Olá gente linda! Antes de mais nada quero dizer que eu te amo, Camila! Você é um presente que ganhei, minha beta e minha best, uma das pessoas mais importantes da minha vida. Obrigada pelo simples fato de existir.
Agora quero dizer: Mandy, te amo muuuuuuuito! Você é a pokefilha do meu coração. Sempre me alegra e me incentiva. Te adoro!
Então vamos aos agradecimentos: Erica, amo a delicadeza dos seus reviews e deixa minhas postagens no facebook, também tenho vida hahahaha. Ju, você é muito fofa, viu?! Ler seus reviews sempre me alegra. Daniela Snape, obrigada por sempre passar por aqui!
Lorena . fontgaland, Bella LSA e Luna888: obrigada por terem adicionado a fic/eu aos favoritos, e por estarem seguindo a história. Isso é muito importante para mim.
Para as apressadas e apressados de plantão, saibam que eu já estou escrevendo o 26. Mas também tenho vida né gente... Às vezes eu fico uns dias sem postar, mas não é por mal. To terminando essa correção depois de meia noite, então a diferença desse capítulo para o anterior é de somente onze dias. Se eu demorar mais do que isso para o próximo me desculpem, mas fiquem tranquilos. Não vou parar de postar. E temos o mini glossário no final do cap outra vez!
Ah! E 2Dobbys, tem um agradecimento especial para você no final do capítulo.
Boa leitura!
- Verde esmeralda? – ele deu um sorriso irônico. – Isso não é nem um pouco grifinório.
- Ora Severo, eu não preciso usar meu uniforme depois do horário de aula. – a moça levantou uma sobrancelha ao dizer – Aposto que o Potter vai adorar ter essa visão.
- Você poderia muito bem ter ficado com as roupas que estava. – ele falou aquilo, mas estava adorando ver a atitude dela.
- Mas eu gosto dessas vestes. Fahrah quem me deu. – sim, estava explicado. Era óbvio que ela queria transparecer algo que a ligasse com o lado de lá.
- Então podemos? – disse ele ao se encaminhar para a porta.
- Temos escolha? – foi uma pergunta retórica. Ela passou por ele e aprumou a postura. O andar duro e o olhar frio indicavam, Lilith Riddle estava ali.
Severo postou-se cuidadosamente a uma distância de uns dez passos atrás dela. Dois alunos mais novos correram quando os viram, mas Payler parou e, respeitosamente, fez uma revência em direção à moça. Hermione o olhou e o cumprimentou com a cabeça o dispensando. O mestre em poções não falou nada, queria ver até aonde aquilo iria chegar.
Os corredores estavam vazios, como realmente deveriam estar àquela hora, alguns monitores os cumprimentaram, mas não se demoraram, pela cara de Hermione e pela presença de Snape a coisa deveria ser séria. Pararam em frente à gárgula tão conhecida.
- Você sabe a senha? – foi a primeira vez que Hermione dirigiu a palavra a ele desde que saíram das masmorras, mesmo assim o tom de voz dela não havia voltado ao normal.
Severo puxou um pedaço de pergaminho de um bolso escondido nas vestes – O diretor disse que a senha se revelaria quando chegássemos aqui. – ele bateu com a varinha no papel, letras finas foram desenhadas e formaram três palavras – Leia isso aqui. – ele tinha um ar de divertimento.
- Marshmallow de coração? Sério? – ela conseguiu esboçar um sorriso, mas esse logo se desvaneceu quando a escadaria foi revelada. – Você vai na frente.
Assim Severo fez, nunca à distância até a porta do escritório do diretor pareceu tão longa. Antes mesmo de baterem a porta foi aberta. O lugar havia sido ligeiramente ampliado, cadeiras haviam sido dispostas em uma forma semicircular para que ninguém ficasse de costas para o outro. Harry Potter, Ronald Weasley, Gina Weasley, Minerva McGonagall e Alvo Dumbledore estavam sentados em seus respectivos lugares. De pé em um canto escondido estava uma figura conhecida aos seus olhos.
- O que, exatamente, você está fazendo aqui? – Hermione se dirigiu a passos lentos até a mulher que estava do outro lado da sala.
- Eu vim... – ela olhava com uma dose de deboche quando a outra a interrompeu.
- Fale baixo quando se dirigir a mim. – a voz de Hermione estava baixa e gélida.
Todos na sala congelaram ao ver aquela cena, até mesmo Severo preferiu não se manifestar. Harry olhava para ela com medo, Gina estava espantada, mas Dumbledore, no entanto observava com curiosidade.
- Eu vim a mando do professor Dumbledore. Estarei em missão juntamente com a ordem. – dessa vez a mulher olhava para o chão.
- Isso tudo é para obter autorrealização, Prince? – o deboche foi audível – Está tão frustrada por não ter conseguido entrar para a guarda que está mudando de time?
- Eu só quero ajudar no que puder, Milady. – Alex estava usando de todo o seu autocontrole para não pular no pescoço da outra, mas, mesmo assim, sabia que não teria a mínima chance contra a filha do Lorde das Trevas.
- Senhorita Granger. – a voz de Dumbledore foi ouvida. – Peço que me desculpe por não ter avisado sobre a presença da senhorita Prince.
Hermione sacudiu a cabeça e pôs um sorriso no rosto, ainda assim sua aura não fora modificada. – Eu que peço desculpas por não ter lhe cumprimentado apropriadamente, diretor. Aliás, peço desculpas a todos. – ela não precisou ter tirado o prisma, a sombra dos olhos azuis se manifestara por debaixo dos castanhos.
Severo sentou-se em uma cadeira, ela porém continuou de pé. – A senhorita Prince se ofereceu para ajudar na espionagem. Além do mais, o fato de ela ser relativamente nova no círculo interno não levantará tantas suspeitas. – os olhos de Dumbledore a perscrutavam, queria presenciar o comportamento que Hermione mantinha na frente dos comensais da morte.
- Não conte tanto com isso. Ela não faz parte do círculo interno, muito mal está na beirada dele. – um sorriso irônico.
- Mas eu posso tentar...
- Não me interrompa. – Hermione estava de costas para ela e a calou com um gesto de mão – Não acredito muito na valia dela, tudo que ela sabe é o que arranca do Richard pelos cantos dos corredores. – ela virou levemente o rosto para trás – Sim, eu sei disso.
Alexandra ficou com o rosto incrivelmente corado. – De qualquer forma sei de coisas que o Severo não sabe. – ele respirou fundo – No círculo mais baixo acontecem coisas que não chegam aos ouvidos do alto escalão.
- Ela está certa, Hermione. – disse Severo – Eles realmente sabem de coisas que são ditas como desnecessárias aos olhos do Lorde das Trevas.
- Se você diz... – ela deu de ombros.
- Também acho que serei de ajuda para te proteger, caso haja algum imprevisto. – a voz dela saiu mais firme.
- Me proteger? Alexandra ouça as suas palavras. – ela a olhou com determinação, sem traços de sarcasmo dessa vez – É o meu papel te proteger. É o meu papel cuidar de vocês. Não acredito em arriscar a vida de pessoas em prol da minha. Debaixo de minhas vistas todo comensal tem que viver. – ela falava sério – Salvei a vida de Bellatriz uma vez e, se tiver que entrar na frente de algum feitiço por você, eu o farei. Não gosto de você, não suporto sequer a sua presença, mas isso não quer dizer que eu te mataria.
Aquelas palavras pesaram no ar, nem mesmo Dumbledore esperava ouvir aquilo dela. Aquelas eram as convicções de Voldemort, era assim que ele ganhava e seduzia os seus seguidores. Hermione falou aquilo com determinação e sinceridade, Severo baixou a cabeça em um impulso, foi como se estivesse ouvindo o próprio Lorde das Trevas. Os outros sequer ousaram respirar, Minerva tentava desviar os olhos, mas não conseguia, será que aquela ainda era a sua aluna?
Novamente Alex sentiu a admiração que se abateu sobre si no dia do ataque, aquela garota poderia ser qualquer coisa, mas era nobre. Independente do lado em que estava ela estaria ali para salvar vidas e não para perdê-las. – Creio que tenhamos esclarecido tudo. Está livre para retirar-se, senhorita Prince. – a voz de Dumbledore trouxe a atenção todos de volta para o ambiente.
Alexandra assentiu com a cabeça e, para a surpresa de todos, parou em frente à Hermione e se ajoelhou. A garota já tinha visto alguns comensais fazerem aquilo com Voldemort, mas nenhum havia se dirigido a ela daquela maneira. Eles só faziam aquilo quando o Lorde das Trevas os concediam algum tipo de misericórdia ou dádiva. Hermione estava nervosa, mas decidiu imitá-lo. Quando Alexandra ajoelhou-se aos seus pés, ela endireitou o corpo e esperou. A mulher foi ao chão e beijou a barra de suas vestes, Hermione a tocou no ombro dando a entender que ela podia se levantar. Pegou a varinha do meio das vestes.
- Eu não acho que isso seja necessário. – a voz de Snape saiu baixa, aquilo seria muita exposição, ele estava receoso, aquele gesto significava abrir muito a vida dos comensais. Abrir muito sobre o que ele próprio tinha que fazer muitas vezes.
- Eu quero Severo. Me faz sentir bem. – ela nem olhou para os lados, sua voz foi um sussurro, como se respirar fosse uma falta de respeito na frente de Hermione.
Ela pegou o braço esquerdo da mulher com uma surpreendente delicadeza e enrolou a manga esquerda da blusa. A marca pareceu sentir a sua presença, estava um pouco pálida, mas ficou ligeiramente alterada com o toque de sua mão. Encostou a varinha e falou em tom sério - Osculum Anima Vestra Morsmordre. – Aquelas palavras fizeram o ar congelar, um pouco de dor foi vista no rosto da comensal, mas ao mesmo tempo um pouco de prazer. A marca ficou avermelhada e logo depois se tornou negra e vívida. Alexandra murmurou um agradecimento e se foi sob os olhares de condenação dos outros.
Logo que a porta foi batida todos os olhares se voltaram na direção de Hermione. Calmamente ela se dirigiu a cadeira que lhe fora reservada, mas antes que pudesse se sentar Harry esbravejou – E ainda reclamam por que eu tentei te matar!
- E o que, exatamente, você esperava que eu fizesse? – sua voz saiu gélida como se o próprio Voldemort estivesse falando.
- Não sei. Que tal ser menos devota a causa dele por exemplo? – as cadeiras deles estavam no máximo da distância que a disposição de lugares permitia.
- Ela ainda é comensal, Potter. Não sei se isso passou pela sua cabeça, mas tudo que foi dito aqui será dito lá. – ela o olhava entediada.
- Exatamente como você e o Snape fazem! – ele disse com deboche.
- Não ponha o nome de Severo nisso. – a frase saiu entre os dentes, à voz dela ainda estava baixa, mas havia chegado o corpo mais para a ponta da cadeira. Severo percebeu.
- Silêncio, os dois. – como sempre Dumbledore falava com calma, mas Harry o olhava com um tipo de medo – Essa reunião foi convocada para discutir o ocorrido de ontem à noite, e não para trocarem desavenças.
Ambos o olharam, aliás, todos o olharam. Hermione ainda trazia a postura de antes, mas amainou a raiva, encarava o diretor respeitosamente e segurava a mão de Snape para se acalmar. Rony tentou não focar muito naquela imagem, mas devido às circunstâncias, ele tinha mais nojo de Harry do que daquilo.
- Eu gostaria de fazer uma consideração, Alvo. – a voz da professora de Transfiguração foi ouvida – Ontem eu parei e refleti muito sobre o que a senhorita Weasley me contou. Não acreditei de primeira, devo confessar, mas sim, encarei os fatos. A minha Grifinória – ela olhou com emoção para a garota – a Hermione que eu conheço, é a garota mais corajosa que já passou por minha casa. Tenho certeza de que tudo que faz é pelo bem de todos nós. Deve ser muito difícil manter uma máscara perante Voldemort. Muitos aqui não conseguiriam. Pergunto-me até hoje como Severo consegue. Os dois – ela indicou o casal com o olhar – tem muita fibra. Não estou aqui para julgar algo que tenha feito senhorita Granger, só quero que saiba que, no que estiver ao meu alcance, farei tudo para lhe ajudar. Tentarei também te proteger, nunca pensei que estaria em risco dentro dos muros de Hogwarts. – olhou de esguelha para Harry. – Não sei o rumo que seu espírito tomará, mas no que eu puder... Se precisar... – algo travou na garganta da mulher e ela não conseguiu mais falar, seus olhos estavam marejados. A garota de cabelos castanhos relaxou um pouco suas defesas.
- Professora, eu a aprecio muito. Desde que entrei para a escola sempre tive a senhora como exemplo e... – ela foi cortada por uma voz raivosa.
- Parem com isso! Chega desse melodrama... – Harry havia tentado levantar, mas sua perna quebrada o impediu.
- Se eu tiver que pedir o seu silêncio mais uma vez, terei que travar a sua língua, entendeu? – Dumbledore ainda o encarava com calma. – Minerva, sua presença foi requisitada aqui para Hermione entender que está do lado dela. Não estou te expulsando, mas ela passou por coisas que julgo um tanto... Inapropriadas aos seus ouvidos.
- Entendo. – a mulher parecia ressentida, havia sido claramente expulsa. Mesmo assim caminhou na direção de Hermione e a abraçou. A cena foi meio estranha. A mulher estava de pé inclinada para frente com ambos os braços envolvendo o pescoço de sua aluna. A garota por sua vez, tentou abraçar a mais velha na altura dos ombros, mas a posição também não deu muito certo. Ambas sorriram ao se separarem e traziam um brilho de lágrimas no olhar.
- Obrigada. – essa palavra significou muito para Minerva.
- Conte sempre comigo, minha querida. – e com um sorriso a mulher se foi.
Dumbledore olhou para todos – Podemos começar? – todos assentiram – Ótimo. Alguém quer falar algo? – Harry levantou a mão esquerda – Prossiga.
- Só quero deixar claro que não me arrependo do que fiz. – todos continuaram calados, até que Hermione levantou a mão.
- Também quero deixar claro que não me arrependo do que fiz. – ela trazia um sorrisinho no rosto. – Mas reconheço que foi errado.
- Que bom. Isso vai consertar os meus ossos quebrados. – ele deu um sorrisinho de escárnio.
- Eu não estou falando dos seus ossos. – ela fez uma cara de falsa surpresa – Diretor, o senhor não contou a ele?
- Contar o quê? – o coração do rapaz batia descompassado.
- Que eu torturei sua tia até quase a morte. Falava aquilo com indiferença – Digo, sobrou alguma quantidade de sangue no corpo dela, eu acho. – ela trazia uma cara de curiosidade e um sorriso jocoso no rosto – Não sei o quanto o professor Dumbledore conseguiu repor.
Harry ficou lívido, Rony ficou pálido e Gina sorriu. Em algum momento o rapaz tentou sacar a varinha, mas foi paralisado pela ruiva – Nós não queremos uma guerra aqui, não é diretor?
- Presumiu corretamente, senhorita Weasley. – Dumbledore respirou fundo – Quero as varinhas de todos. E também quero a sua promessa, senhorita Granger; por favor, não faça nenhum feitiço.
- O senhor tem a minha palavra, diretor. – Dumbledore viu sinceridade ali.
- Todos perceberão que estão atados as suas respectivas cadeiras. Somente assim poderemos conversar civilizadamente. – ele suspirou cansadamente – Hermione e Harry, ambos erraram e não há nada que se possa fazer agora. Tentem conviver sob o teto dessa escola, não tenho condições e nem motivos para expulsar nenhum dos dois.
Hermione prontamente concordou – Pode contar comigo.
- Eu não vou conseguir... – a voz do rapaz ainda estava alterada.
- Harry – Gina Weasley falou – tente, pela primeira vez na sua vida, enxergar as coisas além dos seus interesses. Ela pode nos ajudar mais do que qualquer um.
O moreno a encarou com raiva, mas não pôde negar a realidade nas palavras da garota – Uma tentativa de assassinato por outra. – olhou diretamente para Hermione – Por hora estamos quites.
- Por hora. – ambos sacudiram as cabeças. Menos mal, Severo pensou. Uma trégua era o que ambos precisavam no momento.
- Hermione, por favor, se puder nos dizer a posição de Voldemort em relação a isso. – Dumbledore falava com seriedade.
- Na realidade diretor, ele não tomou partido. Ainda não falou em contra-ataque e nem em retaliação. – ela deu um pequeno sorriso, só para irritar o menino que sobreviveu – Apenas expressou preocupação com o meu bem estar.
Esta foi à voz de Ronald se manifestar – Sério? Quer dizer, ele nunca te pediu para entregar o Harry ou coisa assim?
- Não. Ele e Fahrah fizeram um acordo, sabiam que nós éramos amigos e que eu nunca iria entregá-lo. – o verbo conjugado no passado não passou despercebido para ninguém – O nome do Harry sempre foi proibido de ser dito em minha presença. Na realidade foi por isso que Fahrah me levou até ele. Digo, todos nos conhecem, sabem da nossa suposta amizade, eu poderia ser atacada a qualquer momento, ela só quis me salvar.
Silêncio. Nem Harry havia pensado por aquele ângulo – Eu achei que ele fosse te usar para espionagem. – a voz dele ainda trazia rancor, mas o tom mais baixo indicou um rompimento em suas defesas.
- Mesmo com a sua péssima oclumência, se ele tivesse tentando me usar, eu teria contado para você. – ela deu um sorriso cansado – Tenho uma boa notícia. Declarei a minha amizade com Gina nessa madrugada, acredito que ele vá respeitar isso.
- Hermione, obrigada! – Rony tentou se levantar, havia se esquecido do feitiço na cadeira e quase foi ao chão. – Eu não sei como te agradecer!
Dessa vez o sorriso da garota se iluminou – Agradeça estudando e parando de comer como um porco. – ela deu uma risada.
- Mione eu... – a voz de Gina Weasley estava baixa, porém extasiada.
- Não, Gina. Sei que você faria a mesma coisa por mim. – a voz dela trazia determinação e orgulho, sabia que sempre poderia contar com a amiga.
- Obrigado. – o cumprimento do rapaz foi curto, porém sincero. Harry ainda tentava não a encarar nos olhos.
- Não fiz mais do que você faria. – a resposta surpreendeu a todos, novamente os dois assentiram ao mesmo tempo.
- Mais algum comunicado? – Dumbledore estava um pouco mais aliviado, pelo menos, em um primeiro momento, eles não tentariam se matar outra vez.
- Haverá uma reunião na sexta-feira. – disse Severo – Não sabemos o teor, mas informaremos assim que chegarmos.
- Assim que você chegar, meu amor. – Hermione deu um sorrisinho – Diretor, eu iria mesmo informar ao senhor. Preciso ficar a noite de sexta toda fora. Desculpe por não ter pedido permissão, é que eu não pensei na hora em que falei... Às vezes a mente desfoca, devido às circunstâncias. Sei que isso não é certo e que não devo ter nenhum privilégio, mesmo estando lecionando. – a aluna mais politicamente correta de Hogwarts finalmente havia aparecido. – Apesar disso, quero ressaltar que em nenhum momento deixarei de cumprir minhas obrigações como aluna. E também irei avisa-lo assim que chegar. Não quero ter que desrespeitar o regulamento da escola.
Rony e Harry escutaram um som que nunca pensariam que ouviriam,Gina e Snape rindo juntos. – Hermione, não precisa ter uma síncope! – a ruiva falou – Relaxe um pouco, amiga.
- E ninguém vai perceber que você saiu. Teoricamente você vai estar dormindo. – sempre a praticidade de Severo Snape.
- Exatamente, senhorita, ninguém irá saber. – a voz do diretor foi ouvida – Fora, é claro, os ocupantes dessa sala. Sobre a noite de sexta... Algo que precisamos nos preocupar?
- Não, senhor. Não será nada demais. – ela o olhou com tranquilidade.
- Pois muito bem. – Dumbledore bateu uma palma – Todos estão liberados de suas cadeiras, suas varinhas estão aqui.
Harry tentou se levantar quando Hermione foi em direção a ele. Ninguém na sala ousou se mover, embora os dois se olhassem com uma relativa tranquilidade, o clima no local ficou tenso. Ela posicionou uma mão sobre o ombro do rapaz e fechou os olhos por um segundo. – Pode tirar isso.
Harry não entendeu. – O quê?
Hermione, impaciente, com um gesto de mão fez as talas do braço e perna dele sumirem, juntamente com a muleta. Todos a olharam com espanto. – É, eu sou uma avaradora. – Convocou a sua varinha e foi em direção a Gina, deu um abraço na garota, um beijo na bochecha de Rony e esperou Severo na saída. Ele estava falando alguma coisa para o diretor. Harry ainda a encarava com espanto e ao fazer menção de ir até ela, Gina segurou seu braço. Intimamente Hermione a agradeceu, não queria nenhuma espécie de contato com o menino.
Severo já estava perto da porta com Hermione em seu encalço quando uma palavra soou no aposento – Por quê?
Aquela pergunta estava direcionada a ela – Você mesmo disse Harry. Estamos quites. – e desceu as escadas.
OoOoOoOoO
- Não, eu não posso permitir. – a mulher de cabelos cinza, quase alvos, não sabia o que era sentir-se nervosa há muitos anos, mas aquela situação era realmente grave.
- E o que você, em sua infinita sabedoria, sugere que eu faça? – a outra de cabelos negros falava.
- Eu não sei! Pelos deuses, isso irá corrompê-la! – ela andava de um lado para o outro. Seus pés descalços não pareciam se machucar nas pedras do litoral.
- Então você acha que eu devo deixar a minha filha virar um monstro, Kaehlla? – ela trazia um misto de decepção e fúria em sua voz. – Ele me contou sobre um sonho que ela teve. Tanto eu quanto você sabemos que isso não é um bom sinal.
- Minha irmã, talvez eu possa...
- Não me chame de irmã! – Fahrah gritou, mas depois se recompôs – Você sempre achou que pode curar tudo com o seu toque mágico. – avançou em cima da outra – Você nos abandonou! Você a abandonou, Kaehlla! Se eu vivo assim a culpa é sua!
Kaehlla não moveu um músculo. Simplesmente fechou os olhos e tentou não chorar. – Se você quiser aceitar minha ajuda sabe onde me encontrar.
- Não, eu não sei! – Fahrah disse se afastando uns passos – Você sempre vem e vai. Nunca se preocupou com nada. Escutei rumores sobre você vindos dos Emirados Árabes. Eu não te via há mais de cento e cinquenta anos. Achei que estivesse morta!
- Não me via porque não queria me ver. Estarei por perto, irmã. – ela já estava se virando para ir, nunca gostou de impor a sua presença.
- Não me chame de irmã. – a mulher cuspiu por entre os dentes. – Melisende e Aalis morreram na mesma noite que eu e minha mãe morremos.
Pela primeira vez os olhos cinza de Kaehlla ficaram opacos – Eu falhei, mas não quero falhar de novo. – suspirou – Me procure embaixo de pedras ou por cima de árvores, chame meu nome no vento e enxergue meu rosto na água. Só me chame, Fahrah.
Dizendo isso ela se foi, não desaparatou, em um momento estava lá e no outro parecia ter se fundido com as pedras. Pela primeira vez em anos Fahrah permitiu-se chorar. O preparador do elixir não mais vivia, e Kaehlla... Lá estava a pura, a guardiã cinzenta. Sempre que conseguia minimizar a lembrança dela a mulher aparecia em sua frente... Mulher? Qual seria a definição correta para ela? Ninguém nunca se atreveu a julgar ou nem mesmo perguntar. Aquele dia, quando Tom deu um jantar em homenagem a Hermione, foi o melhor e ao mesmo tempo o pior de sua vida. O que aquela raça queria com sua filha? E por que justamente Kaehlla havia sido a enviada? De propósito – ela pensou – é claro que ela gostaria de se vangloriar de sua dor. Mas ela não deixaria Hermione sofrer. Nunca.
Sua busca na Dinamarca foi infrutífera. Teria que estar na Inglaterra em, no máximo, três dias. Tinha que colocar o tal Snape a par do que estava acontecendo. Tinha que colocar Dumbledore a par do que estava acontecendo. Olhou para dois trouxas que a observavam, acenou para eles e desaparatou. Tinha acabado de quebrar a lei de segredo sobre o mundo mágico que o ministério tanto prezava, adorava fazer aquilo.
OoOoOoOoO
- O quê? – a voz dela aparentava uma confusão meio infantil.
- O que é que você acha? – Severo levantou uma sobrancelha no seu melhor estilo de mestre em poções.
Haviam chegado aos aposentos dele, à primeira coisa que Hermione fez foi jogar os sapatos para o lado, e ele, se servir de um copo de brandy. Os dois agora estavam de cara amarrada.
- A última vez que você falou assim comigo foi quando eu, digamos, me apresentei a Alexandra. – ela lembrou-se do episódio que ocorreu na mansão dos Malfoy, quando Voldemort a pediu para tomar o seu lugar na mesa – Aparentemente você sempre se aborrece comigo quando a sua priminha aparece.
- Isso seria ciúme? – ele a olhava com deboche – Não posso crer que Milady esteja com ciúmes por causa de uma humilde comensal.
- Severo... – ela falou em tom de advertência.
Ele a encarou – Em primeiro lugar, o que foi aquele tom que você usou com ela?
- Ah, sempre o tom. – ela falou enquanto gesticulava um gesto de falsa culpa – Nós nunca nos demos bem, até Voldemort sabe disso. – e jogou uma mão para o ar.
- Será que ele também sabe que você anda reforçando marcas por aí? – o olhar dele era mordaz – Que está agindo como ele? Afinal, aonde foi que você aprendeu a fazer aquilo?
- Eu o vi fazendo, um pouco antes do ataque. Antes de eu descer para me encontrar com você fui até o escritório dele. Não sei o que me levou até lá, mas tentei ir em busca de orientação. Eu o vi fazendo aquilo em Richard e naquele esquisito do Dale.
- Cale. – ele a corrigiu.
- Que seja. – ela bufou e se dirigiu até uma garrafa de vodka.
- O modo como você falou, até as palavras... Eu já vi o Lorde das Trevas as usando muitas vezes. Você age tão naturalmente... – dava para perceber o quanto estava desnorteado, o tom de voz ficou mais alto enquanto passava nervosamente as mãos pelos cabelos. – Quem não te conhecer vai achar...
- Está me dizendo que sou igual a ele? – a voz saiu baixa, porém séria. Seu olhar estava firme em direção ao homem.
- Estou dizendo que você o personificou na frente de todos lá em cima! Alexandra vai pensar...
- Eu não quero saber o que a Prince vai pensar! – ela caminhou até ficar a pouco mais de um palmo de distância dele – Se ela vai pensar que eu sou uma vaca ou até mesmo que sou o Tom disfarçado com uma poção polissuco. Ela não tem o direito de pensar nada. Eu fiz o que eu tinha que fazer.
Hermione virou o conteúdo do copo abruptamente em sua boca, Severo respirou umas três vezes antes de falar. – Se ela reportar o que presenciou...
- Não há um 'se'. Ela vai.
- Quando ela reportar o que viu – ele deu ênfase à primeira parte da frase – o Lorde das Trevas vai ficar furioso.
Novamente a postura de Hermione ficou fria – E eu posso saber o porquê?
- Suas falas, seus gestos e até o seu olhar. Você em nenhum momento passou a impressão de que irá ajudar Dumbledore. Está se comprometendo perante ele, parece que não quer ganhar a sua confiança. – a fala dele expressava um pouco da arrogância que usava em sala.
Ela deu uma risada de deboche – Sabe Severo, não é à toa que recebi o título de aluna mais inteligente do século. – se acomodou confortavelmente em um pequeno sofá – E eu fui extremamente inteligente ao agir daquela maneira. Voldemort irá pensar que Dumbledore está me querendo a qualquer preço, que nem mesmo a presença do santo Potter inibiu meu comportamento. Ele irá pensar que todos estão sujeitos a qualquer capricho meu, que estão se vendendo por uma simples palavra minha. – ela lhe dispensou um sorriso irônico – O que não é mentira, visto que o diretor me tirou da casa dos Dursley e chegando aqui me mandou dormir. Eles estão com medo, Severo. Eu sou a melhor arma que eles têm. E isso é válido para ambos os lados. – A moça pontuou a frase com uma brecha suspensa no ar, ela o encarava em busca da resposta.
– Parece que você gosta desse seu novo status. – um sorriso irônico estampou seu rosto.
- Parece que você não me conhece. Ninguém fica satisfeito por estar em um jogo de empurra. – ela olhou para o chão por um segundo, mas logo depois retornou a feição dura de antes – Sou temida e querida em ambos os lados, ou pelo menos gosto de acreditar que sou. Minha vida virou de cabeça para baixo e parece que ninguém se importa.
- Eu me importo! – ele revirou os olhos – Você que não enxerga isso!
- Eu não enxergo? – a voz dela ficou baixa de novo enquanto estreitava os olhos – Sabe o que eu enxergo? Que toda vez que a sua bendita prima aparece você fica todo nervosinho! Que basta ela respirar torto que a culpa é sempre minha! Por Deus, Severo. Você está agindo assim desnecessariamente!
- Eu? – as vozes de ambos foram se elevando gradativamente – Você já saiu daqui se portando como uma Lady das Trevas. Tudo isso para poder afrontar o Potter.
- Ele era o meu melhor amigo! – finalmente lágrimas vieram aos seus olhos – Em um dia ele estava me elogiando e rindo comigo, na noite seguinte tentou me matar! – levantou-se de supetão e foi apoiar-se em uma parede – O meu primeiro feitiço – um soluço – eu fiz para ele. Depois que ele salvou minha vida nunca mais nos separamos. Todos nessa escola sabem o quanto sempre fomos unidos. Eu sempre soube tudo da vida dele e vice versa, éramos como irmãos. Quantas vezes – outro soluço – eu passei noites acordada com ele no salão comunal, só queria consola-lo por conta dos pesadelos com os pais dele. Eu nem falava dos meus pais! Não queria que ele se sentisse inferiorizado. – ela parou para tomar fôlego – Para poder afrontar o Potter, você diz. Passar sete anos dentro de uma escola convivendo com as mesmas pessoas é criar um vínculo muito forte, pelo menos para mim é. Ainda estou custando a aceitar que ele tentou me matar. Tentou ME matar! – e fechou os olhos – O que ele fez não tem nome, Severo. O que ele fez não tem perdão.
Vagarosamente ele foi andando em direção a ela – Eu não quis dizer isso. Entendo o que você quer dizer – e fez menção de tocar no rosto dela. A garota segurou o pulso dele antes que a encostasse.
- Não. – disse ela com determinação – Você não entende nada.
Hermione saiu tempestuosamente dos aposentos de Snape, atravessou o laboratório com rapidez e quebrou uns frascos no meio do caminho. Severo tentou segui-la, mas a porta se fechou com brutalidade na cara dele. Tentou força-la, mas um brilho estranho a envolveu: Hermione havia mudado a senha. Seu corpo escorregou e caiu sentado, apoiou a cabeça nas mãos e pôs-se a pensar. O que havia feito?
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A primeira coisa que Hermione fez depois de trancar sua porta magicamente foi gritar. Ela pôs toda a sua dor naquele gesto. Seus aposentos não estavam encantados para que nenhum som fosse ouvido, mas naquele momento ela simplesmente não se importava. Por que Severo não a entendia? Por que ninguém a entendia? Por que sua vida havia se tornado tão confusa?
Por vezes ela ficava perdida. Simplesmente não sabia o que fazer e nem como agir, só queria se defender. Aparentemente, a única pessoa que a apoiava incondicionalmente era Gina. A caçula dos Weasley nunca perguntou, nunca julgou e nunca criticou. Com ela sempre era um simples sim ou não. A vida era fácil ao lado dela.
Hermione sempre soube que Severo seria um desafio. Nunca pareceu que o homem tinha algum tipo de emoção, ela mesma se surpreendeu quando percebeu que ele estava lhe prestando uma atenção especial. Quando percebeu que ele se preocupava. Onde ela havia se perdido? Como a vida dela havia se perdido?
Olhou para o seu dedo e tirou o anel, não queria sentir-se tentada a falar com Voldemort. Não queria falar com ninguém. Sua pulseira destacou-se em seu punho, o que não daria para ter Elena Granger ali. Rumou para o banheiro, se tivesse sorte se afogaria na banheira.
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Ele ouviu o grito. Um desespero enorme se abateu sobre si. Aquilo tudo era por culpa dele? Ele tentou arrombar a porta, usou todos os feitiços que conhecia, mas não obteve sucesso, Dumbledore tinha razão ao dizer que a mágica de Hermione era realmente poderosa. Começou a tentar todas as senhas possíveis. "Hermione" "Grifinória" "Fahrah" "Voldemort". Até mesmo tentou frases imbecis como "Potter merece morrer" ou "Estou com raiva de Severo", desistiu e sentou-se novamente apoiado na porta – Eu sou um monstro. – e caiu de costas dentro dos aposentos de Hermione, essa era a senha.
A saleta estava normal, tudo no lugar de sempre, só reparou em uma coisa, a varinha de Hermione estava sobre a mesa de canto juntamente com o anel que Voldemort lhe dera. Não havia sinal da moça. O quarto arrumado e a porta do banheiro fechada, tudo estava silencioso. Ele parou para pensar – Estúpido – exclamou para si – a porta do banheiro está fechada. – Não precisou força-la, ela simplesmente abriu com um girar de maçaneta.
Hermione estava submersa na banheira, sua visão era turva devido a água, estranhamente achou o teto muito mais bonito daquela maneira. Uma sombra escureceu sua visão e ela foi puxada para cima.
Severo achou que a jovem iria ralhar com ele, mas a voz dela saiu um pouco cansada ao falar – Você acabou de estragar a minha ridícula tentativa de suicídio.
- Não faça mais isso. – ele tentou dar um sorriso – Te seguirei para o além e continuarei te atazanando.
- Pare de ser ridículo e me dê àquela toalha. – apontou para o gancho a esquerda.
- Não é como se eu nunca tivesse te visto nua, sabia? – ele lhe deu um olhar irônico.
Ela retribuiu o olhar ao dizer – Não é como se você nunca tivesse sido um idiota, sabia? – ele riu e ajudou a moça a se levantar.
Os dois caminharam para o quarto, Hermione na frente e ele a seguindo. A moça abriu o armário a fim de pegar uma roupa qualquer, Snape sentou-se na cama e dirigiu o olhar para o chão. Não por vergonha, mas sim por estar remoendo os seus pensamentos.
Hermione sentou-se de frente para a penteadeira e começou a ajeitar os cabelos, ela poderia fazer aquilo com um simples feitiço mas o movimento quase automático a acalmava. Ao olhar para o espelho viu Severo atrás de si.
- Não, deixe que eu faça isso. – sem esperar resposta conjurou uma cadeira para si e tirou a escova da mão dela. Vagarosamente foi desfazendo os nós – Sei que você deve estar se perguntando como aprendi a pentear cabelos de mulher. Minha mãe – ele suspirou – ela... Quebrava os braços algumas vezes. Eu fazia o que podia para ajudá-la. Ela não conseguia pentear os cabelos nessas ocasiões. Uma vez, quando eu voltei para casa no fim do ano letivo, os cabelos dela estavam uma massa de nós...
- Você não precisa me contar isso. – ela finalmente encarou o reflexo do homem, ele a olhava fixamente.
- Não tenho nada o que esconder de você. Não falaria isso para alguém que eu não tivesse a intenção de dividir a minha vida. – ele percebeu que Hermione arregalou os olhos em surpresa e riu – Muito cedo para falar disso?
Ela virou pra trás e o olhou – Isso é suborno ou é verdade?
- O que você acha? – o rosto dele estava sério, mas o olhar de carinho lhe dava um ar sereno.
- Acho que você é louco. – e o abraçou.
Hermione ficou com a cabeça apoiada no peito dele não se sabe por quanto tempo, as únicas coisas que a interessavam eram sentir o cheiro de Severo e ouvir o bater de seu coração. Devagar o homem foi a puxando para si e a levantando, deu um beijo na testa da moça – Está pronta para dormir? – ela não falou, somente balançou a cabeça.
Severo a guiou para a cama e ajeitou como se ela fosse uma criança, naquele momento ela precisava dos cuidados dele. Pôs os travesseiros no lugar a cobriu, com um gesto de varinha secou os cabelos da moça – Quer que eu vá?
Em resposta ela estendeu a mão para ele e o puxou levemente. Ele puxou o corpo de volta, tirou a capa, sapatos e a camisa, não queria se arriscar e sair de perto da moça. Devagar, deitou-se ao lado dela. – Severo. – a voz dela saiu baixinha.
- Mmm. – o monossílabo vibrou na garganta dele.
- Não é muito cedo.
- Como?
- Não é muito cedo para falar disso. – ela o abraçou – Eu não teria ciúmes de alguém que eu não tivesse a intenção de dividir a minha vida. – os olhos dela já estavam fechados e seu rosto afundou no peito do homem.
- Então era ciúme? – ele usou um tom brincalhão.
- Severo... – ela disse em tom de advertência, mas sua voz estava leve dessa vez.
- Boa noite, Hermione. – ele fechou os olhos.
- Boa noite.
OoOoOoOoO
Quando ele deu por si Hermione já havia levantado. Fez um esforço para abrir os olhos, não dormia uma noite inteira há dias. Estalou um pouco a coluna ao levantar, a cama dela era mais mole do que a sua. Foi direto para o banheiro sem nem olhar para o lado e depois de lavar o rosto saiu.
Hermione já estava totalmente pronta, com uniforme completo – incluindo a capa – e sentada na escrivaninha com uma pilha de cadernos ao lado. Assim que viu Severo seu rosto iluminou-se em um sorriso e levantou para ir de encontro a ele. – Bom dia. – e lhe deu um breve beijo.
- Bom dia para você também. E não me beije, ainda não escovei os dentes. – a voz dele ainda estava rouca devido ao sono e uma barba curta despontava de seu rosto.
- Eu ouvi isso? – ela sorriu – Estamos casados e ninguém me avisou?
Ele deu uma risada rouca – Acho que o fato de dormirmos juntos todos os dias conta para alguma coisa. – e olhou para o lado – Não são nem sete da manhã, pelo amor de Merlin, o que é isso?
Severo estava se referindo a pilha de papéis ao lado dela, a moça estava virando páginas freneticamente e mesmo assim parecia prestar atenção em tudo ao seu redor. – Eu sei, talvez seja um pouco tarde para começar a revisar minhas anotações e só tenho cerca de uma hora e meia até a minha primeira aula.
- Você se lembra de comer? De parar pra respirar? – ele disse divertido – Isso é normal?
- Se eu comesse não teria tirado nota máxima em poções. – ela ainda estava de costas, mas claramente estava sorrindo.
- E que fique claro, só dei porque não tive escolha. – um breve sorriso irônico – Volto em meia hora.
Hermione pediu um suco de laranja enquanto terminava sua leitura, preferia ficar o menor tempo possível no salão principal. Em exatos trinta minutos Severo Snape estava de volta aos aposentos dela. Em suas habituais vestes negras esvoaçantes, ele havia acabado de incorporar o papel do mestre em poções.
A Grifinória o tirou de cima a baixo e sorriu – Ainda tenho medo de que você me desconte pontos.
- Não duvide. – ele deu um sorrisinho enquanto reparava na moça – Eu gostei disso que você fez no seu cabelo. – e puxou a ponta da trança embutida que passava um pouco da altura dos ombros dela.
- Aprendi com a minha mãe. – deu um leve beijo nele – Já vou indo, espere pelo menos uns dez minutos. Não quero ficar mais mal falada na boca das sonserinas.
- Se alguma delas falar mal de você podem até morrer, e acredito que elas saibam disso.
- Justamente. – sorriu – Não quero causar homicídios em massa. – piscou um dos olhos marotamente enquanto disse – Tenha um bom dia.
OoOoOoOoO
Aquele caminho já lhe era tão familiar que seus pés pareciam guiar-se sozinhos. Percebeu Brown encostado em uma parede fingindo jogar um galeão para cima e depois pega-lo, mais à frente estava Nott, aparentemente o rapaz folheava um livro. Não havia nada que Hermione pudesse fazer para afastar esse grupo, revirou os olhos e aceitou aquele fato.
- Srta. Granger! – uma voz meio esbaforida vinha detrás de si – Bom dia! Gostaria de ajuda? – o rapaz ainda estava recuperando o folego. Uma mão estava no joelho e a outra na altura do peito, puxava o ar com rapidez.
- Bom dia, Payler. – ela parecia um pouco assustada com a aparição – Eu...
- Hermione! – Draco veio em seu socorro – Aconteceu alguma coisa?
- Não. – ela apressou-se em dizer, parecia que o amigo iria tomar alguma atitude – O senhor Payler...
- Otto. – o moreno disse fazendo uma espécie de reverência.
- O Otto estava me oferecendo ajuda. – ela fez cara de confusa – Com a mochila eu suponho.
- Bom, Payler – ele frisou o nome – Bem se vê que você não conhece Hermione, ela não é do tipo que precisa de ajuda. Vamos Mione, eu te acompanho até o salão principal. – disse o loiro enquanto indicava o corredor com a cabeça – Até mais, Payler.
E saiu puxando sua amiga pela mão enquanto o outro o olhava com fúria. Hermione riu intimamente da situação. – Ele vai querer te matar.
- Bom – disse ele empinando o queixo – tenho amizades influentes nessa escola. – e deu um sorrisinho para ela.
Ambos gargalharam – Não me diga. – disse Hermione com ar afetado – Janta comigo hoje? Não pretendo comer no salão principal mais tarde, além disso, tenho muitas coisas para te contar. Meu dia será corrido, talvez nem tenha tempo para almoçar.
- Claro que sim, desde que não obrigue a comer aquelas coisas estranhas de que gosta... – e mudou de assunto rapidamente – Vai dar aula hoje?
- Primeiro e terceiro ano. Não preciso dizer o quanto estou nervosa. – ela já estava apertando as mãos freneticamente.
- Snape está tirando sarro de você. Não quer mais trabalhar e está te passando todas as aulas dele. – e deu uma risada – Ei, não fique nervosa. Vai se sair bem, ambos sabemos disso.
- Tudo bem. Mais tarde eu te digo como fui. – eles haviam chegado à ponta da mesa da Grifinória. Draco deu um beijo na testa da moça e foi para o outro lado do salão.
Ambas as casa desaprovavam aquela atitude, cada uma tinha o seu motivo, os quais eram extremamente diferentes. Cada passo que dava em direção ao lugar que sempre se sentava com os seus amigos era um sacrifício. Parecia que cada um daqueles benditos passos despertavam lhe memórias, as risadas, os comentários sobre as aulas, às brigas infantis e até mesmo os planos mirabolantes, tudo aquilo lhe doía. Seu semblante converteu-se em alívio quando percebeu que Harry não estava ali.
- Mione. – Ronald levantou-se ligeiramente para sinalizar – Sente-se aqui.
Ela foi para o lado do amigo e ficou de frente para Gina – Bom dia. – os dois responderam em coro – Tudo bem?
- Sim. "Você-Sabe-Quem" ficou enjoadinho e não quis descer para o café – disse Rony enquanto Gina deu uma risada.
- É, e "Você-Sabe-Quem" está muito aborrecido por ter se tornado solteiro da noite para o dia. – disse a ruiva com cara de desdém.
Hermione sorriu – Vocês dois me divertem. Mas "Vocês-Sabem-Quem" virá para as aulas?
- Eu acho que sim. – Rony estava falando de boca cheia como sempre – Não se pode ter tudo na vida.
- Mas vocês estão me apoiando... Mesmo depois de ontem.
- Aqui não é o lugar para falarmos disso. E o que você fez por Gina... Bem, não há como agradecer.
A moça corou um pouco – Bom, vocês são minha família, não é? Não poderia fazer diferente.
- Desde que eu não tenha que ter as mesmas amizades que você – a ruiva levantou uma sobrancelha – não vejo problema algum em continuar sendo da sua família.
A moça de cabelos castanhos batia fortemente nas costas de seu amigo – Todo dia é a mesma coisa! Um dia você ainda vai morrer engasgado, sabia?
- Eu só engoli um pouco rápido. – ele ainda estava puxando o ar com um pouco de dificuldade – Não é como se estivesse morrendo.
- Então na próxima vez, porque vai haver uma, eu e Hermione vamos ficar só olhando. – a irmã lhe deu um olhar bravo. – Você parece um bicho.
- Falando em bicho, o morcego não para de olhar para cá. – a moça a seu lado lhe deu uma forte cotovelada nas costelas – Ai! Não é em mim que você deve bater. Desse jeito todo mundo vai começar a achar alguma coisa. O pessoal da Sonserina...
- Todos eles já sabem. Não me olhem assim – disse ela levantando as mãos – ele que falou e só me avisou depois.
- Uau. Quem diria que ele seria assim tão possessivo. – Gina parecia estar analisando a situação.
- Não entendi.
- Ora, Hermione, é óbvio que, declarando isso para as pessoas, ele acabou levantando uma barreira em volta de você. Ninguém de lá vai sequer te olhar torto, se bem que... – e deixou uma pausa significativa no ar.
- É, tem sentido. – disse Rony depois de arrotar. – Eu faria a mesma coisa.
- Homens... – Hermione resmungou – Vamos logo, Ronald. A estufa três é bem mais afastada. Até mais, Gina. – disse ela enquanto de levantava e puxava o ruivo pelo braço.
- Boa sorte. Odeio sujar minhas unhas de terra. – os três acenaram em despedida ao mesmo tempo.
Harry estava apoiado no meio muro fora do castelo os esperando. Sem dizer uma palavra, começou a andar ao lado dos dois. Seu braço e sua perna estavam perfeitos, Hermione era boa naquilo. Ambos não pareciam prontos para conversarem, e Rony, em uma surpreendente atitude de inteligência, também ficou quieto.
Entraram juntos na estufa, tudo aquilo fazia parte de um acordo com Dumbledore, não poderiam parecer brigados, isso geraria muitas perguntas. Como de costume, Harry ficou com Rony e Hermione com Neville.
- Bom dia. – o rapaz dirigiu um sorriso carinhoso para sua amiga.
- Bom dia. – ela tentou manter um sorriso convincente, mas falhou miseravelmente. Respirar o mesmo ar que Potter a irritava.
Neville percebeu que a amiga não estava de bom humor, então se manteve calado. A aula transcorreu normalmente. Isso significava perigosa, era sempre assim em Herbologia. Até mesmo Hermione não sentiu o tempo passar. Finalmente o sinal tocou sinalizando o fim do tempo em que deveriam passar sob as vistas da professora Sprout. A moça acenou rapidamente para o grupo e saiu meio que correndo, tinha que chegar a classe de poções.
OoOoOoOoO
Realmente Severo fora atencioso com ela, novamente havia deixado as anotações em cima da mesa para facilitar a vida da garota. Aquilo lhe trouxe um breve sorriso ao rosto. Mesmo de costas ela percebeu que a sala havia se enchido com rapidez, os alunos deviam ter ficado sabendo que seria ela a dar a aula de hoje.
- Bom dia. – hoje que seria sua verdadeira prova. Sua primeira aula sem ser com sua própria turma, pela primeira vez ficaria de frente com alunos que não estava familiarizada.
- Bom dia, professora Granger. – os olhinhos das crianças brilhavam em curiosidade.
Professora Granger, aquela pequena frase a encheu de alegria, por um momento esqueceu que eles iriam referir-se a ela daquela forma. – Bem, é a primeira vez que dou aula para vocês. Não sei o nome de muitos aqui, então peço que me desculpem por não conhecê-los de maneira individual.
Aquela fala arrancou sorrisos dos alunos, diferentemente do professor Snape, ela estava se desculpando. Aquela seria uma aula diferente. Uma mão ergueu-se no fundo da classe – A senhorita vai nos dar aulas sempre? – dava para perceber a esperança no rosto da menina.
- Como é o seu nome? – a então professora perguntou gentilmente.
- Clarice Wells, professora. – a menina com o uniforme da Lufa-Lufa respondeu um pouca tímida.
- Bem, senhorita Wells, eu não vou substituir o professor Snape. Não sei quantas aulas irei dar para vocês. – ela explicava com calma enquanto detectava um ar de decepção no ambiente. – Mas hoje eu estou aqui. – e deu um sorriso – O professor Snape já ensinou a vocês como fazer essência de murtisco? – as cabeças fizeram sinal de não. – Então é o que vamos fazer hoje. Só temos um tempo de aula e vai ser bem rápido. Se puderem se encaminharem ao armário e pegar os potes de vidro eu agradeço. Acabei de conjurar um pacote de sal para cada um, eles estão em cima de suas bancadas.
Um barulho tomou a classe quando todos os alunos se levantaram ao mesmo tempo para irem até os armários. Assim que retomaram os seus lugares, Hermione os pediu para conjurarem exatos 500 ml de água para fazer a salmoura. Alguns enfrentaram um pouco de dificuldade e ela os ajudou. Os alunos estavam maravilhados, a professora Granger era realmente um milagre. Cerca de vinte minutos depois quase todos tinham a sua poção pronta. Ela fez algumas perguntas sobre as aplicações da essência e pediu uma redação sobre o uso de poções durante a peste negra para dali a cinco dias. A aula foi boa, havia até liberado a turma cinco minutos mais cedo.
Enquanto os alunos estavam saindo, Severo Snape estava entrando. Todos o olharam meio assustados, uns dois ou três saíram correndo. Ele adorava aquilo. – Ainda não está na hora, sabia? – o tom dele estava normal, não queria fingir dirigir o mesmo tom de voz que usava com os alunos a ela, mesmo estando em público.
- Bem, eles terminaram tudo. – disse ela dando de ombros – Pedi uma redação para ser entregue na sexta.
- Eu vou corrigir. – o homem levantou uma sobrancelha – Você vai amolece-los muito.
- Ora Severo, não seja assim. Eu nunca daria um dez em uma coisa errada. – ela estava se divertindo.
- Mas nunca daria um zero também. – ele pegava as anotações da próxima aula em uma gaveta – E sua próxima aula é...
- Estudo dos trouxas. – já tinha jogado a mochila por sobre os ombros.
- Não sei por que você a assiste. – ele revirou os olhos.
- Para saber a perspectiva bruxa. Até mais. – ela lhe dirigiu um sorriso e se encaminhou até a porta.
- Até.
OoOoOoOoO
Naquele exato momento Hermione estava se fazendo a mesma pergunta que Severo a havia feito: Por que ela assistia aquela matéria?
A professora Burbage, em sua incrível falta de criatividade, estava discutindo o propósito de videogames como meio de divertimento. Na opinião dela aquilo era perda de tempo, muito trabalho para fazer – ela deduzia – e muitas horas perdidas para jogar. Hermione era a única aluna trouxa do sétimo ano que frequentava a classe, esse tipo de pergunta sempre era direcionada a ela.
- Eu não sei, professora. Nunca me interessei em jogos desse tipo. – respondeu ela com tédio.
- Mas esse tipo de hábito não incentiva os jovens ao não-aprendizado?
- Em alguns casos sim, mas...
E lá se foram mais uma hora e vinte minutos de amostras de livros e revistas trouxas. Foi pedida uma redação de hábitos e a opinião de cada um sobre o tema. Hermione sabia, assim como os outros, que a redação só teria valia se a escrevessem sob o ponto de vista da professora, ela não era muito aberta a opiniões. Julgava-se a maior conhecedora de trouxas em toda Hogwarts.
Subir para a classe Feitiços as quintas sempre era prazeroso. O professor Flitwick a cumprimentou com entusiasmo, estava feliz por ela ter dado uma aula para os seus corvinais do primeiro ano. – Espero que não os tenha deixado mal acostumados, senhorita. Ambos sabemos que as aulas de Severo são...
- Difíceis. – disse a moça com um sorriso amarelo.
- Eu ia dizer apavorantes, mas difíceis também se enquadra. – ele deu uma risadinha aguda – Por favor, tome o seu lugar.
Novamente aquela situação incômoda, Rony que se tornou a distância entre ela e Harry, nenhum dos três pareciam estarem satisfeitos com aquilo. A aula do dia era bem simples, o feitiço Flagrate, aquilo não seria problema para ela. Muitas pessoas consideravam esse feitiço inútil, mas não era bem assim. Em um momento de correria, ele poderia marcar alguma coisa com um sinal chamativo, logo a pessoa não iria se confundir por onde havia passado ou por onde não deveria seguir, também poderia ser usado para escrever, muito útil para chamar atenção ou pedir ajuda, visto que ambas as coisas eram feitas com fogo.
- As tentativas serão simples – disse o professor com sua voz esganiçada – terão somente que escrever seu primeiro e último nome. Comecem a praticar.
Hermione já havia praticado aquele feitiço algumas vezes e foi ligeiramente bem sucedida, nada extraordinário na opinião dela. Mas agora... Ela olhou para sua varinha e pensou em como havia se tornado poderosa da noite para o dia. Notou o olhar do professor sobre e si e, de maneira não-verbal, escreveu o seu nome. Hermione Granger. Marcado a fogo no ar, ali estava o nome que havia recebido em sua infância.
- Esplêndido! – o professor parecia surpreso – Em letras cursivas e de maneira não-verbal! Isso é muito difícil, senhorita Granger. Trinta pontos para a Grifinória! – alguns tímidos aplausos foram ouvidos.
- Professor – disse ela baixinho a pouca distância do meio duende – o senhor poderia me liberar cinco minutos mais cedo? Tenho dois tempos de aulas para dar.
- A senhorita pode ir agora. – e puxou um pedaço de pergaminho – essa é a lista dos deveres de casa. E meus parabéns pela execução do feitiço.
Após receber um sorriso cúmplice de seu professor, Hermione rumou para a saída da sala, ainda tinha vinte minutos antes de chegar até as masmorras. Passou pela porta do banheiro dos monitores e decidiu entrar, afinal de contas ainda era a chefe de todos eles, não havia sido substituída até ali. Desabotoou a gola da blusa e molhou o rosto e a nuca, ao olhar-se no espelho sentiu o colar pesar em seu pescoço. Quem ela era? Uma lágrima solitária caiu de seus olhos. Fechou os olhos e se recompôs, tinha uma aula para dar.
O cheiro de Severo estava impregnado na masmorra, ela sempre sorria àquilo. Basicamente, o ocorrido na aula para o primeiro ano se repetiu: alunos sorridentes, rostos esperançosos, a pergunta se ela substituiria Snape permanentemente e poções bem feitas. Dessa vez dispensou a turma no horário. Cinco horas. Iria direto para seus aposentos.
Seguiu mais para dentro das masmorras de maneira automática até chegar à sua porta. O leão em seu peito contrastava com o domínio da serpente, mas todos ali abaixavam a cabeça para ela. Nem em seus sonhos mais loucos imaginara que sua vida tomaria aquele rumo. Finalmente se viu em sua saleta. A primeira coisa que fez foi preencher o ambiente com música, tinha um pequeno aparelho alterado magicamente para não perder a bateria tão rapidamente. Rumou para o banheiro e despiu-se meio que cantando e dançando.
Shared my body and my mind with you
Compartilhei meu corpo e minha mente com você
That's all over now
Está tudo acabado agora
Did what I had to do
Fiz o que eu tinha que fazer
'Cause you're so far past me now
Porque você está tão longe de mim agora
Shared my body and my life with you
Compartilhei meu corpo e minha vida com você
That's way over now
Esse jeito acabou agora
There's not more a mind can do
Não há mais nada que eu possa fazer
O barulho da água abafou um pouco o som das notas, mas seu choro, embora silencioso, queimava em seu rosto.
Put my little red party dress on
Coloquei meu vestido curto vermelho de festa
Everybody knows that I'm the best, I'm crazy
Todos sabem que sou a melhor, sou louca
Get a little bit of Bourbon in 'ya
Ponha um pouco de uísque em você
Get a little bit suburban and go crazy
Fique um pouco suburbano e louco
Because you're young, you're wild, you're free
Porque você é jovem, você é selvagem, você é livre
You're dancing circles around me
Você está dançando em círculos em volta de mim
You're fucking crazy
Você é louco pra caralho
You're crazy for me
Você é louco por mim
Ainda mantinha a imagem da noite anterior na mente, tinha que arrumar um jeito de esquecer aquilo. Bem, sua avó sempre dizia que um bom banho é um remédio para quase tudo. Colocou a cabeça debaixo da água fria e deixou seu corpo daquela maneira, como se estivesse afogando todos os seus problemas.
Esfregou-se com vigor, queria se livrar de todas as sujeiras da sua vida. Finalmente saiu do banho e secou seus cabelos com um gesto de mão, os prendeu em um coque alto e deixou poucas mechas soltas, gostava deles daquele jeito. Foi até o quarto e pôs um vestido trouxa amarelo.
Jogou-se na cama, quatro canções já haviam tocado e mesmo assim não sentia vontade desligar o som, aquilo a fazia sentir-se em casa. Olhou para o relógio em seu pulso, quase seis horas. Mais cedo havia retirado à senha da porta do laboratório, sentiu um cheiro conhecido. Sorriu.
Por um momento ele admirou aquela cena. Hermione jogada na cama, o corpo estava um pouco torto e os braços ligeiramente abertos, o sorriso no rosto da jovem coroava aquela cena. Ele próprio sorriu, amava aquela garota. Já havia deixado a capa em sua sala, somente tirou os sapatos e deitou-se ao lado dela. – Qual o motivo da música?
- Quero agradar a minha alma. – ela ainda mantinha o sorriso no rosto.
De repente, Hermione abriu os olhos, as íris castanhas o encaravam com intensidade que por um momento o ar lhe faltou. – Eu amo você. – foram as únicas palavras que conseguiu pronunciar.
- E eu também te amo. – ela rolou de lado, de modo que sua cabeça ficasse apoiada no ombro dele. – Obrigada, Severo.
- Pelo o quê?
- Por não desistir de mim.
- Não era para ser ao contrário?
- Não. – ela suspirou e o beijou profundamente.
O carinho contido naquele beijo transmitia a intensidade do sentimento da garota por ele, em algum momento ela sorriu e ele retribuiu, mas nem por isso o beijo parou. Hermione separou a sua boca da dele e começou-lhe a beijar o rosto. A testa, os olhos, a ponta do nariz, as bochechas, o queixo e ambos os cantos da boca, e só então voltou a se concentrar nos lábios do homem. Nenhum dos dois queria transformar aquilo em algo a mais, só estavam desfrutando o momento.
Muitas vezes beijos demonstram muito mais intimidade do que sexo, e era aquilo que estava acontecendo ali. Separaram as bocas, mas continuaram com os rostos próximos. Hermione queria aquilo pra sempre, queria Severo pra sempre. Mas ambos tinham seus afazeres e momentos como aqueles, infelizmente, eram breves.
- Eu chamei Draco para jantar comigo. – ela tinha voltado a fechar os olhos, mas segurava a mão dele – Tudo bem para você?
- Ele não é ameaça. Comportem-se vocês dois. – ela não precisou abrir os olhos para perceber que ele estava sorrindo.
- Por que não podemos ficar assim para sempre? – a moça suspirou.
- Eu acabei de me fazer a mesma pergunta.
- A vida é uma merda.
- Concordo plenamente. – foi a vez de ele suspirar – Tenho que me arrumar para o jantar.
- Eu também tenho que preparar as coisas por aqui. – disse ela com preguiça na voz.
O homem levantou da cama contra vontade – Vou indo. Te vejo depois do jantar. – já estava na porta do quarto quando disse – Acabei de descobrir que gosto de música trouxa.
Hermione riu – Que bom, vai escutar muitas.
OoOoOoOoO
Estava relendo a carta pela terceira vez, pela primeira vez na vida não tinha a menor ideia do que aquilo poderia significar.
"Alvo,
Sei que nunca fui bem quista perante aos olhos do ministério e, embora saiba que temos uma consideração mútua, não quero te forçar a fazer algo que possa prejudicar a sua imagem ou a da escola. Se não fosse importante sabe que eu nunca te pediria: preciso meencontrar com você.
Tenho um assunto importante para tratar e não gostaria de fazê-lo em carta, além de ser extenso é perigoso. Não posso me arriscar ao deixar isso ser conhecido por outras pessoas. Penso que o único lugar seguro o bastante seria seu escritório. Novamente irei dizer, é importante, para ambos arrisco dizer. Se Snape puder estar presente eu agradeceria. Você já deve imaginar qual será o ponto central de nossa conversa.
Além de tudo isso gostaria muito de revê-lo, aposto que você continua sendo o mesmo garoto chato de sempre. Envie-me uma resposta por essa mesma ave.
Fahrah Mountgormay.
Ps: Estive na Noruega e trouxe duas caixas de kransekake para você, sei que você gosta, aceite isso como um suborno."
Sábado ao meio dia, essa fora a resposta que havia dado. Em sua cabeça uma pergunta martelava: O que havia de errado com a senhorita Granger?
OoOoOoOoO
Ela não duvidava que ele estivesse esperado uns minutos na frente da porta, pontualidade era uma marca dos Malfoy. Sete horas em ponto ela ouviu as batidas. Draco também estava sem uniforme, mas não trajava vestes trouxas como ela, estava em trajes bruxos verde escuro. Nem um pouco criativo.
- Sabe, você poderia usar outra cor. – disse ela dando passagem para o amigo.
- E você poderia me conseguir um aposento como esse. – ele deu um assovio – É mais bonito do que pensei.
Ela mostrou rapidamente o lugar, a mesa já estava posta, mas a comida ainda não estava servida. – E eu não mexi em nada, tudo isso é obra de Minerva.
- Jura? – disse ele surpreso – Bem que eu suspeitei ao ver o leão da Grifinória. – e levou um tapa no braço.
- Não fale mal da minha casa. – ela estava sorrindo.
- Você que deduziu isso. – falou em tom de deboche – Trouxe uma garrafa de vinho tinto. Vamos comer carne vermelha, certo?
- Como você sabe?
- Poderia dizer que sou um excelente adivinho, mas fui às cozinhas e subornei um elfo – ela o olhou em surpresa – O suborno foram dez cuecas sujas do Crabbe, por algum motivo eles encaram aquilo como punição. – ambos deram sorrisos sarcásticos – Eles disseram que seria carne, só isso. Não perguntei o prato.
- Ótimo, vamos beber então. – Hermione pegou duas taças que já havia separado, sabia que Draco levaria algo alcóolico.
- Mas me conte o que houve. Essa história está me incomodando. – a moça pegou a varinha e enfeitiçou as duas portas – O que você está fazendo?
- Nos trancando aqui, não quero que você saia igual um louco por aí.
- E por que eu faria isso? – ele a olhava desconfiado.
- Na terça... – ela deu uma pausa – O Harry tentou me matar.
- O quê?! E você fala assim? Temos que fazer alguma coisa...
- Já está sendo feito. – ela sobrepôs à voz a dele – As coisas estão sob controle aqui na escola.
- Foi você quem quebrou o Potter, não foi? – ela assentiu com a cabeça com orgulho no olhar – Mas quando o Lorde das Trevas ficar sabendo...
- Ele já sabe, eu mesma contei. Fui para lá assim que tudo aconteceu.
- E ele? – a atmosfera havia ficado séria.
- Não fez menção de contra-atacar na hora, mas tenho certeza que está pensando em algo. Amanhã teremos uma reunião, seu pai também estará lá.
- Como você sabe?
- Voldemort disse que toda a guarda vai estar. – ela falou com simplicidade.
- Entendo. Irei escrever ao meu pai. – disse o loiro com convicção – Se vão pegar o Potter eu vou ajudar.
- Não. Não quero você metido nisso. – ela o olhou com firmeza – Ataque em campo é perigoso.
- Eu ia mesmo te contar. – ele retribuiu o olhar – Vou ser marcado depois do fim das aulas.
Hermione recebeu a notícia como um choque – Não! Não vou deixar. Você realmente acredita nessas coisas? Submissão trouxa, pureza de sangue e tudo mais? Se Voldemort matasse todos os nascidos trouxas eu não estaria aqui hoje.
- Eu sempre acreditei na pureza do sangue, Hermione. Mas hoje tenho noções diferentes, quanto à submissão trouxa, sim, eu concordo. Nós somos melhores do que eles, somos especiais e mais fortes, eles tem que reconhecer isso. A lei do sigilo deve acabar.
Hermione riu – Draco, se os trouxas resolverem entrar em guerra contra os bruxos nós todos vamos morrer. Definitivamente você precisa ver uns filmes.
- O que são filmes? – disse ele confuso.
- Essa não é a questão. O poderio bélico trouxa... Se o Lorde das Trevas sonhasse com isso não ousaria tentar acabar com o sigilo. Nós temos magia e creio eu que forte o bastante para nos proteger de algumas armas. Mas mesmo assim, milhares de vidas seriam perdidas. Os bruxos são uma espécie rara e quase extinta, é só comparar números.
- Você fala assim porque nasceu no meio deles.
- Errado de novo. Falo assim porque penso assim. – ela sorveu um gole de vinho – Uma criança bruxa que nasce em uma família inteira trouxa. Essa criança não é especial? Digo, nós – dizer aquilo não pareceu natural para ela - viemos de uma família de sangue puro. Isso quer dizer que somos geneticamente favorecidos. Agora, uma criança que nasceu trouxa? Ela que é especial, a magia despontou nela naturalmente, se sobrepôs contra os genes não-mágicos. É muito mais bruxa do que nós.
- Apague essas ideias, Hermione. Além de nocivas são erradas, você não iria querer que alguém a ouvisse falar assim. – Draco usou um tom que beirava advertência, mas mesmo assim, qualquer um distinguiria um traço de medo em sua voz.
- Você me conhece Draco, sabe como eu sou com relação as minhas opiniões. Realmente acha que eu não vou falar isso para Voldemort? Por que eu vou. – ela falou aquilo com tanta naturalidade que chegava a ser cômico.
- Você está fora de si. – exclamou exasperadamente – Mesmo em sua posição não vai sair impune. A primeira regra dos comensais...
- Eu não sou comensal.
- Mas é filha dele. Pureza e nobreza, Hermione. Guarde esse lema. – disse ele com seriedade.
- Mas ele tem que reconhecer que seus valores estão errados. Iria ganhar muito mais se administrasse tudo de maneira correta, poderia chegar até ao ministério.
- Ele vai te matar. – o rapaz balançou a cabeça enquanto suspirava.
- Ora, - ela deu um sorrisinho irônico – o último inimigo a ser aniquilado é a morte. Não é?
Draco passou a mão pelos cabelos a fim de desanuviar a mente – Então, vamos comer?
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- E você não tem a mínima ideia do que ela quer dizer? – os olhos sob os óculos estavam sérios.
- Não, Alvo. – ele também estava sério – Não tenho a mínima ideia.
- Estou preocupado, Severo. – disse o diretor enquanto apoiava o queixo nas mãos.
- Eu também. Não sei por que Fahrah esconderia algo do Lorde das Trevas, a não ser...
- A não ser?
- Que ela esteja com medo. – e olhou Dumbledore com firmeza – Que esteja com medo do que ele possa vir a fazer.
- Tem lógica. – o diretor de Hogwarts levantou-se de trás de sua mesa e pôs a caminhar pelo seu escritório. – Você tem notado alguma coisa de errado com Hermione?
- Tirando as crises existenciais? – ele deu um sorrisinho – Não. Está em perfeita saúde, tudo dentro da normalidade.
- Vamos ter que esperar para ver. – e abriu um armário – Severo, entregue isso a ela. – disse ele ao entregar uma caixa para o mestre em poções – Ela deve estar precisando.
O professor levantou uma sobrancelha em questionamento, mas assentiu. Pegou a caixa e começou a descer as escadas do escritório do diretor. Dumbledore ainda estava virado de costas, quando teve certeza de que Snape já tinha ido, levou sua varinha a têmpora e puxou um fio prata, imagem da carta flutuou no ar. Mais um frasco para a sua coleção.
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- Por que vocês estavam trancados? – ele tentou parecer mau, mas não assustou nenhum dos dois.
- Para impedir o Draco se sair gritando igual a um maluco. – disse Hermione depois de dar um beijo no professor.
O rapaz ficou desconcertado ao ver sua melhor amiga beijando o seu padrinho, mas preferiu não fazer nenhum comentário – Eu já vou então – disse o rapaz já se levantando – Deve ser tarde.
- Tarde o suficiente para perder pontos. Esse ano a taça vai ser nossa, Malfoy. Não se atreva a perder um ponto sequer. – Severo falou em tom firme.
- Com licença, existe uma Grifinória aqui. – disse Hermione sorrindo – E esse ano a taça vai ser nossa.
- Hermione – Draco estava sorrindo – você há de convir que a Sonserina está acima da média esse ano. Os alunos foram seriamente ameaçados – e olhou de esguelha para Snape – a fim de não perderem pontos. Eu mesmo estou obrigando Crabbe e Goyle a estudarem.
- Eles sabem ler? – ela riu.
- Defina ler. – ambos riram.
- Idiotas a parte, nós vamos ganhar esse ano. – Severo já havia se sentado – Até o nosso time de quadribol está melhor.
- Se a Grifinória ganhar – Draco havia se manifestado – eu uso uma capa com um leão estampado no último dia de escola.
- Muito bem. – Hermione o olhava em desafio – Se a Sonserina ganhar eu pinto o meu rosto de verde e prata no último dia e te dou duzentos galeões.
Severo assoviou baixinho – Não quer apostar comigo? Seria divertido, eu garanto.
- Não me provoque. – ela o mediu de cima a baixo e riu – E então, Malfoy. – estendeu a mão ao rapaz – É pegar ou largar.
- Feito. – apertaram as mãos.
Alguns minutos depois de uma breve discussão sobre as casas, Malfoy fechou a porta atrás de si, não sem antes prometer voltar na próxima semana. Ele e Hermione se davam muito bem. Com alguns movimentos de varinha, Hermione havia mandado a louça de volta para a cozinha e organizado o ambiente. Realmente, ela não suportava bagunça. Severo a chamou para acompanhá-lo até sua sala e ela, mesmo sem entender, foi.
Os aposentos do homem, em termos de arrumação, eram idênticos aos dela. Tudo perfeitamente arrumado, nenhuma folha de papel fora do lugar. Seu olhar voltou-se para uma caixa escura que não estava ali antes. Ele pegou o pacote e o levou em sua direção.
- Dumbledore pediu para te entregar. Ele me chamou para acompanha-lo até o escritório e me entregou isso. Não sei do que se trata.
Hermione franziu a testa e decidiu abrir o pacote, não tinha porque esconder nada de Severo. Dentro da caixa se encontrava uma bacia de pedra, fina, mas olhando de cima aparentava ser extremamente funda. Sua borda era ornada com runas gravadas em ouro. – Como ele adivinhou que eu queria uma penseira?
- Por que não me falou que queria uma? Eu teria comprado para você. – Severo a olhava com curiosidade, a cabeça dela deveria estar realmente muito cheia para o diretor ter percebido essa necessidade.
- Eu ia ver isso no final de semana em Hogsmead. – ela ainda olhava para o objeto.
- Não vendem penseiras em Hogsmead. – constatou o óbvio.
- Justamente, eu aproveitaria a escola vazia e iria até o beco diagonal. Tem um senhor que é sócio do relicário, ele consegue essas coisas. Ano passado eu encomendei... – percebeu que Severo a olhava – O que foi?
- Planejando quebrar um regulamento da escola? – e riu – Esses anos com o Potter não te fizeram bem. – imediatamente arrependeu-se de ter falado aquilo, mas ficou aliviado em ver que Hermione riu.
- Realmente, eu aprendi a ter uma nova perspectiva sobre regras. – e piscou para ele.
- Além do mais penseiras são muito caras.
- Você sabe quanto eu tenho no banco? Voldemort depositou uma quantia que eu nunca vou conseguir gastar. – a garota sorriu com ironia antes de falar – E ainda disse que me daria mais dinheiro se não fosse o suficiente.
Ele já havia deduzido aquilo depois do presente que ganhara de natal, mas nunca se atrevera a perguntar a ela se Voldemort havia lhe dado alguma coisa. Ele mesmo ganhava dinheiro por conta disso, não se orgulhava, mas também não o usava para caridade. – Ele tem dessas coisas. – disse Severo desconversando. – Soube que suas aulas foram, novamente, um sucesso. Está querendo que eu perca o meu emprego?
- Nem de longe. – ela sentou no tapete – Realmente estou querendo conversar com você.
- Diga. – pelo tom de voz dela Severo deduziu que não era nada sério. Sentou-se no chão ao lado dela, estava se acostumando com aquele hábito.
- Bom, eu quero prestar os nove N.I.E.M.s, já que estudo dos trouxas não oferece esse exame. – ela o olhou curiosidade. – Como vou fazer para prestar o de poções?
- Você vai fazer os nove? – disse ele com assombro.
- Vou. – usou uma expressão de "isso é normal" – Você obteve quantos?
- Sete. Só prestei oito e não passei no de astronomia.
- Severo Snape já tirou nota baixa? – disse em tom de deboche colocando as mãos no peito – Vou pedir pra Gina fazer aquele discurso de "cometas cairão sobre Hogwarts" e blá blá blá.
- Engraçadinha você. Mas voltando a questão dos seus N.I.E.M.s – respirou fundo – eu já havia discutido isso com Dumbledore. Quando você foi promovida a minha adjunta, eu automaticamente te aprovei. – Hermione abriu a boca em espanto.
- E você pode fazer isso? – a voz dela estava até um pouco baixa de surpresa.
- Ainda sou professor nessa escola, não é? – e esboçou um sorriso – Tive que te aprovar para te ter como professora. E essa semana eu consegui contatar um colega meu.
- E o que isso tem a ver?
- Eu não posso dar os seus N.I.E.M.s, não teriam valia perante ao ministério visto que você é minha "funcionária". – disse ele fazendo o gesto de aspas com as mãos – Jean Coule é um preparador de poções mediano, é uma boa pessoa e é justo. Ele vai aplicar seus exames.
- O que você quer dizer com mediano? – ela levantou uma sobrancelha.
- Não é tão bom quanto eu. – fez uma pausa – E nem quanto você.
Ela jogou-se em cima dele gargalhando – Adoro quando você mente assim pra mim.
- Mas eu não estou mentindo! – ele também soltou uma gargalhada – Você é quase tão boa quanto eu.
- Isso me lisonjeia muito, senhor Snape. – disse em tom formal.
- Não é nada mais do que a verdade, senhorita Granger. – e roubou um beijo da moça.
Hermione saiu de cima dele e sentou-se novamente – Será que um dia eu conseguirei? – o olhar dela parecia sonhador – Digo, lecionar aqui.
- Dumbledore não é obtuso ao ponto de não te contratar. Você será uma excelente professora.
- Nós dois lecionando juntos... Vai ser engraçado, não? – deu uma breve risada – Os alunos me amando e ao mesmo tempo morrendo de medo de você.
- Olhando sob esse ângulo... O mais engraçado vai ser os alunos se perguntando como é que eu te convenci a ficar comigo. – disse em tom divertido.
- Eu sempre posso dizer que fui ameaçada de morte. – ela disse tentando fingir seriedade
- E eu sempre posso dizer que foi você quem me beijou primeiro. – ele a olhou com divertimento.
- Severo! – Hermione deu um leve tapa no braço do homem.
- Mas é verdade. – ele riu – Aposto como as alunas iriam gostar de ouvir isso.
- Nem brinque com isso. – e começou a se levantar – Posso dormir aqui hoje?
- É um revezamento de quartos? – ela estreitou os olhos ao mesmo tempo em que tentava não rir – Não precisa perguntar isso.
- Então eu já volto.
Logo assim que Hermione saiu Severo foi para o banho. Era engraçado a naturalidade entre eles, interagiam sem pudor algum, como se aquilo existisse desde sempre. O relacionamento deles havia se tornado muito sólido. Respeitavam o espaço do outro, lidavam bem com os problemas e se ajudavam mutuamente. É, ele queria acabar com o revezamento de quartos... Mas tinha medo que Hermione dissesse não. Na noite anterior ele havia ouvido da boca dela que tinha a intenção de dividir a vida com ele, mas será que ela tinha noção do que estava dizendo? Ele achava que não.
Ela era jovem, tinha dezessete anos – se bem que ela sempre fazia questão de lembra-lo que eram dezoito devido ao ano que usou o vira-tempo – ainda teria muitas oportunidades na vida, até mesmo pessoas melhores do que ele. Por vezes se considerou egoísta por prendê-la a si, mas não conseguia afastar aquela ideia da mente, queria Hermione.
Banhos eram mesmo um excelente momento para refletir, agora ela tinha certeza disso, nunca em sua vida tinha pensado tanto em baixo de um chuveiro, aquilo havia se tornado um hábito. Aquela era Hermione Granger: dezessete anos, aluna de Hogwarts, a melhor média da escola em cem anos, estudante da Grifinória, monitora chefe, professora adjunta de poções, namorada do temido mestre em poções, herdeira de Salazar Slytherin, a mulher mais respeitada pela linha de comando dos comensais da morte, filha de Fahrah Mountgormay Slytherin – a rainha do clã vampírico, umas das mulheres mais procuradas pelo ministério da magia – geneticamente metade vampira, recente ofidioglota e filha de Tom Marvolo Riddle, o famoso Lord Voldemort. É, era um bom resumo, ela pensou. Ela era uma bagunça, sua maior bravata seria juntar peça por peça daquele quebra-cabeça. Há tempos ela tentava encontrar uma escapatória de si mesma, mas agora havia decidido mergulhar fundo na própria história. Antes de sair banheiro olhou de relance o seu reflexo e sorriu, ficava bonita quando chorava.
- Você demorou. – ele a olhou de esguelha, parecia que ela havia chorado.
- Você achou? – seu nariz estava um pouco avermelhado, por mais incrível que parecesse isso a deixava muito bonita – Aproveitei para lavar o cabelo.
- Hum – ele arqueou uma sobrancelha, ela não tinha tocado no assunto então não iria perguntar – Amanhã você não dará nenhuma aula, caso você ache que eu tinha esquecido de mencionar.
- Eu deduzi, amanhã é um dos meus dias mais cheios da semana. – ela já tinha se coberto – E a sua aula?
- O que tem? – ele também já havia se ajeitado ao lado dela.
- O que eu faço? Vou assistir normalmente? – sua cabeça se apoiava no ombro dele.
- Não, você vai ficar comigo na mesa, observar, anotar e fazer o que quiser. Pode até estudar outras matérias, é só não deixar ninguém perceber. – a voz dele estava um pouco sonolenta.
- Mas não vou fazer nada mesmo? Com relação a participar da aula? – ela já havia fechado os olhos.
- Pode passar por entre as mesas se quiser. Na hora você decide.
- Tudo bem. – suspirou – Eu amo você Severo.
- Eu também amo você, Hermione. – inclinou um pouco a cabeça para dar um beijo no topo dos cabelos da moça – Boa noite.
- Boa noite. – respondeu com um leve sorriso no rosto. Com a ajuda de Severo ela tinha certeza que iria conseguir recuperar a si mesma. Ele era a salvação dela.
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- Toda vez que eu durmo nos aposentos dele é a mesma coisa. – ela falava baixinho enquanto caminhava – Ele nunca me acorda e eu sempre perco a hora.
- Tem certeza de que foi sono que te fez perder a hora? – a ruiva lhe deu um olhar sugestivo.
- Gina! – ela quase havia se engasgado com o suco – Sim, foi o sono. Por incrível que possa parecer, quando eu não durmo consigo levantar na hora.
- Hermione! – a outra arregalou os olhos – E você não me contou? – ela sussurrou enquanto corava.
- E eu tive tempo? – ela já estava levantando e amiga a acompanhava – Tudo se resumiu em aulas, Harry e questões de paternidade. Tem sido difícil encontrar uma folga.
- Eu entendo, mas... Agora nós duas precisamos de tempo para conversar. Se vira, colega. – e piscou um dos olhos.
- Pode deixar. – disse Hermione com um pouco de dificuldade, tinha roubado uma torrada da mesa e estava tentando engoli-la com a maior rapidez possível.
- Você poderia entrar na sala com um caminhão de cerveja amanteigada, o Binns não perceberia. – riu com deboche.
- Regras são regras. Até mais tarde. – finalmente tinha acabado de engolir.
Aquela escada separaria o caminho das duas, Hermione tinha que subir e Gina, descer. – Ei! – ela chegou mais perto da amiga – Você acha que o Snape vai me aliviar?
- Duvido muito. – e riu. Ambas seguiram seus respectivos caminhos, Gina para a aula com o dito morcego e Hermione para com um fantasma. Dava pra acreditar que ele morreu, mas simplesmente levantou para dar aula no dia seguinte? Hermione se perguntava se um dia faria a mesma coisa.
A aula de História da Magia transcorreu tranquila como sempre. O fantasma olhando para o quadro escrevendo tudo que estava nos livros, alguns alunos dormindo, comendo ou jogando uma espécie de snap explosivo que não emitia barulho, coisa dos gêmeos Weasley. Ela e Harry continuavam se ignorando enquanto Rony estava no meio dos dois babando enquanto cochilava, a capacidade de se manter acordada nessa aula era um dos feitos os quais ela podia se orgulhar.
- Granger. – a turma inteira despertou, o espantoso, além do fantasma ter se dirigido a um aluno, era ter acertado o nome do aluno. Ele não falava o nome de ninguém corretamente. – Você está liberada. – simplesmente isso, não explicou o porquê.
Rony olhou para a amiga – O que foi isso?
- Eu que sei? – até ela estava curiosa – Ainda faltam uns quarenta minutos para terminar a aula.
- Deve ser coisa do Snape, nossa próxima aula é com ele. – e deu de ombros – Se fosse outra ocasião bem que eu gostaria de ir com você.
- Provavelmente. Bom, eu vou descer. – disse ela catando suas coisas. Ronald fez um sinal de boa sorte e ela saiu.
Hermione desceu as escadas literalmente correndo. Algum sonserino, o qual ela não lembrava o nome, acenou para ela. Como aquelas pragas sempre estavam nos corredores? Eles não tinham aulas? Chegou à porta da sala de poções em incríveis três minutos, respirou um pouco para retomar o fôlego e bateu na porta. A mesma se abriu e ela deu um passo hesitante para dentro. Ao vê-la Severo a chamou com a mão.
A aula era do sexto, Grifinória e Sonserina como sempre. Avistou a cabeleira ruiva de Gina ao longe, ela sentava relativamente perto da mesa do professor, e em poções, aquilo era um ato de bravura. Discretamente a amiga piscou para ela e em resposta recebeu um pequeno sorriso. Todos os alunos a olhavam com curiosidade, o que ela estava fazendo ali? Logo na primeira fileira do lado direito estava Marcus Nott. O rapaz acenou alegremente para ela, um olhar de Snape e o sorriso do menino morreu. Ela finalmente debruçou-se perto de Severo.
- O que houve? – perguntou aos sussurros.
- O que vai haver é que eu vou te agarrar se continuar debruçada assim na minha mesa. – ele disse ainda sério, mas com um brilho olhar. – Pegue aquela cadeira e sente-se aqui.
Hermione estava fazendo um esforço hercúleo para não rir, Severo era ridículo. – Mas qual é a emergência. Por que pediu para o Binns me dispensar mais cedo?
- Obrigada Severo, me livrou da aula mais chata de Hogwarts – ele disse a imitando aos sussurros – Pelo jeito não vou ouvir isso.
- Você vai me fazer rir! – ela teve que falar trincando os dentes.
- Que eu saiba – ele disse em voz alta – a aula ainda não acabou. Olhos nos caldeirões e não na minha mesa. Cinco pontos a menos para Grifinória, senhor Creevey – ele ainda olhava para Hermione – por continuar olhando.
Uma risada do lado da Sonserina foi ouvida – Cinco pontos a menos para a Sonserina, senhorita Frey – Hermione encarou Severo com divertimento no olhar, tinha tanto poder para descontar pontos quanto ele - por rir de seu colega.
A turma toda prendeu a respiração, agora era impossível não olhar. Aquilo seria briga de peixe grande, ela havia acabado de descontar pontos da Sonserina na frente do chefe da casa deles. Esperavam uma discussão, mas Snape simplesmente esbravejou – Olhos nos caldeirões.
- A taça das casas é nossa. – Hermione levantou uma sobrancelha.
- Veremos. – Severo respondeu no mesmo tom – Te chamei aqui por que quero discutir um veneno. Essa – ele passou um papel para ela – é a lista de material que temos no armário. Quero pelo menos, duas opções de envenenamento.
- Vai matar algum aluno hoje? – ela deu uma risada baixa. A turma inteira olhou, nenhum dos dois ligou.
- Não, quero que eles construam antídotos. – e levantou uma sobrancelha.
- Você não vai... – ela estava meio boquiaberta.
- Sim, eu vou. Passei uma redação sobre isso há mais de um mês, não é possível que ninguém, além de você, não tenha aprendido aquilo.
- Se você diz. – ela suspirou – Bom, por essa lista tem ingredientes suficientes para construir uma receita de antídoto para o veneno do dendrobatidae*. Será que é muito complexo?
- Quanto mais complexo melhor. Deixe me ver. – ele passou os olhos lentamente e chegou à mesma conclusão que ela, era possível construir um antídoto – Estava pensando em algo comestível agora, que pudesse ser preparado e mesmo assim envenenar.
- Se você quer saber de comida sabe a quem perguntar. – e indicou a sala com a cabeça.
- Weasley. – novamente todos olharam, Gina respirou profunda e silenciosamente, e levantou a cabeça.
- Sim, professor Snape. – ela percebeu que ambos estavam concentrados, nem mesmo tiraram os olhos do papel.
- Diga alguma coisa comestível, porém venenosa. Agora.
Gina franziu a testa e deu a primeira resposta que veio à cabeça – Fruto de sabugueiro.
Snape levantou os olhos e pareceu satisfeito. Somente abaixou a cabeça e nem ao menos agradeceu.
- Você não vai ao menos pontuar? – Hermione novamente sussurrou.
- Ela está em aula e respondeu uma pergunta. – ele falava como se fosse algo óbvio.
- Uma pergunta que não cabia a ela responder. – ele a olhou contrariado enquanto mordia as bochechas por dentro.
- Se você faz tanta questão, pontue você. Mas pelo amor de Merlin, pare com isso.
- Parar com o quê? – ela o olhou.
- Com essa cara de sofrimento. – e revirou os olhos.
Hermione sorriu quando levantou a cabeça e disse – Senhorita Weasley, obrigada e cinco pontos para a Grifinória.
A turma inteira prendeu a respiração novamente, mas Snape não fez nada. O que raios estava acontecendo? Ninguém na Sonserina ousou respirar, já haviam perdido cinco pontos e não queriam perder mais nenhum, sabiam que Snape iria aparecer no salão comunal caso a ampulheta baixasse mais do que vinte pontos.
- Esse também é possível. – disse enquanto indicava os ingredientes para Hermione – Se você puder contabilizar os ingredientes prováveis para o preparo eu te agradeço.
Ela se encaminhou para o armário de ingredientes e os olhos de alguns rapazes a acompanharam, Hermione continuava sendo a aluna mais desejável de Hogwarts.
- As poções dos senhores já estão prontas, presumo? – os alunos tremeram um pouco – Vamos ver. Os seis, as engarrafem e tragam para a minha mesa. Agora.
Hermione suspirou e balançou a cabeça, ele não mudaria, aparentemente a graça era essa. Anotou tudo que precisava em um pedaço de pergaminho e voltou para a mesa de Severo. Quatro alunos tiveram as poções anuladas, dois tiveram tempo de termina-las antes de entregarem a ele, mas mesmo assim, não estavam perfeitas. Receber um cinco era melhor do que nada, ela pensou. Um pouco antes que o sinal tocasse, metade da turma tinha errado tudo e a outra ficado por um fio. Gina foi uma das poucas que tinha acertado a poção. Severo forçou um dez para ela e a ruiva sorriu. Hermione pôde jurar que ele não sorriu de volta por pouco. E assim a aula do sexto ano acabou.
Snape conjurou uma caneca para si – Café? – ele ofereceu – Preciso de uma preparação para enfrentar os seus coleguinhas.
- Pode ser suco? – ele fez um floreio com a varinha e um copo apareceu, ainda tinham cerca de cinco minutos antes da turma chegar – Obrigada. Também preciso de uma preparação para olhar na cara do Harry.
- Se você descontasse alguns pontos dele seria uma realização para mim. – Snape ergueu um dos cantos da boca ironicamente.
- A Grifinória vem primeiro. – ela retribuiu a expressão facial.
- Se você diz.
Eles terminaram de beber e Severo fez o copo e a caneca desaparecerem. Uma multidão da Sonserina havia aparecido. Sentaram sem fazer o mínimo barulho e ficaram olhando ligeiramente para baixo em sinal de respeito, o único que cumprimentou Hermione com um aceno foi Draco. O professor olhou para sua adjunta com uma sobrancelha levantada e ela sorriu com uma pitada de sarcasmo – Eu causo esse efeito neles.
Após o sinal tocar outra vez, agora para indicar o início da aula, os alunos da Grifinória entraram. A aversão a Snape era um sentimento compartilhado por todos e era extremamente correspondido, o professor também os detestava. Alguns olharam Hermione com curiosidade, viram que ela havia saído bem mais cedo da aula de História, não sabiam o que ela iria fazer como adjunta de Snape.
Com um gesto de varinha, o professor fechou bruscamente a porta da sala – Quem poderia dizer a definição da Terceira Lei de Golpalott? – a turma o olhou nervosamente, Snape estava com raiva – Para que serve o Revelecanto de Scarpin? – o silêncio continuou – Senhor Potter, poderia nos esclarecer essa questão?
- É – a voz saiu meio tremida – um feitiço usado em poções, senhor.
- E por que não disse isso antes? – virou em direção ao quadro negro – E a resposta está incompleta. Cinco pontos a menos para a Grifinória.
Hermione respirou fundo, mas continuou olhando para suas unhas. Ela mesma estava se controlando para não envenenar Harry. – Senhorita Granger – a grifinória levou um ligeiro susto.
- Sim. – ela o olhou com tranquilidade.
- Explique para esses trasgos o que eu acabei de pedir. – ele ainda estava anotando e diagramando no quadro quando Hermione levantou-se.
- A Terceira Lei de Golpalott concretiza que o antídoto para uma mistura venenosa será maior do que a soma dos antídotos para cada um de seus elementos. Se verdadeira, supondo que se obtenha a identificação dos ingredientes com o Revelecanto de Scarpin, o objetivo primário não é a simples seleção de antídotos para cada um dos ingredientes, mas encontrar o componente adicional que, por um processo quase alquímico transformará esses elementos díspares. E o Revelecanto de Scarpin nada mais é do que um feitiço especializado em descobrir ingredientes de uma poção ou encantamentos de um objeto. – disse ela com naturalidade enquanto mexia em uns papéis na mesa.
- A base já está no quadro. – Snape disse baixo ao lado dela – Termine esse diagrama para mim, por favor. Muito bem – agora estava direcionado a classe – alguém, pelo menos, teve a inteligência de anotar o que ela disse?
A turma estava tão boquiaberta que nem tinham se dado o trabalho de tirarem sequer uma pena de suas mochilas. Um frenesi de pergaminhos sendo puxados e caldeirões batendo foram ouvidos. A cada ano que passava eram mais idiotas, pensava Severo. – Vocês têm duas opções: dendrobatidae ou fruto de sabugueiro. Escolham e escrevam nesse pedaço de pergaminho que eu vou passar nas carteiras de vocês. – e sacudiu o papel com a mão – Esperam que tenham deduzido que vão construir um antídoto para o veneno escolhido.
Ele realmente tratava a turma como um bando de idiotas, mas agora analisando da perspectiva dele, realmente eram, ela só não tinha percebido antes. Já havia terminado de fazer o diagrama que Severo pedira, esperava que tivesse ficado satisfatório. O objetivo era mostrar a aplicação matemática da Terceira Lei de Galpalott e aplica-la em pesos e medidas demonstradas em balanças.
Snape levantou uma sobrancelha quando, após passar a lista, finalmente percebeu o quadro negro. Não havia sobrado o mínimo espaço, ela havia preenchido tudo. A letra dela era pequena, mas estava legível e bem desenhada, os gráficos e desenhos estavam em perfeita proporção assim como os cálculos estavam perfeitamente destacados. Melhor do que se ele mesmo houvesse feito, admitiu. Acenou para Hermione em aprovação e ela lhe dirigiu um breve sorriso.
A turma do sétimo ano exalava desespero. Rony olhava para Hermione em busca de ajuda, mas ela não podia fazer nada, não era mais aluna. Harry suava profusamente por cima de seu caldeirão, ela adoraria ver a poção dele explodindo e o causando um grave ferimento. O ruivo percebeu a direção do olhar dela e pôde deduzir o que a amiga estava pensando, intimamente queria a mesma coisa. Ninguém estava obtendo sucesso, a poção de Neville – que milagrosamente tinha obtido um N.O.M. em poções – estava parecendo vômito e Simas acabara de derreter um cadeirão. Crabbe e Goyle estavam parados olhando para bezoares em suas mãos, Draco parecia estar conseguindo alguma coisa, mas também, pelo aspecto não deveria estar correto.
Hermione olhou para Severo, ele a encarou de volta e rolou o olhos – Pode ir. – ela andou de mesa em mesa e parou em algumas para tentar ajudar. Passou direto por Harry e se demorou um pouco em Neville. Não deu a resposta para ninguém, só tirou ingredientes exponencialmente perigosos das mãos dos alunos e os guardou. Voltou para a mesa do professor com um pequeno sorriso enquanto ele olhava meio carrancudo. Pôs-se a ler o trabalho de runas.
- Dez minutos. – Severo sempre fazia questão de anunciar uma contagem regressiva para seus alunos. Em sua opinião todos tinham que aprender a trabalharem sob pressão, Hermione concordava com ele nesse aspecto.
No fim do tempo dado ele apagou todos os fogareiros com a varinha e pôs-se a caminhar por entre as carteiras. Hermione pegou os sumos venenosos e foi, cuidadosamente, despejando três mililitros em cada caldeirão. Os para frutos de sabugueiro deveriam ficar roxos e os para veneno de dendrobatidae azuis.
Ninguém conseguiu preparar um antídoto correto. O de Rony ficou rosa, isso foi o mais próximo que alguém da Grifinória conseguiu. Draco conseguiu uma tonalidade de roxo, mas o seu objetivo era o antídoto para o outro veneno. Ninguém ganhou pontos, mas como a Sonserina foi igualmente ruim, Severo preferiu não descontar nada de nenhuma das duas casas. Os alunos foram dispensados, mas teriam que entregar uma redação de um metro sobre a aplicação da Terceira Lei de Galpalott, seus cálculos na prática e a poção por extenso do equivalente ao antídoto escolhido. Hermione agradeceu por não ser mais aluna dele.
- Runas? – Severo esticou o pescoço para olhar o livro na mão dela.
- Sim. – ela começou a guardar suas coisas – Já vou subir.
- Deixe suas coisas comigo, leve só o material de runas, sua mochila parece um bloco de concreto. Eu guardo para você. – ele estava analisando o peso dos livros e cadernos – Não sei como você ainda tem coluna.
- Nem eu. Obrigada Severo, pode deixar lá de qualquer jeito, não se preocupe em arruma-la, depois eu guardo. – ela já estava na saída. – Nos vemos mais tarde.
Ao fechar a porta se deparou com um Neville ajoelhado no chão a olhando assustado – Hermione, por que você falou aquilo?
- Aquilo o quê? – ela fingia curiosidade.
- Chamou ele de Severo. – ele disse o nome com medo, parecia que estava se referindo a Voldemort.
- Eu trabalho com ele, Neville. Dividimos um laboratório e passamos muitas horas juntos todos os dias. – o amigo já havia terminado de catar as coisas do chão e estava se levantando – E se você quer saber ele é bastante agradável.
O queixo dele caiu – Nós não estamos falando da mesma pessoa.
- Sim, nós estamos. Pergunte a Gina se você não acredita, nós tomamos um chá em conjunto outro dia desses. – ele ficou ainda mais estático. – Vou indo Neville, não quero me atrasar.
O rapaz ainda ficou uns minutos parado lá, só quando ouviu um barulho no corredor que se lembrou de onde estava, tratou de sair correndo.
Hermione subiu tranquilamente enquanto pensava em Neville. Ela queria desmistificar um pouco a figura de inspirador ao terror que Severo havia construído, pelo menos queria que seus amigos lidassem bem com ele, dentro da medida do possível é claro. Não cometeu um erro sequer durante a aula de runas, todas as questões corretamente respondidas, deveres entregues e ainda conseguiu angariar trinta pontos para a sua casa, mas mesmo assim ainda estava pensando em Severo.
Novamente topou com Neville no corredor principal e quando este ia lhe falar, Otto Payler apareceu – Boa noite, senhorita Granger.
- Boa noite, Otto. Está ocupado? – ela olhou para o amigo grifinório, ele havia deixado uma caneta cair no chão em choque.
- De maneira alguma. – o rapaz piscou repetidas vezes, será que ele poderia ser útil em alguma coisa?
- Bom, se você puder levar esse material para mim, eu agradeço. Deixei minha mochila com o professor Snape depois da aula por conta do peso, esses livros não estão sendo muito práticos de carregarem. Se não for te incomodar...
- Claro, senhorita. Levo com todo o prazer. Onde quer que eu deixe? – ele havia empertigado um pouco o peito.
- Veja se o professor Snape está na sala dele e deixe com ele. Se não estiver pode deixa-lo na porta dos meus aposentos, mas faça alguma proteção para ninguém o pisar ou coisa parecida. – ela claramente estava ordenando, mas o fazia com sutileza e educação.
- Eu o farei. – e saiu andando de cabeça erguida, outros alunos o olhavam com um pouco de inveja, ele estava fazendo um favor para Hermione Granger.
- Antes que você pergunte – disse em direção a Neville – eles estão puxando o meu saco por vários motivos, sou professora, monitora chefe, vivo colada em Snape...
- Mas você é nascida trouxa. – ele demonstrou confusão.
- Pois é, mas aparentemente a minha amizade com Draco influencia nesse aspecto. – ela deu o braço a ele – Esqueçamos isso e vamos, estou com fome e quero comer logo.
Não havia muita comida no salão principal, nem todos os alunos estavam presentes e as mesas só pareciam estar completas quando todos surgiam. As cozinhas mandavam a comida em quantidade proporcional. Pouco tempo depois Gina surgiu, encontrou uma Hermione faminta e um Neville pensativo.
- E aí? – a ruiva cumprimentou – Você está parecendo o Rony. – disse ela sorrindo para a amiga.
- Não tive tempo para almoçar, só tomei um suco. – Hermione estava colocando um pedaço de torta na boca – Estou faminta.
- Deu pra perceber. – e soltou uma pequena risada – Por que você está com essa cara, Neville?
- Hum... - disse Hermione depois de beber um gole de suco – eu disse a ele que o professor Snape é uma boa pessoa. Ele não acreditou que nós três tomamos um chá outro dia. – e olhou com ar de riso para a amiga.
- É Neville – disse ela colocando a mão no braço dele como se o estivesse confortando – é a verdade. Ele é bem legal fora da sala de aula, você precisava ver, nós até rimos juntos. Ele até mesmo me convidou a voltar lá. – ela tentou não rir da cara do rapaz – Falando nisso, nós termos que marcar um dia, não é Mione?
- Ah sim. Nós temos que marcar. – e levantou-se ao ver a hora – Bom gente, eu tenho que ir. Tenho que fazer dever de casa.
Gina olhou para amiga em compreensão e disse em tom sério – Boa sorte. – ela torcia para que Hermione não precisasse matar ninguém hoje, não sabia o que poderia acontecer.
OoOoOoOoO
- O que você acha? – Hermione rodopiou o corpo a fim de mostrar ao homem como estava trajada. Usava um vestido preto um pouco rodado que ia até um pouco antes do joelho. Ele tinha uma gola redonda que parava um pouco antes da clavícula, tinha duas faixas, com o espaço de uns dois dedos cada, que eram feitas em material também preto, porém com transparência, esse processo se repetia na barra do vestido. Estava calçando sapatos com saltos não muito altos e o cabelo preso em um coque frouxo. Simples, sóbrio e elegante.
- Está perfeita. – e a puxou para um beijo. Eles estavam dentro do quarto dele, Dumbledore o havia definido como ponto de aparatação. Severo deu um leve gemido de dor quando sentiu a marca queimar, suspirou e olhou para Hermione, que também estava segurando seu colar com um ligeiro incômodo – Pronta para o show?
- Aparentemente eu nasci para isso. – e desaparataram juntos.
A direção que o colar de Hermione a guiou foi diferente da que a marca de Severo o levou. Ela aparatou no centro de uma sala a uns dois passos atrás de Voldemort, o qual por sinal, estava com uma aparência impecável.
Um grupo de comensais aparatou na frente deles, todos surgiram de joelhos e com as cabeças abaixadas. Reconhecera Lúcio, Bella, Richard, Evan e Cale. Surpreendeu-se ao ver Igor Karkaroff ali, não por não saber que era comensal, mas pelo fato de ele estar na Inglaterra. Ali estavam eles, a elite dos comensais da morte.
- Levantem-se – a voz de Voldemort estava calma, até demais. – Boa noite.
Todos assentiram em resposta, só falavam na presença dele quando a resposta lhes era solicitada. Somente então e ele voltou-se para Hermione, a olhou e sorriu, estendeu uma mão para ela e a moça prontamente a segurou. – Igor, imagino que conheça a minha filha.
Ela dispensou algo parecido a um sorriso ao homem e percebeu que ele tremeu sob o seu olhar, gostou daquilo. – Si-im, Milorde. Eu já tive o prazer de vê-la antes.
Hermione não se deu ao trabalho de responder. Voldemort a guiou até uma cadeira de espaldar alto, sentaram-se lado a lado. Os comensais ficaram de pé. – Harry Potter teve a ousadia de atacar Lilith. – o clima da sala ficou tenso, pelo visto ninguém, além de Bellatriz e Severo, estava ciente do ocorrido – Ele tentou matá-la dentro dos domínios de Hogwarts. – estranhamente Cale Crouford rangeu os dentes, gesto que não passou despercebido a Severo – Nós iremos contra-atacar.
- E como faremos isso, Milord? – Lúcio foi o primeiro a perguntar – As defesas da escola são fortes, praticamente inquebráveis.
- Não é verdade – todos os olhos voltaram-se para a moça sentada ao lado do Lorde – eu já as quebrei uma vez.
Alguns rostos a olharam com descrença. Bellatriz deu um sorrisinho, sabia da capacidade da moça, Severo manteve o rosto indiferente, não gostou de ela ter revelado aquilo, mas infelizmente era verdade, ele mesmo havia presenciado a cena. – Então nós temos como entrar. – Voldemort disse sério – Mas precisamos de um plano de ataque.
- Eu voto por irmos com cautela. – todos olharam Bellatriz com espanto – O objetivo não é bombardear todos no caminho.
- E desde quando você não quer bombardear alguém? – ele não pôde deixar a oportunidade de debochar da cara dela passar.
- Ora Snape, eu tenho ética em todas as missões. – ela tentou parecer ofendida, mas falhou.
- Ética inclui mutilar pessoas? – Rosier usou um tom parecido ao de Severo – Lestrange, você tem um modo de ataque muito...
- Muito o quê? – ela falou entre os dentes.
- Peculiar. – ele pontuou com um floreio de mão – Mas concordo com você, se vamos entrar temos que fazer de maneira discreta.
- Eis o que proponho, nós estaremos em sete, então... – Cale estava começando a explicar o seu planejamento quando foi interrompido.
- Não. Estaremos em oito. – todos olharam em direção a Voldemort – Não costumo participar de ataques, mas esse é pessoal. Potter me afrontou ao ataca-la e agora está escondido. Sempre o esperei do lado de fora, agora iremos para o lado de dentro. – encarou o grupo procurando algum sinal de discordância, não encontrou – Continue explicando o seu ponto, Crouford.
- Sim, Milord – o homem manteve a cabeça ligeiramente abaixada para não o encarar – Eu iria sugerir uma divisão de grupos. Alguns na retaguarda para alerta e ataque, caso alguém nos descubra. – ela agora olhava para os outros comensais aguardando opinião.
- Seu plano brilhante tem uma falha. – Severo falou em tom baixo, mas assim como na sala de aula, conseguiu prender a intenção de todos – Nós ainda teremos que procurar o Potter em toda a escola, sabemos os lugares prováveis, mas mesmo assim, Hogwarts é grande. Tirando isso, o que já é muita coisa, o Lorde das Trevas irá conosco, o esquema terá que ser muito bem planejado, a proteção dele será a nossa prioridade. Nesse caso achar Potter virá em segundo lugar. Teremos também que traçar uma rota de fuga, a facilidade será para entrar e não para sair. Isso tudo terá que ser bem planejado, caso algo fique fora do lugar seremos pegos.
- Eu concordo com Severo. – disse Lúcio – Ainda temos que pensar nos alunos, não digo isso por motivos pessoais. – até parece, foi o que todos pensaram – Mas quanto menor o alarde, melhor será para nós.
- Lúcio está certo. – Rosier falou – O problema continua sendo vasculhar Hogwarts e depois sair de lá.
- E é aí que eu entro. – Hermione cruzou as pernas e projetou um pouco o corpo para frente – Eu irei junto.
- Não. – Snape e Voldemort falaram ao mesmo tempo, olharam-se, mas não retrucaram um ao outro.
- Isso está totalmente fora de cogitação. – Severo disse sem se importar com a opinião de ninguém – Você acabará se expondo ao perigo outra vez.
- Severo está certo. – Voldemort falou com calma – Não posso arriscar você e muito menos a minha calma. Se algo acontecer com você eu matarei quem estiver a minha frente.
- E como vocês esperam achar Potter em menos de cinco minutos? – ela alternou o olhar entre Severo e Voldemort – Digamos que eu seja a melhor rastreadora que tem, e mais, sou a única que pode te tirar de lá em segurança. – e segurou a mão direita do Lorde das Trevas.
Ele parou e pensou uns dois minutos antes de falar – Muito bem, caso eu não encontre uma alternativa irei permitir que nos acompanhe. – dirigiu um olhar frio a todos em sua frente – Quero uma maneira de entrar, achar Potter, trucidá-lo e sair de Hogwarts. Tudo isso dentro de um período máximo de meia hora, não temos porque demorar lá. – os comensais se entreolharam assustados – Vamos terminar o que já devíamos ter feito. – deu uma pequena pausa – Vamos matar Harry Potter.
Aquela frase causou um impacto em todos. Dessa vez era real, nunca haviam visto tanta determinação nos olhos vermelhos. Severo tentou não teme-lo mas não conseguiu, por mais que quisesse Potter morto não queria que Voldemort saísse vitorioso, mas, ao olhar para Hermione, viu que a moça ostentava um sorriso estranho nos lábios. Era quase mau.
- E qual é o nosso prazo, Milord? – ele tentou imprimir o máximo de respeito que conseguiu no momento.
- Duas semanas, Severo. Todos estão dispensados. – e virou as costas, foi até uma parede e pôs se a observar através de uma grande janela naquela sala. Aparentemente ninguém, além de Severo e Hermione, tinha percebido que aquela casa era nova.
Parecia desabitada e tinha pouca mobília, apesar de estarem acostumados a mansão Malfoy, os comensais nunca faziam perguntas quando aparatavam em um lugar diferente. Hermione foi se despedir de Severo, Voldemort observava enquanto o casal ia conversar em um canto afastado, ele realmente tentava não opor-se àquilo, mas Merlin sabia o quanto lhe custava.
- Você tem certeza de que vai ficar? – ambos estavam falando em tom baixo – Afinal, o que vocês vão fazer?
- Eu ainda estou considerando opções. – ela deu um pequeno sorriso – Ainda são nove horas, não acho que vou chegar muito tarde. Não precisa me esperar acordado, vou até você assim que chegar.
- Tudo bem – ele deu um sorriso um pouco irônico – Estou exercendo todo o meu autocontrole para não te beijar nesse exato momento.
- E ele – disse ela apontando Voldemort com a cabeça – está exercendo todo o autocontrole dele para não te matar. Acho que essa coisa de pai está sendo levada a sério.
Severo não gostou muito de ouvir aquilo – Bom, boa noite então. – deu um beijo na testa da moça – Cuide-se.
Todos os comensais enfim desaparataram, ela e Voldemort ficaram sós – Você está positivamente bonito hoje. – e arrancou uma risada do homem.
- Bom, você também está positivamente bonita. – disse ele a avaliando – Fica bem sem o seu prisma.
- Não sei se é pelo fato de eu estar acostumada com o outro jeito, mas... Sinto falta da minha aparência antiga, ainda não me acostumei com os olhos.
- Um dia o uso desse colar não será mais necessário. Quanto aos olhos, você irá se acostumar com o tempo. – ele ofereceu um braço à moça – Vamos conhecer a casa?
Hermione simplesmente aceitou o braço e começou a caminhar. Voldemort a guiou até a frente da casa para poderem começar da entrada. O hall tinha o mesmo piso de mármore em tom creme que estava no chão da sala, era relativamente grande e correspondia ao tamanho da sala onde a reunião foi feita. Na lateral a esquerda tinha um espaço que parecia ser a sala de jantar, as paredes ali eram de um tom escuro, uma variante de marrom e isso dava um toque especial no ambiente. Passaram pelas portas de dois lavabos, informação essa dada por ele. Duas cozinhas, uma no estilo mais industrial e outra um pouco aconchegante, para refeições menores, habitavam na parte direita da casa, perto da porta que dava para os fundos. Próximo a sala que seria a de estar havia um cômodo em construção arredondada, janelas adornavam a parte frontal do espaço – a qual dava para frente da casa – do teto ao chão e o piso ali era de madeira.
- Lá em cima tem três quartos. – disse Voldemort apontando para a escada – No terceiro andar há a possibilidade de ser feito mais um quarto, lá você irá encontrar um terraço e uma sala que eu espero que seja direcionada para música, sempre admirei uma pessoa que sabe tocar algum instrumento clássico.
Ela estava um pouco confusa – Você irá morar aqui? A casa é muito linda, parabéns pela escolha. – ainda estava admirando o local, mas também não poderia esperar nada inferior aquilo vindo dele.
- Não – e continuou a caminhar com ela a seu lado – Para mim a melhor parte é a dos fundos, tem um pequeno lago lá, e é natural. – disse olhando com um sorriso convencido. – Mas você terá muito tempo para explorar a casa. É sua.
Hermione demorou uns segundos para assimilar a informação, e não pôde esconder a surpresa em seu rosto – Minha? – a pergunta saiu um pouco baixa – Mas-mas...
- Considere como dezessete anos de presentes atrasados. – e continuou falando como se não fosse nada demais – Você já está perto de terminar a escola e espero que não – deu ênfase no não – more com Severo naquelas masmorras.
- Eu não sei o que dizer. – falou suspirando – É muito...
- Não é nada. E só para sua informação estamos em Greenwich. – e olhou para o chão ao dizer isso.
- Greenwich?! – ela se jogou nos braços dele – Muito obrigada!
- Você não está muito próxima deles. Aqui é a parte bruxa do outro lado da cidade. – o abraço o pegou de surpresa – Achei que isso te agradaria. Mas não ache que eu aprovo...
- Eu sei que não. – o sorriso dela irradiou luz no ambiente – Mas mesmo assim, obrigada.
- Creio que você terá condições de mobiliar a casa. Só escolhi os lustres e o piano.
- Eu tenho um piano?
Voldemort ignorou a pergunta – Mas afinal, o que você quer fazer hoje?
- Eu percebi que nunca tivemos um tempo só nosso. Quero te levar para jantar. – ela deu um breve sorriso pontuando a frase.
- Jantar. – ele a olhou desconfiado – Você acha que seria seguro aparecermos em público?
- Não no mundo bruxo. – ele ia abrir a boca para protestar – Vamos lá, comida é comida. E – disse ela remexendo a bolsa – trouxe isso.
Ele encarou o pequeno estojo nas mãos dela – E o que seria isso?
- Lentes de contato. – ele continuou confuso – Isso é uma coisa de trouxa, e garanto que será mais eficiente e menos exaustivo do que qualquer feitiço de ilusão mantido por um longo tempo. Isso irá disfarçar seus olhos.
- Me explique como. – não estava gostando de usar uma coisa de trouxas, mas estava interessado em entender o mecanismo.
- É uma fina película que é colocada nos olhos. Alguns usam no lugar dos óculos, mas existem essas para colorirem. – e abriu o estojo – Eu consegui essas, são azul claro, seus olhos são vermelhos então a mistura dará azul escuro. Ficarão iguais aos meus.
- Você quer enfiar isso dentro dos meus olhos? – ele recuou um passo inconscientemente.
- Eu vou enfiar isso dentro dos seus olhos. Só me dê uma chance de te mostrar, se depois não quiser é só tirar e vamos pensar em alguma coisa para fazer. Tudo bem?
O que mais o incomodava era o fato de se perder um pouco na presença dela. O poder que a moça exercia sobre ele, nem Fahrah o persuadia tanto quanto ela fazia. Lorde Voldemort, naquele momento, estava um pouco agachado e com os olhos ligeiramente virados para cima. Sim, Hermione estava colocando as lentes nele.
Após aquele processo ele começou a piscar repetidas vez até se acostumar e ficou extremamente surpreso quando percebeu que estava enxergando perfeitamente. A moça conjurou um espelho e lhe mostrou o seu reflexo. – E então?
Os olhos estavam azuis, muito parecidos com os dela por sinal – Tem certeza que não é magia?
- Absoluta. – e estendeu a mão para ele – Vamos?
Contra a vontade ele segurou a mão dela e desaparataram.
OoOoOoOoO
- Eu nunca vi tanta determinação nos olhos dele. Dessa vez ele pode conseguir, Hermione vai ajudá-lo. – ele encarava os olhos do diretor de Hogwarts.
- Entendo. – e suspirou fundo – Ela não poderia tomar outra posição, tem que facilitar a entrada dele.
- Mas Alvo, nós precisamos do Potter vivo. – pela primeira vez ele havia aceitado a xícara de chá que lhe foi oferecida, aquilo refletia o seu estado de desespero embora seu semblante estivesse duro.
- Nós vamos pensar em alguma maneira de salvaguarda-lo até lá. – pôs uma bala de limão na boca – O que importa é não prejudicar o seu papel e o de Hermione perante a ele.
- É isso que me preocupa. – Snape suspirou – Não acho que ela esteja exercendo um papel.
- Isso, Severo, só o tempo irá dizer. Só o tempo...
OoOoOoOoO
- Aquela mulher está te dando mole. – Hermione soltou uma risada – Não acredito nisso.
Eles estavam em um restaurante um pouco pequeno, mas ricamente decorado. Tudo ali exalava a luxo, ela sabia que aquilo agradaria Voldemort.
- O que seria dar mole? – ele mesmo estava rindo da situação, a noite estava sendo surpreendentemente agradável.
Ela deu um sorriso enviesado enquanto se inclinava um pouco para frente a fim de falar baixo – Seria algo como flertar. Ela já mordeu tanto a boca te olhando que daqui a pouco vai arrancar um pedaço.
Voldemort riu da situação – E o que você acha que eu devo fazer?
- Nada! – a exclamação saiu um pouco mais alto do que ela gostaria. – Não faça essas coisas na minha frente, seria esquisito.
- Hum, mas você e Severo podem. – ele arqueou uma sobrancelha enquanto a encarava.
- Mas é diferente. – percebeu que ele iria protestar – Você tem a Fahrah.
- Voltemos a falar de Severo. – Voldemort sentiu que aquele assunto o fazia ter algum domínio sobre a garota – Como estão as coisas entre vocês?
- Bem. – e tomou um gole de água.
- Essa resposta é muito evasiva. Como ele está te tratando?
- Bem. – ela deu um sorriso provocativo.
- Defina bem. – e suspirou.
- Ele é atencioso, me ajuda quando é necessário e nunca me questiona. – ela o encarou nos olhos – Acho que isso define.
- Nunca imaginei Severo como uma pessoa atenciosa. – ele quis desviar o foco antes que ela detalhasse coisas as quais não queria ouvir – E as suas aulas, como estão?
Aquele diálogo correu normalmente, como se fosse uma coisa tranquila entre um pai e uma filha. Hermione contou sobre a sua rotina em Hogwarts e sobre como tinham sido suas primeiras aulas como professora. Fez Voldemort sorrir devido à satisfação que expressou quando descreveu a cena onde os alunos do primeiro ano a chamaram de professora. Explicou a preocupação quanto a não saber como ficaria o seu cargo como monitora-chefe da escola e também voltou ao tempo de quando estudou e viveu como trouxa. Aquela parte da conversa prendeu totalmente a atenção do homem.
Estava realmente interessado em saber como ela vivera e aprendera naquela época, ficou um pouco desconcertado ao ouvi-la falar dos pais, mas afinal, ele mesmo havia lhe presenteado com uma casa em Greenwich por conta deles, deduziu que ela gostaria de ficar perto dos então pais que ela teve como seus quase a vida toda. Mesmo contra a sua vontade, sabia que aquilo a faria feliz, a garota tinha crescido com eles, nada mais justo do que guardar algum aspecto da infância dela; ele mesmo não tinha boas recordações da sua, não queria que ela tivesse o mesmo destino que teve. Lógico que isso não era, e pela vontade dele, nem nunca seria exposto, aquele tipo de sentimento, que nem ele admitia, teria que ser guardado a sete chaves.
- Acho que eles estão com medo de nos expulsar. – disse Hermione olhando para os lados. O restaurante estava quase vazio.
- Então peçamos a conta. – ele respirou fundo ao dizer aquilo, não havia sentido o tempo passar.
Hermione chamou o garçom e pediu a conta, Voldemort ficou observando enquanto ela dava ao homem algo parecido com um quadrado prateado. – Que eu me lembre, aquilo não é dinheiro.
- Não. – o homem voltou e entregou o canhoto indicando que a conta havia sido paga – É melhor, isso – e mostrou o objeto para ele – é um cartão de crédito.
Ainda caminharam algumas quadras, nesse meio tempo ela tentou explicar como um cartão de crédito funcionava. O temido Lorde das Trevas não entendeu muito bem, mas balançou a cabeça afirmativamente fingindo compreensão. Hermione encontrou um beco mal iluminado atrás de algumas lojas. Aqueles locais eram usados para entregas e saídas de mercadorias, perfeito para aparatar. Ela já ia se despedindo quando ele a interrompeu.
- Não. – e estendeu o braço para a moça – Eu lembro o caminho para os limites da escola. Levo você até lá.
- Mas e se alguém nos ver? – os olhos dela abriram-se ligeiramente em receio.
- Há essa hora? Duvido muito. E mesmo assim, se por algum acaso alguém nos ver, ninguém irá me reconhecer. – Vendo que não haveria discussão sobre o assunto, Hermione aceitou o braço dele e juntos desapareceram do beco.
Aparataram próximo aos portões da escola sem nenhum alarde, até mesmo o barulho da aparatação havia sido baixo, queria perguntar a Voldemort como ele controlava aquilo.
- Bem, obrigada. – disse ela meio sem jeito.
- É minha obrigação garantir a sua segurança. – ele também parecia sem jeito.
- Então até mais. – ela já ia se virando quando sentiu uma mão em seu ombro.
- Eu é que agradeço. – e depositou um beijo na testa da moça.
Hermione permitiu-se sorrir naquele momento e deu um ligeiro abraço no homem. – Ah! Eu já ia me esquecendo. – passou a mão na frente do rosto dele – Suas lentes, as fiz desaparecerem. Seus olhos já estão normais.
- Então, boa noite. - e fez um ligeiro aceno de cabeça.
- Boa noite. – ela fez um gracejo com gesto parecido com uma reverência. Ambos riram.
Enquanto a moça entrava nos domínios da escola, Lorde Voldemort a observava. Ficou parado ali até perdê-la de seu campo de visão, em nenhum momento a ideia de invadir o castelo ou matar Potter cruzou sua mente, sabia que talvez conseguisse entrar na companhia dela. Mas aquele não era o dia para aquilo, aquele fora o dia deles. Seria injusto dar a garota menos do que uma boa noite de descanso. Ainda pensando naquilo ele desaparatou.
OoOoOoOoO
As pessoas sempre nutriram fantasias sobre a sua onisciência, mas como ele gostava de afirmar para si, não era isso. Tudo era uma questão de dedução e de conhecimento. Em um primeiro momento só queria saber em que horas ela chegaria e se estaria bem. Severo havia lhe dito que os dois sairiam e que Hermione havia dito algo sobre um jantar. Ele mesmo custou a aceitar aquela ideia, mas em se tratando de Hermione tudo era possível, a garota estava realmente quebrando Lorde Voldemort.
O que ele não esperava era a cena que acabara de ter visto. Sabia que, em seu tempo de rapaz, Tom sempre fora um perfeito cavalheiro, havia conquistado muitos seguidores assim. Mas ele viu com seus próprios olhos algo um tanto inesperado. Tom Riddle havia aparatado nos portões da escola. Em um primeiro momento ficou alerta caso a intenção do homem fosse invadir Hogwarts, mas espantou-se ao perceber que a verdadeira intenção dele fora somente acompanhar Hermione. Mesmo de longe pode perceber a brandura da despedida e a alegria da moça. Surpreendeu-se mais com o gesto de carinho que Voldemort expressou ao beija-la na testa. Aquilo era preocupante e ao mesmo tempo intrigante, será que Hermione conseguiria derrota-lo? Seria por bem ou por mal? Alvo Dumbledore teria muito em que pensar naquela noite...
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Pé ante pé ela entrou no quarto. Estava cansada, mas também estava elétrica. O fato da noite ter sido tão calma que a havia agitado. Ela teve aquela ideia a fim de saber o que Voldemort pensava e mais importante, qual era a ideia que ele tinha sobre ela. Mas, ao contrário de todas as expectativas, eles haviam se dado bem, bem demais até. O interesse dele sobre a vida dela parecia ser sincero. Em nenhum momento ele pareceu entediado ou algo do tipo, pelo contrário, parecia genuinamente interessado. Aquele era o mesmo homem que a havia forçado a matar quando nem ao menos a conhecia?
Hermione estava confusa quando deitou-se ao lado de Severo. Automaticamente o professor de poções a abraçou, claramente ainda estava dormindo e ela, por sua vez, não fez nada para acorda-lo. Queria ficar em paz com seus pensamentos, estava fechando os olhos a fim de repassar as lembranças sobre sua vida com Benjamin e Elena, mas não estava obtendo sucesso.
Sua mente teimava em voltar para aquele jantar, para às vezes em que se falaram pelo anel, pela preocupação que ele expressou quando ela foi atacada e pela determinação em matar Harry. Embora eles fossem inimigos ela sabia de uma coisa, aquela raiva era por conta dela. É, Harry Potter estava realmente correndo risco de vida.
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N/A: E o capítulo saiu! Posso ouvir um amém? Hehehehehe
Alguém aqui prestou atenção em Cale Crouford? Bom, vale a pena prestar. (fica a dica) Ambas as reuniões foram interessantes... E aí, alguém arrisca um palpite sobre os futuros eventos?
E a marca do Draco? E qual será a atitude de Dumbledore?
Sim, Kaehlla é irmã da Fahrah, mas é pergunta continua sendo: Quem é Kahella?
Espero que estejam gostando do rumo da fic e principalmente das aulas! Estou gostando de escrevê-las, não vou especifica-las em todos os capítulos mas estou achando um desafio interessante. Novamente digo, tudo citado aqui foi previamente pesquisado, aqui embaixo tem o mini glossário sobre o capítulo.
Ah, mais uma coisa. O que a Fahrah quer com Dumbledore e Severo?
Até o próximo capítulo.
Só para não esquecerem: não é de hoje que o site vem "comendo" palavrinhas e acentos, então caso isso aconteça me desculpem. E desculpem por qualquer erro ortográfico também.
N/B: Hello povos e povas!
Galera q emoção! Primeiro de tudo, quem mais esta querendo q o Voldi será seu pai? Pq eu estou kkk
Gente eu juro que minha vontade é chegar ali na história e agarrar o Sev. Oh homem fofo do Caraleo kkk
Gente e essa hitória da Kaella e da Fahrah? Quero saber mais kkk
Morri de rir com a brilhante sagacidade da autora... o Voldi é MARA e o Harry se tornou "Vc sabe quem" kkk adorooooo
Bella e suas peculiaridades nas missões. ADORO minha Bella psicótica.
E genteee eu juro que queria estar na sala vendo a cara da Alex quando a mione falou com ela. TOMA VADIA! Kkk
Mas será que ela vai levar na boa? O que será que ela vai falar ao Voldi? E será q ele vai levar na boa a Mione reforçar a marca?
Será mesmo que Harry aceitou de boinha essa historia da tia?
Conte-nos Oh Autora linda e minha amada esposa!
Osculum anima vestra morsmordre quer dizer "Que a sua alma morda um pedaço da morte". O feitiço para a gravação da marca negra não foi citado nem nos livros e nem pela J.K. – acreditem, eu procurei – Então eu fiz essa tradução besta em latim e achei que a fonética ficou legal.
Flagrate é um feitiço da série, aquele que a Hermione usou para marcar as portas do departamento de mistérios no quinto filme.
Kransekake é um bolo muito famoso na Noruega (Alguém aqui lembra que a reunião do conselho vampiro foi lá? Então). É feito em ocasiões festivas e tem um design de aros que formam uma pirâmide, e convenhamos, não há nada melhor do que algo doce para conquistar a atenção de Alvo Dumbledore.
"Ora, o último inimigo a ser aniquilado é a morte." Quem se lembra da frase na lápide de Lílian e Tiago Potter levanta a mão ae! Eu gosto desse trechinho e achei adequado colocar como uma leve ironia saída da boca de Hermione.
Sei que isso não tem nada a ver, mas escrevi boa parte disso aqui ouvindo o álbum "Ultraviolence" da Lana Del Rey. A música que eu coloquei no meio do capítulo é chamada "Cruel World" e a frase que eu usei solta dizendo que Hermione acha que fica bonita quando chora foi uma referência à música "Pretty When You Cry". O álbum todo é bom, recomendo.
Não menos importante, Dedrobatidae é uma família de anfíbios que pertencem à família anura. Literalmente umas rãs capazes de matar. Produzem uma neurotoxina chamada batracotoxina, quarenta microgramas dessa belezinha (sim, vocês leram microgramas) são capazes de matar.
Fruto de sabugueiro é venenoso mesmo, vocês podem dar uma olhada nessas substâncias no google, acho interessante. (a psicopata aqui sempre gostou de coisas venenosas)
Agora vamos à parte legal: pra quem não lembra a Terceira Lei de Golpallot e o Revelecanto de Scarpin fazem parte da saga sim! Eu estava pensando aqui em sobre o que colocar como tema de poções e lembrei-me disso. Dei uma pesquisada e achei um material de poções muito bom (bendita seja a internet) e lá estavam eles. Dei uma resumida e achei que a definição ficou boa.
Escolhi Greenwich como bairro para ter ser o lugar onde os pais de Hermione morarem simplesmente por ser um bairro mediano. Não é absurdamente caro e nem pobre, afinal os Granger são dentistas e lá fora dentista ganha bem.
Se eu deixei escapar alguma coisa é só deixarem um review que responderei no próximo capítulo.
2Dobbys, você não faz ideia da alegria que senti ao ler o teu review! Sério, me tocou bastante. Obrigada pelos elogios, não é todo dia que "ouço" o que você disse, me esforço muito para construir a fic e fico feliz que esteja agradando tanto alguém.
Também estou me sentindo orgulhosa por ter uma leitora de Portugal! (ego inflado aqui hehehe)
Realmente, a fic no início não saiu, nem de longe, do jeito que eu gostaria que ela tivesse ficado. Massss nove anos depois ela chegou nesse nível, óbvio que eu já tinha postado uns capítulos nesse meio tempo, na realidade os recentes são os do vinte para cá. Subi um pouco o meu nível de escrita (eu acho) por que andei escrevendo muito por aí. Infelizmente não estou tendo cabeça para As Flores do Mal agora, estou com um projeto de capítulo, por assim dizer, mas nada muito substancial. Acho que não vou sossegar enquanto não terminar essa.
Espero que tenha gostado desse capítulo e que opine. Saiba que vou sempre levar as suas opiniões em consideração. Mil beijos!
