– Pronto! Terminei!
A morena ergueu o pequeno casaquinho. Lindo. Todo trabalhado na lã e com a golinha e as manguinhas com detalhes brancos.
- Que lindo, Rukia-chan! – Yuzu exclamou ao ver a peça. – O bebê que você e o Ichi-nii vão ter ficará uma gracinha nessa roupinha!
- É verdade... – Rukia assentiu.
Ela afagou o pequeno casaquinho que tinha em suas mãos.
Era tudo perfeito.
Estava junto dos Kurosaki.
Tinha uma família.
Agora teria um filho com Ichigo.
Formava uma família.
Uma felicidade que não era bem vista por seu irmão.
Enganava sua família.
Não teria como viver naquela ilusão de uma vida humana para sempre.
Ichigo pertencia aquele mundo, mas ela a Soul Society e logo teriam que voltar.
Logo não poderia mais esconder a vida que vivia dentro de si. Aquela que concebera junto de Ichigo.
Não temia por si, mas pelo substituto. Será que era um crime um humano se relacionar com um shinigami e ainda gerar uma vida?
E o que fariam com seu filho? Será que permitiriam tê-lo? Não. Não permitiria que nada fosse feito aquela criança que ainda nem saíra de seu ventre mas já era tão amada não só por ela, mas por Ichigo e por toda sua família.
Aquilo era apenas o começo. Uma ilusão que durou pouco, mas preencheu o coração de Rukia de uma felicidade que jamais havia sentido antes. Lutaria por construir aquela nova vida ao lado de Ichigo. Não importaria quão caro o preço que fosse. E nem quem tivesse que enfrentar. Apenas lutaria. Por ele. Para ficar com ele. Para viver com ele. Para construir o mundo que não se distinguia ao de um nem de outro. Era um único mundo que pertencia apenas aos dois.
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N.A.: Mais um capítulo saindo! Estão gostando dos capítulos mais 'light' que estamos tendo? ^^ É bom aproveitar mesmo, porque em breve vamos sacudir as coisinhas para nossos fofinhos. Digamos que esse é o capítulo em que iniciaremos algumas coisas mais tensas que acontecerão e eu realmente espero que vocês não me matem por isso! XD Mas chega de spoilers! Quero agradecer ao meu noivo Jorge André que me ajudou muito na direção nesse capítulo, diga-se de passagem, em especial no inicio que lerão! ^^ E as nakamas que deixaram review e me dão o empurrãozão para que eu continue isso aqui no meio da agitação da semana: Mela-cham, Mili Black, Dalila, Nanda, JJDani, Ana Paula (que bom que voltou, amiga, senti sua falta! ^^), Nathalia, Flavia e Pamilla. ^^ Muito, muito obrigada! ^^ Agora vamos ao que interessa, né? Espero que curtam!
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Entre o Amor e a Razão
Capítulo 25: Revelação
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O revirar das cobertas era intenso e vinha acompanhado da respiração superficial do rapaz que se remexia de um lado para o outro, despertando a moreninha que até pouco dormia no aconchego de seu abraço. E no meio de toda aquela algazarra onde ela dormia os olhos azuis logo se abriram estranhando a inquietude de quem permanecia adormecido ao seu lado.
- Ichigo?
A shinigami que tinha o corpo coberto apenas por um robe de seda salmão afastou os lençóis brancos e se sentou na cama, fitando o rapaz que tinha o rosto banhado em suor e apesar de dormir, tinha uma expressão sofrida em seu rosto. Preocupou-se.
- Ichigo? Acorde! – Rukia chamou enquanto suavemente sacodia o ombro do rapaz.
Não obteve sucesso. Ele permaneceu a se revirar, incomodado com o que devia estar vendo.
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- Kurosaki... kun...
A voz melodiosa e repleta de malícia chamava.
A visão perturbadora na penumbra da ruiva em uma posição extremamente indecente.
De costas, estava de joelhos. As curvas sinuosas da princesa estavam amostra, cobertas apenas pela blusa fina de linho branco que tinha um ou dois botões fechados na altura da cintura, expondo os volumosos seios.
Naquela posição constrangedora, com o grande volume traseiro exposto, a saia curta que vestia não escondia nada, deixando além de suas nádegas, a calcinha de renda branca cuja função não era ocultar, mas sim alimentar a luxuria.
Em seu rosto, um misto de fogosidade e acanhamento. Ela deslizou a língua pelo lábio superior enquanto dedilhava a curva exposta do seio.
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- Ichigo, está me preocupando!
A garota se levantou, afastando os cabelos rebeldes alaranjados que, pelo suor, cobriam a fronte a qual ela apoiou o dorso da mão checando a temperatura do rapaz. Aliviou-se.
- Bakamono.
Ela suspirou subindo a mão para o alto da cabeça de Ichigo e afagando os fios laranja com carinho.
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Os passos que corriam freneticamente pelo assoalho de madeira do jardim externo finalmente chegaram até a origem daquela enfraquecida reiatsu. Cruzando o batente, estancou. Levou uma mão aos lábios trêmulos, ofegante não só pela corrida enlouquecida até o gobantai, mas pela cena que presenciara.
A espada largada ao chão e mais a frente aquela cena que lhe chocara.
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- Por favor, me diga que ela vai ficar bem!
Ichigo suplicou, arrancando de quem tinha a sua frente uma expressão de pura consternação.
- Por favor!
A voz se engasgou com o choro.
Ele cobriu o rosto com as mãos, não se importando se as mesmas estavam banhadas ainda com o sangue dela. O mesmo que tingia de rubro o haori não mais tão branco daquela mulher.
Ela se curvou em respeito, com uma feição entristecida no rosto alvo que ficava no meio de duas mechas que se transformavam em uma longa trança.
O tremular de seus joelhos e aquele aperto no peito fizeram-no desarmar. Desmontou de joelhos ao chão enquanto as mãos varriam rosto e cabelos, tingindo qualquer ponto com aquele vermelho vívido.
O desespero lhe consumiu e ele urrou.
Urrou em clamor de sua impotência, de sua fraqueza, de sua falha.
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- Acabou, Kurosaki Ichigo.
A chuva caía tempestuosamente enquanto a noite era iluminada pelos trovões que cruzavam o azul infinito do céu. Era uma noite na qual nem uma estrela e muito menos a lua eram visíveis. Havia apenas a escuridão que era repelida por aqueles feixes que ligavam céu e terra, assim como as faíscas que ligavam as espadas que se chocavam.
O tom âmbar cintilava vermelho. Raiva e ódio percorriam sua alma. Provenientes da frustração de sua perda, de sua derrota.
Não. Ele não aceitava. Ele era uma das razões por ter perdido tudo. Não. Ainda havia algo que não estivesse perdido. Só perderia se ele permanecesse vivo.
Decidiu.
Acabaria com tudo ali naquela noite.
Estava tão sedento quanto à lâmina que brandia pelo sangue de seu inimigo que a embebedaria. Fincaria a espada tão negra quanto à escuridão em seu peito e honraria tudo que haviam lhe tirado. Se vida lhe havia sido tirada, vida tiraria.
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- Rukia!
Ichigo se levantou de uma só vez, abrindo os olhos castanhos que estavam arregalados após a sucessão enlouquecida daqueles pesadelos. Ele levou as duas mãos ao peito, ofegante. Então sentiu uma mãozinha suave em seu braço e olhou para o lado. Era a shinigami que tinha as safiras azuis transbordando preocupação enquanto encarava o amado.
- Ichigo! Está tudo bem. – ela sussurrou na tentativa de acalma-lo.
- Rukia...
Ichigo sentiu um imenso alívio dentro de si. As mãos que ainda tremiam apertaram as cobertas que parcialmente ainda estavam sobre seu corpo antes que ele abrisse os braços e mergulhasse o corpo de Rukia neles.
Abraçou-a com todo seu ser, como se naquele enlace criasse uma redoma na qual nada poderia ferir sua amada, ninguém pudesse tira-la de sua proteção. Nada.
Afagando os cabelos repicados, Ichigo beijou a fronte da morena que permanecia assustada.
- Que aconteceu, Ichigo? – Rukia perguntou sentindo o tremer ainda incessante do corpo do rapaz.
Ele demorou um pouco para responder. Ainda estava ofegante, tentando retomar o fôlego e recompor o equilíbrio quando a afastou sem soltar os pequenos bracinhos que tinha em suas mãos masculinas. As palmas atritavam na pele suave e leitosa de Rukia que piscava sem entender.
- Quer um pouco de água?
E o balançar negativo da cabeça de Ichigo lhe respondeu. Ele suspirou.
- Rukia... Que bom que está aqui! – e voltou a abraça-la. – Não saia mais de perto de mim, tá?
- Ichigo... – Rukia chamou. – Por que está falando assim?
- Tive um pesadelo...
Ichigo desviou o olhar, apesar de estar com a cabeça apoiada no ombro da garota. Ela não veria sua expressão, mas estava tão atordoado que não sabia como agir.
- Que tipo de pesadelo? – Rukia afagou as costas largas do jovem, tentando conforta-lo.
- Várias coisas estranhas... – ele resumiu.
Só de lembrar seu peito corroía em dor.
Falar sobre aquilo, colocar em palavras aquela chuva de sensações e imagens talvez o destruísse de uma só vez.
- Calma, baka. Foi só um pesadelo!
Rukia o abraçou ainda mais firmemente. Ichigo ficou ali aninhado pelos braços de Rukia por um bom tempo. Como uma criança protegida por sua mãe. Não com medo de escuro. Mas medo do que o escuro poderia lhe trazer.
Uma brisa gelada corria pela janela entreaberta naquela noite de verão. Era um mau sinal.
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- Tudo bem, Ichigo. Já é a terceira vez que me liga hoje.
Três dias já haviam se passado desde que chegaram a Karakura.
- Não se preocupe. Sim, seu pai já saiu e Karin também. Yuzu-chan ficou em casa.
Naquela manhã, Rukia se sentia exausta e Ichigo não havia lhe permitido ir à aula. Em contrapartida, por estarem em época de provas, o substituto teve de ir. Mas mesmo assim, ficara tão preocupado que ligava de quinze em quinze minutos para a pequena.
- Sim, só estou um pouco enjoada.
Ainda pediu que Isshin a examinasse antes de sair e o médico garantiu que era normal a morena se sentir assim naquele estágio da gravidez, afinal, ela passava do último dos três primeiros meses nos quais aqueles sintomas eram mais recorrentes.
- Ahan. Seu pai só volta depois de amanhã. Na... Não, Ichigo! Vou ficar bem! E deixe seu pai. Não preciso que fiquem me pajeando vinte e quatro horas. Vou desligar, ok?
E ao desligar o telefone, Rukia lançou-se ao sofá. Sentia-se exausta.
As costas lhe doíam e aquelas náuseas estavam lhe matando, mas não queria preocupar Ichigo. Afinal, ele tinha suas obrigações como humano. Ela tinha certeza de que estaria bem se ficasse calma. E também havia a loirinha que lhe mimava tanto que estava sempre prestativa.
- Rukia-chan.
Rukia que tinha os olhos fechados enquanto recostada ao sofá os abriu para encarar Yuzu. A pequena trazia em uma bandeja um copo do qual saia fumaça. Devia estar bem quente.
A caçula de Ichigo tinha uma expressão preocupada para a morena que parecia tão abatida.
- Está se sentindo melhor?
- Sim, Yuzu. – Rukia respondeu endireitando-se ao sofá. – Só um pouco enjoada ainda.
- Papai disse que é normal. Parece que é bem complicado ter um bebê, não é?
Yuzu abriu um sorriso e Rukia correspondeu assentindo. Logo a cunhada pegou o copo da bandeja e então ofereceu a shinigami.
- Beba, Rukia-chan. É um chá de...
Não precisava completar. O aroma forte do chá-de-boldo que o líquido exalava fez Rukia cobrir os lábios com as mãos.
- Rukia-chan? – Yuzu indagou, assustada.
E antes que a loirinha fosse atrás da shinigami que subiu as escadas que levavam ao segundo piso, a campainha tocou. Ela ficou entre ir atrás de Rukia, apesar de ser a quarta vez no dia que a via agir assim e correr até o toalete e ir atender quem estava a espera. Suspirou e mesmo preocupada foi até a porta.
Abriu-a para dar de cara com alguém que há muito não via.
- Yuzu-chan! Como vai?
A voz era conhecida. Era Inoue Orihime, amiga de seu irmão. Mas ela não devia estar na escola como ele? Ainda mais porque vestia o uniforme do colégio. O que faria ali, já que mal passava do meio-dia?
- Ah... Ohayo, Inoue-chan.
Yuzu sorriu, mas logo foi surpreendida pela garota que varria o interior da sala com os olhos.
- A Kuchiki-san está? – perguntou a ruiva de forma simpática.
- Ah... sim, a Rukia-chan está. Entre, por favor. – e lhe deu licença.
A formosa menina adentrou a casa dos Kurosaki.
Assim que deu um passo adentro, agachou-se para tirar os sapatos e deixa-los no tapete do batente.
Yuzu tinha uma sensação estranha. Queria perguntar por que Inoue estava ali àquela hora e não no colégio. Será que havia saído mais cedo? E por que seu irmão já não estaria ali, já que eram da mesma classe?
Notando o silêncio que se instaurara e se sentindo desconfortável, a loirinha decidiu falar.
- Bem, a Rukia-chan está lá em cima. Pode subir. – e abriu um sorrisinho no rosto infantil. - Ela anda meio indisposta.
- Ah, obrigada! – curvou-se Inoue em agradecimento.
- Aliás, Inoue-chan, pode avisar a Rukia-chan que vou sair para comprar alguns legumes para o almoço? – perguntou Yuzu enquanto desamarrava o aventalzinho rosa com morangos estampados e o pousada no sofá.
- Claro, Yuzu-chan!
- Obrigada.
A loirinha saiu, deixando a amiga de seu irmão e de sua cunhada em casa.
A garota não se demorou em subir também. Foi até a escada e levando uma mão ao corrimão subiu, pé-ante-pé, não querendo fazer barulho.
Terminou o lance de degraus e estava cruzando o corredor do segundo andar em direção ao quarto de Ichigo. Apoiou a mão à maçaneta quando uma porta a frente do quarto se abriu.
Inoue virou-se para trás e deu de cara com uma abatida Rukia. Os olhos caídos e a expressão cansada não negavam que ela não estava bem. Colocar para fora o que não havia em seu estômago quatro vezes por dia não estava sendo fácil.
E a mão de Orihime chegou a girar um pouco da maçaneta, fazendo a porta abrir sutilmente.
- Não, Inoue!
Mesmo cambaleando, foi o mais rápido que pôde. Rukia correu até a porta onde Inoue estava e puxou a maçaneta de volta, trancando-a.
Inoue piscou desentendida quando viu a amiga se lançar a porta, parecendo tão desesperada que ela não entrasse.
Rukia sabia muito bem que Inoue não poderia sequer pensar em ver o berço que existia naquele quarto agora. Estava ofegante quando as mãos de Inoue chegaram aos seus ombros.
- Está tudo bem, Kuchiki-san?
- Sim... Está.
Rukia tentou ajeitar os cabelos negros, recompondo a aparência que sabia estar péssima.
- Mas... que surpresa, Inoue. – ela tentou sorrir. – Não devia estar na aula?
- Ah, eu acabei não indo hoje. – e coçou a cabeça, divertida. – Acabei me atrasando e liguei para o Ishida-kun. Ele me disse que o Kurosaki-kun havia dito que tinha ficado em casa por não estar se sentindo muito bem. – explicou. – Daí eu decidi vim ver como estava!
A morena não hesitara em abrir um sorriso sincero. Inoue parecia realmente preocupada.
- Obrigada, Inoue.
Rukia sorriu e Inoue fez o mesmo.
- Pensei que estava no quarto. Não acha melhor se deitar? – Inoue sugeriu apontando a porta que havia fechado as pressas.
- Na... Não! – Rukia negou com a cabeça enquanto agitava as mãos. – Estou bem! Vamos! – e a segurou pelo pulso. – Vamos para a sala.
E segurando a garota, Rukia chegou até o início da escada, mas só de encarar os degraus, sua vista embaçou. Sentia-se debilitada e apoiou-se no corrimão. Foi quando um barulho chamara a atenção de Inoue que já não tinha mais o pulso preso pela mãozinha da amiga. Ao ouvir o som de outra porta que o vento cuidava de fechar, Inoue virou-se para trás e sem perceber, seu cotovelo acabou por empurrar a morena.
Rukia não teve tempo de pensar em se equilibrar. A mão que fracamente segurava, deslizou pelo corrimão. O corpo caiu para frente, mergulhando no mar de degraus. A shinigami sentiu um aperto no peito, cerrando olhos e o cenho para se preparar para o baque com o chão. Mas aquela trajetória foi interrompida quando pousou em algo fofo.
Abriu os olhos e ergueu a cabeça para ver o rapaz de cabelos laranja que a segurava firmemente. Ele exprimia preocupação.
- I... Ichigo? – ela balbuciou, levando uma mão a testa.
- Baka! Está louca? Quer cair da escada do jeito que está? Tem ideia de que perigo isso pode ter com você estando...
E Ichigo, quando completaria a frase, fitou Inoue no alto da escada. Piscou atordoado ao notar o tamanho da besteira que faria. Ainda segurando a pequena, comediu-se a parar ali no que falara enquanto Inoue parecia confusa e realmente interessada no que Ichigo dizia.
- Estando... se sentindo mal assim, Rukia?
Rukia se endireitou, pondo-se de pé apoiada por Ichigo. Ele tinha a testa franzida, mas estava mais preocupado agora com o deslize que quase cometera.
- Eu sei... Tudo bem, não se preocupe. – ela explicou timidamente.
- Kurosaki-kun!
E com uma expressão confusa em seu belo rosto, Inoue foi encarada por Ichigo.
- Yo, Inoue. – ele cumprimentou e os olhos castanhos voltaram a fitar a pequena. – Como você está, Rukia?
- Bem... – respondeu.
- Acho que a Kuchiki-san não está muito bem, Kurosaki-kun. – Inoue rebateu, mas dessa vez suas intenções não eram ruins.
- É, eu sei. – e pausou a encarando. – Já comeu algo hoje?
- Não... A Yuzu tentou me dar um chá, mas nem encostei. – Rukia suspirou.
- Vou fazer algo para você almoçar, ok? – e beijou a fronte da garota.
- Ah, a Yuzu-chan foi comprar legumes para fazer o almoço, Kurosaki-kun! – Inoue se lembrou de avisar.
- Don Kanonji está fazendo uma gravação no caminho até o mercado. – Ichigo coçara a cabeça ao comentar. – Com certeza vai perder a hora vendo aquele palhaço. – concluiu. – Rukia, você vai comer tudinho que eu fizer, hein?
- Eu sei, eu sei... – Rukia suspirou emburrada.
- É sério! – Ichigo reafirmou enquanto levava a mão ao queixo da pequena.
Os olhos azuis encararam os sérios castanhos do jovem. Ela tentou desviar, mas Ichigo apertou a firmeza com a qual lhe segurava e forçou que Rukia o encarasse.
- Me preocupo, baka. – resmungou ele ao abraça-la.
Inoue estava mais do que segurando vela. Estava segurando dez candelabros, um em cada dedo. Eles acabaram de formar um mundo alheio em que apenas existia os dois e havia uma atmosfera tão... único e intensa que os envolvia.
Era exatamente a mesma cena que Renji presenciara quando a sequestrou. Aquela mesma que o desarmara. Aquela sensação de isolamento ao mundo perfeito que aquele sentimento tão forte dos dois era capaz de criar. Algo único. Sublime. Intenso. Egoísta...
Ela jamais seria capaz de pertencer àquilo. Jamais.
Viu as mãos masculinas de Ichigo deslizarem pela seda negra dos cabelos enquanto os dedos entrelaçavam os fios enquanto afagava a nuca. Ele cerrava os olhos como se quisesse captar a essência daquele abraço, o calor daquele corpinho frágil.
Uma dor lancinante atingiu o peito de Inoue. Algo que ela nunca havia sentido antes. Não era algo metafórico e algo... físico. Real. Doía profundamente.
Era como se transpusesse Rukia e ficasse em seu lugar. Sentia aquelas mãos masculinas percorrendo seu corpo e afagando-lhe. Mas não era real. Não era ela que estava debaixo daquelas protetoras asas, daquele corpo que encobriria o seu.
Tremulou e sem que percebesse, duas lágrimas caíram, uma de cada olho, enquanto os observava estática.
Ichigo reabriu os olhos afastando a garota quando encarou Inoue. Chocou-se ao vê-la a chorar.
- Inoue? Que... que aconteceu?
Boquiaberta, ela não sabia o que dizer. Os punhos que estavam cerrados com força se abriram, revelando as palmas marcadas pelas unhas que fincava na pele.
Orihime ergueu a cabeça que até então estava abaixada e fitou os olhos castanhos. Abriu um sorriso.
- Na... Nada, Kurosaki-kun. – ela respondeu.
- Está chorando... – Ichigo pontuou e Rukia saiu de seus braços para encara-la.
- Que aconteceu, Inoue? – Rukia indagou preocupada com a amiga.
- Nada, não se preocupem! – e disfarçou. – Bem... é melhor eu ir, né? Devem estar com muito que fazer. Kurosaki-kun fará almoço para a Kuchiki-san que tem que repousar e...
Inoue já descia os primeiros degraus da escada quando sentiu a mão firme de Ichigo segurar seu braço. Ela se virou, sentindo um arrepio cruzar a espinha e sua alma. Encarou o olhar sério do rapaz.
- Fique. Almoce com a gente.
- Na... não, não quero incomodar. – permanecia ela com um sorriso. – Não se preocupe, Kurosaki-kun. E também eu devo encontrar o Ishida-kun e...
- Eu sei que o Ishida não vai para sua casa agora, Inoue. – Ichigo interrompeu para desmenti-la. – Ele só vai passar lá no final da tarde. Ele me disse que tinha coisas para resolver sobre o colégio.
Inoue se sentia encurralada, mas ao mesmo tempo... feliz.
Era doloroso ver Rukia ao lado de seu amado, mas havia um conforto. Ele se preocupava com ela.
Não era fácil viver sozinha. Tanta responsabilidade, tantas tarefas em casa e ainda os estudos para cuidar. Ichigo sabia de sua realidade.
- Almoce com a gente, Inoue. – Rukia reforçou o pedido.
A ruiva, muito timidamente, então assentiu com um sorriso. Mas para Ichigo e Rukia seria uma longa tarde...
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- Ohayooo!
Uma voz animada se propagava do outro ambiente. Ela tentava se levantar, mas devido sua situação atual era impossível até mesmo tentar.
- Oe, Hinamori! – outra voz, dessa vez bem mais grossa e parecendo um pouco emburrada chamava. – Não está?
E uma loira deslumbrante chegava ao lado do pequeno capitão.
- Acho que a Hinamori-san não está, taichou. – Rangiku cruzou os braços e fez biquinho.
- Bem, - e fitou a bolsa que a tenente trazia. – de qualquer forma deixe isso aí.
- Mas o Ichigo disse que só poderíamos deixar com a Hinamori ou com ele pessoalmente. – protestou Matsumoto, adorando o tempo livre do trabalho no esquadrão e dando uma voltinha. – Vamos esperar.
Uma veia saltou da testa de Toushirou, mas ele estava mais preocupado com o barulho que ouvia do outro ambiente. Curioso, decidiu caminhar até a sala que sucedia a que se encontravam.
Chegando lá, depararam-se com uma cena um tanto quanto inusitada. Pilhas de papéis soterravam Hinamori Momo. Só sabiam que a garota estava ali por causa das pernas penduradas a cadeira que conseguiam ver por entre as pernas da cadeira.
- Hinamori? – o capitão piscou.
- Hitsugaya-taichou? – a voz abafada pelas paredes de papéis que as cercavam chamou.
- Que está fazendo aí?
- Ah, tem muito trabalho do Kurosaki-taichou e da Kuchiki-fukutaichou! Essas férias deles vieram bem quando os outros esquadrões dão seus relatórios. – e riu meio conformada. – Estou trabalhando em dobro, digo, em triplo. – corrigiu-se.
- Mas que raiva! Além de pedir para que minha tenente encomendasse uma muda nova de uniformes ainda está lhe sobrecarregando!
E com o vociferar, o capitão acabou em um impulso socando uma das pilhas de papéis que circundavam a ex-tenente, fazendo-a desmoronar sobre a pequena que soltou um grito agudo.
- Hinamori! – Hitsugaya exclamou correndo até a garota aproveitando a fresta aberta pela pilha caída.
- Hinamori-san? – Matsumoto chamou, seguindo o capitão.
E submergindo de um monte de documentos, Hinamori se mostrou a todos que se aliviaram a vê-la ainda viva. As olheiras que adornavam a parte inferior aos olhos condenavam as noites sem dormir apenas dedicadas ao trabalho que a oficial estava passando.
- Se eu pego o Kurosaki... – Hitsugaya ralhou levando o punho cerrado a altura do queixo.
- Está tudo bem. Assim não fico entediada. – Hinamori riu tentando parecer feliz com os quilos de trabalho que se acumulava. E ainda terminava o que dizia quando fitou a bolsa nas mãos da loira tenente do pequeno. - Ah, Rangiku-san trouxe as roupas da Kuchiki-san? – exclamou.
- Roupas da Kuchiki? – Matsumoto indagou. – Como assim? São roupas de tamanho M... A Kuchiki mal veste PP com aquele corpinho.
- Hm? – Hinamori piscou. – Tem certeza de que trouxe o tamanho que o Kurosaki-taichou pediu?
- Me pediu uniformes de tamanho M. Fui busca-los, mas se for para a Kuchiki, não tem porque ser desse tamanho. Nem sabia que era para ela. Ele me disse apenas que era para novos membros do esquadrão. – explicou.
- Que estranho. – Hinamori comentou. – De qualquer forma, obrigada, Rangiku-san!
E por entre a fresta feita na parede de papéis, Hinamori recebeu das mãos de Matsumoto a bolsa que continha as novas vestes da shinigami.
- Me desculpem, nem tenho um chá pronto para lhes oferecer e...
- Não se preocupe.
E quando olhou para o lado, viu Hitsugaya que já tinha uma das pilhas de papéis equilibrada em seu colo.
- Que está fazendo, Shiro-chan?
- Hitsugaya-taichou! – Toushirou relembrou irritado, franzindo o cenho. – Vou levar ao menos metade disso para cuidar. – e suspirou. – Se for assim, quando Kurosaki e Kuchiki voltarem, estará caída de estafa.
Hinamori corou e Matsumoto sorriu, aproveitando para, indiscretamente levar a mão a bochecha do capitão, apertando-a.
- Que gracinha, taichou! – cantarolou a loira.
- Matsumoto! – Hitsugaya esbravejou, fazendo a tenente se afastar com um riso marreteiro.
Ela se afastou e recebeu a pilha que o capitão lhe entregava. Ele tinha as bochechas vermelhas não pelo aperto de Rangiku, mas pela vergonha do comentário da mesma que mantinha um sorriso gostoso em seu belo rosto.
- Vamos embora. – e virou sua atenção a Hinamori, corando mais quando a viu fita-lo. –Matsumoto te entrega isso mais tarde. – avisou.
- Arigatou, Shiro-chan e Rangiku-san. – ela se curvou em agradecimento sorrindo aos dois.
Não demorou muito e os dois já estavam, lado a lado, cada um segurando sua pilha de papéis.
Hitsugaya calado como sempre enquanto Matsumoto tratava de falar não só por ela, mas por ele também. Falava sobre o clima, sobre uma festa que tinha de ir, uma fofoca contada por Nanao, outra que Hisagi havia lhe contado em uma noite de bebedeira quando um dos tópicos que logo seriam interrompidos pela falta de paciência do baixinho lhe interessou.
- Ei, taichou, por que será que o Ichigo pediu essas roupas para a Kuchiki? Porque faz pouco tempo que encomendei novos uniformes para o gobantai e quando ela foi para lá, os dela foram encomendados. Faz nem três meses... – comentou pensativa.
- Com certeza é porque pediu errado. Não presta atenção em nada. É um cabeça oca... – ele disse com desmazelo.
E então Matsumoto parou. O capitão que seguia seu caminho, ao notar o cessar das sandálias que caminhavam ao seu lado, se sentiu obrigada em refrear seu andar quando notou a mulher que tinha os olhos azuis vagos do nada.
- Que aconteceu? – perguntou ele, os olhos verdes preocupados.
- Taichou... será que a Kuchiki e o Ichigo vão ter um filho?
- Quê? – exclamou o capitão, arregalando o par de esmeraldas. – Está louca? E pare de falar isso alto! – ralhou ele. – Não tem ideia da bobagem que fala!
- É verdade, taichou. Será que nesse meio tempo eles não fizeram... bem... – e revirou os olhos de forma indecente, transformando o sorriso em um risinho cínico.
- Pare de palhaçadas, Matsumoto. – brigou o capitão seguindo seu caminho. – Temos mais o que fazer. Pare de falar coisas que são impossíveis de acontecer.
- Impossíveis por quê? Oras, a Kuchiki também é uma mulher e... Esqueci que o taichou é criança! – ela bateu na testa com a mão livre, arrancando um ranger de dentes furioso do capitão. - Taichou, - a loira novamente estancou quando o chamou.
Hitsugaya parou mais uma vez bufando.
Matsumoto caminhou até sua frente.
Apesar de irritado, ficou a ouvir o que a mulher que lhe encarava parecia tão obstinada em lhe perguntar com tanta seriedade.
– Me diga, você não sabe como vem os bebês?
As bochechas do capitão coraram, fazendo sua pele arder de forma febril de tão envergonhado que estava.
- Matsumoto!
E o berro do baixinho ecoou por toda a Sereitei.
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- Obrigada pela comida, Kurosaki-kun, Kuchiki-san.
Os dois diante da porta viram a garota se curvar graciosamente agradecendo pelo almoço tão agradável que passar com os dois amigos.
Segurando a pasta na frente do corpo, Inoue correspondeu ao sorriso dos amigos. Teve que controlar a expressão que queria contorcer ao ver o braço de Ichigo que envolvia a cintura da moreninha. E podia ser impressão, mas ela não estava um pouco mais... cheinha?
- Nós é que agradecemos por ter passado a tarde com a gente, Inoue.
Rukia sorria de uma maneira singela. Estava tão feliz de ter a amiga de volta, sem aqueles ressentimentos pelo relacionamento com Ichigo. Seria tão bom se Renji agisse daquela forma também. Renji.. Há tanto não o via. Será que estava bem?
- Vou logo porque o Ishida-kun já deve estar me esperando.
E graciosa como sempre, a princesa girou e seguiu seu caminho, interrompendo a corrida ao chegar à esquina da rua apenas para acenar aos amigos que ainda a viam partir. Virou a direita, saindo do campo de visão deles e seguindo seu caminho.
Ela sorria, cantando baixinho consigo mesma. Um sorriso que expressava felicidade. E de repente, como uma flor, ele murchou. O rosto rosado logo foi encharcado por lágrimas que tentava conter enquanto mordia os lábios incessantemente.
Forçava novamente o sorriso, mas uma força maior, aquela que lhe guiava aquele sentimento ruim e lhe perseguia durante todo o tempo em que o via mima-la, acariciá-la, senti-la, a dominava.
Chegou até o sobrado. Ainda lutava entre sorrisos e lágrimas quando abriu o portão.
- Eu não posso... sentir isso... Não posso!
Ela repetia a si mesma de uma maneira enlouquecida, mas foi interrompida quando sentiu uma mão que tocara seu ombro. Com o susto, logo se virou para trás e deu de cara com o belo rapaz que, ao notar as lágrimas que umedeciam o rosto avermelhado da princesa, segurou suas mãos.
- Inoue-san! – chamou. – O que aconteceu?
As mãos finas do quincy colocaram as mechas do cabelo ruivo para trás de sua orelha, liberando a visão daquele rostinho entristecido.
- Na... Não é nada, Ishida-kun. – e soluçando, ela secou as lágrimas com as pontas dos dedos.
- Então por que está chorando?
E tirando de dentro do bolso do casaco longo bege que ele usava um lenço azul-marinho, ele secou as lágrimas de Inoue.
- É que... Eu caí vindo pra cá. – ela mentiu. - E machuquei meu pé.
- É mesmo? – e agachou-se para ver o pé da garota. – Como foi? Qual dos pés?
- É... o direito...
Inoue engoliu a seco ao ver o rapaz tão preocupado. Ele arriou uma das meias brancas que iam até os joelhos na altura dos tornozelos.
- Vamos entrar pra ver isso melhor, não?
- Sim... Não se preocupe, só torci o pé... – ela explicou, afinal, não havia nada na verdade.
- Eu te ajudo!
Orihime se sentiu podre quando Ishida a apoiou carinhosamente. Subiram as escadas praticamente com os corpos colados. Inoue sendo amparada pelo quincy a cada passo que ele achava ser difícil a quem mentia estar machucada para omitir a verdade. A verdade era que não o amava. A verdade era que amava Ichigo. A verdade era que odiava Rukia, aquele que fora sua melhor amiga.
A escada parecia cada vez mais longa e a vendo chorar, Ishida parou em um dos degraus e beijou-lhe a fronte com carinho.
- Vai ficar tudo bem, Inoue-san. Quer que eu te carregue? – ofereceu.
- Não... Não precisa, Ishida-kun!
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Ela lavava a louça do almoço quando sentiu alguém lhe abraçar fortemente por trás. Não era alguém, era ele. E podia sentir pelo aroma do perfume que ele exalava e pelos braços fortes e o peito desnudo, sempre tão convidativo, que a envolvia.
- E você, como está? - Ichigo perguntou ao beijar com ternura o rosto de Rukia.
- Bem. – respondeu Rukia, fechando a torneira até então aberta para aproveitar o abraço do noivo. – E por que o senhor está sem camisa?
- Estou indo tomar um banho. Quero saber se quer ir comigo...
E em um ritmo bem envolvente ele a balançava de um lado para o outro. Rukia corou ao sentir a excitação crescente dele já que estavam tão próximos.
- Está louco? – Rukia corou. – Na sua casa? Suas irmãs podem chegar e...
- A Karin tem treino de futebol até tarde hoje e a Yuzu deve estar brincando por aí com o Don Kanonji e aqueles pirralhos do Urahara-san. – e aproveitou para afastar os cabelos e abocanhar a nuca da amada.
Rukia se arrepiou da cabeça aos pés. Os lábios roçavam em sua pele e a respiração quente de Ichigo eram um convite delicioso.
- Já te disse que temos que tomar cuidado agora... – Rukia tentou ignorar, tornando a abrir a fonte de água e mergulhando nela um prato que esfregava com a esponja.
Não demorou muito para que uma das mãos de Ichigo se desprendesse do enlace ao corpinho e fechasse a torneira.
- Vamos, hein? Faz tempo. Não fizemos isso desde que chegamos aqui...
Ichigo parecia faminto e nem um pouco disposto a aceitar a negação de seu pedido, ou melhor, exigência que seu corpo e seus instintos masculinos fazia.
- Eu não estive bem hoje, Ichigo.
- Mas agora você está. Você mesma disse.
Ela riu, irritada porém divertida. Aqueles beijinhos que recebia em sua nuca lhe faziam se arrepiar dos pés a cabeça.
- Foi bom a Inoue ter vindo, não acha? – Ichigo perguntou, pensativo.
- Foi sim. – respondeu Rukia, terminando de colocar o último prato no escorredor ao lado da cuba da pia. – Ela estava um pouco tímida, não sei.
- Acho que sua atitude foi prudente, Rukia.
- Atitude? – piscou Rukia, encarando-o.
- Sim. – pausou. – Não contou para a Inoue... – e como se completasse a frase, ele afagou o ventre da pequena com as duas mãos que envolviam seu corpo.
- Eu sei... – Rukia respondeu com um semblante triste. – Tenho medo da reação dela.
- Eu também. Mas uma hora ela tem que saber... – Ichigo concluiu.
- O máximo que pudermos prolongar, afinal, não quero novos problemas com você assim. Já basta o que aconteceu com Renji. Imagina se ela conta a ele sobre esse filho, ele reaparece, sei lá...
Rukia encarou um Ichigo angustiado. Ele estava tenso. Pensar sobre aquilo lhe deixava frustrado, afinal, queria exibir a todos o fato de que seria pai, em especial de seus nakamas.
Logo ele deu de ombros e tornou a apalpa-la de forma lasciva. Beijou-lhe a nuca de forma sedutora enquanto as pernas envolviam-na.
- Ai... – e suspirando a morena virou-se, recostando-se a cuba da pia. – Ichigo, ok, o que você quer?
- Você, baka!
E aproveitando estar de frente, ele provou da boquinha entreaberta. As mãos desamarraram o avental que ela vestia, fazendo-o ir ao chão.
Elas desceram pela cintura já não tão delgada da shinigami e assim que chegaram aos quadris largos, subiram para deslizar pelas curvas dos seios pesados, mas bem moldados da pequena. Rukia estava irresistível e um instinto louco fazia com que Ichigo tivesse uma necessidade imensa de possui-la, devora-la.
Rukia não tinha também como resistir aquele belo par de bíceps que a envolvia. Aqueles músculos bem definidos, nada agressivos. Apenas firmes e bem moldados. E durante o abraço, aquele volume sob a calça de moletom que ele vestia roçava em seu corpo, quase que funcionando como um aviso de que ele estava pronto a ela.
E as mãos suaves de Rukia deslizaram pelos braços fortes. Ao chegar à palma de Ichigo, ele a conduziu aos seus lábios, beijando o dorso leitoso da morena. Colou o corpo na shinigami e abocanhou seus lábios de forma lasciva. Começava uma luta travada entre as duas peles que exalavam um aroma próprio que entorpecia um ao outro, fazendo-os terem um único desejo: possuir-se.
Não resistindo mais, ele a tomou em seus braços, suspendendo-a enquanto as pernas da morena envolviam seu tronco. Sem cessar as carícias, levou-a para o andar superior. A entrega era inevitável.
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- Está tudo bem mesmo? – Ishida perguntou enquanto massageava o pé da ruiva.
- Sim, tudo bem, Ishida-kun.
Inoue sorriu para o rapaz que estava a beira da cama. As mãos ágeis e finas estavam acariciando com ternura ao mesmo tempo em que massageavam seus pés.
Estava deitada em sua cama, aproveitando aquele afago do rapaz. Era tão doce.
- Que bom que está melhor. – ele sorriu, pausando para ajeitar os óculos.
- Tudo bem. – Inoue então se levantou, sentando-se a cama.
- Parece que foi só uma torção. Não está inchado. – pontuou. – E devia ter me ligado, Inoue-san. Onde estivesse, eu ia busca-la.
Ishida aproveitou para segurar a mão feminina pousada sobre o colchão. Inoue tentou se retrair, mas o toque de Ishida a fez bem. Era quente e suave.
- Não se preocupe.
Ela sorriu e logo em seguida, quando piscou, Ishida estava a sua frente. O quincy apertou suavemente a mão que havia encoberta pela sua quando os lábios se tocaram.
Roçaram com suavidade os finos e carnudos da menina para vagarosamente os invadir com a língua. Era gostoso e isso Inoue não podia negar. Lembrou-se do beijo que presenciara de Ichigo e Rukia, aquele primeiro que vira na mansão dos Kuchiki. E a até então hesitante Inoue, ao lembrar-se de seu Kurosaki-kun, intensificou o gesto. Ele tomara liberdade de soltar a mãozinha e a abraçar. E fora talvez puro instinto, mas começara a recostar a ruivinha na cama e ela, com os olhos cerrados e a mente focada em seu querido Kurosaki, decidiu ceder.
Deslizando pelas coxas torneadas, as mãos de Ishida ousavam. Soltando um gemido de Inoue, ao sentir o toque, ela abriu os olhos e um pouco surpresa ao ver o quincy, recompôs-se corando quase que instantaneamente.
- Que aconteceu, Inoue-san? – ele riu.
- Na... Nada, Ishida-kun.
- Aliás... – ele interrompeu. – Preciso lhe dar algo.
Inoue piscou curiosa quando viu o rapaz enfiar a mão no bolso, o mesmo do qual havia tirado o lencinho que enxugara suas lágrimas. Mas de lá tirou uma pequena caixinha de veludo vinho. O coração da princesa falhou uma batida no ritmo normal que seguia. Engoliu seco quando, com um sorriso, o jovem a abriu e mostrou-lhe dois anéis de prata. Lindos. Com um pequeno diamante incrustado, a joia reluzia nos olhos acinzentados da namorada.
- Inoue-san, não sei se aceita ainda casar comigo... – ele pausou, os olhos embebidos de paixão ao fitar a menina que tanto amava. – mas quero ao menos lhe pedir em compromisso.
O chão se abriu sob seus pés. Sentiu-se zonza, quase incerta do que realmente acontecia. E uma cena voltou a sua mente, vívida, como se a presenciasse naquele instante. A troca de alianças entre Ichigo e Rukia, os olhos apaixonados de Ichigo... O carinho dele por ela, os mimos, as carícias, a cumplicidade... Desabou. O rosto contorceu em angústia quando lágrimas amargas foram derramadas.
- Inoue-san... – Ishida chamou.
Ao mesmo tempo em que estava preocupado, esboçava um sorriso. Ela estava emocionada?
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E mesmo que a água gélida caísse sobre seus corpos, o calor de que emanavam era tão intenso que aquecia um ao outro. Os arrepios que a morena sentia, eram provenientes apenas das carícias repletas de desejo que recebia.
Ela apalpava o tórax bem moldado, detalhando cada pedaço com seu dedilhar, mesmo sendo difícil pela proximidade dos corpos, já que Ichigo a enlaçava pela cintura de forma que nem um milímetro de sua pele ficasse fora do contato dele.
Os cabelos negros molhados davam nova forma ao rosto da pequena. Caídos sobre os ombros alvos como a pele que ganhava ainda mais vivacidade em cada gota que deslizava pelas curvas do pequeno corpinho.
Ele abocanhava sua nuca, seu colo. Delineava a cintura da shinigami sem pudor algum em levar sua mão as partes mais íntimas de Rukia.
Trancados pelo vidro embaçado do box, Ichigo, sem cessar beijos ou carícias, a conduziu até a parede onde a recostou. Afastou o rosto para encara-la. Ao perceber que os beijos do rapaz haviam parado, Rukia abriu os olhos que até então mantinha cerrados para aguçar sua percepção do toque de Ichigo.
Castanhos e azuis se fitaram em uma sincronia perfeita. Era como se cada detalhe daqueles olhos invadisse sua alma, a possuísse por completo. E no meio do som da água batendo com força no piso de azulejos brancos, Ichigo sussurrou.
- Te amo!
E ao ouvir a declaração que era carregada em paixão, Rukia ainda ousou entreabrir os lábios para reciprocar, mas não conseguiu fazê-lo. Ichigo os tomou de uma maneira lasciva e afastando mais as pernas para manter a morena entre elas, curvando-se um pouco para chegar aonde era seu objetivo, eles realizaram o encaixe perfeito.
Rukia, mesmo que tendo os lábios capturados por Ichigo, não hesitou em gemer de forma lenta, sofrida e prazerosa. Ele não cessava os beijos durante todo o enlace. Era como se mesmo no meio da luxuria e da paixão, ele quisesse demonstrar a ela o sentimento que havia naquilo. Era algo especial. Algo único. Algo que os unia como um único ser.
Os corpos molhados se atritavam de forma intensa em um ritmo que seguiam instintivamente.
Rukia arranhou as costas molhadas do rapaz, segurando a onda de prazer que arrebatava seu corpo. Mas Ichigo não resistiu por muito também e rapidamente ambos chegaram ao ápice daquele ato que expressava toda a entrega e amor que sentiam um pelo outro. E no meio das vozes entrecortadas pelos espasmos que sentiam e vocalicamente expressavam o prazer que sentiam, ambos chamaram seus nomes.
Ele segurou o corpo enfraquecido de Rukia após aquela onda de sensações. Ambos riam divertidos um para o outro. Beijaram-se novamente enquanto Ichigo fechava a torneira e cessava a água que vinha do chuveiro.
Ichigo abriu a porta do blindex e pôs a pequena para fora, tirando do pendurador da parede uma toalha branca, a qual usou para envolvê-la e saiu em seguida, abraçando-a.
Tascou-lhe um beijo na bochecha enquanto a mantinha presa em seus braços. Sorria quando viu uma expressão melancólica no rosto da morena. Que se passava?
- Que aconteceu, Rukia? – perguntou Ichigo ao se afastar.
- Nada... – Rukia respondeu, aproveitando para enxugar o corpo com a toalha que a envolvia.
- Então que cara é essa? – insistiu.
- Não tem cara nenhuma, Ichigo... – respondeu.
Ichigo viu a garota sair de perto, indo até a bancada de mármore para se ver no espelho. Tentou ajeitar os cabelos, mas tinha uma expressão de desânimo. Mas antes que permanecesse naquele lamento, pelo reflexo viu Ichigo se aproximar.
- Que aconteceu? – ele voltou a questiona-la. – Vamos. Não vou te deixar em paz até saber.
- Que chato! – Rukia se zangou, cruzando os braços.
- Você não fica assim normalmente... – e acariciou de forma suave o rostinho emburrado. – Tá, você é chata pra caramba a maioria das vezes...
E um chute na canela fez Ichigo se calar.
- Estou preocupada, Ichigo. – e apoiou-se a bancada. – Só.
- Preocupada com o quê? – Ichigo indagou.
- Com o quê? – Rukia se indignou. – Já olhou para minha cara? E para meu corpo? Acha que quando eu chegar à Soul Society não vai ta na cara que vou ter um filho?
- E você acha que vamos fazer o quê quando chegarmos lá? – Ichigo cruzou os braços, irritando-se com o estresse de Rukia. – Vamos contar para o Byakuya! – disse decidido.
- Está louco? Ninguém pode saber! – imperou Rukia.
- Rukia, não estou lhe entendendo... – e recostou-se a bancada, encarando-a. – Você quer ou não ter esse filho? Porque eu estou disposto a encarar o Byakuya e toda a Sereitei se for preciso, e você?
- Baka! – Rukia se descontrolou, ralhando alto com ele. – Acha que eu não quero? Mas e você? Não pensa? Byakuya vai te matar! E se nos condenarem, Ichigo! Você não é um shinigami, você...
- Eu sou um capitão do Gotei. – interrompeu. – É o suficiente? Ou a nobreza patética do seu irmão vale mais do que isso?
Ela chegou a erguer a mão para estapear o rapaz, mas Ichigo foi mais rápido e logo capturou o pulso da morena antes que a palma tocasse seu rosto. Ele, sério, a encarou. A expressão raivosa de Rukia logo se dissolveu em angustia. O aperto firme no pulso afrouxou e Ichigo a abraçou com ternura.
- Baka. É por isso que está tão preocupada assim? Isso não tem te feito bem...
Rukia sentiu o calor do peito de Ichigo envolve-la. Sentiu-se bem. Mais calma. Mas aquela angústia fazia seu peito doer.
Apoiou a cabeça no tórax do rapaz que a afagou.
- Já disse que vamos encarar isso.
- Tenho medo de nos condenarem, Ichigo. Podem me obrigar a tirar essa criança... a lhe executar...
- E tem algo que a Soul Society imponha que eu não vá lutar contra? – e a afastou. – E ainda mais por você? E pelo nosso filho?
Rukia se comediu a apenas ouvi-lo. Ele estava certo, mas por que aquela angústia estava tão forte dentro de si desde que chegara a Karakura?
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Com delicadeza, ele retirou o anel de menor circunferência da caixinha.
Segurou a pequena mão de Orihime que tremia de forma quase que convulsiva. Ele sorria ao ver o nervosismo que considerou normal. Fitou os olhos acinzentados que desabavam lágrimas cheias de dor quando separou o anelar direito. Com delicadeza, Ishida ia colocando a joia no dedo fino da garota quando ela retraiu o braço, levando-o ao peito. O quincy, confuso, piscou.
- Que aconteceu, Inoue-san?
- Eu... não posso aceitar, Ishida-kun. – ela soluçou, a mão apertando o laço vermelho do uniforme.
- Por quê? – angústia preencheu a imensidão azul dos olhos do rapaz.
Inoue desviou o olhar. Estava angustiada. Aquelas imagens lhe perseguiam e decepcionar Ishida, encarar aqueles olhos que mais uma vez lhe questionavam algo que ela não sabia responder. Por que não amava? Por que não se entregava? Por que não esquecia... o Kurosaki-kun?
- Eu tentei, Ishida-kun... – ela começou. – Mas por mais que tente ser amiga dos dois... sinto uma raiva tão grande da Kuchiki-san! – exclamou a garota, levando as mãos a cabeça. – Não sei mais o que faço! Não consigo tirar o Kurosaki-kun da minha cabeça! Do meu coração! Não sei o que faço!
Um tanto quanto chocado ele assistiu aquele desespero consumindo pouco a pouco Inoue. Ela quase arrancava os cabelos ruivos de tanta força que investia em puxa-los. Chorava copiosamente. Uma expressão tão sofrida e sincera que fez o quincy suspirar com pesar. Ele fechou a caixinha ao devolver o anel a ela e se aproximou da menina.
- Inoue-san... Eu entendo. E vejo como está se esforçando!
- Eu tento te amar, Ishida-kun! – expressou Inoue em um lamento. – Mas não dá! Eu olho para a Kuchiki-san... e um sentimento tão ruim me consome!... Eu queria... ficar com... o Kurosaki-kun...
Aquelas palavras pareciam facas afiadas fincando o peito de Ishida. Mas como culpa-la? Era nítido o esforço que ela fazia.
- Inoue...
Em um tom brando, Ishida chamou. Inoue piscou, os olhos embebidos em lágrimas amargas pela fraqueza e incapacidade de esquecer aquele amor que estava impregnado em sua alma, em seu coração, em todo seu ser.
- Eu sinto muito, mas acho que deve saber...
As palavras do rapaz chamaram a atenção de Inoue. Ela tentava conter o choro, mas entre soluços passou a fita-lo, atenciosamente.
- ... Mas você não pode mais ficar com o Kurosaki de maneira alguma.
Os olhos azuis do quincy desviaram do rosto que contorceu em dúvida e receio em questionar-lhe.
- O quê? – choramingando, Inoue ergueu o rosto e inclinou-se para frente em sua direção. – Do que está falando, Ishida-kun? – a voz tremulou incerta.
- A Kuchiki-san e o Kurosaki, Inoue-san...
E tomando coragem, segurando as mãozinhas finas da princesa, encarou a imensidão acinzentada dos olhos.
- ... Vão ter um filho!
Continua...
