A bailarina e o soldado de chumbo parte III

Passada um pouco da emoção que Shannon sentiu ao ver seu marido vivo, ela olhou para Juliet e indagou a si mesma o que eles faziam algemados. Sayid notou o semblante de dúvida no olhar dela, mas antes que explicasse à esposa o que tinha acontecido, as pessoas que se concentravam em frente à enfermaria para saber de Tina voltaram suas atenções para eles.

- Sayid!- Andrew exclamou, aproximando-se dele. – O que aconteceu? Pensamos que você não voltava mais.

Sayid ergueu o braço que estava algemado com o de Juliet, ela ainda não tinha pronunciado nenhuma palavra.

- Será que alguém pode conseguir algo para arrebentar isto?- indagou ele.

- Eu vou buscar o machado.- disse Michael, dirigindo-se à sua cabana, tão curioso quanto todos os presentes para saber o que acontecera com Sayid para estar algemado à Juliet.

- Shannon, e a água quente?- indagou Aline, à porta da enfermaria. Durante a busca por Tina, a brasileira tinha ido procurar na direção contrária a de seus companheiros, e só a pouco retornara. Ela e Desmond ainda não tinham trocado nenhuma palavra, apenas se olharam e sorriram. Ela estava preocupada, porque não sabia como ficaria seu relacionamento agora que Tina voltara para a comunidade.

- Alguém sabe da Debbie?- indagou Rose em meio às pessoas, mas ninguém sabia, apenas balançavam a cabeça em negativa. – Oh Deus, por onde anda essa menina? Já estou começando a ficar preocupada.

- Eu posso ir procurá-la.- ofereceu-se Steve.

- Eu vou com você.- disse Pedro.

Nikki olhou para ele com ar desconfiado, e comentou maldosamente:

- Acho que ela estaria mais segura com os ursos na floresta do que com você, Pedro.

Ele ia responder à provocação, mas Paulo que estava bem ao lado dela, colocou-se diante de Pedro com ar ameaçador. Ele deu meio-volta, seguindo Steve para dentro da floresta em busca de Debbie.

Shannon foi até Aline e levou a água quente que Jack tinha pedido para cuidar de Tina, e ficou na porta da enfermaria sem abraçar Sayid, embora fosse o que mais desejasse. Ele se sentiu mal porque sua esposa ainda estava magoada com ele, e estar algemado à Juliet também não ajudava.

Michael trouxe o machado e conseguiu arrebentar sem problemas a corrente que os prendia. Quando se viu livre das algemas, Sayid esfregou o braço dolorido. Juliet fez o mesmo, mas seu braço sangrava um pouco.

- Cara, como foi que vocês ficaram algemados?- perguntou Michael.

Juliet olhou para Sayid, esperando que o iraquiano contasse que foi ela quem os algemou visando a confiança dele, mas surpreendeu-se quando Sayid falou:

- Eu não sei Michael, a última coisa que me lembro, é de estar amarrado em uma estufa e sentir cheiro de gás tóxico, depois disso acordei algemado com Juliet.- ele olhou para ela, e Juliet tratou de confirmar a história dele.

- Eu também não me lembro de nada, só de estar na casa do Ben com vocês e depois, quando aquela confusão toda começou e veio o gás, eu apaguei e acordei na floresta algemada ao Sayid.

- Que coisa estranha!- exclamou Michael. – Eu acordei à beira de um precipício, se o Jack e os outros não tivessem aparecido...

- Vocês podem me dar licença?- indagou Sayid, agoniado para falar com Shannon.

- Sim, é claro.- respondeu Michael e quando Sayid se afastou ele começou a fazer um sem fim de perguntas para Juliet, que respondeu a tudo com monossílabos, finalmente se despedindo e indo cuidar de seus ferimentos em sua cabana quando ele disse a ela que Jack estava muito ocupado cuidando de Tina na enfermaria.

Dentro da enfermaria, Jack conseguiu remover a bala da perna de Tina, felizmente o tiro não pegara profundamente. Sun estava ao lado dele, ajudando-o a suturar o corte, condoendo-se de culpa e Shannon segurava a mão da amiga tentando dar-lhe algum apoio. Aline estava ao lado dela, pronta a ajudar se fosse necessário. Eko assistia tudo a um canto com uma expressão indecifrável.

De repente, Tina abriu os olhos verdes, arregalando-os para Jack. Estava tremendo e sentindo dor.

- Fique calma.- pediu Jack terminando de suturar o corte. – Vai ficar tudo bem.

Mas as palavras dele não a acalmaram, ao invés disso, ela deu um grito histérico e empurrou todos para longe dela. Sun tentou segurar-lhe a perna, para que a sutura não se desfizesse, mas apenas os braços fortes de Eko conseguiram contê-la.

- Quem são vocês? Quem são vocês?- ela gritava, desesperada.

No entanto, ao sentir os braços firmes de Eko ao redor de si e fitar os olhos castanhos e profundos dele, ela se acalmou e balbuciou:

- E-ko!

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Sawyer caminhou pela cabana iluminada com uma lamparina improvisada e sorriu ao ver o bebê James, dormindo quietinho, chupando o dedo dentro do bercinho de balanço que ele construíra com alguma ajuda de Locke.

- Parece que James aprovou o berço.- comentou ele.

- È!- foi tudo o que ela disse.

Ele limpou a garganta. Quando entrou na cabana tinha dito que precisavam conversar, mas agora não sabia como começar.

- Chica...

- Fale logo, Sawyer!- ela exigiu com seriedade, os braços cruzados sobre o peito.

Ao vê-la falando com ele daquele jeito, cheia de autoridade, Sawyer sentiu-se feliz porque lhe pareceu por alguns momentos que nunca tinham se separado, que Ana não tinha passado tanto tempo fora e sem memória.

- Eu não sei como Cassidy veio parar aqui.- pronto, falou a primeira frase e se sentiu um pouco aliviado.

- Então ela não estava aqui desde o acidente? Não estava no avião?- ela perguntou, desconfiada.

- Não, não estava!

- Ela é sua esposa?

- Não.

- Mas vocês tem uma filha?

- Sim.

- Você vivia com ela antes do acidente de avião?

- É uma longa história, Ana.

- Eu tenho tempo.- Ana respondeu, falando sempre em voz baixa para não acordar seu filho. – Porque James Ford, se essa mulher for sua esposa e esteve com a filha no avião, e você...

- Pelo amor de Deus, Ana!- Sawyer bradou em voz alta, irritado e instintivamente ela olhou para o berço de James, o menino se mexeu e fez uma careta de choro com os olhos fechados.

- Cala boca, caipira dos infernos!- disse ela, mantendo a voz baixa, mas o tom não foi nada amigável.

Correu até o berço do filho, balançou-o e sussurrou-lhe uma canção de ninar até que o semblante zangado da criança desaparecesse e ele voltasse a dormir em sono profundo.

- James Ford, caipira dos infernos...- ele comentou em voz baixa dessa vez. – Está começando a se lembrar de todos os nomes, querida.

- Sim.- ela respondeu. – E também de quem você é, portanto acho bom me explicar direitinho essa história com essa mulher se não quiser dormir na areia da praia hoje.

Ele passou as mãos pelos cabelos loiros, desalinhando-os, demonstrando o quanto estava nervoso. Ana também estava nervosa, seus lábios ligeiramente entreabertos e o peito subindo e descendo.

- Aliás, onde você estava?- ela indagou olhando para uma mancha molhada na calça dele.

- Eu estava no lago, tomando banho.- ele respondeu dando de ombros, sem mencionar sua breve conversa com Debbie. – Baby...- ele tentou novamente, uma conversa amigável com ela. – Me desculpe ter saído correndo daquele jeito, mas fiquei nervoso com a situação, não é fácil ter duas mulheres te pedindo explicações.

- Então que tal começar a esclarecer as coisas pra mim?

- Farei isso, se você relaxar e não ficar me interrompendo, certo, cupcake?

Ela nada respondeu, esperou que ele falasse:

- Conheci a Cassidy, três anos atrás no Novo México. Ela estava separada do marido não tinha muito tempo, nos conhecemos em um bar. Naquela época, eu vivia de um ofício não muito honesto...

- Você era um golpista...- ela se lembrou, Kate lhe contara tudo sobre isso há algum tempo atrás quando elas começaram a ficar amigas.

- Sim.- ele assentiu. – E a Cassie tinha recebido uma bolada do marido. Mas era muito esperta, se eu desse um de meus golpes convencionais ela não cairia. Então, eu a seduzi e nós ficamos juntos, daí comecei a dar o golpe nela, fingi que estava dando o golpe e ela se achou muito esperta por descobrir a respeito e no final das contas ficamos dando golpe juntos, ela sempre dizendo que não tinha nenhum dinheiro e que era feliz comigo na vida de golpes, mas eu sabia que uma hora ela ia me contar sobre o dinheiro que ela tinha recebido do ex-marido.

Ana ergueu uma sobrancelha, e continuou ouvindo a história:

- Um dia a Cassidy chegou pra mim e disse que queria dar o grande golpe, o último para nós podermos desfrutar de uma boa vida no México, de preferência. Eu disse a ela que para darmos um grande golpe precisaríamos de muito dinheiro e como você pode deduzir ela caiu direitinho, me falou da grana. Mas o que ela não contava era com a minha esperteza, então uma tarde eu cheguei em casa pedindo perdão e dizendo a ela, que ela era o golpe e que se não fugíssemos meu comparsa nos mataria; acontece que o meu comparsa era um tremendo idiota e não seria nada difícil se livrar dele, mas Cassidy não sabia disso e eu a mandei para um hotel me esperar com o dinheiro enquanto resolvíamos as coisas, e ela me obedeceu, muito assustada e foi embora levando o dinheiro, achando que eu a amava. No entanto, o dinheiro não estava com ela, estava comigo e eu fugi com tudo depois de passar meses com ela.

- Como pôde ter feito isso?- Ana-Lucia perguntou.

- As coisas eram muito diferentes naquela época, amor. E eu subestimei a Cassie, ela me entregou pros tiras e algum tempo depois eu fui preso enquanto almoçava em um restaurante, a situação foi muito embaraçosa se quer saber. Fui preso em LA por uma Capitã da polícia chamada Raquel Cortez.

Ana-Lucia ficou gelada ao escutar aquele nome.

- Você disse Raquel Cortez?

- Sim, você a conheceu? Sabe, ás vezes me esqueço que você era policial.

- Sim, eu a conheci.- admitiu Ana, a lembrança pulando na sua mente. – Raquel Cortez é minha mãe.

Dessa vez foi Sawyer quem ficou gelado.

- O quê? Você é a filha da Capitã M? Eu não acredito!

- Capitã M?

- Sim, era como eu costumava chamá-la e ela me chamava de James Bond porque eu trabalhei para ela durante algum tempo enquanto estive na prisão. Uma mulher excepcional, devo dizer.

- Trabalhou para ela? Como isso?

- Bom, talvez eu não deva lhe contar sobre isso, já que imagino que sua mãe nunca te contou. Mas, posso lhe dar uma idéia da situação sem quebrar a promessa que fiz a Raquel de manter nosso trato em sigilo absoluto.

- Estamos numa ilha, droga! Você pode me contar!

- Docinho, sua mãe foi a única pessoa pra quem eu não menti, e pretendo manter as coisas dessa forma. Mas posso dizer a você que fizemos um trato quando fui preso.

- Alguém fez muito mal a ela no passado e ela queria se vingar, e aparentemente minha ajuda seria importante para ela conseguir seu intento. Mas o acordo incluía que eu ficasse preso algum tempo e tentasse fazer outro acordo com o diretor corrupto da prisão para sair de lá.

- Se você tinha que ficar preso, por que ajudou minha mãe?

- Porque a vingança dela, por uma louca coincidência também era a minha, queríamos nos vingar da mesma pessoa.

- E quem é essa pessoa?

- Em respeito à Raquel, não posso contar a você, mas o fato é que aceitei o acordo, fui preso, fiz um acordo com o diretor da prisão e depois fui solto. Mas antes de sair da cadeia, Cassidy me procurou para me contar sobre a menina. Fiquei tão chocado com a notícia que a minha reação foi renegá-la.

Ana-Lucia balançou a cabeça negativamente.

- Mas quando saí da prisão recebi um bom dinheiro pelos meus serviços de golpista prestados ao diretor do presídio, e doei o dinheiro para minha filha. Sei que não era a melhor forma de ser o pai dela, mas no início foi só o que pude fazer. Eu e sua mãe tínhamos ficado amigos e ela estava sempre falando de você. Isso de alguma maneira me fez querer conhecer minha filha.

- E você foi conhecê-la?

- Sim. Cassie estava vivendo com ela em Albuquerque e antes de eu ir pra Sidney, onde eu possivelmente encontraria a pessoa a quem eu e sua mãe queríamos, fui vê-la. Ela era só um bebezinho e foi muito emocionante conhecê-la. Eu não tinha nada na vida naquela época e prometi à Cassie que quando voltasse para os Estados Unidos eu iria viver com ela.

- Oh Deus, e ela ainda o está esperando!- exclamou Ana, compreendendo toda a situação.

- Sim, ela está me esperando há quase três anos.

Ana sentiu seu coração apertado, mas tinha que perguntar:

- Então, está aqui para me dizer que irá cumprir sua promessa, que irá voltar pra ela e sua filha? Sawyer, você a ama?- ela falou aquelas palavras com um pouco desespero, não conseguiu disfarçar. Tinha sido muito difícil viver sem ele aqueles cinco meses, e ela não queria perdê-lo de novo.

- Não baby, vim aqui dizer que quero você. Achei que amava a Cassidy, mas o que eu sentia era culpa por tê-la enganado e renegado nossa filha, mas eu amo você desde que me violentou na floresta.- ele disse com ar divertido.

- O quê?- ela indagou.

- Você não se lembra, de como me jogou no chão e me beijou como uma ninfa, tudo por causa de uma arma?

As imagens deles juntos se amando na floresta vieram à mente de Ana e ela sorriu, lembrando-se.

- Sim, eu me lembro. Não consegui parar de pensar em você depois disso e ficava desejando que você viesse me atacar, como vingança...

O coração de Sawyer acelerou e certa parte de seu corpo começou a receber sangue a mais ao reviver mentalmente seu interlúdio com ela na floresta.

- Eu costumava perguntar a sua mãe quando a conheceria, ela dizia que era perigoso porque poderíamos nos apaixonar, e ela não queria sua filha louca por um charmoso golpista. E eu dizia a ela, que isso significava que éramos almas gêmeas.

- Vem cá!- ela sussurrou, louca para beijá-lo.

Sawyer se aproximou dela e tomou-lhe a boca, beijando-a. Ana o abraçou e reclamou quando sentiu as calças molhadas dele.

- Tira isso!

Ele sorriu e tirou rapidamente toda a roupa, ficando completamente nu e para o delírio de Ana, com a masculinidade ereta. Ana mediu-o dos pés à cabeça, ainda mais desinibida do que da última vez que estiveram juntos no esconderijo da casa de barco.

- Temos que consumar nosso amor na nossa nova casa...- ele disse se aproximando dela na cama. Observou sua face na penumbra da cabana, mechas de cabelo negro emolduravam-lhe o rosto bonito. A camiseta de cor bege e tecido fino deixava entrever o contorno dos seios, as pontas dos mamilos e a sombra ao redor.

Ana percebeu que ele estava admirando seu corpo e tirou a blusa a colocando de lado, chamando seu amor para junto de si.

- O que você quer fazer com o seu dengo?- ela perguntou, sedutora.

- Quero beijar meu dengo, cada pedacinho desse corpo que eu amo!

Ela sorriu e abriu os braços para ele em um claro convite, tão feliz que mal podia se conter. Feliz por ele querê-la, feliz por não tê-la abandonado. Beijaram-se. Ana amava aquela boca úmida e quente tomando a sua. Tão diferente de beijar Benjamin Linus, estremeceu ligeiramente ao se lembrar do beijo dele e Sawyer percebeu isso.

- O que foi?- ele se afastou ligeiramente dela. – Por que estremeceu?

- Porque você tem esse efeito em mim.- ela respondeu, não deixava de ser verdade. Estremecia por Sawyer de uma forma muito diferente do que com Ben. – Amor...-ela sussurrou, apertando-se contra ele, os seios roçando-lhe o peito, deixando-o louco.

Com ambas as mãos ele pegou seus seios, as pontas dos dedos apertando os mamilos endurecidos, beijando com muito carinho todo o rosto dela, queixo, testa e lábios.

Ana-Lucia deitou na cama e Sawyer a seguiu, deitando-se por cima dela. Beijou-lhe os seios e sentiu-a arquear os quadris embaixo dele.

- Você é toda minha, chica...

Ana sentia seu corpo queimando com uma necessidade insuportável de senti-lo dentro dela e o puxou pelos quadris, dizendo:

- Temos tempo para os carinhos, meu amor, mas agora cowboy, só quero você me preenchendo, sem parar...até me enlouquecer...

Sawyer deu uma mordida vigorosa no pescoço de Ana, fazendo-a dar um gemido alto.

- O bebê, muchacha, não se esqueça do bebê.

Ela assentiu controlando a própria necessidade de extravasar seu prazer, e exigiu em voz baixa:

- Termine de me despir, preciso de você!

- Sim...também preciso de você!- ele respondeu, retirando rapidamente a calcinha dela, antes de se posicionar entre as coxas macias de Ana e afundar no calor molhado da feminilidade dela.

Ana-Lucia equilibrou as pernas às costas dele, antes de descê-las, entrelaçando-as ao redor da cintura masculina. Segurou um grito de prazer quando sentiu a dura penetração, lembrando-se de que seu anjinho dormia tranqüilo na cabana com eles.

- Nunca vou te deixar...- Sawyer sussurrou, durante seus impulsos no corpo dela, vibrando de excitação e desejo.

Ana gemeu e mordeu o pescoço dele para conter outro grito. Eles rolaram na cama e Ana ficou por cima, mantendo o ritmo e os impulsos do corpo dele dentro do seu.

- Oh amor, devagar, não quero que escape...- ela comentou maliciosa e riu.

Sawyer riu também e apertou os quadris dela, antes de beijá-la profundamente. À porta da cabana, Cassidy ouviu os gemidos abafados e os risos cúmplices do casal. Depois de conversar com Kate, decidiu tentar conversar com Sawyer, mas quando chegou à cabana dele, ouviu o que não queria. A rústica construção não era à prova de som. Cabisbaixa, decidiu ir para a cabana onde estava vivendo, cuidar de Clementine. Tentaria falar com Sawyer pela manhã.

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- E a Tina?- indagou Kate quando Jack entrou exausto na cabana, limpando o suor da testa. – Ela está bem? Conseguiu tirar a bala?

- Sim.- respondeu ele, tirando a camisa suada e a jogando num canto da cabana. – Mas ela está estranha, não se lembra de ninguém a não ser do Eko.

- Do Eko?- Kate estranhou.

- Sim, quando eu estava cuidando da perna dela, Tina acordou e ficou histérica, mas ao ver Eko pareceu se acalmar e foi por isso que eu consegui terminar tudo, tirar a bala e fazer o curativo. Quando eu terminei, o Eko a levou para a cabana da Aline, ela prometeu cuidar dela, dei-lhe alguns antibióticos para dar à Tina e pela manhã vou vê-la.

- Estranho esse comportamento dela em relação ao Sr. Eko, talvez eles fossem mais amigos do que a gente sabia. Jack, onde acha que Tina esteve sempre todo?

- Eu não sei, Kate. Espero que possamos descobrir logo, fico pensando se a volta dela para a comunidade não seria uma estratégia de nossos inimigos.

- Talvez.- ela concordou. – Mas você mesmo me disse tudo o que aconteceu na Vila deles, Benjamin Linus sumiu e algumas pessoas do grupo dele morreram. Para onde ele terá ido com o resto de seu grupo? Talvez Juliet saiba.

Jack balançou a cabeça negativamente.

- Nem sabemos onde Juliet está.

- Ela já voltou para a comunidade Jack, enquanto você cuidava da Tina, ela e o Sayid. Eu a vi na praia.

- Sério? Preciso falar com ela, saber o que aconteceu.- ele se abaixou para pegar a camisa suada do chão.

Kate franziu o cenho, irritada.

- Aonde você vai?

- Vou falar com Juliet, mas volto logo.

- JACK CHRISTIAN SHEPHARD, você não VAI!- Kate gritou as palavras.

- Como é?

- Acabamos de chegar, Jack.- ela protestou. – Eu estou exausta, ainda não comi nada, estou louca por um banho e a Lilly não me deixou um instante sequer desde que a peguei no colo, só consegui fazê-la dormir há cinco minutos e você, mal chega em casa e já vai sair de novo, ainda mais para falar com a Juliet? Será que não dá pra esperar até amanhã de manhã?

- Kate...

- VOCÊ NÃO VAI!- ela gritou outra vez, acordando Lilly. A menina começou a chorar desolada dentro do bercinho.

- Você a acordou, Kate!- disse ele, nervoso.

- Isso não está dando certo...- falou ela, indo buscar a filha que chorava em altos brados no berço.

Kate tirou Lilly do berço e acalentou a filha, cantarolando palavras ininteligíveis, mas a menina estava com o rostinho vermelho e não dava sinais de que ia se acalmar.

- Não chora, querida, não chora...

Jack estendeu os braços para Kate:

- Me deixe tentar!

- Não, eu posso...

- Me deixe tentar, Kate.- ele pediu com a voz mansa e ela entregou a menina à ele.

Jack a segurou, embalando-a junto ao peito nu. Lilly parecia ainda menor nos braços musculosos de seu pai.

- Por que todo esse choro, boneca? Papai e mamãe estão aqui...não chore...- Lilly começou a se acalmar aos poucos no colo de Jack. Kate sorriu levemente, ele parecia ainda mais perfeito com a filha nos braços. Sem perceber, começou a chorar, baixinho.

- Kate, o que foi?- Jack perguntou, ainda ninando a pequena Lilly. Ela agora estava quieta, mas com os olhinhos bem abertos fitando seu pai. Seus pequenos olhos eram uma bela mistura de castanho e verde. O lado direito era mais esverdeado que o esquerdo fazendo um curioso contraste.

- Eu tento, mas não sou uma boa mãe pra ela, não consigo nem acalmá-la. Achei que estivesse me saindo bem, mas não estou.

- Você está sim Kate, não diga isso!

- Você não tem idéia de como eu me sinto, ela é tão pequena, tão frágil! Eu sou a mãe dela e é minha total responsabilidade cuidar-lhe para que cresça feliz e saudável, mas não sei como fazer isso Jack. Eu tenho medo de ser uma mãe negligente como minha mãe foi comigo.

- Não pense assim...olha só pra ela, é perfeita Kate!

Kate acariciou o cabelo da filha.

- Já reparou que os olhos dela são de cores diferentes? É raro, mas nossa filha tem, porque é especial. A nossa princesa da ilha! Pegue-a, ela está bem calminha agora.

Kate sorriu e pegou Lilly dos braços dele com cuidado.

- Jack, não posso fazer isso sozinha, preciso de você.

- Você não está sozinha, estou aqui com você baby. Não vou a lugar nenhum, eu posso falar com a Juliet pela manhã. Vem cá!

Kate deitou a cabeça no ombro de Jack e ele a abraçou pela cintura, envolvendo ela e a filha. Inegavelmente eram uma família, Kate só precisava se acostumar com aquilo, se acostumar ao fato de que agora não estava mais sozinha, que pertencia à um lar.

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- Não vai falar comigo, Shannon?- Sayid indagou quando finalmente tomou coragem para entrar em sua cabana e falar com Shannon. Era muito fácil ser um soldado e lidar com grandes batalhas e inimigos, mas extremamente mais difícil lidar com sua esposa.

Ela estava quieta, deitada na cama, de costas para a porta, com o olhar pensativo. Vestia uma camisola de seda cor-de-rosa, uma das roupas que ainda conserva de sua antiga mala. Não se virou quando o marido entrou na cabana e também não lhe disse qualquer coisa. Algumas lágrimas marcavam seu rosto, ela tinha chorado e muito àquela noite depois que saiu da enfermaria onde Jack cuidava de Tina.

(Flashback)

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Uma vez na televisão, ela tinha ouvido dizer que a fome doía. Que milhões de pessoas morriam de fome nos países pobres da Àfrica e outras regiões. Shannon sempre tivera tudo, nunca passara fome. Essa dor lhe era desconhecida até agora.

Sentiu o estômago se retorcer enquanto andava de um lado a outro do pequeno quarto alugado onde morava. O aluguel tinha vencido há duas semanas e o senhorio não parava de lhe cobrar. Não sabia como iria pagá-lo, o dinheiro não dava mais nem pra comer, ainda não tinha tomado o café aquela manhã enquanto esperava ansiosamente por Boone. Talvez ele lhe trouxesse boas notícias, tinha ido falar com a mãe dele sobre a possibilidade de um empréstimo financeiro para ela, já que não tinha conseguido nada da última vez em que fora falar com a madrasta.

Tentando conter a ansiedade, ligou a TV. Ainda não a tinha vendido porque fora um presente de seu pai e ela não conseguia se desfazer das coisas que ele tinha lhe dado, como sentia sua falta!

Na TV exibiam um telejornal.

" Foi preso pela polícia esta tarde o golpista James Ford, mais conhecido como Sawyer. Ele vinha dando golpes em mulheres casadas há quase dois anos e saindo ileso com o dinheiro de suas vítimas. Sua última vítima, que não quis ser identificada o denunciou pelo roubo de uma exímia quantia de dinheiro. Ford será julgado e provavelmente pegará uma pena de 2 a 5 anos de prisão por fraude, falsidade ideológica e roubo. A Capitão da Polícia Civil de LA, Raquel Cortez é quem está cuidando do caso e fez a prisão com o Detetive John Weasley e demais policias do distrito por volta de meio dia e meia num restaurante comum da vigésima avenida."

Shannon observou o homem alto na TV sendo levado algemado para o carro de polícia, não pôde ver seu rosto mas lhe pareceu bem afeiçoado. Um golpista, uma pessoa que usa de artimanhas para enganar aos outros e se dar bem. Quem sabe se tornar uma golpista não seria a solução para seus problemas imediatos? Não que pretendesse viver de aplicar golpes, mas não sentiria nenhum remorso em aplicar um golpe em Sabrina e reaver tudo o que era seu.

" – Capitã Cortez, foi muito difícil solucionar esse caso? Acredito que a prisão de James Ford tenha sido um bônus para a polícia?- indagou o repórter na TV, a uma mulher de meia-idade, rosto bonito e jovem, usando o uniforme da polícia.

- O testemunho da última vítima de golpe do Ford foi crucial para conseguirmos fazer a prisão, e sim foi um bônus porque James Ford está há muito tempo enganando mulheres, e finalmente nos o temos em custódia."

Shannon ouviu batidas na porta e desligou a televisão. Boone tinha acabado de chegar.

- Hey!- ele disse, abraçando-a e beijando-a na fronte quando entrou.

- Oi, Boone.- Shannon respondeu correspondendo ao carinho do meio-irmão.

Ele entrou, tirou o casaco e se sentou em um pequeno sofá de couro, Shannon puxou uma cadeira e sentou de frente para ele.

- E então, falou com ela?- Shannon indagou, esperançosa.

- Ela disse não.- ele respondeu com pesar.

- Ai, eu não acredito!- exclamou Shannon, pensando em desespero no que ia fazer. Não podia repetir mais o que tinha feito no hotel com o pai de uma de suas alunas, não era uma prostituta. Tentara uma outra vez, com outro pai, mas não foi capaz de fazê-lo de novo, só lhe restava uma opção: - Boone, me deixe morar algum tempo com você em Nova York, pra eu não perder esse estágio de balé, só até eu arranjar alguma coisa.

- Não vou mais pra Nova York, Shannon. Minha mãe quer abrir uma filial da loja de roupas de casamento em Sidney, na Austrália. Eu aceitei ir pra lá e tomar conta de tudo.

- Desgraçado!- ela gritou.

- Shannon, eu posso te ajudar. È só me dizer quanto precisa, eu posso inventar alguma coisa pra minha mãe...

- Não quero seu dinheiro, vá embora daqui! Vá embora daqui!- ela bateu com os punhos cerrados no peito dele.

- Eu quero te ajudar...

- Então vá embora!

--

(Fim do flashback)

- Vá embora, Sayid!- disse Shannon quando ele se ajoelhou ao lado dela na cama. Ele cheirava a sabonete, tinha acabado de tomar um banho. Não quis ir ver Shannon antes, sujo como estava de sua aventura na floresta, mas aparentemente ela interpretara a demora dele de outra forma.

- Não, não irei embora.- ele respondeu. – Não irei embora porque estou louco de saudades de você e preciso senti-la em meus braços. Eu te amo, diga que ainda me ama, Shannon.

- Por que estava algemado com a Juliet?- ela indagou, sentando-se na cama.

Sayid pensou duas vezes se contava a verdade a ela, mas sabia como sua esposa era teimosa, tão teimosa quanto ele mesmo. Juliet merecia um pouco de confiança depois do que passaram na floresta afinal e ele resolveu dar isso a ela, mantendo a versão da história que contara a Michael.

- Passamos por muita coisa antes de chegarmos à Vila dos Outros. Eu fui preso por Benjamin Linus, me acorrentaram em uma estufa. Na noite em que o grupo do Jack chegou à Vila houve um vazamento de gás, depois disso eu e a Juliet acordamos algemados na floresta. Não sabemos como fomos parar lá, só pode ter sido um jogo sádico daquele homem, por que outro motivo eu estaria algemado à ela?

Shannon franziu o cenho: - Sim, que outro motivo? Afinal você nunca confiou nela, Yd.

- E ainda não confio.- ele disse depois de alguns segundos. Era verdade, não confiava inteiramente, mas também já não acreditava que ela fosse uma pessoa tão ruim assim. – Shannon, senti tantas saudades, pensava em você o tempo todo, não queria que tivéssemos brigado.

Ela se jogou nos braços dele, beijando-o.

- Não me deixe mais Sayid, não posso ficar sem você.

- Não, eu não a deixarei mais, isso é uma promessa, meu amor. Se eu tiver de partir para qualquer lugar, eu a levarei comigo.

Eles se deitaram na cama, morrendo de desejo um pelo outro. Não faziam amor desde sua última briga e Shannon estava louca para sentir o calor do corpo do marido outra vez.

Sayid a despiu devagar, admirando as formas delicadas de sua amada, cobrindo o corpo dela de beijos à medida que a despia. Shannon se agarrou a ele, como se pudesse sufocá-lo de tanto amor, jamais amara alguém como amava Sayid. Ele era tudo pra ela, sem ele estaria completamente sozinha naquela ilha.

- Me beija...me beija, habib...- ela dizia enquanto o corpo dele a tomava com gentileza, Sayid era um amante muito carinhoso, a tratava como se ela fosse uma princesa.

- Eu te amo, Shannon, te amo...

O momento era perfeito, Shannon se sentia segura de novo fazendo amor nos braços do marido, a única coisa que faltava para sua completa felicidade naquele lugar era poder conceber um filho, uma criança para uni-los ainda mais.

- Eu queria tanto ter um filho...- as palavras escaparam de seus lábios e Sayid se impulsionou com mais força dentro dela.

Ouviu o que ela disse, mas nada podia fazer quanto a isso além de amá-la durante incansáveis noites. Quase três anos naquela ilha e Shannon não concebia, o tiro acidental que levara de Ana-Lucia deveria tê-la deixado estéril, mas se um dia saíssem daquela ilha teriam um filho, procurariam médicos. Um dia sua amada seria mãe, e ele faria qualquer coisa para vê-la feliz.

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- Sawyer! Sawyer!

Ele enterrou a cabeça no colchão de palha, coberto por um grosso cobertor. Era impressão sua ou alguém o chamava fora de sua cabana? Tentou ignorar os gritos, mas eles aumentaram a medida em que tentava continuar dormindo.

- James...- ele ouviu a voz rouca de Ana-Lucia sussurrar, seu timbre de voz parecia ainda mais rouco pela manhã. – Acho que estão te chamando lá fora!

- Droga!- ele reclamou, afastando gentilmente a perna de Ana que estava enroscada por cima da sua.

Com os cabelos desgrenhados, cara de sono e nu da cintura pra cima ele apareceu à janela de sua cabana para ver Jin e Bernard parados lá na frente, segurando redes e lanças improvisadas para pescar.

- Son of a bitch!- Sawyer exclamou irritado. – Isso lá é hora de acordar um pai de família?

- Viemos te convidar pra pescar!

- Muito gentil de vocês lembrarem de mim, mas eu ainda não estou acordado, portanto...

- Baby...- Ana o chamou e ele voltou-se para ela na cama, a completa nudez coberta apenas com um lençol. – Eu gostaria de peixe para o almoço.

- Mesmo?

- Aham. Vou ficar muito feliz se você trouxer peixe pra mim.- ela respondeu esfregando os olhos.

Ele olhou de volta para Bernard e Jin.

- Certo, vou com vocês!- disse Sawyer fechando a cortina da janela de sua cabana. Lá dentro, começou a procurar por suas roupas.

- Você viu Jin? Nunca pensei que fosse ver o Sawyer tão disposto a fazer a vontade de alguém.

- Sawyer, apaixonado!- disse Jin, com um sorriso malicioso.

Quando Sawyer já estava completamente vestido, Ana perguntou a ele:

- Vai falar com a Cassidy hoje?- ela não queria parecer insegura, mas o ciúme não a deixava em paz.

- Vou.- respondeu ele. – Após o almoço e quero ver minha filha também. Eu espero que não se importe que eu...

- Que conviva com sua filha? Não Sawyer, eu não me importo.

Ele se aproximou dela e deu beijinhos estalados em seus lábios, saindo em seguida para encontrar Bernard e Jin.

- Hey, Bernie, me contaram que você levou uma facada do Scott!- comentou ele.

- Steve!- respondeu Bernard.

- Scott, morto!- disse Jin.

- Sim, o Steve! Você é forte, cara! Como sobreviveu a isso?

Ana ainda ouviu as vozes dos três homens se afastando, mas acabou caindo no sono outra vez. Quando acordou, o sono estava alto no céu e James estava acordado, fazendo barulhinhos dentro do berço.

Ela sorriu e se levantou da cama. Havia uma pilha de roupas antigas dela a um canto da cabana, se vestiu e foi até o filho.

- Bom dia, meu amor.

- Dadadada...babebi...- respondeu James, com um sorriso. – Mamamama...

- Oh sim é a mamamama..- ela imitou a linguagem do filho e o tirou do bercinho, abraçando-o e beijando-o. – Quer tomar, banho? Hum, um banho bem gostoso com a mamãe?

Ana-Lucia perguntou às pessoas onde era o riacho mais próximo. Levou o bebê até lá e se banhou com ele. Depois voltou à cabana, amamentou-o, e comeu algumas frutas. Quando o bebê resolveu tirar uma pequena soneca, Ana aproveitou para lavar algumas roupas. Encontrou Rose no girou e as duas entabularam uma agradável conversa, Ana se lembrava da gentil senhora.

No entanto, meia-hora depois, quando estava espremendo na tina de madeira as últimas fraldas de James para estender ouviu o filho chorar muito alto dentro da cabana. Teve uma sensação ruim e seu coração bateu disparado enquanto ela largava tina com força no chão e corria para dentro de casa. Rose a seguiu.

- James!- Ana entrou gritando na cabana e estacou quando viu Cassidy segurando seu filho. Os olhos de Ana-Lucia cresceram de ódio. – O que você está fazendo aqui com meu filho?

- Eu não fiz nada.- respondeu Cassidy. – Eu apenas tive curiosidade em vê-lo, eu juro!

Ana caminhou em direção à Cassidy como se pretendesse fuzilá-la.

- Ana, tenha calma!- pediu Rose.

- Me dá o meu filho!- ordenou Ana e Cassidy entregou o bebê que chorava para sua mãe. – Shiii..no llores mi niño, es tu mama... – ela fitou Cassidy. – Ponha-se daqui pra fora agora mesmo!

- Vamos, Cassie!- pediu Rose e Cassie deixou a cabana.

Depois que as duas saíram, Ana-Lucia sentou-se na cama, acalentando seu filho, murmurando para si mesma:

- Não importa quem ela seja! Não vai tocar no meu filho!

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- Onde é que estamos, Eko?- foi a primeira pergunta que Tina fez quando acordou na cabana de Aline. A amiga tinha saído para pegar algo para ela comer e Eko estava lhe fazendo companhia enquanto Aline não voltava.

- Nós estamos em uma ilha, sofremos um acidente de avião. Não se lembra? Está sem memória como a Ana?

- Quem é Ana? Onde está minha família, onde está Joana? Nós estávamos passeando pelo campo, eu e Joana, nós vimos você descendo os degraus da escadaria da igreja. Eu queria correr até você, mas não podia porque Joana estava comigo. Então pergunto mais uma vez a você Eko, onde estamos?

- Em algum lugar do pacífico, Cristina. Esperando sermos resgatados.

- Não, nós estamos na Nigéria, na Nigéria!- ela gritou e de repente ficou catatônica nos braços dele.

- Cristina! Cristina!- ele chamou, sacudindo o corpo dela, mas não obteve resposta.

Continua...