Fanfic: A escolha perfeita

Autora: Fernanda

Capítulo 25

O tiro passou a milímetros da cabeça dele e estilhaçou o vidro do carro. Booth praguejou, não podia ter errado esse tiro. Temperance se assustou e olhou para trás, a tempo de ver Booth tentando correr mesmo com a perna muito machucada. O agente Carter o segurou pelo braço.

_ Agente Booth, o senhor não pode correr assim ! Precisa ser atendido pelos médicos !

_ Você não entende ! Eu preciso seguir aquele carro !

O agente Carter notou lágrimas nos olhos do amigo, mas não retrucou. Ele apoiou as mãos nos joelhos e respirou fundo tentando pensar em um plano, apesar da dor terrível na perna. Booth pegou o celular e deu as coordenadas para onde o homem tinha seguido para a polícia local e voltou para a frente da casa. O médico o abordou mas Booth o ignorou. Não deixou que o examinassem e se aproximou de Carter.

_ Preciso do seu carro !

_ Mas o senhor não pode dirigir com essa perna sangrando ! Vai piorar !

_ Eu tenho que ir atrás dele ! Naquele carro estão a mulher da minha vida e a minha filhinha ! – Booth perdeu a paciência e gritou.

_ Então eu dirijo !

Booth não discutiu e eles entraram no carro. Ele pegou o rádio e solicitou as coordenadas do carro em fuga, que nesse momento já estava sendo seguido pelo helicóptero da polícia local. Carter estava concentrado ao volante e corria bastante, também temendo pela vida da Dra. Brennan.

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Temperance se segurava como podia e com dificuldade tinha conseguido colocar o cinto de segurança. O homem dirigia muito rápido e mantinha a arma entre as pernas. Ela tinha pensado em tentar desarmá-lo, mas estava mais lenta por causa da gravidez, por isso resolveu não arriscar. Ela resolveu puxar conversa para tentar descobrir para onde seria levada.

_ Como você pretende escapar do FBI ? Se tiver um plano é melhor avaliá-lo, pois estamos sendo seguidos.

_ Sugiro que cale a boca, moça ! Não pretendia adicionar uma grávida na minha coleção, mas agora serei obrigado a fazer isso.

Temperance tentou não entrar em pânico. Ela sentia o suor escorrendo pelo seu pescoço em direção às costas, que estavam doendo um pouco desde que se levantou naquela manhã. Prestou atenção e percebeu que a dor estava vindo em intervalos e mordeu o lábio inferior. Só faltava essa, entrar em trabalho de parto dentro de um carro sendo sequestrada !

Ela respirou fundo e fechou os olhos, precisava marcar o tempo entre as contrações e torcer para que Booth conseguisse resgatá-la a tempo.

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Booth passou um lenço pelo rosto, a dor na perna agora estava no auge, mas ele não queria estar longe dela quando o FBI pegasse aquele desgraçado. A barreira estava feita e os atiradores posicionados. Ele não teria chance, só esperava que ele não tivesse tempo de se voltar contra Temperance. Ele aguardava ao lado dos outros agentes com a arma na mão.

O helicóptero avisou da aproximação do carro e todos ficaram em alerta. Assim que percebeu a emboscada ele pisou no freio bruscamente. Temperance ofegou quando o cinto a apertou mais forte. Ela avistou Booth. O negociador falou em um mega-fone.

_ Você está cercado, jogue a arma pela janela e saia do carro, agora !

Ele ignorou a ordem, agarrou o braço de Temperance e soltou seu cinto de segurança. Ele a fez sair pela porta do motorista, apesar da barriga atrapalhar um bocado. Ele apontou a arma para a cabeça dela e eles foram seguindo devagar. Ele sempre usando-a como escudo para proteger seu corpo. Temperance encarou Booth e fez um leve sinal de que ia se abaixar. Ele levantou sua arma. Quando o homem menos esperava ela gemeu.

_ Estou com contrações !

_ O que ? Só pode estar brincando !

Ela gemeu mais forte e forçou o corpo para baixo. O homem foi pego desprevenido e ficou sem reação. Booth aproveitou a chance e atirou, atingindo-o em cheio na mão que segurava a arma. Essa voou longe e Temperance o atingiu no estômago com o cotovelo. Quando ele a soltou ela correu em direção ao Booth que a abraçou com força.

_ Eu juro que vou te trancar em casa ! Nunca mais você vai sair ! – ele sussurrava contra os lábios dela, beijando-a com loucura.

Temperance sorriu sem responder, mas de repente o empurrou e se curvou, segurando a barriga com as mãos. Ela ficou pálida e respirou fundo várias vezes. Booth a olhou preocupado.

_ O que foi, Bones ? Ele te machucou ?

_ Não, Booth ! Ele não fez nada, mas sua filha decidiu que cansou de esperar !

_ Meu Deus ! Você está sentindo contrações ? – ele perguntou com o olhos arregalados. – Mas faltam duas semanas !

_ Não, Booth, um bebê nasce entre 38 e 40 semanas de gestação, é perfeitamente normal ! Eu estou com 38 semanas e...

_ Ok, acho que agora não é a melhor hora para uma aula dessas ! Temos que ir para o hospital !

Carter, que tinha ouvido tudo, se aproximou solicito.

_ Eu levo vocês ! Vamos !

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Temperance estava suando frio e os lábios tremiam com a dor que ficava cada vez mais forte. Booth a encarou preocupado. Ele, que já estava medicado e tinha levado dez pontos na perna, agora estava ao lado dela na sala de parto, insistindo para que ela tomasse a anestesia. Ele passou um pano com água fria pela testa dela.

_ Não tem porque você sofrer desse jeito, Bones ! Hoje em dia existe anestesia, por que não tomar ?

_ Não existe um estudo concreto sobre os efeitos dos anestésicos no bebê, Booth ! Não quero arriscar fazer mal à criança !

Ela apertou a mão dele quando a próxima contração veio e ofegou, fechando os olhos e deixando uma lágrima escorrer. Booth sentiu seu coração apertar.

_ Eu não agüento te ver sofrendo assim ! Por favor, tome a anestesia !

_ Não ! O corpo da mulher é perfeitamente capaz de passar por isso, Booth !

O tempo ia passando e ela ia ficando cada vez menos segura de sua decisão. A dor era impressionante, como ela jamais tinha imaginado. Ela apertou a mão de Booth e mordeu o lábio, soltando um pequeno grito.

_ Eu não estou agüentando, Booth ! Nunca imaginei que doesse tanto ! – ela disse chorando.

Booth a beijou nos lábios.

_ Droga, Temperance ! Esqueça sua teimosia ! Eu mesmo vou chamar o médico !

_ Não ! Eu agüento, eu preciso agüentar ! – ela arregalou os olhos quando a próxima contração chegou antes do esperado. – Não ! Eu não agüento, Booth ! Por favor chame o anestesista !

Ele sorriu. Hora de colocar seu plano em prática.

_ Vamos fazer um trato. Eu chamo o anestesista e você aceita isso. – ele tirou um anel de brilhantes do bolso. – Casa comigo ?

_ Você só pode estar brincando ! Isso não é hora pra brincadeiras, Booth ! – ela fechou os olhos por causa da próxima contração. – Aaaaaaaaaiiiiiiiiii ! Droga ! Chama logo o médico. Booth !

_ Não estou brincando ! Quero criar essa criança com você, como uma família !

Ela olhou nos olhos dele, ele não estava brincando. Temperance desistiu de lutar. Que mal poderia haver, afinal ela o amava. Ele percebeu nos olhos dela quando ela se rendeu. Ela recomeçou a chorar, dessa vez de emoção.

_ Eu aceito, Seeley Booth !

Ele sorriu e a beijou.

_ Mas agora chama logo esse médico !!! – ela gritou.

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_ Ela é linda ! Tão pequena... – Booth não se cansava de olhar a menininha linda, igualzinha a ele, olhos e cabelos castanhos, sobrancelhas retas e uma boquinha que já ensaiava um sorriso, que com certeza mais tarde ia se tornar o famoso sorriso charmoso que tinha conquistado a mãe dela.

_ Ela não parecia tão pequena ontem a noite. – Temperance observou sorrindo.

Booth se aproximou e se sentou na cama. Ele a beijou longamente nos lábios e passou os dedos pelo anel que ela usava.

_ Obrigado por esse presente, ela é maravilhosa. Hoje eu sou o homem mais feliz do mundo !

Ela sorriu.

_ Eu sempre soube que a escolha do pai para minha filha tinha sido perfeita !

Continua...