Todos os personagens pertencem a Masashi Kishimoto. A história é de autoria de Carina Rissi do seu livro Mentira Perfeita.
Essa fanfic é uma adaptação.
Capitulo 25
Sakura
Eu tentei empurrá-lo... Tá legal, não tentei. Mas também não o encorajei!
Quer dizer, não acho que enroscar os dedos em seu cabelo tenha sido um encorajamento.
Como das outras vezes, aquele torpor dominou meu corpo instantaneamente. Ainda era estranho, mas de um jeito diferente agora que eu sabia o que ele significava. O beijo foi mais longo que o primeiro que ele me dera ali, naquela mesma sala. E mais úmido também. No começo fiquei imóvel, surpresa demais para reagir, mas, quando não o repeli, ele começou a mover a boca contra a minha de maneira sutil. Seus lábios se encaixaram e sugaram os meus, e no mesmo instante uma corrente elétrica chispou dentro de mim, me chacoalhando de leve.
Sei que eu devia ter impedido aquilo, mas aquela vozinha dentro de mim começou a berrar: Mais, mais, mais!
Tão inesperadamente quanto me agarrou, ele se afastou. Suas mãos, no entanto, permaneceram em meu rosto, os olhos atrelados aos meus, e eram tão intensos, tão profundos, que senti como se imergisse naquela escuridão. E o mais confuso é que eu podia jurar que ele também se sentia daquela maneira, mergulhando no desconhecido.
— Que belo par vocês formam! — tia Tsunade se derreteu, logo atrás de mim.
Sasuke libertou meu rosto no mesmo instante, parecendo tão atordoado quanto eu. Minhas bochechas ficaram tão quentes que achei que a pele pudesse se desprender dos músculos.
— Bem, acho que está na hora de eu me retirar — ela brincou, alegre. — Vou apenas dar um jeito na cozinha e já deixo vocês dois em paz.
— Nada disso, tia — atalhei. — Eu arrumo tudo.
— Meu amorzinho, você trabalhou durante todo o fim de semana! E eu fiquei aqui vendo a Kushina fazer tudo sozinha. Você não pode exigir tanto de si. Nem pode trabalhar tantas horas assim. Vai fazer mal. Escute o que eu digo, Saky: o mundo vai continuar o mesmo na segunda-feira, ainda que você não consiga cumprir o que foi proposto.
Ela dizia aquilo porque não conhecia Sarutobi.
— Esse seu coração já teve emoções demais por uma noite — insisti. — Além disso, um pouco de louça suja não vai me matar.
— Isso aí — Sasuke interferiu. — Vou ajudar a Sakura. Limpamos tudo rapidinho. Pode ir descansar, dona Tsu.
Ela soltou um pesado suspiro.
— Está bem. Então vou deixar vocês dois mais à vontade. Aposto que estão desejando um pouquinho de privacidade — e me deu uma piscada tão discreta que até a dona Shizune, três casas distante, devia ter visto.
Assim que ouvi o ruído da porta do quarto dela se fechar no andar de cima, comecei a retirar a mesa. Sasuke me ajudou, acomodando um grande número de pratos e talheres em seu colo e os levando para a cozinha.
— Desculpa por ter te beijado daquele jeito. Eu... — ele começou.
— Tudo bem. Você precisava me fazer calar a boca. — Amarrei o avental na cintura. — Eu entendi. E... humm... — Rodei o anel em meu dedo, um pouco nervosa. Relanceei a porta da cozinha e baixei a voz. — Sasuke, me diz que isso não é uma joia de verdade.
— Não é.
Ainda bem!, pensei, ao retirar o anel e o colocá-lo na mesa. Não era porque se tratava de uma bijuteria que eu iria estragá-lo.
— Sakura, desculpa por ter feito o pedido sem te avisar. Achei que assim tornaria a coisa mais natural, já que você não sabe fingir. Eu realmente não fiz por mal.
Sacudi a cabeça.
— Tá certo, Sasuke. Não muda muita coisa. O casamento já está contratado. A tia Tsu só tem um novo sonho para sonhar agora. Eu... — Limpei a garganta. — ... agradeço pelo que você fez.
Ele me olhou desconfiado.
— Você não está brava comigo?
— Ah, eu estou. Tão furiosa que quero arrancar sua cabeça e jogar futebol com ela. Mas eu não via minha tia tão corada assim desde... desde o ano passado, eu acho. Você a fez muito feliz esta noite.
— E você faria qualquer coisa para vê-la assim de novo, não é? — Sasuke perguntou suavemente.
— Ela é tudo pra mim. — Abri a torneira e comecei a lavar a louça. — Então eu vou dormir na sua casa no fim de semana?
— Mas não precisa fazer essa cara. Meus pais também vão estar lá. Você nem precisa ficar durante todo o fim de semana. Apenas uma noite deve bastar para que eles vejam que você é real. Relaxa.
Me limitei a olhar para ele.
Ele soltou um suspiro aborrecido.
— Esqueci que você não sabe fazer isso.
— Claro que eu sei! — falei, ofendida, encaixando o prato no escorredor de louças. — Eu relaxo o tempo todo!
— Claro... — ironizou, pegando o prato para secá-lo.
Ficamos em silêncio por alguns minutos. Apenas o barulho da água e o repicar da porcelana que às vezes se chocava eram ouvidos.
— Sakura, eu estava aqui pensando... — Ele me analisava com atenção agora. — Por que você não tem carro? Vocês moram meio fora de mão.
— Não deu certo ainda conseguir minha carteira de habilitação.
— Por que não? Se quiser, eu posso te ajudar com a papelada.
Sacudi a cabeça.
— Agora não dá. Preciso economizar. Não sei como vai ser o futuro, os gastos que podem surgir. Preciso garantir que a tia Tsunade tenha todo o suporte necessário.
Ele se manteve calado, deliberando. E pareceu um pouco sem jeito ao indagar:
— Posso fazer uma pergunta bastante pessoal?
Eu me virei para ele.
— Hummm... Pode, já que eu posso escolher não responder.
— É justo. — Terminou de secar a tigela e deixou sobre a mesa. — Pelo que eu entendi, sua tia criou você.
Fiz que sim com a cabeça, um pouco receosa de onde aquilo iria dar.
— Por que você não a chama de mãe, Sakura?
Não era a pergunta que eu esperava.
— Bom... eu acho que... que é porque... — Suspirei. Estava tão cansada de me esquivar daquele assunto. — Quando se convive com um fantasma, você tem medo.
— De quê? — ele perguntou, sem entender.
— De que ela voltasse para me assombrar. Minha tia tinha esperança de que um dia a mulher que me pariu pudesse voltar... que seria boa — me ouvi dizer. — Era irmã dela, né? A tia Tsu teve fé até o fim.
— E ela não voltou — ele concluiu, com delicadeza.
— Claro que voltou. Mais de uma vez até. Batia na porta querendo dinheiro para comprar aquelas porcarias. Quando a tia Tsu se recusava, ela ameaçava me levar embora. Eu vivia com medo. Foi... foi um alívio quando descobri que ela tinha tido uma overdose. Achei que o pesadelo acabaria, mas ela continuou me perseguindo em sonhos. Não consigo dormir com todas as luzes apagadas. — Terminei com a louça, fechei a torneira e girei, apoiando o quadril e as mãos na pia. — Bem idiota, né?
— Não é. Eu sinto muito. — Muita coisa cintilou naquelas íris negras. Pena e compaixão eu consegui reconhecer. Outras, porém, não soube decifrar. E foram essas que fizeram meu coração martelar contra as costelas.
— Eu... — comecei ao mesmo tempo em que Sasuke dizia:
— Acabei de lembrar que...
Acabamos rindo, constrangidos.
— É melhor eu ir. Já está tarde. — Sasuke pendurou o pano de prato no encosto de uma das cadeiras.
— Eu te acompanho até o carro.
Andei ao lado dele até chegarmos ao seu Honda. Dessa vez ele guardou a cadeira no banco do carona.
— Então, a que horas eu devo chegar no sábado? — questionei.
— Quando puder. Meus pais devem aparecer no fim da tarde.
— E o que eu devo vestir?
Ele refletiu por um instante.
— Minissaia branca e camisa justa, com os primeiros botões abertos, seria o ideal.
Revirei os olhos.
— Nem nos seus sonhos.
— Nos meus sonhos você não usaria nada, Pin. — Abriu um sorriso cafajeste.
Eu já estava pronta para mandá-lo à merda, mas me detive.
— Pin?
— Pinguinzinha é muito longo. — Deu de ombros. — Veste o que você achar confortável. Não precisa se preocupar com a sua aparência. Não é isso que eles vão julgar.
— Vão julgar o quê, então?
Seu olhar percorreu meu rosto — cada ângulo dele — e se deteve em minha boca. Aquela dormência recomeçou, como se ele tivesse acabado de me beijar.
— Eles vão avaliar se você é capaz de me manter inteiro. — Ele estava absolutamente sério ao me encarar. — E isso, acabei descobrindo faz pouco tempo, só você pode.
Franzi a testa. Que diabos aquilo queria dizer?
— Até amanhã. — Deu partida.
— Amanhã? Achei que ia te ver de novo só no fim de semana.
O clima se tornou mais leve conforme toda aquela intensidade abandonava sua face e a diversão regressava.
— Ah, não. Ainda temos muito o que aprender um sobre o outro. Além disso, sua tia é old school. Deve estar esperando que eu venha cortejar você todo dia.
— Não temos que seguir essa linha — falei, na defensiva.
— Talvez. Mas assim vai ser mais divertido. Sonha comigo, minha Pin. — Ele engatou o carro e se afastou, me deixando ali na calçada, consternada.
— Não sou sua Pin! — resmunguei para o nada.
Já ia fechando o portão quando reparei que a luz do quarto de Naruto ainda estava acessa. Atravessei a rua e subi a escada lateral que dava no segundo andar. Ergui o braço para bater, mas a porta se abriu antes.
— Já não aguentava mais essa demora. Fiquei espiando a cada cinco minutos para tentar ver um pouquinho do Sasuke, e não acredito que acabei perdendo! — Ele pegou meu braço e me puxou para dentro. — Minha mãe disse que você está noiva!
— Pois é. — Ergui a mão, exibindo o anel.
— Sakura! — Seus olhos se arregalaram, ao passo que ele pegava meus dedos e os aproximava do rosto.
— Lindo, né? Nem parece que é bijuteria.
— Hã...
Não gostei daquele hã. Aquele hã não era bom. Aquele hã significava que eu tinha dito alguma coisa errada. "Lindo" não devia ser, porque o anel era mesmo muito bonito, então só restava a parte da "bijuteria".
Ah, não!
— Naruto, por favor, me diz que não é o que eu estou pensando.
— Hã...
— Não pode ser um diamante de verdade!
Ele se sentou na cama, soltando minha mão, que pendeu como um sino, e de repente pareceu pesar tanto quanto.
— Mas é, Sah. Eu o reconheceria a quilômetros de distância, mesmo que não tivesse vendido um desse dois dias atrás. Como é esse Sasuke?
Não. Pior que aquele anel ser uma joia de verdade, só se fosse da joalheria onde o Naruto trabalhava. Tudo ali custava mais que a minha casa!
— Moreno, olhos negros, um queixo... humm... marcante — fui dizendo.
— Grandalhão? Cadeirante? Lindo de doer?
Fitei o anel, horrorizada. Subitamente, ele parecia me queimar. Sasuke não podia ter feito isso!
— Calma, Sakura. É só um anel.
— Só um anel? Da joalheria em que você trabalha? Só um anel?!
— Tem toda a razão. Não é só um anel. — Tornou a pegar minha mão para admirar a peça. — É um anel maravilhoso.
— E ridiculamente caro! Meu Deus! Tenho que devolver pra ele.
— E vai dizer o que pra sua tia?
— Que eu perdi, ué. Por que raios ele me comprou um anel de diamante?
— Eu não sei, cereijinha. Você vai ter que perguntar pra ele.
Ah, e eu ia. E depois o esganaria!
Ainda pensava nisso meia hora depois, quando deixei o quarto do meu amigo e atravessei a rua deserta, brincando com o anel em meu dedo.
Continua!
Bela21 e minha diva Obsidiana Negra obrigada pelos comentários, esse capitulo é dedicado a vocês!
OBS: cadê Rock N Roll, Perdida e O Que Ele Respira?! Tô para não aguentar de curiosidade, suas adaptações são as melhores *...*
