Música do capítulo: "Full Moon", de The Black Ghosts (da Trilha Sonora de Twilight).
Capítulo 24 – Sobre o rio e através da floresta*
*Over the River and Through the Wood (Sobre o rio e através da floresta): é uma canção de Ação de Graças de Lydia Maria Child. Escrita originalmente como um poema, apareceu em seu "Flores para Crianças, Volume 2", em 1844. O título original do poema é "Um Dia de Ação de Graças do Menino". Ele celebra suas memórias de infância visitando a casa de seu avô. Lydia Maria Child foi uma novelista, jornalista, professora, e escreveu extensivamente sobre a necessidade de eliminar a escravidão.
Tradução: Ju Martinhão
~ Edward ~
Estava um agradável dia de 10ºC em Nova York, com céu limpo e um sol poente quando saímos do JFK. O crepúsculo nos encontrou no avião, o céu azul dando lugar a faixas de vermelho, dourado e laranja, todas fundidas entre si como pinceladas em uma tela em branco. Maddie, sentada entre Bella e eu, olhava pela pequena janela, encantada com o jogo de cores dançando no céu, antes da completa escuridão assumir. Com mais nada para ver, ela fechou a janela e voltou-se para a tela de TV pessoal na frente dela e brincou de video-game por um tempo, antes de mudar para desenhos animados. Então ela comeu seu salmão do Alasca com arroz integral, brincou com o seu Crème Brûlée, e, finalmente, seu pequeno estômago cheio e sua mente cansada, dormiu confortavelmente esticada entre nós.
Cinco horas depois de decolar, o 737 fez a sua descida em Seattle. Em algum ponto durante o voo para oeste, o céu claro havia dado lugar a nuvens escuras e cinzentas e uma chuva constante nos cumprimentou das grandes janelas do aeroporto enquanto fazíamos o nosso caminho para o nosso voo de conexão, para uma pequena cidade ao norte de Seattle chamada Port Angeles. Grandes gotas atiravam nas janelas do avião insistentemente. Uma hora depois, estávamos à espera das nossas malas fazerem sua volta em torno da esteira de bagagens.
Eu estive calmo e relaxado ao longo dos dois voos, observando Maddie desfrutar da primeira classe e depois dormir confortavelmente, e conversando com Bella. Mas, uma vez que tínhamos pegado nossa bagagem e ela começou a acenar freneticamente para um homem de cabelo escuro, levemente barbudo, de estatura média e forte - em um uniforme da polícia – minha pulsação acelerou como um cavalo nas pistas de corrida.
"Pai!" Ela gritou, dando alguns passos rápidos em direção ao homem com um sorriso em seus olhos escuros e uma expressão constante no rosto. Ela chegou até ele e deu-lhe um abraço rápido, que ele retornou com um braço. Eu caminhei em direção a eles lentamente, uma Maddie dormindo em meus braços.
"Bem-vinda ao lar, Bells." Ele disse calmamente, mas eu detectei uma óbvia nota de contentamento em sua voz.
Bella deu um passo para trás e olhou para o seu pai. "Você parece bem, Charlie".
Ele desviou o olhar dela, um tom de vermelho colorindo suas bochechas com barba. "Assim como você." Ele voltou calmamente. Seus olhos viajaram para onde eu estava atrás de Bella, segurando sua neta.
Bella olhou do seu pai para mim rapidamente. "Pai, este é Edward." Ela disse com uma voz um pouco trêmula. "Edward, este é o meu pai, Charlie Swan".
Estendi minha mão para apertar a dele. "Prazer em conhecê-lo, senhor".
Ele pegou minha mão e deu-lhe uma chacoalhada firme, olhando-me como se estivesse tentando muito forte não me derrubar no chão e me revistar. Meu coração começou a bater forte em meu peito. Ele tinha os olhos de Bella, ou melhor, Bella tinha os olhos dele, e assim como da primeira vez em que ela olhou para mim, eu tive a sensação como se aqueles olhos pudessem ver através de mim. Seria um looongo fim de semana.
"Sim, é bom conhecê-lo também." Ele finalmente murmurou.
Seus olhos se moveram para o pacote dormindo em meus braços e, simplesmente assim, todo o seu comportamento mudou. A expressão examinadora se foi e seus olhos brilharam como uma árvore de Natal, transformando seu rosto inteiro. Por trás da barba, Charlie ainda era um homem jovem, e agora eu podia ver a semelhança entre ele e sua filha.
"Aí está a minha neta!" Ele praticamente cantarolou.
"Ela está dormindo." Eu sorri calmamente. "Foi uma viagem longa para ela".
Ele ignorou essa pequena informação e estendeu os braços para agarrar-se a ela suavemente. Eu hesitei por uma fração de segundo antes de soltar o meu aperto e deixá-lo pegá-la de mim, seu corpinho flácido transferido inconsciente entre eu e seu avô. Ele a segurou longe dele por dois segundos para olhar para ela, antes de guiar a cabeça dela sobre os seus ombros.
"Ei, Maddie Mo." Ele sussurrou. "Cansada demais para dizer oi para o seu avô?" Ela nem se mexeu. Ele riu. "Ah, está certo. Temos todo o final de semana para recuperar o tempo perdido".
Ele olhou de volta entre Bella e eu. "Pegaram todas as suas malas?"
"Sim, pai." Bella respondeu. Eu assenti.
"Tudo bem então. Cuide delas, Edward, e vamos indo, nós temos uma outra hora de viagem à nossa frente." Ele guiou, virando-se e indo em direção às portas de vidro deslizantes.
Bella se virou para mim e abaixou-se para pegar uma das malas.
"Nem pense em tocar nisso, a menos que você queira que eu seja morto." Eu silvei, pegando as malas e caminhando com ela em direção às portas.
Ela riu com vontade. "Oh, vamos lá, não foi tão ruim assim. E, de qualquer maneira, ele deixou sua arma em casa." Ela disse com um sorriso torto. Nós saímos do aeroporto juntos.
A viagem de uma hora para a cidade chuvosa de Forks foi... lenta, para dizer o mínimo. Bella e seu pai fizeram algumas rápidas conversas pela primeira metade, ou mais, da viagem de carro; algumas informações leves sobre o que estava acontecendo com seus amigos, Sam e Emily tinham acabado de ter seu segundo filho, Leah estava pensando em ir para a faculdade de Veterinária, embora ela não quisesse deixar seu emprego na oficina, Seth estava em seu último ano de colégio e namorando uma garota nova na cidade chamada Hoquiam. As conversas foram curtas e direto ao ponto, e ambos pareciam perfeitamente à vontade com isso.
"Como está o trabalho?" Bella perguntou.
"É um trabalho." Ele respondeu. "Madeireiros bêbados, animais selvagens, carros acelerando na chuva, o de sempre".
"Você está sendo cuidado?"
"Eu sempre estou, Bells".
Bella acenou com a cabeça. "Comendo bem?"
"Assim como se pode esperar sem você por perto." Ele sorriu para ela com um longo olhar de lado. "Mas, você sabe, Sue Clearwater me traz algumas coisas todos os dias".
Bella acenou com a cabeça novamente.
"Peixes estão mordendo bastante a sua isca?"
"Sempre." Ele respondeu.
Em seguida, foi a vez dele.
"Como está o trabalho para você?"
"Muito bom. Estou trabalhando em algumas contas interessantes".
"Como é o apartamento? Aquele síndico super bom finalmente limpou o sifão da sua pia para você?"
"Na verdade, Edward o limpou para mim".
Os olhos de Charlie se moveram para mim pelo espelho retrovisor e, de repente, eu estava lembrando do eufemismos de Emmett sobre limpar o sifão e as atividades de Bella e eu no último par de noites. Meu rosto ardia tão quente como um radiador, e desta vez eu tinha certeza que Charlie poderia ver através de mim. Sim, eu tinha limpado o sifão da sua filha muito bem.
Eu pensei tê-lo visto sorrir. "Você é bom com encanamento?" Charlie perguntou.
"Uh, eu posso consertar muito bem, eu acho".
"Mmm." Ele murmurou, olhando para a frente mais uma vez.
"Edward é muito bom em muitas coisas." Bella acrescentou, sorrindo para mim e apertando minha mão.
É claro, os olhos de Charlie arrastaram de volta para mim com aquilo.
"Sim, eu suponho que eles o criaram muito bem educado por lá." Ele disse, seus olhos cavando em mim. "Minha neta me disse que você pesca?"
Olhei para Bella rapidamente, mas ela apenas deu de ombros, aparentemente tão surpresa quanto eu.
"Sim, senhor. Minha família tem um iate que nós gostamos de levar para o mar com bastante regularidade." E então eu me senti como me chutando pelo quanto eu havia soado pomposo.
"Mmm." Charlie murmurou novamente. "Bem, eu não tenho um iate, ou algo assim, mas eu tenho um pequeno barco que faz o trabalho bem o suficiente".
Oh, porra, eu gemi para mim. Bela forma de ganhar pontos positivos, desprezando o barco do homem.
"Oh, eu não quis dizer - quero dizer, eu tenho certeza que seu pequeno barco é muito bom. Quero dizer, o iate não é sequer meu, é do meu pai".
Bella apertou minha mão com força novamente. Eu olhei para ela rapidamente e ela balançou a cabeça de maneira mínima, dando-me um sorriso encorajador. Eu respirei fundo e fechei a boca.
Charlie mudou de assunto.
"Você está tendo cuidado lá, Bells?" Ele perguntou sério. "Trancando sua porta à noite e tudo?"
Bella suspirou. "Sim, Chefe. Eu tranco minhas portas à noite".
"Agora, não me dê esse tom. Você sabe qual é o índice de criminalidade no Brooklyn?"
"Charlie, não é como se nós vivêssemos em uma zona de guerra." Bella respondeu secamente. "E você e Jake me lembram com bastante frequência do índice de criminalidade no Brooklyn. Acredite, eu não esqueci".
"Na verdade, senhor," eu entro na conversa, "o índice de criminalidade no Brooklyn é inferior à média nacional." Eu lembrava vagamente de Alice dizendo isso a todos nós depois que demos uma merda a ela por se mudar para o Brooklyn.
Mas, aparentemente, não era isso que Charlie queria ouvir. Ele olhou para mim através do retrovisor. Sim, eu tinha certeza que era uma encarada.
"Na verdade, Edward," ele disse em um tom controlado, "se você der um olhar mais atento a essas taxas de criminalidade relatadas, você verá que crimes em propriedade privada no Brooklyn é um pouco menor do que a média nacional. Mas, crimes violentos, que são aqueles sobre os quais eu me preocupo, são mais elevados do que a média nacional".
Puta merda fodida. Eu estava perdendo por dois aqui aqui e não tinha sequer chegado a Forks ainda.
"Agora, eu sei que vocês, pessoas da publicidade de lá, gostam de contornar os fatos," ele continuou, movendo seus olhos de volta para o pára-brisa à frente, "mas eles são o que são. E, acredite em mim," ele disse, olhando para mim uma vez novamente, "eu conheço os meus fatos".
Se a Terra se abrisse e me engolisse nesse momento, eu teria ficado mais do que agradecido.
Bella deu ao seu pai um olhar severo.
"Pai, não se esqueça que eu sou da publicidade também, e nós não contornamos os fatos, pelo menos não na CCW".
"Senhor, eu só queria garantir que Bella e Maddie estão seguras. Eu nunca deixaria que nada acontecesse a elas".
"Bem, infelizmente, ninguém pode garantir completamente isso, então eu tenho certeza que você entenderá se eu continuar me preocupando".
"É claro. Quero dizer, é claro que eu posso entender você se preocupar. Eu me preocupo também quando não estou por perto." Fôôôôda-me, por que eu não poderia simplesmente calar a boca?
"Hmm." Ele murmurou de novo.
Bella, sentindo a minha tensão, lentamente teceu seus dedos entre os meus e apertou ainda mais forte. E então, em um esforço para me dar algum espaço para respirar, ela mudou a conversa para algumas das mais recentes travessuras de Maddie, o que transformou Charlie mais uma vez e deu-me a chance de recuperar o fôlego.
Virei a cabeça para as janelas escuras da viatura policial, observando enquanto dirigíamos lentamente pelas estradas sinuosas e florestas escuras da região Olímpica. Chuva cobria as janelas como uma cortina pesada, Bella tinha me avisado para não esperar que deixasse de chover muito durante a nossa curta estadia. Ela também tentou me avisar sobre Charlie e, aparentemente, ela não estava brincando. Eu estava me afogando agora e precisava desesperadamente de alguém para me jogar uma tábua de salvação.
Eu ressurgi no meio do último assunto de discussão de Bella e seu pai.
"... houve um agradável jantar de Ação de Graças ontem à noite com Edward e sua família. Eles celebraram mais cedo para que pudéssemos estar com eles." Bella disse com orgulho. Eu me virei para sorrir largamente para ela. Seus olhos brilhavam em minha direção. Sim, ela valia a pena esta tortura.
"Bem, isso certamente foi legal da parte deles." Charlie respondeu, soando genuinamente impressionado.
"O que os seus pais fazem, Edward?" Charlie perguntou, em um tom que deu a entender que ele sabia, mas não podia realmente lembrar.
"Minha mãe está no conselho de várias instituições de caridade para causas que são importantes para ela; câncer de mama, bem-estar da criança, cidadãos sem-teto".
Charlie pareceu autenticamente impressionado.
Obrigado, Esme Cullen, por ser uma filantropa.
"E o meu pai é um cirurgião cardíaco".
"Oh, isso mesmo." Charlie interrompeu. "Carlisle Cullen, certo?"
"Sim, senhor".
"Hmm." Ele acenou com a cabeça. "Então, como é que você não seguiu os passos do seu pai?"
"A área médica simplesmente não era para mim, senhor".
Outro aceno lento.
"Eu suponho que não seja um campo que você pode entrar sem disciplina e dedicação".
"Charlie." Bella advertiu através dos dentes cerrados.
Eu apertei a mão dela neste momento. "Está tudo bem, amor." Eu sussurrei com uma piscadela.
"Na verdade, senhor, eu fui para a faculdade de medicina por um par de anos, antes de mudar para a Faculdade de Administração. Acho que... não é um grande segredo que eu não tenho sido a pessoa mais disciplinada pelos últimos anos, mas eu acho que é porque eu não sabia o que eu realmente queria".
Charlie arqueou uma sobrancelha através do espelho retrovisor. "E agora você sabe?"
"Sim, senhor. Agora eu sei".
Não houve aceno de cabeça, concordância, sem murmurar ou resmungar dessa vez. Ele simplesmente olhou para mim por dois segundos que pareceram mais como duas vidas, antes que o fato de que ele estava dirigindo o obrigou a voltar sua atenção de volta para a estrada.
"Edward é dedicado e disciplinado." Bella me defendeu. "Na verdade, ele e seu grupo ganharam vários prêmios publicitários ao longo dos últimos anos".
Charlie lançou-me outro olhar rápido. "Bem, sim." Ele murmurou, "Eu suponho que isso levaria trabalho duro." Ele permitiu.
Meio século, ou meia hora, mais tarde, nós viramos a esquina em um quarteirão tranquilo alinhado com uma dispersão de pequenas casas, e então Charlie parou em frente de uma pequena casa branca, desbotada, mas bem cuidada.
"Bem, nós chegamos." Ele anunciou.
Charlie pegou Maddie e eu peguei nossas malas, seguindo Bella e seu pai para a pequena casa. Ele acendeu as luzes quando entramos e depois parou quando chegamos a uma pequena sala de estar. Eu coloquei as malas no chão.
Bella fez um giro de 180 graus. Eu segui seus olhos em torno de um cômodo com paredes creme desbotadas, mas limpas, uma pequena TV de tela plana sobre o suporte da lareira, algumas fotos de cada lado e uma poltrona reclinável desbotada e um sofá no meio. Um conjunto de lençóis dobrados e um travesseiro estabelecidos perfeitamente no sofá.
"Você limpou?" Bella perguntou através de sobrancelhas levantadas.
Charlie parecia que poderia estar corando debaixo da sua barba. "Sue pode ter me ajudado um pouco".
"Eu fui ao mercado e comprei tudo o que você disse que precisava. Comprei alguns morangos para Maddie também. Sei que ela gosta deles".
Ele limpou a garganta então. "Seu quarto está pronto no andar de cima. Eu coloquei lençóis limpos lá e toalhas limpas no banheiro." Seus olhos se moveram para o sofá e de volta para mim, antes de voltar rapidamente para Bella. "Eu... uh... imaginei que Maddie dormiria com você, e é um quarto... pequeno," - ele esfregou sua nuca com uma mão - "então eu trouxe alguns lençóis e coisas para Edward..."
"Isso estará bem, senhor, obrigado." Eu disse rapidamente, sentindo-me tão estranho quanto ele parecia. Olhei para Bella e seu rosto estava rosa brilhante.
"Bem, é muito tarde e provavelmente será um longo dia amanhã, então eu apenas direi boa noite agora... Bells, você quer que eu coloque Maddie no seu quarto para você?" Ele perguntou.
Ela sorriu para ele. "Sim, pai, obrigada. E obrigada por nos buscar. Eu subirei daqui a pouco".
Charlie olhou entre eu e sua filha e assentiu.
"Tudo bem, vejo vocês de manhã." E com isso ele se virou e subiu a escada estreita que levava aos quartos no andar de cima.
Assim que ouvimos o rangido do chão no andar superior, eu soltei uma enorme rajada de ar, jogando-me contra o sofá que seria a minha cama pelas próximas noites. Bella veio sentar-se ao meu lado.
"Bem, isso não foi tão ruim." Ela disse com ironia, olhando diretamente para a frente.
Virei-me para ela. "Nós estávamos no mesmo carro no caminho para cá?"
Ela deu-me uma risada gutural, pegando a minha mão na sua e as descansando entre nós. "Poderia ter sido pior".
Eu arqueei uma sobrancelha. "Você quer dizer, ele poderia ter puxado o revólver, atirado em mim direto no coração e me enterrado na floresta?"
Ela riu. "Eu disse a você, ele não estava com o seu revólver!"
"Isso deveria ser o meu consolo aqui? Seu pai me odeia".
"Ele não odeia." Ela gritou suavemente, movendo-se em minha linha de visão. Olhei para ela em dúvida.
"De qualquer forma, não se preocupe. Até o momento em que formos embora no domingo, você será o seu favorito limpador de sifão, velejador, falsificador de fatos, super-herói que abandonou a faculdade de medicina, deste lado do Pacífico".
Eu sorri para ela. "Há. Engraçado".
Ela riu e deu-me um beijo rápido antes de se afastar e morder seu lábio.
"O quê?"
Ela me estudou. "Como foi... das outras vezes em que você conheceu... os pais das suas namoradas?"
Eu segurei seu olhar e encolhi os ombros, balançando a cabeça. "Eu nunca saí do meu caminho para conhecer os pais de ninguém." Eu disse honestamente.
Ela pareceu surpresa. "Nem mesmo... Tanya, nos anos em que vocês estavam juntos?"
Eu balancei minha cabeça lentamente, levantando um ombro para cima e para baixo. "Eu encontrei o pai dela uma vez em uma festa que ela me levou. Ele se gabou sobre o valor do preço inflado da sua rede de hotéis pela metade da noite, e depois tentou fazer a minha cabeça para conselhos gratuitos de marketing pela resto disso. A mãe dela... não, eu nunca conheci a mãe dela".
Ela assentiu com a cabeça lentamente.
"Por que estamos falando de Tanya?"
Ela encolheu os ombros e depois inclinou seu corpo para ficar de frente para mim, descansando um cotovelo na parte de trás do sofá e usando sua mão para apoiar a cabeça. Seu cabelo escuro caía livremente em cascata na frente do seu ombro. Eu me virei e imitei sua pose.
"Eu só estou pensando..." - ela bufou - "você deve realmente lamentar ter entrado naquele avião conosco esta noite... só para vir a esta pequena cidade chuvosa e ser chamado de nomes através do espelho retrovisor de uma viatura da polícia. Eu simplesmente não posso evitar pensar o quanto mais fácil... deve ter sido. Você sabe, muito menos com o que lidar".
Olhei para ela por um longo tempo antes de suspirar e levantar nossas mãos, beijando as costas da sua mão. "Era uma vida de merda e vazia. Mais fácil? Talvez. Melhor? Nunca".
Olhei de volta para ela e ela sorriu, seus olhos chocolate me olhando pensativamente.
"E, quanto a lamentar vir para cá." Eu sorri. "Você sabe o que eu provavelmente estaria fazendo agora se eu não tivesse vindo?"
"O quê?"
"Eu provavelmente estaria em casa olhando para o teto, perguntando-me o que você e Maddie estavam fazendo, e fazendo acordos com Deus sobre o que eu passaria só para estar com vocês duas. E, confie em mim, um pai feliz querendo atirar em mim não estaria além dos limites da minha lista".
Ela riu. "Edward, meu pai é um cara bom. Acho que ele está apenas-"
"Bella, você não tem que inventar desculpas pelo seu pai. Eu não posso realmente culpá-lo, posso?"
"Ele não deveria ter-"
"Sim, ele deveria. Olha, você queria que eu viesse com você para que ele pudesse me conhecer, para conhecer o meu verdadeiro eu? Bem, eu não sei se ele vai gostar do meu verdadeiro eu, Bella, mas eu estou disposto a tentar. Eu quero conhecê-lo, porque nós parecemos concordar em pelo menos uma coisa. Você e Maddie são as coisas mais... preciosas nesta Terra. Esperemos que isso seja o suficiente para que ele possa, pelo menos, respeitar-me até o momento que este final de semana acabe. Se não," eu franzi meus lábios, "então pelo menos nós saberemos que tentamos".
Ela assentiu com a cabeça pensativamente.
Agora foi a minha vez de perguntar. Tirei minha mão de onde embalava a minha cabeça e a movi para corrê-la pelo longo cabelo de Bella.
"Como ele era... com Paul?" Eu olhei para a forma como os meus dedos se perderam em seu cabelo enquanto eu falava. "Quero dizer, eu sei que ele o odeia agora, mas ele sempre foi-"
Ela riu sem graça. "Ele nunca gostou de Paul. Ele o tolerou por um tempo, por minha causa, mas..." - ela balançou a cabeça vigorosamente - "nunca houve qualquer amor perdido entre os dois".
Eu balancei a cabeça e perguntei-me se eu simplesmente parecia ser uma outra versão de Paul para Charlie Swan. Pela primeira vez que eu conseguia me lembrar, eu realmente dava a mínima para o que o pai da minha namorada pensasse de mim, e surpreendeu-me que eu quisesse que ele fosse capaz de fazer mais do que simplesmente me tolerar por causa da sua filha.
Bella e eu estabelecemos nossas cabeças de volta contra o sofá.
Tinha sido um longo dia, entre viajar e então o par de fotógrafos que tinham nos visto. Mas Bella honestamente parecia ter aceitado bem a parte dos fotógrafos. Quero dizer, ela obviamente tinha ficado nervosa, mas eu apenas a segurei e então, quando nós finalmente embarcamos no vôo, eu olhei em seus olhos, em busca da parede, a cautela que ela costumava usar para se proteger. Mas eu não tinha encontrado.
"Então, você desfrutou da primeira classe?" Eu perguntei, mudando para um tema de conversa mais leve.
Ela apertou seus lábios e revirou os olhos. "Foi tudo bem, eu acho".
Eu levantei minhas sobrancelhas. "Eu achei que foi um voo muito bom. Suave e silencioso, e os atendentes foram atenciosos".
Ela bufou e deu-me um olhar de soslaio. "Sim, com você. Sorte que o voo acabou quando acabou. Eu estava me preparando para derrubar um atendente".
Eu ri com vontade. "Bella, ela tinha cerca de 60 anos de idade".
Bella sorriu. "Não essa".
Eu fiz uma careta. O único outro atendente atribuído para a primeira classe tinha sido um-
"O cara?" Eu perguntei, levantando-me para encará-la diretamente.
Ela arqueou uma sobrancelha e começou a imitá-lo. "Oh, Sr. Cullen, posso pegar outro cobertor para você? Você precisa que eu afofe o seu travesseiro? Sr. Cullen, você desfrutou do seu vinho, posso dar-lhe outra taça? Sr. Cullen, posso descascar o seu camarão para você?"
Eu engasguei com uma risada. "Ele estava apenas sendo atencioso, é o trabalho dele! E ele nunca se ofereceu para descascar meu camarão. Eu provavelmente teria aceitado isso".
"Hmph, atencioso a minha bunda." Ela zombou, soltando a minha mão e cruzando os braços em frente de si mesma. "É por isso que ele ofereceu-lhe uma massagem nas costas?"
"Espere, espere." Eu disse, colocando as palmas das minhas mãos para cima, "O que ele disse foi," eu esclareci, com o meu dedo indicador para cima, "alguém aqui gostaria de uma massagem nas costas? Ele nunca se ofereceu para me fazer uma pessoalmente".
Ela deu-me um olhar 'você tem que estar brincando comigo'. "Sim, é por isso que ele estava olhando diretamente para você quando ele estava oferecendo".
"Bem, eu sinceramente espero que não seja necessário dizer que você não precisa se preocupar com nada disso. Caso contrário, eu estou fazendo algo de muito errado aqui".
Isso a fez rir. "Maldição, Edward, se algumas pessoas pudessem realmente despi-lo com os olhos, você estaria andando nu o tempo todo".
Eu descruzei seus braços e peguei sua mão novamente. "Bem, vamos ser gratos que eles não podem fazer nada com os olhos, caso contrário, eu ficaria com muito frio".
Ela revirou seus olhos. "De qualquer forma, se esse é o tipo de atenção extra sobre a qual você estava falando na primeira classe, eu tenho que dizer, eu não fiquei muito impressionada".
Eu ri alto. "Ok então, se você não gostar disso, podemos sempre fretar um-"
"Nem pense em dizer 'fretar um avião particular para voltar para casa'." Maldição, a mulher estava lendo minha mente agora. "Você tem que levar as coisas lentamente comigo aqui. Eu não posso ir de classe econômica para aviões particulares durante a noite!"
Dei-lhe um sorriso torto, baixando a cabeça para o seu pescoço e trilhando meus lábios para cima e para baixo, lambendo o ponto bem atrás da sua orelha e depois sugando de leve o lóbulo da sua orelha. Ela ofegou e eu senti seus ombros virarem geleia, como massa de modelar em minhas mãos. Eu sorri em seu pescoço.
"Eu aposto que poderia convencê-la se eu realmente quisesse." Eu murmurei. "Eu tenho uma arma secreta, você sabe".
"Sim... eu sei tudo sobre a sua arma secreta." Ela sussurrou com voz trêmula. "Você não joga limpo".
Ela virou o rosto para que sua boca encontrasse a minha e, em seguida, abriu seus lábios e nossas línguas começaram a dançar freneticamente uma contra a outra. E, simplesmente assim, eu esqueci que tínhamos viajado o dia todo e que seu pai estava bem no andar de cima. Eu estava me esforçando agora e queria mais. Eu avidamente suguei sua língua em minha boca, fazendo-a gemer. O som me deixou duro imediatamente e eu a levantei de onde ela estava contra o sofá e a puxei em cima de mim. Ela montou em mim com uma perna sobre cada lado do meu quadril e suas mãos desapareceram no meu cabelo, fazendo-me gemer levemente. Minhas mãos se moveram para acariciar sua bunda perfeitamente redonda para cima e para baixo e ao redor antes de descansá-las diretamente contra ela e empurrando-a para baixo em mim.
"Uhhh, Edward." Ela respirou, trazendo seus lábios ao meu ouvido. O desejo em sua voz deixou-me ainda mais louco com a necessidade, então eu a empurrei mais profundamente em mim, movendo meus quadris contra ela e provocando mais gemidos e choramingos da sua bela boca. Ela moveu sua boca para o meu pescoço, chupando e lambendo vigorosamente enquanto agarrava um punhado de cabelo em cada mão.
"Jesus, Bella." Nós nos movemos contra o outro ritmicamente, beijando e lambendo, as molas no velho sofá sob nós gemendo junto conosco, com cada movimento.
Passos barulhentos diretamente acima de nós tinham feito Bella voar para fora do meu colo em uma fração de segundo. Eles se moviam para frente e para trás com determinação, propositadamente. Eu rapidamente coloquei o travesseiro sobre a minha ereção muito perceptível.
Respirando com dificuldade, olhei para Bella. Seu rosto estava vermelho e seus lábios estavam inchados, e seu peito subia e descia fortemente com suas respirações.
"Eu acho que seria uma boa ideia se eu mantivesse a minha arma secreta no coldre neste fim de semana, no caso do seu pai decidir usar a arma dele em mim".
Bella franziu o cenho. "Por favor, diga-me que você não acabou de comparar a sua arma com a do meu pai? Ugh!" Ela estremeceu. Sua reação conjurou imagens estranhas e indesejáveis na minha cabeça. Eu estremeci também.
"Ok, entre os passos não tão sutis de Charlie e seu trocadilho esquisito, o clima está definitivamente morto." Ela levantou-se do sofá rapidamente. "Agora eu vou colocar um pouco mais de água sanitária sobre a minha mente antes de ir para a cama".
Eu me joguei para baixo em toda a minha nova cama. "Sim, salve metade do frasco para mim." Eu concordei com um outro tremor. Ela riu e abaixou-se para beijar-me castamente nos lábios antes de virar e subir as escadas.
"Durma bem, Edward." Ela gritou baixinho.
"Sim, nada sangrentamente provável." Murmurei para mim mesmo.
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Apesar de ter ido para a cama temendo pela minha vida e com outro caso de bolas azuis, eu não me mexi durante toda a noite, até um par de mãozinhas quentes cutucar minhas pálpebras abertas.
"Bom dia, Edwood!" Uma doce vozinha musical me cumprimentou. "Feliz Dia de Ação de Gaças! Meu vovô está fazendo o café da manhã pala nós! Vamos! Levante!"
Sentei-me devagar, vagamente consciente dos meus arredores.
Maddie sorriu largamente, sentada ao meu lado em seus pijamas, com suas pernas dobradas debaixo dela.
"Bom dia, princesa." Eu finalmente murmurei com a voz grossa. "Onde está a mamãe?"
"Ela ainda está dormindo. Vovô diz para não acordar ela ainda porque ela está cansada".
Eu balancei a cabeça.
"Vamos lá!" Maddie repetiu, pulando do sofá e puxando a minha mão. "Vovô fez café da manhã pala nós".
Eu a deixei me puxar e a segui hesitantemente em direção à cozinha, onde eu podia ouvir os passos e o som de talheres e pratos batendo ao redor. Entrei na cozinha brilhante, meus olhos apertando do brilho dos armários amarelos, mil vezes mais brilhante do que a vista da janela, onde a escuridão profunda parecia estar dando lugar a escuridão não tão profunda e, não muito surpreendentemente, chuva.
O avô de Maddie estava ao lado da pia, mexendo com uma máquina de café e passando manteiga em uma pilha de torradas. Ele estava vestido com uma camisa de flanela e calças impermeáveis de pesca.
Ele virou-se quando nos ouviu. "Edward, bom dia. Feliz Dia de Ação de Graças." Ele disse calmamente.
"Bom dia, senhor." Eu respondi. "Feliz Dia de Ação de Graças." Eu fiquei parado sem jeito no limiar, enquanto Maddie foi sentar-se à mesa.
"O café está pronto." Ele disse, puxando uma caneca do armário na frente dele e derramando o líquido negro nela. Ele virou-se para entregá-la para mim.
"Obrigado." Eu disse, aproximando-me e estendendo a mão para ela.
Ele acenou com a cabeça. "Leite e açúcar estão na mesa".
Eu me movi para a mesa enquanto ele se virou e pegou o prato com a pilha de torradas e o colocou no meio da mesa.
"Aqui está, Maddie Mo." Charlie disse alegremente.
Eu observei o pequeno rosto de Maddie enquanto colocava açúcar e leite em minha caneca. Ela olhou para a pilha de torradas com expectativa, como se estivesse esperando que ela magicamente se transformasse em outra coisa.
De repente, ela olhou para mim com uma expressão otimista em seu rostinho. "Edwood, posso ter panqueucas de mitilo de café da manhã?'
Meus olhos se arregalaram. "Maddie, eu-"
"Maddie Mo, o que há de errado com as torradas?" Charlie perguntou a ela.
Ela encolheu os ombros. "Eu quelo panqueucas de mitilo. Edwood sempre me faz panqueucas de mitilo quando ele dorme em casa".
E o dia começa.
Charlie franziu seus lábios e olhou para mim. "Ele faz agora?" Ele perguntou em voz baixa.
"Bem, não sempre. Quero dizer, eu não fico sempre – e quando eu fico, é geralmente no sofá," – maldição, geralmente não significa sempre - "eu quero dizer".
Charlie colocou a mão para fora, como se não quisesse ouvir mais nada. Ele balançou a cabeça. "Eu não tenho mirtilo, mas acho que tem alguma mistura instantânea de panqueca em algum lugar." Ele acenou com o braço em direção aos armários com um ar resignado. "Vá em frente e sinta-se à vontade, se você quiser".
Eu olhei de volta para Maddie. "Pufavô, Edwood?" Ela implorou com seus grandes olhos castanhos inocentes e boquinha fazendo beicinho.
Eu consegui sorrir. "Claro, princesa".
Ela riu alegremente, e de alguma forma, aquele som me acalmou.
Encontrei a caixa ainda fechada de mistura fácil para panquecas, rindo internamente enquanto eu pensava no ataque que Esme teria se soubesse que eu estava usando uma mistura instantânea agora. De qualquer maneira, Maddie comeu suas panquecas feliz, uma vez que estavam prontas, mesmo o mirtilo tendo sido substituído por morangos.
"Edwood, você faz o café da manhã mais gotoso do mundo!" Ela exclamou entusiasticamente enquanto engolia outra garfada de panquecas. Eu baguncei seu cabelo e sorri para ela, obrigando-me a comer um segundo pedaço de torrada da pilha que Charlie tinha preparado com tanto cuidado. Senti seus olhos em mim do outro lado da mesa.
"Vovô, Edwood é meu melhor amigo!" Maddie disse ao seu avô com a boca cheia de panquecas.
"Ele é agora?" Charlie perguntou.
"Ele colole comigo, e ele lê pala mim na hora de dolmir, e ele canta pala mim. E ele é o amigo especial da mamãe." Ela disse, sorrindo para mim.
Eu sorri de volta fracamente.
"Mmm hm." Charlie murmurou.
"Ele faz cócegas na mamãe e faz ela rir. Vovô, onde está a fotoglafia de floles que você costumava ter naquela palede ali?" Ela perguntou, apontando com seu dedinho. Deixei escapar um suspiro de alívio que sua atenção foi desviada.
"Ele caiu e quebrou, Maddie." Charlie respondeu, seus olhos ainda em mim.
"Ah. Edwood, quando a mamãe acordar, podemos ir para a praia? Eu quelo mostrar pala você todas as conchas bonitas de lá. Você pode me ajudar a escolher algumas, como quando vamos ao paique e você me ajuda a escolher pedlas bonitas".
Eu corri minha mão pelo seu cabelo comprido. "Maddie, princesa, eu acho que pode ser muito frio para a praia. E está chovendo..."
Ela riu. "Edwood bobo. Semple chove em Fowks".
"Bem, talvez quando a mamãe acordar-"
"Maddie, Edward e eu vamos pescar esta manhã, e então Sue e seus filhos, e Billy e tio Jake, virão para o jantar. Então talvez amanhã..."
Eu dei a Charlie um olhar perplexo. "Pescar, senhor?"
Ele acenou com a cabeça.
"Vovô, eu quelo ir pescar também! Pufavô, vovô?"
O rosto de Charlie suavizou como um marshmallow ao pedido da sua neta, mas ele respirou fundo antes de responder.
"Maddie, eu prometo que vou levá-la para pescar antes de você voltar para Nova York, mas isso aqui é uma viagem de pesca para adultos, apenas para Edward e eu. Ok?"
Maddie olhou para baixo, uma carranca decepcionada em seu rosto. "Ok, vovô".
"Agora, vá lá para cima e fique com a mamãe até que ela acorde, e nós voltaremos em pouco tempo".
"Ok." Ela concordou novamente. Ela levantou-se da mesa e deu alguns passos antes de virar e correr de volta para mim.
"Edwood, você não vai embola, ceito? Você vai voltar?"
"É claro que eu vou voltar, princesa. Eu a verei em pouco tempo, assim como o seu avô disse".
Ela sorriu largamente, seus olhos chocolate brilhando. Então ela estendeu a mão e colocou os bracinhos em volta de mim. "Eu te amo, Edwood".
Sim. Isso fazia tudo valer a pena.
Eu segurei seu minúsculo rosto em minhas mãos e beijei o topo de seu cabelo. "Eu também te amo, princesa." Eu murmurei.
Ela afastou-se então e saiu correndo da cozinha.
"Tchau, vovô! Vejo você mais taide!" Ela gritou, e então ouvi seus passinhos correndo as escadas. Virei-me para Charlie. Ele me olhava pensativamente.
Depois de alguns segundos embaraçosos, ele disse, "Bem, é melhor você lavar seu rosto e trocar de roupa para que possamos ir e voltar cedo. Você pode usar o banheiro no corredor".
"Devemos deixar Bella saber-"
"Eu já escrevi um bilhete para ela. Nós não vamos demorar muito".
Eu balancei a cabeça e fui me trocar, esperando que eu pudesse manter minha promessa a Maddie e voltar depois da nossa 'viagem de pesca'.
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Charlie e eu ficamos sentados silenciosamente em lados opostos do seu pequeno barco de pesca. Nós estivemos sentados com as nossas linhas na água esperando os peixes morderem a isca pela maior parte de uma hora, nenhum de nós quebrando o silêncio opressivo.
A chuva caía insistentemente do céu escuro - embora não tão fortemente como tinha sido mais cedo, ou na noite passada. Ao longe, altas montanhas espreitavam de trás do forte nevoeiro, atingindo todo o caminho até as nuvens – exatamente como Bella havia descrito para mim uma vez. Se não fosse pela chuva fria e pegajosa e o silêncio enervante que me cercava, eu realmente apreciaria a vista.
Charlie finalmente quebrou o silêncio, pegando-me de surpresa, "Então, Edward, você provavelmente está se perguntando 'por que estamos aqui na manhã de Ação de Graças', em vez de em casa com... nossos entes queridos." Ele manteve os olhos em sua linha enquanto falava.
"Sim, senhor. Acho que estou." Respondi honestamente.
Ele ficou em silêncio de novo por um tempo, e eu pensei que talvez ele tivesse mudado de ideia sobre falar, depois de tudo.
"Minha filha estava muito chateada quando liguei para ela na outra noite".
Merda.
"Eu sei, senhor." Eu disse honestamente de novo. "Nós tivemos um pequeno... desentendimento, mas eu prometo a você-"
"Você me promete o quê?" Ele bufou. "Que não haverá mais desentendimentos? Filho, sempre haverá desentendimentos em um relacionamento. O que importa é como você lida com eles. Eu não trouxe você aqui para que você pudesse me prometer que sempre concordará com a minha filha".
Ele ficou em silêncio de novo.
"Bella contou a você sobre Paul?"
"Sim, senhor".
Ele assentiu, mas manteve seus olhos na água. Então, ele tomou uma respiração profunda.
"Você é jovem, Edward." Ele começou. "Talvez um dia você será um... pai." Ele suspirou. "Quando Bella começou a namorar Paul, eu esperava que fosse apenas uma fase. Não sei se você percebeu, mas Bella é diferente das outras mulheres-"
"É claro que eu percebi isso, senhor." Eu interrompi.
Ele se virou para olhar para mim com um sorriso, e depois voltou para a sua linha.
"Enfim, o que eu estava tentando dizer é que ela sempre foi mais... madura do que a maioria das garotas da sua idade. Eu não podia vê-la levando alguém como Paul a sério, e eu não queria interferir porque imaginei que ela se livraria dele sozinha. Acho que eu falhei em ver que não importava o que acontecesse, ela ainda era apenas uma adolescente. Mas então um mês se tornou dois, e dois se tornaram seis, e na hora em que percebi que eu deveria ter me metido, já era tarde demais. Ela se apaixonou, e se eu tentasse me meter nisso, ela mesma se distanciaria de mim, em vez de se distanciar dele. Eu não queria perder a minha filha, Edward".
Soou como um pedido de desculpas. Mas eu não respondi. Não parecia que ele queria que eu respondesse. Ele ficou em silêncio de novo, ou perdido em seus pensamentos, ou me dando tempo para tentar descobrir o que ele estava tentando dizer.
"Eu não passarei por toda a confusão sórdida. Bella dirá a você tanto quanto ela queira que você saiba, isso não é da minha conta. Estou aqui apenas para dizer a você uma coisa".
Agora ele se virou para mim e eu virei para ele. Seus olhos castanhos – tão parecidos com os da sua filha e neta – perfuraram os meus.
"Eu não cometerei esse erro novamente, Edward. Eu disse para a minha filha no outro dia que eu confiava em seu julgamento. E eu confio. De todo o coração. Nós todos erramos, todos nós ignoramos o nosso melhor juízo em algum momento das nossas vidas. Não significa que devemos parar de confiar em nós mesmos, ou nos outros. Eu ignorei o meu melhor juízo quando não tentei afastá-la de Paul desde o início".
"Senhor, eu nunca faria mal a Bella dessa forma. Eu sei que você provavelmente está preocupado, por causa do que você já viu na mídia-"
"Sim, eu estou." Ele concordou. "Mas, como eu disse, eu confio no julgamento da minha filha. Se ela acha que você mudou, bem, então... eu irei junto com isso." Seus olhos estreitaram. "Mas eu estarei observando, filho. Eu posso estar a alguns milhares de quilômetros de distância, mas... desta vez... se eu vir algo, ou ouvir algo com o qual Bella não esteja feliz... se aquele olhar com o qual ela chegou em casa ontem, ou aquele no rosto da minha neta esta manhã, desaparecem, então eu vou dizer algo, e você terá notícias minhas. Nós nos entendemos?"
Eu engoli em seco, mas encontrei seus olhos diretamente. "Sim, senhor. Mas, Charlie, isso não vai acontecer. Eu amo Bella e Maddie," eu disse em uma voz clara e firme, "e elas me amam".
Não havia nenhum ponto em ser ambíguo, ou fazer rodeios com ele. Bella tinha dito que Charlie era um homem de poucas palavras, e como tal, eu achei que ele gostaria da franqueza mais do que qualquer coisa. Eu esperava que um dia eu fosse mais do que apenas tolerado por este homem, mas eu não pediria desculpas por estar apaixonado pela sua filha também.
Charlie avaliou meus olhos pelo que pareceu uma eternidade, e eu deixei. O que quer que ele estivesse procurando, o que quer que ele precisasse encontrar, estaria lá ou não. Depois de alguns minutos, sua expressão mudou, e as linhas duras ao redor dos seus olhos pareceram suavizar minusculamente. De novo, Charlie parecia um homem jovem.
Ele acenou com a cabeça lentamente. "Tudo bem, então." Ele disse simplesmente, ainda mantendo seus olhos em mim.
Olhamos um para o outro por um longo tempo. "Agora, puxe a sua linha," ele disse abruptamente, "você pegou alguma coisa".
Eu pisquei. "Ah. Ok." Voltei para a minha linha e enrolei o molinete rapidamente.
"E Edward?"
"Sim, senhor?"
"Pare de me chamar de senhor. Você está me fazendo sentir como um velhote".
Eu suprimi um sorriso. "Sim, senhor. Quero dizer, sim, Chefe".
"Assim é melhor".
Eu roubei um olhar para ele enquanto girava a minha linha, e pode ter sido o espesso nevoeiro mexendo com a minha visão, mas eu podia jurar que vi uma borda da sua boca se contorcer sob a barba.
Charlie não disse mais nada pelo resto da nossa 'viagem de pesca', mas, de repente, o silêncio não era tão desconfortável.
Nota:
Então, o que acharam do capítulo? Charlie "pegando no pé" de Edward, mas no final os dois se deram bem, não é? E essa Maddie falando tudo errado é uma perdição! Eu amo essa menininha...
Obrigada à minha querida beta e amiga, LeiliPattz, que mesmo quando eu mando o capítulo em cima da hora, ela ainda beta e me devolve a tempo de postar! Obrigada, leili! ;)
Essa é a fic que eu traduzo que recebe mais reviews, e isso me deixa imensamente feliz! Mas o número de reviews não chega nem perto da quantidade de pessoas que tem essa fic em alerta ou nos favoritos. 175 pessoas têm essa fic em alerta! E a média é de 55 reviews por capítulo, sendo que muitas pessoas que comentam nem tem conta no FF. Então, cadê as outras pessoas? Por favor, apareçam! Vou fazer uma meta para o próximo capítulo, se tiver 100 reviews, eu posto um cap. extra durante a semana. Só depende das pessoas "invisíveis" colaborarem tb, não custa nada, não é?!
Ah, minha parceira, Nai, posta fics incríveis no perfil dela, para quem ainda não viu, dê uma passadinha por lá, ela posta com regularidade. Leiam e comentem! O perfil dela é:
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bjs,
Ju
