Olá~!
Só para desejar um Feliz Ano Novo para todos~
Aproveitem o capítulo!
Capítulo 25 – Coisas que não devem ser ditas – Elisa Thompson
Pouco tempo depois do truque de mágica do Vladimir, o Rússia voltou. Aparentemente, ele encontrou com a Bielorrússia em outro lugar e percebeu a mentira. Quando viu as rosas em nossas mãos, perguntou se o Vladimir não conseguia materializar um girassol para ele, e infelizmente a resposta foi não. Digo infelizmente porque o Trio Báltico teve que empurrar o Rússia para a sala antes que ele começasse com o "kolkolkol" de novo...
O Polônia, a Liechtenstein e o Vladimir também foram para as salas deles, então Sachiko e eu estávamos sozinhas outra vez.
- Nunca achei que fosse conhecer um mágico aqui!
- Sachiko, você sabe que truques de mágica são só isso, truques, não sabe?
- Eh? Muito me admira você, Elisa-chan, que fala de magia pra lá e pra cá, não acreditando em mágica!
- "Magia" e "mágica" são coisas bem diferentes!
Tudo bem, talvez não fossem tão diferentes assim. Mas a verdade é que eu não suporto essas pessoas que fingem fazer mágica para impressionar os outros e ganhar dinheiro em cima delas.
Falando em mágica... Não contei para ninguém sobre o Minty. Ninguém ia acreditar em mim, de qualquer forma. Parte de mim quer acreditar que foi alucinação, mas a outra parte sabe que muito provavelmente não foi... O Minty vai ser um segredo só meu... e do Inglaterra. Por que eu tenho que dividir um segredo justo com ele?!
O tempo passou rápido e já era o sexto período, ou seja, gramática inglesa. Não pude evitar olhar com o canto do olho para a mesa do Inglaterra, mas ela estava vazia. Melhor assim.
- Oi, Canadá! – eu o cumprimentei assim que me sentei. Ele parecia um pouco deprimido. – Aconteceu alguma coisa?
- Não... Nada.
As coisas nem sempre vão muito bem com o Canadá. Já que quase ninguém enxerga ele, ele acaba levando alguns empurrões que facilmente poderiam ser evitados...
- Entreguei meu trabalho de Artes hoje no horário do almoço. Não queria esperar até quinta-feira, eu podia acabar esquecendo... Ah, a propósito. Você já sabe quem você vai desenhar? Ainda não ouvi você falar sobre isso.
- Bem... É por isso que eu estou meio pra baixo.
- Como assim? Se não tiver quem desenhar, eu estou disponível.
- Não está.
- Quê? Mas como assim?
- Passei na frente da sala de artes hoje e... Seu nome está riscado.
Do lado de fora da sala de artes, a professora Piazzato colou várias folhas com o nome de todos os alunos. Cada vez que ela recebe um trabalho, ela risca um nome, assim, ninguém poderá ser desenhado duas vezes. E, se por uma infeliz coincidência, alguém tiver feito um desenho de alguém que já teve seu nome riscado... Azar. Como dizem na minha terra, "first come, first served"[1]...
- Como assim? Como. Assim. Eu não combinei nada com ninguém! – exclamei, mas logo emendei: – Além de você, claro.
Essa era novidade para mim. Então, alguém havia me desenhado? Nenhum garoto havia me pedido. Então alguém me desenhou sem que eu soubesse? Quem foi o ninja que- O Japão? Não, o Japão com certeza teria pedido. Cheio dos "por favor" e "desculpe", ainda por cima. Grunhi e enfiei o rosto no meio dos meus braços cruzados em cima da mesa.
- Thompson-san? – me chamou o Canadá.
- Está tudo bem, Canadá – eu levantei a mão direita, numa tentativa tosca de sinalizar que tudo estava bem, sem levantar o rosto.
Acho melhor não gastar meus neurônios com isso.
Depois das aulas, eu não tinha nada para fazer, mas a Sachiko tinha Clube de Caligrafia no primeiro período, então eu não poderia ir me encontrar com ela. Meio sem saber o que fazer, fui para o pátio central. O prédio principal é como se fosse um quadrado, retirado um dos lados, fazendo uma abertura para o vão central, que é, obviamente, onde fica o pátio central.
Sentei-me em um dos bancos e, pouco tempo depois, vi esquilos correndo de um lado para o outro, provavelmente procurando por nozes. Não acho que sempre tenha animais por aqui, mas, com uma paisagem tão bonita em toda essa ilha em que estamos, é provável que os animaizinhos corram por tudo de vez em quando...
- Não esperava encontrar você aqui, Thompson-san.
- Digo o mesmo, Áustria.
- O Alemanha-san começou a se exaltar demais na reunião do Comitê Disciplinar e eu resolvi me retirar para espairecer. Alguma coisa sobre o número de alunos estar incontrolável agora.
- Não sabia que você fazia parte do Comitê Disciplinar, Áustria!
- Sim, eu faço – ele ajeitou os óculos. – Mas seria mais fácil se não tivéssemos que lidar com as explosões do Alemanha-san em todas as reuniões...
Um esquilo começou a se aproximar de nós, e percebi que o Áustria deu um passo para o lado oposto dele.
- Áustria, você sabe que esquilos não mordem, não sabe? Bom, a não ser que você os ameace, mas aí já é outra história.
- Sim, eu sei! – disse o Áustria com aquele tom de quem diz "está me tirando de idiota?". – Eu só não sei como interagir com eles.
Eu me ajoelhei e estendi a mão para o esquilo, esperando que ele se aproximasse para afagar seu pelo.
- Que pena. Animais pequenos são muito fofos...
Minha linha de pensamento foi interrompida por lembranças do Minty que eu queria esquecer. Parei de falar e me concentrei apenas no esquilo. Quando me dei conta, o Áustria estava segurando algumas nozes em uma mão, e tentando entregar uma a um esquilo com a outra. Não estava dando certo.
- Aqui, deixe-me tentar – eu peguei uma noz da mão do Áustria e, sorrindo, chamei o esquilo mais próximo balançando a noz no campo de visão dele. O esquilo hesitou por um tempo, e depois veio correndo. – Os animais sabem quando você está nervoso ou com medo. É só sorrir, que eles vão saber que está tudo bem.
O Áustria esboçou um sorriso e, de alguma forma, conseguiu atrair um esquilo.
- Existem muitos esquilos na Áustria, mas eu raramente tenho tempo de procurar por algum...
- Áustria-san? Elisa-chan?
Quem apareceu atrás de nós foi a Hungria. Eu não conseguia dizer se ela estava em estado de choque, com raiva ou um pouco dos dois. Algo me diz que ver o Áustria e eu ajoelhados na grama chamando esquilos não foi uma visão muito agradável para ela.
- Hungria-san? Achei que você estivesse no Clube de Natação...
- Eu não me inscrevi esse ano – ela deu de ombros. – Uma das aulas coincidia com uma de Alemão, e entre me dedicar pela metade e atrapalhar a equipe ou não me inscrever...
Nem quis saber por que ela não considerou a hipótese de não se inscrever na aula de Alemão; não era uma boa hora para fazer perguntas.
- Entendo – disse o Áustria, levantando-se. – O que faz aqui, então?
- Estava passando pelos corredores para a minha aula de Atividades Domésticas e encontrei o Alemanha-kun. Ele estava te procurando e eu me ofereci para ajudar.
- Ah. Nesse caso, eu já vou indo.
O Áustria se despediu e me deixou ali, sozinha sob a fúria incandescente dos olhos da Hungria...
- E você, Elisa-chan? O que faz aqui?
- Estou esperando a Sachiko. Clube de Caligrafia, sabe. Me encantei com os esquilos e o Áustria decidiu tentar dar nozes para eles.
- Ah... – disse Hungria com um tom de "eu não acredito em você". Acho que me expressei muito mal... – Você e o Áustria-san se dão muito bem, não é?
- Hungria, – eu decidi ser direta – se você está com ciúmes, saiba que eu não fazia a menor ideia de que eu iria encontrar o Áustria aqui e com certeza não conjurei esquilos por vontade própria.
A minha fala direta acabou chocando um pouco a Hungria.
- Ciúmes? – Ela riu sem graça. – Não, claro que não! Ciúmes por quê?
- Bom, nesse caso, sim. – Não sente ciúmes, é? Vamos ver, então. – O Áustria é muito gentil, me ajudando nas aulas de piano. Eu não sei patavinas sobre piano, então é bom ter com quem contar.
Os olhos da Hungria fumegaram, e só faltava eles atirarem raios laser em mim. Diagnóstico: Hungria ainda morre de ciúmes do ex-marido.
- Que bom, não é? – Hungria sorriu falsamente. – Eu tenho que ir agora. Até outra hora, Elisa-chan!
Algo me diz que, até a "outra hora", eu deveria assinar um seguro de vida e escrever o meu testamento... Maldita boca que fala demais.
[1] Provérbio que significa "primeiro a chegar, primeiro a ser servido" em inglês. Significa exatamente o que quer dizer: os primeiros a chegarem escolhem (ou são servidos) primeiro.
