Lembranças
Hermione olhava para dentro do armário, os olhos castanhos analisando cada roupa que estava ali dentro. Realmente ainda não havia decido qual roupa usar, e odiava esse tipo de decisão. Ser mulher às vezes atrasava sua vida.
Percebeu um vulto ao seu lado e virou a cabeça. Ele estava na porta, olhando-a. Assustou-se com isso, fechando os olhos. Ele era como um gato, até mesmo pior, quando andava. Quando queria, e Hermione sabia que fazia de propósito, andava mais silenciosamente que Bichento.
Ela ignorou o susto, analisando-o dessa vez com mais calma e atenção. E quando viu a roupa do homem, respirou fundo.
- Definitivamente você não vai assim.
Ele estava vestido exatamente como quando ia àqueles bares imundos da Travessa do Tranco. Uma calça escura e surrada, as malditas botas e uma blusa negra de aparência puída. Scabior reconheceu o olhar dela quando ela lhe disse aquilo. Aquele olhar de desaprovação aberta quando ela odiava algo. Não entendeu muito bem o motivo do olhar. O que havia de errado com a roupa dele agora? Colocou em voz alta sua pergunta.
- O que há de errado com minha roupa?
Ela não respondeu, apenas revirou os olhos e o pegou pela manga da blusa. Puxou-o para fora do quarto, e quando ele percebeu que deveria segui-la, ela o soltou. Caminharam juntos para o quarto dele, ela indo em direção ao armário e abrindo as portas de madeira escura sem pedir licença e tampouco se importando com a privacidade dele invadida.
Os olhos castanhos correram pelas roupas penduradas no cabide. Pelas pouquíssimas roupas ali. Como conseguia viver assim? Não tinha nada fora do habitual, apenas calças escuras e surradas, umas blusas pretas e raramente uma clara. Todas de aparência velha. O casaco que ele usava sempre estava guardado. Hermione não pôde deixar de observar o lenço dela dobrado em uma prateleira. Sentiu-se tentada a pegá-lo de volta, mas sabia que travaria outra guerra bruxa se o fizesse.
Olhou-o com intensidade e ele ignorou-a. Sabia que ela havia visto o lenço, mas decidiu que não falaria nada a respeito. O tédio estava gravado em cada linha de expressão do rosto dele. Elatravou o maxilar.
- Espere aqui.
Ela praticamente ordenou, e ele levantou as mãos, dizendo por meio desse gesto que não sairia do lugar. Ela voltou segundos depois com a varinha em mãos. Apontou para ele de forma determinada. Scabior não gostou daquilo. Sua última experiência com a varinha daquela garota apontada para ele não fora boa.
Com um movimento de mãos, um terno foi conjurado. Um terno completo. Hermione pensou bastante na cor antes de trazê-lo. Era claro que ele tinha muitas roupas escuras, mas sabia que um terno negro era peça coringa em qualquer armário masculino. O terno flutuou para as mãos dela, sendo seguido por uma blusa social clara e sapatos sociais.
Ela olhou o conjunto e imaginou-o ali. Scabior apenas fitava a garota com assombro.
- Como você fez isso?
Perguntou, não conseguindo conter a curiosidade.
- Archie possui uma conta em uma loja no Beco Diagonal.
Ele continuou a olhá-la, como se a garota fosse um animal raro da Floresta Proibidade Hogwarts. Hermione revirou os olhos.
- Não estamos roubando. Ele será reembolsado.
Ela analisou um pouco mais o terno, Scabior não ousou interrompê-la.
- Muito escuro...
Apontou a varinha para as peças de roupas. Elas se transformaram em um terno cinza e uma blusa social preta. O sorriso de aprovação dela perpassou a sua face. Mas ele ainda preferia o preto.
- Eu não vou usar esse terno ridículo.
- Você vai usar.
- Eu prefiro o preto.
Os olhos dela cravaram nos olhos azuis e Scabior percebeu ali a irritação comum que ela sentia ao ser contrariada. Quase achou graça. Se não fosse o fato de ter que usar algo que não queria.
- Você irá usar. E não reclame, senão faço você colocar um vermelho com uma camisa dourada. E ainda terá que carregar o brasão da Grifinória!
Ele sorriu dessa vez. Sabia perfeitamente que ela estava blefando. Nem que isso fosse uma ótima vingança, ela nunca iria colocá-la em prática. Ela nunca iria passar aquele ridículo com ele ao lado. Aproximou-se dela, vendo-a começar a ficar irritada.
- O que está fazendo?
Ela perguntou. Ele se aproximou ainda mais dela, percebendo o corpo dela ficar rígido. Olhou para os seios dela, vendo-os pressionarem o tecido fino do penhoar dessa vez branco. Adorava aquele tipo de roupa. Sua boca salivou. Ele começou a desabotoar a blusa surrada que estava vestindo, jogando-a para a cama. As mãos fortes foram em direção ao cinto, desabotoando-o também.
- Eu só quero o meu terno.
Disse, surpreendendo-a. Hermione podia sentir o desejo dele, quase palpável. Mordeu a língua e jogou o terno para ele, irritada. Ele sorriu.
Scabior despiu-se tranquilamente, percebendo-a desviar os olhos. Achou aquilo tudo uma frescura. Sabia o corpo dela de cor, e poderia jurar por Merlin que ela também já o conhecia muito bem, mas ela parecia sempre desconfortável quando ficavam no mesmo local, em silêncio. Principalmente quando ele estava apenas com a boxer preta e ela com apenas um tecido fino lhe cobrindo o corpo.
Colocou o terno, e quando ela percebeu que ele já estava devidamente vestido, apontou a varinha para ele e acenou. O tecido se ajustou ao corpo dele com leveza, um corte perfeito, como se um alfaiate italiano o tivesse feito.
Ela o admirou. Ficava mais sério com aquele tipo de roupa. Estava bonito. Mas, olhando-o com mais atenção, percebeu que preferia aquele maldito vestindo aquelas roupas casuais e desleixadas.
Hermione nunca iria admitir aquilo.
Scabior olhou-se no espelho que ficava na parte interna da porta do armário. Ficou surpreso com o que viu. Achou-se elegante, como se fosse um bruxo importante do Ministério da Magia.
Ele também nunca iria admitir aquilo.
Ela passou a mão no cabelo, saindo do quarto e caminhando para o seu próprio. O snatcher a seguiu, sabendo perfeitamente que ela não tinha o visto sair logo atrás dela. Hermione entrou no quarto, retirando o penhoar e jogando-o em uma poltrona fofa. Estava completamente nua. Ele a fitava com uma maldade visível. Ela não tinha percebido ainda sua presença.
Abriu a porta do armário, colocando uma lingerie pequena para não marcar a roupa. Optou por um vestido clássico, tubinho branco, sabendo que não precisava exagerar para uma reunião, mas também não iria de qualquer jeito, afinal, era na mansão Malfoy que a reunião seria. Colocou um cinto preto e fino para quebrar um pouco a cor e pegou as sandálias de salto alto, calçando-as também. Fechou a porta.
- Mas que droga! Pare de fazer isso!
Assustou-se com o homem que estava apoiado no batente da porta. Pela segunda vez só naquela noite. Ele sorriu, não dizendo nada. Scabior caminhou para a cama dela, sentando-se ali e apoiando as mãos no colchão, inclinando o corpo para trás casualmente. Observou-a caminhar para o espelho enorme que ficava perto da porta do banheiro. Hermione começou a se maquiar, sentindo os olhos dele quase a derretendo.
Ela o olhou através do espelho.
- Você vai ficar a noite inteira me observando?
Ele poderia ficar observando-a a vida inteira. Ela ficava simplesmente linda de vestido, principalmente quando esse não mostrava muito da perna torneada, mas também não escondia tanto. As sandálias deixavam-na com uma aparência ainda mais feminina. Mas ele não disse nada disso a ela, apenas deu de ombros.
- Não tem nada melhor para fazer.
Ela revirou os olhos e voltou a sua atenção para a maquiagem. Percebeu pelo reflexo do espelho Bichento entrar no quarto de forma despreocupada, mas quando viu o homem que estava sentado na cama dela, arqueou as costas por extinto, as garrinhas ficaram visíveis, os pelos alaranjados se arrepiaram na nuca.
Scabior inclinou-se para o chão, mexendo as mãos desajeitadamente em um gesto claro para chamar o gato. Bichento ficou desconfiado, olhou-o com raiva e saiu do quarto correndo. O homem revirou os olhos, fazendo uma careta de impaciência. Hermione observava tudo sem dizer nada. Ele se levantou da cama, caminhando a passos largos para fora do quarto.
- Eu vou matar aquele gato.
Disse. A garota sorriu, sabendo que seria mais fácil Voldemort retornar do que ele conseguir pegar Bichento. Terminou de se maquiar e olhou-se por inteiro no espelho, aprovando tudo ali. Pegou a carteira de mão e enfiou nela o suficiente para algumas horas fora de casa. Colocou os brincos e prendeu os cabelos em um coque frouxo, dando um ar não muito formal ao penteado.
Saiu do quarto e encontrou o homem olhando para a janela. Bichento havia desaparecido. Devia estar debaixo de algum móvel ou em algum dos seus esconderijos. Scabior escutou a garota entrar no cômodo e virou-se, fitando-a.
- Ah...
Abriu a boca, mas nada saiu além daquilo. Não conseguiu conter a sílaba que demonstrou a admiração, mas calou-se antes que pudesse dizer o restante. Hermione sorriu, sabendo o que ele quis demonstrar com isso. Ele passou as mãos nos cabelos bagunçados, dessa vez amarrado de forma simples com um elástico. Caminhou para a lareira.
- Aonde está indo?
- Para o Ministério.
- A reunião é na Mansão Malfoy.
Scabior estacou, visivelmente desconfortável com aquela nova informação. Não gostou nem um pouco de saber onde seria a reunião. Não gostava daquele lugar, sempre lhe trazia más lembranças. Principalmente quando se olhava as lembranças que a envolvia.
- Não vou usar a lareira. Não quero Pó de Flu no vestido.
Ela disse e ele percebeu que a garota não tinha notado sua reação à nova informação. Ele revirou os olhos quando ela caminhou para a porta de saída do apartamento. Ele a seguiu, percebendo que ela nunca dava a mão, nem se apoiava no seu braço. Era visivelmente e irritantemente independente de tudo.
Ele fechou a porta e sentiu a mão delicada pousar com fraqueza no seu braço. Um segundo depois, desaparataram.
Os olhos castanhos dela percorriam cada um que estava presente no salão. Reconhecia alguns bruxos da última reunião que Malfoy havia dado. Mas outras fisionomias eram completamente novas para ela. Percebeu o loiro andar em sua direção.
Ele caminhou até o casal estranho, olhando Hermione com visível admiração. Os olhos cinzentos percorreram cada centímetro do corpo da garota, antes que ele tomasse a mão dela e depositasse um beijo calmo na pele branca. Scabior travou o maxilar, contendo a vontade súbita de matar aquele projeto de bruxo.
- Você está linda. Boa noite.
Disse o elogio antes de cumprimentar os dois. A bruxa sorriu para Malfoy de forma discreta, agradecendo o elogio por meio desse gesto. Percebeu o homem ao seu lado enrijecer, parecia com raiva e inquieto, como se não estivesse confortável nem com a situação, nem com o local. Não disse mais nada.
- Vamos?
Malfoy gesticulou para uma grande porta onde todos os bruxos começavam a entrar. Hermione assentiu e dessa vez pegou no braço de Scabior, mais para puxá-lo do que procurando apoio.
Ela sentou ao lado de Archie, cumprimentando-o com um gesto informal de cabeça. O snatcher sentou em frente a ela, olhando todos ali com atenção. Nunca havia visto tantos bruxos de nacionalidades diferentes e de fisionomia importante em um só lugar. Sentiu-se um trasgo ali no meio. Agradeceu mentalmente a inteligência da garota em frente a ele, colocando-o em um terno de corte perfeito.
Malfoy pigarreou quando percebeu todos os bruxos sentados.
- Como todos sabem, essa reunião foi marcada apenas para que possamos tomar conhecimento das novas regras do Departamento de Cooperação Internacional em Magia e das multas dadas pela Confederação Internacional dos Bruxos.
Os bruxos não o interromperam. O loiro começou a distribuir pergaminhos para todos os presentes. Scabior pegou os deles e começou a ler com desinteresse. Aquilo tudo era tedioso demais para aguentar por mais de uma hora. Malfoy pigarreou.
- Sei que todos não estão surpresos, já que acompanharam todas as mudanças de perto. Esse é apenas o documento oficial. Archie?
Malfoy chamou o chefe de Hermione, e Scabior começou a se interessar um pouco mais.
- Sim?
- Pode informar a todos a regra mais específica do seu Departamento?
Aquilo pegou Scabior de surpresa. Mas ele não deixou de observar que não era apenas ele ali que estava surpreso. Sabia que muitos bruxos presentes não trabalhavam no mesmo Departamento que ele, mas as regras com certeza influenciavam muitas áreas, principalmente os Ministérios de outros países. Archie pigarreou, cortando a linha de pensamento do snatcher.
- A partir do dia que as novas regras entrarem em vigor. Todo bruxo, sem exceção, terá que passar por uma vistoria de alguém do nosso Departamento para atravessar a fronteira.
Ninguém ali demonstrou nada, apenas concordância com Archie. Hermione olhou para o snatcher com visível interesse, buscando ali alguma demonstração de raiva, e ficou muito satisfeita ao perceber que o homem estava irritado. Muito irritado.
- As regras serão praticamente as mesmas, porém, teremos mais cuidado com a fronteira e apenas eu ou algum dos meus principais assistentes poderemos assinar algo ou autorizar uma entrada de cargas. Visando o melhoramento do tráfego de cargas proibidas, sei que todos concordam com isso.
Nenhum bruxo ousou discordar. Archie acenou para Malfoy, que abriu uma pasta negra e pegou pergaminhos mais escuros. Colocou-os na mesa. Archie pegou uma pena também negra e assinou o pergaminho, passando para Hermione, que, antes de fazer exatamente igual ao chefe, olhou para o snatcher em desafio. Scabior quase a matou ali mesmo.
Ela assinou o pergaminho e passou para outro assistente. Apenas alguns bruxos necessitavam de assinar o documento. Quando o pergaminho reencontrou Malfoy, ele acenou com a varinha e selou-o, colocando novamente na pasta.
- A reunião está encerrada.
A bruxa ficou surpresa com a simplicidade que Malfoy levou aquela reunião e a rapidez daquilo. Gostou. Adorava eficiência e praticidade. Todos os bruxos começaram a se levantar da mesa, iniciando conversas triviais e educadas. Scabior não aguentou aquilo e saiu da sala de reunião, caminhando em direção ao salão. Estava irritado. Não aguentava nem ao menos olhar alguém ali.
Começou a andar de um lado para o outro. Odiava aquele lugar. Fazia-lhe lembrar de uma época que ele no momento não queria lembrar. Os gritos da garota que agora era sua esposa pareciam voltar a ecoar pelas aquelas paredes escuras. O chão parecia estar coberto com seu corpo sujo e contorcido enquanto aquela louca da Lestrange a torturava com prazer.
Passou as mãos no cabelo, fazendo alguns fios se soltarem do elástico. Alguns bruxos já deixavam a sala, saindo diretamente da mansão e caminhando para o fim do jardim a fim de aparatar. Nem ao menos perderam seu tempo olhando para ele, um completo desconhecido daquele círculo tão importante.
Ele escutou a voz de Archie e virou-se. Ele andava com Malfoy e a garota. Despediu-se de ambos e acenou para Scabior com empolgação quando passou por ele, indo na mesma direção que os bruxos. O snatcher viu Malfoy beijar a mão de Hermione novamente e automaticamente pegou a varinha dentro do bolso, mas soltou-a logo em seguida. O que estava pensando?
Ela despediu-se do anfitrião e caminhou em direção ao marido, passando por ele diretamente e olhando-o para que ele a seguisse. O loiro voltou para a sala de reunião. Hermione e Scabior eram os últimos a saírem, e quando alcançaram o jardim, esse já estava vazio.
Quando ele percebeu aquilo, pegou o braço dela com força e apertou-o ainda mais, fazendo-a olhá-lo.
- Posso saber por que eu parecia o único do Departamento surpreso demais naquela reunião, com aquelas regras?
Ela deu de ombros, indiferente. Optou por responder com sinceridade.
- Eu prefiro que ladrões com você não interfiram nesse tipo de coisa.
A raiva de Scabior triplicou ao ouvir aquilo. Agora nunca mais iria conseguir contrabandear nada para dentro daquela maldita fronteira. E tudo por culpa da garota que o olhava com um misto de satisfação e temor. Ele travou o maxilar. Hermione percebeu que o homem estava muito inquieto e nervoso. Aquilo tudo não era motivo de ficar nervoso. Não tanto.
Ele gritou com raiva e ela pegou a varinha automaticamente, temendo alguma demonstração física por parte dele. O que estava acontecendo com aquele homem? Ele olhou para a varinha dela.
- Você acha que eu vou machucá-la?
- Não confio em você. Não posso.
- Eu nunca te machucaria.
Aquilo soou estranho, vindo dele com aquele tom de sinceridade. Mas Hermione não confiava nele. Não agora. Ele começou a andar em círculos quando percebeu que ela não guardaria a varinha, passando a mão no cabelo vez ou outra. Ela franziu o cenho.
- Por que está tão nervoso?
Ele parou de andar, mas não respondeu à pergunta. A garota olhou em volta.
- O lugar em que está te dá boas lembranças?
Perguntou, o tom claro do sarcasmo fluindo através das palavras. Ele entendeu a provocação. Aproximou-se dela em passos largos, olhando com uma raiva com que nunca havia olhado.
- Você é a mulher mais amarga que eu já conheci.
Dizer que aquilo a deixou chateada seria eufemismo. Hermione sentiu como se tivesse levado um tapa. A frase a atingiu como algo físico. Mas ela não demonstrou isso.
- Vindo de alguém que só conhece prostitutas, posso desconsiderar a opinião.
Ele não respondeu, apenas a olhou uma última vez e deu as costas, caminhando para o portão da mansão. Ela sentiu-se vazia ao vê-lo se afastar. Mas seu orgulho já estava ferido o bastante para aquela noite.
- Isso! Corre para a companhia delas!
Gritou antes de ver o corpo dele sumir. Havia desaparatado. Mas sabia que ele tinha escutado. Ficou ali por alguns minutos, sentindo o corpo quente por causa da discussão, a raiva sair de cada poro à medida que o tempo se passava. Olhou para o céu estrelado e começou a se acalmar. Respirou fundo.
Começou a andar em direção ao portão também. Queria ir embora daquele local, querendo ou não, já havia vivido tragédias demais ali. Não estava lhe fazendo bem ficar no jardim da mansão que serviu de palco para sua tortura.
Quando passou do portão, escutou barulho de passos e alguns galhos quebrando. Virou-se, quase chamando o nome dele. Poderia ter voltado? Não sabia responder.
- Há alguém aí?
Perguntou, sentindo-se tola com isso. Depois de alguns segundos, escutou uma voz e uma risada. Não gostou daquilo. Virou-se novamente e semicerrou os olhos para tentar enxergar naquele escuro. Quando percebeu, já era tarde.
Não era alguém, mas muitos. Ouviu muitas vozes. Algumas risadas maldosas.
- Olha... quem temos aqui...
Sua espinha foi percorrida por um arrepio horrível. Fechou os olhos e virou-se, reconhecendo ali todos os homens que havia visto no bar. Os mesmos homens que o snatcher havia lhe dito para se preocupar. Os homens dele.
