Capítulo Vinte e Cinco – Ensinado Por Rony Weasley.
- Eu falei que esse que esse terno bege daria uma ótima combinação com essa camisa rosa. – Fez questão de lembrá-lo enquanto caminhavam pelos corredores da empresa apressados. Sua voz era ofegante. Um tanto engraçado. Quinze minutos de atraso.
Harry não parecia nada à vontade naqueles trajes, por mais bonitos que Hermione achasse e insistisse em lembrar. De fato não fora feito para vestir-se em social algum. Preferia a camisa dos Lakers que a querida esposa havia tido a infelicidade de jogar fora.
Havia muitas coisas dela que ele gostaria de jogar fora, como aquele gato maldito. O tal do Bichento, comprado há uma semana, o odiava e fazia questão de deixar claro. Já havia arranhado sua chuteira importada e feito as necessidades nos chinelos do rapaz duas vezes. E o pior era que Hermione o achava engraçadinho. Queria ver a enorme graça que ela iria encontrar caso ele estragasse um de seus sapatos caros. Mas tudo bem, havia coisa pior para se preocupar naquele momento.
Odiava dar motivos para James o repreender. Como se ele realmente fosse o melhor pai do mundo. Como se nunca, em hipótese alguma, cometesse um erro sequer. Todavia era muito diferente do que achava.
- Ainda continuo achando coisa de almofadinha. – Resmungou. – Essa droga de gravata me enforca. – Seus dedos procuraram o colarinho, verdadeiramente o enforcando, dessa forma ele decidiu desistir.
Os sapatos de salto novos de Hermione faziam aquele barulho fascinante conforme o seu andar. Adorava aquele som. Fazia sentir-se uma mulher de negócios completamente independente. Infelizmente não era. Todavia, um dia iria ser e poderia desfrutar da liberdade.
- James irá nos matar quando souber que estamos atrasados. – Comentou já enfadada, sem vontade alguma de ouvir o homem falar sobre responsabilidade. Ele não passava de um louco. Aliás, a família Potter inteira era louca.
- Ele não precisa saber. Basta irmos para a nossa sala o mais rápido possível. – O moreno explicou já conhecendo as artimanhas do pai. Ele também chegava atrasado na empresa. As paradas para comprar muffins podiam ser bem demoradas.
- Boa ideia. – Assumira causando nele algum orgulho. – Ele disse que ficaríamos com a sala duzentos e dois. Correto?
- Sim.
O casal virou um corredor larguíssimo e, por ventura não encontraram James por ali. Ao chegarem a porta duzentos e dois miraram apreensivos. Uma placa de metal tinha o nome de William Thacher, o assessor que havia sido promovido há duas semanas. Como eles poderiam promover alguém na situação em que a empresa se encontrava?
Harry tomou coragem e, como se um monstro fosse sair detrás da porta, girou a maçaneta com cuidado.
Não havia ninguém ali dentro. Só uma pequena sala, arrumada e impessoal. Com uma mesa de madeira maciça com computador, telefone e muitas canetas, uma poltrona de um lado e outras duas do outro. Havia também um armário bem grande e um vaso grande com uma planta estranha. As paredes eram brancas e simples. Até porque, estavam na sala do assessor.
- Só há uma mesa. – Concluiu por mais óbvio que fosse, com um olhar incrédulo. Os olhos de Harry se fixaram no lugar e um sorriso se formou em seu rosto.
- Teremos que ficar juntinhos, bonitinha. – Anunciou num tom cheio de deboche e ela bufou.
- Prefiro a morte. – Concluiu naquele seu tom dramático. Harry estava se acompanhando.
- Tanto faz, mas você vai morrer juntinho de mim. – Explicou lhe lançando um daqueles olhares que tentavam lhe fazer parecer charmoso.
- Calado. Suas piadas não são pertinentes e seus comentários são relevantes. Totalmente dispensáveis.
- Mas quando eu lhe beijo você gosta... – Quase cantarolou a fazendo engasgar com o café pequeno que possuía em mãos.
- Quem lhe disse tal absurdo? – Perguntou indignada.
- Eu sinto isso quando você está em meus braços. – A morena abriu um sorriso de escárnio.
- Você é brega, Potter.
- Bom dia. – A voz de James soou assim que ele apareceu pela porta. Hermione deu graças. Aquele assunto ruim havia acabado.
- Que bom que já conheceram a sala que dividirão. – Sim, era verdade. Passariam o resto das tardes após a escola juntos. Aquilo era insuportável e excessivo.
- O que vamos ter que fazer? – John pareceu pego de surpresa. Queria obriga-los a trabalhar, mas ao menos tinha ideia do que os dois poderiam fazer na empresa. Teria que usar sua superinteligência rápida. Até que tivera uma epifania. – Há milhares de arquivos da empresa para serem organizados... Vocês farão isso! Uma sala por dia e após terminarem pensarão numa boa estratégia para tirar a empresa do buraco.
- Ou seja, seremos empregados! – Hermione rebateu de maneira um tanto má educada e James riu.
- Encare como quiser. – O homem respondeu calma e ironicamente e lhe deu as costas, saindo da sala.
Era incrível como os Potter tinham o dom de tirar Hermione Granger do sério.
- Que coisa ridícula. Passar a tarde aqui servindo de doméstica. – Resmungou se jogando na macia cadeira de couro.
- Por que não para de reclamar e acabamos logo com isso? – Indagou irritado e a morena revirou os olhos.
Nunca viram tanta poeira.
Sinceramente ela não entendia como conseguiram arrumar algo ali. Eram tantos papéis que ao menos sabia se serviriam para algo ou não. Apenas organizou da maneira que achara pertinente. E Harry? Harry fazia o que Hermione mandava.
- Incrível! – Exclamou com os olhos brilhantes sob um bando de papéis. Hermione ergueu os olhos de curiosidade para mirá-lo. – A empresa de nossos pais fechou cerca de 200% de contratos no ano passado, mas nesse ano não passava de 50. Tão estranho. – A morena largou seus afazeres e tomou os papéis nas mãos com um olhar incrédulo.
- Não é possível. – Comentou boquiaberta levantando os olhos e o mirando. – Ninguém tem uma queda de contratos de 150% sem motivo algum.
- Você acha que algo poderia ter acontecido? – O moreno especulou revirando mais algumas caixas e procurando algo importante, que nem sabia o que era.
- Não sei, mas é estranho. Quem será que cuida das finanças?
- Era seu pai, mas provavelmente ele não faz isso sozinho. Deve haver um diretor de finanças, algo do tipo.
- Acha que pode haver um desvio? Não sei... É estranho. – Estava confusa. Seus pensamentos deram um nó naquele exato momento. Não sabia se era a excitação de descobrir algo misterioso, a chance de tirar um possível corrupto da empresa ou a vontade de por fim naquele casamento falso.
- Se houver, acho que nunca iríamos saber. Nossos pais nunca nos deixarão entrar nesses assuntos da empresa.
- Não seja frouxo, Potter! – A morena rebateu mordaz e o rapaz se irritou.
- Não sou frouxo! Não quero confusão pra mim. Se quiser se meter nisso faça sozinha.
- Ótimo! Eu o farei mesmo.
- Precisamos de uma boa estratégia para fazer os negócios melhorarem. – Hermione falou empolgada enquanto Harry pegava a tigela de carne e batatas coradas na tão esperada hora do almoço. Pediram a comida na sala que dividiam, pois o trabalho era enorme. Seus olhos miravam as fatias finas de rosbife com bastante excitação. Ele parecia estar morto de fome.
- E o que faremos? – Questionou dando uma grande garfada. Seus olhos se arregalaram e ela pensou que ele fosse explodir. Era comida demais para uma boca pequena, mas Potter continuou a se fartar, como um ogro.
- Credo, você vai explodir. – Comentou numa expressão de pavor e o moreno revirou os olhos. Não conseguiria falar nada mesmo. Havia aprendido a comer daquele jeito com seu ex-melhor amigo Ronald Weasley. – Mas então... Infelizmente ainda não tenho ideia alguma.
- Nem eu. – Limitou-se a dizer, enchendo novamente a boca de comida. A morena revirou os olhos e pegou uma quantidade razoável de salada, pondo em seu prato.
- Não é nenhuma surpresa. – Comentou com desdém, mas o moreno não ouvira. Estava muito empolgado com a comida.
Ele parecera desistir muito fácil, mas Hermione Granger nunca desistiria.
- Estou exausta. – Comentou jogando-se no sofá e tirando os sapatos com a ajuda dos pés. – O que acha de pedirmos comida japonesa? – Questionou enquanto jogava os longos cabelos aloirados para trás.
Demorou um pouco. O tempo suficiente de não receber uma resposta, para perceber que Harry estava parado em sua frente, estático. Seu olhar era um tanto estranho, meio perdido.
- É uma ótima ideia. – Respondeu sem ligar. Apenas para não deixa-la falar sozinha.
- O que você tem, Potter? – Indagou se levantando e indo até ele com um olhar curioso. Seus olhos castanhos tentavam decifrar cada pensamento dele, mas Harry parecia tão perdido. – Parece estar vagando... – Comentou um pouco mais preocupada e as mãos dele se encaixaram com perfeição em sua cintura delgada. Hermione soltou um suspiro em meio ao susto e sua respiração pareceu descompassar. – O que você quer? – Seu tom era de medo. Medo de onde aquilo poderia os levar.
- Você. – Respondeu pausado. Ainda hipnotizado. Seus dedos procuraram os cabelos castanhos aloirados e os acariciaram. – E quero muito. – Completou numa voz meio rouca que quase não saíra. Hermione lhe despertava uma variável de sentimentos. Uma hora queria lhe sacudir até parar de falar, em outras queria beijá-la e não parar. Era tão estranho que mal podia explicar para si mesmo.
- É estranho. – Comentou fitando os lábios finos e vermelhos do rapaz. – Mas parece que você já me tem. – Ele esboçou um sorriso diante da declaração insegura e tocou-lhe os lábios, cheio de segurança.
Hermione parecia congelada. Não conseguia expressar alguma reação inicial. Demorou uns segundos para que ela pudesse despertar, o suficiente para a voz de Harry soar.
- Relaxe, parece que estou beijando uma porta. – Sussurrou divertido num sorriso pequeno em meio ao beijo. Sabia que em qualquer outra situação Hermione lhe cobriria com uma dúzia de desaforos.
A menina pareceu finalmente acordar e seus lábios corresponderam aos dele com vontade. As mãos dela lhe tocaram os cabelos negros, ela sempre tivera vontade de fazê-lo. O beijo era lento, porém demasiadamente intenso, suas bocas se encaixavam com simetria.
O moreno enlaçou a cintura delgada de Hermione enquanto os braços dela se posicionavam ao redor do pescoço dele. Harry sentiu-se arrepiar. Nunca trocara beijos tão significativos com alguém.
Suas línguas trocavam carícias enquanto as mãos dela passeavam pelos cabelos dele. Os dentes dele prendiam seu lábio inferior e puxavam com cuidado. Ela se afastou dele lentamente o impedindo de prosseguir com suas mãos contra seu peitoral.
- Acho melhor parar. – Contrapôs ofegante.
- Por quê? – Questionou relutante, lhe segurando pela cintura.
- Isso não é uma brincadeira, Harry. – As mãos dela afastaram as dele e, com a oportunidade, ela se afastou.
- Eu não consigo me controlar, Hermione...
- Então é isso que eu sou? Uma válvula de escape?
- Claro que não! – Rebateu ofendido.
- Então o que? – Questionou curiosa.
- Ora, Hermione... Eu não sei está bem. As vezes não sou responsável por meus atos... Eu não sei como me sinto ainda...
Os olhos verdes dele pareciam confusos, mas os dela sabiam bem do que se tratava...
