_Não fique assim mãe, Ino sempre soube se virar muito bem sozinha. Deixe que ela siga seu próprio caminho quem sabe ela não aprenda a ser uma pessoa melhor. –forçou um sorriso para encorajá-la.
_Olhe só para mim, toda preocupada com uma filha que só me dá desgostos enquanto a melhor filha que poderia ter está bem aqui ao meu lado. Mas pareces infeliz, o que houve?
_Vim para ficar um tempo.
_Permita-me mudar a questão então, o que seu marido lhe fez?
_Envolve fatos muito sérios. O responsável por meu "sumiço" fez muitas coisas erradas no passado, inclusive é o mandante dos assassinatos de Fugaku e Mikoto. Porém mamãe, á mim ele não fez mal algum e pude perceber o quanto sua mente estava abalada. Sasori nunca teve ninguém, por isso agia daquela maneira. Eu implorei á Sasuke que não o matasse naquele mesmo momento e milagrosamente ele o livrou da morte. Só que meu marido passou a duvidar de mim, crendo que sinto algo mais que compaixão por Sasori. –terminou seu desabafo respirando profundamente.
_Posso lhe dar um conselho? Você se colocou no lugar desse tal de Sasori e compreendeu seu sofrimento, pois agora se coloque no lugar de Sasuke, acha mesmo que seria fácil lidar com o responsável pelo assassinato de seus pais, o qual quase matou também seu irmão e sequestrou sua esposa? Não pense que está sendo fácil para ele ou que é apenas um capricho, como você mesma disse é um assunto muito sério. –aconselhou sabiamente á filha.
Sakura ouviu atentamente e em seguida ficou pensativa, sua mãe estava certa. Sasori sofreu, mas Sasuke também passou por maus bocados por essas mortes e ainda por cima foi acusado injustamente por elas.
_Não fique brava comigo, mas eu também percebi que ficou diferente ao falar desse outro rapaz. –disse com o olhar avaliativo.
Sua mãe lhe conhecia melhor do que ninguém mesmo.
_Sasori... disse coisas que eu nunca ouvi de nenhum outro homem e foi o único que beijei além de Sasuke. –respondeu envergonhada corando.
_Está amando-o?
_Não! De maneira alguma. Acabei me apaixonando por Sasuke, só gostaria que ele me dissesse coisas carinhosas, que não fosse sempre tão frio. –disse lembrando-se de todas as coisas que já ouvira do marido.
_Quanto á isso deve ser mesmo muito difícil para ele. Fugaku, seu pai, a referência masculina era assim também, ele não gostava nem que Mikoto mimasse demais os filhos, acreditava que demonstrações de amor os deixariam menos homens, que bobagem. Mas além da genética dos Uchihas e a criação, deve ser o gênio de Sasuke, quieto e reservado. Lembro-me que quando criança ele era tão alegre e sorridente, logo também carinhoso e meigo, mas sempre menos do que Itachi, que sempre foi mais ligado á mãe. –falou lembrando-se com saudade do tempo em que trabalhara no palácio ao lado de sua falecida amiga.
Sakura sorriu diante daquilo, quem diria que um dia o Uchiha poderia ter sido meigo, carinhoso e sorridente! Pensando bem seria maravilhoso ter pequenos de olhos ônix e cabelo ébano correndo pelo palácio sorrindo. Mas antes de continuar com qualquer plano para o futuro, principalmente um que envolvesse o moreno teria que reconciliar-se com ele, e o faria no dia seguinte.
Estava agitado, desinquieto e por mais que sua mente lhe dizia que tudo estava se reencaminhando aos seus devidos lugares, sentia como se algo estivesse faltando.
A quem estava tentando enganar? Era ela. Sua extremamente bondosa e irritante esposa que ele mesmo "dispensara". Não costumava se arrepender de suas atitudes, mas porque será que sua consciência não o deixava em paz? Talvez tivesse sido duro demais, mas ela também havia errado defendendo com tanto fervor aquele que quase destruíra pela segunda vez sua vida. Não. Sakura havia ido muito longe e ainda permitira que ele a beijasse, era ingênua, Sasori deve tê-la manipulado, persuadido... seduzido. A ideia só o deixou ainda mais nervoso, então resolveu tentar algo que não fazia há muito tempo, na verdade desde que conhecera a rosada.
_Sasuke-sama me alegra saber que estás vivo. Como vai Sakura? Não a vejo há tanto tempo. –perguntou a loira sem pensar na situação.
_Sakura está com seus pais. –respondeu seco.
_Então, em que posso lhe ser útil? –perguntou agora ciente de que as coisas entre o casal Imperial não estavam nada bem. Será que Sakura quis ou o Uchiha se desfez dela?
_Traga-me uma bela moça, como antigamente.
Tsuande obedeceu, porém sua mente agora estava na rosada na qual ficara tão apegada por mais que estavam distantes ultimamente.
Sentou-se na beirada da cama olhando fixamente para a porta de sua suíte, adoraria que Sakura entrasse pela aquela porta e ele pudesse acabar com esse desejo, mas isso não aconteceria e ele não ia ceder, mesmo que a mulher que queria naquele momento estava distante de si.
Uma jovem entrou com o olhar assustado lhe encarando como se estivesse diante de um predador. Possuía cabelos ruivos alaranjados e vestia um yukata verde, era bonita, admitiu.
Levantou e se aproximou, a garota tinha a respiração descompassada, mas não tremia, notava-se que era determinada e sabia o que poderia sofrer.
Pegando-lhe pela nuca, quis beijá-la logo a fim de saciar o que lhe consumia. Mas não estava funcionando, seus lábios não possuíam o mesmo gosto e sua pele não emanava o aroma de cerejas.
Afastou-se, ordenando:
_Tire a roupa.
A garota sem pestanejar obedeceu. Retirou o yukata apressadamente.
Tinha um corpo bonito, até mais cheio de curvas, mas a textura da pele jamais se igualaria á da esposa.
Irritado e frustrado consigo mesmo, admitiu que não adiantava... não queria, ou melhor, não conseguiria ter outra mulher á não ser ela, a mais bela e unicamente sua: Haruno Sakura.
Retirou-se dando as costas á moça que ficou sem entender. Passou pelo salão em passos duros.
Tsunade foi ao encontro da garota que saia do quarto novamente vestida com o yukata:
_O que você fez de errado?
_Nada. Obedeci-o prontamente, mas ele mal me tocou.
A loira constatou então por sua experiência que ele sentia algo por Sakura: amor ou simplesmente desejo, mas era por ela que ele ansiava.
