Abri meus olhos depois de sentir o focinho de Donna no meu braço. Bella estava na cama, deitada de costas pra mim e essa peste cheia de pelos entre nós. Peguei a coisa miúda e botei para fora do quarto. Os pássaros estavam cantando e eu podia ouvir os funcionários da vinícola falando pela propriedade. Chegamos à Itália de madrugada, viemos de Florença e deitamos próximo ao amanhecer. Ninguém estava acordado, somente Zafrina, que nos recebeu com abraços e nos mandou para cama, local onde voltei e abracei minha esposa. Beijei seu ombro e ela gemeu.
- Estou tão cansada. - disse baixinho. - Cadê Donna?
- Botei para fora.
- Ela pode se perder, Edward.
- Ela está aqui há dias e sem nós, tenho certeza que Rose cuidou bem dela. - disse revirando os olhos.
- Está com fome?
- Muita. O almoço deve estar pronto. - murmurei e levantei. - Vamos comer.
- Acho que preciso de um remédio. Minha cabeça está explodindo. - reclamou e eu disse para ela ficar na cama. - Não posso. Já estamos há muito tempo fora de casa. Era pra ser apenas algumas semanas e agora já vai fechar dois meses. Passamos o seu aniversário e o meu fora. Perdemos o de Emmett. Hoje é aniversário da sua irmã. - ela ficou de pé e trocou de roupa também.
Descemos e encontramos a família para o almoço, com nossos lugares à mesa. Depois de abraçar todo mundo, sentamos para comer e Zafrina trouxe o remédio para Bella. Ficar essas semanas sozinhos nos deu paz. E muito mais intimidade. Vontade única de cuidar um do outro. Nosso primeiro ano de casamento passou tão rápido, tivemos tantos problemas, tantas confusões, mas agora, realmente me sinto uma só carne com minha esposa e ela está mais confortável comigo. Voltar ao lugar do nosso casamento para comemorar o aniversário de Alice que foi eclipsado com o nosso matrimônio tem um novo sabor.
Olhei para minha irmãzinha rindo, com a barriga explodindo e Jasper colocando lasanha em seu prato me fez sorrir. Ele está menos propenso a querer torcer o pescoço dela agora que estão no último trimestre. O bebê pode nascer a qualquer momento e ela está um tanto chorona e irritante, segundo Rosalie e Emmett. Meu irmão está perdidamente apaixonado pela loira, que não posso dizer que confio, mas se encaixa na família. Seu pai é um bastardo maluco que fodeu com sua vida e sei que ele não pode encontrá-la. Nunca. Ela viveu fugindo nos últimos anos e parece ser feliz agora.
Comi muito, mais do que estava acostumado a comer, principalmente no último período que ficamos em Londres procurando o irmão mais velho que Bella poderia ter. Nós seguimos várias pistas, viemos a Itália duas vezes sem vir para casa, procurando qualquer indicativo daquela criança que "desapareceu" na Clínica de Volterra, também não poderíamos perguntar deliberadamente, sem saber com quem realmente estava lidando. Phil, a essa altura, se arrependeu amargamente de trazer o assunto a tona, principalmente enquanto reconstrói sua arcada dentária.
- Ela sentiu muito a sua falta. - Rosalie disse quando Bella pegou Donna e apertou.
- Vocês demoraram muito. - Alice reclamou.
- Precisávamos ficar sozinhos… O começo foi muito turbulento. Eu queria ter um pouco de Edward pra mim para superar… Tudo. - Bella respondeu e Alice afagou sua barriga.
- Sinto muito, vocês realmente precisavam. - Alice concordou e segurei a mão da Bella. Enquanto não queremos ter filhos agora, fica aquela pergunta no ar se realmente não deveríamos. Não quero trazer uma criança para um mundo onde não sei se meu próprio pai mentiu pra mim e onde mantenho meu padrinho de batismo em cativeiro. Mas eu quero ter filhos com minha esposa.
Nesse período juntos, pensei como seriam nossas vidas se vivêssemos em um mundo fora da família. Sem a responsabilidade de ser o Capo, sem o peso de sermos herdeiros. Infelizmente, cheguei a cogitar a possibilidade de fugirmos, de nos refugiar na Ilha e lá criar nossos filhos, mas, seria impossível dar as costas à família, a quem amamos e também deixar nossos irmãos na linha de fogo. Sem contar que teríamos que viver para sempre escondidos. Como minhas crianças cresceriam sem poder conhecer o mundo? Você nasce na família, morre na família. Não era mais esse tipo de futuro que gostaria de ter com a mulher que amo. Vi meu pai segurar a mão da minha mãe e dar um beijo. Vi Alice encostar em Jasper e também vi Rosalie se refugiar nos braços de Emmett. Olhei para Bella e resisti ao impulso de sair correndo com ela nos meus braços.
- Como está o preparativo da festa? - Bella perguntou.
- Edward? Podemos falar por um momento? - meu pai chamou e segui para o escritório, deixando Bella com as mulheres na sala de jantar. - O que realmente aconteceu?
- Nada. Resolvendo meu casamento.
- Você é o chefe dessa família, não pode simplesmente bancar o marido romântico por tanto tempo.
- Não falhei em momento nenhum como Capo. - olhei-o friamente. - Não pense nem por um segundo que não sei das suas ações para resgatar o seu irmãozinho traidor. - meu pai apenas me encarou. - Mas, você é meu pai e ainda resta em mim dignidade, porém, serve de aviso. Deixe Marcus comigo.
- Ele não tem culpa, Edward!
- Então, quem tem? Quem matou Renée, porra? Quem envenenou Charlie? Quem tentou dar o golpe nessa família? - gritei batendo com meu punho na mesa. - Foi você?
- Claro que não! Charlie me deu metade dos territórios, ele dividiu o poder comigo, nós planejamos dominar, o que você, graças a Deus fez e muito bem. Eu nunca mataria Renée. Nunca.
- Então assume que sabe que não foi outra família porra nenhuma, não é? - meu sangue estava gelado. O que mais meu pai mentiu pra mim?
- Sempre desconfiei. Eles foram bons em deixar rastros, em agir como o outfit de Veneza. Uma imitação, talvez. - sentou na cadeira e suspirou. - Marcus tinha planos sim, mas eu nunca concordei. Sei que ele foi horrível com as crianças, mas, jamais trairia a família. Os Swan eram e são nossa família, agora mais ainda. Ele é egoísta, não burro. Sabe que um golpe seria muito mal visto.
- Onde está a mãe da Jane?
- Eu não sei, Edward. Só a vi poucas vezes. Eu já estava nos Estados Unidos e a sua mãe estava grávida. Charlie sabia, ele encobriu Marcus, ele disse que eu não precisava me preocupar, você era bebê depois, as coisas na América dependiam de mim…
- Confiava em Charlie assim?
- Sim… Eu… Sim. Ele era… Como um irmão. Não sei. Era uma relação diferente, em nossa vida, em nosso mundo, com pais que tivemos…
- Não me decepcione, pai. Se há algo…
- Não há algo da parte do seu tio.
- Prove, não entre na frente, tudo ficará bem. Mas se ele for o traidor, se ele botou essa família em tanta ruína, vou encerrar essa história, ele não me dá outra opção.
Depois que meu pai saiu da sala, eu me senti um fodido por ameaçar a vida dele, do seu irmão, minha mãe morreria e eu nem sei se tenho coragem de executar contra ele qualquer coisa, além de ser um alto nível de crueldade. Até que ponto as ordens da família podem foder com minha vida? Virei minha cadeira para a janela e vi Bella deitada alguns bons metros da casa, com Donna na sua barriga, ela parecia vulnerável e terrivelmente solitária. Na varanda, eu vi Rosalie, minha mãe e Alice abrir as sacolas de presente que trouxemos de Londres. Bella comprou tantas roupinhas para o bebê que… Eu não sei realmente até que ponto a gestação da minha irmã ainda a incomoda.
Depois de uma hora sozinha, entrou com Donna e espiei quando passou cabisbaixa pelo corredor, indo para nosso quarto. Há uma semana, descobrimos que Charlie foi envenenado e assim teve o mal do infarto. Fiz o sinal da cruz no peito em respeito ao meu sogro. Suas ações de privar Bella do nosso mundo foram erradas e estúpidas, mas, a cada descoberta sobre a alucinante vida dos nossos antepassados, posso entender porque Charlie escolheu proteger a sua menina. Tenho quase certeza que ele tinha uma vida pronta para Bella, com uma nova identidade, em algum lugar. Tudo leva a crer que ele forjaria a morte de Bella. Ainda não sei o porquê. Saí do escritório e virei no corredor. Jasper estava no pequeno quarto do bebê, arrumando umas coisas.
- Alice não consegue abaixar mais. Tem que arrumar essas coisas aqui, o bebê vai usar nesses meses.
- Quanto tempo pretendem ficar?
- Algumas semanas. O suficiente pra Alice aprender essas coisas… De cuidar do bebê.
- Hum…
- Edward? - Jasper chamou quando me virei para sair. - Eu deveria aprender também?
- Você gosta da Alice? Ou do bebê?
- Eu…
- Não tem problema assumir pra mim que ama minha irmã e seu filho. Eu sou louco de amor por sua irmã e se ela precisasse, iria aprender tudo sobre bebês, porque a amo, porque seria nosso filho. - disse enfiando minhas mãos no bolso, sentindo a inquietude ao lembrar que Bella também estaria próxima a dar a luz.
- Isso responde minha ansiedade. Eu quero dar tudo a Alice, mas é tão difícil ser um marido. Ela é tão controladora, ciumenta e louca. Os hormônios…
- Pelo menos sabemos que essa coisa dos hormônios irá passar, o restante, vocês vão amadurecer juntos…
Jasper coçou a cabeça e me deu um sorriso torto, alinhando as fraldas na parte baixa. Saí do quarto do bebê e segui para o fim do corredor, subindo as escadas e fui para suíte principal. Abri a porta e me deparei com Bella sentada na cama, com Donna roendo meu sapato que usei ontem e minha esposa não parecia se importar muito com o estrago que os dentinhos finos da pestinha estava fazendo no meu sapato de couro. Sentei do lado dela, bati meu ombro no seu e fui ignorado. Derrubei-a na cama e deitei em cima dela.
- Promete nunca me deixar? - ela sussurrou e beijou meus lábios. - Não posso viver sem você.
- Você não vai viver sem mim. - era uma promessa que eu não poderia cumprir, mas tentaria com toda minha vida. - Prometa não me deixar também.
- Nunca viveria sem você, amor. Nunca.
Beijei-a e logo começamos a fazer amor, ignorando o choro da Donna que sempre gritava de ciúme quando estávamos na cama sem ela. Continuamos deitados juntos, até a hora que começamos a ouvir a música alta e vozes. Relutante para enfrentar uma festa, tomamos banho. Prendi duas armas no meu corpo enquanto ela estava se vestindo, depois entreguei sua arma e ela escondeu no seu jeans, vestiu seu salto e soltou os cabelos depois da maquiagem. Estendi o tapete de necessidades da Donna, coloquei água e comida, mas ela gritaria até cansar de todo jeito.
Descemos juntos e meu avô foi a primeira pessoa que vimos. Ele deu um abraço em Bella e apertou minha mão. Olhei-o indiferente, sem demonstrar um pingo de emoção, porque ele sabia, desde o princípio, que Charlie foi envenenado. Sei que ele, nos seus meios e com quase noventa anos de idade, tentou resolver da sua forma, mas, não entendo por que não procurou meu pai ou a mim, que estava prestes a assumir o comando. Não entendo por que abafou a morte de Charlie. O que me leva a crer que pode estar acobertando, novamente, um dos seus preciosos filhos. Vou descobrir qual.
Circulamos pela festa juntos e depois nos separamos, ela sentou ao lado de Rosalie e me juntei ao meu irmão e Jasper no canto, bebendo cerveja. Bella estava com uma taça cheia de vinho, rindo. Alice sentou com elas e fez alguma reclamação, apontando para suas costas e segurou a barriga com as duas mãos. As meninas tentaram acalmar alguma coisa com almofadas e desde então, Alice não levantou mais. Era seu aniversário, mas só havia gente da família que ninguém suportava e tenho certeza que todos estavam prontos para atirar no outro com facilidade.
- Está tudo bem? - Emmett me perguntou.
- Sim. Por que pergunta?
- Nada. O apartamento está pronto. - disse pegando outra garrafa de cerveja. - Rose e eu decidimos morar juntos.
- E o casamento? - perguntei porque não fazia sentido morar sem casar.
- Rosalie não recebeu a mesma educação que a nossa, no mundo dela, casamento é muito bem pensado. Ela quer, como me disse, caminhar antes de correr. - disse dando os ombros. - Sinceramente, só quero estar com ela do jeito que puder. - disse e sorri. Meu irmão idiota está apaixonado.
Sorri para ironia e fui para mesa. Peguei um prato grande e enchi com todos os antepastos que tinha na mesa e segui com outra taça de vinho para minha esposa. Sentei ao seu lado e dividimos o mesmo prato. Aprendemos a dividir nossa comida quando ficamos sozinhos, sem ter a obrigação de refeição a mesa e só tínhamos um ao outro de companhia. Mike e Tyler tinham seu próprio quarto.
- Baby, coma um pouco mais. Você está bebendo bastante. - disse oferecendo mais salame. - E tem muitos pães de alho ali. Sei que estava com vontade.
- Pega lá pra mim. - me espetou com um garfo. - Por que sinto o clima pesado? - sussurrou e olhou ao redor.
- Porque mantenho em cativeiro um suspeito de traição, sangue do meu sangue. Metade deve estar com o cu na mão, Tio Marcus abriu a boca para cada merda desses homens, mas estou relevando… Não é meu interesse agora. A outra metade está tensa com minhas atividades como Capo. Estão com medo. É só o começo.
- O que vai fazer?
- Não vou permitir que me derrubem, que me vejam como fraco. Eu vou atacar Las Vegas, vou atacar os russos, todos… Vou deixar a família agitada e não prestando atenção em mim. - disse e fiquei de pé. - Vem escolher comigo o que quer comer.
A porta abriu e eu sorri ao ver Jane entrar de mãos dadas com Félix e depois, Alec entrar com Victoria. Eu podia sentir o silêncio pesando. Minha prima me deu um sorrisinho. Victoria parecia que iria vomitar, mas estava firme. Bella deu a ela um único olhar de aviso e inclinou a cabeça discretamente em direção ao meu avô.
- Desculpe o atraso, Alice. Mas posso roubar a glória do seu aniversário por um instante?
- É claro. - Alice deu uma risadinha para o jeito galante de Alec e Jasper bufou ao seu lado, fazendo-a rir ainda mais.
- Família e amigos, essa linda mulher concordou em se casar comigo. - Alec ergueu a mão de Victoria, que abriu um lindo sorriso. Meu pai me deu um olhar divertido. Ele sabia o que estávamos fazendo. Já o Vovô parecia que teria um derrame. Seu neto casando com a filha e noiva de traidores, ambos mortos pela família? Era o fim.
- Alec! - Vovô bateu com a bengala, mas meu primo simplesmente deslizou a aliança no dedo de Victoria e a beijou. Ela, até agora, não demonstrou nenhum indício de que realmente tinha ideia das ações do seu pai e também estava mantendo sua rotina, de casa ao trabalho, sempre indo aos mesmos lugares, com as mesmas pessoas, nenhum amigo fora da família. Porém, ela sabia demais e se era leal a família, teria que fazer parte da família.
Ou morrer. Alec decidiu que poderia fazer o sacrifício de desposar Victoria, já que ela tinha medo dele e ele era apaixonado por uma garota que ele não poderia destruir a vida trazendo para família. Para não perder a batida, bati palma. Todo mundo bateu palmas, obviamente.
- Vinho para todos! Música! Há ainda mais motivos para festa! - continuei batendo palmas. - Um viva aos noivos! Bacio!
Alec beijou Victoria como um noivo com tesão e muito apaixonado. Bella me deu um olhar enojado, encheu o prato de comida e deu as costas, voltando para seu lugar. Em algum momento, ela desapareceu da festa. Disse que ia ao banheiro e não voltou mais. Saí da sala e procurei no quarto, mas, ela não estava lá. Abri a porta do pequeno escritório de Charlie e a encontrei mexendo em uma gaveta. Sentei na poltrona na sua frente e observei a sua agitação. Ela estava segurando seu controle, mexendo nas coisas, nas fotos, em tudo.
- Alguma dessas coisas fazem sentido para você? - perguntou empurrando uma série de papéis na minha frente. - São documentos que Charlie guardava no compartimento secreto. - gaguejou. - Tem muitas coisas da minha infância, muitas cartas que trocou com minha mãe durante o namoro. Tem fotos minhas… Eu não sei nada sobre essas coisas com códigos.
- Que tipo de código? - minha atenção saiu do seu rosto para muitos papéis. Ergui alguns e logo entendi. - Seu pai se correspondia com Tio Demetri.
- Você sabe dizer o que estão falando? - perguntou debruçando-se na mesa.
Parei para analisar as cartas e senti um frio na espinha ao perceber que Tio Demetri se recuperou com a ajuda de Charlie e o quanto ele também fez a proteção de Bella sem que ela soubesse, sempre sinalizando a Charlie que a inocência dela era um perigo em nossas vidas, eles também conversavam sobre meu pai e meus tios. Parecia que Charlie simplesmente não aceitava que alguns dos irmãos Volturi pudesse trair, mas, prometia ficar atento e ele realmente acreditava que uma das famílias descontentes assassinaram Renée. Li os relatos para Bella, em voz baixa.
Bella simplesmente começou a chorar. Levantei do meu lugar e ajoelhei ao seu lado.
- Eu quero ir embora daqui. - disse baixinho. - Me leva para casa. Me leva para Ilha. Eu quero sair daqui, por favor. - disse entre soluços.
- Aqui também é nosso lar, amore mio.
- Aqui é onde eu fui feliz, iludida e enganada. Aqui é onde eu fui a princesa do conto de fadas. Eu não aguento estar aqui, todas essas armações, armadilhas, eu só quero minha casa. Me leva embora, Edward. Eu não quero mais pensar naquele dia da loja, daquele homem me tocando, eu não quero pensar em James em cima de Alice e não quero pensar no bebê que perdi, ver Alice com seu bebê me mata porque eu não sei quando poderemos ter o nosso… E meus pais, tudo que eu sabia sobre eles e suas mortes… - sussurrou e olhou nos meus olhos. - Era mentira. Nada era verdadeiro. Você é tudo que eu tenho, por favor, me tira daqui.
Uma batida na porta nos afastou. Bella abaixou o rosto e seus cabelos criaram um muro de proteção.
- A bolsa de Alice estourou e segundo Zafrina, o bebê está coroando e não vai dar tempo de ir ao hospital. O médico está a caminho. - Rosalie disse.
- Nós já vamos. - disse e ela fechou a porta. - Vem para cama, assim que o bebê nascer, mando preparar o avião e iremos embora.
- Não. Vou descer e ficar com meu irmão.
Bella lavou o rosto, mas estava bem óbvio que ela estava chorando. Alice foi levada para um dos quartos do pátio, ainda havia muitos convidados pela sala principal, porque não era elegante sair quando todos seriam chamados de volta para comemorar o nascimento do bebê. Desconfiado do clima pesado da sala, apenas olhei para Mike. Ele sinalizou para os demais e formaram uma posição diferente, em alerta.
Minha mãe estava dentro do quarto com Zafrina e outras mulheres da vila. Rosália entrava e saia com panos. Bella sentou e observou o irmão andar de um lado ao outro, nervoso com os gritos de Alice. Quando a equipe médica chegou, não demorou muito para ouvir o choro do bebê. Jasper explodiu porta a dentro e gritou:
- É um menino!
Bella saltou de pé, olhando para porta. O irmão dela veio e a ergueu no colo. Os dois se abraçaram por um longo tempo, chorando e eu ouvi Jas dizer "os Swan não acabará em mim". Com cuidado, o médico permitiu que a família entrasse, Alice e o bebê estavam bem, então, não havia necessidade de irem para o hospital. Mas eu quis que eles fossem mesmo assim, um parto em casa não pode ser seguro.
Bella segurou seu sobrinho, envolvido em uma manta marrom e me olhou. Era um bebê pequeno e não estava chorando, carequinha, de olhos fechados. Abracei os dois ao mesmo tempo, desejando ter vida e saúde para viver esse momento com o meu bebê. Minha mãe nos abraçou e Alice sussurrou a Bella que também teria aquela bênção. Acompanhei minha irmã e o bebê até a ambulância. Quando voltei, meu avô estava abrindo a safra especial para comemorar o nascimento do neto com os homens e as mulheres quedavam arrulhos nas fotos. Não encontrei Bella em lugar nenhum.
Rosalie apontou para escada e a encontrei chorando, apoiada no corredor.
- O bebê é lindo. - sussurrei e ela me deu um aceno. - Ainda quer ir embora? - ergueu seu olhar conflitante e acenou. - Vou mandar preparar o avião. Prepare nossas coisas. Vai precisar de ajuda?
- Eu posso me virar. - disse e deu as costas, seguindo para o quarto. - Vou deixar Donna para Rose levar em alguns dias.
Dei meia volta e falei com Rosalie que iríamos embora. Ela me deu um olhar surpreso e foi para escada, provavelmente atrás de Bella. Minha mãe parecia horrorizada que iríamos embora.
- Não. Eu vou falar com ela.
- Mãe, você não entende…
- Bella sofreu muito em um curto período de tempo, Edward. Ela realmente pode quebrar a qualquer momento, mas ficar longe da família? Eu quero poder ajudar, cuidar dela. Mas Alice precisa de mim também. - disse e virou para escada. Ótimo. Agora parece que sou um marido banana.
Meia hora depois, Rosalie me disse que Bella acabou dormindo. Tio Caius me chamou para conversar e acabei ficando presp no escritório por horas, até meu pai voltar do hospital sozinho, dizendo que Alice e Jasper ficariam lá para os exames neonatais do bebê. Fiquei realmente feliz que estava tudo bem com os dois, meio ansioso para saber o nome do bebê. Quando todos foram embora, Tyler apenas me deu um sinal.
- Quis esperar a festa acabar. - disse e paramos no corredor dos fundos. - Ele foi pego por Mike no corredor, tentando chegar ao seu escritório.
Abri a porta e encontrei Vicenzo, um subchefe local, devoto à São Francisco, pai de três meninas e viúvo. Seu nome estava na lista que Tio Marcus cuspiu cheia de sangue.
- Me empolguei quando ele fugiu de mim. - Mike encolheu os ombros. - E tentou me bater. - deu ombros quando vi o rastro de sangue e chutou Vicenzo. - Cadê o seu respeito com o chefe?
- Você vai morrer. - ele gargalhou todo ensanguentado. - E eles vão pegar sua mulherzinha autoritária e foder com o rabo dela. - riu de novo.
- Eles quem?
- Quem sempre deveria ter comandado essa família. Nenhum Swan sobreviverá.
- É mesmo? Minha mulher é uma Volturi. E eu sou o único autorizado a foder o rabo dela, mas, como você vai morrer primeiro, morra sabendo que eu vou foder suas filhas também. - atirei no meio da sua testa. - Limpem essa bagunça. Mas não enviem o alerta de traição à família. Nada aconteceu, entenderam?
Havia sangue para todo lado. Zafrina, minha mãe e Bella dariam um ataque. Eu estava sujo também. Quando meu pai me viu, não fez perguntas, ele passou o comando e sabe que há coisas que não tem respostas.
Eu não podia lidar com outro escândalo durante meu comando. Por que o problema com os Swan? Eu estou no comando e Jasper ainda não tem idade para assumir. Ele não vai assumir tão cedo, porque não deseja viver na Itália. Não agora. Eu consegui o desejo de todos, unificar os territórios e comandar. Meu sangue estava quente e eu estava ainda mais desconfiado. Sentindo que o verdadeiro alvo era minha esposa e seu irmão, não a minha posição. Eles não querem tirar a minha família e sim a da Bella. Mas aí está o problema: Bella é minha esposa e seu irmão marido de minha legítima irmã.
Alguém, além do Tio Marcus, não ficou satisfeito com a unificação. E eu vou descobrir quem. Liguei para Tyler, para que assim que terminasse, pegasse as três filhas do Vicenzo, levasse para um local seguro, mas que fizesse parecer que não estamos brincando. Não vou punir três inocentes, até que se prove o contrário, adolescentes por culpa do pai. Mas certamente vou enviar a mensagem de que não estou brincando e que eles não atentem meu juízo ou eu realmente posso me tornar sanguinário. Entrei no quarto e Donna tentou pular da cama quando me viu. Bella estava apagada, vi o frasco do remédio para dormir e só podia ser coisa da minha mãe.
Tomei banho e deitei na cama, botei a cadela para o chão e abracei o corpo da minha esposa. Beijei seu ombro e tentei me concentrar em adormecer, mas a mente estava fervilhando. Vi o dia chegar e Bella bocejou, se espreguiçou e depois se envolveu em mim, me dando um beijo no peito.
- Acabei dormindo muito. - murmurou sonolenta. - Atrapalhei alguma coisa?
- Não. Resolvi umas coisas e vim deitar com você. - respondi e beijei sua testa. - Sente-se melhor? Ainda quer ir?
- Eu não sei, sinto saudades de casa, mas também temos responsabilidades com a vinícola. Vamos seguir o cronograma, vou ficar bem.
- Bella? Eu realmente acredito que iremos resolver nossa vida até o fim do ano, não vou demorar a descobrir o traidor. Sinto que estou perto. - sussurrei e beijei seus lábios. - Ano que vem teremos uma vida a dois melhor, sem dramas, sem medo. Eu te amo. Vai ficar tudo bem.
- Eu acredito em você.
- Então vamos nos arrumar, temos que ir à Florença. Se vamos ficar, não vamos nos atrasar.
Ela ficou de pé e tirou sua roupa de dormir.
- Vem tomar banho comigo. Lembrar dos dias pré casamento. - me deu um sorriso sensual e pulei da cama atrás dela.
Nós ficaremos bem enquanto tivermos um ao outro.
