Havia algo de uma atmosfera de circo do lado de fora de Old Bailey naquela tarde. Harry não estava surpreso. No local onde se juntam criminosos, normalmente podem-se encontrar homens que são pagos para os executar, defender e enfocar, e a mistura desse tipo de gente tende a criar certa histeria que fica suspensa no ar. Abrindo caminho, Harry passou por um juiz de peruca e um coxo batedor de carteira, que por alguma razão carregava no ombro um macaco barulhento. Pela centésima vez ele se perguntava o que estava fazendo no Tribunal Central de Homicídios, um lugar a que ele não ia desde que, quando jovem, fora preso.

Não que tivesse sido tratado tão mal ali em todos aqueles anos. Tivera sorte, mais sorte do que a maioria dos meninos com os quais ele cresceu.

Apenas Sirius Black – o armeiro a quem Harry havia sido enviado como aprendiz pela corte, cuja viúva Harry ajudava e ainda visitava, quinze anos depois – tinha ensinado a Harry muito mais do que o trabalho interno de armeiro em todos aqueles anos em sua pequena loja. Para Harry, eram as lições que Sirius lhe ensinara fora da loja que mais importavam. Sirius Black lhe ensinara tudo o que sabia e que ele achava que tinha alguma importância. - de como dançar Sir Roger de Coverley ao modo certo de segurar um recém nascido. Era a Sirius Black que Harry achava que devia tudo, e era em memória desse grande homem que ele silenciosamente levantava um copo ao jantar toda noite.

Mas isto não quer dizer que Harry apreciasse o lugar onde ele havia conhecido o homem que mudou sua vida.

No entanto não era por isso estava ali. Ele tinha que vir. Ele tinha recebido uma carta de Hermione, escrita em obvia pressa, repetindo o fato de que ela não iria querer mais nenhuma "lição", e que ela não poderia ir ao encontro dele como ele tinha pedido dois dias antes, porque sua presença era requerida no tribunal.

Ele imediatamente chamou por sua carruagem.

Bem, que outra escolha ele tinha? Seu bilhete o deixara maluco. Sem mais lições. Ela tinha dito isso no dia anterior, mas ele tentou não ouvir. Não ouviria. Sem lições, que influencia ele tinha sobre ela? Nenhuma. Ele se casaria com aquele canalha do Ron – a quem Harry estava convencido não ser tão inocente como o irmão dela dizia – e ele a perderia para sempre.

Porque ele tinha prometido. Ele tinha prometido não dizer a ela o que sabia. O que significava que ele certamente não podia contar a ela, que suspeitava que o ato de heroísmo de seu noivo não passava de uma consciência culpada. Ron poderia ser mais chegado ao Duque do que ele deixava transparecer. Harry sabia que uma maneira de Hawkins atrair altos apostadores para seu estabelecimento no Dials tinha sido empregando membros pobres da nobreza, mas altamente estimados na sociedade para comprovar a autenticidade do lugar. Sera que Ron era um desses fantoches?

Não que fizesse muita diferença se a suspeita dele fosse comprovada. Ele tinha prometido. No Dials, um homem morria e vivia pela sua palavra. Harry não voltaria atrás em sua promessa.

Mas também não desistiria dela. Não tão facilmente.

Por isso ele estava ali, em um dos seus lugares menos preferido em Londres. Old Bailey, como ele sabia muito bem, era bastante desagradável para qualquer um, mas era absolutamente o ultimo lugar na terra em que uma jovem Lady como Hermione Granger deveria ser vista. Em que, ele se perguntava pela milionésima vez, poderia estar pensando a idiota da mãe dela, permitindo sua filha fosse lá? Se havia duas coisas completamente incompatíveis, essas coisas eram Hermione Granger e o Old Bailey.

Ao atravessar a passos largos o jardim miserável, ele viu a carruagem dos Granger estacionada, com a criada e o condutor nela, esperando pacientemente sua senhora. Não parecia ser possível, mas ali estava a prova: Hermione Granger estava em algum lugar naquela multidão desagradável. Harry forçou passagem por entre um monte de prostitutas, quase provocando um tumulto, e aproximou-se da carruagem. A empregada, ele viu, era, por um golpe de sorte, Violet. Ele a chamou, e ela olhou para baixo assustada com tudo o que acontecia ao redor da calma ilha de couro e aço na qual ela estava sentada.

- É você, Violet? - Harry usou sua voz mais profunda e tranquilizadora.

A empregada girou em seu alto assento, parecendo confusa. Quando o olhar dela caiu em Harry, ela animou-se consideravelmente.

- Oh - ela disse, parecendo prazerosa. - É o senhor.

- Lady Hermione ainda esta lá dentro, certo? - ele perguntou, indicando com a cabeça em direção a Old Bailey, que estava lotado com todo o tipo de gentalha que era sempre atraída a esses lugares (criminosos com s família e defensores, missionários, vendedores de frutas, cachorros, bandos de moleques de rua, esperando ganhar algum dinheiro, e o mais lamentável de todos, advogados.)

Violet assentiu sua cabeça com tanta força que as floras artificiais balançaram em seu chapéu.

- Sim, senhor. -Ela disse. - em uma hora deve estar pronta.

-Ela me pediu para encontrá-la aqui - Harry mentiu, levando a mão ao bolso do colete. - Não há necessidade de você ficar. Eu trouxe minha carruagem. Eu a levo para casa. Porque vocês dois não vão e tomam uma boa xícara de chá em algum lugar?

Violet e o condutor trocaram olhares rápidos. Harry não perdeu o olhar de cobiça que o condutor deu na carteira que ele estava sacando do bolso do colete.

- Oh, senhor - Violet disse. - É muita bondade sua, senhor. Mas não ousamos ir. Se Lady Granger descobrir...

Ela se interrompeu com um gemido alto. O condutor tinha obviamente chutado ela.

- Nós ficaríamos felizes de ir tomar um chá - o condutor disse, sorrindo educadamente para Harry. - É muita bondade sua, senhor. - E, quando ele notou o quanto Harry tinha sacado, seus olhos se arregalaram, e ele adicionou: - Muita bondade certamente.

A carruagem se foi após alguns segundos, e Harry ficou ali onde ela estava, cruzou os braços e tentou ignorar as incensáveis atividades em volta dele, muitas das quais consistia em atos, que em qualquer outro lugar de Londres, resultariam imediatamente em prisão, mas como eles estavam em frente à corte, resultavam apenas em gargalhadas, desde que todos os policiais estavam ocupados dentro do prédio, afastando aqueles que estavam recebendo sua punição.

Uma carroça de gelo parou, um carro instável puxado por um cavalo velho e raquítico, e o condutor informou a Harry que ele estava parado na vaga dele, Harry apenas olhou para ele, e depois de um tempo, o sorveteiro decidiu que não era a vaga dele afinal de tudo, e ficou onde estava, apregoando sua mercadoria.

Pouco mais de quinze minutos depois, os olhos de Harry foram capturados por dois focos de cor brilhante, e ele viu Hermione e sua amiga, Lady Gina Stanhope, emergindo da Old Bailey, com suas saias amplas abrindo caminho através da multidão. Ele descobriu, para sua surpresa, que ele estava em suspense, esperando ver qual seria sua reação quando ela o notasse. As reações de Hermione Granger eram tão variáveis – e imensamente satisfatórias – que ele tinha começado a se sentir meio ansioso, como uma criança fica para abrir um presente de natal.

Ele não se desapontou quando Hermione, vindo para o lugar onde a carruagem dela tinha estado, parou e perguntou:

- Mas onde Peters e Violet poderiam ter ido?

Então seu olhar caiu sobre Harry, e ele viu aqueles enormes olhos marrons abrindo-se mais do que nunca. Depois, como as janelas de Westminster quando o sol bate nelas, as bochechas de Hermione começaram a ficar vermelha e mais vermelha.

Ele sorriu para ela, imoderadamente satisfeito pela cor dela. Tinha valido a pena esperar.

- O que - ela gritou, a voz dela rouca como se tivesse sido ela, e não a amiga dela, que tinha animado um comício na Trafalgar Square algumas horas antes. - você esta fazendo aqui? E onde estes meu condutor e minha empregada?

Ele balançou a cabeça para ela.

- Tsk, tsk, tsk - ele disse. - Tão desconfiada para alguém tão nova. O que a faz pensar que eu fiz alguma coisa com a sua preciosa empregada?

- O que mais eu posso pensar? - Hermione exigiu. - Ela estava aqui quando eu a deixei, e quando eu volto, vejo que ela se foi, e encontro você no lugar dela. Considerando o que fez com ela na última vez...

Lady Gina, que esteve assistindo a conversa com os olhos apenas um pouco menores que o de Hermione, interrompeu:

- O que? - ela perguntou, avidamente. - O que ele fez com ela da ultima vez?

- Eu não fiz nada com ela - Harry respondeu, no exato momento que Hermione dizia:

- Ele a galvanizou.

Gina, relanceando os olhos de Harry para a amiga e de volta para ele, disse:

-Eu acho que vocês querem ficar sozinhos. Hermione, obrigado, mas eu acho melhor eu achar meu próprio rumo...

Para o desapontamento de Harry, Hermione agarrou o braço da amiga severamente.

- Eu não - ela declarou. - Eu não quero ficar sozinha com ele, de jeito nenhum.

Gina olhou para ela, e, pelo jeito teria preferido alugar um carro e seguir seu caminho. Harry não a culpava. Tinha certeza de que ele estava com um olhar desesperado, que era como ele estava começando a se sentir. Desespero não era algo que ele estava acostumado a experimentar quando se tratava de mulher, mas Hermione Granger parecia ter a habilidade de despertar isto nele.

Mesmo assim, ele tentou se lembrar que ele estava a meio caminho de se tornar um cavalheiro, e disse, numa mesura elegante:

- Eu ficarei deliciado em deixar ambas em casa. Eu tenho minha carruagem, bem ali, do outro lado da praça. Eu ficarei feliz em acompanhá-las...

- O que você fez com Violet e Peters? -Hermione exigiu.

Mas antes que ele pudesse responder, eles foram interrompidos novamente, desta vez por uma carruagem de aluguel que parou tão abruptamente ao lado da carroça de gelo, que os moleques de rua, que tinham se escondido atrás do vagão para roubar as coisas geladas – dispersassem como pombos para todos os lados da praça.

Um segundo depois, o condutor, parecendo deliciado em bater seus companheiros por esta corrida fácil, estava ajudando Gina a subir no carro, para o qual havia feito sinal, depois de escapar de Hermione.

Hermione abruptamente abandonou Harry, e se apressou na direção de sua amiga.

- Gina - ela disse, sua face cheia de atordoamento. - Senhor Potter disse que ele nos levaria...

Gina lançou um olhar para Harry por cima do ombro de Hermione e disse rapidamente:

- E é muita bondade dele. Obrigado pela sua ajuda, Mione, mas eu acho que vocês devem ficar a sós para, er ... resolver as coisas...

Harry viu quando Hermione tomava fôlego para argumentar, mas Gina já tinha encorajado o condutor para seguir.

- Olhe o que fez - ela disse. - O Senhor a assustou.

- A assustei? - Harry estava chocado. - Como eu posso ter assustado Lady Gina? Ela é que me assusta!

- Bobagem. Você deve ter levantado esta infeliz sobrancelha com cicatriz para ela ou alguma coisa para espantá-la, sabendo perfeitamente bem que eu não posso ficar sozinha com o senhor. Não novamente. De fato, eu não deveria nem mesmo estar parada aqui falando com você. Alguém pode nos ver juntos...

- Hã? - Isto era uma interessante nos acontecimentos. Outro homem ficaria assustado, mas Harry Potter apenas disse, pegando ela pela mão: - Então é melhor nós irmos. Minha carruagem esta...

- Não. - Ela puxou os dedos que ele segurava. -Não. Você não vê? Esta tudo acabado. Eu estava errada quando eu fui procurá-lo em primeiro lugar. Eu agradeço por tudo que fez... - ela se interrompeu, olhando para ele por cima da sombra da aba de seu chapéu, então perguntou, quase timidamente - O senhor teve a chance de falar com meu irmão?

- Certamente - Harry disse, gravemente. - Eu falei. Não precisa se preocupa. Ele não ira para Oxford.

- Ele... - ela se virou para olhar para ele, maravilhada - Realmente? Oh, obrigado! Muito obrigado. O que lhe disse para fazê-lo concordar em ficar em Londres?

- Oh - Harry disse, casualmente. - Nada de mais. De todo modo, eu não acho que ele quisesse ir, portando era só uma questão de alguém apontar as vantagens de ficar.

Hermione franziu o cenho.

- Bem, eu achei que isso fosse obvio. Mas talvez ele precisasse ouvir isso de um homem. Pobre Tommy, com tantas mulheres cacarejando em volta dele, deve se sentir muito controlado.

- Ele não mencionou isto - Harry disse.

- Oh - Hermione pareceu perceber que ele ainda segurava a mão dela. Ela começou a puxá-la novamente. - Bem, obrigado. O senhor tem sido muito gentil, especialmente em relação a Tommy. Mas agora eu tenho que ir. O Senhor tem que me desculpar. Eu...

Ela tentou arrancar sua mão da dele, mas ele foi mais rápido que ela. Em um segundo, enfiou a mão na curva de seu braço, mantendo-a segura.

- O que - ele disse, tentando soar mais calmo do que ele se sentia. - nós temos aqui, hein? Um motim?

Ela puxou inutilmente seus dedos presos.

- Isto não é divertido, Harry - ela disse. - Nós não temos o direito de estar fazendo o que... bem, o que nos estivemos fazendo. Seria melhor que nós parássemos agora e seguíssemos de onde nos estávamos, e esperar que ninguém descubra como estávamos sendo tolos...

Sua voz parou quando ela notou a expressão no rosto dele, a qual devia ter sido muito estranha, julgando pelo modo como ela o encarava.

- O que? - ela perguntou claramente alarmada. - O que é?

Ele ainda não tinha se recuperado do choque, e não conseguia tirar os olhos dela. Nem podia deixá-la ir. Não agora. Talvez nunca. - Do que me chamou?

Suas pálpebras foram para baixo, embaraçada, ela olhava para o chão e disse:

- Senhor Potter. Eu quis dizer Senhor Potter. Agora me deixe...

- Não foi assim que me chamou.

- Mas foi o que eu queria dizer - ela disse, ainda sem encontrar os olhos dele. - Porque não me deixa ir? Já lhe disse que não posso ficar aqui com o senhor...

- Diga de novo.

- Senhor Potter...

-Diga de novo.

- Oh, muito bem! - Ela parou de lutar e virou para o rosto para ele, as bochechas dela estavam rosa agora, não pelo embaraço, mas pelo esforço de se livrar dele. - Harry. Esta feliz? Eu disse. Harry. Agora, você poderia me soltar?

Ele a soltou. Parecendo extremamente surpresa por se achar repentinamente livre, ela levantou a mão e, aparentemente por força do habito, arrumou seu chapéu.

-Agora - ele disse, devagar. - Que bobagem é essa de nos não nos vermos mais?

Abaixando seu olhar para o chão novamente, ela puxou uma profunda respiração, e disse:

- É só que esta tarde, por acaso, fui...

O som de um chicote estalando a interrompeu, fazendo-a pular, e Harry pôs um braço em volta de seu ombro para defendê-la.


(N/A): Oiii gente, sou ou não, muito boazinha? Dois capítulos em menos de dois dias? Mas agora, eu realmente tenho que me focar em estilhaça-me e em Desafio Harmony Family, praticamente abandonei aquela fanfic!

E ai, o que acharam desse capitulo? E para comprovar que eu realmente sou muito boa, aqui vai um pedaço do próximo:

"Hermione, espantada, começou a rir e gritou:

- Pare!

- "... Granger" - Ele terminou.

- O senhor - disse Hermione. - é um homem estranho, senhor Potter. Mas é um bom homem.

- Estamos em casa, sir. "

Ok, não foi um grande spoiler, mas já é alguma coisa né ?

Muito obrigada a todos que estão lendo, principalmente:

Witchysh: Nada, o importante é que comentou - nada me deixa tão feliz quanto uma review. Pois é, quando eu li "Meninos maus devem aprender" toda a minha visão e esperanças de HH aumentaram bastantes, porque sinceramente eu achava que era a única a gostar de HH, então imagine a minha surpresa ao ler Harry sexy, gostoso, maravilhoso, bad boy da sonserina ? OH Deus, surtava cada vez mais a cada capitulo que passava. "Sou viciada em fics há mais de 10 anos e faz tempo que não leio uma tão boa!" OH MEU DEUS, esse é um senhor elogio, pode apostar! Meus esforços valem a pena! Muito obrigada e espero sinceramente que continue gostando.

Brena: Acho que o encontro não foi bem do modo como você imaginava, não é ? Mas não se preocupe, esse encontro deles ainda promete muito. E essa Cho ainda vai ter o que merece. Team Hate Cho go! ok, parei, espero que tenha gostado. Beijoos.