Aos reviews:
nathalia-phelps - Awn fofa, obrigada por continuar acompanhando! Sobre o Jessie e a Lily... Nesse novo capítulo esclarecerei suas dúvidas! Hahahaha!
Julia Ricci - em resposta sobre namorada para o John, coincidentemente, leia esse capítulo kkkkkkkk Beijos!
A família Bronwen
Alice POV:
- Ok, Lily, isso foi completamente sem graça – Maria chegou, meio nervosa, com um papel em mãos. – Eu sei que é você.
- Eu o quê? – Lily perguntou, erguendo os olhos de seu prato, indiferente. Por ter engordado dois quilos, finalmente parara de comer tantos chocolates, o que causou sua repentina depressão.
- Esse falso admirador secreto – Maria revirou os olhos. – Não tente se fazer de desentendida. Isso não vai funcionar. Essa carta estava em cima da cama ontem quando eu fui dormir.
- E o que essa carta diz? – perguntei, curiosa.
- Um tanto de baboseiras românticas, cujo remetente tem as iniciais S. L – Maria disse, olhando irritada para Lily. – Outro motivo pra provar que é você, Lily. S. L. é o contrário de L. S., não é Lily Stephanie?
- Argh, não me lembre desse segundo nome horrível que minha mãe me deu – Lily gemeu.
- Eu gosto – falei.
- Lily, por causa de eu ter relembrado daquele episódio na nossa lista, é claro que você repetiria a brincadeira – Maria acusou. – E eu achei idiota. Eu namoro Remo, imagina se isso cair nas mãos dele?
- Não fui eu – Lily disse.
- Naquela vez você usou as iniciais L. D., que era Lily e Dennis, o Smith que você amava no terceiro ano – Maria continuou. – E agora S.L. Está na cara.
- Repito que não fui eu – Lily deu de ombros, e simplesmente voltou à sua refeição.
- Maria, deixa eu ver essa carta – pedi, e Maria me entregou cautelosamente, ainda fuzilando Lily com o olhar. – Ei, essa não é a letra de Lily.
- Oh! – Lily exclamou com sarcasmo.
- Ela pode muito bem ter mandado alguém escrever. Daquela vez foi assim também – Maria disse.
- Eu não tenho motivos pra fazer isso, e tampouco estou com humor pra fazer brincadeiras ridículas com você. Então, sinto muito lhe informar, mas você tem sim um admirador secreto, que provavelmente vai trazer problemas pra seu namoro, e você está ferrada – Lily disse isso com tanta calma que me assustou. Maria ergueu as sobrancelhas pra ela, e ela simplesmente bebericou de seu suco.
- Bom, essas palavras são lindas – exclamei surpresa, devolvendo-lhe a carta. – Você está realmente conquistadora, Maria!
- Quem será esse idiota? – ela perguntou, agora preocupada, olhando novamente para a carta. – Eu pensei em Jason, foi o primeiro. Mas não é ele, tenho certeza. Essa caligrafia é bonita, e a dele é um esgarrancho.
- Pode muito ser – falei, tentando ajudar. – Ele é um colunista do MMM, deve escrever bem.
- Por que ele usaria as iniciais S.L.? – Maria perguntou, revirando os olhos. – E por que ele me enviaria cartas, se já jogou na minha cara que "gosta de mim"? Não faz sentido.
Dei de ombros.
- Na carta também diz "Com certeza você passa por mim e nem me nota, como se eu fosse um qualquer nesse mundo" – Maria leu. – Ou seja, é alguém que eu não conheço, e pode estar aqui no Salão agora mesmo.
E começou a olhar pra todos os lados, como se estivesse sendo espionada por agentes secretos. Eu apenas suspirei.
- Por que não o respondeu?
- Porque não! Não tenho nada a responder pra ele – Maria disse com a voz tremida. – Só quero ver se ele vai me mandar outra carta.
- Estou sentindo um pinguinho de esperança aí? – perguntei, rindo.
- Claro que não. Só quero saber quem é – Maria disse. – Embora tenho quase certeza que é Lily.
Lily apenas bufou.
- Já percebeu que é só eu começar a namorar que aparecem milhares de garotos atrás de mim? – Maria reclamou, suspirando. – E esse... É suspeito. Com certeza um garoto qualquer no primeiro ano.
- E se for Jason mesmo? – perguntei.
- Eu sei que não é. Ontem de noite ele estava na sala comunal jogando um torneio de Snap Explosivo com os garotos que durou até às duas da manhã, me contaram. Claro que ele não ia sair de lá tão cedo pra me mandar uma carta.
- Faz sentido – respondi, divertida. – Agora até eu estou curiosa.
- Ai, vou pirar – Maria suspirou, e roubou uma colherada do meu pudim.
- Vai contar a Remo?
Ela balançou a cabeça.
- Não, é melhor eu esclarecer isso primeiro e depois contar pra ele – Maria respondeu. – E espero que eu conte isso com altas gargalhadas, pra ele rir junto comigo.
Peguei a carta de suas mãos novamente.
- S. L... – falei, vagamente. – Não conheço ninguém com essas iniciais.
- É, nem eu – Maria disse, então se virou para Lily. – Se bem que os monitores tem direito à mexer no arquivo da escola, não é Lily?
- Nem pensar – ela cortou, e Maria mostrou-lhe a língua.
Depois disso apenas seguimos pra primeira aula do dia, Maria relembrando os nomes que passaram despercebidos por nós para tentarmos adivinhar a pessoa da carta. Começamos a lembrar de algum calouro, mas nenhum era conhecido o bastante. Passamos para os segundanistas e assim por diante, mas não encontramos nada.
Mas uma hora apareceria. Como uma perfeita garota que amou um menino secretamente por anos, é realmente horrível segurar isso por muito tempo...
Lily POV:
Aula de poções. Eu estava quase dormindo, o que era uma coisa rara. Poções é minha matéria favorita, portanto meu interesse frenético na matéria me impede de babar sobre o livro. Mas essa aula foi muito mais interessante que o normal, por isso eu não podia dormir.
Slughorn falou algo que nem escutei direito, ainda mais por ter sentado na última carteira – bom pra não ser notada, e péssimo por ter sentado simplesmente atrás do casal maravilha. Sophie estava do meu lado, e olhava enojada para Gravelle, que bagunçava os cabelos de James, aos risos, e ele murmurava feito um gato amando o carinho. Que horror.
Quando Slughorn nos deu a lição que era pra fazer, eu nem sabia do que se tratava. Apenas quando olhei no quadro negro onde informava a página do livro que fui descobrir. O título da página era enfeitado por vários coraçõezinhos, intitulado "Amortentia".
- Acho melhor começarmos a fazer – Sophie disse.
Eu quase não consegui me concentrar. Aqueles mimos e risadinhas no meu ouvido estavam irritando, e por muitas vezes eu quebrava galhos das ervas para a poção de raiva, e Sophie tinha que fazer tudo de novo. Os dois foram começar a fazer a poção uns vinte minutos depois que Slughorn havia passado a lição, e foi quando nossa poção já estava pronta.
- Hum, sinto o perfume do Sirius – Sophie fungou a poção, sorrindo. – O que você sente?
Me aproximei, cautelosa, e cheirei a poção. Um cheiro conhecido entrou em minhas narinas.
- Parece o cheiro dos meus lençóis – franzi a testa. Então lembrei. – Ai droga.
- Lençóis? – Sophie riu.
- Não exatamente dos meus lençóis – falei com tremor. – Há outra coisa que tempos atrás eu usava pra dormir.
E olhei diretamente pra nuca de James. Sophie ergueu as sobrancelhas, entendendo. Esfreguei meu nariz com força, esperando que aquele cheiro sumisse. Sophie riu.
- É o amor, Lily – ela continuou a rir.
Nem respondi, antes que palavras ofensivas escapassem sem querer.
Porém, a melhor parte veio cinco minutos depois. James e Gravelle finalmente terminaram sua poção, e Veronica se aproximou do caldeirão, animada.
- Sinto seu cheiro, James! – ela falou com aquela voz irritante. – O que você sente?
Sua pergunta soou óbvia, e eu rolei os olhos. Sophie também observava a cena, até James fungar a poção.
- Morango. Sinto cheiro de morango – ele sorriu para ela como se ela fosse uma pepita de ouro no meio da areia. – É o seu shampoo?
Nesse momento o sorriso de Gravelle vacilou, e antes que ela sequer respondesse, James se aproximou de seu cabelo e cheirou.
- É, mudei meu shampoo ontem – ela inventou rapidamente, sorrindo amarelo. – Acho que esse de chocolate dá para o gasto.
James franziu a testa, então deu de ombros. Voltando aos mimos e risadas.
- Que idiota – Sophie riu, balançando a cabeça.
Eu pensaria o mesmo, pensaria que isso foi a coisa mais sem nexo e irrelevante para mim.
Isso se o meu shampoo não fosse de morango desde que eu me conheço por gente.
Sophie POV:
Depois de me despedir de Sirius depois da aula – por ele ter que ir para o treino de quadribol – me dirigi para a sala comunal, feliz por não ter treino das Griffies ou coral. Porque, afinal, eu merecia um descanso. Sinto falta daquele tempo em que eu reclamava de tédio, mas que na verdade eu amava não ter nada pra fazer. Agora se eu reclamo de tédio, sempre me lembro: NIEM's pra estudar. E não posso perder tempo.
Mas sem Emelina ou Lily por perto, eu podia "acidentalmente" esquecer dos NIEM's e me juntar a meus amigos elfos na cozinha, assaltando algum muffin que eles sabem fazer tão bem. Era a melhor coisa que eu amava fazer, ou então ir no corujal, olhar pro nada. Isso sim era vida.
- Ei, garota – alguém me interrompeu na minha caminhada distraída pelos corredores em direção à cozinha. Eu pretendia pegar alguma coisa para eu comer e levar para o corujal, para fazer as duas coisas que amo juntas.
Me virei e me deparei com um garoto alto, cabelos muito negros e barba por fazer. Acho que "garoto" não o define muito bem. Estava mais para rapaz, e de uns bons vinte e tantos anos. Com certeza nem ao menos estudava ali, e quase tinha cara de professor.
- Sim? – perguntei prontamente. Ele sorriu.
- Er... Podia me informar onde fica a sala comunal da Corvinal? – ele perguntou. – Eu simplesmente não sei para onde ir.
- Ahn... Não sei ao certo, porque como vê eu não sou da Corvinal – apontei para minha gravata amarela e vermelha. – Mas eu sempre vi alguns alunos ir naquela direção.
Ele olhou para onde eu apontava, e coçou o cabelo. Parecia realmente perdido.
- Ah, obrigado – ele olhou pra mim de volta, como se estivesse com medo de eu ir embora e o abandonar ali sozinho. – E... A propósito, sou Eric. Eric Bronwen.
Apertei sua mão, e o olhei surpresa.
- Bronwen? – perguntei. – É parente de Susan?
- Ah – ele hesitou. – Sim. Sou. Sou... Irmão dela.
- Sério? – perguntei, surpresa. – Caramba, você não tem nada a ver com ela. E o que está fazendo aqui?
- Fui transferido da minha escola em Nova York pra cá – ele disse, incomodado. Mesmo isso não me impediu de continuar com as perguntas. Minha curiosidade havia chegado a seu auge.
- América, hein – falei, animada. – Mas desculpe dizer... Não parece velho demais para um estudante?
- Bom, eu repeti alguns anos – ele corou.
E quantos anos. Quase deixei escapar que pra um homem que aparentava quase trinta anos – ah não, exagero meu; acho que uns vinte e três já bastavam – e ainda não tinha terminado a escola era realmente assustador, e já era até pra ter desistido.
- Desculpe todas essas perguntas, é que estou realmente curiosa – falei, cautelosa. – Mas quantos anos você tem?
Ele riu baixo.
- Dezenove.
- Não pode ser – desdenhei.
- Sério – ele riu mais.
- Você parece ter uns vinte e cinco anos! – exclamei, e ele gargalhou.
- Bom, já estou acostumado – ele falou. – Acho que o fato de ter praticamente criado minha irmã me deixou com um ar mais velho.
- Pode ser – falei. – Enfim, espero que encontre o caminho. Repare bem nas gravatas. Quando vir uma prata com azul escuro, é só perguntar pra pessoa que ela vai te orientar.
- Certo, muito obrigado...?
- Sophie. Sophie McKinnon – respondi, e seu sorriso se alargou. – Foi um prazer te conhecer, Eric.
- Nos vemos por aí – ele se despediu, e seguiu pra onde eu havia apontado.
Garoto legal. E maduro, vejo. Talvez eu conte essa pra Dorcas, assim ela deixa Jason em paz um pouco.
Mas isso é realmente curioso. Eu nem sabia que Bronwen tinha irmãos! E tão novos, vindo da América! Realmente estranho.
Só sei que quando Stanley ouvir sobre isso, não vai ser nada nada agradável pra nenhum dos Bronwen.
Remo POV:
- Bronwen tem irmão? Que está agora em Hogwarts? – Dorcas perguntou, cortando Sophie antes mesmo que essa terminasse a falar, enquanto estávamos na sala de música esperando pela chegada de Moreau. – Ba-ba-do!
- Irmão não, irmãos – Sophie contou, franzindo a testa. – Ele disse sobre algo de ter praticamente criado sua irmã, e pela idade dele, é claro que essa irmã não foi Susan.
- Gente, preciso conhecer esse garoto – Dorcas disse, pensativa. – Preciso de ótimas fofocas para o MacMcMea.
- E onde você conheceu ele? – Sirius perguntou com certo tom ciumento.
- Ele me pediu informação sobre onde fica a sala comunal da Corvinal – Sophie logo explicou.
- Que esquisito. Vamos perguntar disso para Mister D – Maria disse.
- Perguntar o quê a mim? – Moreau entrou pela sala, sorrindo.
- Sobre a Treinadora Bronwen, professor – Dorcas disse num tom provocador. – Ouviu sobre a história que os irmãos dela estão morando no castelo agora?
- Como é? – ele pareceu surpreso. – Suzz tem irmãos?
- Vai dizer que você não sabia! – Beth exclamou. – Quero dizer, vocês foram super amigos no passado, não?
- Sim, mas... Eu não sabia que Suzz tinha irmãos – Moreau franziu a testa.
- Hum, sinto o cheiro de segredos no ar – Dorcas riu.
Moreau observou nossos rostos curiosos, mas simplesmente balançou a cabeça.
- Enfim, vamos sair desse assunto – Moreau bateu as mãos. – Vamos falar da competição. Já foi marcada para o fim do mês, e precisamos treinar fortemente para ganhar, temos que desempatar isso!
- Nós também temos um jogo muito importante no final do mês, contra a Sonserina – Sirius disse depressa, seguido por um assentir de James. – Se ganharmos esse jogo, vencemos o campeonato!
- O que causará que as Griffies treinem mais também – Alice completou.
- Acharemos um tempo pra tudo isso – Moreau os tranquilizou. – Sempre achamos. Temos que vencer Stanley a todo custo, ainda mais porque ela está com Sean agora.
- O nosso Sean – Lily resmungou, irritada. – Aquela vaca... Ela me paga.
- Porém, enquanto ainda não temos uma ideia concreta pra nosso próximo número... Vamos praticar – Moreau sorriu. – Faremos a competição de mash-up Garotos versus Garotas do ano!
Tanto nós garotos quanto as garotas vibramos, animados.
- Tudo por conta de vocês – Moreau fez um gesto com a mão, animado, e as garotas já juntaram as cabeças.
- Está no papo. Humilharemos os garotos novamente! – ouvi Dorcas dizer.
- Ei, caras – Sirius chamou. – Tenho ótimas ideias de rock pra gente. Ainda mais porque Sean não está aqui pra se sentir incomodado.
Já tínhamos em mente o que interpretar, e, de acordo com Sirius, iríamos calar a boca de Dorcas. Mas eu não me importava muito com isso. Só achava tudo divertido, importando ou não quem fosse o melhor.
Depois disso me aproximei de Lina assim que fomos dispensados, que não parava de fazer caretas.
- Algo errado? – perguntei. Eu me achava meio idiota de falar com ela depois daquela história do beijo, mas eu simplesmente não conseguia sentir alguma raiva sequer dela. Ao ver quem estava falando com ela, seus olhos brilharam.
- Remo, oi! – sorriu abertamente. – Ah, não é nada. Dorcas está enchendo o saco, e não sei se tenho paciência pra aguentar ela nos últimos dias.
- Ainda aguentando sua separação de Chapman? – perguntei, curioso.
- É – ela suspirou. – E me desculpe por aquele dia. Me descontrolei.
- Tudo bem – respondi, a voz longe.
- Fico feliz que tenha me perdoado – ela falou contente. – Talvez você seja o único que me entende nesse mundo.
Eu apenas, ri até escutar chamarem meu nome.
- Remo, vamos? – Maria se aproximou, mas mesmo assim sorriu para Lina. Hesitante, mas sorriu.
- Tchau, Lina – me despedi, e ela sorriu para nós.
- O que aconteceu? – Maria perguntou quando já estávamos longe.
- Eu decidi perdoá-la por causa daquele beijo, e tudo o mais – falei, sem graça. – Talvez você faça o mesmo com Jason.
- Eu não sou tão boa quanto você, Remo – Maria disse.
Apenas não respondi. Às vezes me pergunto se sou mesmo uma pessoa boa por ser tão compreensivo, calmo e piedoso, ou sou apenas mais um idiota que nem ao menos consegue encarar uma antiga paixão sem corar descontroladamente.
Lily POV:
- Olá, Lily – a voz sobreveio num piscar de olhos, e eu gemi. Abaixei o livro que eu estava usando pra esconder o rosto para olhar pra Jessie, sorrindo sem graça.
- O-oi – gaguejei.
- Faz tempo que não te vejo na biblioteca – ele disse, puxando a cadeira e se sentando na mesma mesa em que eu estava. – E quando vem, nem ao menos vai na Seção das Enciclopédias.
- Er... É que eu estou lendo – falei rapidamente, gesticulando com o livro.
- Ah – ele sorriu torto. – Que bom que finalmente pude falar com você. Já estava sentindo sua falta.
Corei, e ri longos segundos depois dele ter dito aquilo. Seus olhos eram penetrantes em meu rosto, e eu tratei de olhar pra outro lado.
- O que está lendo? – ele perguntou, espiando na capa.
- Ahn... Um livro sobre Amortentias – expliquei. – Slughorn me indicou.
- Slughorn te indicou ou você anda pretendendo dar essa poção a alguém? – Jessie brincou.
- Não, não – falei, correspondendo à brincadeira. – Acho isso perigoso demais. E não quero amar ninguém agora.
Jessie sorriu.
- A gente não escolhe isso.
- É – corei mais um pouco. Ok, Jessie agora aprendeu a mandar umas indiretas bem diretas, e esse era um dos motivos que eu me afastei daquela biblioteca.
- Bom, eu tenho que ir né – falei depressa, me pondo de pé e quase derrubando a cadeira no chão. Por sorte isso não aconteceu, porque eu sabia que Madame Pince apareceria mais cedo ou mais tarde.
- Tudo bem. Te levo até a Torre da Grifinória.
Oh, Deus.
Jessie continuava a me lançar olhares o tempo todo, e eu só conseguia olhar pra frente, apenas o observando pelo canto do olho. Às vezes ele comentava algo sobre o coral ou sobre sua mãe, me contando as novidades. Eu apenas respondia com comentários curtos, e pra não parecer que eu sou louca – o que de fato sou – contava algumas novidades também, como a de Petúnia ter se casado.
Vaca. Nem pra esperar pela minha presença! Desde os doze anos eu a amaldiçoei, dizendo que no dia do casamento dela eu botaria fogo do vestido dela com minha varinha! Pensando bem, deve ter sido por isso que ela não me esperou. Mas mesmo assim, eu queria rir na cara dela quando esse dia chegasse, e eu simplesmente nem fiquei sabendo que ela se casou, argh!
Quando chegamos no retrato da Mulher Gorda, ela nos olhou com extrema curiosidade, e falou:
- Por favor, não se agarrem agora – ela disse com simplicidade. – Não sei porque, mas todos os casais amam se despedir aqui e ficar minutos se atracando, mesmo sabendo que estou vendo tudo isso. Não sei por que eles não fazem isso em outro lugar!
Jessie riu, e eu corei um pouco antes de me juntar a ele.
- Não vamos nos agarrar – adiantei depressa.
- Ah, agradeço então – ela suspirou. – Senha?
- Ahn, então tchau Lily – Jessie disse, ainda rindo. – A gente se vê, ok?
- Certo – falei, congelando quando ele se aproximou pra me dar um beijo no rosto. Até Mulher Gorda ofegou, como eu. Além de tudo, eu arrepiei, e tenho quase certeza que ele percebeu.
Jessie soltou um sorriso "oi, sou lindo" antes de se afastar, então pude suspirar finalmente, me encostando na parede.
- Caramba, esse aí sabe ser charmoso – ela comentou.
- É, sabe – respirei fundo, começando a me abanar.
- Se eu fosse você não deixava passar, Evans – ela sorriu, e eu levantei a sobrancelha ao ouvir ela dizer meu nome. – Esqueça do menino Potter e siga em frente!
Não respondi, ainda estava chocada. A Mulher Gorda mostrou indiferença, então eu balancei a cabeça.
- Er, obrigada – respondi, baixo. – A senha é Unicórnio Azul.
Mulher Gorda fez um gesto e a entrada se abriu.
Anotado: nunca mais deixar Jessie me trazer até a entrada da Torre da Grifinória.
David POV:
- Stanley, Stanley! – a chamei, atravessando a multidão de alunos com dificuldade.
- Moreau, a resposta ainda é não – ela se virou, sorrindo sem hesitar. – Não vou devolver Sean pra você. Ele está oficialmente no meu time, e pode passar informações da Lufa-Lufa pra você.
- Assim como passar informações da Grifinória pra você – lembrei.
- A lealdade de Sean está na Grifinória, e ele se recusa a contar qualquer coisa a mim – Stanley disse com certo desprezo, me fazendo orgulhar de Sean. – E com certeza se ele voltar pra Grifinória ele vai contar tudo o que sabe.
- Isso é injusto! Você não pode simplesmente roubá-lo de minha equipe! – insisti, caminhando atrás dela quando ela deu as costas.
- Ah, posso – ela sorriu. – Tenho motivos suficientes, e você concorda comigo.
- Apenas pedimos a ele pra não contar – sugeri, e ela bufou. – Juro que dou-lhe ordens pra não nos dizer nada sobre a Lufa-Lufa.
- Você é idiota, é bem capaz de fazer isso mesmo – Stanley desdenhou. – Mas os marotos e aquelas garotas sabem muito bem persuadí-lo, então a resposta é, e sempre será, não.
- Mas...
- É claro, a não ser que eu jogue a toalha, o que será impossível.
Eu iria responder, mas bem na hora Stanley começou a prestar atenção à conversa de duas garotas da Sonserina, vestidas de líderes de torcida, que comentavam:
- Agora estou curiosa pra saber quem são os dois irmãos da Treinadora Bronwen que estão no castelo! – uma delas disse.
- Vê não nos deu muitos detalhes, mas agora estou louca pra saber quem é!
- Espere – Stanley se virou para mim. – Bronwen tem irmãos no castelo?
- Ah, isso? – mordi o lábio. – Eu não estava sabendo. Os garotos que me contaram hoje.
- E quem são eles? – Stanley me perguntou. – E desde quando aquela mulher tem irmãos? Ela tem idade pra ser avó!
- Engraçado – falei secamente. – Suzz nunca me contou nada sobre ter irmãos.
- Mentiroso – Stanley cortou. – Vocês são super amigos, não é? Com certeza sabe de alguma coisa.
- Eu não sei de nada – respondi, suspirando. – E mesmo se soubesse, não te contaria porque isso não te interessa.
- Ah, me interessa – seus olhos brilharam. – Interessa e muito. Há tempos que quero acabar com aquela Cabeça-De-Jardim, há muito tempo...
- Deixe Suzz em paz, Stanley – revirei os olhos.
- Sabe como é constrangedor ter que dividir seu cargo nessa escola com outra pessoa? Tem ideia? – ela estreitou os olhos, raivosa. – Uma pessoa de cabelos verdes?
- Não consigo entender o que isso tem a ver.
- Bronwen é tão asquerosa e insuportável quanto você, e com razão – ela continuou. – Quero ver aquela mulher longe desse castelo, e essa história de irmãos está muito mal contada. Será que Dumbledore sabe disso?
- Com certeza sabe. Ele é diretor daqui – zombei com obviedade.
- Ele está fora do castelo por esses dias, pode não saber – Stanley continuava a sorrir perversamente, como se tivesse um plano maligno em mente. – Vou procurar saber mais da vida dessa mulher. Afinal de contas, por que ela veio da América pra cá simplesmente pra acabar com minha função profissional nesse castelo?
- É que te ver de cara no chão é uma diversão universal – comentei, e ela me ignorou.
- Bronwen que se prepare... Vai sair desse castelo o mais rápido que pensa.
- Deixe-a em paz – repeti.
- Sabe o que é o melhor, Moreau? – ela me encarou novamente. – Quando atinjo ela, atinjo você. Imagina se os dois saíssem do castelo numa só vez?
- Você já imaginou isso antes, e não deu certo – falei.
- Mas agora posso reunir motivos. Motivos bons, aliás – ela riu, maldosamente. – Hogwarts não é um lugar pra qualquer um, e se esses irmãos dela estão aqui, deve haver algum motivo.
- Por que você não cuida da sua vida? – perguntei impaciente.
Stanley gargalhou, e quando falou soltou uma espontaneidade que chegava a ser assustador.
- Porque ferrar a dos outros é muito mais divertido.
Franco POV:
- Eu vi ele, eu vi, eu vi! – Dorcas chegou correndo desembestada na mesa da Grifinória, onde estávamos sentados. – E ele é simplesmente, definitivamente, UM GATO!
- Ele quem? – perguntei, incomodado, e Alice riu.
- O tal do irmão da Susan – ela respondeu. – Onde você o viu, Dorcas?
- Indo para o banheiro masculino, e de novo na aula de Transfiguração – Dorcas disse, ofegando e se sentando, puxando a jarra de suco pra si. – Tive que verificar todas as aulas do sétimo ano de hoje pra ver se tinha algum rosto desconhecido, até descobrir que o bendito estava na mesma aula que eu! Foi na aula da McGonagall, que falou o nome dele na chamada, Eric Bronwen. Ele é lindo demais, e tem uma voz, mas uma voz... Voz de gente madura sabe, aqueles homens bem sexys e tudo o mais, que nossa! Quase caí da cadeira! McGonagall deu boas vindas a ele, e ele respondeu todo educado e... Caramba, que homem!
- Se controla, Dorcas – Sophie riu. – Em que aula ele estava, que eu não o vi?
- Ah, eu entrei escondido na aula de Transfiguração da Corvinal, a que não é junta com nenhuma outra casa – Dorcas contou. – Fiquei escondidinha, e bem no final da aula McGonagall me expulsou de lá. Tive que inventar correndo que eu estava com sono e entrei na sala errada!
- Você é louca – Alice comentou.
- Agora até eu fiquei curiosa pra ver quem é esse tal de Eric – Lily disse.
- Eu não – John falou, com a boca cheia. – Sou muito mais eu.
- Antes o que eu mais queria era que Bronwen deixasse o castelo, mas depois de ver aquele irmão que ela tem, quero que ela fique aqui pra sempre! – Dorcas exclamou.
Todos riram, balançando a cabeça para Dorcas.
- Que tal chamarmos ele pro coral? – Dorcas disse, esperançosa. – Com aquela voz com certeza ele canta!
- Ele é da Corvinal – falei, não gostando. – Colocar Jessie que é da Sonserina lá não deu certo, provavelmente com ele não vai dar certo também.
Dorcas mostrou a língua pra mim, e eu retruquei, mandando-lhe um beijinho falso.
- Mudando de assunto – Lily disse, colocando seu prato de rosbife de lado. – Vocês garotos já estão pensando no que vão cantar no mash-up?
- No que vamos ganhar, você quer dizer – John falou, cheio de si. – Nós garotos temos ideias brilhantes que vocês garotas nem imaginam.
- Haha, não chega a nossa altura, querido caçula – Dorcas cortou. – Nós garotas arrasamos na outra vez, e agora vocês vão sofrer de novo...
- Arrasaram nada! – John gargalhou, fazendo voar gotas de suco no rosto de Dorcas, propositalmente. – Aquela vez James acabou com vocês, ainda mais por surpreender vocês, já que nem faziam ideia de que ele cantava!
- Claro que não! – Dorcas falou irritada, limpando o rosto fazendo caretas.
- Claro que sim, meu amor – John rebatou.
- Não!
- Sim!
- Não não!
- Acho melhor pararem, não? – Sophie pediu, rindo.
- É incontestável – Dorcas falou, dando de ombros. – As garotas arrasam naquele coral.
- Coral? – uma voz melódica e suave interrompeu a fala de John. – Por acaso vocês são do coral?
Levantamos todos a cabeça pra uma pequena figura que nos observava com curiosidade. A garota tinha grandes olhos, um sorriso caracterizado por covinhas e cabelos azuis que batiam no queixo. No primeiro momento, não compreendi aqueles cabelos azuis, e acho que nenhum de nós havia entendido.
- Er... Somos sim – Sophie respondeu, confusa.
- Ai, que legal! – ela exclamou, contente. – Corais são tão divertidos!
Ninguém respondeu. Continuamos a encarar confusos a garota simpática que não parava de sorrir para nós.
- Você canta? – Lily perguntou, sorrindo amarelo, pra garota que agora se sentava junto a nós. Era da Corvinal, pelo que eu vi no brasão de seu uniforme. Me entreolhei com Alice, ambos ainda surpresos.
- Quem me dera, sou péssima! – ela riu. – Mas gostaria de ter algum talento. Minha... – engoliu a bebida. – Irmã me falou que tinha um coral, e que tem competições mensais. Estou curiosa pra assistir vocês, ainda mais porque na minha escola antiga não tinha nada disso.
- Você é nova aqui? – Dorcas perguntou.
- Aham, acabei de chegar – ela sorriu mais abertamente. – E desculpem, nem me apresentei. Sou Alicia, Alicia Bronwen.
Todo mundo soltou uma exclamação de entendimento. É claro. Seu cabelo azul explicava o verde de Susan. Sophie foi a primeira a falar-lhe.
- Ah, é um prazer te conhecer – ela sorriu. – Conhecemos já seus irmãos. Eu sou Sophie McKinnon, e esses são Franco Longbottom, Lily Evans, Alice Brown, Dorcas Meadowes e John Khan.
- É um prazer – a garota disse. – Mas desculpem, não vou lembrar o nome de vocês, sabe. Sou péssima de memória.
- Ah, tudo bem – Alice respondeu. – Mas o meu você tem que lembrar, não é? Seu nome é tão parecido com o meu!
- É, acho que vai ser fácil lembrar de você – a garota falou.
- Mas então, Alicia – Dorcas se curvou para a garota. Lá vem coisa. – Você e Bronwen por acaso tem um pacto ou algo do tipo? Uma de cabelo verde, outra de cabelo azul... E por que seu irmão não tem, sei lá, o cabelo roxo?
Alicia soltou uma risadinha. Pelo menos ela não estava levando a ironia de Dorcas a sério.
- Não, não é um pacto. Antes fosse – ela disse. – Ela pintou o cabelo de verde por causa de mim. Quando eu era pequena, eu não me sentia bem por ser quem eu sou. Eu sou metamorfomaga, por isso meu cabelo muda de cor constantemente. É raro ele adquirir uma cor normal, como o castanho ou o loiro, que é a cor original. E para eu não me sentir estranha e sozinha, ela pintou o cabelo de verde.
Ninguém respondeu. Até mesmo Dorcas calou-se.
- Nossa – Alice disse, a voz abalada. – Que legal isso.
- É mesmo – Alicia sorriu afetada. – Por isso amo ela.
- Eu não te acho diferente por ser metamorfomaga – John falou, pela primeira vez, e quando disse seus olhos puxados banhavam afeto ao olhar para Alicia. – Ao contrário. Eu queria ser um.
Alicia riu.
- Você não sabe o que diz, Jeremy.
- Ahn, é John – ele corrigiu, franzindo a testa.
- Ah – Alicia disse, confusa.
Continuamos a conversa, Alicia contando sobre sua vida em Nova York. Ao longo da conversa ficou claro o tanto que a garota era doce e amável, contando sobre seu vegetarianismo e sua paixão por animais, e acabei percebendo como Alice estava amando a garota. Outro que estava amando Alicia, talvez de uma forma diferente, era John. Ele a olhava com uma intensidade que parecia que ele ia pegar Alicia no colo e sair correndo.
Mas de uma coisa eu estava certo: aquela história da família de Susan estava muito mal contada.
Maria POV:
O admirador secreto me mandou uma segunda carta, de noite, e dessa vez a carta estava dentro do meu malão. Com certeza a coruja que levou a carta errou um pouco a mira, ou então essa tivesse sido a ordem que ela recebera.
Maria,
Não tenho a mínima ideia do que está pensando a meu respeito. Com certeza deve estar pensando que é alguma amiga sua, que é seu próprio namorado, que é alguém idiota querendo sacanear com você, ou outras coisas. Mas saiba que não me enquadro em nenhum desses itens. Eu só quero me comunicar com você de um jeito que você não saiba quem sou. Acho que é melhor pra mim e pra você.
Ah, e quanto a questão do seu namorado, não quero que isso atrapalhe você e ele. Faça o que quiser com as cartas que envio, rasgue-as, queime-as, nem as leia. Mas pelo menos eu posso ficar tranquilo sabendo que tudo o que eu guardo aqui dentro, de uma forma ou de outra, foi posto pra fora.
Hoje eu te vi. Quero dizer, todo dia eu te vejo. Te vi de longe. Hoje você estava bonita, meio descabelada. Acho engraçado quando isso acontece. Me faz lembrar de tempos atrás quando você chegava descabelada por se irritar com alguma coisa. Mas supus que quando começou a namorar isso deve ter acabado. Amar faz isso com a gente. Te deixa mais tranquilo. E também percebi que você está atenta demais, olhando pra todos os lados como se estivesse sendo espionada. Claro, tenho certeza que sou eu. Mas não se preocupe, só gosto de observar e perceber seus gestos, e tenho absoluta certeza de que você não tem ideia de quem eu seja. Isso é bom.
Acho que é isso por hoje. Como eu disse, não quero te obrigar a ler tudo o que eu te envio, é mais uma liberdade de expressão pra mim mesmo. Se estiver lendo isso, obrigado.
Tenha uma boa noite. Sonhe com os anjos.
S. L.
Como esse energúmeno quer que eu não leia as cartas dele se a cada vez que ele me manda essa carta eu morro de curiosidade e acabo por não resistir e ler? Mas que droga, quem é esse S.L?
Está decidido: procura máxima amanhã. Nem que seja pra subornar Lily com chocolate, ela vai me deixar ir nos arquivos da escola.
Ah se vai.
Emelina POV:
Eu simplesmente TENHO que superar, tenho que esquecer, tenho que eliminar as boas lembranças de Benn que eu tenho guardadas na cabeça. Já passou da hora de eu tomar essa atitude, mesmo que qualquer coisa que aconteça ao meu redor me lembre dele. Especificamente ver Gravelle e James juntinhos por aí, o que faz com que eu entre para o clube "Por favor, terminem", onde Lily é a fundadora. Mas, é claro, ela não sabe disso.
Me reaproximei de Remo, também, e isso faz com que eu esqueça um pouco de Benn. Me senti culpada no início, já que percebi que Remo e Maria se afastaram um pouco. Não resisti e perguntei a Remo se era por minha causa, e ele negou, dizendo que eles não se afastaram. Mas eu consigo ver isso claramente, sou acostumada com isso, desde que eu brigava com Benn sem parar. Mas ficar perto de Remo me fazia sentir melhor, porque ele sempre tratava de assuntos inesperados, e isso já refrescava minha cabeça.
Por outro lado, Sirius e Sophie tiveram uma pequena discussão, e acho que me saí bem ao ajuda-la. Brigas entre casais é comigo mesmo. Aparentemente, Sirius não gostou muito de Sophie estar criando amizade com Eric. Na última aula de Herbologia – a qual Sirius cabulou junto com Pedro e James (apesar de eu ter ouvido que James matou pra ficar por aí com Gravelle) –, Eric fez par com ela pra reenvazar umas plantas esquisitas e vermelhas. Eles ficaram conversando por um tempão, até a próxima aula, que coincidentemente também era Corvinal junto com Grifinória. Só que dessa vez Sirius estava presente, e não gostou nada de ver os dois juntos. Discutiram entre bilhetes durante a aula de Feitiços e continuaram a discussão quando tocou o sinal para o almoço. Sophie ficou afastada de Sirius nas outras aulas, emburrada. Felizmente, até no final do dia, eles já haviam se reconciliado, inclusive com uma ajudinha minha. É bom fazer uma boa ação às vezes.
Quando contei isso a Remo, ele ficou feliz. Disse que ajudando os outros, você ajuda a si mesmo. Levei isso em conta, e no dia seguinte ajudei John, Jason e Beth com os deveres deles. Foi algo bem legal, e eu estava feliz com minha recuperação.
Bom, é claro, até eu ver Benn zanzando por aí com duas garotas da Lufa-Lufa, garotas que eu nunca tinha visto na minha vida. Aquilo me distraiu pro resto do dia, e fui completamente tomada pelos ciúmes. Se não fosse por Lily e Alice, eu já tinha corrido até eles e estapeado a cara daquelas duas vacas cretinas. Quem elas pensavam que eram? Quem eram aquelas retardadas que não paravam de rir junto com Benn, como se fossem melhores amigos desde que nasceram? Se ao menos fosse Schain...
E não acabou. Vi Benn com aquelas meninas outras vezes, e pior: ele ainda olhava na minha cara e sorria! Mas não aquele sorriso sincero e fofo, mas um sorriso desafiador. ARGH!
Vou matá-lo.
Trucidá-lo.
E aquelas duas garotas seriam as próximas.
Sean POV:
Estar no coral da Lufa-Lufa, no final das contas, não foi o pesadelo que eu pensei que fosse. Tudo bem, nunca chegaria aos pés do coral da Grifinória, onde tem todos os meus amigos. Mas não era tão ruim. A Stanley com os garotos da Lufa-Lufa se transformava, e apesar de nunca deixar de ser exigente, tratava-nos com muito mais educação, às vezes até carinho. Ela só podia ter um transtorno de dupla personalidade, não há outra explicação.
Ficar perto de Benn também melhorava a situação. Embora ele passasse mais tempo com os amigos ou treinando individualmente com Stanley por ser o solista do grupo, ele sempre dava um jeito de me encaixar nas conversas de algum modo. Ultimamente ele se afastou ainda mais, e raramente eu o via, principalmente no coral. Pelo que eu ouvi dizer, ele e Emelina finalmente terminaram. Eu pensei que seria momentâneo como muitas vezes já acontecera, mas já haviam passado dias e nem sinal dos dois juntos novamente – o que causou um estranho sentimento de felicidade em mim, realmente estranho.
Fora tudo isso, eu me sentia confiante quanto aos NOM's. Eu estudava diariamente, tirava todas as dúvidas que tinha e lia bastante. Era o suficiente para eu estar bem treinado. O que me faltava, porém, eram os meus amigos.
Não era a mesma coisa conversar com eles desde que fui para o coral da Lufa-Lufa. Era como se estivéssemos sendo observados por Stanley o tempo todo, como se ela estivesse com o dedo num gatilho pronto pra atirar caso eu solte alguma coisa que não devia sobre a Lufa-Lufa, e vice-versa. Quando eu conversava com Lily não tinha muita coisa pra falar, a não ser quando tive que convencê-la a parar de esbaldar tanto nos chocolates como ela estava fazendo, ou contando alguma novidade do grupo que eu não sabia mais. Durante tudo isso, descobri o tanto que o clube, afinal, nos unia. E assim que eu saí do nosso, me distanciei.
Mas no café da manhã de sábado, Lily soltou uma informação sobre o coral, e eu fiquei incomodado. Eu não ia contar nada a Stanley, é claro, mas ela pode muito bem perguntar alguma coisa, o que seria nada confortante.
- Vamos ter o duelo Garotos versus Garotas de novo. Nós garotas já vamos nos apresentar amanhã – Lily contou, animada. – Os garotos vão ficar simplesmente boquiabertos. Pra rebater eles, faremos um número de rock.
Depois da minha surpresa, não pude deixar de rir.
- Tenho certeza que depois disso os garotos vão contrariar vocês, e cantar alguma música mais romântica – falei.
- Duvido muito. Se bem que até Madonna eles já cantaram também... – Lily franziu a testa. – Só sei que vamos arrasar amanhã, e queria que você estivesse lá pra assistir.
Suspirei, desanimado.
- Você não tem ideia de como eu queria voltar – respondi, cabisbaixo. – Seria ótimo se Stanley me liberasse depois da competição desse mês. Mas não acho motivo algum que mudaria a cabeça dela.
- Eu sinto que você vai voltar pro nosso coral em breve – Lily me abraçou de lado, deitando sua cabeça em meu ombro. – O coral não é o mesmo sem você... E quando você voltar, vai ser tudo como antes. Rindo do John, caçoando da Dorcas e elogiando os sapatos do Mister D.
Rimos juntos, e Lily me abraçou ainda mais forte.
Depois disso ela me contou sobre os irmãos de Bronwen. Até agora eu não estava sabendo, e fiquei realmente surpreso com as notícias. Eu nunca imaginaria que ela tinha irmãos tão novos, novos o bastante para estudarem no castelo. Quanto à garota, Alicia, eu juro que já vi uma cabeça azul perambulando no meio da multidão...
Bom, eu saberia de tudo isso se não estivesse no coral da Lufa-Lufa. E agora eu já havia decidido: depois dessa competição eu sairia desse coral nem que Stanley me pagasse pra continuar lá. E pronto.
Remo POV:
O pequeno palco na sala de música já estava armado, e a sala estava escura exceto por algumas luzes fracas perto dos músicos e no palco também. Nós garotos trocávamos sussurros, imaginando o que viria a seguir.
E, quanto menos esperávamos, os músicos começaram, e luzes estroboscópicas encheram nossa visão. Reconhecemos a música no primeiro momento, e mal conseguimos.
Ouvi, como sempre, a voz de Maria.
Start me up!
Start me up!
Aos poucos as garotas foram adentrando na sala, todas trajando vestes negras, maquiagens negras, descabeladas, usando bandanas, outras trajando meias-calças rasgadas. A última a entrar foi Lily, trajando vestes de couro e bota preta alta, dando destaque principalmente em seus cabelos cor de fogo.
Tommy used to work on the docks.
Union's been on strike,
he's down on his luck.
It's tough, so tough
E logo a seguir veio Emelina; ela estava incrível, vestida numa espécie de patricinha-rockeira. Ao cantar, olhou pra mim e piscou, e eu simplesmente ri.
We've got to hold on, ready or not
You live for the fight when it's all that you've got!
Start me up!
We're half way there
Oh, oh, livin' on a prayer!
Start me up!
We'll make it - I swear.
Oh, oh! Livin' on a prayer.
Olhei para os garotos pela primeira vez, e um estava mais boquiaberto que o outro, embora curtisse o som com muito orgulho. Sirius parecia agradecer os céus pela "bênção", enquanto Jason não parava de bater palmas. Até James estava reagindo àquilo.
If you start it up, kick on the starter give it all
You got, you got, you got.
I can't compete with the riders in the other heat
Yeah, I make a grown men cry
I made a grown man give it a shot!
Sem dúvidas, elas também sabiam fazer rock, e haviam nos pego completamente de surpresa. Ao contrário de nós, elas conseguiam cantar rock e serem sensuais ao mesmo tempo, ainda mais com aquelas roupas coladas que Dorcas fez questão de usar a seu favor. Do meu lado, James fechava a boca de Sirius com a mão.
Start me up!
We're half way there
Oh, oh! Livin' on a prayer
Start me up!
We'll make it - I swear.
Oh, oh! Livin' on a prayer.
LIVIN' ON A PRAYER!
Lily já havia se jogado no chão, enquanto Emelina batia cabeça e pulava de um lado pra outro. Dorcas se agarrava ao guitarrista, e as outras garotas dançavam perto de uma espécie de saída de ar, fazendo seus cabelos subirem com a força do vento. Eu não tinha pra quem olhar, e não tive outra escolha a não ser olhava pra que dançava mais perto, Emelina...
We've got to hold on, ready or not
You live for the fight when it's all that you've got!
OH! We're half way there
Oh, oh! Livin' on a prayer!
Take my hand and we'll make it - I swear
Oh, oh! Livin' on a prayer.
Os garotos faziam gestos no ar como se tocassem guitarras e baterias, e Moreau estava completamente agitado da onde assistia, aprovando. As garotas estavam simplesmente perfeitas!
Livin' on a prayer!
You got to start me up!
E já estávamos aplaudindo e gritando, Sirius indo a loucura do meu lado, quase me derrubando em cima do piano. John assobiava alto, Jason aplaudia sem parar, e as garotas desmontavam em cima do palco, ofegantes.
- Meu Merlim, isso foi incrível garotas! – ele falou, animado, embora as garotas só tivessem fôlego pra acenar.
Logo mais fomos ajuda-las, levando um copo de água. Afinal, ficar dançando, pulando e cantando daquele jeito não era tarefa fácil. Ainda mais em cima de um salto. Depois de socorrer Maria, tratei de socorrer Lina.
- Foram muito bem! – exclamei, animado.
- Obri... – sua voz falhou, e ela soltou um sorriso de desculpas. Eu apenas assenti, rindo.
Foi um grande show, devo admitir. E, devo admitir também, que no meio disso tudo quase não consegui tirar os olhos de Lina. O jeito que ela dança, o jeito como ela sorri...
Certo, parei de pensar assim. Acho que já basta por hoje.
Lily POV:
Uma das coisas mais notáveis ultimamente, de acordo com o Cantinho da Dorcas: o casal John e Alicia (o qual Dorcas se mostrou fracassada em juntar os nomes). Desde o dia em que ela se sentou com a gente no salão principal, John não desgrudou mais dela. Já virou amor, vejo. E estou sobrando. Há boatos que Beth está namorando Pedro, então sim, estou sozinha. John e Alicia ficavam muito fofos juntos, isso é fato. Ele a tratava com muito carinho, e eu só a via rindo. Afinal, quem consegue ficar perto dele por um minuto sem rir? Apesar de ela estar demorando pra lembrar de seu nome (o chamando várias vezes de Jerry, Jeremy, Jensen, Jack, e raramente Johnny), John ficava eufórico perto dela. Quase matou a garota do coração quando pegou ela de cavalinho e correu pelo salão num café da manhã, e matou ela de rir quando chegou com uma peruca rosa, que era a cor de seu cabelo naquele dia. Minha nossa, nunca me senti tão carente como naquela vez.
E eu não podia comentar isso em voz alta.
Porque eu recebia uma chuva das seguintes frases:
"Está sozinha porque quer"
"Você tem um loiro na sua mão e nem pensa em usá-lo"
"Desencana disso, namorar é coisa de otário" – frase de Sirius, seguido por um forte tapa na cabeça por Sophie.
"Quer que eu fale pro Jessie?"
"Diga isso perto da mesa da Sonserina que você vai curar essa carência rapidinho"
"Nem pensa em voltar a comer"
E por aí vai.
Mas eu preferia namorar o Eric do que Jessie! Quero dizer, Jessie era mais charmoso que ele, por causa do seu cabelo loiro, talvez. Mas Eric era espontâneo e divertido. Bom, foi isso que eu vi na primeira vez que ele se juntou com a gente pra jantar, junto com Alicia e Sophie. Mesmo recebendo cortada atrás de cortada por Sirius, ele nunca se abalou. Eu gostei dele, e ele é bonito.
Mas o Jessie... É mais amigo. Não sei, é diferente! Quando estou com ele eu simplesmente não consigo parar de corar!
...
Ok, não sei se isso é bom ou ruim.
Droga.
Mudaremos de assunto, então.
Falaremos de Maria, que praticamente me arrastou até os arquivos da escola, que ficavam numa sala super afastada do castelo, no último andar, no último corredor. Aquela sala era do tamanho da minha casa multiplicada por cinco. Porque, é claro, pra guardar o nome de todos os alunos que Hogwarts já teve é preciso. A sala não abria pra qualquer um, apenas com a presença do distintivo que eu carregava (utilidade secreta que ninguém nunca desconfiou).
- Maria, você não vai achar nada de interessante nessa sala sobre esse tal de S. L. – falei, impaciente. – Tem ideia da quantidade de arquivos que tem nessa sala?
- Os mais recentes devem ficar mais pertos, não é? – ela disse, irritada. – E agora eu preciso saber.
A porta se abriu assim que um brilho rápido apareceu no meu distintivo, então entramos. Ao ver a cena, Maria gemeu.
- Eu te falei – ri na sua cara.
A sala era enorme, e tinha gavetas infinitas que dava preguiça só de olhar. Se é que alguém limpava aquilo, tenho dó da pessoa – ou do elfo. Era realmente desanimador, e por um momento pensei que Maria fosse desabar no chão.
- Então... – falei, me divertindo.
Maria piscou, voltando à realidade.
- Vamos procurar – falou, determinada, avançando em direção aos arquivos.
- Está falando sério?
- Claro que estou! – ela disse, abrindo a primeira gaveta. – Vamos achar esse S. nem que seja a última coisa que eu faça nessa vida!
Resumindo: achamos porcaria nenhuma. Havia trinta e dois garotos com sobrenome S.L. entre o sexto e sétimo ano – já que pra ela, se fosse menos que isso, ela nem estaria interessada em saber.
Reuniu as fichas dos garotos, e me levou junto pro Salão Principal no dia seguinte pra ver a cara de cada um deles.
- Primeiro, Stefan Lee, Sonserina – falou, e procurou o garoto por minutos. Até o encontrar. – Não, não é ele.
Era um gordinho asiático do sexto ano determinado em acertar a orelha do amigo com uma ervilha e um garfo.
- Próximo. Steve Larry, Lufa-Lufa, sétimo ano – procurou por ele. – Hum, o que você acha?
Olhei pra onde ela não tirava os olhos, e reconheci o garoto do coral da Lufa-Lufa.
- Podemos perguntar pra Sean, ele deve suspeitar se esse Larry está me mandando cartas – Maria disse.
- Não, não é ele – falei, pensativa. – Agora lembrei. Ele namora.
- E eu também, e isso não impediu ele de me mandar cartas.
- Mas ele namora há três anos. Duvido que ele ficaria com a garota esse tempo todo se gostasse de você – argumentei.
Maria, por fim, concordou.
- Vejamos agora – Maria leu, começando a desanimar. – Scott Lake. Sexto ano, Corvinal.
- Não, definitivamente não é ele – cortei rapidamente, tensa. – Ele é gay, e já vi ele com outro garoto no corredor.
- Próximo, próximo – Maria falou depressa.
Passamos por todos os Samuel's, todos os Spencer's, todos Shane's e por aí vai, e nenhum parecia ser o S.L. Um era idiota ao ponto de provavelmente não saber escrever, outro tem namorada ou é gay, como nos primeiros casos. Ficamos em dúvida entre dois apenas, Shane Laurel e Sidney Lancelot, que, por coincidência, é o amigo de Jessie.
- Eu adoraria se fosse Sid! – exclamei, animada. – Ele é muito legal, daria certo pra você, Maria!
- Lembrando, Lily, eu tenho namorado – Maria disse.
- Que, por acaso, quase não vejo os dois juntos – cruzei os braços, indagadora.
- Está tudo bem entre a gente, ok? – Maria suspirou, embora estivesse um pouco incomodada. – Mas voltando a falar do Sidney, quero dizer, do S.L. Eu acho que seja esse Shane, sétimo ano da Corvinal. Ele é bem bonitinho e está solteiro.
- O que é suspeito – lembrei. – Garotos bonitos e solteiros só podem ser gay.
- Ele não é – Maria me fuzilou com o olhar.
- Prefiro o Sidney, vá por mim – dei de ombros. – Ele é bem legal, e inteligente. Ou seja, perfeito.
- Acha que é ele que escreve essas cartas? – Maria perguntou, tentando não parecer confusa. – Sabe, ele não faz meu tipo.
- Acabou de dizer que tem namorado, garota! – exclamei aos risos.
- Só quero saber quem é esse S.L.
- Então pergunte a ele! – falei, impaciente. – Talvez ele não tenha falado justamente porque você não perguntou.
- Eu não vou responder a ele, ficou doida?
- Então morra na curiosidade – cantarolei. – Shane ou Sidney? Sidney ou Shane?
- Você não está ajudando, Lily – Maria suspirou, olhando direto pra onde o tal de Shane estava sentado. – Tenho quase certeza que é o Laurel.
- Então vai lá falar com ele.
- Não!
Não adiantava nada falar, não é? Só porque a Lily aqui é uma fracassada no amor, ninguém mais dá atenção a ela.
É claro, sempre foi assim.
Acho que vou voltar a meus chocolates.
Ando precisando.
Maria POV:
Eu sinto que não é o Laurel, e nem o Lancelot. Mas a gente não consegue sentir essas coisas, consegue? Provavelmente não. Seja qual deles for, tenho certeza que uma hora eu vou descobrir com algum furo, tipo um deles estarem me encarando sem querer. É claro que ele tem que me encarar, aliás, ele observa meus gestos como ele mesmo disse na carta, não é?
E pior, eu estava pirando. Toda noite eu esperava por uma carta dele. Querendo saber mais sobre ele, saber o que ele ia falar. Isso já estava virando obsessão, só pode. Uma vez cheguei no dormitório e avistei um papel em cima da minha cama. Corri, desdobrei, e li:
Eu sabia que você estava se apaixonando por esse S.L., tanto que acreditou que essa carta era dele! Sua bobinha!
A.B.
E lá estava Alice rindo de mim escondida no banheiro. Engraçadinha palhaça. Terá sua vingança.
No mesmo dia, outro papel estava sobre minha cama. Quase rasguei pensando que era Alice de novo, mas reconheci a letra caprichada do S.
Olá, Maria
Cá estou eu de novo te mandando cartas. Espero que não se incomode.
Hoje te vi no jogo da Sonserina versus Corvinal. Lá estava você xingando a Madame Hooch, que favorecia sempre a Sonserina. Na minha opinião, você estava certa. Foi uma pena que Corvinal perdeu, e agora sua casa deve tomar cuidado. Se não vencer o próximo jogo contra a Sonserina, ela vai empatar a competição, fazendo ter um jogo decisivo mais tarde...
Sou um idiota de estar falando de quadribol com você nessa carta. Na verdade, eu queria poder falar isso com você pessoalmente, abraçados em algum lugar, rindo juntos. Mas eu não posso, e às vezes isso me dói. E me desculpe por te dizer isso, talvez você não goste.
Não tenho mais o que dizer. Só quero que saiba que ainda anseio pelo dia que ficaremos juntos. Talvez eu sonhe demais, acho que isso nunca irá acontecer. Mas anseio mesmo assim.
Tenha uma boa noite. Durma bem.
S.L.
Um eliminado: Sidney Lancelot. Quem da própria casa diria que a Madame Hooch favorecer a Sonserina era ruim? Claro que não! Ou seja, tudo indica que seja aquele tal de Shane, que além de tudo disse que "foi uma pena que Corvinal perdeu", ou seja, sua casa. Eu disse pra Lily...
Mas eu não quero que seja esse Shane, que droga. Eu queria que fosse o Remo esse tempo todo, mas visivelmente não é. Ele não tem motivos pra fazer isso...
Aliás, está ocupado demais com Emelina.
E eu não sei o que pensar sobre isso. Não posso exigir atenção dele em mim porque penso mais nesse tal do S.L. do que nele mesmo. E eu sei, no fundo, que Remo ainda gosta dela, talvez mais do que eu. Quero dizer, o nosso namoro foi causado pela sua vontade de esquecê-la, e agora que ela está sozinha, isso voltou...
E quanto a mim? Só tenho esse S.L. que sabe Merlim quem é. Que droga.
Me sinto mais sozinha do que nunca.
Mesmo com um anônimo me mandando coisas fofas.
Um anônimo que desejo do fundo do meu coração que não seja o Laurel. Por favor.
Que droga.
Alice POV:
Seria um dia completamente comum se não fosse pelo que ia acontecer a seguir. Todos os alunos de Hogwarts estavam presentes no Salão Principal, só pra presenciar o espetáculo que viria, mesmo sem saberem. Quando eu disse que todos os alunos estavam presentes, tínhamos algumas exceções, mas eles logo chegariam.
Era um jantar comum de quinta-feira, e estávamos todos reunidos. Maria estava do meu lado, um pouco afastada de Remo, que conversava animado com Emelina. Estranho, muito estranho...
Então, do além, começou a tocar uma música. Todo mundo parou de comer pra escutar a música, que também era acompanhada por vozes de coral. Ninguém sabia que era o começo do choque que estava pra acontecer naquele Salão Principal.
Então, num jato, o coral da Lufa-Lufa entrou, trajando brilhantes ternos amarelos pra combinar com a cor da casa. Alguns vibraram, observando os membros do coral andar, cantar e dançar entre as mesas, com destaque para Chapman.
Oooh...
Baby girl, where you at?
Got no strings, got men attached
Can't stop that feelin' for long no
Mmmm
You makin' dogs wanna beg
Breaking them off your fancy legs
But they make you feel right at home, now
Algumas garotas retardadas começaram a dançar e gritar feito loucas, e a mesa da Lufa-Lufa estava de pé pra aclamar os membros do coral de sua casa.
See all these illusions just take us too long
And I want it bad
Because you walk pretty,
Because you talk pretty,
'Cause you make me sick
And I'm not leavin', till you're leavin'
Lily vibrou quando Sean se aproximou de nós, também cantando junto com a invasão de lufanos no Salão Principal. Só isso que me fazia reagir diferente, só Sean. Porque aqueles lufanos chamando a atenção me faz pensar que Stanley está realmente desesperada pra ganhar nosso favoritismo.
Oh I swear there's something when she's pumpin',
Asking for a raise
Well does she want me to carry her home now?
So does she want me to buy her things?
On my house, on my job
On my loot, shoes, my shirt,
My crew, my mind, my father's last name?
Olhei para o outro lado do Salão e me deparei com Chapman se esfregando com duas garotas, e olhando pra mesa da Grifinória com um ar superior e debochado. Olhava pra Emelina, é claro, que tinha uma expressão de choque.
Os professores em sua mesa, por sua vez, estavam curiosos sobre a cena inusitada. Moreau fazia uma cara de desagrado, Stanley sorria, satisfeita, e Hagrid fazia uma dancinha que quase derrubava a mesa no chão.
When I get you alone
When I get you you'll know baby
When I get you alone
When I get you alone
Era indescritível o tanto que Chapman olhava desafiador para Emelina, e ela já estava vermelha de fúria. Segurava o garfo com tanta força que eu tinha certeza que entortaria logo. Remo, a seu lado, a olhava com cautela.
When I get you alone
When I get you you'll know baby
When I get you alone
When I get you alone
When I get you alone!
No fim da música, o Salão inteiro aplaudiu. Ainda abraçado às duas garotas da Lufa-Lufa, Chapman reverenciou, e quando se ergueu da reverência, ficou sério em choque.
O escândalo da noite estava acontecendo.
Alguns paravam de aplaudir para observar.
Observar Emelina agarrando Remo num beijo tão quente que o Salão quase pegou fogo. O segurava com tanta força que acho que eles não desgrudariam tão cedo, e pouco depois Remo retribuiu o beijo segurando em sua cintura, e cabelos, esquecendo completamente da onde estavam e quem eram.
Aos poucos todos foram enxergando a cena.
Inclusive Maria, que estava a meu lado.
Remo POV:
Depois de Filch expulsar eu e Emelina do Salão, xingando e dizendo que no tempo dele "quem fazia isso em público ficava trancado no calabouço por cinco dias", fomos parar do lado de fora do salão, e nem pudemos terminar nosso jantar. Emelina me olhou, corada.
- Desculpe – falou, baixinho.
- Não estou bravo – sorri para ela.
- Pois deveria! – ela guinchou. – Eu sempre uso você pra afetar Benn, sempre!
- Não é motivo suficiente pra eu ficar bravo com você – falei, calmo.
- Mas agora eu fiz isso na frente de todo mundo – ela disse. – Na frente da Maria.
Merlim.
Maria.
- Isso... É algo pra se levar em conta – falei, agora preocupado.
- Me desculpe, Remo – Lina repetiu, torcendo as mãos.
- Tudo bem, eu... – falei, passando a mão pelos cabelos. – Preciso falar com ela. Depois nos falamos, tudo bem?
Emelina assentiu, então caminhei em direção à sala comunal. Quando fui levado por Filch do Salão, não me lembro de ter visto Maria, senão eu havia me lembrado dela. Então ela só podia ter ido para a Torre da Grifinória, para evitar olhares da multidão do Salão pra ela. Era óbvio.
E foi lá mesmo que a encontrei. Estava sentada em frente à lareira acesa, e reconheci sua sombra de longe. Céus, eu nem sabia o que fazer. Ou o que falar. A vergonha me tomou por completo.
- Eu sabia que viria – ouvi Maria dizer.
Me assustei com aquilo, então decidi caminhar até ela e me sentar a seu lado no sofá. Olhei em seu rosto, temeroso, e ela olhava fixamente pras chamas palpitantes, e não parecia brava. Nem triste.
- Maria, eu...
- Tudo bem – vi um sorriso formar em seus lábios. – Não se culpe, por favor.
- Tenho que me culpar! – interrompi, exasperado. – Eu... Eu te traí! Na frente de todo mundo!
- Você e eu sabemos que nosso namoro nunca existiu – ela se virou pra mim de supetão, me encarando profundamente. – Criamos isso por apenas um motivo: você esquecer Emelina e eu não ficar sozinha. Agora você tem Emelina, e eu aprendi que ficar sozinha não é a pior coisa do mundo. Aliás, Lily está sozinha também. Por enquanto.
Eu não soube o que responder, e apenas me virei para as chamas também. Maria não parecia chateada, ao contrário; estava muito mais que tranquila.
- Eu sabia que isso aconteceria, mais cedo ou mais tarde. Eu sabia que o que você sentia por Emelina não havia acabado, e que é muito mais forte do que você sente por mim. Eu vi o jeito que você a beijou – ela continuou. – Juro que não estou magoada com você.
- Eu me sentiria melhor se estivesse – falei com sinceridade.
- Remo, você tem que parar de se culpar por tudo. O fato de você ser um lobisomem faz com que você pense que tudo de ruim que acontece nesse mundo é culpa sua – Maria segurou minha mão. Sua mão estava quente, ao contrário da minha, totalmente trêmula. – Não é assim.
- Pouco atrás eu havia me esquecido de você – contei. – Emelina teve que me lembrar que eu ainda estava namorando você.
- Nunca namoramos, e você sabe disso – ela me olhou com simplicidade. – Não foi um namoro... Forte, digamos. Foi mais uma tentativa de namoro, mas... Acabou.
Me senti mal com aquilo. Maria falava tudo aquilo como se fosse a coisa mais normal do mundo. Eu nem sabia o que pensar, e mais uma vez mantive-me calado.
- Passamos coisas legais juntos, e você me ensinou coisas que um companheiro ensina a sua companheira, admito – Maria voltou a me encarar. – E Remo... Você foi meu primeiro namorado. E você foi o melhor que eu podia ter.
E sorriu calmamente. Não fiz outra coisa a não ser sorrir de volta. Maria pegou na outra mão, e ficou de frente para me olhar.
- Quero te agradecer por tudo, por todos os momentos legais que passamos juntos, todos os beijos – ela riu. – Me fez sentir especial. Você faz as pessoas se sentirem especiais. Deve ser por isso que Emelina insiste em se agarrar com você pra afetar Chapman. Porque ele é um nada perto de você, entendeu?
- Entendi – falei, rindo.
- Eu sei que é uma frase clichê, e que na maioria das vezes não é verdade, mas... – Maria mordeu o lábio. – Espero que continuemos amigos. Quero dizer, nós vamos ser amigos sem sombra de dúvidas! Ainda faremos duplas no coral, ainda conversaremos sobre musicais famosos e tudo o que a gente fazia antes, combinado?
Eu estava abobado com tudo aquilo, e assenti, ainda pensando bem no que estava acontecendo. Antes de eu continuar com minha linha de pensamentos, fui envolvido por um forte abraço dela. Assim como sua mão, ela estava muito quente, provavelmente deixando claro que estava há bastante tempo ali na frente da lareira.
- Obrigada, Maria – murmurei.
- De nada – ela sorriu quando desfez o abraço. – Agora vou subir. Ver se chegou alguma carta pra mim, porque... Não te contei, mas... Estou recebendo cartas de um admirador secreto e estou doida pra saber quem ele é!
- Sério? – perguntei, surpreso, rindo.
- É, mas sem interesses românticos, tá? – ela falou com uma careta, e eu voltei a rir. – Depois te conto todos os detalhes. Tenho quase certeza que ele me mandou outra carta!
- Então o que está esperando? – falei, gesticulando para as escadas circulares. Maria se aproximou e estalou um beijo na minha bochecha, correndo em direção ao dormitório feminino.
Mal pisquei e ouvi a entrada do buraco do retrato se abrir. Deviam ser os alunos retornando do jantar...
Não, era Emelina, e esta sorria.
- Ei – cumprimentei, sorrindo. – Conversei com Maria, e está tudo certo. Terminamos.
Emelina apenas me abraçou, dando pulinhos de alegria, sorrindo.
- Er... Uau – falei, rindo.
Emelina estava vermelha e contagiada.
- Acabei de falar com Benn! – falou. – Ele praticamente me implorou para que voltássemos, e eu aceitei!
Minha expressão desmoronou. Novamente, fiquei sem ter o que dizer.
Sophie POV:
- É simplesmente inacreditável! – Dorcas exclamou. – Viram o que aqueles metidos fizeram no Salão? E sem motivo algum?
- Acho que teve sim um motivo – John comentou, olhando diretamente pra Emelina. Ela simplesmente riu; estava com um humor perfeito ultimamente, e, pelo que ela me contou, é por causa do fato que reatou o namoro com Chapman. Agora tenho certeza que ela é uma total masoquista.
- Temos que fazer o mesmo – Lily sugeriu. – Podemos fazer algum número no Salão também, um que supere o deles.
- Nunca superaremos, nunca – Dorcas cortou. – Viu o terno que eles estavam usando? Francamente, quantos ternos aqueles garotos têm?
- Vou tratar de perguntar isso a Benn – Emelina disse, e ouvi Remo suspirar. Ah, claro. Ele deve estar arrasado porque além de perder Emelina, perdeu Maria também. Ela, por sua vez, estava completamente normal.
- Eu sou a favor de fazer um número no Salão – ela sorriu. – Nunca fizemos isso antes.
- E eu já tenho uma ideia! – John se pôs de pé rapidamente. – Podemos fazer um hip hop!
- Credo! – Dorcas exclamou.
- Sabe, Ali vive dizendo que sente falta de Nova York, e podemos usar isso pra fazer ela se sentir mais em casa – John falou, animado. – Hip hop sobre Nova York é que não falta.
Moreau sorriu.
- Boa ideia, John – ele disse. – Susan também veio de lá, é claro. Podemos fazer o número por ela também.
- Hip hop? Isso é sério? – Dorcas fez uma careta.
- Por mim tudo bem – Maria disse animada.
- Por mim também – assenti.
- Tratando de calar a boca daqueles lufanos cretinos, tudo bem também – Sirius respondeu. – E é bom que ficamos mais afiados pra ganhar a competição de mash-ups contra as garotas.
- Haha, vai sonhando – eu ri, cutucando sua costela.
No final das contas, já havíamos decidido que número cantar, e seria fantástico. Quero dizer, fantástico o bastante perto do número da Lufa-Lufa.
Só espero que dessa vez não aconteça algo inusitado como o beijo de Emelina em Remo. Questionei-a depois que ela ficou pulando de felicidade por ter voltado com Benn, perguntando se ela não se sentia nem um pouco culpada por ter se envolvido indiretamente no término do namoro de Maria e Remo. De começo ela ficou preocupada, mas depois teve uma conversa com Remo que, apesar de estar meio pra baixo, a tranquilizou dizendo que ela não tinha nada a ver com isso.
Eu, no lugar dela, me culparia pelo resto da vida.
David POV:
Café da manhã de sábado. Eu já estava ciente que hoje Stanley seria rebatida, e ela nem imaginava isso. Chamei Suzz para presenciar o espetáculo, assim como seus irmãos também estavam presentes no Salão Principal.
Pouco depois avistei John, Franco, Lily e Sophie adentrando o salão, usando óculos, bonés NY e a camisa escrita "I New York", depositando sobre cada mesa de cada casa um aparelho gigante de som. Vi Stanley me olhar, fuzilando, os olhos assustados já prevendo o que iria acontecer.
A música encheu o Salão já silencioso, seguida pelas vozes dos outros que adentravam o salão, caminhando entre as mesas. Os alunos olhavam para todos os lados, admirados, observando Remo começar a cantar.
Yeah, Imma up at Brooklyn,
Now Im down in Tribeca,
Right next to DeNiro,
But I'll be hood forever,
I'm the new Sinatra,
And since I made it here,
I can make it anywhere,
Yeah they love me everywhere
James agora cantava próximo a mesa da Grifinória, a mesma onde estava sua namorada, Gravelle. Ao longe, vi Lily fazer uma careta.
I used to cop in Harlem,
All of my dominicanos
Right there up on broadway,
Brought me back to that McDonalds,
Took it to my stash spot,
Five Sixty Stage street,
Catch me in the kitchen like a simmons whipping pastry,
Cruising down 8th street
As garotas faziam vozes de fundo, e se espalhavam pelo salão. Emelina correu pra perto da mesa da Lufa-Lufa, sorrindo para Benn, enquanto Alice e Lily cantavam para Sean. John sorria sem parar pra Alicia, que tinha um sorriso de orelha a orelha. Sirius, na hora de cantar, puxou Sophie pra longe de Eric.
8 million stories out there and their naked,
Cities is a pity half of y'all won't make it,
Me I gotta plug a special and I got it made,
If Jesus payin LeBron, I'm paying Dwayne Wade,
3 dice cee-lo
3 card marley,
Labor day parade, rest in peace Bob Marley,
Statue of Liberty, long live the World trade,
Long live the king yo,
I'm from the empire state thats?
Apesar dos pesares, Maria cantava perto de Remo, sorrindo amigavelmente para ele. Na hora do refrão, parte deles subiram no banco, pra alguns gritos histéricos de algumas garotas. Parte do salão aplaudia e cantava junto, animados com o som.
In New York,
Concrete jungle where dreams are made of,
There's nothing you can't do,
Now you're in New York,
These streets will make you feel brand new,
Big lights will inspire you,
Lets here it for New York, New York, New York
Lily agora já havia se direcionado para Jessie enquanto cantava, provavelmente pra tentar convencê-lo a voltar para o coral. O loiro apenas sorria, admirado.
As garotas se encaminharam, então, pra perto da mesa dos professores, fazendo com que o Salão inteiro tivesse uma visão perfeita delas. A voz de Maria era a que mais se destacava.
One hand in the air for the big city,
Street lights, big dreams all looking pretty,
No place in the World that can compare,
Put your lighters in the air, everybody say yeaaahh
Come on, come,
Yeah! Yeah!
Eu dançava e cantava ali mesmo na mesa, enquanto Suzz me abraçava pelo braço, sorrindo para a cena. Stanley, do outro lado da mesa, me lançava constantemente olhares irritados.
In New York,
Concrete jungle where dreams are made of,
There's nothing you can't do,
Now you're in New York,
These streets will make you feel brand new,
Big lights will inspire you,
Let's here it for New York, New York, New York!
Ao fim da música as mesas se encheram de aplausos, e vários se colocaram de pé. Os professores fizeram o mesmo, e meus alunos reverenciaram, ofegantes.
Num piscar de olhos, Stanley já estava cochichando em meu ouvido.
- Não pense que isso mudará alguma coisa – ela disse, irritada. – E você me paga.
Eu apenas ri, mal ligando pra aquela ameaça sem cabimento.
Afinal, era visível que meu coral era bem melhor do que o dela.
Maria POV:
Eu recebi mais três cartas do tal S.L., sendo o tal de Shane ou Sidney, não importa. Depois de tudo isso que ele escreveu, já comecei a entrar em desespero pra saber quem ele é.
Maria,
Agora pouco aconteceu uma coisa esquisita no Salão Principal, com seu namorado. Eu estava lá e estranhei. Queria apenas saber se está tudo bem. É claro, não há como eu saber, porque na verdade nem nos falamos, mas eu espero que você esteja bem. Ser magoado desse jeito é algo muito doloroso, e se essa for sua situação, desejo-lhe melhoras. Caso contrário, eu até posso imaginar você ignorando tudo isso, porque sei que você é forte e não se abala com muitas coisas. Essa é uma das coisas que simplesmente adoro em você.
Passei por você hoje no intervalo da escola. Você nem reparou em mim, eu sei. Estava concentrada demais lendo alguma coisa. Achei curioso o fato de você estudando – percebi que raramente faz isso.
Tenha uma boa noite.
S.L.
Ok, não estudo mesmo, e daí? E, aliás, o que eu estava lendo nem era estudo, e sim a lista com os nomes dos S.L's. Droga, não acredito que passei por ele e nem percebi! Sou lerda demais, argh!
Mas achei fofo o fato dele se preocupar comigo. Não encontramos garotos assim facilmente, não é?
A segunda carta que ele me enviou foi na sexta a noite. Pelo visto ele gosta de escrever mais no fim do dia mesmo, e quase atropelei Louise na entrada do quarto pra ler minha carta.
Olá Maria,
Como tem passado? Pelo que vi nos poucos momentos que pude te observar, você está bem. Então eu acertei; você é forte demais e supera as coisas facilmente. Eu já disse que gosto muito disso em você?
Ando pensando muito em você. Mais do que eu deveria, aliás. Queria muito poder te dizer isso pessoalmente, mas tenho medo. Medo das consequências, medo do que pensará de mim, medo do que viria a seguir. Por isso me escondo desse jeito. É a forma perfeita pra eu te dizer o que sinto sem ter medo de nada. Benditas são as corujas.
Sinto também que você anda lendo todas minhas cartas, e agradeço. Sabe, você é especial pra mim de uma maneira realmente diferente, mesmo eu mal conversando com você. Por acaso você conversaria comigo?
Não? Tudo bem.
Boa noite.
S.L.
Agora forçou a amizade. "Por acaso você conversaria comigo?". É claro que conversaria, se você, ao menos DISSESSE QUEM VOCÊ É, DROGA!
Respira.
Outra carta fofa. Vou acabar me apaixonando por esse anônimo. Não vejo a hora de conhecê-lo. Uma hora ele tinha que soltar quem ele era, ah se tinha.
E a outra carta foi no sábado de manhã, o que foi uma grande novidade. Ele nunca escrevia de manhã...
Maria,
Esqueci de comentar que gosto de te ver com as roupas de líderes de torcida... Você fica ótima nelas. Ah, sim. Eu vi você voltar do treino com as outras garotas. A propósito, ri de sua piada do bruxo gago e o ventilador falante. Nunca tinha ouvido aquela.
Gosto do som da sua voz. Gosto da sua risada e de seu jeito excêntrico, gosto do seu humor inabalável – na maioria das vezes. Quando você sorriria pra mim? Quando você diria meu nome sem rancor? Quando você me notaria finalmente?
Quando?
S.L.
Droga, é o Shane.
Só pode ser ele.
Pois enquanto voltávamos do treino das líderes de torcida, Alice e Lily ficavam me enchendo sobre o Sidney ou o Shane, e eu quase berrei Shane para o corredor inteiro ouvir. Era ele, era ele, era ele!
Céus. Coitado do garoto. Eu não sinto rancor por ele, na verdade eu nem o conheço. E essas cartas estavam cada dia mais desesperadoras. Eu estava entrando em crise. Colapso nervoso.
Então o que eu fiz?
Respondi pra ele porque, coincidentemente, a coruja que entregou a carta voava perto da janela do dormitório, o que foi estranho. Parece até que esse tal de Shane estava me espionando através da coruja.
E minha resposta foi a seguinte:
Querido S.L. que já está me deixando louca por não se identificar,
Poderia me dizer qual seu nome, sua casa e sua idade? Porque, sabe, estou surtando! Fico imaginando o tempo todo quem você é, seu bendito. Não fique com vergonha; isso não é sentimento normal das pessoas em relação a mim, acredite. Elas sentem, no máximo, um medo pequeno de eu soca-las na cara. Mas isso são águas passadas.
Queria receber uma carta sua sem essas iniciais irritantes, e queria que soubesse que não precisa temer minha reação. Quero muito saber quem você é. O que custa me dizer?
Maria.
PS.: O pergaminho está meio manchado porque minha mão está suando.
E seja o que Deus quiser.
Lily POV:
- DESCULPE O ATRASO PROFESSOR, TÔ MORRENDO, ME DEEM ÁGUA! – cheguei arfando, quase me arrastando pela sala. O palco estava montado novamente, coberto por uma cortina. Agora eu estava realmente curiosa pra ver a apresentação dos garotos, por isso corri.
E pra fugir de Jessie também.
É.
Olha o ponto a que essa situação chegou.
Eu tinha medo de fazer burrada perto dele. Acho que ele tinha algum feitiço hipnotizante nos olhos, só pode! Fico até sem graça. Mas só tem uma explicação: excesso de charme. Porque minhas pernas não ficavam bambas, e meu coração não acelerava.
Que era o que acontecia quando eu ficava perto de James.
Mas passou, porque agora ele é um cretino de uma figa.
Mas, como os outros garotos, estava gato naquele terno azul marinho, assim que as cortinas se abriram. Quando vi seu sorriso em contraste com aquele terno, desejei a morte súbita de Gravelle, apenas isso. Ladra de namorados.
Se bem que James é um idiota.
Assim como ela.
Eles se merecem.
- Bom, como vocês garotas fizeram um espetáculo maravilhoso com músicas de duas bandas que amamos... – Sirius começou, sorrindo. – Escolhemos esse mash-up pra vocês, como forma de agradecer por aquele número maravilhoso.
Uma seguida da outra, nós garotas levantamos as sobrancelhas. A música começou, e os garotos fizeram uma dança animada. Droga, eles tinham John a seu favor! Tudo bem, tínhamos Emelina, mas ela estava mais avoada do que nunca ultimamente, pensando no Benn. Pffff...
Here we go!
Stop! in the name of love
Before you break my heart
(Free your mind!)
Stop! in the name of love
Before you break my heart
Think it over!
Dorcas soltou um grito pra animar, enquanto Maria e as outras puxavam as palmas. É, eles capricharam no mash-up, e estava realmente fofinho...
Remo foi o que cantou a seguir, e Maria assobiou. É claro, Remo era sinônimo de fofura.
I wear tight clothing, high heel shoes
It doesn't mean that I'm a prostitute (no, no, no)
E Sirius cantou a seguir, olhando diretamente pra Sophie, que juntara as mãos, orgulhosa. Eu chorando de carência em 5, 4...
I like rap music, wear hip hop clothes
That doesn't mean that I'm a sellin' dope (no, no, no)
Parecia até mesmo que cada garoto havia escolhido uma garota para se direcionar, Maria ganhando o orgulho de receber sorrisos constantes de Remo e Jason.
(Oh, oh, oh, oh)
Before you can read me you got to learn how to see me, I said
Stop! in the name of love
Before you break my heart
(Free your mind!)
Stop! in the name of love
Before you break my heart
Think it over!
Free your mind and the rest will follow
Be color-blind, don't be so shallow
E a seguir veio Jason, sorrindo ternamente com aqueles dentes brancos daquela bocarra que ele tem. E se direcionou pra quem, pra quem? Maria é claro. Ela até ignorou o garoto, quando este ajoelhou a sua frente. Do meu lado, Dorcas fuzilou aquela cena como se quisesse que a cadeira em que Maria estava sentada pegasse fogo. Ou ela mesma pegasse fogo.
I've known of your
Your secluded nights
I've even seen her
Maybe once or twice
But is her sweet expression
Worth more than my love and affection?
Sophie, Alice e as outras estavam quase pirando. É claro, era o namorado delas que estavam ali, sorrindo sem parar pra elas, cantando pra elas, olhos brilhando pra elas!
Mas James olhava pra mim às vezes. Talvez eu esteja louca, mas às vezes eu sentia que o velho-James sorria para mim...
É, estou louca.
(Oh, oh, oh, oh)
Before you can read me you got to learn how to see me
I said
Stop! in the name of love
Before you break my heart
(Stop! Stop!)
Stop! in the name of love
Before you break my heart
Think it over!
É claro que James não estava olhando para mim. Olhava até mesmo para Beth, mas não para mim. John cantava e dançava como sempre, mas era certeza que ele estava mesmo é pensando na sua querida Ali. E James em Gravelle. E Remo em Emelina, mesmo que não possa deixar isso claro. E Jason em Maria... Ótimo, definitivamente estou sobrando.
Eu e Dorcas.
(Oh, oh, oh, oh)
Before you can read me you got to learn how to see me
I said
Stop! in the name of love
Before you break my heart
(Stop! Stop!)
Stop! in the name of love
Before you break my heart
Think it over!
E os garotos pararam com a dança pra se aproximarem e aproximarem, cantando e estalando os dedos, sorrindo, cada uma mais bonito que o outro naquele terno charmoso. Não, charme não me faz ter boas lembranças...
Free your mind and the rest will follow
Be color-blind, don't be so shallow
Free your mind and the rest will follow
Be color-blind, don't be so shallow
Então começaram a dançar ao nosso redor, eu toda encolhida na minha pequena cadeira, enquanto os garotos passavam pelas garotas fazendo corações, mandando beijos e dançando perto delas...
Certo. Acho que vou atrás do Jessie.
Claro que não. Não estou tão carente assim.
Sim, eu estou. Mas isso não vem ao caso.
Stop! in the name of love
Before you break my heart
(Free your mind!)
Stop! in the name of love
Before you break my heart
Oh, think it over
Free your mind!
And the rest will stop!
As outras garotas foram à loucura, e eu as acompanhei só pra não me sentir mais solitária do que estou atualmente.
No final das contas, Moreau aprovou os dois mash-ups, e presenteou cada um de nós com uma caixa recheada de produtos da Dedosdemel. Isso eu DEFINITIVAMENTE aprovei.
Chocolates e doces... É. Veio a calhar.
Remo POV:
I don't like cities, but I like New York
The famous places to visit are so many
Other places make me feel like a dork
I told my grandpa I wouldn't miss on any
Novamente, John havia nos pedido pra homenagearmos Nova York com músicas para Alicia. John sempre nos ajudou com as danças e nunca havia nos pedido nada, portanto não custava nada fazermos esse favor a ele.
Los Angeles is for people who sleep
Got to see the whole town
From Yonkers on down to the Bay
Paris and London
Baby you can keep
Baby you can keep
Baby you can keep
Era bom saber que apesar de tudo, Maria ainda conversava comigo como bons amigos. Conversamos outras vezes depois que terminamos, e contei-lhe sobre Emelina. Ela me surpreendeu, dizendo que se eu quisesse, ela colocaria uma bomba no dormitório de Chapman. Ficamos rindo por horas, e agora tratávamos de cantar juntos, seu sorriso se alargando para mim.
Other cities always make me mad
Other places always make me sad
No other city ever made me glad except New York, New York
It's the old New York
I love New York
I love New York (New York, New York)
I love New York (New York, New York)
New York, New York
Estávamos no auditório fazendo o número para Moreau sentado ao lado de Bronwen, Alicia e Eric. Os três se sentiam emocionados com a música principalmente com o cenário. Havíamos feito com muito custo réplicas em menor tamanho da Estátua da Liberdade, e telões com outros pontos turísticos como o Central Park e a Times Square. Da onde estávamos, dava pra ver que Bronwen estava quase em lágrimas, já que Alicia nem ao menos conseguiu segurar o choro. John parecia satisfeito.
If you don't like my attitude
Then you can get lost
Manhattan women are dressed in silk and satin
Just go to Texas
Isn't that where they golf
There's just one thing that's important in Manhattan
New York is not for little pussies who scream (AAA!)
Gotta pick up a date...
Maybe seven or eight
Paris and London
Baby you can keep
Baby you can keep
Baby you can keep!
Dançávamos pelo palco, Dorcas se achando depois de conseguir por insistência ganhar uma das vozes principais. Na verdade era pra Lily ter cantado, mas vendo que teria que fazer dupla com James, deu os versos de mãos abertas para Dorcas.
Other cities always make me mad (Make me mad)
Other places always make me sad (Make me sad)
No other city ever made me glad except New York, New York
It's the old New York
I love New York
I love New York (New York, New York)
I love New York (New York, New York)
New York!
Apesar disso, a voz de Lily às vezes se destacava bastante enquanto cantávamos. Já Emelina, estava dançando melhor do que nunca, e sorria sem parar. Bom... Pelo menos seu namoro com Chapman a fazia se sentir melhor, de algum modo...
We've sailed the seas
And we've been the world over
We've been to Mandalay
We've seen the Sphinx
And seen the Cliffs of Dover
But we can safely say
New York!
Alicia já estava de pé, cantando e dançando de uma maneira excêntrica, deixando seus curtos cabelos, hoje alaranjados iguais ao de Lily, balançarem conforme dançava. Foi uma cena engraçada e contagiante de se ver, e logo estava John imitando sua dança. Impressão de que foi ele mesmo que ensinou aquela dança a ela...
Other cities always make me mad (Ooow!)
Other places always make me sad (New York!)
No other city ever made me glad except New York, New York
It's the old New York
I love New York (New York, New York)
I love New York (New York, New York)
I love New York (New York, New York)
New York, New York!
No final da música, Moreau, Susan, Eric e Alicia começaram a aplaudir, assobiando e gritando. Alicia estava eufórica, e Eric estava vibrante. Moreau, como sempre, lançava-nos um olhar de orgulho.
- Essa é uma homenagem para você, Treinadora Bronwen – John se adiantou. – Para você e seus dois irmãos, Alicia e Eric.
Dizer aquilo surtiu um efeito contrário do que esperávamos. Bronwen aos poucos ficou séria, então desatou num choro meio descontrolado, se retirando rapidamente do auditório. Naquele tenso silêncio, Moreau olhou de nós para Eric e Alicia, e a seguir saiu atrás de Susan.
- Er... Acho que ela se emocionou demais – Eric sorriu amarelo.
Eu sabia que era mentira. E sabia que haviam coisas ali que nós não sabíamos, e quem em breve acabaríamos por descobrir.
David POV:
- Suzz! Suzz! – chamei por ela, correndo para tentar acompanha-la pelo corredor. Eu ainda podia ouvir ela fungando e, diminuindo o passo, acabou por sentar no primeiro degrau de uma das escadas em espiral que dava no andar de baixo. Relutante, sentei-me a seu lado.
- Suzz? – perguntei, baixo, segurando em sua mão.
Ela fungou mais um pouco, até balbuciar.
- E-Estou bem.
Eu ri baixo, mesmo não sendo o momento apropriado.
- Visivelmente, não está – comentei, a abraçando pelo ombro. – O que aconteceu? A apresentação dos garotos foi tão ruim assim?
Suzz tirou o cabelo verde da cara rapidamente, espantada.
- Não, nada disso! Eu amei, de verdade... – ela disse. Naquele momento pude sentir djavú de nossos tempos de escola, em que ela passava por maus momentos na família (como quando seu pai falecera, em nosso segundo ano) e eu a consolava do mesmo jeito que estávamos agora.
- Então o que houve? – perguntei com a voz suave. Ouvi mais um fungar de Suzz.
- O que houve? – repetiu, limpando as lágrimas do rosto. – É que... É que seus garotos me trouxeram grandes saudades de Nova York.
Estreitei os olhos, pensando.
- Acho que te conheço o bastante pra saber que está escondendo alguma coisa – sorri por fim. Suzz soltou um som estranho pelo nariz.
- É a vida, Mister D – ela disse, rouca. – É a vida como ela é. Acho que só não sou forte o bastante para acompanha-la.
- Todos nós temos esses momentos, mas logo passa – respondi, abaixando a cabeça. – Você vai ver.
- Acho que comigo não vai passar tão rápido. Não enquanto eu estiver nesse castelo.
- Por quê? – questionei, sem entender.
Suzz demorou longos minutos para responder novamente, tempo necessário pra deixar mais lágrimas descerem e secá-las novamente. Tempo suficiente para criar coragem de finalmente voltar a falar.
- Eu confio em você, David – ela falou, baixinho. – Por isso vou te contar o que venho escondendo por todo esse tempo.
Esperei, curioso. Suzz tirou seu cabelo verde da cara novamente, recuperando-se.
- Eu nunca terminei a escola na Suíça, como eu tinha te dito – ela foi direta de começo, mas aos poucos foi hesitando. – Inventei isso pra esconder que, na verdade... Quando eu terminei a escola, em Hogwarts... – ela parou, e respirou fundo. – Eu... Eu estava grávida.
Não respondi, tanto de surpresa quanto para deixa-la continuar com a história.
- Foi um romance totalmente adolescente e irresponsável – ela continuou. – Eu simplesmente me encantei com aquele sotaque americano e... Me deixei levar. Ele era novo no castelo, e era querido por todas as garotas naquela época. E eu tive a sorte de ser a "escolhida" – ela riu com desdém. – Fui uma idiota, pensando que seria feliz com ele, e que ficaríamos juntos assim que terminássemos a escola. Eu poderia fazer um CSA, e talvez ele poderia me acompanhar... Mas não foi isso que aconteceu.
Suzz tinha os olhos vidrados, como se relembrasse cada momento do que contava; suas mãos estavam tensas e nervosas, mostrando sua raiva pelo rapaz.
- Um pouco antes de me formar, descobri que eu estava grávida. Quando contei a ele... Ele simplesmente ficou chocado. E feliz, sabe. Realmente feliz. Estava completamente extasiado. Disse que queria começar uma família comigo. E eu, é claro, acreditei – Suzz tinha a voz seca, ainda sem piscar enquanto dizia. – Então, assim que nos formamos, decidimos contar a nossas famílias nossos planos. Eu contei à minha mãe que eu estava grávida e que eu me casaria. Ela enlouqueceu de início, mas eu contei a ela todas as maravilhas da família dele, e ela cedeu.
Suzz suspirou, deitando em meu ombro, cansada.
- Havíamos marcado de nos encontrar em sua casa, para juntas as famílias. Consegui convencer minha mãe a me acompanhar até lá, e segui o endereço que ele havia me dado – senti Suzz trincar os dentes. – E quando finalmente chegamos lá... Eu fiquei espantada. A casa era linda, maravilhosa, e como mesmo minha mãe dissera... Era majestosa. Batemos e fomos atendidas por um mordomo. Achei que ele era tão gentil que não gostava da exploração de elfos – Suzz bufou. – Enfim, acabamos descobrindo que aquela era uma residência trouxa, e que ele e sua família nunca moraram ali. Eu fui completamente enganada, e além de nunca mais ter notícias dele, tive que aguentar toda a repudia de minha mãe. Ela se negou a me ajudar criar de meu filho. Então fui até os Estados Unidos, decidida a encontra-lo, sete anos depois, quando havíamos nos estabilizado um pouco.
Suzz, pela primeira vez, sorriu.
- Eu sabia a exata localização de sua cidade. Ele me contava sobre ela. Na época ele dizia que tinha uma casa lá, além daquela em Londres, que na verdade nem existia – Suzz continuou. – Eu o encontrei. E ele estava exatamente do jeito que eu me lembrava dele. Estava como imaginei, tinha apenas uma casa onde se sustentava com pouco, porém tinha uma doença horrível, rara, que aos poucos o deixava fraco. Até me contentei um pouco com isso – ela sorriu maldosamente. – Mas eu comecei a sentir pena. Ele estava definhando aos poucos, e eu já havia parado de me divertir. Passei os últimos momentos de sua vida com ele, ele aproveitando a vida ao lado do filho. Ele faleceu pouco depois, deixando tudo para nós. Deixou, também, eu grávida dele novamente.
Suzz calou-se rapidamente. Eu a olhei com cautela. Ela estava quase chorando novamente.
- Alicia e Eric – completei, compreendendo.
- Eu não podia mais deixa-los lá! – Suzz exclamou, derrotada, passando as mãos nervosamente pelo cabelo. – Depois de ele morrer, eu apenas me dediquei nos esportes, que era a única coisa que eu achava que fazia bem. Criei Eric e Alicia com dificuldade em Nova York. E quando apareceu essa oportunidade em Hogwarts... Não pude resistir. Tive que deixar Eric e Alicia sozinhos... Mas eu não podia deixa-los lá, não conseguia ficar longe deles mais um segundo sequer. Acho que descontei toda minha angústia nas garotas... – ela engoliu em seco. – Conversei com Dumbledore, e surpreendentemente ele permitiu que Eric e Alicia fossem transferidos para cá.
- Mas por que dizer que são seus irmãos, e não seus filhos? – perguntei.
- Stanley. Além das outras pessoas desse castelo. Ninguém respeitaria uma mulher solteira com dois filhos. Isso chegaria aos ouvidos dos pais, e você sabe – ela suspirou, exasperada. – E mentir isso está me matando. Perguntam sobre o porquê de Alicia ser uma metamorfomaga, querendo saber se ela herdou de alguém da família. Na verdade, ela herdou isso da família do pai, e foi um dos motivos que causou aquela doença nele.
- E Alicia corre o risco de ter essa doença? – perguntei, preocupado.
- Não, não – Suzz balançou a cabeça rapidamente. – Os tempos mudam, e já há tratamento para isso assim que o bebê nasce.
- Então por que tanto desespero, Suzz? É só continuar a camuflar isso... – sugeri.
- Sabe como é estranho para eles terem que conviver com isso? Como Alicia nunca mais poder me chamar de "mamãe" como sempre chamava?
- Ela se acostuma.
- Eu quero que ela tenha uma vida normal – Suzz falou, séria. – Ela passou por muita coisa. Já sofreu no curto período de tempo em que eu passei aqui.
Eu não soube o que responder. Apenas segurei sua mão mais forte, pensando no que dizer a ela.
- Tudo vai dar certo, ok? – eu disse, calmo. – Quanto a Alicia, daremos um jeito de fazê-la se sentir melhor.
Suzz assentiu.
- Depois dessa longa história, até eu me candidato a ajudar.
Nos viramos rapidamente, assustados, para ver Stanley parada atrás de nós, de pé, braços cruzados e sorriso totalmente aberto no rosto. Um sorriso maldoso.
Sorriso de quem não tem nem um pingo de boas intenções.
Maria POV:
Cheguei completamente cansada no dormitório depois da apresentação para a família Bronwen. Sabe, cantar do jeito que canto não é uma tarefa fácil, e minha voz maravilhosa precisava de um descanso.
Deixei o pessoal na sala comunal discutindo sobre o estranho comportamento de Susan e subi para o dormitório, exausta. Me joguei na cama com um pulo, suspirando feliz por estar na minha cama fofa e aconchegante.
Aconchegante tirando o fato que eu havia me deitado em cima de alguma coisa.
Um papel!
Uma carta! Do S.L!
Me coloquei de pé num pulo, e desdobrei a carta já sorrindo, curiosa e animada. Comecei a ler, percebendo o tanto que a carta dessa vez era curta:
Maria,
Fiquei surpreso quando você me respondeu. Eu nunca esperaria por isso.
Em todo o caso, estou agora na Torre da Astronomia, se quiser finalmente me ver. Claro, somente se você quiser.
Beijos.
S.L.
Meu. Merlim.
Uau. Caramba.
EU FINALMENTE CONHECERIA O S.L.! Se é que eu já não conhecia...
Agora estou nervosa. Quem será ele? Nossa, eu devo tomar um banho, me vestir melhor? Devo contar para as garotas lá embaixo?
Não.
Vou do jeito que eu estou mesmo, antes que ele vá embora da Torre de Astronomia e eu vá lá à toa. Se é que ele já não saiu de lá, quero dizer, eu não sei desde quando essa carta estava aqui.
Me olhei no espelho rapidamente, arrumando meu cabelo e respirando fundo. Eu ia conhecer o bendito, eu ia!
Mas e se ele não estiver lá? E se, na verdade, for um assassino querendo me levar até a Torre de Astronomia pra me jogar de lá?
Não, acho impossível.
Enfim, desci as escadas, nervosa, acenei para o pessoal reunido perto da lareira, mentindo que eu ia dar uma passada na cozinha, e saí da sala comunal.
Fiquei nervosa a cada passo que eu dava. Merlim, eu estava tremendo, e não estava frio hoje.
Eu passava pelas pessoas não encarando ninguém, porque como sou meio louca, era capaz de eu pegar qualquer um e levar comigo só pra certificar que não vou ser morta lá. Exagero, eu sei, mas eu estava nervosa!
Subi calmamente os milhares de degraus para a Torre, com um pouco de dificuldade por estar com as pernas bambas. Céus, isso não é normal.
Havia chegado. Era só abrir a porta que eu daria de cara com o S.L.
Vamos, Maria.
Abra essa porta.
Você consegue.
É só abrir.
Abri.
A porta fez um barulho enorme, que pra mim mostraria ao castelo e a Hogsmeade que eu estava ali. Com certeza, o S.L. sabia também.
Ele estava de costas. E suas costas eram bonitas... Largas. Eu aprovo. Estava ventando agora, e eu via seu cabelo sendo sacudido pelo vento, e via sua posição descontraída apoiada ali. Espero que não seja um assassino muito mal.
Ele não se virou quando a porta fez o barulho, portanto caminhei em sua direção, quase desmaiando, dando pequenos passos.
- Er... Olá? – falei, baixo.
S.L. se virou.
Eu pude ver seu rosto.
- Você? – quase gritei, ainda mais por causa do vento. – O que está fazendo aqui?
Jason sorriu.
- Oi, Maria – ele mordeu o lábio.
- J-Jason, o que está fazendo aqui? – perguntei, me encolhendo. – Eu não...
- Eu sou o S.L, Maria – ele falou com uma expressão que chegava a ser de culpa. – Sou eu.
Não respondi, ainda estava paralisada.
Oh. Meu. Merlim.
Tudo fazia sentido agora, pra mim. Sou idiota.
"Quando você diria meu nome sem rancor?" É claro! Eu sempre o tratava com rancor. Sempre o menosprezei. "Foi uma pena que Corvinal perdeu, e agora sua casa deve tomar cuidado. Se não vencer o próximo jogo contra a Sonserina, ela vai empatar a competição, fazendo ter um jogo decisivo mais tarde" Um texto comum de quem tem uma coluna de Quadribol no MMM, certo? "Quando você me notaria finalmente?" Eu sempre o ignorei, isso é fato.
Me senti tonta, e levei as mãos as têmporas. Jason deu um passo a minha direção, preocupado.
- Me desculpe eu... – ele suspirou. – A última coisa que eu quero que pense é que eu mandei essas cartas pra te fazer de boba. Acredite, eu nunca faria isso e em todas as cartas eu fui totalmente sincero...
- Eu não pensei nisso – cortei. – Só quero que... Que você me explique.
- Explicar o quê? - ele ergueu a sobrancelha.
- O motivo do S.L. ou o motivo de sua caligrafia, de repente, ter ficado tão caprichada – falei, já recomposta. Jason riu um pouco.
- O S.L. foi meio estranho de se criar. S de Simon, o nome do meu pai, e L de Lorty, o nome de solteira de minha mãe – ele deu de ombros. – Quanto à letra, não é minha. Eu pedi para meu amigo escrever, e tinha que aguentar ele rindo da minha carta a cada vez que eu pedi para ele escrever.
Fiquei com pena dele nessa hora, e soltei uma risada involuntária. Ele me lançou um olhar repreensor.
- Não consigo imaginar você pensando e escrevendo tudo aquilo – falei com sinceridade.
Jason caminhou até onde estava antes, contemplando a vista que a alta torre nos proporcionava. Eu me juntei a ele dessa vez.
- Eu não sabia como me aproximar de você – ele disse, olhando somente para frente, mesmo sentindo meu olhar em seu rosto. – Você me odeia. E... Eu fui muito idiota com você antes. Só dei valor a você quando você começou a namorar Remo. Sou um idiota.
- É, você é – concordei, rindo. Ele bufou.
Depois disso, não dissemos mais nada. O vento estava mais fraco agora, mas ainda conseguia balançar nossos cabelos. Ficamos um longo tempo observando as luzes que vinham de Hogsmeade, ouvindo alguns uivos vindos da Floresta Proibida, até eu voltar a falar.
- Era realmente verdade? Tudo aquilo...? – perguntei, hesitante.
Jason se virou para me olhar bem nos olhos.
- Eu não menti em uma única palavra – respondeu com firmeza.
Corei. Algo muito raro de se acontecer.
Jason, então, suspirou mais uma vez.
- Me desculpe, Maria.
- Pelo quê? – perguntei, curiosa.
Jason sorriu com pesar.
- Por eu não ser quem você esperava que eu fosse.
Fiquei surpresa com aquilo, e por fim dei de ombros.
- Na verdade, eu queria que fosse você.
E depois sorri para Jason, que estava até boquiaberto. Me segurei muito para não rir naquela hora.
Depois de se recuperar, Jason sorriu a ponto de seus dentes brilharem no escuro.
- Maria, eu...
O interrompei com um beijo, e ele foi tão pego de surpresa que chegamos a cambalear. Jason no minuto seguinte já retribuía, me abraçando com força, acariciando meus cabelos. Nunca fui tão envolvida por um beijo como aquele...
Eu me senti feliz naquela hora, e isso era o bastante para eu ter certeza que cada batida acelerada que eu sentia quando via uma carta dele, tinha valido a pena.
Lily POV:
Me encontre na sala de música agora, preciso falar com você.
J.
Esse foi o pequeno bilhete que recebi na manhã do dia seguinte. Me senti como Maria, que agora estava pululante por ter descoberto que seu admirador secreto, na verdade, era Jason. Pediu-nos segredo também, já que ainda havia Dorcas. Espero sinceramente que isso não chegue aos ouvidos dela tão cedo.
Mas quem tinha me mandado aquela carta? Há centenas de pessoas – garotos ou garotas – com inicial J. Podia ser Jason, querendo falar algo sobre Maria para mim. Podia ser John, querendo minha ajuda com alguma coisa pra Alicia. Ou podia ser James...
Mas descobri que era a pessoa que eu mais temia.
Entrei na sala e avistei Jessie no piano, tocando algumas notas vagas. Comecei a dar meia volta, mas infelizmente ele me viu.
- Lily! – ele sorriu, se levantando do acento do piano. – Que bom que recebeu minha carta.
- Ah é, recebi. Recebi – repeti, sorrindo amarelo, constrangida. – O que você quer falar comigo?
Jessie apontou para o piano.
- Andei treinando. Sinto falta do coral, sabe.
- Então por que não volta? – perguntei esperançosa.
- Acho que ainda não é o momento – ele mordeu o lábio. – Mas juro que volto. Mas mesmo assim senti falta de cantar, e estava treinando com os músicos.
- Como entrou aqui? – usei o fato de andar até o piano para não ter que encará-lo.
- Ouvi os instrumentistas treinando aqui, então decidi participar – ele acenou para os rapazes, que sorriram. – Além do mais, sinto falta de cantar com você.
Não fiz nada mais do que corar e sorrir, simultaneamente.
- Eu estava com uma música em mente. Você canta comigo? – ele levantou a sobrancelha charmosamente. Eu nem podia recusar depois disso. Apenas assenti, e ele sorriu, animado.
Deu a volta no piano e se sentou, batendo a seu lado no banco, pedindo para que eu me sentasse ali. Mais uma vez cativada por seu charme, obedeci.
- Acho que você conhece essa música – ele disse, antes de começar a passar os dedos habilidosamente pelo piano.
Jessie nunca me disse que tocava piano, e tão bem.
O que mais aquele garoto esconde de mim, além daquela voz maravilhosa e perfeita que ele tinha e também não havia me contado?
Voz maravilhosa que já ecoava pela sala.
I've been alone with you inside my mind
And in my dreams I've kissed your lips a thousand times
I sometimes see you pass outside my door
Hello, is it me you're looking for?
Ele sorriu para mim e eu fiquei um pouco tonta. Só acordei realmente quando ele me deu um leve cutucão, me indicando para cantar junto a ele.
I can see it in your eyes
I can see it in your smile
You're all I've ever wanted, and my arms are open wide
'Cause you know just what to say
And you know just what to do
And I want to tell you so much, I love you
Merlim, olha a música que estávamos cantando! Enquanto Jessie deslizava seus dedos pelo piano, sempre me lançava olhares profundos que me faziam corar, além de normalmente me fazer perder neles. Ele, sem dúvidas, era hipnotizante...
Oh yeah
I long to see the sunlight in your hair
And tell you time and time again how much I care
Sometimes I feel my heart will overflow
Hello, I've just got to let you know
Alguns músicos já haviam começado nas notas nos violinos e violoncelos, e isso aconteceu sem que eu sequer percebesse. Eu tinha me afastado o máximo no pequeno banco que estávamos sentados, banco este que estava nos deixando próximos demais, me fazendo me encolher. Ainda me pergunto como é que consegui acompanha-lo na música.
'Cause I wonder where you are
And I wonder what you do
Are you somewhere feeling lonely, or is someone loving you?
Tell me how to win your heart
For I haven't got a clue
But let me start by saying, I love you ...
E como Jessie tocava e olhava para mim ao mesmo tempo? Como é que ele conseguia ter um sorriso tão lindo daquele? Me pergunto o que eles fazem pra deixar os dentes brancos em Hogwarts. Deve haver algum feitiço que eu desconheço...
Is it me you're looking for?
'Cause I wonder where you are
And I wonder what you do
Are you somewhere feeling lonely or is someone loving you?
Tell me how to win your heart
For I haven't got a clue
But let me start by saying ... I love you
Em notas doces, Jessie finalizou a música. Eu respirei fundo, aliviada por aquela tortura-psicológica-e-gratificante-ao-mesmo-tempo ter finalmente acabado.
Jessie se voltou para mim.
- Foi incrível – falou, sorrindo como tinha que ser.
- É, foi mesmo – respondi, baixo.
Jessie não fez nada. Continuou me olhando daquele jeito dele, mas não sorria. Olhava tão a fundo em meus olhos que eu acho que ele REALMENTE hipnotizava.
Então, o que eu fiz?
- Er... Tenho que ir. Tenho que limpar... meu... malão – inventei na hora. – Está uma bagunça, você nem imagina.
- Mas Lily... – ele se levantou do pequeno banco também, mas eu já saía da sala.
Sou boa em mentir, no final das contas.
Mas isso não resolveu, porque Jessie veio atrás de mim.
- Lily, espere por favor – ouvi ele pedir.
- Meu malão precisa de limpeza urgente! – exclamei, ainda caminhando, sem olhar pra trás.
Jessie foi mais rápido, e segurou meu braço.
- Lily, me escuta – implorou.
Suspirei, pedindo a Merlim que fizesse... sei lá... ter uma crise estomacal agora e começasse a vomitar. Eu não ligaria.
- Diga – me virei para ele, temerosa.
- Há tempos tento de falar uma coisa – ele engoliu em seco.
- O quê?
Jessie soltou o meu braço, crente que eu não fugiria.
- Eu menti pra você – falou, sério. – Me desculpe.
- Mentiu o quê? – passei do medo para a desconfiança, e ele parecia despreocupado.
- No Baile de Natal, aquelas coisas que eu te disse – ele falou palavra por palavra, calmamente. Droga, só porque eu usaria o fato de não entender o que havia dito como desculpa pra não realmente saber o que ele tinha pra me falar! – Eram todas verdades e... Eu não estava bêbado. Eu me lembro de tudo, e menti pra você quanto a isso.
Soltei o ar, e minhas mãos começaram a suar.
- Ah, Jessie – falei simplesmente. – Eu... Não... Não quero isso agora.
- Eu entendo que ainda está tentando superar o que aconteceu com Potter, mas eu juro que respeitei você a cada instante quando estava com ele – Jessie falou, nunca deixando de me encarar. – Mas agora eu finalmente estou te dizendo isso, porque... Tenho esperança de que isso mude alguma coisa.
- Não vai mudar – balancei a cabeça rapidamente.
- Lily... – ele se aproximou, segurando meu rosto entre as mãos para que eu fosse obrigada a olhar para ele. – Eu... Gosto de você. Talvez não deveria, mas cansei de omitir isso até de mim mesmo. Já passou da hora de eu fazer isso...
- Nem pense em...
Tarde demais.
É claro.
Garotos são completamente teimosos.
Jessie já havia me puxado para um beijo, algo completamente sem opção pra mim. Eu não sabia o que fazer naquela hora, só sentir seu hálito de hortelã se misturar ao meu e...
Tinha que ser proibido garotos bonitos e hipnotizantes beijarem bem. Isso é a verdade.
Quando Jessie enfim parou com o beijo, não deixou de soltar meu rosto. Sorriu calmamente, e tinha os olhos ternos.
E quanto a mim? Naquele momento senti uma simples vontade de morrer, e não é do lado bom. E eu nem sei por quê.
Músicas:
1- Start Me Up / Livin' On a Prayer
2- When I Get You Alone
3- Empire State of Mind
4- Stop! In the Name of Love / Free Your Mind
5- I Love New York / New York, New York
6- Hello
