Capítulo Vinte e Quatro.

Bella.

- Nós veremos o papai em breve? – Jamie perguntou quando parei em sua escola para busca-lo. Félix me deu um olhar pelo retrovisor e sorri, sem mostrar a tensão no meu rosto. – Está tudo bem, mãe? Como foi no médico?

- Foi tudo bem, o bebê está bem e sim, veremos o papai em breve.

- Não gosto dessa coisa de nos dividir com Nova Iorque. – reclamou olhando pela janela e entendia o sentimento. Estou sentindo tanta falta do Edward que considerei me mudar para Nova Iorque. Disse a mim mesma que era só um caso e essas viagens constantes era pelo nosso trabalho, porque amamos o que fazemos e porque Rosalie merece que Royce King seja preso.

- Eu também não, mas seu pai está cuidando de prender uma pessoa muito ruim, então, seremos pacientes. Infelizmente, nossa vida é aqui, sua escola, o escritório, meu médico e não podemos viajar onde o papai está. – segurei seu ombro e beijei sua bochecha. – Sua estabilidade em segurança é o nosso maior objetivo. E não se preocupe, sua festa de aniversário vai acontecer de todo jeito e seu pai estará aqui.

- Não iremos para Nova Iorque esse ano?

- Sinto muito, querido. Mas não é uma boa ideia no momento, ok? Enviaremos suas doações, como sempre, só não ficaremos lá. – beijei sua bochecha. – Mas podemos fazer uma festa do pijama, que tal? Convide seus amigos e amigas, pediremos pizza, milk-shake e tudo que costuma comer em Nova Iorque. Traremos a cidade até nós, que tal?

- É uma boa ideia, mãe. Esse ano eu tenho amigos para comemorar.

- Obrigada por ser um menino compreensível. – ele deitou a cabeça no meu ombro e passou a mão na minha barriga que estava começando a despontar. Estou com quatorze semanas, passei do primeiro trimestre, está nítido que estou grávida, só ainda não sustento um barrigão.

- Papai disse para cuidar de você e é isso que estou fazendo. – suspirou, todo menininho adulto e sorri. Essa criança sempre será a criatura mais incrível do mundo, que sorte a minha ser mãe dele.

Félix nos levou para casa, depois da minha consulta médica, no qual estava tudo bem comigo e com o bebê, busquei Jamie na escola e agora iremos para casa. Seu aniversário será no final de semana que vem, ele entrou correndo, disse que faria a lista com seus amigos e número de telefone para que pudessem convidar para festinha.

Pedi a Rosalie que viesse ficar comigo, caso muitas mães permitam assim não ficarei responsável com tanta criança sozinha. Estava meio em cima da hora, só não permitiria que Jamie sofresse em seu aniversário. Ele gosta de comemorar e eu também. Seu nascimento ainda é agridoce, agora que estou grávida, me sinto feliz. Nada de dor ou choro, estou esperançosa que esse parto será diferente.

- Eu posso sair e procurar uma máquina de milk-shake com Eleazar... Deixe-me me ver o que mais posso fazer... – Leah estava atrás de mim, mais empolgada que o próprio Jamie.

- Pizza podemos encomendar, pipoca podemos fazer, compraremos balas, doces, sorvete, cookies... Pena que está frio, ou eles iriam se divertir na piscina. – suspirei e lembrei de colocar alguns filmes na sala de cinema.

- Irei comprar as coisas. – Leah saiu e sentei no meu escritório, ligando para alguns pais, pedi desculpa por ser tão em cima da hora. No fim, dez amigos estarão aqui no sábado pela manhã, para passar o dia, dormir e seus pais virem buscar domingo após o café da manhã.

Rosalie e Ângela disseram que viriam me ajudar, minha mãe também, meu pai provavelmente viria. Não liguei para o meu irmão, porque sei que ele está com Maria no seu último trimestre. O bebê está para nascer nas próximas semanas, minha cunhada não está muito bem, os médicos estão avaliando a melhor data para um parto seguro para ambos.

Ela precisa tomar injeções todos os dias na barriga, são caras, a deixam desconfortável e enjoada. Estou apavorada, porque não posso imaginar sofrer tanto para viver um sonho. Nunca vi meu irmão tão preocupado e distraído, tem atrapalhado muito a sua campanha, só não quis desistir. Não posso decidir tudo por ele, não mais, Edward tem me ensinado muito sobre tomar todos os problemas do mundo. Só posso ajudar até onde me cabe.

A noite, depois que jantei sozinha com Jamie, li para que dormisse e ele esperou Edward ligar. Ouvi a conversa boba dos dois e oramos, para que dormisse em paz. Assim que Jamie dormiu, fui para meu quarto, cansada, tirei minha roupa, tomei banho e me joguei na cama, sentindo tanta falta do Edward que chorei.

Sempre foi apenas eu e meu filho, mas agora, sem o pai dele, parecemos incompletos.

A tela do meu telefone acendeu em uma chamada de vídeo e como estava chorando, não atendi. Edward ligou mais duas vezes e enviou uma mensagem, disse a ele que estava no banheiro. Sequei meu rosto, tentei parecer que estava bem e atendi sua quarta tentativa.

- Ah, amor. Você está chorando. – disse e mordi meu lábio, sem negar.

- Estou sentindo sua falta. – disse baixinho. – E meus hormônios estão confusos, não esqueça disso. Como está o caso?

- Boas notícias. Royce foi condenado por dez estupros, pornografia infantil e assédio sexual. As notícias irão explodir nos tabloides da cidade amanhã, acredito que chegará a nível nacional também. – disse e respirei fundo. – Ele está foragido, agora é oficialmente um condenado. Imagino que as ações da King irão cair muito, o Queen está se preparando para atacar.

- Isso é bom. E quando você vem para casa? – perguntei.

- Ainda não sei, preciso garantir que o Queen esteja satisfeito com o trabalho. E Royce tem que ser encontrado, sei que não foi longe. Amanhã irei conversar com umas pessoas, mas estarei em casa para o aniversário do Jamie, nem que tenha que voltar depois. – disse e engoli minha frustração. Queria estar lá, estar aqui, o escritório está com mais processos do que nunca e nossa cartela de clientes privados parece aumentar a cada semana.

- Tudo bem, descanse, amanhã vai ser um longo dia.

- Vá dormir, quero te ver dormir. – pediu e bocejei, me ajeitando na cama. – Antes, mostre meu bebê.

Revirei os olhos e virei a chamada para minha barriga. Edward assobiou por me ver nua e passei a mão no meu montinho, ele adorava. Sinto falta dos seus beijos na minha barriga. Fechei meus olhos para dormir, ouvindo-o cantar baixinho pra mim e me entreguei ao sono.

Acordei com o mesmo som da música, baixinho, no meu ouvido e dessa vez, as mãos na minha barriga eram reais. Abri os olhos e virei na cama. Edward estava ali, pessoalmente, meio vestido e cantando pra mim. Soltei um gritinho e o agarrei apertado, sentindo seu cheiro, seu corpo.

- Surpresa, amor. – sorriu e o beijei, com saudade. Cheia de amor. – Parece que você sentiu a minha falta. – disse quando montei nele.

- Em todos os sentidos. – sorri e suas mãos foram para minha barriga.

- Não só ela cresceu, pelo visto. – agarrou minha bunda também.

- O que está acontecendo? Como? Pensei que você só voltasse...

- Royce foi preso meia hora depois que nos falamos, ele estava tentando fugir com seu carro de luxo e já tinha até passaportes falsos e várias notas de dinheiro frio. – disse meio animadinho. – Liguei para Oliver e disse que cuidaria de tudo daqui, porque precisava estar com a minha família. Ele entendeu e marcamos uma reunião.

- Isso é simplesmente maravilhoso. E as ameaças?

- A única forma que consigo neutralizar ameaças é sabendo que estão seguros bem diante dos meus olhos. – disse sem mostrar preocupação. Recebemos diversas ameaças, algumas bem sérias, que me deixaram preocupadas depois de tudo que aconteceu em minha vida nos últimos anos, eu não quero me fazer de poderosa e ignorar. Tenho outro filho a caminho, duas crianças para criar e manter segura. – E eu vou cuidar disso. Agora... Nós podemos conversar sobre o quanto estou com saudades de fazer sexo com a minha linda esposa?

- Não precisamos conversar. – respondi e beijei sua boca, começando a matar minha saudade.

Saímos do quarto quando ouvimos Jamie acordar e ele não fazia ideia que Edward estava em casa. Ouvi sua voz no segundo andar, perturbando Leah na hora do seu café da manhã antes de ir para escola, era sexta-feira e hoje a noite pensei em termos um programa de família antes de ter a casa invadida por meninas e meninos.

- Bom dia, mamãe. Dormiu bem? – sorriu assim que me viu.

- Dormi sim, e você? – perguntei olhando para Edward escondido na parede antes de entrar na cozinha. Jamie assentiu, apertando o pote da calda em cima das suas panquecas. – James! – alertei e ele parou, pegando algumas frutas. – Você pode fechar os olhos e virar de costas, por um instante? – perguntei e ele me deu um olhar estranho. – Leah, não o deixe trapacear. É um presente.

- Adoro meu aniversário, ganho presentes atoa. – disse virando e Leah deu sinal que estava com os olhos fechados. Silenciosamente, Edward andou até ele, ajoelhou atrás e cutucou seu ombro. Jamie virou de olhos fechados e quando abriu, gritou bem alto. Se jogou em Edward com força e filmei o reencontro dos dois, porque foi emocionante. Eles se beijaram, ficaram abraçados, grudadinhos e me juntei a eles, porque senti muita falta de ficar em família.

Jamie estava muito feliz com o pai em casa e teve que ir a escola por causa de um teste, não o deixaria faltar assim. Prometemos que iremos busca-lo juntos e faríamos uma programação em família a noite. Leah estava empolgada com o aluguel da máquina de milk-shake, que chegaria a noite e ficaria aqui até segunda a noite. As crianças vão se esbaldar nisso e nem era tão caro assim.

- Precisamos ir para o escritório, há muito que fazer por lá. – disse a Edward depois que nos despedimos do Jamie.

- Eu sei, vamos comer, sem pressa. Estou meio cansado de ficar correndo por todo lado. – respondeu e puxou uma cadeira pra mim, me convidando a comer com ele.

- Você ficou fora algumas semanas e acho que não tomamos café juntos desde de Aspen. Acabei ignorando fazer uma refeição a mesa sem Jaime em casa.

- Se soubesse que estava em casa, faria seu bolo favorito. Querem algo especial para o jantar? Já embalei seus almoços. – Leah colocou uma garrafa de suco na mesa.

- Acho que vou leva-los para jantar, Leah. Talvez passear com Jamie, ele vai querer fazer algo diferente. – Edward respondeu e me observou comer por um tempo, depois comeu torradas com ovos, café e panquecas.

Escovamos os dentes e saímos de casa, ele reclamou que a minha calça estava muito justa. Estou perdendo as roupas bem rápido, principalmente no quadril, lembro que fiquei bem grande com Jamie, nessa gestação estou me sentindo ainda maior. Estou comendo bem mais, com Edward fora, descontei minha ansiedade na comida.

- O primo da Carmem me procurou em Nova Iorque, ele disse que os pais dela estão no país e querem conversar comigo. E eu disse que não, não tenho porque conversar com eles. – disse no carro e senti um arrepio. – Os investigadores não concluíram nada demais, só que ela estava nos perseguindo e planejava algo contra. Não encontraram o atirador e nem Mike, ele não era bom, ou teria me matado. Mas está sendo muito bom em desaparecer.

- Acha que esse primo da Carmem não faria isso?

- Pensei nisso e o DNA dele não foi compatível com o que recolhemos no apartamento. Seja quem for, não tem passagem pela polícia, nunca registrou nada. É uma pessoa limpa, provavelmente alguém que ela seduziu e manipulou com sexo! – bateu a mão no volante. – Fico preocupado, não gosto dessa sensação de estar com pontas soltas.

- Reforçamos a segurança, seja quem for, ela morreu e provavelmente só está fugindo. Não quer ser pego.

- A família dela está sendo cobrada pela dívida com a máfia irlandesa. – Edward disse.

- Eles vão matar todo mundo até não ser pago, Edward.

- O pai dela vai pagar, o primo dela pediu que eu intermediasse e neguei, indiquei outro intermediador, para fazer a troca do dinheiro. Prometi que não iria mais me envolver nisso e não vou. Além do mais, com seu relacionamento com a família do Paolo, não é uma boa ideia...

- Sim... Paolo era primo do Aro, eu não posso fingir que não os conheço, não depois de todos esses anos. Não gosto da máfia, me incomoda, só não é meu problema para resolver.

Edward segurou a minha mão enquanto dirigia e percebi que ele também estava com saudades. Chegamos ao escritório, estacionamos na vaga costumeira e ao entrar, ele foi bem recebido. Abracei Emmett, depois de semanas sem vê-lo, senti saudades. Rosalie me deu um sorriso, ela compartilhava o sentimento de saudades.

- Quinze dias para o casamento e você ainda não me respondeu sobre a sua despedida de solteira. – falei com ela, antes de entrar na minha sala.

- Eu não vou escolher, vocês que deve. É a minha madrinha.

- Sem reclamações. – sorri e Ângela apareceu do meu lado. – Você gostou da sua despedida de solteira? – perguntei a ela, que corou até a raiz dos cabelos. – Foi emocionante.

- Não deixe a Bella organizar a despedida de solteiro da Rose, vai por mim. – Benjamin disse a Emmett, que me olhou desconfiado.

- A noiva amou e é isso que importa. – respondi aos meninos.

- Isabella é uma senhora casada agora, tenho certeza que irá se comportar. – Edward disse enfiando as mãos no bolso, revirei os olhos, não respondendo nada a sua fala. Realmente, estava solteira e não havia um bebê na minha barriga. – Vamos começar a trabalhar, pessoal. Não queremos estender o expediente em uma sexta-feira.

Cada um correu para um lado, sem se abalar que o Sr. Irritadinho estava de volta. Tanya me deu um sorriso e continuou digitando sem parar, falando com Lauren. As duas realmente faziam cada expediente uma festa, porque não se importavam com nada contanto que fofocassem sem parar. Eu reparei o olhar que Félix deu a Tanya... Será que estava rolando algo? Ele a levou para seu apartamento depois que descobrimos que Carmem estava no mesmo prédio que ela.

Dois adultos e bonitos juntos podem ter uma atração.

E eu não julgo.

Edward passou o dia querendo conferir tudo. Era difícil ser sua sócia quando ele estava no modo dor na bunda, principalmente por estar muito tempo fora e quer dar conta de tudo. Ele me enviou um e-mail pedindo o balanço do mês, depois enviou Tanya para buscar o maldito documento que eu não sabia onde estava e colocou as duas assistentes procurando enquanto resmungava sobre não ser organizada.

- Minha saudade está passando. – bocejei e continuei digitando, tentando ignorá-lo.

- É um documento que não pode ser perdido.

- Basta imprimir outro. – dei os ombros, meu telefone vibrou com uma mensagem, respondi meu irmão e voltei a digitar.

- Basta ser mais organizada. – bufou abrindo e fechando minhas gavetas, olhando as pastas. A verdade é que sempre fui organizada, só tenho sentido um cansaço fora do comum, talvez seja a gravidez, talvez seja estresse mesmo. Preciso de uns dias de folga, nunca fui disso, só não estou aguentando o ritmo. – Caramba, Bella. Não sei onde está. – bateu a gaveta.

- Edward, por tudo que é mais sagrado, imprime outro! – gritei, perdendo o pouco de paciente que tinha. – Tem que ser a mesma merda de papel?

- Anotei coisas do balanço passado lá. – disse daquele jeito puto que me deixava a beira da insanidade.

- Anota de novo! – puxei meu cabelo com frustração.

Edward saiu da minha sala puto e bateu a porta, sim, o babaca está de volta. Só porque nos amamos não quer dizer que ele deixou de ser um pé no saco. Idiota. Com raiva dele, sai para almoçar com as meninas, não avisei, nem deixei recado, apenas dissemos aos meninos, ou seja: ele descobriria. Enviou duas mensagens que não li, queria ficar com raiva, porque se ele pedisse desculpas me sentiria uma esposa ruim se não perdoasse.

Ao voltarmos, ele estava comendo com o irmão dele na sala de reuniões e entrei na minha sala, fechando a porta e abaixando as persianas. Uma hora depois, meus olhos estavam ardendo e minha cabeça explodindo, me perguntei se bebi água o suficiente. Minha médica alertou sobre manter-me hidratada e comer menos chocolate durante a gestação.

Edward abriu a minha porta no momento que senti uma vertigem forte e acabei vomitando na minha lixeira. Ele correu para o meu lado, segurando meu cabelo a afagando as minhas costas.

- Isso é um enjoo ou algo mais?

- Estou meio estranha, com dor de cabeça, acho que bebi pouca água ou algo mais. A sala parece pequena. – respondi e ele me levantou no colo, deitando no sofá, chamou por Lauren com urgência na voz. – Não quero que faça alarde. – pedi e ele me ignorou, chamando atenção de metade do escritório.

- Fale pra mim o que sente, estou ligando para sua médica.

- Edward... É uma vertigem, meu Deus. – suspirei sem paciência.

- Você poderia colaborar? Ser irritante e teimosa não vai nos levar a lugar nenhum além de uma briga imensa. – rebateu e meus olhos encheram-se de lágrimas. – Oi, sou Edward Cullen e eu quero falar com a doutora... – se afastou no momento que Lauren veio pra mim, com água. – Sim, ela diz que sente dores de cabeça e vertigem. Devo leva-la a emergência? – perguntou e revirei os olhos. – Sim, iremos, chegaremos aí em meia hora.

- Eu não acredito que vai me levar ao médico, isso é normal.

- Me perdoe, mas essa é a minha primeira vez com minha esposa grávida. – rebateu e eu decidi não discutir mais, porque ele fica irredutível quando acha que está certo e quando se trata da minha saúde, Edward é impossível.

Saímos do escritório com todo mundo querendo saber sobre mim e era meio chato, sei que eles me amam e se importam, só que depois do acidente me tratam como se fosse quebrar. E talvez eu quebre mesmo. Com cuidado, dirigiu segurando minha mão, ele consegue ser fofo mesmo quando é irritante. Acho que estou mal humorada quando devo estar feliz, ele voltou para casa, solucionamos mais um caso e teremos um dia em família.

- É perfeitamente normal estar rabugenta, Bella. – minha médica riu do meu choro no seu consultório. Ela me examinou e de acordo com as queixas, definiu que estou em um pico de estresse. Como manter a calma? Nunca fui tão sensível, é chato. E no momento eu estava chorando porque fui uma bruxa com Edward quando ele ficou semanas fora de casa. - Vou lhe receitar um remédio para dor de cabeça, tome apenas se estiver forte e descanse ao mesmo tempo. Deite um pouco, mesmo que no escritório. Está bem? – escreveu algo em seu bloquinho e me entregou uma receita.

Edward apertou meus ombros e agradecemos, saindo do consultório. Nós não voltamos ao escritório, devido a hora e também porque prometemos buscar Jamie. Estacionamos em frente a escola dele, encontramos Irina também aguardando Victória e nossas duas crianças saíram pelas portas da frente, correndo e rindo.

- Tio Edward! – Victória pulou nele, com saudades. – Senti tanta a sua falta, eu vou dormir na sua casa amanhã.

- Também senti saudades, tampinha. – ele riu, puro deleite com o carinho da nossa menina. – Temos que ir, mamãe não está sentindo-se bem. Vamos descansar um pouco. – ele a colocou no chão e falou com Jamie, que imediatamente me abraçou. Claro que Edward deixaria a criança preocupada. - Quer vir jantar conosco mais tarde?

- Nós iremos jantar com meus pais, mas amanhã cedo essa mocinha estará lá. – Irina respondeu bagunçando o cabelo da filha.

Jamie estava tagarela, como sempre, falando no banco de trás e não reclamei para que Edward não pedisse que ficasse quieto. Como ainda faltava algumas horas para o jantar, subi para nosso quarto, tomei banho e deitei na cama, descansando para ajudar a diminuir meu enjoo.

- Aqui está, amor. – Edward me acordou um tempo depois. – Seu remédio e um lanche, está sentindo-se melhor?

- Um pouco, devo tomar a medicação mesmo assim. – aceitei o copo de suco, tomei o remédio e ele me deu um prato com um sanduíche. Era de manteiga de amendoim com geleia, algo feito com carinho, porque ele sabe que é minha comida de conforto. – Desculpe por gritar mais cedo, fui boba. Poderia ter procurado o documento.

- Desculpe também, era só um documento. – beijou-me nos lábios.

Voltei a dormir e fui acordada com o barulho do chuveiro, estava me sentindo ótima, nem parecia que passei mal. Tranquei a porta do quarto, tirei minha roupa e entrei no chuveiro. Edward sorriu, me agarrando e beijando, lavando meu cabelo e não passou despercebido que esfregou minha barriga mais vezes que o necessário. Ele está amando a gravidez.

- Esse montinho aqui me deixa doido, seu corpo já mudou tanto e ainda vai mudar mais. – ajoelhou na minha frente e encheu de beijos. – Eu amo as suas fotos grávida do Jamie. Acho que vou te deixar muitas vezes desse jeito.

- Você está delirante. – revirei os olhos e terminei meu banho, me secando. – Vá ajudar Jamie enquanto me arrumo, está bem? Não vou demorar, prometo.

Nosso jantar em família foi adorável, matei saudades dos meus dois meninos e no dia seguinte, tivemos a cada invadida por cinco meninos, seis meninas, parte da nossa família e foi tão divertido. Nunca imaginei que me divertiria tanto com crianças e visse Edward se esbaldar de brincar com os meninos, provendo jogos, sendo juiz, pai, brincalhão, cozinheiro e amável.

- Eles dormiram? – perguntei a Rosalie, que foi verificar os meninos. Três crianças em cada quarto, eles estavam exaustos depois de um dia inteiro e já era meia noite, bem depois da hora de dormir.

- Estão apagados. – riu e foi direto para máquina de milk-shake. – Se não entrar no vestido de casamento, te mato por alugar isso.

- Faça um para mim e cale-se.

Meus pais foram embora horas atrás, Esme estava limpando a bagunça, pedi para deixar para depois duas vezes e não quis. Emmett e Edward estavam bebendo cerveja com o pai deles no escritório, conversa de meninos. E eu estava comendo como uma pessoa desesperada, porque não havia fome, apenas olho grande.

- Ainda tem pizza, querem? – Esme perguntou e eu não neguei. – Está melhor?

- Muito melhor, a médica disse que estou estressada. – dei os ombros. – Diga-me como não ser. Acho que vou ficar mais calma agora, essa história do King encerrando...

- E as ameaças?

- Não é a primeira vez que alguém me ameaça de morte, Esme. Só não estou mais ignorando como antes, preciso ser prudente. Mike está investigando, ele e Jéssica estão fora seguindo o rastro dos cartões e do atirador que atingiu Edward. – respondi meio de boca cheia, ficaremos bem.

Logo que voltamos para Aspen, encontramos diversas cartas sem remetente, sem digitais e sem como rastrear. Cartas que ameaçavam a minha vida e do Jamie, sem saber quem era, decidimos não ignorar. Fiquei um pouco nervosa, não nego, tudo que vivi com Laurent ainda é muito fresco. Em seguida, Edward levou um tiro.

Após o café da manhã de domingo, as crianças foram embora, Jamie estava exausto e muito feliz, agradecendo o tempo todo. Ele dormiu praticamente o dia inteiro, jogou e comeu. Aproveitamos seu clima de preguiça para dormir, ele está muito mais calmo com a medicação, é natural. E quando ele toma duas vezes no dia, ele é uma criança muito zen.

Estamos sempre indo ao médico, verificando sua condição, ele segue indo a terapia e sabemos que iremos enfrentar muitos problemas com sua imperatividade até tornar-se adulto. Agora estou feliz em controlar.

Na segunda-feira, no escritório, Edward estava fechado em seu escritório com Félix por horas. Eu estava quase morrendo de curiosidade, mas o filha da mãe trancou a porta. Eu odeio quando faz isso.

- Amor, pode vir aqui, por favor? – pediu solenemente depois que Félix saiu.

- O que está acontecendo? – perguntei sem nem esperar.

- Parece que Mike encontrou a origem as ameaças. – disse e sentei na sua frente, esperando. – Félix fez a verificação e tudo bate... – disse com pesar.

- Caramba, para com esse mistério. Quem estava enviando essa merda? – gritei ansiosa.

- Jacob Black...

- O quê? Por que ele faria isso, aquele idiota? Ele não pode matar uma mosca, o retardado.

- Essa não é a questão, Isabella. O ponto é que ele está concorrendo com seu irmão, deve ter pensado que seria uma maneira eficaz de nos distrair.

- Bem, não me conhece. Não acredito que namorei esse idiota. Vai lá, bate nele! – bati meu pé e ele riu. – Tem mais?

- Tem. Ele estava recebendo informações sobre a campanha de Jasper e baseou toda sua candidatura nisso, felizmente, ainda não lançamos nada e podemos mudar a tempo. Faltam meses pare eleição... – fingi um bocejo.

- Mansplainning, querido. – disse e ele corou.

- Desculpe, amor. Preciso mesmo me policiar com isso...

- Me disseram que é normal quando um machista casa com uma feminista. – disse com gracejo e ele me olhou arrogante.

- Não sou machista. – ergui minha sobrancelha. – Ninguém nasce desconstruído, posso continuar?

- Não precisaria se tivesse me convidado para reunião. – dei os ombros.

- Você passou mal ontem por estar estressada, estou contando com calma e juro que não estou escondendo nada. Só que é delicado, quem estava dando informações da campanha do Jasper era a assessora de campanha dele. – disse e franzi o cenho.

- Maria? Impossível. Ela lambe o chão que meu irmão pisa!

- Não a antiga, amor. A nova.

- Nettie? A irmã da Maria fez isso? Aquela puta ciumenta! – gritei ficando de pé e Edward grunhiu, dizendo que era essa reação que ele não queria. – Como ousa fazer algo do tipo?

- Não sabemos e vamos descobrir, sente-se antes que te coloque de castigo.

- Vai bater na minha bunda, papai? – provoquei e ele me puxou para seu colo, me fazendo rir. – Maria não pode saber, tenho certeza que ela não está envolvida, seu sonho era casar com Jas e ter seu bebê. Ele mal pode andar, dirá organizar um golpe contra o marido. Sei que já vi de tudo no mundo da política, mas...

- Também não acho que Maria esteja envolvida, não podemos fazer nada sem mais informações e não podemos quebrar o aniversário do Jamie nisso.

- Aquela vaca me aguarda. – resmunguei contrariada, mas sabendo que Edward estava certo. Quando se envolve a família, era seguro esperar para ter certeza de todos os atos. – Mike deu alguma notícia sobre o atirador?

- Ele está rastreando o rifle, fazendo o caminho inverso, assim vendo se consegue chegar a alguém que bata com a descrição do atirador. E mesmo assim, acho que esse filho da puta está bem debaixo do meu nariz.

- Acredito nos seus instintos. – beijei seus lábios.

Meu telefone tocou e era da escola do Jamie, senti um arrepio, com medo de receber a notícia que ele foi sequestrado de novo. Mal consegui atender.

- Sra. Cullen? Aqui é Nadia Jenner... Sou orientadora...

- O que aconteceu com meu filho?

- James envolveu-se em uma briga, ele está na sala de detenção e o direto gostaria de conversar com os pais das crianças envolvidas.

- Meu filho envolveu-se em uma briga? – perguntei, incapaz de acreditar.

Edward me olhou, igualmente surpreso.

- Sim, ele deu um soco no olho e no nariz de outro aluno. Parece que houve um desentendimento envolvendo outra aluna, Victória.

- Em quem ele bateu? – perguntei apenas para entender porque Jamie defenderia Victória.

- Seth Black. O pai já foi chamado também.

- Eu e o meu marido estaremos aí em breve. – disse friamente, a mulher não tinha nada a ver com a questão, mas a família Black estava me irritando. Encerrei a chamada e virei para Edward. – Você pode, por toda gentileza do mundo, chutar a bunda do Jacob Black?

- Com prazer, amor. Antes, vamos tirar nosso filho da detenção e coloca-lo de castigo apenas porque somos pais e temos que ser disciplinadores.

- É um absurdo castigar a criança por reagir diante de anos de bullying. – reclamei e Edward me ignorou, ele estava certo e temos que ser responsáveis. – Tudo bem, mas só dois dias. Não vou punir o garoto quando esse merdinha já deveria ter levado um chute na bunda.

- Eu não sei se sou eu ou os seus hormônios, mas você está bem violenta.

- Foda-se. – resmunguei fazendo-o rir da sua sala até o quarto.

Jacob Black usurpou minha paciência porque sempre acreditei que ele era apenas um cara inconveniente com um filho sem amor, mas conspirar contra minha família e irritar meu filho era demais. Se Edward não bater nele, baterei eu mesma com a ajuda de uma cadeira. Droga, realmente estou bem violenta. Ah, que se dane!