Título: Os Corações Da Questão

Autora: Lab Girl
Categoria: Bones, B&B, 5ª temporada, romance/drama
Advertências: Os temas a serem abordados nesta história são de conteúdo adulto, com linguagem e situações muitas vezes inapropriadas para menores. Favor levar em consideração o alerta antes de prosseguir com a leitura!
Classificação: variando do R ao NC-17
Capítulo: 25/?
Status: Em andamento


Os Corações da Questão
por Lab Girl

Parte I: Graus de Aproximação


#25: Medidas Extremas

Seeley Booth chegou ao Diner sentindo-se renovado. Logo a avistou, sentada na mesa deles, a de sempre. Pendrell estava com ela, e assim que o viu entrar no restaurante, o jovem agente se levantou de imediato.

"Oi, Bones!" Seeley sorriu para a parceira, virando-se para o outro agente. "Fim de turno para você, Pendrell" murmurou, lançando seu típico olhar que dizia 'caia fora'.

Pendrell meneou a cabeça, despedindo-se dos dois e saindo o mais rápido possível diante do olhar mortalmente sério de Booth para ele.

Feliz por encontrá-la esperando, como havia orientado no recado que deixara logo cedo ao sair do apartamento dela, Seeley deixou os olhos se perderem no rosto delicado e bonito que o encarava.

"Você leu meu bilhete" ele murmurou, ajeitando a gravata e sentando-se com um pequeno sorriso à frente dela.

"É claro que sim" ela disse. "Você deixou ao lado da minha cama..." e ela deslizou a mão sobre a mesa, empurrando um conhecido objeto vermelho em sua direção, sorrindo.

Ele não pôde resistir... sorriu ainda mais. Quando sua mão se esticou para receber a fivela, seus dedos tocaram os dela. Por um segundo houve uma reação de arrepio em seu braço. E então, para sua surpresa, inesperadamente ela acariciou sua palma. Um simples deslizar de um polegar sobre a parte interna de sua mão, e o gesto lhe enviou uma mensagem que acelerou seu coração.

Ela ainda sorria. Um sorriso lindo, puro.

Seeley sentiu a urgência de beijá-la ali mesmo. E, de repente, imagens do seu sonho na noite anterior, quando adormecera no sofá da sala dela lhe vieram à mente.

Sonho...? Tinha sido tão real. E ele conseguia rememorar a sensação agora, tão nítida quanto o roce suave do polegar que ela deslizava em sua palma.

Booth então prendeu o dedo dela entre sua mão. Os olhos de Brennan se arregalaram um pouco, como se ela tivesse sido surpreendida por seu gesto. Mas ela não se afastou. Pelo contrário. Ela tocou sua mão que lhe prendia o polegar com a outra mão dela.

Então Seeley uniu sua outra mão ao gesto, de modo que estavam ali, os dois de mãos dadas sobre a mesa. E seus dedos se apertaram mutuamente, e eles partilharam novos sorrisos.

Ele pôde sentir o coração se aquecer instantaneamente. Temperance Brennan não estava fugindo de seu toque. Ela não apenas estava aceitando-o, como correspondendo a ele. E isso, de alguma forma, enchia seu peito com algo quente e gostoso.

O momento foi interrompido quando a garçonete se aproximou para saber o que ele gostaria de pedir. Contendo a urgência de continuar a segurar as mãos de Bones nas suas, Seeley rompeu a contragosto o contato, guardando a fivela esquecida sobre a mesa no bolso de seu paletó enquanto fazia seu pedido.

Assim que a funcionária se afastou, ele esticou uma das mãos, roubando uma batata do prato ao lado de Bones, próximo ao copo de suco e uma omelete que ela visivelmente estivera comendo antes de sua chegada.

"Não acredito que pediu uma porção de fritas!" ele brincou, sabendo do discurso dela sobre saúde.

"São suas" ela disse, sorrindo e estendendo as batatas para ele. "Pedi para você."

"Se eu não a conhecesse tão bem, poderia até acreditar" ele riu, provocando-a.

"Está duvidando das minhas boas intenções, Booth? Assim você me ofende" ela entrou na brincadeira.

"Eu nunca duvido das suas intenções, Bones... estou duvidando do seu estômago" ele riu, mordendo a batata que havia surrupiado do prato dela.

"Você está mais disposto hoje" ela observou. "Algum motivo especial?"

Ele meneou a cabeça, terminando de mastigar a batata roubada. "Acho que apenas tive uma ótima noite."

Seeley disse as palavras de forma natural, e detectou o leve sorriso que tocou o canto dos lábios dela. Então a sensação dos cabelos macios da parceira contra seus dedos, a respiração tranquila enquanto ela adormecera com sua companhia ao lado dela na noite anterior trouxe de volta aquele calor familiar ao seu coração.

"O descanso lhe fez muito bem" ela comentou, pegando uma das batatas. "As olheiras sumiram."

"É, eu dormi bem melhor noite passada."

"Eu também" ela disse, em tom baixo, o olhar se erguendo para ele de forma quase tímida – quase.

Ele a fitou, e seus olhos se cruzaram, e a imagem dela, adormecida praticamente em seus braços fez o coração de Seeley disparar.

Afrouxando a gravata, ele desviou do olhar da parceira para evitar qualquer constrangimento – como inclinar-se sobre a mesa e beijá-la. Não seria nada prudente. Não ali. Não naquele momento.

"E como foi a sua manhã?" perguntou, tentando levar a conversa para um lado mais seguro.

"Sem nada de interessante" Brennan respondeu, mexendo o copo de suco. "A senhorita Wick foi se despedir de mim antes de embarcar para a Indonésia."

A menção fez o estômago de Booth revirar um pouco, ciente de que tão logo o pesadelo daquele caso terminasse e a Coveira tivesse sido julgada, Brennan também estaria tomando um avião rumo a outro continente.

"Ela estava um tanto abalada com a iminência da partida" a parceira continuou. "Mas eu tentei seguir seus conselhos e a ajudei a se sentir melhor."

"Meus conselhos? Como assim?" ele questionou, apoiando os braços sobre a mesa, olhando com curiosidade e confusão para a parceira. "Eu lhe dei algum conselho sobre a Daisy...? Eu não me lembro disso."

"Não especificamente sobre ela, mas você me ensinou a demonstrar compaixão quando as pessoas ao meu redor estão sofrendo ou passando por um momento difícil" Brennan disse, olhando diretamente em seus olhos. "E foi o que eu fiz."

"Então você que dizer que confortou a Daisy?" Seeley perguntou, surpreso com a novidade.

"Foi o que eu fiz" a parceira confirmou, sorrindo com um certo orgulho.

"Isso é bom, Bones. Despedidas nunca são fáceis."

"É, parece que não" ela murmurou, remexendo o que restava da omelete, abaixando o olhar para o prato. "Eu achava que seria mais simples deixar tudo para trás por um ano. Mas parece que as relações que construímos ao nosso redor sempre acabam dificultando um pouco os afastamentos quando eles se fazem necessários."

"Família, amigos... essas são as coisas importantes, Bones, que tornam as despedidas nada fáceis" Seeley murmurou, olhando para ela, embora ela evitasse olhá-lo.

"Eu começo a perceber que você tem uma certa razão" ela disse, ainda remexendo a comida, sem encará-lo. "Por isso eu sempre achei que criar laços demais era desnecessário e até prejudicial."

"Formar laços de afeto nunca é uma coisa ruim, Bones" ele disse, tocando a mão dela sobre a mesa.

Brennan finalmente ergueu os olhos para ele.

"Os laços prendem, Booth" ela disse, simplesmente, mas ele notou que sem muita convicção... e ele sentiu que ela tinha mais medo do que certeza no que dizia.

"Certos tipos de laço libertam..." ele falou, quase num sussurro, olhando bem dentro dos olhos da parceira.

O momento foi quebrado quando a garçonete se aproximou trazendo o pedido dele. Depois que a moça se afastou, Seeley sorriu, voltando os olhos para o enorme sanduíche em seu prato, cheio de queijo e bacon.

"Hum, isso parece..."

"Prejudicial para o seu coração" ela disse.

"Delicioso!" ele completou, lançando um rápido olhar para Brennan e sorrindo, como se não a tivesse escutado.

Ele então avançou para o sanduíche. E pôde vê-la sacudir a cabeça, rindo, antes de voltar a comer o resto da omelete sem graça dela.

Booth deu mais uma bocada no sanduíche antes de ouvir o telefone celular tocar em seu bolso. Ele atendeu ao terceiro toque. Do outro lado da linha, era um dos agentes que havia deixado sob a responsabilidade de ir checar a propriedade do segundo suspeito da lista no caso do atentado ao Jeffersonian, o ex-cabo do Exército, Curtis Finley.

Seeley ouviu com atenção as informações, mas sem entusiasmo, e viu a expressão ansiosa de Brennan olhando para ele enquanto escutava o agente do outro lado da linha telefônica.

"Ok" suspirou. "Obrigado por informar" ele desligou o telefone, por fim, e encarou a parceira. "Ficamos sem mais um suspeito."

"O quê?" Brennan ergueu as sobrancelhas.

"Enviei alguns agentes até a propriedade do tal Finley, que fica fora do perímetro urbano de DC. Encontraram o corpo do sujeito enterrado nos fundos do lugar. Pelo o que o legista informou, ele foi morto há pelo quatro meses" Seeley deslizou o celular sobre a mesa, frustrado.

"O que esgota a nossa lista de suspeitos em potencial" Brennan repetiu sua constatação, tão desanimada quanto ele.

Booth suspirou, apoiando os cotovelos sobre a mesa e passando as mãos no rosto.

"Eu estava depositando minhas fichas nesse cara. E agora..." ele engoliu em seco. "Nós não temos muito com o que trabalhar aqui, Bones. E acho que está na hora de assumir a linha que eu não queria, mas ao que tudo indica..."

"Qual linha?" ela franziu as sobrancelhas.

"Nós não temos suspeitos externos. Naquele dia, apenas o eletricista, Paul Baker, esteve no museu, e já sabemos que não foi ele quem explodiu aquela granada. Fora ele, apenas Cindy Vega, que tem o álibi da reunião com o editor. Só quem pode ter conseguido acesso fácil ao Instituto, e inclusive a sua sala, é alguém do próprio Jeffersonian."

"Você já tinha cogitado essa possibilidade antes" Brennan disse, visivelmente preocupada.

"É, mas agora o cerco está cada vez mais fechado, e eu não vejo outra possibilidade. Eu já sabia que alguém de dentro facilitou o acesso ao museu e a sua sala... mas agora eu vejo que não foi só isso. Alguém lá de dentro fez tudo isso, Bones. E se está lá dentro, infiltrado entre o pessoal do Jeffersonian, pode ser qualquer um."

Ele a viu ficar pálida.

Então, ele confessou seu pior medo.

"O que me preocupa agora é que seja alguém que está mais perto de você do que nós imaginamos."

Os olhos dela se abriram em surpresa. Ele sabia que ela estava assustada.

"Eu sinto muito" Seeley murmurou. "Mas você não pode voltar para lá até eu descobrir quem está por trás de tudo isso."

"Mas Booth, eu não posso simplesmente deixar de ir ao meu trabalho" ela contra-argumentou, como ele esperava que fizesse.

"Eu explico tudo a Cam, ela não vai fazer objeção e ainda vai concordar comigo" disse, resoluto.

"Mas Booth, tem..."

"Cam vai explicar a situação aos chefões do Instituto, Bones. Eu sei que você detesta não poder brincar com seus ossinhos, mas eu preciso que você colabore comigo nessa" disse, com um pedido silencioso no olhar.

Ela mordeu os lábios, relutando um pouco antes de ceder.

"Não quero ver outro caso como do Zack se repetir, Booth" ela disse, por fim, encarando-o.

Seeley percebeu o receio da parceira. Ele entendia.

"Não vai se repetir" ele disse, com convicção.

"Como sabe? Como pode ter certeza?" Brennan o questionou, já sem nenhuma preocupação em esconder a angústia que a situação a fazia reviver.

"Eu sei que não é nenhum dos nossos squints, Bones."

"Não pode saber, Booth... não tem como saber. Daquela vez ninguém nem suspeitava que o Zack podia ter alguma coisa a ver com aquele caso do Gormogon..."

"Bones, você me disse outro dia que confiava no meu instinto, não disse?"

Ela se calou, olhando para ele.

"Você disse que muitas vezes não entende como esse meu instinto funciona..." Seeley prosseguiu, "...mas que viu durante esses anos todos até onde ele pode me levar. Então..." esticando uma das mãos, ele tocou a dela sobre a mesa. "Confie no meu instinto agora. Nenhum dos nossos amigos está envolvido nisso."

Brennan olhou em seus olhos, e seu polegar roçou os dedos dela, tentando assegurá-la de suas palavras. Ele mesmo não sabia como explicar, mas seu instinto lhe dizia que nenhum dos squints tinha a ver com aquele atentado e com a ameaça a Bones.

E Seeley estava disposto a seguir seu instinto uma vez mais... assim como estava disposto a protegê-la com sua vida, se preciso fosse. Sem hesitar.


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