e me sentia tão inútil por não poder te ajudar... – disse com emoção evidente em seu rosto.
- Pai, tudo o que eu fiz foi para poder te ajudar... As drogas foram apenas consequência dessa vidinha que eu tava levando... Mas acho que estou melhorando, a dor já não é mais tão intensa. – disse indo me sentar na escada de entrada da casa; Charlie logo fez o mesmo.
- Eu sei filha, mas é que eu sinceramente não queria que isso tivesse acontecido com você. Ainda tentei conversar com você, mas de nada adiantava. Acho que se não fosse pelo Edward... – ele levantou seu olhar de encontro ao meu. – Aquele rapaz te ama verdadeiramente, sabia disso? A forma como ele fala de você pra mim é indescritível. – um pequeno sorriso formou-se em seus lábios; minhas bochechas ficaram vermelhas.
- É eu sei... Só de aguentar todas as besteiras que faço e ainda assim continuar ao meu lado já é uma grande prova disso... – olhei para o além.
- Mas...? – ele me entendia tão bem.
- Ele não quer me transformar, pai... E eu não consigo entender o porquê. É uma decisão minha, algo que eu quero mais do que tudo. E também não é como se eu fosse deixar muitas coisas para trás e você sabe disso. – falei com tristeza na voz.
- Ele quer filha, mas não quer fazê-lo nessas circunstâncias. E tenho certeza de que ele pensar ser o último ato de egoísmo, terminar com sua vida assim. Porque é o que ele mais quer nesse mundo, não ter que sempre tomar cuidado para não te machucar, não resistir ao seu sangue. – essa última palavra eriçou os pelos do meu braço e inconscientemente comecei a me levantar, muito embora soubesse que se ele resolvesse me atacar ali não adiantaria de nada fugir.
- Bella, já lhe disse que não sinto vontade de beber seu sangue. Relaxe e sente-se, além do que, já estou alimentado. – segurou uma risada.
- Nunca pensei que falaria sobre vampiros com meu pai... – relaxou novamente.
- Mas então, pronta para a mudança? Se quiser podemos arrumar uma forma de continuarmos aqui querida. Estarei sempre ao seu lado. – disse me envolvendo em um abraço.
- Eu quero ir embora de Forks pai, não importa aonde iremos contanto que eu saia dessa cidade. Muitas lembranças boas, mas as ruins as sobrepõem. Entende? – perguntei olhando para seus olhos dourados.
- Sim, entendo. – levantou a cabeça e respirou fundo. – Os Cullens já estão voltando.
- Será que seria melhor eu entrar?
- Não tem motivos para isso. Eles sabem muito bem que você é a minha filha e que não importa o que aconteça, eu cuidarei de você. – deu um beijo em minha testa.
N/B: E aí, como foram de Ano Novo???? Gostaram do primeiro cap de 2010? Eu AMEI!
Caraca... achei esse cap tão.... Lindo!
Charlie e Bella conversando foi TUDO! Fora que eu estava ansiosérrima pra esse cap ser postado e morreeeeeendo de saudades da minha amiga linda! Rachel, você faz mta falta mulher!
Achei muito linda a conversa entre pai e filha... E Edward contando pra Bella do "interesse inalterado pelo tempo" de Tânya???? Acho que não tem um ser vivo que vá com a cara dessa loira bendita! Aff, algo me diz que aqui vamos odiar ela tbm!
Enfim, saudades dessa fic que amo de paixão! Saudades da Rachel! Saudades de vocês leitoras e leitores! E saudades dos Reviews de vocês!!! Olha lá, hein?! Rach ficou bastante tempo fora, deve ter tido muitas idéias pra gente durante a viagem, então vamos dar as boas vindas direito! Coloquem os dedinhos pra funcionar, ok?!
Mil beijos, meus lindos e minhas lindas, até a próxima!
Fer!
=D
