Personagens de Stephenie Meyer. História de Tessa Dare.
Alguém aí viu que coloquei uma introduçãozinha e data para o lançamento de "Uma noite para se entregar"? Confiram lá!
CAPÍTULO VINTE E QUATRO
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"Você poderia ter conseguido... Seu único erro foi se juntar à mim."
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Incrível o que uma hora de descanso, uma lareira quente e um bule de chá medicinal podem fazer pela recuperação de uma garota. Aconchegada ao seu ninho quente de cobertores, Isabella decidiu que acolchoados de lã eram seu novo traje favorito. Embora ela ainda não tivesse sido levada para conhecer o lugar, e a julgar pelo pouco que viu até então, Riverchase era a casa mais requintada em que ela já havia colocado os pés. Se pelo menos Edward abandonasse seu posto junto à lareira e fosse se sentar perto dela, Isabella iria se sentir completamente recuperada. Ele parecia acabado. Ela começou a se levantar para ir até ele. Mas ele a deteve com um braço esticado e uma só palavra.
- Não.
Sua voz e seus olhos estavam frios. Isabella se encolheu no divã. Ele olhava fixamente para o fogo.
- Vou mandar você de volta para Londres. Amanhã.
- Você vai... - Ela respirava com dificuldade. - Você vai me mandar para Londres? Não vai comigo?
Agora que a Escócia não era mais seu destino, ela imaginou que faria sentido os dois voltarem. Mas logo no dia seguinte? Separados? Ele aquiesceu.
- É mais seguro assim. E mais rápido. Naturalmente, você irá com batedores, para sua segurança. A Sra. Clearwater, minha governanta, irá junto como sua acompanhante.
- E quanto a você?
- Eu irei na frente, a cavalo, para avisar Jasper, para que ele a esteja esperando.
- Lorde Hale? Mas o que você irá lhe dizer?
- A verdade. - Ele gesticulou vagamente. - Uma versão dela. Que partimos de Spindle Cove com planos de ir para a Escócia, mas não deu certo. E que estou pedindo a ajuda dele e de Alice para salvar sua reputação. Vamos contar para todo mundo que você nunca foi além de Londres. Que ficou doente naquela primeira noite, e que você ficou com eles a semana toda.
Pensar em toda aquela enganação revirou o estômago de Isabella.
- Alice é minha amiga. Não quero que ela minta por mim.
- Coisas assim são feitas o tempo todo.
Isabella sabia que isso era verdade. Mais do que uma, das moças que ela conheceu em Spindle Cove, foi enviada para lá a fim de esconder um escândalo ou uma indiscrição. Como principal figura feminina da vila, Alice guardava muitos segredos. E a sociedade, no geral, devia-lhe muitos favores por sua discrição, sem dúvida. Mas uma coisa era esconder aquela viagem do público, e outra seria apagá-la de suas próprias memórias. Ele falava como se os dois se transformariam em estranhos, um para o outro, a partir daquele momento.
- Isso é o que você realmente quer? - ela lhe perguntou. - Simplesmente fingir que nada disto aconteceu?
- Não importa o que aconteça, nunca irá lhe faltar nada. Depois que eu estiver no controle das minhas finanças, irei discretamente ajeitar um dinheiro para você. O suficiente para que você possa viver como desejar. Estabelecer residência no lugar que quiser. Dedicar sua vida aos estudos. Você e suas irmãs terão sempre a minha proteção.
- Sua proteção? Vou me transformar em sua amante, então?
- Deus, não.
- Oh. - Ela engoliu um soluço. - Nem mesmo isso?
Praguejando baixinho, ele atravessou a sala e sentou ao lado dela.
- Isabella, eu nunca a rebaixaria dessa forma. Depois de toda a dor que lhe causei, eu não a culparia se você me quisesse longe. - Ele apoiou a cabeça nas mãos. - Não me faça ter que dizer todas as maneiras em que eu falhei com você.
- Então eu vou dizer tudo que você me deu. Chá quente e cobertores. Um dia na feira. Uma maçã, uma laranja, pêssegos e cerejas. A chance de ganhar vinte libras em uma disputa de tiro. A coragem para cantar em uma taverna. Meus primeiros elogios sinceros. Paixão de tirar o fôlego e aventura suficiente para durar a vida inteira. Pense bem, em apenas uma semana eu fui missionária, assassina, princesa há muito perdida... e não podemos esquecer, uma engolidora de espadas.
- Acredite em mim. - Erguendo os olhos, ele lhe deu meio sorriso. - Enquanto eu viver, nunca, jamais, vou me esquecer disso.
O coração dela ficou mais contente ao perceber aquele lampejo do bom humor de Edward. Esse era o homem que ela conhecia e amava. Isabella deu de ombros.
- Depois de tanta aventura, vir a ser uma simples geóloga pode ser decepcionante.
- Não. Não minta para mim, Isabella. - A mão dele alcançou sua face. - Eu sei o quanto isso significava para você. Não pode me dizer que não está decepcionada.
Não, ela não podia dizer. E não podia mais segurar as lágrimas. Ele a segurou nos braços enquanto Isabella chorava de verdade pela pobre e pulverizada Francine e todas as suas ambições científicas esmagadas. Depois de alguns minutos, ela enxugou os olhos.
- Eu só queria deixar minha pegada. Deixar minha marca duradoura neste mundo, do mesmo modo que Francine deixou a dela. Colocar um aviso que sobreviveria durante gerações: 'Isabella Swan esteve aqui, e o mundo ficou um pouco diferente devido a ela.' Eu só queria ser notada por quem eu sou. Marcar minha passagem.
- Sim, e você deveria ter conseguido. - Ele levantou do divã e andou até a lareira, onde bateu na borda com o punho. - Você poderia ter conseguido. Seu único erro foi se juntar a mim.
- Isso não foi um erro.
- É claro que foi! Você não reparou, Bella? Eu deixo marcas por todo lado. E, no meu caso, não são pegadas, mas crateras.
Com um dedo, ele empurrou uma pastora de porcelana até a borda da lareira e... fez com que caísse, espatifando-a.
- Oh, vejam! - disse ele secamente. - Edward Cullen esteve aqui. - Ele fez outra figura de porcelana mergulhar para a destruição. - E aqui. - E uma terceira. - Aqui também.
A melodia de destruição cessou e veio o silêncio. Isabella inspirou profundamente e se obrigou a ficar calma.
- Edward, você... - Ela dominou seus nervos. - Você conseguiria me amar?
Ele ficou olhando para ela.
- Pelo amor de Deus, não me pergunte isso.
- Por que não?
- Porque eu não posso lhe responder. Porque não importa o que eu diga, de algum modo vou estragar tudo. Eu não consigo nem mesmo levar a pegada de gesso do seu lagarto para a Escócia. Como você poderia confiar a mim algo tão precioso quanto seu coração?
Puxando um cobertor sobre seus ombros, ela ficou em pé, cruzou a sala e parou no canto oposto da lareira.
- Edward, se você pudesse me amar... nada mais importaria. Você vale muito mais do que um prêmio científico de quinhentos guinéus.
- Ah, você acha? - Ele passou os olhos pela magnífica sala de estar. - Com certeza, eu valho muito mais.
- Não foi isso que eu disse, e você sabe.
- Mas nada disso foi por causa do dinheiro. Eu sei como era importante para você. Isabella, você estava tão determinada a participar desse simpósio. Você arriscou tudo, Bella. Segurança, reputação. Sua própria vida. E eu destruí seus sonhos.
Isabella tocou o pulso dele e esperou até que Edward olhasse para ela.
- Você não destruiu meus sonhos. Você me tirou da minha concha. É claro que um pouco de confusão iria acontecer.
Ele fez um carinho leve no rosto dela.
- Bella... - sussurrou Edward.
Ela sorriu e limpou uma lágrima.
- Apesar de tudo, esta foi a semana mais empolgante e mágica da minha vida. Só fico triste que esteja acabando desta forma.
- Eu sei, eu sei. Parece errado, não é? - Ele pegou o atiçador e mexeu no fogo com gestos bruscos. - Eu estava com essa ideia, sabe. Mais uma esperança boba, acho eu. Que durante essa jornada maluca e tumultuada... nós estaríamos escrevendo a história do nosso futuro.
Ela riu um pouco.
- Você quer dizer que nós realmente iríamos nos tornar missionários no Ceilão? Ou entrar para o circo?
- Não, não. Não quero dizer que estávamos prevendo nosso futuro. Mas que nós estávamos escrevendo a história do nosso futuro. Aquilo que iríamos contar e recontar, acompanhados de taças de vinho, em jantares, ou em dias chuvosos de primavera, quando está úmido demais para piqueniques no jardim. Entende o que eu quero dizer? Essa seria nossa história, Bella. Da qual iríamos nos lembrar e rir por anos a fio, e até contar certas partes para nossos... - A voz dele foi sumindo e Edward recolocou o atiçador no suporte.
- Para nossos o quê? - O coração dela falhou uma batida. - Nossos filhos?
Edward andou sonhando uma vida com ela?
- Isabella, você é a pessoa mais inteligente que eu conheço. Você consegue olhar para um buraco de formato estranho no chão e ver um mundo antigo vibrante e rico. Olhe para mim agora.
Olhar para aqueles olhos de diamantes Bristol nunca foi um problema.
- Diga-me a verdade. - disse ele. - Você consegue enxergar um futuro agradável comigo?
Ela estendeu o braço na direção dele, passando os dedos por seu cabelo.
- Honestamente?
- Honestamente.
- Quando eu olho para você, penso em algo como: somente Deus sabe que provações me aguardam nesse caminho. - Sorrindo, ela passou os braços em volta do pescoço dele. - Mas tenha coragem, Edward. Algumas mulheres gostam de surpresas.
Ele ficou quieto por um longo momento.
- Muito bem. - disse ele, sombrio. E a levantou com um movimento rápido. - Surpresa!
Edward a apertou contra a parede, agarrando, faminto, cada parte do corpo dela que conseguia alcançar, dando beijos ardentes a sua testa, seu rosto, seus lábios. Ele precisava daquilo. Precisava dela. E precisava naquele instante. Ele soltou os botões da camisola dela com um puxão, liberando alguns, ou simplesmente arrancando outros. Logo o traje delicado de algodão jazia descartado aos pés dela.
- Isabella. - Com um suspiro ressonante, ele pressionou todo seu corpo vestido contra a nudez dela. Apoiando suas mãos na parede, ele empurrou as coxas dela para os lados com seus joelhos. Abaixando a cabeça, Edward beijou e lambeu seu pescoço, enquanto esfregava sua ereção desesperada no calor dela. Um gemido cresceu no peito dele. - Eu preciso de você, Bella. Preciso muito.
- Estou aqui. - suspirou ela, os braços pendurados nos ombros dele. - Sou sua.
Sou sua. Uma pontada doce de emoção torceu o coração de Edward. Ainda assim, ele manteve as mãos na parede – sem confiar em si mesmo para tocar nela. Ele recuou um pouco, querendo vê-la. Admirá-la. Ela o tocou.
- Edward...
- Espere. - disse ele, a voz trêmula de desejo. - Quero olhar para você.
Ela se recostou no papel de parede, exibindo-se para ele. Edward nunca sonhou que uma mulher pudesse ser tão linda. Apoiada naquela parede, Isabella brilhava mais do que qualquer pintura de algum mestre holandês. Sua pele perfeita faria uma pastora de porcelana chorar lágrimas de inveja. E os seios dela... Ele não encontrou um paralelo na decoração para seus seios, mas eles deixavam Edward duro como o chão de madeira. Os seios dela continuavam tão excitantes quanto na primeira vez que ele os viu, na estalagem em Londres. Ele foi descendo seus beijos pelo pescoço elegante dela, parando para chupar aqueles mamilos deliciosos, até ficar de joelhos. Quando estes tocaram o chão, ele procurou uma posição confortável, sentando sobre os calcanhares. Depois deu vários beijinhos no umbigo dela e acariciou com o nariz suas coxas. Ele estava se ajeitando para uma bela e longa visita...
- Deus. - Ele afastou as coxas de Isabella e vasculhou em meio aos pelos escuros. - Faz uma eternidade que eu quero isto.
Ela riu, nervosa.
- Estamos viajando há uma semana.
- Uma eternidade. - Ele a abriu com os dedos, explorando suas dobras e circulando a pérola inchada com o polegar. - Você não tem como saber, Bella, você não tem como saber há quanto tempo estou esperando por você.
Ele deu um único e casto beijo no sexo dela. Só um prelúdio, para que ela não ficasse chocada demais. Então Edward passou um braço por baixo do joelho dela, colocando-o sobre o ombro. Com as mãos ele a agarrou por baixo, alcançando seu sexo com os dois polegares para abri-la para sua admiração. Para seu beijo. Isabella fez um ruído abafado.
- Edward...
- Quieta. - Ele soprou a palavra sobre sua carne delicada. - Você já teve sua chance de explorar cada centímetro do meu corpo. Agora é minha vez.
E como ele explorou... completamente... Edward passou a língua – apenas de leve – por cada pétala avermelhada, úmida, do sexo de Isabella. Descendo por um lado, subindo pelo outro... até alcançar aquele botão intumescido no alto. De novo, provocando-a apenas levemente. Até que a respiração dela ficou ofegante e ela arqueou os quadris, enfiando o calcanhar nas costas dele para puxá-lo para perto. Isso. Assim mesmo. Prenda-me próximo e apertado. Seja minha dona. Faça de mim um escravo do seu prazer. Mas uma ponta de maldade nele não queria dar a Isabella o que ela desejava. Ainda não. Ele manteve seus movimentos leves, provocantes. Até ela começar a se esfregar contra sua boca em um ritmo urgente e um lamento carente se elevar da garganta dela.
- Oh, Edward. Oh, Deus.
Uma blasfêmia, mas ele adorava ser colocado acima do divino no universo de Isabella. Mesmo que por um segundo breve e lascivo.
- Sim, querida? - murmurou ele, entre golpes lentos e lânguidos da sua língua.
- Eu preciso... preciso de uma coisa.
- Disto? - Ele enfiou a língua dentro dela.
Ela engasgou e arqueou os quadris.
- Mais.
Ela agarrou o cabelo dele. O gosto inebriante dela dançava em sua língua. Edward também precisava de mais. E não conseguia esperar nem mais um instante. Descendo a perna dela, Edward se ergueu e rapidamente saiu de sua calça desabotoada. Ele puxou a camisa por sobre a cabeça e a jogou de lado. Agarrando a bunda de Isabella com as duas mãos, ele a ergueu contra a parede e a fuzilou com um olhar selvagem, determinado a ler cada emoção dela.
- Você me quer, Bella?
- Quero.
- Você precisa de mim?
- Preciso. - Ela se contorceu contra o corpo dele, selvagem, suada e quente.
- Você me ama? - A voz de Edward estava tão rouca de desejo que as palavras se perderam em sua garganta. Ele deslizou para dentro dela, enfiando seu membro duro no sexo apertado. - Então, me ame... - rosnou ele, dizendo as palavras com uma estocada. - Me ame.
- Sim. - Ela arfou com prazer, inclinando a pelve para recebê-lo mais fundo.
Ele manteve o ritmo das estocadas, entrando nela no ângulo exato que ele sabia que ela desejava.
- Você tem que me amar. Nunca pare, está me ouvindo? Isto não vai ser bom com mais ninguém. Só comigo, Bella. Só comigo.
- Edward. - Ela enterrou as unhas nos ombros dele e se afastou da parede, ficando face a face com ele. Isabella passou a língua rapidamente pela dele. - Eu amo você.
Era justo... Ele voltou a pressioná-la contra a parede. Chega de discutir. Apenas unir, agarrar e enfiar. E beijar, de forma quente, molhada e profunda. Apenas aquele desejo desesperado, visceral, de ficar mais próximo, de todos os modos possíveis. Sem avisar, Isabella arqueou e retesou o corpo. Ela se agarrou a ele quando o clímax veio, gritando junto a sua orelha. Seus músculos íntimos ficaram tesos, enviando ondas pulsantes pelo pênis dele.
Dessa vez ele não se segurou. Não teria conseguido, mesmo se tentasse. Ele cavalgou a crista do prazer dela, em um vaivém frenético, enquanto o clímax dela o empurrava para seu próprio. Quando ele gozou dentro dela, a alegria, pura e deslumbrante, foi diferente de tudo que ele conhecia. Edward saiu de dentro de si mesmo. Em espiral, entrou em um lugar estranho e escuro, e ficou perdido ali por um instante, à deriva em seu êxtase. Mas logo o carinho dela o trouxe de volta. Ela sempre o traria de volta da escuridão. Como poderia ser diferente? Ela tinha seu coração.
- Isabella. - Exausto e trêmulo, ele enterrou o rosto no pescoço dela. - Eu preciso lhe pedir uma coisa.
- Precisa?
- Preciso. Esta é uma pergunta muito importante. Uma que nunca fiz para outra mulher. E quero que pense cuidadosamente na sua resposta.
Ela aquiesceu.
- Depois que toda esta loucura passar, e eu a conduzir em segurança para sua casa... você acha que seria adequado... - Ele engoliu em seco e levantou o olhar para encará-la. - Que eu a cortejasse?
Ela ficou de boca aberta.
- Cortejar. Você... você quer me cortejar?
- Quero. Muito. Mais do que qualquer coisa.
- Edward, você percebe que ainda está dentro de mim, sim?
- Estou perfeitamente ciente disso, sim.
Ela passou os dedos pelo cabelo dele nas têmporas.
- Então o cavalo já passou pelo portão, não é? Você não acha que uma corte formal seria uma chateação desnecessária, a esta altura?
- Chateação nenhuma. - Ele beijou os lábios confusos dela. - E eu acho que é realmente necessário. Você merece ser cortejada, Bella. Flores, piqueniques, passeios no parque e tudo o mais. E se eu posso dizer, suspeito que serei brilhante ao cortejá-la, se me dedicar a isso.
- Tenho certeza de que sim, mas...
- Em breve a temporada social vai estar a toda. - Ele saiu de dentro dela delicadamente, então os pés dela tocaram o chão. - Vou convencer sua mãe a enviá-la para Londres, onde poderei cobri-la de atenções na frente de toda a sociedade.
- Como é que você vai conseguir fazer isso, depois de voltarmos solteiros desta viagem escandalosa? Mesmo com a ajuda do seu primo, a fofoca vai ser de matar.
Ele fez um som de pouco caso.
- Mesmo que haja um pouco de escândalo, e não nos deixem entrar no velho e bolorento Almack's, e daí? Ainda seremos bem recebidos em vários outros lugares. Bailes, ópera, teatro, Vauxhall. Vamos ser a sensação de Londres.
- É, eu posso imaginar. Todo mundo vai querer saber o que aquela intelectual desajeitada colocou no seu vinho para deixá-lo tão desorientado.
- Não. Não fale assim. - Ele ergueu o queixo dela com um dedo. - Eu odeio quando você fala mal de si mesma, Bella. Vou bater em qualquer um que ousar insultá-la, mas não sei como proteger você de si mesma. Então, faça-me um favor... não fale assim. Tudo bem?
- Tudo bem.
O lábio inferior dela tremeu. Edward o tocou carinhosamente.
- Mimar você vai me dar tanta satisfação. Vou fazer você se sentir uma rainha. Vou fazer tudo o que puder para conquistá-la.
- Mas Edward, você não percebe... - Afeto aqueceu os olhos castanhos dela. - Você não precisa me conquistar. Já disse para você, eu sou sua.
Edward a pegou nos braços e a carregou para perto da lareira, colocando-a no tapete. A camisola estava amarrotada e rasgada, então ele pegou sua camisa e ajudou Isabella a vesti-la. Ele passou a camisa pela cabeça dela, e arrumou o lindo cabelo escuro por sobre o colarinho e ajeitou os cachos em volta do rosto dela. A camisa ficava bem nela, com o colarinho aberto oferecendo uma visão sugestiva de seus seios. Os olhos dela brilharam, e um belo rubor aflorou em suas faces.
Deus, ele amava vê-la descabelada. Seu coração e seu sexo argumentaram que ele deveria se casar com ela imediatamente e mantê-la ali, para que Edward pudesse começar a desfrutar dessa visão todos os dias. Todas as noites. Mas, para variar, ele deixaria que seu cérebro tomasse a decisão. Quando ele agia por impulso, até suas boas intenções acabavam mal. Um casamento apressado, ainda que parecesse tentador, não era o correto. Ele vestiu a calça e sentou com ela, de pernas cruzadas, diante do fogo.
- Você é tão jovem... - começou ele.
- Sou apenas cinco anos mais nova que você. Quando minha mãe casou, ela tinha dezessete anos, e meu pai quarenta e três.
- Você é jovem. - ele insistiu. - E esta semana foi, no mínimo, tumultuada. Eu quero lhe dar algum tempo, de volta ao mundo normal, para você ter certeza de seus sentimentos.
- Eu tenho certeza dos meus sentimentos.
- Você merece ser cortejada. Você merece saber que tem opções antes de comprometer sua vida com alguém - ainda mais um devasso como eu. Você merece ver esse Sir Jacob Black. Talvez ele não seja coberto de verrugas.
Ela tocou seu rosto, sorrindo.
- Eu amo você, Edward. Nada vai mudar isso.
- Querida e doce garota. - Ele a pegou nos braços e a segurou bem perto.
Eu amo você. Nada vai mudar isso. Ah, como ele queria pegar aquela declaração ousada e inequívoca e aceitá-la como verdadeira. Esculpi-la em pedra, tatuá-la em sua pele, escrevê-la em um mosaico naquele mesmo chão em que estavam. O Evangelho Segundo Isabella, do qual nunca se deve duvidar. Mas ele havia aprendido muita coisa – com ela, com a vida – e sabia muito bem o quão pouco ela tinha visto do mundo. A alma saturada de Edward ansiava por confirmação. Por pelo menos alguns meses. Dentre todas as pessoas, era ela quem mais devia entender o valor de um teste científico.
- Se o que você diz é verdade... - Ele se afastou para admirar aqueles belos olhos escuros. - Então não há problema em esperar, ou há? - Ele acariciou o rosto dela, tentando extrair um sorriso. - Eu sei bem o que é tomar decisões impulsivamente. Elas acabam não dando certo. Quando eu casar com você, quero que todo mundo, e isso inclui nós dois, saiba que não se trata de um capricho impetuoso. Eu quero esperar até depois do meu aniversário, para que também não haja suspeita de que estou fazendo isso para ganhar o controle da minha fortuna.
- Depois do seu aniversário? Você está sugerindo que nós vivamos separados por meses?
Ele aquiesceu.
- Acho que sim, isso mesmo.
- E quanto às noites, Edward? Como você planeja atravessar todas essas noites? - Ela engoliu em seco. - Eu acho que não conseguirei suportar se...
Ele a silenciou com um beijo.
- Os votos de casamento vão ter que esperar. Mas juro para você aqui e agora, Isabella. – ele pegou a mão dela e a colocou sobre seu coração. - Que enquanto eu viver, não passarei uma noite nos braços de outra mulher. Não vou fingir que esperar por você vai ser agradável, mas vou aguentar. Vai ser muito mais fácil enfrentar a escuridão se você for o raio de luz quente e belo no fim do caminho.
Ela pareceu decepcionada, e Edward se odiou por causa disso. Mas dentre todas as coisas que ele havia feito na vida, aquela precisava ser feita com cuidado e corretamente. Se isso significava andar no ritmo de um caracol marinho, então seria assim.
- Não se preocupe. - disse ele. - Assim é ideal, você vai ver. Nós fazemos tudo de trás para frente. Somos assim. Começamos com uma fuga. Depois disso, fazemos amor. Em seguida, passamos à corte. Quando estivermos velhos e de cabelo grisalho, talvez cheguemos ao flerte. Vamos lançar olhares apaixonados um para o outro por cima do nosso mingau. Seremos invejados por casais com metade da nossa idade.
Ela sorriu.
- Oh, Edward. Se elas pudessem me ver agora, eu seria invejada por todas as mulheres da Inglaterra.
- E algumas na Escócia, também. Está esquecendo que eu cresci bem perto da fronteira?
Ele fez o comentário em tom de brincadeira, mas seu significado provocou um arrepio de entusiasmo em todos os seus ossos. Escócia. A mudança em Edward foi imediata. Isabella observou a expressão em seu rosto mudar de afeto caloroso para determinação fria em um instante. Ela arrastou um toque tímido e sensual pelo peito dele, na esperança de fazê-lo voltar ao modo anterior. Não funcionou. Ele se pôs de pé e lhe ofereceu a mão.
- Venha, agora. E rápido.
- Quê? Por quê?
- Vou explicar enquanto subimos para os quartos. Não temos tempo a perder.
Aturdida, ela aceitou a mão dele. Edward a ajudou a levantar, depois recolheu todas as roupas descartadas.
- A esta altura seu quarto já está pronto. Eles devem ter resgatado seus baús na estrada. Vou levar você à sua suíte, depois vou mandar uma empregada para ajudar você a tomar banho e se vestir.
- No meio da noite?
Ele olhou pela janela.
- O dia logo vai nascer.
Ele pôs a mão na parte de baixo das costas dela e a puxou para perto, conduzindo-a para fora da sala e por uma escadaria grandiosa. Enquanto corriam escada acima, Isabella tentou não pensar demais no fato de que andava descalça em uma das propriedades mais históricas e imponentes da Inglaterra usando nada além do que a camisa de Edward. A personificação do escândalo. Mas... algum dia ela seria a senhora daquela casa. Talvez. Supondo que tudo desse certo durante o período de corte. Deus, ela estava tão confusa.
- E enquanto eu estiver tomando banho e me vestindo, o que você vai fazer?
- A mesma coisa. - disse ele. - Tomar banho e me vestir. E depois, providenciar os cavalos.
- Cavalos?
- Isso. Precisamos sair o mais cedo possível. - Ele parou. - Qual era a porta...? Ah. Esta é a sua suíte.
Ele a conduziu a um quarto magnífico, decorado em marfim e verde-sálvia. Isabella nem conseguiu admirar direito as molduras esculpidas, ou emitir um suspiro de satisfação, quando seus pés cansados de viajar afundaram no tapete felpudo.
- Edwad, nós acabamos de chegar. Quase não dormimos nos últimos dias. Não podemos pelo menos descansar um pouco antes de sairmos novamente em disparada? Este é o quarto mais lindo que eu já vi.
- E você fica linda dentro dele. - Deixando-a no meio do tapete, ele circulou rapidamente pelo aposento. Primeiro, ele abriu as cortinas. O brilho fraco da alvorada passou pelas janelas que iam do chão ao teto. - Seu quarto de vestir é aqui. - disse ele, indicando uma porta aberta. - E o quarto de dormir fica depois dele. Espero que você tenha mais tempo para conhecer tudo na próxima vez em que viermos. - Ele passou por portas fechadas, apontando. - Banho. Armário.
Ela fechou os olhos, então os abriu novamente.
- Edward. Para onde é que você pretende me levar?
- Para a Escócia. Para o simpósio.
- Mas... é tarde demais. O simpósio é hoje.
- Eu sei. É por isso que temos que nos apressar. Nós vamos chegar atrasados, e não podemos fazer nada quanto a isso.
- Mas como é que vamos até lá? Chega de carruagens, Edward. Não temos condições. - Ela percebeu como ele ficou perturbado no cupê, no dia anterior. Ela nunca mais iria fazer com que ele passasse por aquilo.
- Eu tenho um plano. - disse ele. - Você vai ver.
- Mas a Francine...
- Ainda existe. Com ou sem molde de gesso. A pegada dela está lá. Ela deixou sua marca neste mundo. - Edward se aproximou e pegou as mãos dela. - E você também vai deixar, Bella. Talvez você não receba o prêmio, sem levar a prova da existência dela. Mas você vai estar lá, e vai impressioná-los.
Ela não soube o que dizer. Uma empregada apareceu à porta do banheiro. Ela pigarreou e fez uma mesura.
- Minha senhora, seu banho está preparado.
Edward dispensou a empregada com um aceno. Ele apertou as mãos de Isabella.
- Nós chegamos até aqui. Não vamos desistir agora. Esta é a história do nosso futuro, a que vamos contar para nossos amigos, convidados, filhos e netos, e nossa história não termina com uma derrota. Ela termina em triunfo. O seu triunfo.
Ele levou as mãos dela aos lábios. Beijou uma, depois a outra. Isabella derreteu por dentro.
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- Nisto? - Uma hora depois, Isabella estava em pé sobre os degraus na frente de Riverchase, usando o último bom vestido que lhe restava, feito de sarja de seda verde-escuro. Ela queria parecer otimista, embora não se sentisse assim. - Nós vamos até Edimburgo nisto?
Ela olhava através da névoa matinal. À frente da casa estava a carruagem mais ricamente decorada, mais alegremente pintada e com as maiores molas de suspensão que ela havia visto em toda sua vida. O assento estreito, para acomodar somente duas pessoas – o condutor mais um passageiro – devia estar a pelo menos dois metros e meio do chão. A pequena carruagem esportiva estava atrelada a dois dos mais belos cavalos que se possa imaginar. Eles pareciam animais de corrida, não de tração.
- Isso não pode ser seguro. - disse ela.
- Não é exatamente um modelo para levar a família.
- Nós vamos brilhar no escuro. - Ela franziu os olhos quando os primeiros raios de sol iluminaram a pintura amarelo-vivo.
- Sim, é chamativo, extravagante e imprudente. - Edward puxou um pedaço de amarra de couro, testando sua força. - Mas é o meio de transporte mais rápido que existe na Inglaterra. Eu o ganhei em um jogo de cartas, há alguns anos.
- Você o ganhou. Mas sabe como conduzir essa coisa?
Ele deu de ombros e sorriu.
- Nós vamos descobrir.
Isabella se aproximou com razoável grau de apreensão. Mas ela dominou os nervos, determinada a ser corajosa. Edward estava pondo toda sua fé nela, e ela tinha que fazer aquilo valer a pena. Com auxílio de um criado, ela conseguiu subir no assento. Os animais dançavam de impaciência, e a carruagem balançou sobre suas molas. A cabeça de Isabella rodopiava. Não olhe para baixo, ela disse para si mesma. É claro que no instante seguinte ela olhou. Será que esse tipo de proibição funciona?
Içando-se para o assento, Edward se pôs ao lado dela. Ele abaixou a aba do chapéu e pegou as rédeas.
- Cento e dezesseis quilômetros. Essa é a distância até Edimburgo. Se o clima ajudar, nós poderemos cobrir vinte quilômetros por hora, fácil, neste veículo. Vinte e quatro, se eu apertar o ritmo. Com um pouco de sorte, nós chegaremos ao meio-dia. Nós podemos fazer isto, Bella. Nós realmente podemos.
Ela aquiesceu.
- Você sabe... - Passando o braço pelo dele, ela engoliu em seco. - Edward, você sabe como conduzir esta coisa, não sabe?
Ele sorriu.
- Você não para de me perguntar isso.
- E você continua se recusando a responder.
Ele voltou o olhar para a estrada e agitou as rédeas, fazendo a parelha trotar.
- Eu não gosto de andar de carruagem. Conduzir é algo completamente diferente.
Depois que fizeram a curva na trilha da casa, Edward estalou as rédeas nos animais, levando-os a um galope. Galope nada. Eles estavam voando.
- Oh! - O vento pegou sua risada assustada e a espalhou por toda Riverchase.
É assim que uma bala deve se sentir. Puxado por aqueles dois animais elegantes e majestosos, a carruagem disparou pela trilha de cascalho como algo divino de anjos. As molas do assento eram tão eficientes que Isabella mal sentia os calombos da estrada. Ela se aproximou de Edward, e foi obrigada a gritar por cima do rugido do vento e do tropel de cascos.
- Clube de corridas! - ele respondeu, também gritando e lhe dando uma piscadela marota. - A maior loucura de Londres.
Rindo, Isabella pôs a mão sobre o chapéu, animada demais pelo vento e pela velocidade para reclamar. É claro. O malandro era membro de todos os clubes que o aceitassem. Clubes de cavalheiros, de boxe, de carteado, dos aventureiros. Por que não um clube de corridas? Assim era a vida em Londres. Todos aqueles clubes. Todos aqueles amigos. Toda aquela diversão cintilante e rica. Todas aquelas mulheres...
Enquanto eles corriam para o norte, sua cabeça girava mais rapidamente que as rodas da carruagem. A sugestão de Edward, de um namoro público, a empolgava, é claro. Ir a bailes e à ópera de braços dados com o belo e impetuoso Lorde Cullen? Só de Isabella pensar nisso, seu coração falhava algumas batidas. E ela acreditava nele quando dizia que gostava dela. Ele não mentiria sobre isso. Ele está correndo a uma velocidade mortal para a Escócia por você, Isabella disse para si mesma. É claro que ele gosta. Mas... apenas há alguns dias ele dedicou horas ao conserto de um telhado. Ele se jogou em um trabalho braçal com força, entusiasmo e bom humor. Mas ele não jurou passar o resto da vida fazendo aquilo. Seria a repentina dedicação dele com Isabella apenas um produto de circunstâncias extremas? E se ela estava duvidando da dedicação dele, talvez Edward duvidasse do amor dela. Ou talvez ele simplesmente duvidasse dela. Talvez ele duvidasse que ela pudesse se tornar uma verdadeira viscondessa, e quem poderia culpá-lo? Pelo amor de Deus, olhe só aquela propriedade enorme, e a casa. Quem poderia imaginar Isabella como a senhora daquele lugar? Ela já tinha feito uma bagunça na sala de estar, e encharcado o tapete da entrada com água de chuva. Os criados iriam odiar Isabella. Ela não conseguia evitar de se preocupar com centenas de pequenas coisas. Edward também devia estar preocupado. Ele havia admitido sua incerteza. Era por isso que ele queria esperar. Esperar era sensato, raciocinou ela. Postergar o noivado era a coisa sensata e prudente a se fazer. Então por que isso a aterrorizava?
Eles pararam três vezes para trocar os cavalos e tomar água, sempre correndo de volta à estrada assim que fosse possível. A paisagem era verde e ondulante. Uma divindade deitada que acordava de seu sono invernal. O vento, por outro lado, era uma bruxa fria e cruel. Isabella se cobriu com uma manta de tear, para se aquecer, mas o vento gelado passava através dela. Quando a estrada ficou reta e ele pode soltar um pouco as rédeas, Edward a puxou para si, passando um braço por sobre o ombro de Isabella. Ela se aninhou ao lado dele, buscando conforto em seu calor e aroma conhecidos. E observando suas mãos enluvadas conduzindo os animais com movimentos firmes e confiantes. Ela passou um braço pela cintura dele, abraçando-o apertado. Não importava o que iria acontecer hoje, ou amanhã. Aquilo – apenas aquilo – valia qualquer coisa.
Eles se aproximavam de Edimburgo quando o sol do meio-dia chegou ao seu apogeu.
- Estamos quase lá. - disse ele quando voltou ao assento depois de parar para pedir informações a um comerciante. - Pronta para seu grande momento?
- Eu...
Eu não sei, não sei. Eles não sabem que sou mulher. Perdi todas as minhas anotações e meus desenhos. Sem provas eles não vão acreditar em mim quanto a Francine. E depois de viajar mais de cem quilômetros em uma manhã, meu cabelo deve estar de meter medo. Todos vão rir de mim. Oh, Deus. Eu sei que eles vão rir.
O pavor havia embolado suas entranhas. Mas ela se recusava a dar voz a seus medos. Ela tinha prometido a Edward que nunca mais iria falar mal de si mesma.
- Eu acho que sim. - disse ela, afinal. - Com você do meu lado, estou pronta para qualquer coisa.
Edward fez os cavalos pararem bem no meio da rua.
- Chegamos? - perguntou Isabella olhando em redor.
- Ainda não. - Com um dedo enluvado, ele virou o rosto dela para si. - Mas achei que não deveria fazer isto nos degraus da Sociedade Geológica Real.
Ele baixou a cabeça e a beijou. Ali mesmo, na rua, e com um sentimento tão doce e carinhoso, que todas as preocupações dela sumiram, empurradas para o lado pela emoção que cresceu em seu peito.
- Está melhor? - perguntou ele, pegando as rédeas.
Ela aquiesceu, sentindo a confiança voltar.
- Obrigada. Eu precisava disso.
Mais alguns minutos através de ruas de paralelepípedos abarrotadas, e Edward parou os animais em frente a um edifício imponente de tijolos. Ele jogou as rédeas e uma moeda para um garoto que esperava ali e deu a volta na carruagem para ajudar Isabella a descer.
- Depressa, agora. Você chegou bem a tempo para fazer uma entrada triunfal.
De braços dados, eles subiram correndo os degraus. Isabella estava tão ocupada tentando não tropeçar na saia que não reparou no porteiro – nem em ninguém, aliás. Até que uma voz grave os fez parar.
- Desculpem-me. Mas aonde vocês pensam que estão indo?
Ah, não... Agora virá o penúltimo capítulo e enfim o gran finale. Muitas fofuras nesse capítulo, não? Tardei, eu sei, mas cá estou eu... Peço desculpas pelo atraso :/
Beijos, até o próximo sábado!
