Finalmente consegui voltar... Obrigada por terem me esperado com paciência. Os enjoos de início de gravidez finalmente estão cedendo e estou tentando tirar o atraso das minhas mil ocupações. Ufa! Enfim, quis Mahal que me recuperasse na semana de estréia de O Hobbit - A Desolação de Smaug e aqui estou. Um abraço a todos e mais uma vez obrigada a:

Sadie (Obrigada, obrigada, obrigada, obrigada, obrigada, obrigada, obrigada, obrigada!) Suas sugestões são maravilhosas!

Reggie Jolie autora de Of Elves and Humans, que agora se chama Um Conto Sobre Esperança e está cada vez melhor! (Que o ano acabe logo para podermos ter mais atualizações de suas fics!)

Gessi - Ane Sekhmet ('As Areias do Tempo' - atualizada e emocionante!) (Rendição! - Com o Rei Élfico que anda abalando corações...)

Dani ("Se Você Partir" "O Destino de Pádme!" e "O Mistério do Rei") Nem sei mais qual fic recomentdar! Ela voltou com tudo!

Vindalf Dvergar, (Jornada Para Erebor) , essa fic deixou saudades.

Marina, querida Marina, beijos!

Gilda H, SAUDADES!

Danda, obrigada por seu carinho sempre presente.

Anna Pantelarou, thank you!

Nim , obrigada por seu carinho, mellon!

Marcela (Soi) - O que aconteceu com Outono? Saudades da Rainha Dourada!

Um forte abraço em Myriara, minha eterna mestra, cujas palavras sobre esse texto me trouxeram uma alegria que não consigo descrever!

Um 'xero' nos que leram e não puderam comentar. Grata por me brindarem com seu carinho que lamento não poder agradecer à altura. E um grande abraço a todos do Tolkiengroup.


Frigga estava calada. Seus pensamentos dirigidos ao marido que deixara para trás, escondido em meio às muralhas da grande fortaleza. Ela realmente acreditava que ele as usava como escudo, não apenas contra inimigos de seu povo, mas também contra si mesmo.

A noite anterior fora tão intensa. Algo entre eles estava sendo estabelecido, solidamente, firmemente. Contudo, Frigga ainda não sabia dizer do que realmente se tratava. Amizade? Cumplicidade? Parceria? A princesa sorriu, lembrando-se do toque dos dedos dele em seus lábios. 'Acho que algo mais se insinua...', pensou consigo mesma, passando os dedos pelos próprios lábios. Perguntando-se se já não seria hora de se deixar levar pelas investidas do rapaz.

A princesa cavalgava, distanciando-se de Erebor, porém sua mente ainda parecia estar dentro das grandes muralhas, onde Thórin permanecera.

- Minha companhia não a está agradando, minha senhora? – indagou Balin, fazendo com que elao olhasse assustada no mesmo instante.

- O quê? – arguiu atordoada.

- Perguntei se minha presença a aborrece, alteza – repetiu complacente.

- Oh, não, claro que não, Balin. Estava apenas distraída. Perdoe-me.

O velho anão sorriu.

- Distraída? Entendo...

- Entende?

- Mais do que imagina, minha cara. E penso que sua distração é mais do que justificada.

- O que sabe sobre minha distração, caro Balin? – perguntou, em meio a um sorriso.

- Sem dúvida tem algo a ver com certo príncipe que conheço.

Frigga riu francamente, antes de responder ao simpático comentário.

- Somente você, meu amigo, é capaz de me fazer rir numa hora dessas...

Balin se preocupou ante o comentário inesperado.

- Como assim, alteza? Algum problema?

- Gostaria de fazer algo por ele, Balin – disse Frigga, substituindo o sorriso por uma expressão mais sóbria.

- Pelo que venho percebendo, minha jovem, está fazendo mais do que qualquer um poderia fazê-lo.

- Não basta, meu bom amigo. Não é nada se comparado ao tipo de ajuda que necessita.

- O que tem em mente, alteza? – indagou o conselheiro.

- Bom, em primeiro lugar, gostaria de lhe pedir que não me chamasse mais assim.

- E como quer que eu a chame, então, princesa?

- Frigga.

- Não seria apropriado.

- Não chama Thórin pelo nome? Por que não fazer o mesmo comigo?

O velho khuzd*1 suspirou. Embora ainda não houvessem se entendido completamente, Thórin e Frigga eram mais parecidos do que supunham. E se a princesa, pelo que demonstrara até então, era possuidora de uma teimosia semelhante à do marido, seria inútil resistir. Quando queriam, as khazâd*2sabiam ser ainda mais persistentes que seus pares.

- De acordo, desde que seja apenas enquanto estivermos sozinhos – disse, piscando o olho – para que ninguém possa me acusar de quebrar qualquer protocolo.

- Como se nosso povo se apegasse a tal.

- Princesa...

- Feito – disse, concordando com a proposta do velho khuzd. Apreciava Balin, tanto quanto sua companhia.

- Neste caso, Frigga, diga-me: o que tem em mente? De que tipo de ajuda acha que Thórin precisa?

- De alguém que consiga fazê-lo compreender a origem desses pesadelos, para que possa evitá-los. Alguém que veja além do que vemos. Que veja além do que o próprio Thórin consegue ver.

Balin não estava gostando do rumo que aquela conversa estava tomando.

- Só existe uma raça na Terra-Média que é capaz de possuir esse tipo de dom, Frigga, e mesmo entre eles se trata de algo raro – disse o conselheiro, escolhendo cuidadosamente as palavras.

- Sei disso – retorquiu a princesa – todavia não vejo outra saída.

O anão mais velho balançou a cabeça, calculando as possibilidades.

- Thórin não concordaria nem em mil anos.

- Ele não precisa saber – disse a princesa ante o olhar confuso de Balin – pelo menos por enquanto.

- O que pretende, menina?

- Você saberá quando chegar a hora, meu bom amigo.

- Frigga, Frigga, já se esqueceu do que aconteceu ontem? Quando a ira de Thórin é desperta poucos são os que se quedam de pé. Principalmente em se tratando de elfos...

- Não vou ficar parada sem fazer nada, Balin, vendo-o consumir-se noite após noite sem ao menos conseguir saber o porquê – disse a princesa tão resolutamente que deixou o conselheiro incapaz de qualquer argumentação.

No entanto, este sorriu por dentro ante a genuína manifestação de preocupação da jovem pelo filho de seu coração. Também apreciou deveras sua determinação. Frigga parecia reconhecer o momento de avançar e recuar. Thórin encontrara alguém que lhe fizesse frente.


Chegaram finalmente à cidade de Valle.

- Creio que foi aqui que o vi pela última vez – disse a princesa apeando do pônei.

- Viu quem? O elfo? – indagou Balin, receoso das atitudes da jovem.

- Não, meu caro amigo. Tal assunto requer tato e eu ainda hei de amadurecê-lo.

- A quem busca, então?

- Eoth. O rapaz de cuidou de minha montaria na última vez em que estive aqui.

- É tão ciosa assim de seu animal que não consentiria que outro o cuidasse?

- Não, Balin, não é isso. Sua mãe está doente e prometi fazer-lhe uma visita.

A declaração da princesa intrigou Balin.

- Então era esse o compromisso inadiável ao qual se referiu quando me fez adiar uma reunião com os intendentes, alteza?

Frigga sorriu docemente.

- Não se zangue comigo, Balin – disse, usando do recurso feminino tão útil em todas as raças.

- Não estou zangado – retorquiu ele – apenas surpreso. Visitar a mãe de um cuidador de cavalos nunca esteve entre as prioridades das damas de Erebor.

- Por que tanta admiração, meu bom amigo? – indagou Frigga sorridente – além do mais, sei que lhe agradou muito mais a ideia de vir comigo do que quedar-se trancado com aqueles burocratas.

Balin nada respondera. Mirava a esposa de Thórin digerindo a nova informação sobre o caráter da jovem. Desposara o herdeiro de Erebor, contudo, agia com a simplicidade de uma menina.

- Por favor, moça – disse uma voz infantil puxando a saia de Frigga – esse anel é seu?

- Como essa joia foi parar em suas mãos, criança? – indagou a jovem surpresa em ver o anel que dera a Eoth nas mãos da menininha que quase lhe chegava aos ombros, mas que para a raça dos homens, era ainda muito nova.

- Meu irmão pediu para que eu esperasse aqui, caso a dona da joia aparecesse procurando por ele, como prometera. Pela descrição que me deu, vi que deveria ser a senhora.

- E por que ele não está aqui? – indagou a jovem preocupada.

- Está cuidando de nossa mãe. Com o colar que a senhora nos deu, pagamos um curador para vê-la. Ele nos deu um remédio para a ferida, mas disse que se minha mãe não descansasse pelo menos por uma semana, acabaria por perder a perna.

- Leve-me até ela – ordenou a princesa, entregando a Balin o cuidado com os animais.

- Alteza, creio que seria prudente que eu a acompanhasse. Foi para isso que vim.

Frigga hesitou, ainda incerta sobre qual seria a opinião de Balin a respeito do que tinha em mente.

- Promete não questionar nenhum ato meu?

Balin apenas assentiu. Diante da grandeza de alma demonstrada pela princesa das Colinas de Ferro, o velho khuzd já não se via no direito de questionar qualquer ato ou palavra sua.

Os animais foram entregues aos cuidados de um estalajadeiro conhecido do conselheiro, antes que Frigga e Balin se pusessem a disposição de sua guia.

A menina os conduziu para longe do agitado centro comercial da cidade. Aos poucos as ruas adquiriram um aspecto totalmente diverso ao que os khazâd estavam acostumados a ver na cidade dos homens. Passaram por ruas mal cuidadas, habitadas por pessoas humildes, até que estas se transformaram em becos onde famílias inteiras se amontoavam em pequenos cômodos.

- Jamais imaginei que esta cidade tivesse um lado tão sombrio – declarou Balin.

- Varrem para baixo do tapete a sujeira de sua ambição. E é a nós que acusam de avareza.

Chegaram finalmente ao quarto que abrigava a pequena família de Eoth. O menino ajudava a mãe a se deitar quando a porta se abriu e a irmã entrou seguida pelos khazâd.

- Temos visitas, mamãe – disse alegremente a pequena.

A senhora enferma mal podia acreditar no que seus olhos viam. Anões eram conhecidos por sua pouca familiaridade com os outros. Tampouco jamais eram vistos em lugares como aquele. Sua imagem era associada à riqueza e pompa.

- Minha senhora! – disse Eoth surpreso – não precisava ter vindo! Minha irmã...

- Sua irmã nos trouxe aqui a meu pedido, meu jovem – explicou erguendo a mão - Prometi que viria e sempre cumpro minhas promessas.

Frigga pôs os olhos na senhora que o rapaz ajudava, enternecida com a cena.

- Essa é sua mãe?

- Sim.

- Como se chama, senhora? – indagou Frigga à mulher.

- Naeth.

- Naeth, filha de...

- Filha Bard – respondeu sem esconder a hesitação.

- Bom, senhora Naeth. Meu tempo é breve. Gostaria de lhe fazer algumas perguntas se não se importa.

A mulher olhou o filho.

- Pode confiar nela, mamãe.

Frigga aproximou-se abrindo os braços e oferecendo um sorriso.

- Não lhe farei mal, senhora. Posso lhe assegurar.

Naeth assentiu.

A princesa olhou a perna envolta em bandagens.

- Sobre este mal, o que disse o curador?

Frigga leu nos olhos da mulher o temor que mal podia disfarçar e tentou acalmá-la:

- Sei o que muitos de seu povo pensam ao nosso respeito, senhora. Todavia acredite quando lhe digo que minhas intenções são as melhores possíveis.

- Sempre me fora dito – comentou a mulher, ainda incerta – que anões não mereciam confiança. Peço que me perdoe por minha hesitação.

A princesa assentiu, lamentando interiormente haver tanta incompreensão entre os povos de Arda. Elfos, anões e edain. Sempre se digladiando e alimentando desconfiança mútua.

- Não há o que perdoar. Contudo, como disse antes, meu tempo é breve. O que falou o curador?

- Que estarei boa em algumas semanas se me cuidar.

- Como costumava ganhar a vida?

- Fazia de tudo um pouco, antes de adoecer. Lavava roupas, limpava casas, estabelecimentos... e pretendo voltar a fazê-lo logo que...

- Não voltará – interrompeu Frigga erguendo a mão – Eoth, aproxime-se.

- Sim, minha senhora.

- Pode me acompanhar por alguns momentos, enquanto sua irmã fica aqui com sua mãe? Prometo que voltará em breve.

O menino fitou a mãe que concordou, ainda que atônita diante das palavras e atitudes da dama.

Frigga conduziu o menino e Balin de volta ao centro comercial da cidade.

- O que pretende com tudo isso, alteza? – indagou o conselheiro, esforçando-se em acompanhar o passo acelerado da princesa.

- Em alguns instantes sua curiosidade será satisfeita, meu bom amigo – respondeu a jovem.

Chegaram a uma das ruas mais movimentadas da cidade. Mais precisamente ao comércio do homem que ofendera seu povo no dia anterior. O mesmo estava lá, despachando um cliente. Frigga aguardou pacientemente enquanto o negócio era finalizado. Quando o cliente se afastou, a jovem fez com que sua presença fosse percebida pelo mercador.

- Como tem passado, meu senhor? – indagou ao dono do comércio.

- Você outra vez? – perguntou o homem rudemente ante a inesperada aparição.

Balin fez menção de se pronunciar diante da forma como aquele ninguém tratara a esposa de Thórin. A mão erguida de Frigga foi o bastante para impedi-lo.

O mercador reconheceu o velho anão. Sempre acompanhava o neto de Thrór quando este vinha à cidade. O fato do mesmo haver se detido diante de um simples gesto da moça intrigou o homem que assumiu uma posição de maior cautela.

- Gostaria de saber se seu comércio ainda está à venda – indagou Frigga objetivamente.

- Como disse? – questionou o comerciante ainda incrédulo diante das atitudes da moça.

- Creio que ouviu e entendeu perfeitamente minha pergunta.

- Sim, está.

- Entendo. E de quanto estamos falando? Inclua todo o estoque e os cômodos de cima que por certo lhe servem de moradia.

- Está me propondo um negócio? – indagou sem conseguir acreditar – quem é você afinal?

Balin abriu a boca, impaciente diante dos modos do mercador para com Frigga.

- Basta-lhe saber que sou alguém que pode lhe pagar muito bem – respondeu mostrando a bolsa recheada de moedas.

- Bom, considerando dessa forma... – disse o comerciante com os olhos fitos no conteúdo da sacola nas mãos da princesa.

- Não se esqueça de que está tratando com uma do povo de Dúrin, meu senhor – interrompeu Balin seguindo seus instintos de negociante – não tente se aproveitar de nossa prodigalidade.

- Vinte pesos de ouro, então.

- Feito – respondeu Frigga - Como se chama?

- Haleth, filho de Atnor.

- Aqui tem vinte e cinco para que hoje ao final do dia os cômodos superiores estejam livres para receber a nova proprietária – disse Frigga.

- Minha senhora – gaguejou o homem – é pouco tempo para...

- Quer receber apenas vinte e sair em uma semana, como é o costume? – disparou Balin usando de seu arguto senso de oportunidade.

- Não, quer dizer... poderá ser arranjado sem dúvida!

- Ótimo. Balin. Redija o contrato. Já sei que sempre traz alguns consigo. Que a transação seja feita em benefício de Naeth, filha de Bard.

O conselheiro pôs-se a trabalhar, surpreso, porém contente com o que estava fazendo.

O velho comerciante esfregava as mãos diante do lucro inesperado que obtivera, já sem se importar de onde viria o ouro ou como aquela que julgara uma criada, conseguira tal quantia.

O valor foi pago. O contrato, assinado e entregue à Eoth.

- Aqui está, meu jovem.

O menino se ajoelhou beijando a mão de Frigga para desespero da anã.

- Pare com isso, rapazinho ou desfaço o negócio agora mesmo.

- Como poderemos retribuir-lhe tamanho favor, minha senhora?

- Sei que saberão ajudar aqueles dentre os seus quando estiverem estabelecidos aqui. É o que me basta.

- Permite-me o atrevimento de lhe fazer mais um pedido, minha senhora?

- E qual seria?

- Conceda-me a graça de me dizer seu nome, para que eu possa incluí-lo em minhas orações a Ilúvatar.

- Meu nome? – Frigga hesitou.

Balin, contudo, não perderia a oportunidade.

- Peça em suas orações, meu jovem, por Frigga, filha de Nain, princesa das Colinas de Ferros e esposa de Thórin, filho de Thráin, futura Rainha do Povo de Dúrin e Senhora de Erebor.

O menino quedou-se petrificado. Soubera do grande acontecimento que havia sido o casamento do neto de Thrór e da aliança poderosa firmada entre os dois reinos anões. Frigga aproximou-se segurando-lhe o rosto com as mãos como fizera no dia anterior, quando se conheceram.

- Creia-me, são demasiados títulos, para alguém como eu. Não se deixe impressionar por eles, Eoth. Saiba que pode contar comigo e me abordar na rua sempre que precisar.

- Ilúvatar a abençoe, minha rainha.

- Não sou sua rainha, menino, meu povo não governa sua cidade.

- Não foi nosso governante que devolveu a vida a minha família – disse abraçando o contrato contra o peito com os olhos marejados.

- Vá – ordenou Frigga.

Haleth quedara-se petrificado olhando o desenrolar da cena sem saber que atitude tomar.

- Quanto ao senhor, Haleth filho de Atnor, fico feliz de tê-lo privado da companhia desses anões arrogantes, avarentos e prepotentes que o senhor tanto despreza. Passar bem – disse antes de sair com passo acelerado obrigando Balin a ter que correr para não perdê-la de vista.