Capitulo vinte e cinco

Prova de amor

Severus olhava pela janela a chegada do amanhecer, sentiu que alguém se aproximava, mas não se girou, continuou imóvel e com seus olhos inexpressivos fixos nas cores laranja do céu.

— Está bem? —perguntou o loiro, atrevendo-se a fazer suavemente a um lado o cabelo de Snape para poder colocar sua mão no ombro do moreno e estreita-lo.

— Sim… Quer me acompanhar a ver a Ayrton?

— Por suposto, serei feliz de vê-lo outra vez. —sorriu enquanto estendia um recipiente com um líquido azul claro. — Bebe.

Severus obedeceu e depois de esvaziar o conteúdo do frasco permaneceu um momento com os olhos fechados, para depois empreender o caminho para a saída. Lucius ficou um segundo em seu lugar, desanimado de não ter sido esperado, mas quando viu ao moreno deter na porta e voltear a lhe olhar, então foi a seu alcance. Surpreendia-lhe e perturbava sentir-se sempre tão dependente das reações de Snape, mas ao mesmo tempo, achava que valia a pena quando gestos como esse lhe aceleravam o coração ainda que soubesse que não tinha razão para isso.

Ao chegar ao colégio notaram a quietude predominante das manhãs de domingo, em silêncio dirigiram-se para o laboratório de Severus. Este olhou como nesse momento se destilava a última gota sobre um frasco. Com profundo cuidado tomou um tubo de ensaio que encheu com a substância escura.

Lucius esperava-lhe em silêncio enquanto via ao moreno realizar um par de feitiços sobre sua criação para em seguida voltar a reunir-se com o loiro.

Juntos voltaram a sair com rumo às habitações dos Slyhterin.

Ayrton ainda dormia quando escutou que a porta de seu quarto se abriu. Arqueou uma sobrancelha ao ver a seus dois pais juntos e sem dissimular seu espreguiçar incorporou-se sentando sobre a cama, talhando-se os olhos com sono.

— Vêm a repreender-me?... não acho que seja boa ideia, é temporão e tenho sono.

— Temos vindo a dar-te sua poção, Severus contou-me o que fez.

Ayrton levantou a mirada para ver a seu pai, ambos estavam muito sérios, mas seus olhos negros brilharam ao ver o tubo de ensaio, todo rastro de cansaço se esfumou, saiu de um salto da cama para se parar em frente a eles.

— É o de dantes! —exclamou surpreendido e emocionado, arrebatando a poção a Severus.

— Assim é, queremos que a tomes agora mesmo.

Ayrton, quem tinha-se girado para olhar de perto a poção, sorriu de maneira enigmática. Voltou a dar a cara a seus pais assentindo a sua petição, levou o tubo de ensaio a seus lábios, mas no último segundo terminou arrojando contra a parede ante a mirada estupefata dos dois adultos.

— Ayrton, disse que a tomaria se era a que sempre te fazia! —bramou Severus olhando com pesar o líquido negro desperdiçado no solo.

— E creste-me? —debochou-se indo sentar-se preguiçosamente em um cadeirão. — Ai, Severus, me desilusionas, cri-te mais inteligente!

— Ayrton! —lhe repreendeu Lucius agora. — Não posso achar que seja capaz de falar dessa maneira, é seu pai e já deve entender que sua atitude se está ultrapassando!

— Você também já me fartaste!... Não quero fingir mais que sou o menino obediente. Vocês têm subestimado minha inteligência, sei muito bem para que serve esse filtro, não é nenhum vitamínico, agora que tenho estado um tempo sem o tomar posso ver as coisas com mais clareza e gosto o que tenho encontrado.

— De que está falando?

— Não finja que não o sabe, papai. —respondeu o garoto olhando ao loiro. — Têm estado opacando minha magia por anos, e isso não lhe perdoarei… agora sei o que há dentro de mim, sinto as quatro magias e é essa quarta, a mais poderosa, o melhor que me passou, não tenho nenhuma intenção de que a anulem com suas medíocres tentativas, ficarei com o que possuo.

Ayrton usou seu varinha para mudar-se de roupa agilmente ante as miradas assombradas de seus pais, notavam o avanço de sua magia para um menino que mal estava por concluir em seu primeiro ano em Hogwarts. O garoto saiu caminhando garbosamente, com o triunfo que lhe dava se saber com a saltem pelo cabo. Lucius deixou-se cair pesadamente sobre a cama, com a mirada fixa no chão.

— Talvez disse…?

— Sim, disse. —respondeu sentando a seu lado, com os ombros tão caídos como o loiro.

— Que vamos fazer agora?

— Vigiá-lo, isto tem sido minha culpa, eu o farei.

— Não é sua culpa, simplesmente achava que era o melhor, se eu posso entender isso, Severus, acho que você também deveria o fazer.

— Lucius, eu… acho que deveria me desculpar contigo, não achei que fosse passar isto, e ademais, não quero que pense que te estou usando ainda que o pareça.

— Usando-me você a mim? —inquiriu permitindo-se um tênue sorriso.

Severus também sorriu, ainda que com mais amargura, não podia fazer de outra forma nesse momento. Lucius tomou-lhe da mão tentando infundir-lhe ânimo.

— Te pagaria para que me usasses sabe?

— Deixa de caçoar. —pediu Severus suspirando cansado. — Será melhor que nos vamos.

— Deixa-me dar-te um abraço?

O moreno não se negou, e não porque quisesse um abraço do loiro, senão porque mal estava lhe prestando atenção, sua mente ia do comportamento de Ayrton à angústia por Harry. Lucius decidiu aproveitar o momento e suavemente atraiu a Severus abraçando-se dele. Justo nesse momento a porta abriu-se e entrou Ayrton.

— Caramba!... que coisa mais inesperada. —comentou sorridente. — Que pensaria Harry se visse isto?

— Ayrton, não faça teias de aranha em sua cabeça, e te proíbo que tente meter a seu pai em problemas porque eu mesmo me encarregarei de te desmentir. —assegurou Lucius com firmeza.

— Já, tranquilos, que não direi nada. Eu tão só voltei para me levar um livro que esqueci… os deixo sozinhos para que sigam com seus carinhos, par de travessos.

Depois de piscar um olho, Ayrton saiu de sua habitação. Lucius sorriu nervosamente, voltando a apertar a mão ao moreno.

— Não abrirá a boca, não lhe convém.

— Acha que tenha alguma diferença?

Severus pôs-se de pé e depois de despedir-se curtamente do loiro saiu da habitação. Duvidou muito em regressar à sua, mas sabia que não ia poder o pospor demasiado tempo, de modo que ao entardecer, depois de passar a metade do tempo destruindo seu laboratório e a outra metade recompondo o perdido, entrou a seu quarto sentindo que as mãos lhe tremiam.

Harry estava sentado sobre sua cama, e ao vê-lo, rapidamente foi para ele.

— Onde estava? —perguntou preocupado. — Está enojado comigo?... entendo que o esteja, o que disse ontem à noite…

— Agora não tenho vontade de falar. —respondeu esquivando-lhe com a intenção de refugiar no banho.

— Sev, quero desculpar-me contigo, faz favor. —insistiu voltando a atalhá-lo. — Compreende-me, me exaltei e disse coisas sem pensar, mas é que quando se metem com meu filho sou capaz de reagir como feroz, é algo que não posso evitar, mas sei que ontem à noite falei a mais.

— Disse o que sentia, e não tem que se desculpar… tem deixado claro quais são seus sentimentos com respeito a Ayrton.

— Para valer, não te enoje comigo.

— Não estou enojado… tão só quero estar sozinho.

Severus fez a Harry a um lado, esqueceu-se do banho e foi encerrar-se em seu despacho. Harry ficou em seu lugar, mas para não deprimir-se a mais, exalou fundo e foi em busca de seu filho, com Anthony podia se sentir melhor.

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Em uma semana tinha passado, Harry estava satisfeito de ver que Anthony tinha voltado a ser o menino brincalhão e inquieto de sempre, mas sofria em silêncio ao ver que Severus se mantinha distante dele, quase não lhe falava, evitava sempre estar a seu lado, e já não dormia em sua cama, tinha feito do cadeirão de seu despacho um lugar para passar as noites, que ainda que incômodo, não o abandonava.

O leito matrimonial sentia-se tão frio e vazio que Harry não podia evitar chorar a cada noite, nenhum de suas tentativas por acercar a seu esposo dava resultado e estava começando a se assustar… estaria vivendo o final de sua relação?

Ainda que ambos tentaram ocultar dos demais, foi impossível que não se dessem conta. Os dois luziam muito tristes à cada momento e só trocavam palavras quando Anthony estava presente, em frente a ele simulavam que nada passava, mas quando o menino se ocupava de seus estudos ou se ia jogar, voltavam novamente ao silêncio.

Harry era quem mais parecia tentar romper com isso, mas quando abria a boca, Severus se marchava sempre com algum pretexto.

— Pois que lhe fez, Potter? —perguntou Draco depois de que em um dia, já quase em um mês depois, Severus fingiu não ter escutado que Harry lhe propunha dar um passeio depois do jantar e se marchou para suas habitações se levando a Anthony consigo.

— Já me desculpei com ele, e realmente não acho que seja para tanto, mas acho que já não lhe interesso como dantes. —respondeu triste.

— Dá-lhe tempo, Harry. —propôs Remus. — Severus é orgulhoso, mas não acho que queira te perder, você e Anthony são sua família.

Harry assentiu em um suspiro, não pôde dizer mais, pois Draco se dobrou sobre si mesmo gemendo afogadamente.

— Que passa? —perguntou Remus pondo lhe toda sua atenção.

— Parece-me que seus filhos já querem nascer.

— Mas, ainda não é tempo não?

— Não acho que isso lhes interesse muito… mas tranquilo, é normal que se adiante sendo gêmeos, leva à enfermaria, faz favor.

Remus assentiu tranquilizando-se pela serenidade que mostrava seu esposo. Harry decidiu ir com eles para ajudar no que fosse necessário.

Uns minutos mais tarde, Draco tinha-se recusado a ser transladado a San Mungo, nenhum argumento pôde convencê-lo e acedeu só a que um medimago experiente em gravidezes masculinos fosse ao atender a Hogwarts. Uma cesárea era imprescindível, mas quando ele mesmo se assegurou que seus filhos estavam bem e o risco era o mesmo em um lugar que em outro, Draco decidiu que se levasse a cabo na enfermaria.

Os demais tiveram que aceder a sua petição, se enviou por um medimago que anestesiara, e foi a mesma Poppy quem se encarregaria de assistir na cirurgia. Remus ficaria como espectador a petição mesma do loiro e todos os demais deveram sair.

Harry encontrava-se com Dumbledore em um cadeirão de uma improvisada salinha de espera quando viu entrar a seu esposo. Este lhe olhou um segundo antes de dirigir para o diretor do colégio.

— Acabo de receber sua mensagem, como está Draco?

— Parece que bem, ainda não sabemos muito.

— Têm avisado a Lucius? —perguntou preferindo não olhar a seu esposo, um bufo de sua parte lhe avisou que sua pergunta não era bem recebida.

— Não, sinceramente não o pensei.

Severus assentiu murmurando algo que Harry escutou como "eu o farei". Depois de vê-lo sair, Dumbledore olhou a seu ex aluno notando seu decaimento e desejos de chorar.

— Que está passando entre vocês?

— Quisesse sabê-lo… ainda que provavelmente a resposta seja dolorosa.

Dumbledore não disse nada, nem sequer quando Severus voltou e se sentou a seu lado e não junto a Harry. Um pouco depois Lucius fez seu arribo, olhou-lhes aos três sentindo-se completamente fora de lugar, por um momento pensou em marchar-se sabendo que sua presença causava tal incomodidade, mas era seu filho quem estava dando a luz, de modo que não ia permitir que os ciúmes de Potter lhe afetassem.

Ocupou um lugar cerca de Severus agradecendo-lhe em um sussurro por ter-lhe avisado e uniu-se ao silêncio dos demais.

Uma hora mais tarde, por fim teve notícias.

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Não tiveram que esperar muito para poder entrar. Harry sorriu ao ver a Remus embobado olhando um par de presépios colocadas junto à cama de Draco. Este luzia como se tivesse ido mais a um salão de beleza que ter saído de uma cirurgia, quase pôde o imaginar renegando de que entrasse ninguém até que não estivesse bem apresentável… realmente o loiro tinha chegado a lhe agradar o suficiente como para se sentir feliz por ele.

— Obrigado por vir. —saudou lhes Remus convidando-lhes a passar. — Apresento-lhes a Thelma e Allen.

Remus sustentou em braços a um dos bebês, estava ataviado de um traje azul e uma mantinha do mesmo tom. Lucius foi o primeiro em acercar-se, admirando a seu primeiro neto, e parecia-lhe formoso, seu cabelo era de um café dourado, mas suas facções eram mais parecidas às de Draco.

O recém estreado pai olhava-lhes desde sua cama, sem poder dissimular sua alegria ao ver a seu pai e a Remus sem discórdia entre eles, unidos pelo mesmo sentimento de orgulho e amor pelo bebê que olhavam.

Harry aproveitou para inclinar-se para o outro berço, sentiu uma enorme ternura ao ver a pequena bebê e não pôde evitar a sujeitar em braços. Fazia muito tempo que não tinha essa sensação de sustentar um menino tão pequeno cerca de seu corpo, e o rosa do vaporoso roupão que tinha o bebê lhe fez apertar os lábios para conter a emoção.

Buscou a Severus com a mirada descobrindo que este também lhe estava observando ainda que no último momento desviasse o rosto para dissimula-lo. Lentamente acercou-se para ele, mostrando à belíssima menina loira que levava.

— Parece um anjo verdade? —lhe sussurrou timidamente.

Severus girou-se a olhar ao bebê e assentiu. Nenhum deles se dava conta que todos tinham guardado silêncio e lhes observavam.

— Nós também queríamos ter uma menina… gostarias ainda?

— Harry…

— A mim sim, Sev, eu…

Severus levantou a mirada encontrando com os olhos esperançados de Harry, mas depois voltou a vista para sua esquerda a onde Lucius se encontrava sustentando agora a seu neto em seus braços. Então despediu-se rapidamente e saiu apressado como se tinha convertido em seu costume.

Lucius voltou a concentrar em seu neto, e Draco, tentando mudar o ambiente, pois parecia que Harry se ia pôr a chorar de uma hora para outra, lhe chamou adotando o tom que usava quando eram estudantes.

— Hey, Potter, cuidado com Thelma que não penso te fazer uma a ti.

Harry olhou-lhe sorrindo-lhe ligeiramente, caminhou para a cama pondo à menina em braços de seu pai.

— Felicito-te, Draco, sua pequena mimada é a menina mais formosa que tenho visto.

— Eu sei. —admitiu sem falsa modéstia. — E ainda que seguramente não será tão linda como Thelma, não duvido que cedo terás uma própria, ademais, que te valha, Potter, porque minha filha precisa uma amiga entre tanto garoto que terá a seu redor.

Esforçando-se em sorrir, o moreno assentiu, mas já não pôde ficar muito tempo, não suportava ter a Lucius tão perto quando uma dúvida se tinha apoderado de seu coração depois de atingir a notar o intercâmbio de miradas entre este e seu esposo.

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Essa noite, depois de dormir a seu filho, Harry voltou a sentir o ferrão na alma ao ver sua habitação vazia. Girou a cara para a porta que conduzia ao despacho e viu que tinha luz baixo dela, mas em seguida se apagou, suspirou pensando que Severus já se dispunha a dormir, novamente sem ele.

Pôs-se seu pijama para meter-se baixo as cobertas, mas não passaram nem dez minutos quando soube que não ia poder seguir assim por mais tempo. Já tinha rogado demasiado, era hora de saber a ciência verdadeira o que estava sucedendo.

Foi para o despacho de Severus, grunhindo ao ter que usar sua varinha para romper o feitiço que seu esposo tinha colocado para evitar que alguém entrasse. O professor encontrava-se recostado em seu sofá, de costas a ele, mas estava seguro que não dormia ainda. Acurtou a distância que os separava se ajoelhando para poder lhe falar, ainda que Severus fingia não se ter dado conta de sua presença.

— Sei que me escuta… —lhe disse suavemente. —… se não quer falar, está bem, mas me deixa te dizer o que sinto.

Harry sacou ar de seus pulmões, não queria se pôr a chorar, mas era demasiada a angústia que sentia que, por mais que o tentou, sua voz saiu avariada quando acariciou o cabelo de seu esposo espalhado pela orla do sofá.

— Amo-te, Sev, mas não posso seguir assim… Se já não me quer, só tem que me dizer, não sou estúpido e sei que as coisas não são o mesmo. Reconheço meus erros, no entanto, é-me impossível ir-me sem que me peça… não voltarei a te fazer o mesmo que faz seis anos, Severus, por isso te peço que o diga agora, diga que me vá, que já não quer que siga vivendo aqui e sairei de sua vida.

Harry esperou uns segundos sem obter resposta, finalmente voltou a tomar ar, e inclinando-se para perceber o aroma de Severus, fechou os olhos tentando gravá-lo para sempre em sua memória enquanto grossas lágrimas escapavam apesar de tudo umedecendo suas negras pestanas.

— Nem sequer para jogar-me vai voltar a dirigir-me a palavra? —soluçou quedamente. — Sev, acho que não se atreve a me reclamar minhas falhas… bem, estarei em nossa habitação, se em meia hora não vai, terei entendido que não quer me ver mais e então me irei. Deixarei a Anthony contigo, me vou conta que ele estará sempre melhor junto a ti e não teria o valor de voltar aos separar sabendo quanto se precisam, mas tenho que te advertir que virei ao ver todos os dias… se não quer que nos encontremos, tão só deixa uma mensagem com Dumbledore em onde posso passar por meu filho.

Harry pôs-se de pé e regressou a seu quarto. Tirou as lágrimas de seu rosto e dedicou-se a guardar suas coisas em um baú, não tinha nenhuma esperança de que Severus abandonasse essa atitude que se fixou nele por semanas.

Foi para o quarto de Anthony, aí novamente chorou. Seu filho dormia placidamente sem ter ideia do que estava passando entre seus pais. Harry deu-lhe um beijo na testa e com cuidado de não o acordar, tomou um dos pergaminhos do menino e escreveu sua despedida lhe explicando que cedo voltariam a se ver. Deixou a carta na cabeceira da cama e regressou ao quarto por suas coisas.

Acabava de abrir a porta levando seu baú atrás de si quando escutou um ruído a suas costas, instintivamente se girou a olhar. Severus estava na porta que conduzia a seu despacho e lhe olhava de uma maneira angustiante.

— Já me ia. —sussurrou Harry voltando a empreender a marcha.

— Espera… —pediu debilmente. —… Harry, não é você… sou eu.

— Essa é uma desculpa barata, Severus, é mais inteligente que isso… Não me subestime pensando que creria algo assim. Está enojado pelo que disse de Ayrton, isso é tudo, e se não podes me perdoar…

— É que é a verdade! —exclamou sem poder evitar levantar a voz com desespero.

Harry fechou a porta, intrigado pela voz afetada de seu esposo, e então viu-o chorar enquanto deixava-se cair sentado em uma cadeira atrás de ele, se cobrindo o rosto com as mãos.

— Não posso permitir que se marche como se fosse um delinquente porque o que tem falhado aqui tenho sido eu.

— Severus…

— Voltei-te a falhar, Harry… igual que faz seis anos… voltei a enlodar nosso casal.

Harry demorou um par de segundos em processar essas palavras, negava-se a achar que significavam o que cria, mas parecia que não tinha nenhuma dúvida… os joelhos se lhe dobraram sentindo que o mundo se derrubava a seus pés.

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Nota tradutor:

Parece que Severus num aprende!

Vejo vocês no próximo capitulo

Ate breve

Fui…