Only Time

Capítulo 23 - O poder da música

Molly estava possessa. Até mesmo uma simples consulta virava um trauma para toda vida quando Lúcio Malfoy estava envolvido.
-Você é realmente um louco! Olha o estado dessas crianças! - ralhou Molly, ao secá-las e limpá-las com feitiços, o que deixou os cabelos revoltos de Hermione mais selvagens ainda.
Hermione aceitou passivamente os cuidados de Molly, Bele já era uma história totalmente diferente. Quanto aos feitiços, não teve muito o que fazer, mas quando a mãe do Fuinha fez menção em querer ajeitar seus cabelos com as mãos a jovem veela, usando seus reflexos de apanhadora, fugiu para o lado de seu pai com um expressão fechada.
-Ela diz que eu sou louco, Bob - comentou Lúcio, chamando atenção de todos - Dá pra acreditar nisso? - completou, encarando para a cadeira vazia do seu lado do seu lado esquerdo, fazendo alguns à mesa rirem.
Narcisa podia jurar que estava adquirindo um tique nervoso. Sua sobrancelha direita tremia ao ver a cena.
-Você se acha engraçado, seu irresponsável inútil? Elas podiam ter se machucado! - gritou Molly, chamando atenção do restante da lanchonete.
-Bob acha que sou - comentou Lúcio, fazendo uma veia saltar na têmpora de Molly.
Remo, sabiamente, ao ver que aquilo evoluiria para mais um clássico Malfoy x Weasley, decidiu mudar o rumo da conversa.
-Mas então, vocês não nos disseram que exatamente o que aconteceu na consulta - começou, conseguindo chamar atenção de Molly que pareceu se acalmar.
Instintivamente Draco se encolheu na cadeira com o rosto vermelho, ao se lembrar da cena.

*Flashback*
Num instante lá estava ela, deitada na maca, e na outra sendo coagida a ficar numa posição no mínimo humilhante.
-Viu,não foi tão difícil, não é? - disse a médica bondosamente, sentando-se aos pés da menina - Agora sente-se bem na ponta e abra as pernas.
Certamente aquela médica não poderia estar falando sério, não é? Aparentemente ela estava, e gelou ao sentir mãos tentando abrir suas pernas.
-Vamos querida, não temos o dia todo - disse a médica, trazendo Bele para o canto da mesa e a colocando na posição.
Não sabia dizer o que a levou a cooperar, mas o fato é que agora estava lá, como um frango. Nada poderia ficar pior que aquilo não é?
-Agora diga "Ahhhhhhh" - disse a médica, acendendo a luz presa à sua testa - Estou só brincando - riu, ao colocar suas luvas cirúrgicas, e abaixar-se.
Numa hora estava vendo todos os movimentos da médica, e no outro ela simplesmente sumira atrás da maca!
Foi então que sentiu uma sensação estranha, e ao se dar conta do que era ela viu vermelho.
Desse ponto em diante, apesar das memórias borradas, ela sabia o que tinha acontecido. Ou pelo menos tinha uma boa idéia do que poderia ter sido.
Lembrava do rosto apavorado da médica encolhida num canto da sala e do barulho horrível que ela fazia, de seu pai entrando com a Sanguinho enquanto ralhava por ela ter colocado fogo na sala, da Sanguinho falando algo numa língua estranha. E lembrara claramente do seu pai, tentando fazer com que a mulher ficasse calma o suficiente pra dizer o que conseguira descobrir com aquele breve exame.
Lembrava também do seu pai discutindo com Hermione, que não gostou nem um pouco quando ele apagou as memórias da médica.
-Controle-se - ordenou seu pai, segurando seus ombros ao olhar em seus olhos.
Depois disso, o mundo pareceu claro de novo e ela viu sua amiga com os olhos esbugalhados olhando em sua direção.
*Fim do Flashback*

-Sem mini Potters correndo por aí - respondeu Lúcio, ao brincar com a tampinha do catchup - Estou entediado - declarou ao se levantar.
Porém, antes que chegasse na saída foi abordado por um trouxa, que aparentava não ter mais que vinte e poucos anos, que fez menção em tocá-lo. Antes que tivesse a chance, Lúcio torceu seu braço, atirando-o no chão.
Todos na lanchonete olharam ao ouvir um barulho estrondoso que o rapaz fez ao cair.
-Não fui eu, foi o Bob - gritou Lúcio para a mesa onde estava Molly, antes de sair.
-Não sei como você aguenta ele - comentou Molly, enquanto a sobrancelha de Narcisa ainda tremia - Ele é muito infantil. Nem parece a idade que tem.

Artur o observara nos últimos dias e tinha que admitir que o futuro ex-amigo não parecia que tinha mais que 26 ou 27 anos. Parecia que o tempo tinha congelado ali. Porém, apesar do físico parecer jovem e das brincadeiras e provocações lembrarem e muito quando eram jovens, ele conseguia notar algo mais profundo ali. Não era algo fácil de se ler, mas em alguns instantes, quando Lúcio estava com a guarda baixa, Artur conseguia vislumbrar algo mais profundo, mais sério, triste até. E não gostava nem um pouco.
-Talvez eu deva ir atrás dele... só pra garantir que ele não se meta em mais confusões - se prontificou Artur, levantando.
-Grande idéia. Eu vou junto - disse Sirius.
-É claro que vai - comentou Remo, com um sorrisinho divertido para o amigo.
-Vá se ferrar, Aluado - xingou Sirius, indo atrás de Artur, que já estava na porta - Vai vir ou não? - perguntou contrariado.

Aprovitando a deixa, Gui e Fleur aproveitaram para irem passear a sós. Molly e Narcisa arrastaram Carlinhos e Gina para a loja de roupas, enquanto o restante ficou passeando pelas inúmeras lojas de uma rua de bastante movimento. Para não se perderem, marcaram de se encontrar na loja de discos, onde Lúcio provavelmente estaria, de acordo com Narcisa.
-Foi tão horrível assim? - perguntou Harry, como quem não quer nada, fingindo olhar uma camiseta.
-Vai parecer o Wally com essa blusa listrada - comentou Hermione, que estava na arara do lado - ou o Freddie Krueger - pensou em voz alta.
-Quem diabos é Wally? - perguntou Rony confuso.
-Foi horrível - respondeu Bele com um semblante sério.
Mas percebeu que suas palavras tiveram um efeito absurdo em Harry, pois em questão de instantes, ele pareceu murchar.
-Eu pensei que ia ser legal... ter um ou dois filhos - tentou explicar, ao ver a expressão preocupada da namorada - Mas se você não quiser, sem problemas - terminou tentando dar um sorriso, o que obviamente saiu meio forçado.
Harry não esperava a expressão de horror e os olhos marejados de Bele. Ele até sorriu, não foi? Se ela não quisesse filhos, sem problemas. Ainda teriam um ao outro, e isso era o que importava. Seriam uma família de qualquer jeito. Pequena, mas ainda assim uma família.
-Não, você entendeu tudo errado - disse Bele, agitando as mãos a sua frente - Quis dizer que a consulta foi horrível. Aquela estranha, com aquela luz bizarra na testa, com aquelas luvas horríveis e aqueles dedos finos que tocavam o que ninguém deveria tocar além de você. Isso foi horrível! - explicou Bele, agitada - Se a idéia de mudar pra uma ilha deserta com você já é ótima, que dirá ter filhos! Não agora, claro. Pois somos muito novos. Mas quem sabe no futuro? Depois que casarmos e - parou, ao ser interrompida por um beijo.
-Sério, parei de ouvir quando você falou do lugar que só eu podia tocar - riu Harry, ganhando um tapa no ombro - Amo você - murmurou, ao abraçar Bele, descansando sua cabeça em cima da dela.
-Mais um pouco e eu vomito - reclamou Rony, da arara do lado.

Remo estava se sentindo dentro do seriado trouxa "Os três patetas" enquanto ele, Sirius e Artur olhavam a veela pelo lado de fora da vitrine.
-Agora seria uma boa hora pra você nos contar porque realmente viemos pra cá, Artur - disse Remo.
-Como assim? Vim me certificar de que ele não não atacaria mais nenhum trouxa - tentou despistar Artur.
-Ele ficou a maior parte do tempo vendo os discos e as aparelhagens. Não vejo nenhuma atitude estranha aí. Vamos entrar logo lá. Tem uma guitarra ali que está me chamando - comentou Sirius ansioso como uma criança, enquanto seus dedos se mexiam de certo ao ritmo de alguma música que só ele escutava.
Porém, quando fez menção de entrar, seu braço foi segurado pelo ruivo, que estava com o rosto baixo.
-Nós fomos amigos - começou tentando achar as palavras - Mais que amigos, quase que... irmãos. Família, entendem? Mas eu fiz algo que me arrependi, mas já era tarde - completou, chamando a atenção dos dois.
Sirius e Remo se olharam por um instante e sorriram.
-Entendo o que quer dizer, mas se você não tentar se aproximar isso nunca vai mudar - comentou Remo.
-O não você já tem, o máximo que pode conseguir é um sim - concordou Sirius - A vida é curta, Artur. E estamos no meio de uma guerra. Você não vai querer esperar muito mais tempo, vai? - disse, empurrando o ruivo para dentro da loja.

Lúcio estava há um tempo na loja fuçando as novidades, pegou alguns cds e dvds de shows juntamente com uma aparelhagem de home theater nova.
E não pôde deixar de se surpreender quando viu alguém se aproximando tocando uma guitarra ao seu lado.
-Me acompanha? - perguntou Sirius, afinando a guitarra - Apostei com o Aluado que convencia você a pagar mico comigo, e que se não conseguisse sairia daqui sem as calças. E eu não estou nenhuma roupa de baixo. Então, provavelmente seria preso por atentado ao pudor e você teria que me tirar de lá já que eu não tenho muitos primos advogados - argumentou fazendo Lúcio rir.
Remo e Artur ficaram espantados ao ver que Sirius conseguira convencer a veela. E agora ambos iam em direção aos instrumentos, conversando de certo sobre qual música tentariam tocar. Rindo, Lupin foi ao encontro dos dois e pegou um baixo.
-Estou ficando velho demais pra isso - resmungou Artur, indo em direção ao grupo.

Sirius puxou a música, Remo acompanhou. Lúcio estava um tanto quanto incerto e meio sem graça, mas quando ouviu a bateria complementando o ritmo deixou-se levar, pegou a segunda guitarra e se posicionou na frente do microfone.

Help, I need somebody
Help, not just anybody
Help, you know I need someone, help!

When I was younger, so much younger than today
I never needed anybody's help in anyway
But now these days are gone, I'm not so self assured
Now I find I've changed my mind and opened up the doors

Help me if you can, I'm feeling down
And I do appreciate you being round
Help me, get my feet back on the ground
Won't you please, please, help me

E logo sua voz era a principal, enquanto os outros faziam os backing vocals

And now my life has changed in oh so many ways
My independence seems to vanish in the haze
But every now and then I feel so Insecure
I know that I just need you like I've never done before

Help me if you can, I'm feeling down
And I do appreciate you being round
Help me, get my feet back on the ground
Won't you please, please, help me

E ele não se divertia assim há séculos. Fazia tempo que não ficava tão em paz, rodeado de pessoas que o faziam rir. Essa sensação pertencia a outra época, uma na qual a vida era mais simples e ele mais inteiro.

When I was younger, so much younger than today
I never needed anybody's help in anyway
But now these days are gone, I'm not so self-assured
Now I find I've changed my mind and opened up the doors

Então, ele olhou para os lados, e viu o primo que acabara de ganhar com um sorriso enorme enquanto tocava, o ex-professor de sua filha que ele ajudara a mandar embora e que agora se tornara um amigo em tão pouco tempo também sorrindo e tomou um susto quando que o baterista era ninguém mais que Artur Weasley. E a cena era tão impressionantemente parecida com a de anos atrás, quando ambos tocaram no baile da escola, no dia em que ele pediu a namorada em casamento, que doía.

Help me if you can, I'm feeling down
And I do appreciate you being round
Help me, get my feet back on the ground
Won't you please, please, help me, help me, help me, oh

Quando a música acabou, Artur podia ouvir os gritos histéricos do amontoado de gente que juntou na loja, e viu Lúcio olhando pra ele com uma expressão desguardada que ele conseguia ler facilmente.
-Bom tocar com você de novo, Luc - disse ao colocar a mão sobre o ombro do loiro e ir em direção a família que estava entre a muvuca.

Sirius, sem pensar, pulou no pescoço de Remo, e em seguida puxou Lúcio pelo braço, abraçando ambos.
-A gente arrasou - comemorou com um sorriso enorme - Eu acho que você me deve algo, Aluado - virou para o amigo.
Remo apensas sorriu, e se livrando do braço do amigo, desabotoou - Segura isso aqui pra mim? - pediu Remo, entregando a calça que usara momentos antes para um ainda atordoado Lúcio.
Em seguida, ele deu um grito e saiu correndo em direção a saída, passando obviamente por aglomerado de pessoas que os assistiram tocar.
-Que diabos foi isso? - perguntou Rony, acompanhando o ex-professor passar por ele, enquanto tentava tapar os olhos da irmã.

-Nós não sabemos - disse George - Mas gostamos - completou Fred, enquanto ambos tirava as calças, jogando-as para Harry que ria e saíam correndo na mesma direção que Remo.

Fim do cap.23

Nota da autora¹: Nem preciso dizer que não foi betada, ne?

Nota da autora²: A música que eles tocam é Help!, dos Beatles. Quem não lembrar como é a música é só visitar esse link que tem o clip e a letra ./the-beatles/182/

Nota da autora³: Muito, muito, muito obrigada pelas reviews :) Vocês não tem idéia do quão fico feliz cada vez que leio uma. Muita obrigada mesmo.