Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas as Valkirias e Amélia são uma criação única e exclusiva minha para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 25: A Um Passo do Conselho - Parte 1.
I -O Prólogo de Anyra.
Nos primórdios da humanidade, no lar dos deuses nórdicos, uma força muito intensa foi criada, porém devido à ignorância de divindades e mortais tal força fora convertida para o mal levando a queda da Era dos deuses. Esse mal recebera o nome de Andivari, o Anel de Andivari. Ou melhor, o anel dos Nibelungos, forjado por um anão ambicioso que abdicou de seu amor pelas ninfas do Reno e forjou o símbolo da destruição do reino dos deuses.
Alberich perdera seu precioso anel para Odin e Loki, de forma cruel, porém merecida. Subjugara seus iguais de forma perversa, escravizando sua própria raça ao seu bel prazer. Ao entregar a Odin o anel, lançara-lhe uma maldição.
-'Que seja feita a desgraça a todo aquele que a este anel possuir, por mais ouro que venha a ter nada lhe satisfará e essa ambição lhe levara a ruína'; assim ele disse.
Ignorando os avisos de Gerda, amante fiel e Deusa da Terra. Odin relutou em salvar a vida de Idun entregando a Fafner e Fazol o anel como paga de seu resgate. Como ultimo apelo de Frigga a Senhora dos Deuses, Odin lhes entregou o anel.
O efeito da discórdia fora imediato, espadas e machados, uma luta entre irmãos e um deles caiu morto para que outro se sagrasse dono absoluto do anel, porém por quanto tempo?
Fafner, arrogante, mesquinho e ambicioso. Abusando os poderes de mutação oferecidos pelo anel mágico tornou-se um dragão e no mais profundo das montanhas de Muspell foi repousar.
Vilas e mais vilas foram destruídas pelo dragão cruel que lhes atacava em busca de ouro, mais e mais ouro. Vivendo num ciclo sem fim.
Gerda prevendo que a continuidade desse ciclo de mortes, traições e energias ruins faria com que o relógio corresse contra os deuses, reuniu as Parcas: Urs, Skuld e Beldandy para algo realmente ousado.
Em um freixo a forjaram para ser viril e insubjugável. De água e gelo construiriam sua armadura, em meio às chamas de Loki fez-se à luz que lhe daria vida.
Um poder supremo nasceu no ventre da terra, porém tão forte que nem mesmo Gerda era capaz de controla-lo. Odin sabendo de tal intervenção da amante proibiu que essa força fosse despertada e viesse a destruir os deuses e não ajuda-los. Mandou que as Parcas re-fiassem o destino daquele ser.
Que somente viria a despertar nesse mundo quando a chama do próprio Loki viesse a se extinguir, sendo tão frágil quando os mortais, que já davam sinais de multiplicarem-se na terra dos deuses, porém com um tempo mais longo de vida, podendo assim viver entre eles, aprendendo e evoluindo.
A ela foi dado o nome de Anyra e quando uma nova batalha iniciou-se, mil anos depois ela tornou-se a décima primeira...
...A Décima Primeira Valkiria...
II - Recuperação e Lembranças.
Santuário...
Abriu os olhos, espreguiçando-se manhosamente. Era estranho como a momentos atrás sentiu o corpo inteiro dolorido, provavelmente as garotas haviam feito alguma coisa para melhorar aquilo rápido; ele pensou, levantando-se da cama.
Franziu o cenho ao ver Ilyria sentada em uma poltrona na outra extremidade do cômodo, dormindo de maneira desconfortável. Olhou para os lados, não tinha mais ninguém ali.
Retirou o lençol que cobria-lhe a cintura para se levantar, mas rapidamente colocou-o de volta. Lembrando-se que estava apenas com uma toalha na cintura antes de desmaiar. Levantou-se sem fazer barulho algum, aproximando-se da cômoda e rapidamente pegando as roupas que havia deixado ali em cima, indo para o banheiro.
Era melhor se trocar logo, antes que o mestre lhe acusasse de atentado ao pudor generalizado.
Mal vestiu a calça, parou diante do espelho vendo uma sombra a suas costas. Virou-se de lado, puxando os longos cabelos para frente, havia uma sombra esverdeada disforme em suas costas.
Será que a queda fora tão forte para deixar um hematoma daquele tamanho? -ele se perguntou, lembrando-se que Ilyria falara algo sobre ter caído com o desmaio por isso a dor nas costas.
Forçou os olhos a tentarem identificar o que estava ali, mas era impossível e no momento seguinte a mancha simplesmente desapareceu.
-Mú;
Sentiu o corpo estremecer e os pêlos do braço se eriçarem, ao ouvir uma voz escoar em sua mente. A única pessoa que conversava consigo dessa forma normalmente era Medeia, mas já fazia um bom tempo que não a ouvia, porém essa não era a voz dela.
-Mú;
Engoliu em seco olhando para todos os lados, mas nada, estava sozinho no banheiro. Então de quem era aquela voz?
-Lembre-se;
-Do que? -o cavaleiro se perguntou confuso, sentiu uma onda de vertigem, provavelmente ainda não estava completamente recuperado da 'desidratação', encostou-se na parede fria, respirando pesadamente.
-Lembrança-
Os olhos grandes e verdes do menino corriam por todo o local com extrema curiosidade, querendo gravar no mais fundo de sua mente o que via ali, talvez nunca mais pudesse vislumbrar um lugar como aqueles.
Os passinhos pequenos eram dados no chão de mármore branco, enquanto sua mão era envolta por dedos delicados que o guiavam pelos corredores daquele lugar, provavelmente um palácio, mas quem viveria ali? -a criança se perguntou, erguendo a cabeça, encontrou o sorriso límpido de uma bela mulher.
Os cabelos eram iguais aos seus, porém mais cumpridos. Eram de um lilás suave, sua pele era alva, os orbes também verdes e ela tinha cheiro de lavanda; o menino pensou, vendo que a única diferença entre eles era que ela não tinha duas marquinhas redondas na testa.
-Venha Mú; ela falou sorrindo, guiando-o pelos corredores que pareciam mais um labirinto. -Vamos ficar aqui por um tempo criança; a voz dela era suave e delicada, que soava como poesia a seus ouvidos.
-...; Assentiu com um olhar tímido, enquanto paravam em frente a uma porta.
Franziu o cenho ao ver entalhado no mogno da porta dois símbolos, desfez-se das mãos da mulher e aproximou-se, curioso.
Os passos eram pequenos e hesitantes, os cabelos lilases caiam até seu ombro, curtos e repicados, as mãozinhas tocaram a porta tentando entender o que aqueles símbolos queriam dizer.
-Calma criança, um dia você vai entender; ela falou sorrindo, enquanto tocava os símbolos e uma energia muito poderosa se manifestava, que embora ainda fosse uma criança, conseguia sentir aquilo perfeitamente.
A porta abriu-se, viu-se diante de um quarto amplo, uma cama grande de casal e mais ao fundo do quarto, um berço de neném, com um móbile de cristais de gelo, representando águias, falcões e tigres... O que mais lhe chamou a atenção, foi o tigre, que parecia inteiro transparente, mas no lugar dos olhos, haviam dois diamantes azuis extremamente delicados.
-Venha; ela falou, segurando sua mão e guiando-o para dentro.
-Fim da Lembrança-
Piscou seguidas vezes, tentando entender de onde vinha aquela lembrança. Não fazia a mínima idéia de que lugar era aquele, mas sabia que era frio. Sentia que naquele dia nevara muito, por isso tiveram de ficar lá, naquele palácio, mas não conseguia se lembrar de tê-la ouvido falar, a quem pertencia.
Mas o que mais lhe chamou a atenção foi à semelhança que existia entre eles. Não sabia quem era ela, mas sentia uma cosmo energia muito poderosa emanada dela, era terna e acolhedora também.
-Quem é ela? -Mú se perguntou confuso, respirando pesadamente, sentindo a cabeça começar a latejar devido ao esforço que sua mente fazia ao tentar desenterrar aquelas lembranças.
-Mú; Ilyria chamou, batendo fortemente na porta.
-Já vou; ele respondeu, terminando rapidamente de se vestir.
-Céus, quer me matar do coração é? -a jovem perguntou, visivelmente aliviada ao vê-lo bem.
-Me desculpe; o cavaleiro respondeu, sentando-se na cama, tentando alinhas os cabelos. Por um momento parou, observando atentamente os fios, poderia jurar que viu uma mecha esverdeada ali. Balançou a cabeça levemente para os lados, deveria ser coisa da sua imaginação; ele tentou se convencer.
-Como se sente? -Ilyria perguntou, um tanto quanto incerta.
-Estou bem, é estranho, mas estou melhor do que antes, pode-se dizer; Mú respondeu, com um olhar confuso. Ainda pensando naquilo que praticamente sonhara.
-MESTRE; eles ouviram Celina gritar, invadindo o quarto.
-O que aconteceu? -Ilyria perguntou surpresa, para no momento seguinte ver a filha jogar-se sobre o cavaleiro chorando.
-Calma; ele sussurrou, abraçando-a. Sentiu a jovem agarrar-se em suas vestes, soluçando. Ainda não sabia o que havia acontecido, mas sentia que ela estava preocupada.
-Desculpa; Celina num sussurro, tentando conter as lágrimas.
-Pelo que? -o cavaleiro perguntou surpreso.
-Foi culpa minha, se eu não ficasse me excedendo nos treinos, você não ficaria mal; ela respondeu chorosa.
Arregalou os olhos surpresa ao ouvir o que a filha falara, Celina normalmente era mais racional e menos sentimental, mas pela primeira vez, via um lado frágil da filha, que não reparara antes. O que provava que poderiam passar anos e nunca a conheceria completamente.
-Não foi, fique tranqüila; Mú falou, afagando-lhe os cabelos.
-Mas...;
-Agora não sei lhe explicar o que é, mas acredite, não foi culpa sua; ele falou num sussurro, para que somente ela ouvisse.
A jovem assentiu, um tanto quanto confusa, mas sabia que quando chegasse à hora certa, o mestre lhe daria as respostas.
-Agora vai colocar uma roupa de frio e fazer as malas; o cavaleiro falou, puxando-a consigo, para se levantar.
-Como? -Ilyria perguntou surpresa. Ele mal se recuperava e queria sair?
-Duas mudas de roupa para frio; Mú completou.
-Aonde vamos, mestre? -Celina perguntou, confusa.
-Depois conversamos sobre isso, mas vai lá, enquanto resolvo algumas coisas com a sua mãe; ele falou, com um olhar sereno.
-...; Celina assentiu, despedindo-se da mãe com um aceno e indo para o seu quarto.
-Mú o que pretende, mal se recuperou e quer sair; Ilyria exasperou.
-Não se preocupe, já tinha planejado isso antes de desmaiar; o cavaleiro falou, pacientemente.
-Para onde vai? -ela perguntou, curiosa.
-Dublin; ele respondeu, vendo-a arquear a sobrancelha. -O que foi?
-O que você vai fazer em Dublin? -Ilyria perguntou, começando a contar as possibilidades dele estar indo para matar o geminiano, ou só para conversar. Mas se bem que se fosse qualquer uma das opções, ele iria economizar na passagem, porque Kanon já estava de volta.
-Bem...; Mú começou, mas parou ouvindo uma voz conhecida.
-Da licença; a voz do geminiano ecoou no templo, chamando a atenção dos dois.
-Essa voz é do Kanon? -o ariano perguntou, apontando para a porta e momentos depois o cavaleiro estava ali.
-Mú; Kanon falou, hesitante.
-O que você esta fazendo aqui? -Mú perguntou a queima roupa, mas parou vendo-o arquear a sobrancelha. -Quero dizer, pensei que estivesse na Irlanda; ele corrigiu-se rapidamente.
-Her! Cheguei há dois dias; Kanon respondeu, com um sorriso nervoso.
-Chegou há dois dias; Mú repetiu consigo mesmo, analisando as possibilidades de que perdera uma boa oportunidade de tirar algumas férias, com a desculpa de fazer aqueles dois se acertarem de uma vez. -Ahn! Quanto tempo vai ficar no santuário? -ele perguntou, como quem não quer nada.
-Definitivamente; o geminiano respondeu, sentindo uma gotinha escorrer em sua testa.
-Com licença; ele falou, passando pelo cavaleiro, saindo no corredor do templo, sob o olhar confuso dele e Ilyria. Bateu na porta do quarto de Celina, esperando-a responder.
-Sim?
-Mudança de planos Celina, depois falamos sobre isso; Mú avisou, antes de voltar-se para o geminiano. -Vamos conversar... Seriamente;
-...; Kanon assentiu, engolindo em seco, quando ele dava aquele olhar, sabia que vinha bomba pela frente.
-Ahn! Mú, você ta passando bem mesmo? -Ilyria perguntou, surpresa pela agitação repentina do cavaleiro.
-Ótimo, melhor impossível; o ariano respondeu, sentindo-se cada vez mais agitado, aquelas lembranças estavam povoando sua mente a cada segundo, como se aos poucos estivessem o forçando a lembrar-se de algo realmente importante e que não deveria ter sido esquecido.
-Se você diz; Ilyria falou, ainda desconfiada.
-Bem, vim saber como você estava, mas já que esta bem eu já vou indo; Kanon falou, com um sorriso nervoso.
-Nem pense nisso; Mú falou, com um sorriso que passaria muito bem por diabólico. -Vamos conversar, agora; ele completou, puxando o cavaleiro pelo braço até o segundo andar do templo, onde havia uma biblioteca. -Até depois Ilyria;
-Até; ela respondeu, ainda tentando entender o que estava acontecendo.
-Mãe, que cara é essa? -Celina perguntou, abrindo a porta do quarto e encontrando a mãe ali parada.
-É, tem coisas que nem Freud explica; a amazona murmurou, balançando a cabeça levemente para os lados.
-Uhn? -ela murmurou, confusa.
-Esquece; Ilyria murmurou.
III - Retaliação.
Apertou a sacola que tinha em mãos, com mais força. Hilda pedira que levasse aquelas roupas para a jovem de melenas prateadas que estava no quarto de Mime, ainda se perguntava quem era ela realmente, mas nem mesmo a princesa soubera lhe revelar com exatidão sua identidade.
Subiu as escadas com pressa, querendo resolver isso logo e saber como Alana estava, já que a senhora se prontificara de ficar com a garota enquanto tivesse outras coisas a fazer.
Mal se aproximou do quarto do cavaleiro, viu de soslaio uma porta abrir-se e ser rapidamente puxada para dentro de outro quarto.
-Mas o q-...; Ela parou, com os orbes arregalados, sentindo as costas prensadas contra a parede e a porta fechar-se.
-Vamos conversar; o cavaleiro de orbes violeta falou, com a boca a milímetros da sua, tirando-lhe um baixo gemido de dor dos lábios ao segurar-lhe com força um dos braços.
-Não temos nada para conversar Loki; Anieri falou, querendo se afastar, porém devido à posição que estavam, ele conseguia manter a porta fechada com uma das mãos apoiadas nela.
-Temos sim e estou farto dos seus joguinhos; ele falou, em tom perigoso de voz.
A verdade é que por mais que tentasse entender, não conseguia chegar a um consenso que lhe desse a resposta para: Quem era a garota de cabelos prateados e qual a influencia dela sobre a princesa? Ouvira uns rumores entre algumas das Valkirias, de que fora a jovem a pedir que um conselho fosse marcado.
Não era possível que as Valkirias fossem se revelar no conselho, não que isso fosse ruim, mas para quem estava temendo tanto se revelar, porém a verdade era um pouco pior, pelo menos para si, não queria perder a única oportunidade que tinha de se aproximar da jovem de melenas verdes, mesmo que de alguma forma ela e Mime estivesse mais próximos. Deixando-o ainda mais perturbado por não saber que nível isso estava.
-O único que faz jogos aqui é você Loki; Anieri rebateu, nem um pouco incomodada com o olhar envenenado dele. -Agora, se você não tem outras coisas para fazer, eu tenho;
-Você não vai a lugar algum; Loki falou em tom perigoso. -Não, enquanto não me disser o que aquela garota esta tramando e quem é ela?
-ME DEIXA EM PAZ; Anieri vociferou, dando-lhe um chute certeiro nos países baixo, emburrando-o para longe de si.
-EU TE MATO; ele vociferou, sentindo todos os músculos do corpo tenso e a respiração falhar.
Abriu a porta rapidamente, mas estancou ao ver que estava passando por ali.
-o-o-o-o-
Sentiu o cosmo da jovem se manifestar e rapidamente despediu-se de Thor, com quem conversava e dirigiu-se para seu quarto, sabendo que certamente a encontraria lá.
Ouviu vozes alteradas e o que mais lhe chamou a atenção foi que entre elas, estava a de Anieri, mal chegara no corredor e viu a porta do quarto de Loki abrir-se e a jovem sair de lá, estancando no meio do caminho com uma expressão assustada.
-EU TE MATO; Ouviu o cavaleiro falar de dentro do quarto.
-Anieri, vá ver como Amélia esta, por favor; Mime pediu, num tom pausado de voz, chamando a atenção da jovem.
-Mas...; Ela falou, num sussurro tremulo.
-Vá; ele completou, vendo Loki surgir na porta e o que mais lhe perturbou foi o que viu no braço da jovem, mas seus problemas com aquele ordinário, iriam resolver de uma vez por todas.
Rapidamente a jovem saiu dali, indo até o quarto, embora tenha hesitado um pouco antes de entrar.
-Saia da frente Mime; Loki mandou, fitando-o com um olhar envenenado.
-Ou o que? -o cavaleiro desafiou.
-Oras, seu...; Ele vociferou, erguendo o punho para atingi-lo, porém uma mão delicada, porém forte, fechou-se sobre a sua, colocando-se entre ele e Mime.
-Faz tempo que eu não bato em alguém pra valer e você não sabe como estou doida para tirar o atraso; Amélia falou, com a voz fria, porém numa promessa velada de morte lenda e dolorosa.
-Amélia; Mime falou surpreso.
-Então, sinta-se privilegiado; ela completou, fitando-o com desdém.
-O que uma garota fraca como você pode fazer contra mim? -Loki desafiou, mas rapidamente arrependeu-se do que havia falado.
A força empregada em apenas um soco da jovem, que ele mal pode ver, muito menos pensar em se esquivar, jogou-o para dentro do quarto, fazendo com que os vidros da janela principal se quebrassem e ele fosse lançado para fora, numa queda livre de dois andares.
-Nossa; Shido e Bado falaram ao mesmo tempo, arregalando os olhos ao chegarem juntos ao segundo andar e surpreenderem-se com o que viram.
-Eu realmente detesto esse idiota pretensioso; a jovem de melenas prateadas falou, passando calmamente por eles e indo para fora. Ainda não havia acabado com aquele idiota.
-Mime, de onde você a desenterrou? -Bado perguntou, interessado.
-Mais respeito idiota; o cavaleiro falou, fitando-o com um olhar envenenado.
-o-o-o-o-
Sentia suas forças revigoras e o que vira lhe deixara muito irritada. Mas muito irritada mesmo. Viu Anieri abrir a porta com uma expressão assustada e uma marca roxa em seu braço.
As vozes alteradas de Mime e Loki chegaram a seus ouvidos apurados, que quando viu já estava fora do quarto, deixando seus instintos aflorarem e a vontade de socar alguém vir à tona.
Aproximou-se com um olhar felino, vendo-o levantar-se com dificuldade em meio à neve, afinal, uma queda de dois andares não era brincadeira, porém quase sorriu com isso, ele era bom para levantar a mão para uma garota, mas quando a situação se invertia, não passava de um verme frágil que tremia ao ver-se diante de seu fim.
Mas faria pior, acabar com aquele idiota seria um premio bônus de consolação que ele definitivamente não merecia, esperaria para fazer isso no conselho, ai, não haveria ego ou brio a resistir aos ataques bombásticos que estava reservado para cada um dos partidários de Durval.
Sua retaliação não resumia-se a uma vingança amadora. Como dizia Alberich, a arte da guerra não era para amadores e a inteligência privilegiada, característica memorável da família, era genético, para a desgraça alheia.
-Quem você pensa que é? -Loki desafiou, tentando não se intimidar pela presença da jovem e o cosmo opressor que sobrepujava o seu.
-Seu pior pesadelo; Amélia falou, elevando seu cosmo de tal forma que os orbes azuis tornaram-se mais intensos e uma luz prateada brilhou em suas costas, fazendo surgir ali à imagem de um tigre branco.
Crispou as garras, apenas um movimento, por mais delicado que fosse, iria retalha-lo.
-Amélia; a voz de Alberich lhe chamou a atenção, enquanto o cavaleiro se aproximava correndo com Aldrey.
Loki levantou-se com dificuldade, passando as costas da mão no canto da boca, tirando um fino filete de sangue.
-Você teve sorte dessa vez, mas acredite, você ainda vai preferir ter sido retalhado hoje; a jovem avisou, fitando-o com um olhar envenenado.
-O que esta acontecendo aqui? -Alberich perguntou, vendo Loki voltar para o palácio, caminhando com dificuldade, sem responder ao aviso.
-Nada demais, estava apenas fazendo aquecimento; Amélia respondeu, com um sorriso sádico, característica indispensável da família.
-Amélia, você esta bem? -Aldrey perguntou, surpresa com a rápida recuperação da jovem.
-Melhor impossível; a jovem respondeu, vendo o olhar curioso de Alberich sobre si. -O que foi?
-Nada, mas...; Ele parou, apontando para os vidros quebrados de uma janela no segundo andar. -Aquecimento?
-O que posso fazer se sou eclética e gosto de variar alguns métodos? -ela falou, com falsa inocência.
-Sei; o cavaleiro falou descrente, sendo acompanhado pelo olhar confuso de Aldrey e de mais algumas pessoas que observavam a cena a distancia.
-É, agora só faltam três dias; Amélia murmurou, com ar pensativo.
-...; Alberich assentiu, só mais três dias e muitas coisas mudariam drasticamente.
IV- Muspell - Emboscada.
Tapou o nariz tentando respirar o menos possível, o cheiro de ossos, árvores, entre outras coisas que não sabia identificar o que eram, queimados naquele lugar era enjoativo; Aaron pensou, apoiando-se vez ou outra em Dohko, sentindo-se atordoado.
Detestava calor e aquele era mais do que insuportável, era infernal. Até mesmo Haguen acostumado com as duas temperaturas em excesso sentia os efeitos daquele calor no próprio corpo, que aos poucos andava mais lento.
-Falta pouco; Haguen avisou, já estavam quase chegando ao centro de Muspell, onde antigamente ficava a entrada para as tocas dos gigantes de fogo.
Pararam no topo de uma montanha e surpreenderam-se com o que viram a seguir. Corpos e mais corpos de gigantes, com mais de dez metros estirados no chão, todos sem vida.
-Mas o que é isso? -Dohko perguntou, chocado.
-Xiiiiiiii; Haguen falou, fazendo sinal para que nenhum dos dois falasse nada.
Ouviram ao longe algumas montanhas racharem, causando uma avalanche de pedras e magma, do meio de um vulcão surgiu a imagem grotesca de um gigante.
Sempre se perguntou se Homero não exagerara quando descrevera um gigante com cem braços e cem olhos, mas agora sabia que ele fora modesto; Dohko pensou, engolindo em seco.
-Eles sentem o cheiro de carne humana, temos de sair daqui; ele falou, vendo que em outras extremidades da terra do fogo, outros gigantes pareciam ter despertado.
Viraram-se para trás deparando-se com outros vulcões entrando em erupção e libertando os gigantes, senhores daquelas terras.
Não demorou a desatarem a correr, quanto mais rápido deixassem aquele lugar, mais possibilidades de sobreviverem eles teriam.
-Onde fica a saída? -Aaron perguntou, vendo que pareciam estar andando em círculos.
-Deve ser algum tipo de campo para impedir que nós saiamos; Haguen falou, aflito.
Estavam sem armaduras e só em três, contra um exercito de gigantes esfomeados, doidos para transforma-los em aperitivo.
-Pelo visto só nos resta enfrenta-los; Dohko falou, achando a idéia insana, mas era a única alternativa.
-Já que não tem outro jeito; os dois falaram, dando de ombros.
Ou fugiam, ou morriam, se bem que nenhuma das duas opções poderia ser considerada no momento. Então, só lhes restava lutar.
Uma luz dourada iluminou os céus, uma grande explosão de energia aconteceu, para no momento seguinte, como um meteoro, duas armaduras surgirem na frente deles. Aquário e Libra.
-Isso deve ser coisa do Shion; Dohko falou, vendo o olhar surpreso de Aaron.
Balançou a cabeça levemente para os lados, era melhor não tentar explicar; ele pensou, ainda se perguntando como o mestre previra que teriam problemas.
-o-o-o-o-
Sentia-se inquieta depois dos últimos acontecimentos, como o destino é engraçado, quem diria que justamente aquela garota que despertara tanto a curiosidade das demais Valkirias, fosse aquela que esperara durante muito tempo.
Um conselho iria acontecer dali a três dias e só os deuses sabiam o que viria depois.
-POR ODIN; quase deu um pulo ao ouvir o grito de Flér.
Deixou o que estava fazendo na cozinha e foi rapidamente averiguar o que estava acontecendo.
-O que aconteceu com vocês? -Flér perguntou aflita, vendo os três cavaleiros entrarem no palácio, com as vestes parcialmente rasgadas, cortes superficiais pelos braços e pernas, sem contar alguns filetes de sangue no rosto.
-Não foi nada; Haguen tentou se justificar para não preocupa-la.
-Tentamos sair a francesa, mas não deu; Aaron falou, passando a mão nervosamente pelos cabelos, vendo Dohko sentar-se em cima da urna da armadura, visivelmente cansado e não viu outra alternativa, que não fosse imita-lo e conseguir permanecer um pouco mais com os olhos abertos.
Fora por muito pouco, muito pouco mesmo que não foram pegos por um exercito de gigantes. Na verdade fora um milagre terem saído com vida.
Nunca pensou que num ataque os gigantes fossem tão organizados. Normalmente ouvia-se falar que devido ao tamanho eram desengonçados e tinham a leve tendência de começarem a lutar entre si quando contrariados, mas aqueles pareciam estarem sendo coordenados por alguém.
-O que esta acontecendo aqui? -Thor perguntou, aproximando-se com Hilda e Siegfried.
-Por Odin; a princesa falou, surpresa.
-Vocês viram, não? -Dohko perguntou, voltando-se para os dois cavaleiros, que ainda ofegavam pela corrida.
-Se fosse outro dia, diria que era impossível isso acontecer; Haguen falou, dando um suspiro cansado.
-O que aconteceu? -Siegfried perguntou se aproximando.
-Fomos a Muspell; Haguen falou, sentando-se no chão, próximo ao libriano, por não conseguir se manter mais em pé.
-Os gigantes estão mais organizados, atacando em grupo e com sincronia; Aaron falou.
-Isso é impossível, gigantes não-...; Thor parou, vendo o estado dos três. -Bem...; Ele balbuciou, com um sorriso sem graça.
-Acredite, não caímos em nenhum cacto para estarmos assim; Dohko falou, com um 'Qzinho' de sarcasmo.
-Desculpe; o cavaleiro falou.
-Acho que temos um sério problema; Aaron falou, instintivamente levando uma mão até o ombro, sentindo um ferimento latejar ali.
-Precisamos descobrir quem esta por trás desses gigantes, provavelmente é a mesma pessoa que andou bancando o exterminador; o libriano falou, visivelmente cansado. -Mas não agora;
-É melhor vocês subirem e descansarem; Hilda falou, vendo de soslaio, a senhora próxima a uma das portas observando a cena a distancia.
Estranho, porque será que sempre que os cavaleiros do santuário estavam por perto, Alana mantinha-se o mais distante possível. Deveria ser só impressão a sua, mas não, ouvira as garotas comentarem que ela passara mal justamente no dia que eles chegaram e depois vinha evitando encontrar com os dois, ou seria só um deles? -ela se perguntou, intrigada.
-...; Os três assentiram, levantando-se.
Nunca sentiu a urna tão pensada, como agora; Dohko pensou, colocando-a nas costas e começando a subir.
-Nota mental, trazer o Mú junto na próxima missão; Dohko falou, enquanto seguiam para os quartos.
-Pelo menos sairíamos de lá sem nenhum ferimento; Aaron falou, cansado. -E por falar nisso, porque ele não veio?
-Não sei, mas ele me disse algo sobre ir a Dublin, mas não explicou o porque; o libriano respondeu. -Mas pelo menos eu não teria que carregar esse trambolho se ele estivesse aqui; ele completou num resmungo.
-Tem lógica; o aquariano falou, rindo.
Continua...
