Capítulo 23 - That Joke isn't funny anymore

But that joke isn't funny anymore

It's too close to home

And it's too near the bone

It's too close to home

And it's too near the bone

More than you'll ever know

Mas essa piada não é mais engraçada

É muito familiar

E é muito doloroso

É muito familiar

E é muito doloroso

Mais do que você jamais vai saber

That joke isn't funny anymore - The Smiths

Quando ele dormiu, sonhou com Rosemarie Hathaway. Era completamente inesperado e o pegou desprevenido, principalmente quando viu que era um sonho induzido pelo espírito. Agora ele meio que entendia como Faith haviam se sentido violada quando descobriu sobre o seu poder especial e sua habilidade de bisbilhotar os sonhos alheios.

— Adrian. — Ela lhe deu um sorriso tímido e ele sentiu todas as suas defesas subirem.
— O que você está fazendo aqui? — Disse abruptamente. — Lissa te trouxe?
— Não, Lissa está tomando os remédios. Sonia Karp. — Rose parecia sem graça e, oh, estava mais bonita do que nunca num vestido preto que lhe parecia ligeiramente familiar.
— Eu imaginei. Lissa mal consegue entrar nos sonhos de quem não é usuário de espírito. — Adrian mudou de assunto esperando que aquilo tornasse a dor mais suportável. Era horrível saber que ela ainda o afetava daquela forma.

Seguiu-se um silêncio constrangedor e ele se perguntou se ela o estava analisando. Afinal, faziam mais de seis meses desde a última vez que haviam se visto.

— Você está diferente. — Ela finalmente disse, se aproximando.
— As pessoas mudam. — Adrian enfiou as mãos nos bolsos, infeliz. Ele podia chamar Faith, se quisesse, e as coisas ficariam melhores.
Mas aí seria o mesmo que correr para debaixo da saia da sua mãe. E confirmar que era um covarde. Não, já era hora de enfrentar aquilo sozinho.
— Eu soube do que aconteceu, por cima. Dimitri me ligou. Obrigada por curá-lo.
— Faith pediu e eu não poderia negar. — Ele a olhou. — Você não veio aqui só para me agradecer por isso.
— Nunca é a mesma coisa, falar por telefone e pessoalmente. Me conte o que aconteceu, por favor. Eu estou me matando para não pegar um avião e estar aí amanhã mesmo. — Ela passou uma mão pelo cabelo, agoniada. — E Lissa... ela está enlouquecida. Eu nunca saberia que manter o trono seria mais difícil do que colocá-la lá, e olha que isso é dizer muita coisa.
— Mas com você ao lado dela, duvido que ela corra algum perigo real.
— Isso foi um elogio? — Ela deu um meio sorriso, mas ele logo desapareceu. Alguma coisa na expressão de Adrian a fez mudar de ideia. — Adrian, me desculpe pelo que aconteceu. Eu realmente-

— Eu não quero falar sobre isso. Não com você. — Ele deu um passo para trás. — Eu vou te contar o que você quer, se isso vai te fazer ir embora mais rápido.

— Dimitri me inteirou por cima mas... ele deu a entender que não poderia falar mais. Há algo acontecendo?
— Ele provavelmente acha exatamente a mesma coisa que Faith. Há um espião entre nós. Mas... quem? Qual das pessoas envolvidas poderia saber exatamente o que iria acontecer hoje? É difícil. Acho que Faith e Eddie tem alguns suspeitos, mas esses dois nunca falariam nada para mim. — Ele procurou o seu maço de cigarros no bolso e acendeu um, mesmo aquilo sendo um sonho. Era um costume impossível de se livrar.

— E quanto à luta...
— Ah, aquilo. Provavelmente um feitiço de compulsão, como aqueles feitiços de aparência. — Todo o contexto desses estava subentendido e Adrian tinha um olhar cheio de significados. Ele havia feito um daqueles para ajudá-la a escapar da prisão, quase um ano antes.
— Ou como aquele de luxúria... — Rose falou, pensativa.
— Eu não saberia. — O tom de Adrian era sarcástico. — Nunca fui alvo de um desses.

— Oh, por favor, não seja tão sensível. — Ela cruzou os braços, parecendo ligeiramente irritada. — Em ambos os casos, eles enfeitiçaram um objeto. Mas nem Dimitri nem Brennan tinham objetos diferentes do usual em seu corpo.

— Foi a arena, o tatame, sei lá. O lugar onde eles estavam. Alguma coisa que começou a agir no momento em que os dois começaram a aula e atingiu todo mundo.
— Menos você. Eu soube que você deu uma de super-homem e se jogou do segundo andar no meio de uma briga de dhampirs para pará-los.
Adrian achou que estivesse ficando louco porque podia ouvir um pouco de orgulho na voz dela.
— Eu percebi que tinha algo de errado e se eu demorasse mais um segundo, Dimitri esmagaria Faith.
— Ou ela destruiria o rosto dele. — Rose disse com um pouco de humor. — Eu acho que nem eu seria capaz de quebrar o nariz dele. A vez que consegui imobilizá-lo eu nem o machuquei.
— Eles estavam naquilo para valer, Rose. Não é engraçado. Foi assustador, principalmente porque eles não queriam parar. Faith mal conseguia ficar em pé, Dimitri mal podia andar e ainda assim eles continuavam. Nós precisamos de quatro pessoas para segurar Faith e ela só tem um metro e meio. E Dimitri... eu tive que usar compulsão E seis pessoas precisaram segurá-lo para arrastá-lo. Que tipo de pessoa pode fazer algo assim? Fazer um feitiço tão forte assim?

— Alguém perigoso.
— Alguém perigoso que quer nos aterrorizar. — Ele hesitou um instante antes de se aproximar dela e segurá-la por um braço, assustando-a com a sua intensidade. — Rose, strigois podem fazer feitiços como esses? Igual a morois? Eles não tem magia, mas a compulsão deles... eles podem passar isso para um artefato e direcioná-la para pessoas em particular?
— Como eu iria saber? Não é como se eu tivesse um PHD em strigois.
— Pergunte para Sonia Karp ou para alguém. — Ele a soltou. — Como pagamento por eu ter curado Dimitri. Descubra isso e me diga.
— Você sabe de alguma coisa. Você acha que um strigoi faria isso?
Ele deveria contar de Oliver ou não? Olhou nos olhos dela por alguns instantes antes de lembrar dos olhos azuis de Faith e como aquilo a deixava abalada. E o que Rose faria se descobrisse que a sua guardiã tinha um perseguidor strigoi? Com certeza ela faria o que estivesse em seu alcance para separá-la dele, com medo da sua segurança. Aliás, pensando por esse lado, Faith já deveria tê-lo deixado e se descobrisse que esse ataque poderia ter ligação com o strigoi, tinha certeza que era isso que ela iria fazer.
— Temos que olhar por todos os ângulos. Os dhampirs vão provavelmente atribuir o fato a um moroi, mas nós descobrimos tantas coisas impossíveis nos últimos meses que... bem, é uma possibilidade a ser estudada.

— Isso faz muito sentido. A Irlanda está fazendo bem para você.
— É o que todos me dizem.
— Eu vou perguntar por aí. Puxar umas cordinhas, ameaçar algumas pessoas...
— Oh, você andou aprendendo uma ou duas coisas com o seu pai, hein?
— Eu não preciso que aquele velhote me ensine coisa alguma. — Isso fez Adrian sorrir e balançar a cabeça.
— Ah, Faith quer uma lista com todas as pessoas que possam saber o paradeiro de Jill.
— A lista de exigências só fica maior. — Rose brincou.— Mais alguma coisa, senhor Ivashkov?
— Não. Obrigado. — Ele a soltou, enfiando as mãos nos bolsos. — Você estava certa.
— Sobre o quê?
— Esses sonhos. Eles são cansativos.

Ela riu.
— Principalmente quando ele é indesejado, não é mesmo?
— Não é assim. — Adrian levou uma mão à cabeça, sentindo-a latejar. — Mas eu te procuro. Não o contrário. Se você descobrir alguma coisa, qualquer coisa, mande um recado por Dimitri e eu apareço.

— Eu vou esperar.
— Pelo menos uma vez na vida, hã?

A última cena que viu antes de acordar foi uma expressão que parecia de culpa no rosto da dhampir. Se xingou mentalmente por se sentir ligeiramente culpado por fazê-la se sentir assim e por se deixar afetar tanto por isso. Vê-la novamente era como se tivessem enfiado um dedo numa feria que estava prestes a se curar.
Abriu os olhos e estava espremido na maca, deitado na curva do braço de Faith, abraçando-a. Ela dormia com o queixo apoiado na sua cabeça. Adrian se desvencilhou com cuidado para não acordá-la, tirando uma mecha de cabelo do rosto da loira e beijando-a na bochecha.
Isso foi suficiente para fazê-la acordar num sobressalto, quase derrubando os dois da maca.
— Ei, calma. Sou eu.
— Adrian! — Ela levou a mão ao coração, assustada. — Você quase me matou de susto.
— Eu só queria testar se você estava alerta.
Faith tomou ar mais algumas vezes antes de se acomodar novamente, parecendo muito cansada. Adrian a abraçou pela cintura e encostou a testa na dela.
— Eu tive um pesadelo.
— Um pesadelo? — Ela soou preocupada, passando uma mão pelo seu cabelo.
— Rose pediu para Sonia Karp fazê-la aparecer no meu sonho.
— Ah, não, ela não fez isso.
— Fez sim. Ela queria saber mais informações.
— Você não tem noção de como essa habilidade é irritante. — Faith passou o indicador pelo queixo dele. — A cabeça das pessoas devia ser só delas.
— Eu entendi porque você ficou com raiva, agora. É invasivo.
— Mas também pode ter a sua utilidade, você não acha? São conversas que ninguém sabe que aconteceu e ninguém pode ouvir.
— Às vezes mais do que conversa. — Os dois sorriram e depois começaram a rir. Faith escondeu o rosto no pescoço dele. — Aliás, não tem nenhum perigo de alguém entrar aqui e-
— Shhh... — Ela levantou o rosto e encostou os lábios nos dele. — Não essa hora. Não no meio da noite. Eric foi dormir, decidido de que eu só precisava de uma boa noite de sono e não viu nada de errado em você estar aqui em cima. Só dois amigos dividindo uma maca.
— Eu me sinto um pouco culpado.
— Culpado? Por que?
— Porque eu ainda sinto alguma coisa por ela. E nesse momento, é como se tivessem misturado tudo dentro de mim e eu não faço ideia do que sinto. Por ela. Por você.
— Não, não. Adrian, você não pode esperar que as coisas se apaguem do nada. Você não pode esperar ver alguém do seu passado e não sentir nada por ela, nem que seja um pouco de saudade ou nostalgia ou seja lá que merda for essa que nós sentimos. Não há nada para ficar culpado quanto a isso, querido. — Ela lhe deu um beijo. — E quanto a mim, com certeza você não me odeia. Isso é o suficiente.
— Mas e se eu estiver te usando sem saber? — Ele soou preocupado e a apertou contra o seu corpo. — Você me odiaria.
— Oh, Addy. Só de você se preocupar com isso já é sinal de que você não está me usando. — Faith disse com carinho e o beijou no canto dos lábios.
Adrian fechou os olhos e ela sussurrou algo que o fez sorrir e eles se beijaram mais algumas vezes, cada beijo funcionando como um curativo para a sua dor.

— Venha cá, eu vou fazer a fórmula infalível da minha avó para evitar pesadelos. — Ela se acomodou direito na maca, fazendo um gesto para que ele deitasse a cabeça em seu peito.
— Fórmula infalível?
— Eu costumava ter esses sonhos horríveis quando eu tinha uns seis, sete anos e sempre acordava gritando. Nanna então vinha até o meu quarto, me deitava na cama e cantava até que eu dormisse. Quando comecei a ir para a escola e acordava assim de noite, eu mesma cantava até que eu dormisse...

— Sua avó parece ser legal.
— Tirando a parte em que ela tenta me fazer ter um filho seu e a em que ela parece ser a sua ex-namorada.
— Ah. Isso. Eu realmente devo ter feito uma primeira impressão terrível. Vou ter que arrumar tudo no natal.

— Se você tivesse feito uma primeira impressão terrível, ela não teria me ensinado com detalhes um plano maléfico para levá-lo para cama e gerar uma criança contra a sua vontade. — Ela levou a mão até a barriga inconscientemente. Adrian repousou a mão em cima da dela.

Exatemente nesse momento a cortina que circundava a cama se abriu e os dois se assustaram, se soltando com uma rapidez inacreditável e Adrian quase se desequilibrou e caiu da maca. Faith o segurou pela camisa, puxando-o.
Para a sorte deles, era Eddie.

— Vocês precisam vir comigo. Tem algo que vocês realmente precisam ver.

xxx

Faith ainda estava meio tonta, então Adrian teve que segurá-la pela cintura enquanto atravessavam o campus. Eddie caminhava impaciente na frente e quando pegava certa distância, tinha que voltar e apressá-los. Quando finalmente chegaram no seu destino, Faith estava pálida.
Era uma torre e ela explicou que era onde ficava a administração dhampir do campus. A escada era íngreme e com degraus minúsculos, subindo em espiral e iluminada por pequenas lâmpadas perto dos degraus.
— Eu não consigo subir isso.
— Eu achei que você a tinha curado, Adrian. — Os lábios de Eddie estavam comprimidos numa expressão meio severa. — Se soubesse que ela não estava bem, eu nem teria ido até vocês.
— Eu a curei. — Adrian disse na defensiva. — Mas acho que o sangue que ela perdeu não é recuperado. Ou eu ainda não faço isso direito.
— Oh, calem a boca e decidam qual dos dois cavalheiros vai me carregar lá para cima. — Ela havia se encostado numa das paredes de pedra.
Eddie suspirou e virou de costas, se abaixando para Faith se segurar no seu pescoço. Segurou-a pelos seus joelhos e fez um sinal para Adrian subir, seguindo-o depois.

— Por que é que tem essa droga dessa escada aqui? — Adrian resmungou quando chegaram em cima.
— Esse mosteiro também servia como forte. Essa torre é parte das fortificações. — Faith explicou depois que Eddie a colocou no chão, a sua tontura piorada depois dos degraus e degraus em espiral que haviam subido. — Eddie, se você puder nos levar...
— Ah, sim. — O garoto parecia ter esquecido por um instante que ele que estava no comando ali. Faith quase riu.
Caminharam por um corredor escuro até entrarem numa sala que parecia ser um escritório comum. Ela estava lotada: Dimitri estava acomodado num sofá com Hope ao seu lado, ela com uma expressão apreensiva e ele com uma expressão paciente. Na mesa, um moroi estava sentado e parecia analisar algo, com Blake parado ao seu lado, uma mão segurando a sua cadeira. Christian estava abaixado ao lado desse moroi, com uma expressão intrigada.
— Ela está aqui.
— Faith! — Blake se aproximou de Faith e a envolveu num abraço de urso. — Você não parece estar muito bem.
— Ainda estou me recuperando, Will. — Ela disse com uma vozinha quase infantil, numa intimidade que Adrian não havia visto entre eles ainda. — O que aconteceu?
— Nós achamos o que talvez possa ter causado o incidente. — Blake arrumou o cabelo de Faith de forma paternal antes de conduzi-la na direção da mesa. — Depois de vasculharmos tudo, Lorde Ozera sugeriu que vasculhassemos embaixo dos tatames e no piso e... embaixo de um piso solto nós achamos isso aqui. Abel, por favor.
Faith reconheceu o moroi como sendo Abel Desrosiers, o professor de magia elemental da escola, quando ele levantou o rosto e a encarou com os seus olhos cinzas. Abel sorriu num cumprimento antes de levantar o que estava analisando.
Ela sentiu o tempo parar e teve vontade de gritar. Como aquilo era possível?

Abel tinha nas mãos a correntinha e o camafeu que ela havia enterrado quatro anos antes, no lago perto da sua casa em Dublin. Exatamente do jeito que ela lembrava, com os selo da família do seu pai, com o pouco de sujeita, com alguns elos embolados.
— Onde vocês conseguiram isso? — Ela disse, tomando-o das mãos de Abel abruptamente e sentindo uma raiva brotar de dentro dela. — Onde?
— Faith, eu já disse. Estava embaixo do nosso salão de treinamento...
— Não é possível. Não é, ninguém sabe onde isso estava. Não é possível. — Ela olhou para o camafeu, abrindo-o e vendo as duas fotos ali dentro antes de fechá-lo novamente. Passou um dedo pelas letras encrustradas na parte de trás. — Não tinha mais nada? Um anel? Um broche?
— Só isso. É o seu, não é? — Hope perguntou do sofá, com uma vozinha insegura. — E o broche é o meu. E o anel, o de Bliss.
— Não é possível. — Faith repetiu, apertando-o em sua mão até sentir as suas formas marcarem a sua mão. — E não pode ser possível que um feitiço de compulsão haja dessa forma. Isso é só uma piada de mal gosto.

— Não que se saiba. — Abel disse. — Mas sendo seu...
— Não pode ser. — Ela repetiu. — Ninguém sabe onde isso estava.
Ela olhou para Adrian e eles trocaram uma conversa silenciosa. Ninguém além dele, mas ainda assim... Aquilo havia sido uma conversa, assim que haviam se conhecido, em um sonho. Ele não poderia ter feito aquilo.
— Tem certeza? — Adrian disse. — Ninguém?
— Foi você que fez isso, Adrian? — Ela disse de forma ríspida e ele se encolheu, parecendo um pouco ferido. — Porque além de você...
E ela parou, olhando para o conjunto de camafeu e corrente na sua mão.
— Oh meu Deus oh meu Deus oh meu Deus. — Ela largou o camafeu e puxou o telefone, discando um número rápido. — Por favor, atenda.
— Faith... — Hope se levantou e a segurou pelo ombro.
— Hope, lique para Patrick agora e pergunte por vovô. — O tom de Faith era de desespero.
Hope parou um segundo, ficando pálida e prendendo a respiração. Depois, pegou o seu celular com pressa e ele quase caiu. Ela teve que digitar o número três vezes antes de conseguir acertá-lo e Faith estava entoando um mantra de "Atende, por favor".
Todos estavam tensos. Mesmo quem não fazia muita ideia do que estava acontecendo podia ver que aquilo era importante e o desespero com que as duas tentavam contactar a família era contagiante.

Alguém atendeu, finalmente.
— O que foi? — Era a voz de Erin, a avó de Faith, mas não era exatamente quem ela queria.
— Onde está Ivan?
— Faith? O que aconteceu? — O tom de Erin era preocupado.
— Onde está Ivan, nanna? Me diga que ele está na cama reclamando e pedindo para que você volte para esquentar os pés dele. — O tom dela era quase de súplica.
— Não, ele foi visitar a sua bisavó na Escócia. Ela ligou há dois dias atrás pedindo ajuda em um assunto.
— Me diga que você falou com ele depois disso?
— Por que? O que aconteceu?
— Você não falou com ele depois disso, falou?
— Não. Faith, o que está acontecendo?
— Patrick está aí?
Erin soltou um suspiro e passou o telefone.
— Faith.
— Ligue para Ivan agora, Pat, e me avise quando conseguir falar com ele. Algo... ruim pode ter acontecido.
— É ele, não é? — O tom de Patrick era meio baixo, provavelmente para que Erin não o escutasse.
— Eu não sei. — Faith hesitou. — Pode ser qualquer pessoa. Mas... uma coisa que só ele poderia saber onde está foi encontrada e...
— Eu estou ligando. Não desligue.
— E aí? — Hope perguntou enquanto ela esperava.
— Ele foi ligar. Vovó Izzy ligou para ele dois dias atrás chamando-o para a Escócia... Nanna não houve dele desde então.
— Você acha... — Adrian se aproximou, segurando-a pelo ombro. Não conseguiu terminar, porque Patrick havia falado algo do outro lado.
— Patrick? Patrick? Repete, eu não entendi.
— Oh, Faith. Quanto tempo.
Aquilo era um pesadelo. Uma brincadeira de mal gosto.

Todos os seus medos se tornando realidade.
— Faith? — Adrian a balançou. — Ela está muito pálida, eu realmente acho que deveríamos ir embora.
— O gato comeu a sua língua, Faith? — A voz do outro lado do telefone disse, com um tom sarcástico.
Faith fechou os olhos, rezando silenciosamente para que aquela fosse a hora em que ela acordasse. Sentiu suas pernas derreterem e mil e uma possibilidades se passaram em sua cabeça. Ivan, ele estava com Ivan. Oh, meu Deus. Que Ivan ainda estivesse vivo.
— Meu amor, olhe para mim. — Adrian havia se inclinado sobre ela, preocupado, segurando-a pelos ombros.
— Oliver.

— Ah, agora sim. Você está perdendo o jeito, meu amor. — Ele imitou o tom de Adrian e ela podia imaginar o meio sorriso pela sua voz.
— Oliver? — A cor fugiu do rosto de Adrian.
— Oliver. — Ela disse, com mais firmeza. — O que você fez com o meu avô?

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Notas e comentários:

Eu tive muitas dúvidas sobre onde eu deveria terminar essa última cena. Não preciso dizer que ela continua no próximo capítulo que, muito dignamente, tem o nome de Rolling in the Deep (procurem a música, ela com certeza dá spoilers).

E sweet, sweet Oliver apareceu finalmente. Bem, por telefone, mas para que ele apareça pessoalmente... Hunm...

Tears are gonna fall, rolling in the deep.

REVIEW:

Ju Rodrigues: CARA, VOCÊ VIU O TEASER DA NOVA TEMPORADA DE TB? "ISSO É UM SONHO?" "NÃO"! AHHH, ERIC! MAGIC FINGERS! CHUVEIRO!

Ah, não, usar saia no uniforme não é legal. Sério. Imagina só você subindo as escadas e o povo olhando? Na faculdade, que não tem uniforme e vc pode ir como quiser, eu NUNCA vou de saia. Quando eu ia de vestido, um belo dia eu CAI, aí traumatizei.

Bem, a luta foi curta, então provavelmente teremos outras lutas mais emocionantes por aí... e agora, não me mate com o fim desse capítulo :D
Beeeijos! Até quinta/sexta que vem!