— TPM? — urrou Sakura ainda mais nervosa. — POR QUE EU ESTARIA DE TPM?

Sasuke olhou tenso para a rosada, sem saber o que responder. O que ele faria agora? Como acalmá-la?

— Foi um mal entendido, acalme-se... — sussurrou para a menina.

— MAS EU TÔ CALMA!

Oh, e como estava. Sasuke levantou-se preguiçosamente da cama e puxou Sakura para si. A menina olhou interrogativa para o moreno, prestes a gritar novamente com ele.

— Claro que está. Eu só estou cansado. — deu uma desculpa esfarrapada e abraçou a menina delicadamente. — Perdão, agora vamos dormir.

A rosada olhou desconfiada para o moreno, mas ela decidiu deixar a raiva de lado no momento. Ela também estava deveras cansada e acabou por bocejar, enquanto era abraçada por Sasuke. Não sabia se era o sono ou o abraço do Uchiha,mas acabou realmente acalmando-se e quando ele deitou, ela voltou a colocar a sua cabeça em cima do peito desnudo dele. E não demoraram a adormecerem.

Sakura acordara cerca de cinco horas da tarde. Viu-se deitada sobre o tórax de Sasuke e lembrou de tudo. Eles haviam feito amor, se declarado e após isso a rosada havia tido um surto de mal humor devido a TPM. Acabaram dormindo depois disso, como se nada demais tivesse acontecido. A menina olhou para o moreno que ressonava tranquilo e sorriu. Meses atrás, nunca imaginaria que iria apaixonar-se perdidamente pelo melhor amigo de Naruto Uzumaki... E fazer amor com ele.

— SANTA MÃE DE DEUS! — gritou desesperada quando lembrou-se de algo importante.

Sasuke acordou assustado com o berro da rosada que a alguns segundos estava deitada nele. Abriu os olhos cansado e confuso e viu Sakura descabelando suas madeixas róseas com os olhos arregalados.

— Sakura...? — indagou com a voz rouca de sono.

Olhou cautelosamente para a menina que surtava por um motivo que não fazia ideia. Não estranhou muito - ela estava na TPM, afinal - mas ainda sim sentiu uma curiosidade grande de descobrir o porquê disso.

— Sasuke-kun! — exclamou desesperada. — Não usamos camisinha!

Merda. Ele não havia lembrado disso na hora e aparentemente Sakura também não. Na verdade, nunca se lembraria se não fosse por ela. Agora teria que ir na farmácia e comprar uma pilula do dia seguinte.

— Vou na farmácia comprar o remédio.

Levantou-se sem vontade nenhuma da cama e procurou por suas roupas.

— Graças a Deus que lembrei. — disse ao moreno depois de tomar o remédio. — Eu estou no período fértil.

Sasuke engoliu seco só em pensar no quanto fora irresponsável. Não que não quisesse um filho, - a ideia de um filho com Sakura o agradava - mas agora seria problemático... Era muito novo.

— Hn.

Os dois estavam sentados no sofá, cada um perdido em seus próprios pensamentos. Sasuke pensava que fora até bom ir na farmácia, agora tinha seu estoque de camisinhas. Já Sakura...

— Sasuke-kun, você não vai me pedir em namoro? — indagou ao moreno que quase riu da pergunta.

É claro que ele ia. Inclusive havia comentado nesse mesmo dia com ela sobre isso, mas estava pensando em pedir num momento mais agradável. Desistiu disso e olhou divertido para ela.

— Eu preciso mesmo pedir? — sentiu-se constrangido ao dizer isso.

— Que romantismo exagerado, Sasuke-kun. Acho que vou vomitar. — ironizou e o menino deu de ombros.

— Acostume-se com isso. — disse incomodado. — Não sou acostumado a fazer esses tipos de coisa.

Nunca fora acostumado a gesto de afetos exagerados, assim como o irmão e o falecido pai. Sua mãe era bem grudenta quando ainda vivia, mas mães são exceções, pensou Sasuke. Gostava muito de Sakura, mas não sentia-se a vontade para fazer declarações românticas como existia em abundância nos livros.

— É brincadeira. — disse para o moreno. — Eu não me importo. — continuou a olhar para o menino que cada vez ficava mais angustiado sem a sua resposta.

Sasuke não tinha pedido, mas a garota o conhecia bem o suficiente para saber que a pergunta que ele fez era como se fosse um pedido nas entrelinhas. Riu um pouco da expressão engraçada que o moreno fazia.

— Eu aceito, aliás.

Sakura havia acabado de escutar a campainha da sua casa tocar. Tinha certeza de que era Sasuke, uma vez que ele iria almoçar na sua residência, a pedido de Kizashi. A rosada, assim que fora embora, contou aos seus pais que estava namorando com Sasuke. Sua mãe não havia ficado muito surpresa, visto que os dois andavam muito agarrados ultimamente, mas seu pai ficou surpreso. Jamais imaginaria que sua filhinha já estivesse com um homem em sua vida, fora ele. O patriarca engoliu todo o ciúmes - depois de ver o olhar fulminante de sua esposa - e disse para a filha que estava tudo bem, desde que ela seguisse duas regras e concedesse um pedido a ele. As regras seriam de sempre lhe dar satisfação quando saísse com o namorado e que continuasse com seu juízo. E quanto ao pedido... Era para ela trazer o tal Sasuke - que apenas Mebuki conhecia - para um almoço.

— Espero que meu pai não invente de fazer nenhuma gracinha... — pensou alto antes de abrir a porta.

Como o esperado, encontrou Sasuke em frente a sua casa a esperando. Ele usava uma blusa azul escura e uma calça jeans preta e parecia um pouco distraído. Sorriu para o moreno e indicou que entrasse na casa.

— Bom dia, Sasuke-kun. — disse sorridente ao namorado.

Ele tirou as mãos de dentro do bolso e olhou para a rosada que parecia tranquila. O moreno não tinha resquícios de tensão em sua face, mas por dentro estava bastante nervoso. Não sabia como era o pai de Sakura e esperava que ele fosse uma pessoa fácil de lidar como a mãe Mebuki. Tentou sorrir - mas nem mesmo um repuxar dos lábios havia sido feito - e seguiu Sakura pela casa dela.

— Hn, bom dia.

Não havia demorado a dar de cara com os pais da namorada. Sasuke olhou para os dois parecendo tranquilo e fez o seu máximo para dar um sorriso de lado - que por sorte dessa vez havia saído descente - e fora correspondido por ambos. Sakura não conseguiu não sorrir com a cena.

— Pai, esse é o Sasuke. Sasuke-kun, esse é Kizashi, meu pai. — indicou o pai com um leve inclinar da cabeça. — A minha mãe você já conhece...

A menina sentiu o nervosismo tomar conta de si. Ela sabia que o normal seria Sasuke estar nervoso e não ela... Mas queria muito que os três desse certo. Olhou de esguelha para o garoto que mantinha uma expressão neutra.

— É um prazer, Kizashi-san. — a menina se segurou para não arregalar os olhos.

Sasuke nunca chamava ninguém com honoríficos. Ninguém mesmo, de acordo com o que havia visto e Naruto, que o conhecia desde sempre. Riu mentalmente pensando na expressão que ele faria quando ela gozasse com a cara dele por isso. Estaria ele com medo de seu pai?

Por outro lado, Kizashi havia aprovado a educação do garoto. Não eram íntimos, por isso seria estranho ele o tratar de outra forma. Viu o garoto estender a mão para si e apertou dando um sorriso sincero - embora ainda não estivesse acostumado com a ideia de compartilhar sua filha - para o namorado da sua menina.

— É um prazer, Sasuke. — outra vez a rosada segurou para não rir com a voz exageradamente grossa e rígida do pai.

Francamente... Sakura pensava com uma desaprovação vista em seu rosto.

Mesmo que ninguém tenha percebido, Sasuke não achou ruim ouvir a voz do patriarca da casa sair rígido. De certa forma lembrara de seu pai, que sempre falava assim, quando ainda era vivo... Tentou tirar seus pensamentos de seus pais, sem sucesso. Estariam eles felizes por ter encontrado alguém que gostasse muito? Sua mãe ficaria com ciúmes a primeiro momento e depois gostaria da ideia por não ter uma filha menina, como ela sempre mostrou querer? Queria muito saber as reações, embora fosse impossível.

— É um prazer revê-la, Mebuki-san. — cumprimentou a matriarca dando um beijo em seu rosto, fazendo-a dar uma risadinha.

— Ótimo ver você novamente, Sasuke! Mas não precisa dessa formalidade toda não! — ralhou com o garoto como se o conhecesse desde sempre, coisa típica de mães. — E você, Kizashi. — olhou feio para o marido que ainda sentava ao seu lado no sofá da casa. — Não finja ser sério apenas para amedrontar o garoto! Deus sabe que você é um palhaço irreversível... — suspirou fazendo a sua filha rir e deixar o marido vermelho de vergonha do comentário.

O pai de Sakura resmungou algo inteligível e olhou feio para a mulher, que fez o mesmo. Sakura balançou a cabeça em negação, sabendo o que iria acontecer. Os dois começariam as discussões completamente sem sentido - não era realmente uma briga, mas ainda sim seria constrangedor fazer isso em frente ao seu namorado - e ela ficaria zangada.

— Você quer acabar com a minha moral diante do garoto, Mebuki? — reclamou Kizashi suspirando devido a atitude de sua esposa.

Ele a amava muito, mas ainda sim irritava-se constantemente com algumas de suas ações. Era normal um pai querer ser respeitado pelo namorado da filha, certo? Cruzou os braços enfurecido.

— Moral? — indagou a mãe com um sorriso cínico. — Nunca vi isso em você.

E então os dois começaram a discutir sobre assuntos que nenhum dos dois adolescentes presentes estavam entendendo. Mas mesmo que não entendessem nada, cada um já tinha uma opinião formada sobre a atitude dos dois. Sakura estava a ponto de avançar e dar uma voadora em seus pais por envergonhá-la na frente de Sasuke. Ela nem ao menos conseguia olhar para o rosto do moreno. Já ele estava divertindo-se com todo o acontecimento. Seus pais também haviam tido vários momentos semelhantes, devido a sua mãe caçoar ou simplesmente estar estressada com a vida. Isso fez o Uchiha sentir uma enorme nostalgia e ele acabou sorrindo sem nem ao menos perceber o ato.

— Eu e o Sasuke-kun vamos subir. — disse para os pais que continuavam a discordar de assuntos desconhecidos pelos garotos. — Mamãe, não se esqueça do almoço.

Dito isso, a rosada puxou o braço do moreno com mais força do que deveria - e ele fez uma breve careta por isso - e subiu as escadas de sua casa até o seu quarto. Quando chegou, jogou-se contra a cama e fechou os olhos tentando encarar Sasuke sem estar muito envergonhada.

— Sasuke-kun? — indagou assustada para o moreno que ainda sorria. — Você não está bravo com o que acabou de acontecer? — perguntou incerta.

— Por que eu estaria? — olhou para a menina com uma expressão confusa. — Isso é nostálgico, de certa forma.

Um silêncio pairou sobre os dois. Sakura não sabia o que responder, temendo chatear o garoto que a pouco havia perdido os pais. Já o Uchiha, simplesmente não tinha mais nada para dizer e gostava de ficar em silêncio, não se incomodando nem um pouco com a falta de resposta.

— Sakura! — escutaram o grito de Kizashi do andar de baixo. — Espero que a porta do quarto esteja aberta!

Os dois riram com o comentário do pai ciumento. Se ele ao menos soubesse... A menina balançou a cabeça ainda rindo e olhou divertida para Sasuke, que agora estava sentado na beirada da sua cama.

— Quer arriscar? — indagou para o moreno.

Sasuke olhou para a rosada com um sorriso malicioso em seus lábios. Ele não era experiente nesse quesito de conversa - e por sorte sabia que Sakura também era - e assim não sabia exatamente uma resposta plausível. Optou por ser cínico.

— Fechar a porta?

Sakura riu com o comentário falsamente inocente do moreno. Ela puxou ele para si e beijou-lhe nos lábios.

— Algo melhor. — disse e não hesitou a colar os lábios nos de Sasuke novamente.

Sasuke ainda estava assustado com a rapidez que o relacionamento de Sakura e dele estava acontecendo. Havia pouco tempo que eles haviam se beijado pela primeira vez e já estavam namorando, já haviam feito aquilo e confessado que amavam-se. Era tudo sincero, é claro, mas a falta de demora e a intensidade de tudo o deixava apreensivo, como se tudo fosse desmoronar, já que o relacionamento havia sido construído com muita rapidez.

— E então, Sasuke? O que achou da comida? — indagou Mebuki sorridente.

— Estava ótima. — respondeu sincero.

Deu graças a deus que a mãe de Sakura cozinhava bem como ela e que também fez um prato que ele gostava muito - macarrão ao molho pardo com muitos tomates. Suspeitou que Sakura havia falado sobre os seus gostos culinários.

— Está vendo só, Kizashi? Você é a única pessoa que reclama da minha comida! — acusou a loira cruzando os braços.

Ele deu um riso sem graça para a acusação da sua esposa. Ele amava a comida de Mebuki, apenas reclamava as vezes para implicar com ela.

— Sua comida é boa, mas você tem que concordar comigo que as vezes fica muito salgada. Não é mesmo, Sakura? — a rosada revirou os olhos enquanto os seus pais olhavam para ela esperando uma resposta.

— Não comecem a brigar de novo, pelo amor de Deus! — disse depois de bufar.

— Não estamos brigando, querida. É apenas um choque de ideias...

Era só o que faltava, essa era a frase que pairava na mente da filha dos Haruno. Olhou feio para a mãe que apenas ignorou o ato da filha.

— Não nos olhe assim... — suspirou o senhor Haruno para a filha. — Isso é completamente normal. Seus pais faziam isso também, certo, Sasuke?

Sakura olhou chocada para o pai, temendo uma reação tristonha do namorado. Ela pegou as mãos do namorado por debaixo da mesa e ele a apertou, como se estivesse afirmando que estava bem com tudo isso. Virou seu rosto para o moreno, que tinha um pequeno esboço de sorriso no rosto.

— Sim, eles faziam. — a voz de Sasuke, sem ele perceber, saira cheia de nostalgia.

Acabou tocando a família dos Haruno com um simples comentário e com isso finalmente Kizashi deixou seu ciúme da filha para o lado e acabou sentindo compaixão pelo moreno. Já Mebuki, segurou-se para não chorar.

— Está vendo, Sakura? Sem drama. — disse o pai da menina.

Sakura ficou feliz por ver a suavidade na voz de seu pai, que parecia ter esquecido que precisava de engrossar a voz. Depois disso viu que a barreira do ciúme desnecessário dele havia caído, ao menos um pouco, e contratou que não precisava mais ficar apreensiva com o desenrolar do relacionamento de seu pai com Sasuke. Tudo ia ficar bem.