"Today, you are better than the 'you' of yesterday, and tomorrow you will be better than the 'you' of today. Little by little, becoming stronger through countless battles: that's what it means to be strong."
- Ashura-ou, Tsubasa Reservoir Chronicles.
Hoje, você é melhor que o "você" de ontem, e amanhã você será melhor que o "você" de hoje. Pouco a pouco, se tornando mais forte através de incontáveis batalhas: isso é o que significa ser forte.
Força.
Quando há alguém por quem você luta para proteger, para manter vivo, quando um rosto doce e angelical fixa-se em sua mente enquanto você enfrenta qualquer um que for contra seus objetivos, nada é tão forte quando o desejo desesperado por força. Força para proteger, para salvar; para continuar de pé enquanto houver inimigos igualmente sãos. E não importa o quanto você é forte, nunca será o bastante... As batalhas não cessarão, e cada vez elas exigirão mais de você, e as suas lutas particulares serão pela busca por força. Mais força.
Os músculos de Sirius doíam. Seu coração batia inumanamente rápido, fazendo o sangue pulsar em suas veias de forma frenética e desesperada, causando-lhe a sensação de que todo o seu corpo estava sob choque. Ele respirava o mais devagar que podia, tentando ignorar o som das lutas ao seu redor para se concentrar em seu objetivo imediato, mas a carga de poder que perpassava seu corpo era tão grande, tão assustadora, que era difícil sequer se mover. "Força!", Sirius pensava, trincando os dentes, mantendo cada pequena parte de seus músculos e todos os pensamentos focados neste pedido mudo feito a ninguém. "Mais... força!". E, embora seu corpo estivesse a ponto de entrar em colapso, de repente Ísis soltou-se do monstro que lhe segurava, e com tanta facilidade que parecia estar partindo um graveto – rápida, graciosa, letal – ela rompeu o corpo do homem ao meio.
Deixou-o caído morto no chão.
– Você está exagerando, Black! – Ísis gritou sobre a balbúrdia, embora estivesse a menos de cinco passos de Sirius, sem olhar para ele. Sua frase era repreensiva, mas seu tom soava satisfeito – Um pouco mais de concentração e você não vai agüentar nem um segundo além disso!
– Eu vou morrer de qualquer jeito se não me concentrar. – retrucou Black por trás dos dentes ainda trincados – Mas eu não quero... – ele ofegou e tremeu – e não vou... – ergueu os braços, entrevendo movimentos hostis em sua direção – morrer... – e cerrou os punhos ao mesmo tempo em que fechava os olhos – AQUI!
Ele fechou os olhos com força, seus punhos cerrados virados para cima ao lado da cintura, os cotovelos meio dobrados, as pernas afastadas uma da outra e bem fixas no chão. Um homem de cabelos compridos, pretos, olhos vermelho-sangue, muito alto e pelo menos dez vezes mais forte do que Sirius, de aparência selvagem e impassibilidade intimidadora, havia se aproximado de Ísis em uma velocidade inesperada, mas Black vira-o antes e estava preparado. Atacou-o, o elfo se defendeu, e novamente Ísis e ele – menos de meio minuto depois de terem destruído seu terceiro oponente – começaram, outra vez, a lutar. E o corredor e as salas estavam tão cheias de gente lutando, gritando, grunhindo, morrendo, que Sirius teve certeza de que aquele homem de íris vermelha não seria o último que eles enfrentariam.
Concentrou-se na luta, e, como ele, muitos faziam o mesmo. Lucy Crawford enfrentava – sozinha – os três Comensais que haviam permanecido com os elfos enquanto a invasão no Ministério acontecia, e a todo o momento seus olhos voavam na direção de Sirius, e dele para a grande e velha porta, aberta, na direção da qual todos lutavam para poder chegar. Uma fileira de homens de orelhas pontudas formava uma muralha em frente à sala onde – agora ninguém mais tinha dúvidas – estavam os bruxos e elfos capturados, e provavelmente Eliot e Doug também. Com os olhos azuis faiscando, Lucy empenhou mais ferocidade em seus feitiços, e os Comensais que no começo zombaram dela agora recuavam, assustados também com o poder que os amigos da mulher loira demonstravam por todos os lados do corredor.
Lily Evans, Alice e Alicia O'Connel lutavam, ombro a ombro, contra bruxos a serviço de Voldemort que, no entanto, não eram Comensais. Eles estavam em cinco e defendiam uns aos outros do mesmo modo que as três jovens também o faziam; a luta consistia mais em defesa do que em ataque, e nenhum dos lados parecia disposto a usar a Maldição da Morte. James havia percebido isso, aliviado, já no começo dos duelos, e apenas por isso ele conseguiu concentrar-se em sua própria luta ao lado de Peter. Rabicho, por sua vez, às vezes distraia-se na ânsia de procurar por Remo com o olhar: ao contrário de todos os bruxos, Lupin lutava contra um Elfo.
Aluado estava empapado de sangue, suas roupas estavam cortadas em vários pontos do corpo, sua varinha tremia na mão. Ele encarava seu oponente nos olhos, um oponente que não estava tão mais intacto do que o bruxo: ao redor dos dois flutuava lentamente um espectro infantil, defendendo Remo o máximo que podia e impedindo que o Elfo usasse com perfeição suas habilidades fatais, e só por isso a luta não estava tão desequilibrada quanto deveria. Ao redor de Lupin os Mestiços lutavam, quase invisíveis na rapidez de seus movimentos, cada um encarregando-se de pelo menos quatro elfos-selvagens, ignorando seus objetivos tão díspares e simplesmente lutando para sobreviver. Mas era difícil: mesmo incrivelmente poderosos em comparação com mortais, eles eram o que perto de imortais de sua própria raça?
Zoe Brown, Moody, Vane, Parkinson e Wood lutavam em diferentes pontos do salão anterior ao corredor, impedindo que os Comensais ali se juntassem à carnificina principal. Eles derrubaram boa parte dos servos de Voldemort, mas eram muitos ali os que não faziam realmente parte do círculo íntimo de Tom Riddle; pelo menos vinte deles ainda restaram de pé enquanto os cinco aurores, feridos, exaustos, afastavam os corpos desacordados dos bruxos que já haviam derrubado, mas não matado. Muitos deles – agora era fácil perceber – estavam sob o Imperius: eram os nascido-trouxas capturados.
O que significava que Lord Voldemort estava por perto.
– ABAIXEM! – gritou alguém, e por reflexo, por reconhecerem a voz, os membros da Ordem da Fênix jogaram-se no chão, e os feitiços que seus oponentes tinham recém-lançado voaram por cima de suas cabeças e ricochetearem nas paredes.
Os vinte nascido-trouxas e os servos de Voldemort restantes desabaram no chão.
– Bons garotos. – zombou Lummyát, baixando as mãos e tamborilando os dedos na cabeça de Wood enquanto abria um largo e infantil sorriso para ele – Então, cansaram de brincar com seus amiguinhos? Ou posso acordá-los para que continuem lutando?
– Não interfira. – grunhiu Moody, já de pé depois de checar se os bruxos continuavam vivos – Foi o acordo, não foi? Nós não nos metemos nas lutas de vocês e vocês não se metem nas nossas.
– Vocês, interferirem nas nossas lutas? – Lummy riu – Ah, certo. Bom, querem que eu acorde os Comensais de novo? Tudo bem.
– Espere.
O grupo virou-se na direção de Zoe. Alastor rosnou para ela, mas a auror não se intimidou.
– Por que está nos ajudando? O que quer?
– Quero levar vocês até os bruxos capturados, agora. Antes que a luta aí fora – ela apontou com o polegar para o corredor – fique séria.
– Já não está séria? – Wood perguntou em um fio de voz, seu tom baixo meio histérico.
– Ah, não. Nossos Desdobramentos não saíram ainda.
A loira deu de ombros quando o grupo se entreolhou.
– Vocês vão destruir o Ministério? – Parkinson ergueu as sobrancelhas.
– Hm, eu não tenho certeza... Quanto a estrutura agüenta? – Lummy apontou a mão na direção de uma das paredes e uma espécie de raio saiu de sua mão. Uma grande mancha preta apareceu na pedra, mas nada mais aconteceu – Acho que o prédio como um todo vai agüentar, mas os corpos de mortais? Sem chance. Se nos próximos quinze minutos ainda houver algum bruxo aqui, ele desaparecerá no ar em um piscar de olhos, desintegrado instantaneamente pela pressão das nossas auras.
– Como podemos chegar até os prisioneiros?
– Temos nossos truques, Zoe Brown.
– E o que vocês vão querer em troca?
Lummy sorriu de novo.
– Um pequeno favor.
– Qual? – insistiu Moody.
– Bright vai transportar vocês até exatamente em frente aos elfos que estão guardando a entrada daquela sala grande lá atrás, estão vendo? Aquele é o limite do funcionamento dos nossos poderes especiais, porque lá dentro há algo que nos bloqueia. Enfim, quando vocês estiverem lá, eu vou sustentar por algum tempo na mente guardas a ilusão de que vocês não estão ali, portanto vocês vão poder entrar sem problemas... E quando estiverem lá dentro, eu preciso que vocês apaguem a Marca Negra desenhada na frente de um salão de mármore que não tem portas, usem todos os contra-feitiços que conhecerem para desativar a proteção que envolve este mesmo salão e façam um rombo no mármore para que Doug e Eliot fiquem livres.
Knightley respirou fundo para recuperar o fôlego.
– Depois disso, contem para Eliot que Lummyát mandou vocês e digam a ele que há aqui fora a urgente necessidade de que nenhum mortal permaneça no Ministério por muito mais tempo. Ele vai levar você até os bruxos e Adam vai abrir um portal para vocês.
– Desculpe, me perdi. – disse Douglas Vane – Vocês não podem usar suas habilidades lá dentro, então onde Adam entrou na história?
– Adam entrou na história na hora em que vocês apagaram a Marca Negra e quebraram o bloqueio que nos impediria de ajudá-los. Agora – Lummy bateu palmas, animada – quem topa?
Os bruxos trocaram olhares e acenos de cabeça.
– Todos nós vamos. – respondeu Alastor finalmente.
E diante da concordância dos bruxos, Bright Sweetnam e Meybiki Slaker apareceram de repente.
– Adam só vai poder sair da luta quando for a hora exata. – Meybiki já foi dizendo para Lummy, quase correndo na direção dela – Nós não podemos usar nossas habilidades extras com todos esses Comensais com suas Marcas Negras por aqui, Lummy, como pretende implantar ilusões na cabeça dos elfos?
O olhar de Knightley estava fixo em algum ponto no corredor. Ela parecia distraída.
– Sabe, eu estava observando Remo Lupin.
– Lummy. – repreendeu Bright com um sibilo, mas a outra Mestiça não deu atenção.
– Como um bruxo pode sobreviver mais do que cinco segundos em uma luta contra um elfo? Tudo bem que o elfo em questão é o mais fraco do bando, mas mesmo assim... Ele supostamente não deveria conseguir lutar. – ela fez uma pausa. Estava séria, o que assustou até mesmo os aurores – Aí eu notei que Kurt fica o tempo todo ao redor deles. E se o nosso pequeno fantasma McKinnon estiver bloqueando os poderes do oponente de Lupin? Isso seria como fazer daquele elfo um bruxo imortal que não precisa de varinha para lutar, nada além disso.
– Como isso seria possível?
– Kurt era imune aos Cinco Elementos, lembra? Por esse motivo, quando ele e Angely lutavam as coisas saíam mais equilibradas. Ninguém mais entre os Mestiços tinha chance contra Angel, mas ele sim, porque ela não podia usar os principais poderes contra ele... E se, caso Kurt não tivesse morrido, o poder dele fosse capaz de evoluir até uma imunidade total? E se isso aconteceu realmente com o passar do tempo, por mais que ele esteja morto?
– Morwen. – sussurrou Meybiki puxando Lummy para encará-lo – É... você?
A loira sorriu de leve.
– Fingir para você é sempre impossível, eu acho. Sim, Meybiki, sou eu, Morwen.
– Onde está...
– Lummy? Eu sou a Lummyát também.
Bright desapareceu do lado de Parkinson com um estalo do ar e reapareceu em frente à Lummy. A Mestiça pulou para cima da loira e imobilizou-a no chão, mas não houve reação da parte de ninguém mais.
– Deixe Lummy voltar. – sibilou Bright – Tanto você quanto ela vão morrer aqui se você só estiver pensando em sangue, Morwen.
– Você está vendo algum sinal de loucura em mim?
Bright não respondeu.
– A minha alma – sussurrou Lummyát, e seus olhos se fecharam enquanto uma lágrima brilhante escorria por seu rosto e morria em seu meio-sorriso de paz – é uma só. Eu estou livre. Não há mais Desdobramento em mim, não há mais Lummyát e Morwen... Sou só eu, mais nada.
– Como isso seria possível?
– Eu não sei. Acho que todos nós vamos ser libertados hoje. Mas Angely precisa viver.
E Lummy não precisou dizer mais nada. Bright se afastou de novo, postou-se perto dos bruxos para dar a eles instruções para que ninguém se perdesse no teleporte; Meybiki estendeu a mão para Lummy, e antes que ela retomasse o equilíbrio completamente, ele abraçou-a.
– Não há mais dor? – ele sussurrou.
– Não, Meybiki.
O Mestiço soltou Morwen, ou Lummyát, ou as duas, e no segundo seguinte ele correu na direção de Remo Lupin. Disfarçou as lágrimas; por mais que a esperança da liberdade gritasse dentro de seu peito depois de tantos anos esperando por um milagre que o libertasse da agonia de ter a alma partida, Slaker não queria deixar-se ser dominado pela fé.
Não ainda.
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– Quanto falta agora?
– Não muito mais. Eles estão vindo nos tirar daqui.
– Então devemos nos preparar para a luta final.
Doug abriu os olhos.
– Definitivamente.
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Meybiki tirou a fina espada do corpo do elfo jogado aos seus pés e limpou o sangue em suas próprias vestes. Com um gesto, ele fez a arma desaparecer e olhou para Remo, que o encarava sem entender.
– Eu estava lutando. – disse Lupin debilmente.
– Continue assim. – incentivou Meybi, impaciente – Mas lute contra bruxos. Eu vou precisar pegar o seu escudo emprestado.
– Então vocês decidem as coisas por mim agora, Slaker?
Tanto Remo quanto Meybiki se viraram para encarar Kurt.
– Você sabe do que é capaz de fazer?
– Obviamente. – os olhos de Kurt lampejaram na direção de Remo e, compreendendo o aviso mudo, o bruxo virou-se para trás em tempo de estuporar um Comensal que estava a ponto de atacá-lo – Querem que eu ajude os aurores a apagar a Marca e fazer nosso trabalho sujo, huh?
– Não podemos chegar perto da sala.
– Eles tampouco! – explodiu McKinnon – São vidas humanas, Slaker! Eu não vou ajudar vocês a sacrificá-los!
– Com um pouco de sorte...
– Com um pouco de sorte um deles pode voltar vivo? É isso que vai dizer?! Porque se for, cale a boca! Você sabe quem vai estar lá para recepcionar os bruxos se eles chegarem perto da Marca!
– É a vida de seu irmão! – Meybiki jogou longe um elfo apenas com um gesto e Remo protegeu-se de um feitiço perdido – É a vida de Angely! – ele insistiu.
– E é a vida de seis bruxos que eu não estou disposto a sacrificar.
– Voldemort vai estar na sala?
Surpresos com a interrupção de Remo, os Mestiços encararam-no em silêncio.
– Eu também estava pensando em um jeito de entrar naquele salão. – Lupin deu de ombros, apontando com a cabeça para o espaço aberto atrás dos elfos guardiões – Vocês têm um plano?
– Temos. – respondeu Meybi rapidamente.
– Mas Voldemort vai estar lá no momento em que souber que conseguimos entrar, certo?
– Sim.
– Tudo bem. Eu vou.
Kurt estava a ponto de interromper, mas Slaker deteve-o com um olhar.
– Você não pode interferir no livre-arbítrio das pessoas. Se ele quer ir, ele irá.
– E quanto ao resto dos bruxos? – McKinnon olhou em volta – Eles precisam sair daqui, mas eu não acho que lançá-los na direção de Voldemort seja uma boa maneira de salvá-los.
– Vamos contar a eles que Riddle estará na sala e dar a eles a chance de sair do Ministério ou acompanhar Lupin. Eles decidirão sem pressão ou interferência nenhuma de nossa parte. – Meybiki fez uma pausa para ler a expressão de Kurt, e sorriu de leve – Que tal lhe parece?
E embora estivesse claro que essa era a última coisa com a qual Kurt queria concordar, o espectro fez um aceno positivo.
– Tudo bem. Vamos reunir os bruxos agora.
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– E... vans...
Sirius ofegou e tossiu. Tremia incontrolavelmente, apertando a cabeça com as mãos; estava sentado no chão, com o tronco sobre os joelhos, mas foi capaz de ver com clareza – apesar de sua visão embaçada – quando Bright surgiu do nada em frente à Lily, Alice e Alicia e ergueu a mão para os Comensais, fazendo os cinco caírem desmaiados. Logo depois, Bright sussurrava alguma coisa para as três e ajoelhara-se em frente aos Comensais para tocá-los ao mesmo tempo em que as bruxas seguravam alguma parte do corpo da Mestiça. Assim, o grupo desaparecera.
– Evans... – repetiu Sirius, desta vez tentando ver Ísis.
Lian se abaixou ao lado de Black. Imediatamente, ele sentiu a pressão sobre seu corpo diminuir e deixá-lo respirar; seu pulso normalizou-se e ele sentiu como se emergisse de um mergulho longo demais.
– Não! – ele ofegou, percebendo o que Ísis estava fazendo e tentando forçar sua energia na direção dela outra vez – Você precisa disso para lutar!
– Preciso. – concordou ela calmamente – Mas se você morrer enquanto me dá cada partícula de força do seu corpo, todo o poder da Angely será meu e nada no mundo vai poder salvá-la.
– É isso que... Jenny... quer fazer com Eliot?
– Sim. Agora, Black, por favor, você poderia parar de tentar forçar energia para dentro de mim? Isso vai drenar a sua essência vital.
Sirius obedeceu a contragosto.
– Vão nos atacar se ficarmos ajoelhados aqui. – ele resmungou.
– Temos em torno de nós uma barreira consistente o bastante para continuarmos inalcançáveis para os elfos por mais alguns minutos.
– Você está me dando sua força?
– Não, Black.
Sirius franziu a testa. Voltava, rapidamente, a sentir-se saudável e poderoso.
– Eu já me sinto melhor.
– É só não me dar energia além do que é capaz, e tudo vai ficar bem. O poder de Angely é grande o bastante para nos manter a salvo desses elfos, é grande o bastante para fazer você não chegar a extremos, você só precisa saber concentrá-lo sem confundi-lo com sua própria força vital.
– Ok. – respondeu Sirius simplesmente, porque não havia entendido muito bem – O problema agora é que a sua amiga Bright acabou de sumir no ar com a Evans.
Ísis olhou em volta e ficou em silêncio por alguns segundos. Black quase podia escutá-la pensar freneticamente.
– Eles têm um plano para libertar Eliot e Doug e parece que vão usar os bruxos para isso. – disse ela devagar, com a testa franzida, como se estivesse dizendo coisas absurdas – Por acaso você sente alguma necessidade avassaladora de estar com Lily Evans neste momento, Black?
Surpreso e enojado, Sirius fez uma careta.
– Não especialmente. – respondeu, sarcástico.
Lian ergueu as sobrancelhas.
– Parece que você já está bom para lutar. Ótimo. – ela ficou de pé – Quando não for capaz de pensar em nada além de Evans, me avise. Será a hora exata de levá-la até Angely com Eliot, Kurt, Doug, Lupin, as cinzas de Melian e o anel.
Sirius concordou, ergueu-se e voltou a lutar.
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– Dito isso, – Kurt suspirou – quem ainda concorda em ajudar?
Lucy pigarreou.
– Você disse que os bruxos serão desintegrados quando a luta atingir o ápice.
– Exato.
– Então por que nem todos os bruxos estão aqui?
– Todos estão. – contradisse Bright, impassível, mas Lucy acenou negativamente.
– Mesmo daqui eu sou capaz de ouvir os estragos que Sirius está causando àqueles homens de orelhas pontudas. Ele já nocauteou o dobro de elfos do que a soma de todos os que vocês arranharam, e por isso vocês não vão dar a ele a escolha de continuar lutando, enfrentar Voldemort ou fugir, certo?
– O objetivo de Sirius não é salvar bruxos e nem sair do Ministério sem Eliot.
– O objetivo dele é o mesmo que o meu, e por isso mesmo eu suponho que ele vá querer ajudar a pegar o pai de Angely e dar o fora daqui antes que vocês o desintegrem.
– O único modo de libertarmos Eliot é sem atrair a atenção dos elfos, e para isso Sirius tem que continuar lutando enquanto os outros Mestiços dão suporte a ele. – Lummyát descruzou os braços e ergueu os olhos para os bruxos – Quem concorda em ajudar? – ela repetiu as palavras de Kurt.
– E quanto...
James hesitou e baixou a cabeça. Tinha consciência de que todos estavam olhando-o, e o modo altivo com que Remo permanecia de pé ao lado de Kurt e dos outros elfos – enquanto ele e o resto dos bruxos (à exceção de Lucy) permaneciam sentados no chão – fez com que seu rosto corasse ainda mais. Lily apertou sua mão, e isso o fez sorrir e retomar a coragem.
– E quanto ao interesses de cada um? – ele disse – Mesmo que Eliot seja salvo... Ainda há um conflito de objetivos aqui.
– Está falando do plano nojento de Jenny? – Meybiki ergueu as sobrancelhas – Esqueça isso, bruxo.
– Meu nome é...
– Jen sumiu e por isso nenhum dos Mestiços está sob a influência dela, o que quer dizer que agora temos uma visão lúcida do que está a nossa volta. Todos nós estamos ao lado de Angely, menos, ao que me parece, vocês seis, mortais. – ele se referia a Alice, Alicia, Frank, Lily, James e Peter, e eles perceberam tão perfeitamente o desprezo de Meybi que precisaram se esforçar para não desviar o olhar – Muito nobre da parte de vocês se juntar a uma mulher que quer salvar a vida de bruxos, trouxas e elfos através da morte de um homem inocente, mas deixem-me informá-los de que Doug e Ísis desde o início planejaram libertar os prisioneiros de Riddle antes de levar Eliot até Angel. Vocês traíram seus próprios sentimentos em vão.
James empalideceu e olhou para Lupin, e Lupin devolveu aquele olhar com uma frieza que gelou a alma de James.
Angely.
Ele havia traído Angely.
– Todos nós vamos participar do plano – disse, inesperadamente, Peter – com a condição de que quando vocês forem salvar Angely, aqueles que quiserem ajudar possam escolher fazê-lo.
– De acordo. – concordou Kurt rapidamente, antes que Lupin pudesse protestar – Vamos, Remo. Você pode ajudar Bright a deixar os corpos dos Comensais no átrio? É o mais longe que o poder dela a permite chegar e não queremos que qualquer bruxo acabe morto. Muitos dos que estavam lutando por Voldemort aqui tiveram os parentes seqüestrados e estão trabalhando sob ameaça, ou sob a Maldição Imperius, por isso vamos simplesmente prendê-los lá em cima.
– Claro.
– Lucy? – chamou Bright – Ajude também.
A loira fez um aceno positivo e se aproximou da Mestiça e de Remo. Não olhou para Lily, nem para Alicia; toda a sua atenção estava focada no que precisava fazer para ajudar Angely. Nelly havia salvado-a mais de uma vez e Crawford estava disposta a retribuir isso, em nome não só do sentimento de gratidão, mas também da admiração que sempre levara Lucy a desejar a amizade da única garota no grupo dos marotos, aquela que nunca parara para olhar-lhe duas vezes, mas que sempre havia aparecido nos momentos em que a loira mais precisara de ajuda.
Angel impedira que uma coisa horrível acontecesse com Lucy no passado, e embora fingisse que tudo havia sido esquecido, ela ainda lembrava muito bem dos planos asquerosos de Justin Talbot e de como eles haviam afundado diante da magia invencível de Nelly.
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– Doug. Isso está demorando. O fogo está ficando quente.
– A magia das chamas está mudando?
– Está. E desse jeito eu vou morrer queimado, não posso me mexer.
– Quem conjurou as chamas?
Eliot hesitou. Sabia o que sua resposta significaria.
– Meneldur.
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– Meneldur.
Sirius interrompeu um de seus movimentos e deixou seu braço pender. Olhava para Ísis, que encarava o teto.
– Ele voltou?
– Sim.
– Sobrevivemos ao Tar uma vez.
– Não vamos ter tanta sorte agora.
Uma explosão na sala lateral que dava acesso a um dos corredores perpendiculares àquele onde os elfos e Mestiços lutavam evidenciou as palavras de Lian. Estranhamente otimista – a despeito de suas palavras – a Mestiça postou-se virada naquela direção e, sem dar ouvidos a nada mais, esperou.
Um dos nômades atacou Ísis, mas, antes que ela pensasse em se defender, Aaron interceptou a magia e jogou o elfo longe. Ele e Sirius trocaram olhares significativos.
– Se concentre em Meneldur e tomaremos conta do resto. – garantiu Striker em sua voz murmurante antes de sumir no ar, e Sirius prendeu a respiração.
O Rei surgia em meio ao pó que parecia neblina, avançando em uma velocidade dramaticamente calma. Ele sangrava; quando jogou um estranho objeto que estava em sua mão na direção de Lian, contudo, o maroto duvidou de que o sangue nas roupas do avô de Angely pertencesse realmente a ele.
A inconfundível mão de Kenna, de garras afiadas e indestrutíveis, jazia no chão.
– Black. – Sirius saiu do choque e olhou de Meneldur para Ísis, que encarava seu antigo Rei com concentração e confiança. Ela sorriu de leve – Lembra-se de eu ter pedido a você que não se exibisse?
– Lembro.
– Pode se exibir agora.
Então Sirius sorriu também, sentindo cada mínima parte de seu corpo pulsar com o calor que todo aquele imenso poder trazia a seu sangue. Sentia-se capaz de fazer qualquer coisa; fechou os olhos, concentrando-se, e quando voltou a abri-los suas pupilas não passavam de meros pontos perdidos na íris alaranjada.
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– Isso foi bem rápido.
Remo abriu os olhos no momento em que a mão de Bright largou seu braço e desapareceu outra vez, então olhou para Lucy. A loira tinha razão; mal se lembrava de ter ajudado com os corpos dos Comensais, e agora...
Agora já estava no salão que os elfos-selvagens guardavam.
Era uma sala clara, vazia, enorme, talvez levemente oval. No centro dela, uma construção de mármore escuro; assim como o resto dos bruxos, Lupin adiantou-se naquela direção, varinha em punho e pronto para procurar pela Marca Negra, mas uma explosão deteve-o. O grupo entreolhou-se, Remo evitando olhar para qualquer um além dos aurores e Lucy, e o cessar do som da luta de Sirius fez com que todos olhassem para trás.
Meneldur estava correndo na direção de Ísis, um jovem avançava por trás na direção de Sirius, e Lupin não pôde deter o grito.
– SIRIUS!
E com um estrondo, a porta se fechou. Do lado de fora, ficaram os elfos, Mestiços e o jovem desconhecido; no lado de dentro, os aurores, estudantes de Hogwarts, reais Comensais da Morte e Lord Voldemort.
N/A.:
Cristal Evans: Eu sinto muito, sinto tanto que nem sei o que dizer. Eu sempre me dou conta tarde demais do quanto eu demoro pra postar os capítulos, é como se eu não percebesse o número de dias que passam entre um post e outro... Mas não existe nada que eu possa fazer para mudar o fato de que eu demoro demais, demais, demais, e eu sei que é pouco, mas só o que eu posso dizer é: me desculpe, de verdade. Se ainda estiver lendo a história... eu tenho muito o que te agradecer, as suas reviews injetaram ânimo em mim, e eu sei que já agradeci antes, mas precisava agradecer outra vez. Obrigada.
Nine Potter: Heey, tudo bem? Obrigada pela review, "nova leitora", você não tem idéia do quanto me deixa feliz saber que você gosta da fic e que a história consegue te deixar curiosa. Como eu disse pra Cristal... eu não tenho nem palavras pra expressar o quanto eu sinto muito por demorar, e eu falo sério. Esse ano foi uma loucura total... Na verdade, os últimos anos têm sido assim, mas nada justifica a minha demora, eu assumi um compromisso com essa fic e tenho falhado frequentemente com ela. A história já está no fim e – graças a Deus – eu estou de fériaas! AE! Os dois últimos capítulos serão postados logo (viu como eu não demorei tanto nesse, né?), espero que você continue lendo. Obrigada de novo!
