Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, Lemon, a saber, sexo explícito entre os personagens, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: não leia.

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EPÍLOGO

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- Lembre-me novamente por que estamos fazendo isso – pediu Tom.

Harry, por sua vez, revirou os olhos e lançou o feitiço de encolhimento nas malas que faltavam, colocando-as no bolso em seguida.

- Porque nós merecemos. Você terminou o seu primeiro ano como o Ministro da Magia mais bem sucedido e aclamado da história do mundo mágico inglês. E eu, após cinco anos de exaustivo estudo na faculdade de medimagia, começarei a residência no Hospital St. Mungus mês que vem. Portanto, antes de você iniciar o seu segundo ano de mandado e eu os plantões exigidos pela residência, nós merecemos tirar umas férias.

- Certo.

- Vamos, não será tão ruim – o menor sorriu, pendurando-se alegremente em seu braço – a vida não se resume a trabalho.

Tom lhe deu um olhar sugestivo.

- Ou sexo – acrescentou Harry, revirando os olhos.

- E por que nós temos que ir para o outro lado do mundo?

- Porque eu quero conhecer uma nova cultura e você me deixou escolher aonde iríamos se eu usasse aquela fantasia de empregada obscena que você comprou no sex shop muggle na semana passada.

- Oh, sim... – Tom sorriu maliciosamente com a recordação, fazendo Harry revirar os olhos pela terceira vez naquela manhã.

Há quase seis anos, a guerra contra o Imperador e a Ordem Negra havia chegado ao fim, graças à interferência de Tom, que fora considerado, desde então, o herói do mundo mágico. Obviamente, o Slytherin utilizou esta fama para ascensão pessoal e logo conseguiu um cargo no Ministério da Magia, no Departamento de Execuções das Leis da Magia, como subsecretário sênior. Rapidamente, porém, fora promovido a chefe do departamento, onde atuou com maestria e logo iniciou sua campanha para Ministro da Magia, sendo eleito o mais novo ministro há um ano. E, segundo a conceituada revista "O Mago Forbes", o mais aclamado e bem sucedido no cargo até então.

Harry, enquanto isso, dedicou-se ao estudo de medimagia na Imperial College of Science, Tecnology and Medicine, uma tradicional instituição bruxa inglesa cujo campus principal fica em Londres e é considerada uma das universidades mais seletivas de toda a Inglaterra, na qual, após cinco anos de incansável estudo e litros de café – a contragosto de Tom –, graduou-se com honras como o melhor de sua turma e, então, teve sua candidatura à residência aprovada no Hospital Sr. Mungus, onde sonhava em atuar como pediatra.

Seus pais e padrinhos estavam orgulhosos de tais conquistas, mas, ainda que a relação deles estivesse um pouco melhor – graças à bondade e capacidade de perdoar de Harry – sempre haveria um distanciamento frio e muito bem estabelecido por Tom, o qual James e Lily jamais seriam capazes de cruzar. Tanto que, no final da guerra, quando James pediu que voltassem a morar em Godric's Hallow ou que aceitassem uma das mansões Potter, Tom sorriu com escárnio e disse que jamais colocaria os pés em sua casa de novo ou aceitaria qualquer tipo de esmola que ele oferecesse, pois haviam saído de lá para nunca mais voltar.

No entanto, por insistência de Sirius e sabendo ser o melhor para Harry, o orgulhoso Slytherin aceitou o flat localizado no centro de Londres, presente do herdeiro da fortuna Black, que ficava há poucos metros de distância da faculdade de Harry, garantindo-lhe, assim, facilidade e segurança. Há um ano, contudo, os dois se mudaram para a residência oficial do Ministro da Magia, uma mansão construída por volta de 1530, com vista para o St. James's Park, cuja fachada é uma obra-prima da sobriedade inglesa constituída de um único degrau feito de pedra branca levando a uma modesta fachada de tijolos.

A pequena porta de seis painéis, feita de carvalho preto, está rodeada por uma esquadria cor-de-creme e acima adornada com uma atraente janela de bandeira semicircular. Pintado em branco, no centro da porta, entre a parte superior e média dos painéis, está o número "10"; entre os dois painéis do meio está uma aldrava de ferro negro, com a forma de uma cabeça de leão; e logo abaixo da aldrava está uma placa de bronze com a inscrição "Ministro da Magia".

Em seu interior, gravuras a preto e branco e retratos em movimento de todos os antigos ministros decoram a parede. A mansão tem ainda três salas de estar de aparato interligadas: a Sala Colunada, a Sala Terracota e a Sala de Estar Branca, todas com decoração forjada em mármore e mobília sofisticada. Os lugares preferidos de Harry, porém, eram o terraço e o jardim, onde procurava fazer suas leituras para a Universidade ou apenas descansar ouvindo música quando Tom não estava em casa, ou mesmo com este, quando desfrutavam de um cálido e íntimo momento juntos.

O terraço se estende ao longo das traseiras e propicia uma ampla vista do St James's Park. O jardim, por sua vez, é dominado por um relvado com meio acre em forma de L, preenchido com variedades de árvores de fruta, bem como um lindo canteiro centrado em volta dum azevinho e rodeado por bancos de mármore. Tinas de flores alinham-se nos degraus a partir do terraço; em volta das paredes existem canteiros de rosas com arbustos floridos e sempre verdes. Neste belo cenário, inclusive, sua melhor amiga e atual assessora do Ministro da Magia havia se casado há seis meses com ninguém menos que o herdeiro da fortuna Malfoy. Harry ainda se lembrava com carinho daquele dia e se orgulhava de ter convencido Tom a ceder o belo jardim para a cerimonia.

(Flashback)

Ao contrário do que se esperaria de um casamento na família Malfoy, a cerimonia foi discreta, íntima e reservada, na qual estiveram presentes os amigos mais chegados e familiares, não mais de cinquenta pessoas, todos reunidos num ambiente acolhedor e intimista repleto de românticos detalhes, com lounges aconchegantes, mesinhas bistrô e uma grande variedade floral, desde flores raras até algumas colhidas no próprio jardim.

O corredor que levava ao altar de mármores e detalhes em cristal parecia um caminho de flores no campo. A mesa de doces também estava florida e assimétrica, exibindo doces sofisticados, deleitáveis tantos para os olhos quanto para o paladar. Por ser de tarde e na primavera, todos os convidados usavam vestes leves e de cores claras, tantos os convidados do mundo mágico, quanto os familiares de Hermione, vindos do mundo muggle para testemunhar a felicidade da menina.

- Eu não vou conseguir fazer isso, Harry. Eu não vou conseguir – Hermione hiperventilava, andando de um lado para o outro na suíte principal, onde se arrumava com a ajuda dos melhores cabeleireiros e maquiadores de Londres, sob o olhar emocionado de Harry e de sua mãe.

- É claro que vai. Você irá se casar hoje e será muito feliz.

- Mas...

- Não faça com que eu me arrependa de passar uma semana implorando ao Tom para emprestar a mansão para vocês – ele brincou.

Ela riu e tomou outro gole de champanhe para tentar se acalmar. A maquiagem delicada combinava com o cabelo preso num coque alto, elegante, com alguns fios soltos delineando o rosto de menina. O vestido Vera Wang de rendas minuciosas e decote em coração era fluido e romântico com uma longa cauda cravejada de cristais. Ao seu lado, o bouquet de rosas brancas e cor-de-rosa descansava sobre a cômoda, pronto para subir ao altar com noiva ansiosa. Sua mãe, naquele momento, tentava conter as lágrimas e ajudava os maquiadores a darem os retoques finais, enquanto Harry, o padrinho, sorria com carinho para a amiga e tentava acalmá-la.

- Fique tranquila, Mione. Vai dar tudo certo.

- E se chover?

- A cerimonialista já cuidou de todos os feitiços para deixar o céu sobre o jardim impecável até o final da cerimonia.

- E o buffet?

- Está incrível. Não há uma única trufa de damasco com amêndoas fora do lugar.

- E... E... E se ele desistir?

- Ele não vai desistir – disse Tom, entrando no quarto, evidentemente sem um pingo de paciência para o drama da pobre menina – Inclusive, ele já está esperando por você no altar, então ande logo.

- Tom! – Harry o repreendeu, sentindo o irmão abraça-lo por trás – Não seja tão insensível.

Hermione, por sua vez, respirou fundo e apanhou o bouquet, momento em que sua mãe sorriu e perguntou para Harry:

- Pronto para apanhá-lo, querido?

- Er... – o pequeno Gryffindor sorriu com timidez, as bochechas tingidas de vermelho, enquanto Tom revirou os olhos. Hermione, no entanto, desembestou a falar:

- Vocês sabiam que o costume de jogar o bouquet surgiu em meados do século XIV, na região da França, para substituir a prática anterior de arrancar pedaços de tecido do vestido da noiva para atrair boa sorte na busca do amor?

- Muito interessante, Granger – respondeu Tom, ironicamente – Agora deixe ser uma enciclopédia ambulante e suba logo naquele altar.

- Certo. Certo.

Quando a marcha nupcial começou a tocar, Draco sentiu o coração falhar uma batida. Ele não podia acreditar que isso estava acontecendo. Ele, um Malfoy, estava se casando com uma nascida muggle. Se seu pai fosse vivo, com certeza ele estaria morto antes mesmo da cerimonia começar. Por sorte, após a morte de Lucius, sua mãe se tornara praticamente outra pessoa, alguém alegre e entusiasmada com a vida que – pasmem – fazia muito sucesso entre pretendentes ricos e famosos do mundo muggle. Naquele momento, ela estava sentada na primeira fileira acompanhada por ninguém menos que Bradley Cooper, seu atual namorado, um ator e produtor norte americano extremamente conhecido no mundo muggle, a julgar pelos constantes olhares e flashes dos celulares das tias de Hermione.

Ao seu lado, suas madrinhas, Pansy e Luna, não faziam esforço algum para tentar acalmá-lo e evitar que ele enfartasse antes que Hermione pudesse chegar ao altar, Pansy ocupada demais observando os detalhes da cerimonia para planejar o seu próprio casamento com Luna, o qual aconteceria em alguns meses, e esta distraída com os lindos arranjos de flores que decoravam o local e que, em seu perceptivo olhar, estavam cheios de Narguilés que abençoariam a união. Ele estava prestes a gritar com Pansy para que a menina parasse de comentar o quão magnífica ficaria aqueles arranjos em orquídeas negras na mansão Parkinson, quando Hermione apareceu no jardim e caminhou em direção ao tapete de flores, braço dado ao pai, cruzando-o lentamente ao som da ópera de Richard Wagner, Lohengrin.

Ela estava magnífica. Um verdadeiro anjo de beleza inestimável e olhar inteligente. Naquele momento, ele agradeceu a si mesmo por tomar a decisão de pedi-la em casamento quando terminaram a faculdade em Oxford, ele Economia e ela Relações Mágicas de Comércio Exterior. Quando ela parou ao seu lado e eles entrelaçaram as mãos, voltando-se para o juiz que oficializaria a união, Draco teve a certeza de que aquele era o dia mais feliz de sua vida. Ele sequer viu a cerimonia passar, vislumbrando apenas o momento em que disseram o tão esperado "sim" e trocaram as alianças, que até então estavam sob a tutela de Harry e Tom, os padrinhos.

Se uma palavra pudesse descrever aquele momento seria "mágico", tanto para os noivos, quanto para os convidados do mundo mágico e muggle, que se emocionaram com a alegria genuína refletida nos olhos de Draco e de Hermione. Logo após a cerimônia, o ambiente cálido e romântico persistiu na recepção, que consistiu num coquetel para os amigos e familiares ali presentes ao som de sucessos do jazz muggle. A bela música, no entanto, foi momentaneamente interrompida para o instante mais aguardado:

- Todos prontos? – perguntou Hermione, sorrindo, enquanto se posicionava de costas para uma pequena multidão de amigos e amigas que se agitavam em expectativa.

Ela levantou o bouquet sobre a cabeça:

- 1... 2... 3!

Harry ofegou surpreso quando o bouquet caiu em seu colo. Ele sequer havia percebido que o "tão esperado" momento chegara, sentado à mesa, numa distraída conversa com seu padrinho, que lhe sorriu maliciosamente ao observar a cena. Harry instantaneamente corou. Ele estava distante de Hermione, seria impossível o bouquet chegar naturalmente até ele, mas, ao seu lado, Tom guardou discretamente a varinha. E Harry – como todos os presentes – logo entendeu o que aconteceu e corou ainda mais, sob os aplausos e assobios dos convidados.

- Parece que você é o próximo, pequeno – Tom sussurrou em seu ouvido.

- Você ainda não fez o pedido.

- Ainda.

Envergonhado e com o coração disparado no peito, o pequeno Gryffindor escondeu o rosto na camisa do irmão.

"Ainda..."

Isto significava que...?

(Fim do Flashback)

Desde então, seis meses depois do casamento de sua melhor amiga, Tom não havia voltado a tocar no assunto, tampouco fez o pedido. Este, inclusive, era um dos motivos que fazia o pequeno Gryffindor tão ansioso para aquela viagem. Será que Tom o pediria em casamento ali? Bom, era melhor não pensar nisso agora, muito menos criar expectativas, mas ele não podia deixar de corar ao imaginar como seria quando o Slytherin finalmente se colocasse sob um joelho e lhe estendesse a pequena caixa de veludo.

Oh céus, ele estava assistindo muitos filmes muggles.

- Tudo pronto? – a voz de Tom o trouxe de volta de seus devaneios e Harry rapidamente conteve sua imaginação de adolescente de treze anos para alcançar a chave de portal no bolso.

- Eu ainda não acredito que vocês vão me deixar aqui – reclamou Nagini, enrolada no encosto do sofá.

- Você não está em condições de viajar agora.

- Além disso, se você sair por muito tempo da vista de Jared, ele terá um ataque cardíaco. E o coração de vocês serpentes não pode lidar com esse tipo de coisa.

- Nagi, meu amor, onde está você? – uma voz sibilante e preocupada confirmou as palavras de Tom. E se as serpentes revirassem os olhos, seria isso o que Nagini estaria fazendo agora.

- Estou aqui, praga do Egito – grunhiu a guardiã, que logo se viu envolvida por uma píton-reticulada macho, um metro e meio maior do que ela.

Eles haviam encontrado Jared por acaso, há alguns meses, quando o pobre coitado fugiu de uma loja de animais exóticos e acabou perdido num shopping muggle, onde, por sorte, Harry e Tom passeavam naquele momento. E o pequeno Gryffindor, é claro, viu-se de coração partido ao ver a pobre serpente perdida, sozinha, sem família e num país estranho, e imediatamente decidiu levá-lo para casa, sob o olhar exasperado de Tom. Na mansão, uma divertida cena se desenrolou: ao ouvi-los chegar, Nagini apareceu no rol de entrada e Jared imediatamente farejou o ar, colocando seus olhos apaixonados sobre a confusa serpente, que Harry jurava que havia corado naquele instante. Dizer que Jared passou semanas atrás de Nagini, cortejando-a, é um eufemismo, mas sua insistência foi recompensada e agora eles esperavam sua primeira ninhada.

- Cuidem da casa até voltarmos – despediu-se Harry.

- O que significa: não destruam nada – acrescentou Tom, tocando na chave-de-portal e sentindo o característico puxão no umbigo.

- Que Salazar me ajude e me dê paciência – murmurou Nagini, vendo-se sozinha com seu alegre companheiro.

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Instantes depois, os dois aterrissaram graciosamente – bom, Harry nem tanto, caindo ruidosamente no chão – em frente a um prédio preto magnífico, que se destacava em meio a arranha-céus e ao ritmo frenético daquele lugar com sua arquitetura única composta por uma fachada treliça que preenchia todos os dezessete andares formando uma estampa elegante de padrões parecidos a folhas. Ao seu redor, bancos de pedra em forma de barcos e vasos ikebana formavam um jardim contemporâneo com as mais exóticas e belas flores da região.

- Eu não acredito que você me trouxe para o outro lado do mundo.

- Pare de reclamar – Harry sorriu, arrastando Tom pela enorme porta de entrada feita a partir de um único corte de cipreste, que se abriu silenciosamente.

Um jovem rapaz num quimono os cumprimentou com um sorriso, fechando a porta atrás dos dois ao entrarem. De repente, todo o ruído da metrópole se perdeu. Um longo corredor de tatame se estendida até uma alcova que exibia um arranjo ikebana sazonal. Uma impressionante variedade de caixas de sapato de bambu alinhava o corredor. Então, os dois tiraram os sapatos – Harry, naquele momento, quis fotogravar o rosto inconformado de Tom – e seguiram pelo corredor em suas meias Eles estavam num ryokan de luxo: o Hoshinoya, da rede Hoshino Resorts, localizado bem no meio do centro nervoso de Tóquio, no sofisticado bairro Chiyoda-ku.

O design contemporâneo daquela bela hospedaria se fundia ao trabalho de artesãos japoneses com móveis, utensílios e objetos que chamavam a atenção pela delicadeza, sofisticação e minimalismo. E era exatamente como Harry imaginou que seria ao fazer a reserva há algumas semanas e, ao mesmo tempo, completamente diferente. Ele estava maravilhado com o casamento sem costura do tradicional e do contemporâneo. Até mesmo Tom olhava em volta com certa admiração, ainda que não quisesse dar o braço a torcer.

Após o check-in, momento em que Harry agradeceu silenciosamente ao mago ou bruxa que inventou o feitiço de tradução universal, por meio do qual eram capazes de entender qualquer idioma do mundo mágico ou muggle, o simpático rapaz que os recebera na porta de entrada os acompanhou até o quarto, explicando com um sorriso especialmente direcionado para Tom o funcionamento do ryokan e a estrutura que tinham disponível ali. Harry não gostou nem um pouco daquele sorriso e imediatamente se agarrou ao braço do irmão, num gesto possessivo que Tom achou adorável, ainda que ele desconhecesse o motivo. Afinal, ele sequer havia reconhecido a presença do outro rapaz.

Logo eles chegaram à magnífica suíte, que contava com um grande sofá, um espelho que escondia uma tela de TV, mesa de mogno para as refeições – que são tipicamente servidas no quarto, algo que, por sinal, Tom adorou saber –, escrivaninha também em mogno escuro, um grande closet, um banheiro enorme com ofurô e um grande sofá. A cama, por sua vez, consistia num grande futon que ficava numa estrutura elevada de madeira, separando-a da sala. Sobre esta, elegantes kimonos de jersey e pijamas sob medida repousavam para o seu uso.

Um silêncio elegante permeava o ryokan, acentuando os detalhes – como as sombras estéticas que se formavam no chão do tatame à medida que a luz solar passava através da rede de komon modelada no prédio, o perfume de bambu lançado ao abrir o armário e os intrincados grãos de tatame. Cada elemento estimulava os sentidos, razão pela qual os olhos de Tom brilhavam ao pensar em Harry deitado sobre o futon com o rosto lindamente corado e seus gemidos ecoando pela silenciosa habitação.

Com um gesto desinteressado e algumas notas de ienes como gorjeta, Tom dispensou o serviçal e trouxe o pequeno Gryffindor para os seus braços.

- Então, admita, minha ideia não foi incrível?

- Talvez – Tom sorriu com arrogância e Harry fechou os olhos para conter um gemido. Maldito. Ele não podia resistir àquele sorriso. Suas pernas tremiam e seu coração batia descompassado no peito só de olhá-lo.

No instante seguinte, a boca de Harry se viu tomada por fervorosos lábios. Seu corpo parecia em chamas e a necessidade de sentir o toque de Tom urgia em sua pele. Parecia que não tocavam um no outro há séculos, sendo que, na verdade, passaram-se poucas horas desde a noite passada. Não demorou muito para que as roupas de Harry caíssem aos seus pés, restando apenas a cueca boxer preta, momento em que Tom o rodeou com seus braços fortes, levantando-o ao estilo noiva e, sem deixar de beijá-lo, o colocou sobre o futon macio, desfazendo-se, em seguida, da única peça de roupa que ainda cobria o corpo do menor.

- Você é lindo – murmurou Tom, sensualmente, contra os lábios de Harry. Este tentava conter os pequenos gemidos ofegantes, mas era uma tarefa quase impossível ao sentir os beijos e mordidas que Tom distribuía por cada porção de sua pele até formar um caminho de marcas que ardiam e estampavam possessividade.

- E você está com muita roupa – protestou Harry, conseguindo a muito custo de desfazer do paletó e da camisa de Tom, podendo finalmente sentir o peito firme de músculos bem definidos sob suas mãos.

Encarando-o com forme, sem disfarçar tamanha luxúria, Tom ordenou:

- Abra.

Em seguida, usando um simples feitiço lubrificante, Tom introduziu gentilmente um dedo no interior de Harry.

- Ah, Tom! – gemeu o menor, abrindo obedientemente as penas e arqueando as costas ao sentir outro dedo invadi-lo.

Com as mãos trêmulas e os olhos verdes brilhando de desejo, Harry conseguiu desabotoar a calça de Tom, arrastando-a com a cueca para baixo, o suficiente para deixar exposto o membro duro do irmão. Somente aquela visão o fez com água na boca, e sentir os dedos longos e hábeis se movendo em seu interior também não o ajudou na difícil missão de conter os gemidos necessitados que escapavam de seus lábios, gemidos que formavam palavras como "Tom...", "Por favor...", "Isso...", "Por favor, mais...". "Mais...".

- Sempre tão apertado, amor – o Slytherin sussurrou em seu ouvido, a luxúria pingando em sua voz, fazendo Harry estremecer de antecipação e desejo – Pronto?

Harry acenou com a cabeça e logo colocou as pernas ao redor da cintura de Tom, oferecendo a este, com certa impaciência, seu corpo e seu coração. Então, abraçou os fortes ombros do maior e respirou fundo quando sentiu o membro duro forçar passagem em seu interior. Tom, por sua vez, o beijou apaixonadamente e depois de alguns instantes, nos quais sentiu seu autocontrole se desfazer diante dos seus olhos com o simples fato de estarem unidos intimamente, corpos quentes e a própria magia entrelaçada, moveu-se cegado pela paixão e pelo desejo, afastando os quadris até quase se separar de Harry para então penetrá-lo com força.

Tom o tomou com força, implacável, incansável, contra o futon macio do quarto, apenas voltando a si quando Harry mordeu seu ombro para afogar os gemidos. Então, o beijou forte e apaixonado, a respiração entrecortada pelo prazer, enquanto lábios úmidos se abriam sob os seus para serem acariciados com o mesmo fervor que suas estocadas arremetiam contra o pequeno e sensível corpo de Harry.

Logo as investidas de Tom se fizeram mais curtas e profundas, conquistando algumas lágrimas de prazer que deslizaram pelas bochechas coradas de Harry e, quando uma forte estocada tocou em seu ponto de prazer novamente, pelo o que pareciam ser infinitas vezes, Harry culminou sobre seu próprio ventre, contraindo seu interior ao redor do membro de Tom, o que logo o levou ao clímax também. E, sob o som de sua ofegante respiração, Harry gemeu sensível quando sentiu o calor da essência de Tom preenchê-lo por completo, o que, pessoalmente, lhe parecia a melhor sensação do mundo.

Com o véu do prazer ainda encobrindo seus sentidos, Tom separou seus corpos suavemente e se deixou recostar no confortável futon, tomando em seus braços o dócil corpo de seu irmão.

- Não sei se vou querer deixá-lo sair deste quarto nos próximos dias – comentou Tom, deslizando seus olhos escuros pelo corpo de Harry, satisfeito e possessivo ao ver as marcas que cobriam a pele suave.

- Tom... – Harry estremeceu em seus braços, boa parte em razão do intenso olhar que parecia devorá-lo, mas também porque estava começando sentir frio.

Tom percebeu isso e, no instante seguinte, levantou-se do futon com o entorpecido corpo do irmão em seus braços. Harry, por sua vez, agarrou-se ao pescoço do Slytherin com as bochechas ardendo de tão vermelhas, envergonhado e, ao mesmo tempo, excitado ao sentir a essência do maior deslizar por suas pernas.

- Vamos lá, pequeno, vamos experimentar esse tal de ofurô.

- Oh, céus... – gemeu Harry, um misto de expectativa de exasperação porque sabia que, ao menos naquele primeiro dia, Tom não o deixaria colocar os pés para fora do quarto.

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Durante aquelas duas semanas de férias, Harry e Tom aproveitaram não só o aconchego e a sofisticação do ryokan, perdidos no corpo um do outro em seu futon, mas conheceram diversos locais fascinantes naquela que era uma das maiores cidades do mundo. Harry observou, maravilhado, que Tóquio era uma imensidão densamente povoada, mas incrivelmente organizada e civilizada, capaz de funcionar em aparente ordem todos os dias e ainda preservar áreas verdes e históricas, além de manter níveis de poluição e barulho aceitáveis.

Eles visitaram diversos jardins e templos de meados do ano 600 e, ainda, centros tecnológicos localizados em arranha-céus espelhados em Shibuya, bairro onde imperava néons por todo o lado, painéis vídeo com publicidade, tudo muito luminoso, consumista e pós-moderno. Eles provaram petiscos japoneses numa depachika, isto é, uma espécie de mercado requintado no qual se vende todo o tipo de comida japonesa: das bento box aos doces, da baguete francesa aos pickles japoneses, passando pelo chá verde e outras especialidades que deixavam Tom horrorizado, implorando que fossem ao McDonald's mais próximo.

Por incrível que pareça, o poderoso ministro da magia, o herói do mundo mágico que detivera sozinho o Imperador e comandante supremo da Ordem Negra, simplesmente detestava comida japonesa. Harry se lembrava, divertido, do momento em que praticamente obrigou o irmão a provar um sushi pela primeira vez:

- Vamos, só uma mordida – persuadiu o pequeno Gryffindor – Você vai gostar.

- Eu não vou gostar.

- Você nunca sequer provou!

- Harry, é peixe cru, eu não preciso provar para saber que é ruim.

- Não é ruim. E não é "peixe cru" – disse Harry, revirando os olhos – É uma iguaria deliciosa que você vai adorar.

- Não vou.

- Vamos, prove.

- Não.

- Por mim.

Golpe baixo. E Harry sabia disso. Mas, a contragosto, o Slytherin separou os lábios e deixou o menor colocar a tal "iguaria" em sua boca.

- Viu só... – Harry começou a dizer, então viu o irmão adquirir uma cor esverdeada. No instante seguinte, Tom deixou de lado toda a sua elegância e literalmente cuspiu o sushi num guardanapo. Harry, por sua vez, não conseguia parar de rir.

- Pronto. Experimentei. E é horrível.

Desde então, os dois não colocaram mais os pés nos famosos restaurantes de sushi automáticos, nos quais os clientes se sentavam no balcão e, numa esteira, passavam os pratinhos com duas ou três porções de sushi, sashimi e ngiris. Por outro lado, Tom havia se apaixonado pelo Chuka Soba Inoue, um restaurante especializado em ramen localizado no famoso Mercado Tsukiji, o que surpreenderia qualquer um que o conhecesse, pois jamais imaginariam que o sofisticado Slytherin fosse comer numa tradicional barraquinha de ramem, na rua, junto ao mercado local.

Por sorte, Tom não precisou viver apenas de ramen naquela viagem, pois o elegante bairro de Ginza oferecia além dos restaurantes especializados em tempura, enguia, e outros tipos de comida tradicionalmente japonesas, inúmeros restaurantes de cozinha internacional de alta qualidade, incluindo a culinária francesa, italiana e diversos restaurantes chineses. Neste bairro, inclusive, os dois aproveitaram para fazer compras nas maiores e mais famosas grifes do mundo muggle, como Louis Vuitton, Rolex, Dior e Chanel.

- Eu nunca imaginei que você fosse tão consumista.

- Nós precisávamos daquelas malas Louis Vuitton, Harry, senão como vamos levar de volta tudo o que compramos?

- Oh, não sei. Talvez utilizando o bom e velho feitiço de expansão nas malas que já temos?

- Bobagem. Você não quer uma experiência muggle completa?

Harry revirou os olhos, mas, pessoalmente, ele também estava adorando atualizar seu guarda-roupa muggle. Nesse insight, eles percorreram também a Avenida Omotesando, um símbolo do luxo na capital nipônica. Nesta, eles deixaram pequenas fortunas em gigantes da moda como: Chanel, Dior, Dolce & Gabbana, Issey Miyake, Louis Vuitton, Prada, Cartier, Bulgari, Jimmy Choo, entre outras. Maravilhado, Harry não conseguia tirar os olhos dos prédios, que são uma atração à parte, pois as lojas não brincavam ao investir na arquitetura. A loja da Prada, por exemplo, foi projetada pela firma suíça Herzog & de Meuron, que desenhou a galeria Tate Modern, em Londres. Ela lembrava um bloco de cristal, dividido em losangos. Já o prédio da Dior, que parece envolto em cortinas transparentes, tem a assinatura da firma Sanaa, da dupla Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, a mesma do New Museum, de Nova York. Sem dúvida, não era a toa que a Avenida Omotesando era conhecida como a Champs-Élysées de Tóquio, pois a estrutura de suas lojas era impressionante.

A viagem dos dois, no entanto, não se limitou à degustação culinária ou às compras desenfreadas, eles também visitaram templos e santuários locais, além de percorrer a Rua Takeshita tentando absorver o ambiente, sem julgar ou mesmo compreender tudo o que viam ali. Isto porque aquele local, no bairro Harajuku, era considerado um microcosmos dentro de Tóquio, recheado de personagens estranhos, principalmente na visão dos magos ingleses. Era uma zona cosplay de criatividade infinita, da afirmação identitária dos jovens japoneses, de todos os excessos.

- Por que há tantas crianças usando tiaras com orelhas de gatos e roupas coloridas?

- Porque elas acham isso fofo, Tom – Harry tentando explicar o conceito do cosplay para o irmão era como alguém tentando explicar física quântica a uma criança pequena – Eles podem se expressar por meio das roupas excêntricas ou caracterizados como os personagens dos desenhos que eles assistem, se não me engano, chamam-se animes.

- É ridículo.

- Tom, sem julgar! Eu aposto que mesmo você adoraria me ver com orelhas e uma cauda de gato, ou vestindo essas fantasias de empregada de maid-café, o que, inclusive, foi o que nos trouxe aqui – disse ele, lembrando-se da fantasia de empregada que usou para que o Slytherin concordasse em deixá-lo escolher o destino da viagem.

Mais tarde, Harry se arrependeu de seus comentários ao ver o irmão sair de várias lojas com acessórios que ele, com certeza, seria obrigado a usar. Não que ele se importasse muito, na verdade.

O momento mais crítico da viagem, porém, ocorreu durante a visita ao chamado Hama Rikyu Garden, um jardim japonês tradicional com um lago e uma elegante e tradicional casa de chá bem no meio, a qual se misturava com a Tóquio moderna e seus prédios altos atrás. Nesta requintada casa de chá, construída em 1820 e preservada no seu estado original até hoje, refletiam-se os gostos estéticos do final do Período Edo, numa construção toda em madeira com os mais sofisticados e confortáveis tatames que forram a casa toda. E foi onde Tom cometeu um assassinato.

O fatídico acontecimento se deu quando aguardavam seus pedidos – o tradicional chá e dois pedaços de bolo de frutas com glacê real – e Tom precisou se ausentar do local para atender uma ligação do Ministério. Harry permaneceu em seu lugar, agradecendo secretamente por Hermione instituir a regra de não mandarem uma coruja para o Ministro da Magia enquanto este estiver no mundo muggle, e procurando se distrair com os detalhes da manga de sua yukata – um kimono leve, usado no verão – enquanto esperava pelo Slytherin. Este, é claro, optara por vestir uma calça de sarja preta, camisa social branca e blazer risca de giz Armani, mas convencera Harry a fazer aquele passeio vestindo uma leve yukata de algodão branca com desenhos de pequenas flores de cerejeira.

- Aqui está. Espero que você e o seu marido desfrutem – disse a atendente, que também usava vestes tradicionais, colocando o recipiente com o chá, os copinhos de porcelana e os pratos com os pedaços de bolo sobre o tatame na frente de Harry.

- Obrigado – agradeceu ele com um sorriso e as bochechas levemente coradas, feliz pelo feitiço de tradução simultânea fazê-la ouvir uma pronúncia perfeita, a qual, se utilizasse os métodos tradicionais de aprendizado muggle, ele certamente não possuiria.

Olhando para a porta que dava acesso à varanda, que conectava a casa de chá ao belo jardim, Harry se perguntou se Tom demoraria muito, pois não seria muito bom tomar o chá frio. Ele esperou em torno de dez minutos, mas, vendo que o irmão não retornava, levantou-se para buscá-lo. Foi então que o caos se instaurou:

Com cuidado, Harry percorreu o tatame até a varanda, porém, ao passar pelo o que deveria ser um grupo de turistas americanos, isto é, quatro homens ocidentais gesticulando e falando alto com roupas de caubói e expressões levemente embriagadas que certamente haviam parado ali achando que estavam em outro lugar, um deles o puxou e Harry caiu em seu colo sob o som das risadas dos outros três.

- Finalmente! – disse o desconhecido segurando Harry firmemente em seu colo – Eu já estava achando que as Gueixas não iriam aparecer!

- Você vai dar um espetáculo para nós, querida?

- Er... Isso é um engano – tentou dizer Harry, olhando com apreensão e nervosismo para a porta por onde Tom poderia aparecer a qualquer momento – Por favor, me solte.

- Não seja tímida, querida – disse outro, ganhando mais risadas dos amigos.

- Isso! Mostre para nós os seus talentos!

- Não é isso o que as Gueixas fazem? – eles não paravam de rir e Harry estava desesperado e, sendo o Gryffindor que era, preocupado com a segurança daqueles idiotas. As duas atendentes também pareciam nervosas e constrangidas e tentavam explicar que Harry era um cliente e que ali não ofereciam aquele tipo de serviço, mas eram solenemente ignoradas.

- Por favor, parem!

Harry tentava se soltar, sem sucesso. Então, de repente, sentiu uma aura assassina às suas costas e suspirou, sabendo o que estava por vir.

- Tom, acalme-se...

Ele tentou.

Merlin era testemunha de que ele tentou.

Mas os olhos vermelhos reluzentes de seu irmão deixavam claro que tentar argumentar qualquer coisa seria tempo e energia pedidos. Imediatamente, ele se viu puxado para os braços de Tom, que, até o momento, não havia pronunciado uma única palavra. Definitivamente, assustador. No entanto, sem ter a mínima noção do perigo, o homem que até então tinha Harry no colo falou:

- Hey, amigo, senta aí com a gente! Venha aproveitar as maravilhas do Japão e de suas Gueixas!

Os outros americanos riram.

- Não – disse Tom, a voz fria e assustadora.

Todos se calaram.

- Vocês não querem aproveitar o Japão.

- Nós não queremos aproveitar o Japão – repetiram eles, os olhos vidrados e fixados num ponto invisível. Tom os havia colocado sob a Maldição Imperius sem sequer tocar na varinha.

- Vocês acabam de perceber como a vida de vocês é insignificante. Uma verdadeira perda de tempo e espaço. Acabam de perceber que a existência de cada um de vocês é um desperdício de oxigênio para o mundo.

- Nós acabamos de perceber que nossas vidas são insignificantes. Somos uma verdadeira perda de tempo e espaço. Nós percebemos que a nossa existência é um desperdício de oxigênio para o mundo.

- Vocês vão sair daqui agora e vão pular da Ponte Eitai.

- Nós vamos sair daqui agora e vamos pular da Ponte Eitai – disseram eles, levantando-se do tatame e seguindo para a saída sem sequer pagar a conta, sob o olhar atônito das atendentes e dos demais clientes.

- Obliviate – conjurou Tom, com um balançar de sua mão direita, fazendo todos esquecerem o que haviam acabado de presenciar e voltarem aos seus próprios assuntos.

- Tom...

- Não gaste sua saliva tentando interceder por eles.

Harry, no entanto, sabia que isto seria perda de tempo e – assustadoramente – já estava conformado com as derradeiras atitudes do irmão.

-... Acho que o chá esfriou.

- Tudo bem, vamos pedir outro, pequeno.

-x-

Dizer que aquela viagem fora algo mágico seria pouco, ainda que descontassem o pequeno incidente na casa de chá e o suicídio coletivo de turistas americanos na Ponte Eitai noticiado mais tarde, naquele dia, pelos jornais do mundo. Mas nada seria tão mágico como o momento que Harry e Tom compartilharam no último dia da viagem, na famosa Torre de Tóquio, que, com 333 metros de altura, teve sua construção inspirada na Torre Eiffel, porém, seu esquema de pintura e iluminação laranja lhe dava uma personalidade única, tornando-a adorada pelos habitantes locais.

Erguida em 1958, a torre era uma das principais fontes da receita de turismo da cidade e mais de 160 milhões de pessoas já visitaram o local desde a sua inauguração. Localizado na base da torre está um edifício de quatro andares conhecido como FootTown. O primeiro andar inclui uma galeria de aquário, um salão de recepção, um restaurante com capacidade para 400 pessoas, uma loja de conveniência da FamilyMart e uma loja de lembranças. No exterior deste bloco, os turistas podem visitar as duas plataformas de observação: o Observatório Principal, que está localizado a 150 metros de altura e o Observatório Especial, a uma altura de 250 metros.

Neste momento, Harry e Tom se encontravam sozinhos no Observatório Especial, rodeados pela maravilhosa vista da noite de Tóquio, das luzes da cidade e da própria Torre, que brilhavam magníficas. Harry suspeitava que o irmão tivesse utilizado algum feitiço silencioso para afastar os muggles dali, mas ele não reclamava de poder apreciar aquela linda vista nos braços do Slytherin, cada um deles com uma taça de champanhe Goût de Diamants nas mãos e a garrafa aos seus pés, sozinhos e sem interrupções de qualquer tipo.

- É uma pena que seja nossa última noite aqui – o Gryffindor suspirou, rodeado pelos braços de Tom.

- Sim, mas podemos voltar outras vezes. Ou conhecer outros lugares do mundo, pequeno. O céu é o limite.

- Na verdade, nossas férias são o limite, senhor Ministro – disse com um sorriso – logo você voltará para o seu gabinete, onde continuará tomando decisões importantes para a segurança e o crescimento socioeconômico do mundo mágico inglês e eu estarei em St. Mungus cuidando da saúde e até salvando vidas de adoráveis crianças.

- Quem se importa com essas coisas? – perguntou Tom, beijando seu pescoço – Vamos estender nossas férias, pequeno, viajar pelo mundo.

Harry revirou os olhos, mas deixou escapar um pequeno gemido.

- Tentador, Tom, mas somos adultos responsáveis, lembra?

- Você está soando como o Remus.

- E você como o Sirius.

Os dois riram. Então, perderam-se novamente na bela vista das luzes que iluminavam a cidade e a famosa torre sob seus pés.

- Existe uma lenda a respeito dessa torre, sabia?

- Que tipo de lenda? – o menor perguntou, virando-se em seus braços para encará-lo com curiosidade.

- Ela diz que os casais que observam as luzes da Torre de Tóquio se tornarão felizes juntos e uma vez unidos sob estas luzes jamais irão se separar.

Tom deslizou pelo dedo anelar da mão direita de Harry um anel deslumbrante com uma pedra central de diamante reluzente rodeada por diamantes com lapidação pavé habilmente fabricados à mão pelos artesãos da Tiffany & Co, a julgar pela marca dourada que se destacava na caixinha de veludo que voltara a guardar no bolso da calça. Harry, por sua vez, estava em choque e quase se esqueceu de como respirar:

- Você...? Você está...? – ele ofegou – Você está me pedindo em casamento?

- Não.

- O que?!

- Eu não estou pedindo. Eu estou dizendo, aqui, sob as luzes da Torre de Tóquio, que você irá se casar comigo. E que nós seremos felizes. Bem, ainda mais. E que nunca iremos nos separar.

Harry não sabia se o beijava, se chorava ou se ria do "pedido" de casamento tão característico do irmão. É claro que vindo de Tom não poderia ser diferente. E era perfeito. Então, ele optou pelo beijo. Um beijo no qual colocou todo o seu coração, todo o amor que sentia por aquele homem, um amor que teve início numa idade tão pueril, intenso e puro, que somente aumentou e aprofundou ao longo do tempo.

- Eu aceito – disse Harry, ao se separarem – não que faça alguma diferença, é claro.

- Não faz – respondeu Tom, com um sorriso característico – mas é bom saber, pequeno.

- Eu amo você, Tom.

- Eu também amo você. E vou amá-lo para sempre, Harry. Desde o momento em que Lily colocou aquele lindo bebê de brilhantes olhos verdes nos meus braços e me disse que você era meu, eu soube que ela estava certa, que você era meu e assim o seria até o final das nossas vidas.

Harry sorriu, os olhos vidrados de lágrimas, aconchegando-se nos braços do irmão. Naqueles braços em que sempre se sentiu amado e seguro, desde os primeiros anos de vida. E não haveria outro lugar no mundo para ele, senão junto a Tom, rodeado pelo calor do homem que amava.

Seu amante.

Seu amigo.

Seu irmão.

FIM

-x-

N/A: Olá, meus amores! Vejam que rápida atualização eu trouxe para vocês! Tudo bem, não foi tão rápida assim, eu admito, mas estou melhorando, né? Depois de quase um ano sabático, nada melhor do que voltar à ativa e com atualizações relativamente rápidas! Como não posso dar chocolate para todos vocês, meus amados leitores, aqui está uma atualização de Páscoa! E que o coelhinho presenteie a todos com bastante chocolate, ou, como eu gosto de chamar, felicidade in natura.

Bom, vamos ao capítulo... O último. O derradeiro. O epílogo. Finalmente, depois de anos, essa história tão especial para mim chegou ao fim. Por um lado, é muito triste vê-la acabar, mas, por outro lado, tudo o que é bom uma hora acaba – e outras coisas boas tomam o seu lugar. Então, quem sabe uma nova história não está por vir?

De qualquer forma, espero que tenham gostado do Epílogo, da viagem para o Japão que nossos queridos Harry e Tom puderam desfrutar – sim, eu já os fiz viajar quase o mundo inteiro e estou ficando sem ideias, mas gostei de levá-los ao Japão e imaginar o Tom olhando para aquelas crianças vestidas de cosplay sem entender absolutamente nada –, também espero que tenham gostado do casamento do Draco e da Hermione, um casal que eu nunca imaginei que fosse escrever, mas que acabei tomando um certo carinho. E espero sinceramente que tenham gostado da história inteira.

Então, meus amados leitores, mandem suas Reviews para eu saber o que vocês acharam dessa história.

Por fim, deixo aqui meus agradecimentos especiais para:

Assuncao... Katherine Black15... Mah Ridlle... anacatharinapp... thefyzoe... babyjonginkai... Tsuruga Lia1412... Genilson... Luana Rosette... Anjelita Malfoy... Aline... Lina... Francielle... TaiSouza... barbaravitoriatp... Sandra Longbottom... vrriacho... SarahPrinceSnape... FaFaVe... Amanda Mara... Jasper1997... Hanii Seirios Slytherin e srlucasdias!

Muito obrigada mesmo pelas lindíssimas Reviews, meus amores!

Um grande beijo!
E até o próximo capítulo de Amnésia.