"Ah, o casal" Sirius nos cumprimentou ao abrir a porta, um sorriso maroto no rosto enquanto dava um passinho para o lado para que pudéssemos entrar na casa de James. Eu, antes mesmo de pensar em colocar o pé para dentro, espiei para ver se havia alguém na sala de estar, mas desviei rapidinho os olhos por não saber o que faria caso realmente houvesse "Caíram da cama?"

"É você quem parece que foi tirado à força"

"Você conhece a mãe que tem, Jay" ele respondeu, levantando os olhos de mim para James. Deu outro passo para trás – deve ter reparado na quantidade de bolsas - e nos deixou entrar e eu, antes mesmo de voltar a relancear os olhos pela sala, quase suspirei em alívio ao sentir a já perceptível diferença de temperatura "Dormir até as oito e meia significa ficar sem comer alguma coisa por mais tempo do que ela acha que o nosso organismo vai agüentar"

Eu sorri com isso, me lembrando do aniversário de casamento de Petunia e do que James me falara sobre a mãe. Serviu para que um pouco do meu nervosismo desaparecesse; no caminho de volta para Londres, eu só conseguia me acalmar ao repetir para mim mesma tudo o que James me dissera sobre os pais. Segundo ele, mais formais que os meus – o que, para mim, não era nenhuma grande surpresa, porque eles eram mais velhos, criados em uma época diferente e, ainda por cima, nobres. Nobres, mesmo que todo mundo dissesse que isso não era exatamente importante -, mas não havia nada mais de diferente para que justificasse o nervosismo que eu estava sentindo.

E o jeito dele de tentar me acalmar foi o melhor, apertando minha mão de um jeito carinhoso e sorrindo para mim. Mesmo aqui, no jardim da casa dos Potter, quando eu vi a casa e me impressionei com ela. Não que fosse um mini Palácio de Buckinhan ou algo assim mas, do mesmo jeito, era magnífica; tinha um jardim condizente com os tamanho de uma propriedade em Londres, mas era extremamente lindo, combinando perfeitamente com a entrada da casa. E esta, em si, também era linda, tanto a fachada quanto a sala; era, quase diferente do que eu pensara, até mesmo acolhedora, com móveis antigos que combinavam com o estilo georgiano e uma janela gigantesca na lateral que era, simplesmente, demais.

Era linda. E linda de um jeito que não me deixava intimidada.

"Pronta, Lily?" Sirius me perguntou, me fazendo levantar os olhos para ele. Eu sorri em resposta ao sorriso divertido que ele tinha, aceitando entregar a ele algumas das sacolas que eu segurava para que pudesse tirar o casaco "Para..."

"James?" ele se cortou e olhou para trás, abrindo o sorriso e dando outro passo para o lado. Devia ser a mãe de James, o que fez meu coração acelerar um pouquinho com a perspectiva de, finalmente, conhecê-la "Como vai, filho?"

Senti James sorrir ao meu lado, a mão deixando a parte baixa de minhas costas. Inclinou-se para beijar a testa da mãe, um gesto tão carinhoso e tão gentil que me fez sorrir de um jeito diferente só pelo prazer de observá-lo.

Ele era muito mais do que eu achei que fosse no começo.

"Ms. Evans"

"Mrs. Potter" cumprimentei, fazendo de tudo para esconder o nervosismo ao abraçá-la de volta "Como vai?"

"Tudo bem, querida" respondeu, sorrindo, os olhos claros acompanhando o movimento. Parecia uma pessoa adorável "São os presentes?"

Meneei afirmativamente com a cabeça.

"Por que não deixa com James e Sirius?" perguntou, o tom de voz totalmente gentil "Mostro a casa a você e, no meio do caminho, vejo se encontramos Charlus para que possamos trocar"

Prendi a vontade de olhar para James.

"Seria ótimo" respondi, virando-me um pouco para Sirius quando ele tocou meu braço para pegar o resto das bolsas. Até agora, me parecia, tudo estava ótimo, e eu me permiti soltar devagar um suspiro porque...

"Relaxa, Lily" Sirius disse para mim, baixo, enquanto eu deslizava as sacolas do meu braço para que pudesse entregar a ele. Parecera escolher o momento perfeito, com James conversando com a mãe sobre alguma coisa a uma distância suficientemente boa para não nos escutar e nem ver o sorriso que ele soltava para me acalmar "Eles me aceitaram na casa deles quando me desentendi com meus pais. Fizeram mais por mim do que eles fariam. Não são pessoas ruins"

Pisquei os olhos em resposta, sentindo um sorriso surgir pouco a pouco em meu rosto conforme eu realizava as palavras dele.

E, então, eu relaxei. Um pouco, mais relaxei.

"Obrigada"

Ele só me piscou o olho antes de seguir para o lado de James, que sorriu para mim, beliscou meu queixo e murmurou um 'Já volto'. Observei-o, então, dar as costas e começar a se dirigir em direção às escadas, parando em uma parte do caminho para que Sirius pudesse alcançá-lo.

"Venha por aqui" Dorea me chamou, e eu a segui pela sala até ao que parecia ser um corredor lateral. Por um segundo, desviei os olhos de suas costas para olhar a decoração; cada quadro parecia mais bonito que o outro e cada pequena escultura mais delicada que a outra, tudo tão esplendorosamente lindo e perfeito que eu não queria deixar de olhar "Gosta de arte?"

Pega no flagra, quase corei "Muito"

"Alguma época favorita?"

"Gosto muito do Impressionismo" respondi, e não apenas porque a maioria dos quadros ali era impressionista "Monet e Renoir. E, fora desse movimento, gosto muito de Rembrandt e Michelangelo"

"Tem bom gosto"

"A senhora também" retruquei, me aliviando um pouco mais com o rumo que a conversa estava tomando e, dessa vez, me permitindo sorrir ao chegarmos em uma outra sala. A de jantar, a julgar pela grande mesa no centro "E não só para... ei, esse é o James?"

Ela parou o movimento de contornar a mesa e seguiu a direção de meu olhar, sorrindo e pegando com a mão o porta-retrato. Minha pergunta era desnecessária; era óbvio, simplesmente, que o garoto de mais ou menos seis anos era James, fazendo uma careta para a câmera enquanto segurava uma medalha.

Que gracinha.

"Foi a primeira medalha dele no futebol" explicou, ainda sorrindo "Logo de ouro. A segunda foi de prata, e ele não gostou nem um pouco"

Ela apontou para uma outra logo ao lado. Eu ri, leve, ao ver James, carrancudo e com os braços cruzados, fazendo um biquinho birrento enquanto olhava para a câmera.

"Nunca gostou de perder" continuou, agora devolvendo o olhar para mim "Quis esconder a medalha e, quando todo mundo perguntava como foi o campeonato, ele fechava instantaneamente a expressão e murmurava alguma coisa em resposta"

Dessa vez, minha risada foi mais alta

"Venha. Tenho que mostrar o primeiro da escola"

"James já me falou deles" comentei, seguindo-a em direção a uma outra porta "Atacante, não é?"

"E capitão" ela concordou e acrescentou ao mesmo tempo, abrindo a porta. A nova sala parecia ser destinada a jogos; havia quatro mesas redondas e uma retangular mais ao canto mas, sem querer exatamente saber daquilo naquele momento, procurei pelas fotografias na cômoda "É essa daqui"

Peguei o porta-retrato que ela me estendia, sorrindo ao ver um James de mais ou menos doze anos pulando nas costas de um garoto um pouco mais velho. Ele já não era tão magrinho quanto aos oito anos e parecia que, em um ano, um pouco de...

Ei.

"Esse é o Sirius?"

"É, ele mesmo" e pegou outra foto, colocando de volta no lugar a que eu lhe devolvera "Esses são os quatro aos quatorze anos"

Olhei para a foto, abrindo o sorriso ao passar os olhos por James – que sorria, aberto, o cabelo bagunçado e a expressão divertida e ligeiramente arrogante – e, depois, por Sirius e Remus. Eu não conhecia o quarto garoto mas, de uma certa maneira, ele se distanciava dos outros três; era mais baixinho, gordinho, e tinha uma expressão diferente da dos amigos.

"Você os conhece?"

"O Sirius e o Remus" respondi, agora olhando com mais atenção para esses dois. O primeiro era lindo já nessa idade, e o segundo parecia tão calmo e tão divertido quanto agora "É o Peter?"

"É" e, então, me mostrou uma outra foto, e ficamos ali por mais um tempo até que ela me chamou para ver a cozinha e, então, o segundo andar. Subimos as escadas – com uma pintura da família de Charlus na corte dos Habsburgo, veja só...! - conversando, animadas, sobre James, até o encontrarmos com Sirius no meio do corredor e seguirmos com os dois para uma porta que se abria quase no final deste.

E foi quando James segurou minha mão e me deu um beijo rápido nos lábios que eu percebi que já estava bem mais calma que antes.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoO

"Ah, ele me contou sobre isso do Peter...!"

"E contou da vez em que..."

Sirius e eu nos entreolhamos, ele revirando os olhos de um jeito meio provocante quando eu não consegui impedir um sorriso rápido.

"Ele é meio atrapalhado, esse garoto. Uma vez, ele veio aqui no verão e deixou uma bola de futebol rolar escada abaixo, mas ela bateu em uma divisória e foi para o corredor do segundo andar. Ele alcançou perto da sala de pintura e, então, tropeçou nela e caiu em cima de um quadro em que estava trabalhando por duas semanas"

Nós dois rimos ao nos lembrar dessa história, e nossa risada deve ter sido suficiente para que chamasse a atenção das duas; imediatamente, elas olharam para a gente ainda da metade da escada, Lily um pouco corada e minha mãe sorrindo ao nos ver.

Sorri também.

"Ei" cumprimentei, estendendo a mão para Lily. Ela a pegou e acelerou ligeiramente o passo nos dois últimos degraus, piscando os olhos na direção dos meus quando me inclinei para lhe dar um beijo rápido nos lábios "Qual a graça?"

"Sua mãe estava me mostrando algumas fotos suas" me respondeu assim que entrelaçamos nossos dedos, soltando um sorriso divertido, mas discreto, para mim "Vi uma em que você estava lindo, emburrado porque tinha recebido uma medalha de prata"

"Sete anos?" perguntei, sorrindo quando ela olhou rapidinho para Dorea em busca de confirmação "Não adianta o que me digam, esse jogo foi roubado. Eles me anularam um gol legítimo"

"Repare que é o que todos dizem" Sirius comentou ao meu lado, piscando o olho para Lily antes de passar pela gente e seguir minha mãe mais de perto "As regras só não podem ser seguidas quando tem relação com a gente. Pergunte se ele se importou com isso no jogo do primeiro ano"

"Ah, por favor. Você estava nesse jogo comigo. E, de qualquer jeito, já estava quatro a um, um quinto não ia fazer diferença"

"Um 'cinco' é bem mais sonoro"

"Claro que é. O que eu estou dizendo é que..."

"Brigam como irmãos" minha mãe me interrompeu, olhando para Lily por cima do ombro "Sirius, quando veio para cá, disse que não precisávamos nos incomodar e que poderia ficar no sofá do quarto do James, mas isso seria pedir para termos a casa demolida"

"Está sendo exagerada, Dorea" Sirius defendeu "Nós dividíamos o quarto na escola"

"E a escola sofreu as conseqüências, e isso porque o bom Remus ainda conseguia fazer com que vocês se segurassem um pouco." ela retrucou, e eu prendi a risada quando Lily estreitou os olhos na minha direção "Mas não vamos abrir uma discussão sobre isso. Aqui, querida"

Lily deixou minha mão e deu um passo à frente, entrando na sala de pintura logo atrás da minha mãe. Seus olhos foram da janela – um pouco maior para que entrasse um pouco mais de luz do sol em um dos poucos dias ensolarados de Londres – para as várias telas, piscando os olhos e deixando um sorriso surgir no rosto.

"Ela não consegue passar um dia sem pintar alguma coisa" comentei, me apoiando de lado na parede "Acho que é a segunda maior decepção da vida dela em relação à mim"

"Se é difícil mantê-lo concentrado hoje, imagino como era mais novo" Lily retrucou, andando em direção a um quadro de paisagem "Eu gostaria de saber pintar"

"Não consegue?"

Ela negou com a cabeça.

"E eu tentei" respondeu "Mas parece que todo o talento artístico do grupo ficou com uma amiga minha"

"Ela desenha muito mesmo" Sirius comentou, piscando os olhos quando todo mundo olhou para ele "Mckinnon, não é?"

Lily sorriu e fez que sim.

"Marlene ia adorar ter uma sala assim só para ela" disse, chegando mais perto de um outro quadro "Esse está tão lindo"

"É o que eu mais gosto de pintar" e era só olhar para o lado para saber que sim, paisagens de outono e inverno eram mesmo as favoritas de Dorea "Como James disse, não consigo passar um dia sem pintar, exatamente da mesma forma que Charlus não conseguia deixar passar uma temporada de caça. Aliás, James, ele está lá?"

Encolhi os ombros.

"Fui lá de baixo para o meu quarto e, de lá, para a sala de TV" respondi "Vou lá..."

"Nós vamos com você. Ela precisa ver vocês dois na África" minha mãe me interrompeu mas, antes mesmo de começar a andar em direção à porta já olhava para Lily "Charlus e eu costumávamos ir para lá quando James ainda não era nascido, e..."

Deixei de prestar atenção e olhei de soslaio para Sirius.

"Lily pareceu perder o medo"

"Qualquer um perde depois de ver você em situações constrangedoras. Quem pode ter medo quando pode se divertir?"

Acertei-lhe as costelas com o cotovelo "Você não presta, Black"

Ele sorriu e, sem responder, desviou os olhos para as duas.

"É, ela pareceu perder o medo" concordou "E você está feliz por isso"

Sorri "Muito"

Ele arqueou a sobrancelha.

"Ela é demais" continuei, agora também olhando para elas. Havíamos chegado à sala destinada à caça; Lily, agora, arregalava os olhos ao ver uma armadura medieval, perguntando alguma coisa sobre o brasão dos Potter e a pintura do meu avô paterno. Estava linda, curiosa daquele jeito, escutando com atenção tudo o que minha mãe dizia "Tudo o que eu sempre quis, por mais romântico que isso possa parecer"

"Não parece, James. É" ele disse "Sinceramente? Não achei que fossem passar o Natal na casa do outro. Cedo demais"

"Não é? Se fosse qualquer outra, eu nunca pensaria nisso" respondi, rindo um pouco "Vamos passar o Réveillon juntos em Paris, e eu dei a viagem a ela muito mais por causa dela do que por minha"

"Sexo-no-capô-em-Versailles?"

Prendi a risada.

"Ou, incrivelmente, mais que isso"

"Acredite, Sirius. Não é incrível gostar dela" neguei, sorrindo e, de novo, olhando para ele "Definitivamente romântico?"

"Definitivamente" ele concordou, me piscando o olho "Bons tempos, os do Eton"

"Para nós dois"

Ele riu "Ou, talvez, não me pareçam tão bons assim"

"De novo, para nós dois. Só acho que..."

"Venham aqui vocês dois" Lily nos chamou, virando parcialmente o corpo para a gente "Me conta sobre a viagem para o..."

E Sirius e eu contamos, contando a ela – eu sabia do que minha mãe queria que ela soubesse envolvia meu tombo do cavalo - enquanto nos dirigíamos para a sala de música. Foi até um ótimo tempo; assim que viu o piano, Lily soltou uma exclamação de surpresa e satisfação e teve que refrear o corpo para não correr em direção a ele, respondendo à pergunta de que sabia tocar e só saindo dali sob a promessa de que tocaria um pouco depois do almoço.

Afinal, ainda tínhamos que encontrar meu pai.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoO

A casa era linda. Linda mesmo, com quadros históricos e originais e réplicas perfeitas, e com móveis antigos que decoravam perfeitamente os ambientes amplos. A sala de estar fora uma surpresa, a sala reservada à caça – tinha uma armadura medieval liiiinda – outra maior ainda e eu achava que nada, nada mesmo, poderia superar a de música, com vários instrumentos e aquele piano perfeito.

Que, vale lembrar, eu teria que tocar depois. Eu tinha que me acostumar com essa idéia.

Mas a questão é que, pelo visto, eu estava errada. Não pela sala de TV no terceiro andar que, apesar de extremamente confortável, não chegava nem perto do que guardava o segundo piso; não, não, era a biblioteca. Quando a mãe de James abriu a porta e eu vi a primeira estante, tive que prender a vontade de exclamar, e quando eu entrei e vi que tinha muito mais que aquilo eu simplesmente perdi as palavras e até mesmo a voz.

Aquilo era uma relíquia. Mais do que as pratarias, os cristais, as porcelanas, as esculturas, as tapeçarias, os quadros, os brasões. E, acredite, isso era dizer muito.

De verdade.

"Dorea, o James... ah, você está aí. Não ouvi você chegar" um homem, que deveria ser Charlus Potter, disse, sorrindo para James e lhe abraçando daquele jeito estranho de homem. Parecia enérgico, ativo, os olhos aparentemente claros brilhando na direção dos meus quando se virou para mim e estendeu a mão "Tenho o prazer de conhecer Lily Evans?"

Sorri de volta, um pouco nervosa "O prazer é todo meu"

Ele meneou com a cabeça e se afastou um pouco, voltando o rosto para uma subdivisão da biblioteca. Foi só nesse momento que eu prestei mais atenção; havia, também, um outro homem, que acabava de abandonar quatro ou cinco livros em cima de uma pequena mesa redonda.

"Ah, claro. Com a apresentação, esqueci de dizer. James, Lily – posso chamá-la assim, querida...? -, estamos hospedando um dos palestrantes que vieram para Oxford. Esse é Kyle Johanssen" Dorea disse, sorrindo. E, imediatamente, meu coração – que parecera que ia se acalmar – voltou a se acelerar e meus olhos piscaram ao reconhecer o nome. Ele era, pura e simplesmente, um dos psicólogos mais respeitados dos EUA "Insiste que o chamemos de Kyle desde que pisou na Inglaterra"

"Vocês ingleses são formais demais" ele brincou, apertando primeiro a mão de James e, depois, a minha "James e Lily, ahn...?"

Eu sorri em resposta.

"Muito prazer. E desculpe atrapalhar o Natal em família" ele continuou, olhando para mim "Pelo visto, é sua primeira vez aqui"

Concordei, ainda sorrindo, sentindo James pegar minha mão e entrelaçar nossos dedos.

E sorrir também.

"De muitas" ele disse, e eu corei e mordi o lábio inferior em deleite. Apertei seus dedos e o olhei de relance, fazendo de tudo para guardar perfeitamente a imagem de seu perfil naquele momento; o rosto longo, os lábios grossos, a pequena inclinação que seu rosto fazia na direção do meu para que conseguisse me ver melhor.

Mesmo que meus saltos, hoje, também fossem extremamente altos.

"Eu também espero que sim" Dorea disse ao meu lado, um pouco divertida "Sabe que ela toca piano, Charlus? Prometeu..."

"Sob coerção..."

"... tocar depois do almoço. E eu não a ameacei, James"

"Não mesmo"

"Bom" Sirius comentou atrás de mim, o tom de voz brincalhão "Não é como se você pudesse concordar com o James, Lily"

Corei um pouco quando todo mundo riu.

"Bom, não é porque vem aqui mais vezes que não pode aproveitar tudo agora" o pai de James comentou, ainda meio risonho "Interessada em livros, Lily?"

Meus olhos devem ter brilhado, porque o sorriso dele aumentou e James riu. Agora, na realidade, eu não me importava demais; poderia morrer para dar uma volta naquela biblioteca, ver cada exemplar, tocar tanto os livros antigos quanto os novos.

"Eu vou com vocês" Sirius disse, devolvendo um livro à estante e dando dois passos na nossa direção. Prendia, claramente, um sorriso, mas mesmo a troca de olhares com James não me permitiu saber o motivo pelo qual ele dissera que queria ir "Preciso achar aquele livro do Wilde"

E nós três, então, deixamos os outros três na pequena entrada – e não, eu não saí antes que James me desse um beijo rápido na boca e outro na testa – e seguimos para um corredor lateral, o som da conversa entre os que ficaram – 'Vi seus prêmios, James' – virando pouco mais que murmúrios ao virarmos em outra daquelas mesinhas para irmos a uma ala diferente.

"É a parte favorita de Dorea" Charlus comentou, passando os dedos pelos livros de uma prateleira. Sorri ao ver os nomes de Roberts, Austen, Brontë, e algumas outras menos conhecidas mas do mesmo estilo "Se fosse ela mostrando a biblioteca, passaria duas horas aqui dissecando 'Jane Eyre' e 'Orgulho e Preconceito'"

Abri o sorriso, aliviada por ter comprado uma versão ilustrada do primeiro livro para ela "James me disse que ela adorava todos eles"

"Como dica para presente de Natal?"

Pensei em corar mais uma vez "Foi"

"James só não disse o que ele queria de presente" Sirius provocou, dando dois tapinhas no ombro de Charlus "Foi uma saga"

Bati de leve com o cotovelo em sua barriga "Eu já agradeci a sua dica"

Charlus sorriu na minha direção.

"Nunca vai agradecer o suficiente" disse "A dica mais preciosa James não deu"

Ri, e Sirius quase gargalhou.

"Deveria ter tentado o Remus"

"Vou guardar esse conselho" retruquei, sentindo-me um pouquinho mais à vontade com o fato de que, à minha frente, estava um palestrante respeitado, um conde e, o mais importante, o pai do meu namorado "Talvez para o... são as primeiras edições dos livros da Agatha Christie?"

Charlus e Sirius pararam de andar.

"São" o primeiro concordou, levantando os olhos "Gosta dela?"

"Muito. Principalmente d'O caso dos dez negrinhos', apesar de eu ter achado meio óbvio"

"Adivinhou logo que era o juiz?"

"Foi. Mas, mesmo assim, achei brilhante toda a realização do plano"

"Ninguém nunca realmente pensaria naquela possibilidade" ele concordou "Também gosto bastante de 'Cai o Pano'. O preferido de James é 'Assassinato no Expresso do Oriente', mas acho que é só porque ele ganhou uma aposta do Sirius ali"

"Não me lembre disso" mas Sirius sorria enquanto tirava um livro das prateleiras "De qualquer jeito, antes disso o favorito dele era esse daqui, 'Morte no Nilo'. Vou pegar, Charlus"

Este sorriu e fez que sim, soltando um 'Leva'.

"Continuando em Agatha Christie, Lily..." Sirius continuou, divertido, aquele tom de diversão que, eu já sabia, traria provocação. Eu, provavelmente, até lhe mandaria a língua se estivéssemos sozinhos ou, ao menos, sem o pai de James – ou mesmo a mãe – por perto "... leu 'Os elefantes não esquecem'? É o favorito de Dorea"

"Tinha que ter uma dose extra de tragédia e romance" Charlus completou, com um gesto de mão chamando a gente para um outro canto. De relance no movimento de virar, peguei a primeira página do livro nas mãos de Sirius, me impressionando mais uma vez ao ver o que parecia ser uma assinatura da própria autora logo depois de um pequeno bilhete "Acho que vai gostar mais daqui, Lily"

Pisquei os olhos, curiosa, pensando se deveria dizer alguma coisa enquanto o seguia com o olhar. Resolvendo ficar quieta, observei-o seguir em direção à uma porta já entreaberta, só então me lembrando de andar e, sob o olhar divertido de Sirius, segui-lo.

Em direção a algo que quase fez meu queixo cair.

"Seu pai me disse, quando veio aqui, que a filha mais nova dele – você, obviamente – ia ficar de boca aberta ao ver tudo isso" continuou, rindo de leve quando Sirius disse alguma coisa parecida com 'Bom, ele passou perto' "Disse a ele que, quando tivesse oportunidade, poderia trazer você aqui. Parece que James foi mais rápido"

Pisquei mais uma vez, sem conseguir fixar meus olhos em nenhum lugar. Passei por prateleiras com livros antigos – que passavam por todos, todos os maiores nomes de todos os ramos possíveis de todas as áreas da psicologia – e outras com mais novos, os nomes correndo por minha mente até que cheguei à mesa e vi, ali, vários exemplares de um mesmo livro.

De Johanssen. Do livro ainda não publicado de Johanssen.

"Esquece o que eu disse" Sirius comentou, maroto "O pai dela passou extremamente perto"

"Falando nele, tem um aqui reservado para ele. Sei que não é exatamente parte da área dele, mas..."

"Não" discordei, interrompendo-o, e só não me arrependendo no instante seguinte porque ele olhou curioso para mim "Ele disse que, de acordo com o que a teoria do Johanssen defende, parte da psicologia organizacional – e também laboral e educacional - pode ser aplicada na social, e não apenas o contrário"

Ele estreitou um pouco os olhos "Discutiram recentemente sobre isso?"

Fiz que sim com a cabeça, pensando em corar. Sirius, entretanto, fez um movimento de incentivo além do de Charlus, e eu me senti um pouco mais à vontade para responder.

"Estive pensando em me especializar" disse, fazendo de tudo para não levantar a mão e endireitar meu cabelo. Era meu gesto típico de nervosismo, e eu não queria dar margens para que ele percebesse logo de início "Pedi alguns livros emprestados a ele, e discutimos algumas coisas por e-mail. Correntes behaviorista, fundamentalista e estruturalista, especialmente no estudo da psicologia aplicada"

Senti meu rosto arder um pouco quando ele estreitou mais os olhos, mas continuei.

"Acho interessante a teoria dele. Consegue colocar a objetividade da primeira corrente mesmo sendo um pouco estruturalista" completei "Não acho que tudo tenha que ser mesmo tão maniqueísta"

"E não tem" ele concordou, sorrindo, pegando um dos livros na mesa "Acho que Kyle não ficaria mais satisfeito se estivesse em minhas mãos"

Abri a boca para responder enquanto pegava o livro para mim, mas não encontrei palavra alguma e, então, só sorri. O pai de James deve ter percebido; sorriu de volta ao se desapoiar da mesa e antes de se virar, parecendo procurar alguma coisa entre os livros enquanto eu tentava arrumar alguma maneira de me lembrar como falar.

"Corrigindo; papai Evans não errou nada"

Pisquei – e teria corado não fosse ainda estar meio fora de mim -, mas Charlus soltou uma risada discreta.

"Pare de provocá-la, Sirius" disse, passando mais dois livros até parecer achar o que queria "É o nominal do Peter. Você entrega?"

"Claro que sim" e minha voz, agradecida e surpreendentemente, não falhara "Obrigada"

Ele meneou a cabeça.

"Pode vir aqui quando quiser" disse, começando a cruzar o espaço até a saída "Por hora, melhor acharmos o livro de Sirius e rodarmos a biblioteca. Dorea simplesmente não vai me perdoar se eu não mostrar a você os prêmios de James"

Sorri e rodei nos calcanhares para segui-lo, mas decidi parar no meio do caminho e olhar para Sirius. Ele vinha até mim com um sorriso de canto no rosto, os olhos azuis acinzentados estreitados na direção dos meus como se quisessem dizer alguma coisa.

Eu sabia o que era.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoO

"Então, James..." minha mãe começou assim que o Kyle, sob a justificativa de mandar um e-mail com algumas fotos para a neta mais nova – e, ao mesmo tempo, nos deixar sozinhos para a troca de presentes no Natal -, saiu da biblioteca e foi para o quarto "... Vamos lá, me conte de ontem enquanto eles não voltam"

Sorri, desviando os olhos dela para procurar pelos três na biblioteca. Estavam atrás de uma subdivisão, as costas de Lily voltadas para mim enquanto ela e meu pai escutavam qualquer coisa que Sirius dizia "Você já os encontrou?"

"Os Evans? Peter veio aqui umas quatro vezes, mas passou grande parte do tempo trabalhando com seu pai. Parece muito inteligente e, você já deve saber, lê a sua coluna" ela sorriu, divertida "Mas não, nunca vi Sophie. Pensamos em convidá-los para um chá depois que descobrimos que você namorava a filha deles, mas com tudo isso que está acontecendo em Oxford nem o seu pai nem o dela teriam tempo. Como ela é?"

"Lily ou Sophie?"

"Primeiro, a Lily" mas ela não me deu tempo de responder "Ela é tão bonita, não é? Tem uma cor linda de cabelo, e os olhos mais bonitos que eu já vi. Espero que possíveis netos tenham essa cor"

Ri "Não é diferente comigo, acredite"

"E parece ser bastante inteligente, também. E interessada em história. Você tinha que ver o rosto dela quando eu mostrei a ela a porcelana da época dos Stuart, e ela quase caiu quando eu apontei o quadro da família de Charlus na corte dos Habsburgo"

Ri de novo, tanto por imaginar o que ela faria ao ver o cristal dos tempos dos Tudor quanto por perceber que ela estava, realmente, um pouco menos nervosa que antes. Já até pensara se deveria ter dito a ela tudo o que ela poderia gostar de ver e que tinha aqui, mas cheguei à conclusão de que poderia deixá-la mais nervosa e que ela só se acalmaria ao ver que não era nada tão complicado quanto pensava.

"Ela é adorável. Parece um pouco nervosa, mas..."

"Ela está"

Minha mãe sorriu.

"Nunca é fácil ver os pais do seu namorado pela primeira vez. Ainda me lembro da minha, e eu estava simplesmente aterrorizada com a possibilidade deles não gostarem de mim" disse "Só fui realmente relaxar um pouco depois de uns dez encontros"

"Espero que ela demore um pouco menos que isso"

"Você está falando de filhos e espera que tenha outras nove, James. Isso é o melhor de tudo"

"Não poderia ser diferente. Não com ela" repliquei "Não tem ninguém como ela, quero passar o tempo todo com ela, e..."

"Então, vamos lá antes que você tenha uma crise de abstinência" ela chamou, brincando ao virar o corpo para ir até onde os três estavam. Segui-a de perto – sorrindo - e, quando estávamos a cinco ou seis passos deles, viraram-se para a gente e pararam a conversa "Podemos trocar os presentes?"

Olhei para Lily, divertido, quando ela praticamente engoliu em seco.

"Claro que sim" meu pai respondeu, soltando um sorriso leve para Lily antes de ir atrás de minha mãe. Ouvi uma pergunta qualquer sobre o tal palestrante mas, como eu sabia que aconteceria, não prestei atenção e nem mesmo quis fazê-lo.

Lily estava à minha frente, quer dizer.

"Quer levar esses livros para o meu quarto agora ou depois?"

Ela piscou, olhando para tudo o que segurava.

"Bom, eu ia pedir a sua opinião, mas estou com coisas mais importantes na cabeça no momento" respondeu, e eu arqueei a sobrancelha em diversão quando Sirius riu "Como você não me disse que tinham os originais aqui? Você tem noção de que eu quase berrei ao abrir um livro do Donne e encontrar o inglês antigo? Tem noção de que eu arregalei os olhos ao ver a primeira edição d'O retrato de Dorian Gray'? James, Agatha Christie escreveu uma dedicatória para a sua mãe...! Você tem noção do quanto isso é foda?"

Eu ri com ela, inclinando o corpo por cima dos livros para lhe beijar a boca. Lily, entretanto, cortou o contato quase de imediato, os olhos verdes brilhando em excitação enquanto colocava os livros nas minhas mãos.

"Isso daqui é tão, tão legal... aqui, esse daqui" ela se cortou, pegando um dos livros e mostrando a capa para mim "Onde eu estava? Ah, sim. Sirius foi com a gente sob a justificativa de pegar esse livro, mas eu roubei dele. Estou até com medo de tocar porque deve ser do final do século XIX, mas até mesmo o seu pai insistiu e o Sirius nem se importou tanto... e tem também o livro do Johanssen. Lembra que eu falei dele para você? Olha o livro dele, James! O que vai ser lançado ainda, na..."

"Deus, ela não pára de falar"

"Não é?" concordei com Sirius, brincalhão "Não adianta nem tentar interrompê-la"

"Não mesmo. Estou extasiada, juro"

Sorri.

"Quer ficar mais um tempo aqui e ver os presentes depois?" perguntei, segurando todos os oito livros em uma das mãos para beliscar sua bochecha "Pensei que, como agora o Kyle está no computador falando com a família, você talvez preferisse por causa do número menor de pessoas, mas..."

"Não, perfeito. E, quanto antes, melhor" ela me interrompeu, e um sorriso surgiu em seu rosto "Seu pai confirmou que sua mãe é apaixonada por 'Jane Eyre'"

"Você tinha que ver, Jay. Os olhos dela brilharam quando Charlus falou que Dorea gostava deste e de... 'Orgulho e Preconceito', acho"

"Foi. Ela gosta do Mr. Darcy? Quero saber a opinião dela antes de..."

"Não há nada de errado em discordar de alguém, caso seja o caso" disse, passando o indicador por seu nariz "E minha mãe adorou você, ruiva. Pode se acalmar um pouco"

Lily sorriu, parecendo realmente um pouco mais aliviada. Eu ri, divertido, e a trouxe mais para perto, sorrindo em total deleite quando ela segurou meu rosto e me deu dois selinhos rápidos antes de contornar meu corpo e pegar minha mão.

"Não podemos deixá-la esperando, podemos?" disse, me puxando em direção à porta da biblioteca. Aproveitando que ela estava um pouco à frente, olhei para Sirius e pisquei um olho para ele, mordendo o lábio inferior para não rir quando ele piscou de volta "Além do quê, lá na sala de TV tem aquela foto linda de você bebê. E, quando esse momento horrível acabar, a gente deve subir para deixar os presentes no seu quarto, e eu estou doida para ver como era você até os dezesseis... falando nisso, eu vi seus prêmios de redação na escola e os jornalísticos. Parabéns! E sua mãe me disse que tem troféus do futebol no seu quarto, e... Sirius, também vi fotos suas. E do Remus, e finalmente vi o Peter. Daquela sua prima bonita também, James. Muito abraçada a você, por sinal"

"Beatrice?" Sirius perguntou, abrindo um sorriso quando Lily fez que sim "Ô. Ela é bonita mesmo"

"Mas não precisa ficar com ciúmes dela" completei, chegando ao corredor com ela. Meus pais viravam agora na sala de TV, conversando sobre alguma coisa, ele rindo um pouco antes de desaparecer para dentro do cômodo "Ela é apaixonada pelo Remus desde que temos uns treze anos e ele veio para cá pela primeira vez"

"Segundo ela, gosta do jeito calmo" ele continuou "O que nós dois podemos fazer? Ele é mesmo adorável, com aquele sorrisinho gentil e aquela fala menos... chamativa, podemos dizer assim"

"Mas ele nunca deu atenção a ela. Quer dizer, só como amiga-da-casa-do-James"

"Bom, o Lupin. Não era como a gente"

"E isso é dizer bastante" Lily se meteu na conversa, meio risonha, parando de andar para que eu entrasse primeiro. Sorri e fiz o que ela meio que pediu, tendo que deixar sua mão para colocar os livros em uma cômoda logo ao lado da porta "Tem um presente para você também, Sirius. Você tem um para mim?"

"Por que eu não teria?"

"Porque não me conhece bem o suficiente para..."

"Você perdeu uma aposta, deu três opções para Mckinnon, ela pegou duas e eu peguei a outra. Nada mais justo" ele a interrompeu, sorrindo, passando pela entrada da sala para seguir para junto dos meus pais. Lily, nesse instante, seguiu-o com o olhar, parecendo prender a respiração quando viu que Dorea separava duas bolsas de presentes.

Ficava linda meio nervosa.

"Vem aqui, ruiva" chamei, voltando a pegar sua mão para, quase delicado, puxá-la em direção ao local no qual eu guardara os nossos presentes "Quer começar por quem?"

"É uma pena que eu não possa começar por você" respondeu, aceitando tudo o que eu lhe entregava sem tirar os olhos dos meus "Está parecendo ridiculamente fácil, agora"

Ri, leve.

"Podemos entregar juntos?"

"Como quiser, ruiva" concordei, sorrindo, passando todas as sacolas para um dos braços para que pudesse tocá-la de alguma forma com a mão livre. Com uma pequena pressão dos dedos, empurrei-a pela base das costas em direção aos meus pais e Sirius, não deixando seu lado nem por um instante.

Tudo pareceu fácil demais, afinal de contas. Lily corou um pouco quando minha mãe pediu para chamá-la de 'você' e não de 'senhora', e pareceu ficar satisfeitíssima quando tanto ela como meu pai disseram que ela não poderia ter acertado mais. Seus olhos brilharam quando viu que o ornamento que comprara – extra, claro. 'Como vou aparecer lá só com o presente de Natal?' - não se destoava da decoração mesmo que essa fosse mais antiga, e ela corou em deleite e satisfação quando Sirius agradeceu o livro de fotografias autografado do Manchester com um 'Valeu, cunhadinha'.

Estava mais à vontade. Muito, mas muito mais à vontade.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Então, quando terminamos de trocar os presentes – ambos me deram, juntos, um conjunto liiiiindo de colar e brinco, e Sirius uma coleção de três livros que eu queria -, James e eu levamos as bolsas para o quarto andar da casa enquanto Dorea descia para ver o almoço e Charlus e Sirius voltavam para a biblioteca. Eu mal conseguia me conter tamanho meu estado de excitação; ao subir o último lance de escadas, quase cometi a vergonha de saltitar entre os degraus, e soltei uma risada animada quando fui para o lado errado do corredor e quase tropecei ao virar rápido nos calcanhares.

"Cair desses saltos é morte quase certa, ruiva" James brincou, abrindo uma porta quase no fim do corredor. Eu, quase gargalhando, resolvi dar uma corridinha até ele, colocando tudo o que eu segurava logo na entrada do cômodo "Você deveria tentar... ei, mocinha, calma aê"

Ri contra suas costas por causa do vocativo, continuando a empurrá-lo em direção à cama. Caímos, quase desajeitados, no colchão, nós dois rindo sem nenhum motivo aparente, parecendo duas crianças como eu, há muito tempo, não parecia.

Estava satisfeitíssima.

"Estava morrendo de vontade de ficar sozinha com você" murmurei, beijando seu pescoço e afastando sua blusa para alcançar seu ombro "Depois de todas as fotos que vi e todas as histórias que eu ouvi"

Ele riu, com um movimento de braço me afastando um pouco. Levantei o corpo e deixei que ele se virasse, imediatamente apoiando minhas mãos ao redor de sua cabeça e segurando sua cintura entre as pernas.

"Está falando por que, então?" perguntou, sorrindo enquanto projetava-se para frente e segurava meu rosto nas mãos. Fechei os olhos antes mesmo de sua boca tocar a minha, soltando um muxoxo quando ele brincou com meus lábios mas não propriamente os beijou "Sirius estava certo"

Mordi seu lábio inferior, prendendo o riso quando ele mesmo riu um pouco antes de me beijar. A intensidade fez com que eu suspirasse logo de início, e eu terminei enfiando meus dedos em seu cabelo quando suas mãos entraram por meu vestido e apertaram minhas coxas.

"Estou extremamente feliz" murmurei, contendo minha respiração ao beijar seu queixo e puxar a pele em minha direção "Apesar de todas essas suas provocações, amor, eu sinto como se eu não pudesse amar mais..."

Mas calei minha boca de imediato, quase engolindo em seco ao reparar no vocativo que saíra da minha boca e nas palavras que o resto da frase trouxera. Os pensamentos corriam, rápido, por minha cabeça mas, por mais que eu pensasse, não havia outra conclusão a que eu pudesse chegar; estar com ele – com seu jeito, com sua aparência, com a sua risada, com sua conversa e seu companheirismo – era tudo o que eu queria, e eu projetava isso para um futuro no qual eu não parava de pensar. Dizer que o amava era uma reação natural à isso e, de certa forma, eu até ficava feliz por dizer, mas havia uma parte de mim que dizia que todo esse meu querer veio rápido demais e que, por isso, eu poderia ser a única naquela situação.

E, por mais que essa idéia me aterrorizasse, ela poderia ser verdadeira.

"Desculpe" pedi, em outro murmúrio, forçando meus olhos para se encontrar com os dele. James os tinha estreitados, brilhantes, combinando perfeitamente com o sorriso aparentemente deliciado que surgiu em seu rosto "Não queria... não quero assustar você. Será que dá para esquecer que..."

"Por que eu me assustaria com uma mulher como você dizendo que me ama?" ele me interrompeu, sorrindo, subindo ambas as mãos para meu rosto e passando as costas dos dedos par minhas bochechas "Você é linda. É deliciosa. É gostosa, independente, divertida, maravilhosa"

Meu coração se descompassou total e completamente no peito.

"Eu também amo você" ele disse, sorrindo, os olhos ainda nos meus ao tocar minha boca de leve com a sua. Eu baixei minhas pálpebras e entreabri os lábios, mas James só soltou uma risada baixa para, depois, piscar o olho esquerdo para mim "E como assim, 'desculpe'? É natural, principalmente com um cara como eu; gostoso, bom – perfeito – na cama, bem-sucedido..."

"Eu desisto de você, James" mas eu sorri, deliciada, e mordi a pontinha de seu nariz quando ele riu mais alto, me apertando contra seu corpo e deixando-se cair para trás "Desisto. Desisto, desisto e desisto, porque..."

"Desista de falar também, vai" ele me interrompeu mais uma vez, com um aperto em minha nuca aproximando ainda mais meu rosto do dele. O beijo que veio foi maravilhoso, delicioso, intenso, perfeito, e melhorava cada vez mais enquanto o que ele acabara de dizer corria por minha mente.

Ele me amava. A-ma-va.

E isso fazia com que tudo melhorasse, por mais que eu achasse que não havia como ficar melhor. James me inspirava alegria, diversão, responsabilidade – e um pouco de inconseqüência também -, compromisso, paixão, confiança e, obviamente, amor; e tudo, tudo isso junto. E eu não sentia isso tudo pura e simplesmente porque, agora, sabia que era correspondida; era só que, pelo o que ele dissera, eu sabia que não estava errada em me sentir segura perto dele.

Escutá-lo dizer me fazia ter certeza que eu inspirava tudo aquilo nele também. Me fazia ter certeza de que nós funcionávamos juntos de um jeito ainda melhor do que eu queria que acontecesse. Me fazia ter certeza de que, por mais que tudo tivesse ocorrido rápido demais entre a gente, nós não seriamos rápidos.

Nós daríamos certo.

"James..."

"Não combinamos boca fechada? Ou melhor, sem fala?"

Ri, com um gesto de ombro – e muita, mas muita força de vontade, porque não havia nada mais que eu quisesse fazer senão transar com ele - afastando-o do meu pescoço.

"Precisamos descer" disse, odiando cada palavra que saía da minha boca. Eu queria tirar a roupa dele, beijar cada pedaço de sua pele, sussurrar em seu ouvido enquanto o ouvia gemer pelo meu toque e pela minha voz "É Natal"

"E eu passei tempo demais correndo todos os canais da TV, e... ok, ok" ele passou o indicador por meu nariz e deixou o corpo cair até o encosto da cama, apoiando as mãos em minhas coxas e sorrindo de canto "Entendi o recado, mesmo que olhe para mim desse jeito 'estou indo contra todos os meus princípios'"

Ele não tinha jeito.

"Mas eu estou, mesmo" concordei, deslizando a mão de sua nuca pelo seu rosto. Ele pegou-a, entrelaçou nossos dedos e beijou minha palma, e antes que eu pudesse fechar os olhos em expectativa me afastei um pouco e saí de seu colo "Vamos, precisamos..."

"Mais um pouco" ele me cortou, me puxando pela cintura e me impedindo de sair da cama. Apoiou a testa na minha e sorriu seu sorriso de canto, os olhos esverdeados ainda brilhando sem nada de hesitação ou vergonha ou medo ou qualquer coisa além dele.

Como James dissera, era natural. Fazia meu coração acelerar, fazia meus olhos brilharem, fazia minha boca não conseguir parar de sorrir, mas era natural e eu não poderia estar melhor com isso.

Eu estava adorando aquilo mais que tudo no mundo.

"Um pouco" concordei, aconchegando-me no abraço, lutando contra o fechar de olhos quando ele beijou o topo de minha cabeça. Corri-os pela parte do quarto que conseguia ver; havia três flâmulas do Manchester intercaladas com três prateleiras repletas de livros, desorganizados do mesmo jeito como ele os tinha no apartamento dele. Estavam logo acima de uma espécie de escrivaninha que continha um computador e um laptop, vários cadernos abertos e fechados distribuídos de um modo bagunçado por sobre a mesa. A cadeira estava um pouco mais afastada, perto de um móvel um pouco menor e que tinha mais três livros empilhados.

Era impressionante. Ele não morava ali havia dez anos mas, mesmo assim, não poderia ser mais dele.

"Onde foi aquilo, amor?"

Senti-o sorrir contra minha cabeça, e só descobri o motivo ao refazer minhas palavras.

"Uma viagem da escola" respondeu "Peter nunca havia andado a cavalo antes, e ficou desesperado quando viu que ele começou a correr. Prendeu com muita força as rédeas e fez com que ele empinasse; Peter caiu e o cavalo saiu em disparada em direção ao de Sirius, que quebrou o braço ao cair"

Gargalhei, torcendo sua blusa nas mãos.

"É, foi a minha reação. E a de Sirius também, incrivelmente, mas deu uma confusão tão grande depois que..."

"Confusão?"

"É. Você sabe, Sirius e os pais não se dão bem, e Orion e Walburga nunca concordaram com essa viagem. Não quiseram assinar um documento qualquer do hospital providenciado pelo escola, mas meus pais, apesar de serem os responsáveis financeiros dele, não podiam assinar por não serem responsáveis legais. Minha mãe teve que confirmar o sobrenome de solteira..."

"Que é...?"

"Black" ele riu quando eu pisquei e me afastei dele, deixando minha cabeça pender para o lado "Sirius e eu somos primos muito, muito distantes. É mais fácil você ser mais próxima de Marlene, por exemplo, do que eu dele"

Ainda meio surpresa, neguei devagar com a cabeça "Nah. Ela é descendente de..."

"Você me entendeu"

Ri, baixo, mas não retruquei, voltando a baixar o rosto e abraçá-lo. A verdade era que não, eu não estava surpresa com aquilo – James era mesmo surpreendente – e ainda estava fixa demais na idéia de ele me amar para me preocupar com isso.

Eu não estava preocupada com nada, na realidade.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoO

"Duas?"

Divertido, neguei com a cabeça.

"Mais do que isso? Quatro?"

"Sete"

"Sete? James, isso é um absurdo...!"

Ri.

"Eu não tive essa quantidade de detenções na minha vida toda" ela continuou, levantando os olhos para mim enquanto contornávamos para o último lance de escada "Sabia não pegá-las"

"Não me tenha em tão baixo escalão, ruiva" me defendi "Acredite, eu merecia três vezes mais esse número"

Ela estreitou os olhos.

"O pior é que eu acredito" disse, apertando meus dedos nos dela "Principalmente com todas essas fotografias e todas essas histórias que sua mãe me contou"

"Ela já me fez passar vergonha?"

"Não" Lily riu "Mas ela me mostrou uma foto de você tomando banho quando bebê enquanto fazia uma carinha muito, mas muito engraçada. Sabe que você era uma gracinha?"

"Não quero ser uma gracinha, ruiva"

"Você tinha um ano de idade, James. Suas bochechinhas gordas e sua boca com projetos de dentinhos são tudo, menos sexy" ela retrucou, andando mais rápido até alcançar o primeiro andar "Sem falar, claro, nisso daí"

Prendi a risada quando ela apontou para minha calça, piscando um olho divertida e safadamente na direção de meu rosto. Ela sim riu, segurando minha cintura quando também terminei a escada, beijando rápido meu pescoço antes de voltar a pegar minha mão.

"Também vi uma de quando você tinha uns quatro aninhos" continuou, animada, enquanto seguíamos em direção à cozinha "E estava em um parque de diversões, numa montanha russa que tinha desenhos de dragão na lateral do carrinho. Você lembra desse dia?"

"Duas ou três coisas. Minha mãe me conta o resto" respondi "Vive dizendo que não sabia se ficava orgulhosa de mim ou desesperada porque eu consegui achar dois furos na explicação dela para eu não poder entrar na montanha-russa dos adultos. No final de tudo, meu pai teve que dizer que..."

"... que era a das crianças que fazia o super-homem voar"

"É, isso mesmo"

Ela riu.

"Você era uma graça" apertou mais uma vez minha mão antes de fazer menção de soltá-la, mas sem puxar de novo quando a impedi de fazê-lo. Entramos, então, na cozinha, e os olhos dela se desviaram imediatamente dos meus para cada um dos três outros ocupantes.

Pelo visto, o Kyle continuava no computador com a família.

"Ah, aí estão vocês" minha mãe disse, sorrindo em nossa direção quando puxei uma cadeira e apontei-a, com a cabeça, para Lily "Querem um pouco de morango?"

Eu aceitei o pequeno pote que ela me estendia, deixando-o na mesa à nossa frente. Lily pegou um com as mãos e o mordeu, e eu tive que fazer de tudo para não pensar no quanto aquilo me parecia totalmente convidativo à uma ida na cama.

Se bem que, conhecendo-a, eu não esperava que aquilo fosse inocente.

"Gosta de bolo, Lily?"

"Sou apaixonada" ela respondeu, parando no meio o gesto de levar o resto da fruta à boca "Comi um pouco do que James levou para casa depois de vir aqui. É delicioso"

"Bom. É o que estou fazendo"

Lily abriu a boca para retrucar, mas fechou-a logo em seguida.

"Não se preocupe, Lily" Sirius disse, pegando um morango ele mesmo de um pote que estava entre Charlus e ele "Já está no forno"

Ela soltou um sorrisinho sem graça, baixando as pálpebras rapidinho no caminho de voltar os olhos para minha mãe.

"Desculpe, não me dou nem um pouco bem na cozinha" disse, os ombros baixando um pouco ao relaxar quando apertei sua mão "Mas eu posso ajudar com..."

"Não vou deixar você fazer nada, querida"

"Ela tem a mim e ao Sirius para isso" concordei, sorrindo um pouco "E ao papai também"

"Principalmente eu" meu pai disse antes que Lily pudesse abrir a boca para retrucar "Não se preocupe com isso, Lily"

Mais uma vez ela abriu a boca para responder mas, parecendo não ter nada para falar, voltou a fechá-la e, logo depois, sorrir um pouco. Meu pai meneou a cabeça, entendendo o gesto 'É só chamar' de Lily, mas não respondeu; voltou-se para mim antes de se levantar da cadeira e se virar, indo em direção à geladeira logo depois de pegar um copo.

Eu sorri, leve, antes de desviar os olhos dele para olhar para Lily. Inclinei um pouco o corpo e lhe dei um beijo rápido na lateral da testa e outro na bochecha, conseguindo sua atenção quando uni um gesto de apertar sua perna por debaixo da mesa.

"Vou lá com ele" sussurrei, realmente baixo, aproveitando que minha mãe e Sirius conversavam sobre alguma coisa "Tudo bem para você?"

Ela fez que sim, sorrindo, beliscando meu queixo antes que eu me levantasse. Voltei, então, à sala, contornando o sofá para seguir até a janela para, lá, encontrar Charlus.

"Fala, pai" disse, divertido, levantando uma das mãos para lhe apertar o ombro esquerdo "Minha mãe disse que estava trabalhando demais ultimamente"

"Não sou o único" ele replicou, rápido como sempre, soltando um sorriso discreto "O final de ano, especialmente, não foi fácil para nenhum de nós dois"

"Estou feliz que, agora, as coisas tenham desacelerado um pouco"

"Mesmo com Londres do jeito que está?"

"Mesmo. Só preciso aparecer na redação amanhã, escrever a minha coluna de domingo e assinar um novo contrato para mais outra. Ou outras, ainda vou descobrir"

"E, então, Paris?"

Sorri.

"Paris" concordei "Sirius me disse que vocês dois estavam planejando uma viagem à Itália?"

"Dorea quer passar um tempo lá ainda no inverno. Estávamos pensando em ir em fevereiro, mas ainda não tem nada certo" respondeu, sorrindo um pouco agora "Março era o plano inicial por causa da chegada da primavera, mas tem o seu aniversário e ela se recusou a tirar meio pé da Inglaterra"

Eu ri. Essa era Dorea, sempre preocupada comigo como se eu continuasse a ser o garotinho de cinco anos dela.

"É o dia do show do Paul, também" ele continuou "Você vai querer ir?"

"Onde é?"

Ele revirou os olhos, divertido.

"Nós temos o camarote" disse, piscando-me o olho "Vinte lugares. Como é seu aniversário, você escolhe"

Eu ri, agradecendo com um movimento de cabeça, sem retrucar nada de imediato. A verdade era que poderia ser qualquer outra data que, do mesmo jeito, eu escolheria; meus pais eram daqueles que, mesmo que eu não fosse mais criança – como Dorea, por exemplo, que não queria sair do país em março -, me colocavam na frente de tudo, tudo mesmo, e por mais que eu fizesse de tudo para perceber que, agora, não era mais necessário.

"Os Evans, aposto"

"Por que não?"

Ele riu "Agora, sem essa história do primeiro encontro, pode dizer que gostou deles?"

"Podia dizer desde a primeira vez" discordei "Sophie é maravilhosa. Curiosa, mas maravilhosa. E Peter extremamente inteligente e até mesmo receptivo, apesar do meu trabalho ter ficado consideravelmente mais fácil por causa do Vernon"

"O marido da... ahn..."

"Petunia"

"Isso. Ela..."

"Charlus, James" nós dois nos viramos para ver Kyle descendo as escadas e, logo em seguida, contornando um sofá. Eu abri um sorriso quando ele chegou mais perto da gente, os olhos escuros indo de um para o outro com um quê de diversão nos olhos "Perdi Sirius e as meninas em algum lugar lá em cima?"

"Estão aqui embaixo" respondi "Na cozinha"

"Vamos lá" meu pai completou, projetando o corpo para frente. Segui-o logo em seguida, mas parei na divisão da mesa de centro para que Kyle pudesse passar na minha frente "Como foi com a família?"

"Desesperador como sempre" ele começou, dando uma pausa ao alcançarmos a cozinha. Sorriu para cada um dos que já estavam lá e sentou-se na cadeira ao lado da de Sirius, pegando um morango na metade do gesto enquanto eu ia para trás de Lily e apoiava minhas mãos e seus ombros "Minha neta quer que eu leve para ela uma boneca da Kate Middleton"

"Ah, que amor" minha mãe comentou "A mais nova?"

"Essa. A mais velha, depois da grande decepção que o primogênito causou, está pensando em desposar o príncipe Harry"

Todos rimos, iniciando uma conversa que durou até a hora do almoço e, obviamente, durante ele. Lily se soltou um pouco mais, gargalhando em vários momentos ao ouvir minhas histórias e as de Sirius, os olhos verdes brilhando um pouco mais cada vez que encontrava os meus.

Eu mal podia esperar para ter aquele brilho só para mim.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoO

"Deixa que eu levo isso" eu disse para Dorea, ajudando-a a pegar uma das bandejas preparadas para o chá. Ela sorriu para mim e falou um 'obrigada', acelerando um pouco o passo quando cheguei para o lado para que ela passasse primeiro "Para onde?"

"Vamos para a sala de estar" ela me respondeu, voltando a desacelerar para que percorrêssemos juntas o corredor. Mais uma vez, não me impedi de olhar para a decoração, sorrindo – um pouco convencida, tenho que admitir – porque o que eu comprara cabia perfeitamente ali também "Ou você prefere tomar o chá na biblioteca? Charlus me disse que você adorou os livros"

"Aqui está ótimo" discordei, olhando para ela "Apesar de sim, eu ter adorado a biblioteca"

Dorea abriu a boca para comentar, mas fechou-a ao alcançarmos a sala. Os quatro homens discutiam, animados, sobre o que parecia ser futebol, Kyle falando alguma coisa enquanto os outros três negavam.

"Aposto que é futebol" a mãe de James me confidenciou, baixo, sorrindo de leve "Charlus e Kyle passam horas discutindo sobre isso, meu marido dizendo que um quarterback não tem a mesma graça de um atacante e o Kyle dizendo que não há nada de emocionante em ver apenas a bola rolando"

Sorri "Não me surpreenderia se James e Sirius entrassem na discussão"

"Eu me surpreenderia se não entrassem".

Ri, concordando, mas escolhi não retrucar. Deixei, mais uma vez, que ela passasse à minha frente, relanceando os olhos para James e sorrindo ao reparar que ele já olhava para mim.

"Ah, um pouco mais de bolo" Kyle disse, sorrindo, endireitando-se um pouco no sofá para que deixássemos as bandejas na mesa de centro "Vou voltar para Nova York com dez quilos a mais se continuar nesse ritmo"

"Quando chegou?" Sirius perguntou ao mesmo tempo em que James alcançava minha mão com a dele e, gentil, me puxava para sentar ao seu lado. Assim que o fiz, ele passou o braço por meus ombros e me apertou em um abraço rápido, beijando a lateral de minha testa antes de se afastar e se inclinar para pegar um pouco de café "E quando vai embora?"

Pisquei os olhos ao reparar que havia perdido a resposta de Kyle, presa demais em James para ter prestado atenção em qualquer outra coisa. Sorri, leve, e o observei em seu perfil, reparando que havia me perdido em seus traços mais uma vez quando todo mundo riu e só o que eu conseguia reparar era na curva que seu rosto fazia com o pescoço.

"Você quer café ou chá?" James me perguntou, soltando um sorrisinho quando eu fiz minha expressão de dúvida e olhei de um recipiente para o outro "Café?"

Fiz que sim, aceitando a xícara. Bebi um gole e, ao reparar que estava sem açúcar, corri os olhos para a bandeja até alcançar o açucareiro para, inclinando-me um pouco, pegá-lo.

"Vai sentir falta daqui, então" Charlus comentou, e eu forcei minha atenção para longe de James para que conseguisse prestar atenção na conversa "Inclusive do futebol"

"Podíamos levá-lo a um jogo"

"Tem Manchester e Arsenal em três semanas" James completou Sirius, pegando um pouco de café – sem açúcar, claro, porque era James – mesmo que ainda não bebesse um pouco "Um clássico"

"E no Old Trafford"

"Vai esquecer o futebol americano em dois tempos"

"Ou dez segundos de torcida"

Sorri ao ver a intimidade que os dois tinham, correndo os olhos de um para o outro na tentativa de descobrir de onde aquilo tudo vinha. Havia, obviamente, o fato de que eles praticamente moraram juntos desde que tinham onze anos – o colégio interno, o apartamento, a faculdade, a viagem e o apartamento de novo – mas tinha que ter alguma coisa além disso; quer dizer, eu podia usar como exemplo a minha relação com a minha irmã. Mesmo na época em que não brigávamos por qualquer coisinha, eu não via a possibilidade de que, um dia, viria a ser como os dois são. E tudo isso mesmo que, com a gente, não tivesse nenhuma história que envolvesse briga de família; porque, claro, se Sirius se sentiu seguro o suficiente para vir até a casa dele e depender dos pais dele – sendo que Charlus também mostrara com orgulho tudo o que Sirius ganhara na fotografia - é porque havia algo antes disso.

Conhecia James há dois meses e, de Sirius, só tinha duas ou três frases e um dia – hoje – passado com ele. Mas, mesmo assim, já admirava a amizade dos dois.

"É mesmo bonita. A torcida, quer dizer" eu comentei, sem conseguir me prender e sem saber o que sentir quando percebi que a atenção de todos estava voltada para mim "E o estádio"

"Isso quer dizer que você vai com a gente?" James perguntou, arqueando divertidamente a sobrancelha para mim "É uma boa média, dois clássicos em três jogos"

"Qual o outro?"

"Chelsea"

"Mas não é esse o time para o qual o seu pai torce?" Dorea me perguntou, devolvendo a xícara para a mesa de centro "Lembro de Charlus dizendo ao James que era isso"

"É isso" concordei, encolhendo rapidinho os ombros "Mas não herdei dele – ou do meu avô, realmente fanático – o gosto pelo futebol"

"Não seria a mesma coisa se fosse com o futebol americano"

"Pior" Sirius retrucou, brincalhão "De qualquer jeito, está gostando, não é?"

Encolhi os ombros de novo mas, dessa vez, demorei um pouco mais "Como eu disse, a torcida é linda"

"Peter já ouviu você dizendo isso?"

"Não" respondi à Charlus, sorrindo um pouco "Mas não acho que ele vá se importar muito. O meu sobrinho..."

"Sobrinho? Você tem um sobrinho?" ele me interrompeu, curioso, o cenho franzido em uma expressão meio surpresa quando eu fiz que sim "Quantos anos ele tem?"

"Oito. Dudley, o nome dele"

"E quantos anos tem sua irmã, querida?"

"Vinte e oito" respondi "Ela se casou aos dezenove"

"Na faculdade?"

"Não. Petunia nunca quis se formar em alguma coisa, sempre quis mais cuidar exclusivamente da casa e dos filhos"

"E do marido" James acrescentou ao meu lado, brincalhão "Aquele dali realmente precisa de cuidados, mais do que o próprio Dudley. Ele é um bom garoto, e foi para ele que comprei os jogos de videogame e, também, para quem perdi todos eles. E sem precisar fingir para deixar a criança feliz. Foi-se o meu tempo"

"Mas isso já tem dez anos, Jay"

Ele estreitou os olhos na direção de Sirius, um sorriso muito mal contido no rosto antes de voltar os olhos para mim "Perdi feio para um primo meu que tinha uns oito anos. O garoto, para você ter noção, já conseguiu um emprego para testar jogos que venham para o mercado"

"Ele sabia que queria isso desde que tinha uns cinco anos" Dorea comentou enquanto se servia com um pouco mais de chá. Da mesma forma como, vez ou outra, eu fiz no almoço, reparei em seus gestos; eram delicados, precisos e feitos com a maior perfeição possível, como se ela tivesse sido treinada a vida toda para agir desse jeito.

E, levando-se em consideração o fato de que ela era uma condessa – por casamento, claro, mas pelo visto a família Black não ficava nada atrás –, não era nenhuma surpresa para mim. Eu admirava os movimentos pouco chamativos, o jeito leve de andar, o tom suave da voz e a elegância com que ela inclinava a cabeça mas, como não poderia deixar de ser, cada vez que eu reparava em qualquer um desses detalhes eu tinha uma sensação súbita de nervosismo. Pensava se ela poderia me achar brusca demais, chamativa demais, sem delicadeza demais.

Não por ser uma condessa, mas por ser a mãe do meu namorado.

"... mas, mesmo com o Sirius, não foi nenhuma grande surpresa" Dorea falava, dessa vez o rosto caindo para o meu lado "Você sempre soube que queria ser psicóloga, querida?"

Neguei, devagar, tentando não corar com os olhares que Charlus e Kyle Johanssen lançavam sobre mim "Quando criança, queria ser médica. Cardiologista ou neurologista, acho. E também já pensei em fazer algo relacionado com Química"

"E por que a psicologia, afinal? Seu pai?"

"Mais ou menos" respondi, mordendo o lábio inferior "Adorava os livros que ele levava para casa, e quando ele participou como colaborador em uma pesquisa em Oxford e me contou tudo o que estava sendo descoberto me apaixonei de verdade"

"Em que fundimos resultados com a neurociência?"

Dessa vez, fiz que sim. Perguntei a mim mesma se Charlus havia participado da pesquisa, e contive a vontade de me xingar ao perceber que não perguntara nada dessa natureza ao meu pai.

Droga. Eu podia ser mais inteligente e esperta que isso.

"Foi realmente uma descoberta e tanto" Kyle comentou, dando uma pausa para comer um pedaço de bolo "A equipe da Universidade de Nova York – inclusive eu – ficou morrendo de inveja"

Rimos. Ele era, definitivamente, americano. E definitivamente de Nova York.

"Já esteve lá, Charlus...?"

"Na Universidade? Uma vez, mas James não parou quieto" ele respondeu, olhando, agora, para o filho "Você lembra? Tinha uns cinco anos"

"Tentei descer pelo corrimão?"

"Foi"

Sorri, boba, com a imagem do James das fotos tentando escorregar. Era o que eu mais fazia aqui; sorrir a cada vez que via qualquer coisa relacionada a James, ter vontade de apertá-lo e de não largá-lo mais ao ver como ele era desde que nascera, controlar a vontade quase urgente que eu tinha de tacá-lo na cama e sussurrar tudo o que ele gostava de ouvir em seu ouvido antes de ocupar minha boca com outra coisa.

Era o melhor dia da minha vida, e eu só podia ter a certeza de que ficaria melhor.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoO

"James!" Lily exclamou assim que sentiu meus braços em sua cintura, prendendo a risada quando mordi a curva de seu pescoço com o ombro "Sai daí"

"Não tão cedo" discordei, beijando sua bochecha dessa vez. Virei-a, então, no abraço, e com o seu rosto levantado para ficar mais fácil de alcançar o meu, beijei sua boca "Depois de dois ou três beijos, talvez"

"Seus pais podem entrar a qualquer momento"

"Somos adultos, ruiva"

Ela riu, baixo, e abafou o riso contra meu pescoço.

"Minha mãe sobrevive" continuei "Para quem já encontrou o filho sem roupa em uma cama com..."

"Não quero ouvir essa história de novo" ela me interrompeu, passando o polegar por meu lábio inferior "Deixa eu ficar com a imagem do James fofinho, lindo, delicioso, divertido, adorável... e não cafajeste"

"Embora ainda divertido"

"Por aí"

Ri, deliciado, subindo uma de minhas mãos por suas costas até chegar em sua nuca. Ela piscou os olhos de um jeito demorado, como se quisesse fechá-los, mas depois os manteve abertos e fixos nos meus.

"Você é tão lindo" continuou, segurando meu rosto, colocando-se na ponta dos pés para alcançar minha boca. Senti, em sua língua, o gosto leve de café e chocolate, e vi em seus olhos ligeiramente entreabertos um brilho extra no olhar "E fofo, e adorável, e divertido, e qualquer coisa mais que eu tenha dito agora"

Não respondi nada de imediato, adorando que seus olhos se voltassem para minha boca quando eu sorri "Gostoso?"

"Definitivamente" ela concordou, enfiando os dedos em meu cabelo "Definitivamente"

Sorri e, inclinando-me, pressionei seus lábios com os meus. Ela, depois de dois segundos, abriu-os, soltando um meio suspiro quando entremeei meus dedos em seu cabelo e, de leve, puxei sua cabeça para trás.

"Embora eu não me lembre de ter dito..."

"Vocês dois têm vinte e seis anos. Não está na hora de aprender a controlar os hormônios?"

Lily e eu nos separamos um pouco, ela escondendo o rosto em meu peito e eu rindo contra o topo de sua cabeça ao ouvir o tom de provocação na voz de Sirius. Ele estava na porta, apoiado de lado, os olhos estreitados enquanto sorria de canto e esperava por uma resposta.

Que, claro, eu não deixaria de dar.

"Levando bronca de Sirius Black. E sobre hormônios, ainda por cima" provoquei, refazendo o abraço para que Lily virasse a cabeça de modo a olhar para Sirius "O quão baixo eu desci?"

Ele riu, e Lily abriu um sorriso e se apertou mais a mim antes de se afastar, pegando minha mão e entrelaçando nossos dedos. Com a mão livre, endireitei seu cabelo na lateral e a puxei um pouco mais para o lado quando Sirius entrou, deixando-a sentar em uma das cadeiras de uma das mesas perto da janela frontal.

"Pelo o que ele parece ser, bastante" Lily respondeu por mim, sorrindo em diversão, piscando o olho na minha direção. Eu ri, acarinhei sua cabeça e a apoiei em minha barriga, correndo os dedos por seu cabelo "Mas você, pelo o que eu sei, também não teve que descer muito"

Sirius e eu gargalhamos, alto, e ela sorriu e se afastou um pouco, deixando que a gente risse enquanto pegava o livro que viera ver. Quando ainda estávamos lá embaixo, no fim do chá, Kyle deixou escapar que havia adorado ver o livro original de Freud e, frente ao suspiro exasperado de surpresa de Lily, meu pai comentara que esquecera completamente de mostrá-lo à ela.

É óbvia que eu disse que viria com ela – só depois de, obviamente, minha mãe dizer umas cinco vezes que não precisava de ajuda para levar nada para cozinha -, e é ainda mais óbvio que só perdi um segundo para que ela achasse o livro. Não poderia, afinal, deixar a oportunidade escapar.

E não deixei.

"Vocês já leram?"

"Esse? Não"

"Nem eu"

Ela fez um biquinho, com cuidado movendo a primeira página. Correu os olhos pelas letras, como se lesse uma frase ou outra, antes de abrir o livro no meio.

"Eu poderia passar horas lendo aqui. Qualquer coisa" comentou, ainda sem levantar os olhos do livro "Pega exatamente a luz do pôr-do-sol, essa janela"

Sirius e eu nos entreolhamos, divertidos.

"Mulheres. Sempre românticas"

"Deixa ela, Six. Não implica"

Ele levantou uma das mãos em sinal de rendição, sorrindo.

"Qual o problema de serem românticas, afinal?" ele disse, o tom de voz provocante "Está mesmo lindo, essa luz rara batendo na neve, avermelhada porque..."

"Olha só, você entende de romantismo" Lily interrompeu, brincalhona, dessa vez não só levantando os olhos como também fechando o livro e entregando-o para mim "Você pode devolver ao lugar original? Eu não alcanço"

"Não quer levar?"

"Não precisa"

"Eu perguntei se você quer, ruiva. Não se precisa"

Ela abriu a boca para responder, mas depois fechou-a "Já estou levando livros demais"

"Ninguém está te impedindo"

"Mas é você quem vai carregar tudo, afinal"

"Assim, está insultando a minha força"

De novo, ela abriu a boca, e de novo refez a frase no meio "Não é melhor..."

"E então? Acharam o livro?" nos viramos para ver a minha mãe na porta da biblioteca, Lily se levantando rápido e apertando minha mão enquanto ela se aproximava "Leve também"

Lily sorriu e fez que sim, juntando o livro ao corpo.

"Bom que James tenha arrumado uma nora que tenha tanto os meus gostos literários quanto os de Charlus" minha mãe disse, o tom de voz um pouco brincalhão "E ainda trouxe no Natal. Nunca vi as coisas tão sérias assim"

Lily corou de leve, um sorriso diferente surgindo no rosto quando relanceou os olhos para mim. Nem disso eu precisava para saber o que ela pensava; é, as coisas estavam mesmo sérias, e não poderiam estar melhores que estavam agora. A proximidade, a intimidade, as declarações – acidental ou não por parte dela, mas mesmo assim uma declaração –, as conversas, o jeito solto que ela adquiria pouco a pouco aqui.

Não, não poderiam estar melhores.

"Nunca quis que as coisas estivessem tão sérias"

Porque não, não quisera mesmo. E o sorriso que Lily me soltou de volta assim que eu terminei minhas palavras explicava todos os motivos e todas as razões que justificavam tudo isso.

Era ela. Era só ela.

"É o momento em que eles se beijam, apaixonados, e fazem promessa de compromisso eterno no pôr-do-sol" ouvi Sirius dizer, piscando os olhos em nossa direção "Vamos, Dorea, estamos sobrando"

"Você realmente entende bastante de livros de romance para quem vive provocando" retruquei, sorrindo, prendendo a minha própria fala de provocação quando Lily ficou quase da cor do cabelo. E sim, sem exageros "Troque a edição de Jane Eyre com ele, mãe"

"De jeito nenhum" ela respondeu e, quase de imediato, Lily apertou meus dedos "Vim deixá-lo aí, aliás, junto com os de Charlus"

"Onde está ele?"

"Ficou no meio do caminho" e, então, ela estava olhando para Lily de novo "Pronto para ouvir você tocar piano. Pronta?"

Lily, devagar, fez que sim, e pela sua expressão eu vi que ela prendia a vontade de morder o lábio inferior. Estava nervosa, tanto por esse gesto quanto pelo jeito ansioso com que seus olhos seguiam o movimento de Sirius de colocar os livros estendidos por minha mãe na mesma mesa que Lily ocupava.

Era como se ela pedisse para demorar demais.

"A primeira que minha mãe aprendeu a tocar foi 'Pour Elise'. Ela vai gostar de ouvir" murmurei em seu ouvido assim que começamos a andar em direção às escadas, tirando a mão da dela para puxá-la pela cintura "A favorita dela é 'Primavera', de..."

"Vivaldi. Nem acredito, que sorte. Eu sei tocar"

"Não tem nada a ver com sorte, ruiva" discordei, inclinando um pouco o rosto para que conseguisse vê-la "Sabe que não"

Ela tentou conter o sorriso, mas não deu certo. Nem um pouco certo, quer dizer, e isso me fez rir.

"Sei" concordou, me dando um beijo rápido na boca antes de se afastar um pouco "E sabe que eu, na verdade, até estou doida para tocar? É simplesmente um crime você não saber nem as notas musicais tendo um piano desses em casa"

Revirei os olhos, divertido, exatamente quando seguíamos minha mãe e Sirius e descíamos o primeiro degrau.

"Você não acha bonito? Saber tocar?"

"Acho. Só não é para mim"

"Pena. Eu já disse a você que acho sexy homens que..."

"Já, já disse. Logo depois da nossa segunda transa"

Ela fez um sinal de 'shhh', e eu ri, baixo, exatamente como ela queria.

"Desculpe" pedi, embora não sentisse muito de verdade "Não devia estar dizendo que eu sou o máximo por guardar detalhes assim?"

Lily riu.

"Não sou tão minimalista assim, amor" disse, me fazendo sorrir no instante em que o vocativo saiu de sua boca. Não, não era como se eu precisasse ouvi-lo de cinco em cinco segundos para me sentir desse jeito; não, era só que tê-la dizendo o que sentia reafirmava o quanto de segurança ela depositava em mim "Acho mais importante lembrar de grandes coisas do que de detalhes. O que é engraçado, porque são destes que a gente lembra mais"

Arqueei uma sobrancelha, esperando.

"Na... nossa primeira noite..." ela baixou o tom de voz e, quando viu que era seguro – Dorea e Sirius continuavam conversando, afinal de contas -, continuou "... logo depois que escrevi aquela coisa vergonhosa no espelho..."

"Eu adorei. Mas, já que estamos abrindo espaços para críticas, você poderia ter deixado um número de telefone. Já imaginou se..."

"Não. Eu fiz questão de guardar o seu endereço" ela me interrompeu, travessa, me piscando o olho "Podemos voltar ao meu ponto, por favor?"

Sorri "Hum?"

"Então. Eu só conseguia me lembrar direitinho de alguns detalhes, bem pequenos, como o jeito como seu cabelo caía na testa, como o modo como você sorria e como..." mas ela se cortou assim que alcançamos o segundo andar, piscando, pensativa, os olhos "Bom, eu lembro também que eu adorei. Isso não é um detalhe, é?"

Ri, deliciado "Toda teoria tem um furo, acho. Mas sei do que você está falando, não se preocupe"

"É...?" ela replicou, sua vez de arquear a sobrancelha "Pode me dar um exemplo?"

"Vários. Só acho, por dois motivos, melhor esperar um pouco" respondi, tirando a mão da parte baixa de suas costas para, entrelaçando nossos dedos, apontar para o piano "Um deles está ali, aliás"

O outro dois andares acima, mas eu não falaria isso agora, tanto porque queria uma cama à disposição quanto porque queria ouvi-la, de verdade, tocar um pouco. Queria conhecer um pouco mais dela, seguir o movimento leve de seus dedos e reparar cada expressão de seu rosto conforme tocava. Queria ver o sorriso surgir pouco a pouco, queria vê-la estreitar os olhos em deleite enquanto discutia com meus pais o que tocaria, e queria vê-la com intimidade suficiente para pedir à minha mãe que tocasse um pouco também.

E, quando vi, não me decepcionei nem um pouco.

"Essa garota é linda" Dorea disse para mim, baixo, enquanto Lily conversava algo com meu pai "Quero ela para mim"

Sorri "Vamos brigar, então"

Porque, por Lily, eu faria qualquer coisa.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

"Onde é isso?" Sirius perguntou assim que entrou na sala de TV, guardando o celular no bolso da calça a meio caminho de se sentar ao lado de Charlus "Birmingham?"

"É" James respondeu ao meu lado, sentando no braço do sofá. Estendeu a mim um copo com uma bebida trazida por Kyle dos EUA – 'para manter algo de americano por aqui' – e inclinou um pouco o corpo, segurando o próprio copo com ambas as mãos "Parece que está um caos"

"Parece? Eles estão quebrando tudo" retruquei, seguindo as imagens rápidas passadas pela BBC. Janelas e vitrines quebradas, pedras sendo jogadas, tropas de choque bloqueando ruas para impedir aglomerações "Ei, não é aquele repórter que você me apresentou?"

"Fabian Garreth. É, é ele mesmo"

"Do News?"

"É" ele concordou, olhando para o pai agora "Ele é novo na redação, começou tem uns três meses. Deve ser o primeiro trabalho de destaque dele"

"E justo no Natal" Kyle comentou "Minha primeira palestra fora dos EUA bateu certinho com o primeiro Natal do meu neto mais velho. Nem aproveitei Vancouver"

"E aposto que não se arrependeu"

"Nem um pouco"

Eu sorri com isso, finalmente bebendo meu primeiro gole do que eu achava ser Bourbon. O gosto veio, acima de tudo, ácido, mas depois até que desceu fácil.

"Gostou?" James me perguntou, baixo, enquanto a conversa do outro lado da sala ia para filhos e netos. Desviando a atenção deles e prestando atenção só nele, então, fiz que sim, sorrindo quando ele beliscou meu queixo "Certeza? Eu posso..."

"Certeza. Não o suficiente para um outro copo, mas para esse está bom" interrompi, tirando sua mão de meu rosto com um toque leve "Você já conhecia?"

Eu não me surpreendi nem um pouco quando ele concordou.

"Parece que nunca vou encontrar nada que não tenha bebido" brinquei, batendo divertidamente meu copo no dele. Abri a boca para continuar quando, por causa da reportagem da TV, resolvi reformular a minha frase e perguntar ao invés de provocar "A gente vai dormir aqui?"

Ele sorriu "Você quer?"

"Quero" respondi, sorrindo quando o sorriso dele se abriu "A gente pode?"

James fez que sim,

"O que você quiser" respondeu, afastando um pouco o corpo para acabar com o copo. Sorriu para mim mais uma vez antes de levantar-se e ir até a mesa de canto onde estava a garrafa, a parte de trás do corpo simplesmente perfeita conforme andava; o cabelo arrepiado na parte de trás da cabeça, os ombros largos mal escondidos pela blusa vermelha de manga comprida e a calça jeans meio caída delineando perfeitamente seu bumbum.

Ele era lindo, por Deus.

"Você já viu esse filme, Lily?"

Desviei os olhos de James e, refazendo a conversa – Natal fora de casa, netos que pulavam no colo dele assim que chegava, crescimento, shoppings e namoradinhos -, neguei.

"Não, não vi" respondi também com a fala, torcendo para que fosse mesmo 'Meia noite em Paris'. De qualquer jeito, era melhor negar "Mas uma amiga minha falou que é maravilhoso. A Marlene, Sirius"

"É. Ela chorou e tudo" ele respondeu, me piscando o olho "Quase a mesma coisa do que Tonks e, acredite, isso é dizer alguma coisa"

"Como você sabe?" a mãe de James perguntou, piscando os olhos na direção dele. Parecia curiosa, interessada e até mesmo um pouquinho divertida, como se juntasse essa informação à menção que fizemos dela antes "Foi com ela, foi?"

"Tá brincando? Servi de lenço" ele respondeu, fazendo com que todos nós ríssemos "Foi na viagem para ver o jogo do Manchester, ela..."

"Ah, viagem. Juntos. Cinema, filme romântico, consolo depois da tristeza..."

"Não faça esse tom, Dorea. Está me deixando sem graça"

E rimos, juntos, mais uma vez.

"Com certeza, menos do que eu seria capaz de deixar essa menina, a sua prima" Dorea comentou exatamente quando James sentou ao meu lado, dessa vez realmente no sofá. A curva de seu pescoço, o sorriso em seus lábios, o brilho em seu olhar me fizeram sentir uma pontada de desejo "Lembra que ela e os pais vieram visitar você logo depois que saiu de casa? Ela derrubou uma bandeja com uma garrafa de brandy no chão e ficou da cor do seu cabelo, querida"

Eu ri, deliciada, prendendo o movimento de levar a bebida até minha boca. Troquei o copo de mão e apoiei a outra na perna de James, torcendo os jeans em meus dedos de um jeito displicente e distraído enquanto apoiava minha cabeça em seu ombro.

Não era nada tão íntimo e, de qualquer jeito, nem Dorea nem Charlus pareciam reagir mal a isso.

"Eu acho tão bonito. A cor, quer dizer"

"Agora, eu adoro. Mas, quando criança, não gostava muito" repliquei, reparando, aí, que eu estava realmente mais confiante "Me chamavam de 'foguinho' e de sardenta e, sempre que eu ficava com vergonha, ficava vermelha rápido demais"

"Essa última situação continua acontecendo, Lily"

Todos riram, de novo, e James gargalhou quando eu realmente corei um pouco.

"Não se preocupe. Quisera eu ter o cabelo da cor do seu" Dorea continuou, sorrindo para mim e me fazendo lutar cada vez mais contra o rubor. Não, eu nunca soubera me dar bem com essas situações, e não estava exatamente acostumada com um conde e uma condessa me elogiando "E é muito fofo o jeito como James chama você de 'ruiva'"

"Ah, é mesmo" concordei, sorrindo de volta, corando por outro motivo agora. Não, não era apenas fofo; era excitante, delicioso, e único, e eu não pensava em outra coisa enquanto terminava de beber o meu drink "É lindo"

"Que bom que gosta" ele comentou, dando um beijo em minha bochecha antes de pegar o meu copo a meio caminho de se levantar "É meio impossível te chamar de Lily"

Nós dois sabíamos dos momentos nos quais ele me chamava pelo nome. E, pelo o que eu conhecia de seus gestos, eu realmente não era a única a querer que esses instantes – eternos, sempre eternos – chegassem o mais rápido possível.

Eu não podia esperar muito mais.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

"Seus pais são uns fofos" Lily disse assim que fechei a porta do quarto, tacando-se logo na cama sem nem relancear os olhos para o resto do quarto "E eu os admiro muito, muito mesmo, por subirem e descerem essas escadas todos os dias"

"Nenhum deles usa saltos de quinze centímetros, ruiva" apontei, divertido, enquanto ela virava-se na cama até conseguir fitar o teto. Sua cabeça já estava perfeitamente acomodada no travesseiro quando, depois de tirar o que calçava e o que vestia na parte de cima do corpo, sentei na cama, abrindo um pouco suas pernas até que elas se apoiassem em cada uma das minhas e, ao mesmo tempo, meu corpo ficasse entre elas "Você devia ter escutado minha mãe quando ela disse para deixar ao lado da escada"

"Tá brincando?" ela retrucou, agradecendo com um sorriso de alívio quando tirei sua primeira sandália "Ela, com a minha idade, devia andar muito mais e ficar com roupas muito mais desconfortáveis"

Arqueei a sobrancelha, divertido, e olhei para ela, sem parar de tirar a segunda sandália.

"Não, de jeito nenhum eu poderia fazer isso. E seu pai..." ela se cortou, abrindo um outro sorriso ao levantar um pouco o corpo para que eu pudesse tirar também sua meia-calça. O vestido escorregou um pouco mais por suas pernas no movimento e, exatamente como eu sabia que ela faria, não se preocupou nem um pouco em endireitá-lo antes de voltar a se apoiar no colchão "... ele é um amor. Inteligeeeeente. Fiquei morrendo de medo de ele me achar burra..."

"Por que acharia?" interrompi, deixando a meia-calça no chão ao lado da cama "Você é inteligente demais, ruiva. E é a melhor pessoa que eu conheço"

Ela não me respondeu, com um impulso de corpo sentando-se na cama. Eu, sorrindo, deslizei as mãos por suas coxas e a puxei mais para perto, apoiando minha testa na dela e olhando nos olhos dela enquanto a sentia também sorrir.

Linda demais.

"Eu amo você, James"

Eu abri o sorriso, sem responder, adorando que ela não hesitasse mesmo quando fiquei em silêncio.

Lily confiava, de verdade, em mim.

"Ama...?" perguntei, puxando seu lábio inferior entre os meus enquanto afastava seu vestido e, depois, sua calcinha. Devagar, deslizei um dedo para dentro dela, massageando-a com o polegar quando ela fechou os olhos "E você quer fazer amor..."

Movimentei o dedo de leve, adorando que ela soltasse um meio gemido.

"... ou transar, transar muito, e muito forte..." continuei, com um movimento rápido juntando outros dois dedos ao primeiro, sendo muito menos gentil que antes. O som que escapou de sua boca misturou surpresa e prazer em doses completamente diferentes, muito mais para o segundo que para o primeiro, e eu mesmo não prendi o suspiro por vê-la tão entregue a mim com tão pouco "... até que você não consiga mais..."

"Transar" ela me interrompeu, o corpo se movendo para o meu para ter mais da masturbação "Transar até que eu não consiga mais fazer... fazer nada"

Não respondi, sentindo a pressão de suas unhas perto de meus ombros e os movimentos de seu corpo para se aproximar do meu. Manteve, entretanto, uma distância, e deslizou as mãos por minha barriga e abriu minha calça, e parou qualquer tentativa de enfiar os dedos em minha cueca ao gemer, alto, quando impulsionei com mais força.

Para, depois, empurrá-la com força para que se deitasse.

"Nada, ruiva?" perguntei, acelerando, com a outra mão afastando seu vestido. Ela tentou continuar o movimento para tirá-lo mas, quando o tecido chegou em seus seios, gemeu mais uma vez e desistiu de continuar, as mãos alcançando meu braço esquerdo e me puxando para baixo "Responde"

Mas ela me deixou sem resposta, os lábios entreabertos gemendo contra minha bochecha e as unhas se enfiando em meus ombros com tudo o que podiam. Não senti dor, não senti desconforto e nem mesmo vontade de me afastar do toque; não, beijei seu ombro, mordi seu pescoço e acelerei ainda mais, me deliciando quando seu corpo se moveu embaixo de meu de modo que aumentasse a sensação.

Com tão pouco, ela estava perto de atingir o orgasmo. Era como se estivesse esperando por isso o dia todo – o que, sendo ela, eu não duvidava. E, de qualquer jeito, eu sabia como era sua situação -, fazendo de tudo para que os pensamentos se desviassem do sexo antes que a vontade ficasse insuportável.

Como agora.

E, pensando nisso, diminuí o ritmo, afastando-me um pouco dela até que pudesse vê-la. Lily mordia o lábio inferior e, na falta da minha pele, torcia o lençol nas mãos, os olhos verdes se abrindo para acharem os meus.

"É horrível, não é?" perguntei, retirando um dedo para que, agora, eu pudesse colocar dois em seu clitóris. Ela gemeu, de novo, e lutou contra um fechar de olhos, a respiração acelerada fazendo seu peito subir e descer em um ritmo que me excitava "Ter a sensação de que está prestes a gozar mas, mesmo assim, sempre faltar um pouco"

Ela só gemeu um pouco mais em resposta.

"Desesperador"

"É, James. É" ela retrucou, a voz muito mais gemido que qualquer outra coisa "Se você quiser que eu implore, eu... puta merda"

Sorri, adorando sua reação ao meu beijo no limiar de sua calcinha, na parte interna de sua coxa. Afastei dois dedos só para que pudesse usar a boca, levantando os olhos para ver sua expressão quando seus dedos entraram em meu cabelo e o seguraram e quando sua boca deixou escapar um gemido alto.

É, quase lá. E, dessa vez, voltei a ir no ritmo que ela preferia; ela não durou meio minuto, o corpo se contraindo involuntariamente para cima e meu nome escapando de seus lábios antes mesmo que eu tivesse chance de me levantar e vê-la daquele jeito. Era por minha causa, só por minha causa, e isso me fez suspirar e gemer só com a visão.

E que visão.

"Shh, ruiva" baixei o corpo e juntei o meu ao dela, pressionando-o com força até que tudo o que sobrasse fosse sua respiração acelerada e seus dedos, já sob controle, descendo por minha barriga até alcançar minha cueca "Não temos TV ligada"

Mas eu não estava muito melhor, e ela sabia disso. Beijou minha boca, a respiração entrecortada batendo em minha bochecha e meu pescoço, as pernas se movendo de forma que baixassem minha calça e os lábios resolvendo deixar os meus para deslizar por meu pescoço.

"É melhor você ligar" retrucou, com um impulso para que o corpo subisse levando o meu junto também. Por dois segundos, pareceu hesitar entre juntar-se a mim ou tirar o vestido e, quando ela se decidiu pelo segundo, eu me afastei um pouco mais e cheguei a sair da cama para que tirasse mais fácil o resto da roupa "Vou fazer com que você precise de uma de verdade"

E ela fez. Não apenas no sexo oral – que, mais uma vez, me fez ter que puxar sua cabeça para trás ao perceber que também estava próximo demais – mas também no sexo em si, o corpo inicialmente sob o meu se impulsionando para cima para ter mais controle do ato. Em algum momento, e com certa dificuldade, tirei seu soutien, segurando-a no quadril para ajudá-la nos movimentos ao mesmo tempo em que beijava e mordiscava e chupava seu colo.

Lily sabia como ninguém o que fazia. O jeito de se movimentar, para cima e para baixo e para frente e para trás, o modo sem pudor com que expunha a necessidade que tinha de mim para alcançar o que queria, a maneira perfeita que tinha de sussurrar em meu ouvido ao mesmo tempo em que gemia e se perdia, consequentemente, nas palavras.

Por mim, sempre por mim.

E, quando seu corpo começava a se contrair involuntariamente – porque ela sempre, sempre fazia aquilo por livre e espontânea vontade – na direção do meu, de vez em quando perigando escapar do toque que nós dois mais queríamos, eu a apertava mais em um abraço antes de inverter as posições. Sabia que, para ela, era mais fácil alcançar o orgasmo naquela posição e, além disso, ter seu corpo sob o meu não deixava outra saída; para qualquer lugar que a sensação de prazer empurrasse a gente, íamos para mais perto do outro.

E proximidade era tudo o que a gente precisava. Mesmo depois de termos alcançado o orgasmo, não nos desgrudamos; deitamos juntos, seu corpo parcialmente sobre o meu e sua cabeça apoiada em meu peito até que ela levantou um pouco, preguiçosa e curiosa, quando deslizei minha mão por suas costas até pará-la em um pedaço de pele que seria coberta pela calcinha.

"Você tem uma pinta aqui" eu disse, correndo os dedos por ali "Descobri logo na primeira noite e, como na sua história dos detalhes, não esqueci"

Ela sorriu.

"Acredite, ruiva" continuei, sem deixar de olhá-la "Sei onde está cada sarda sua, cada nuance, cada..."

"Eu sei" ela me interrompeu, levantando-se um pouco para me beijar a boca "Pelo o que você faz comigo, James, não poderia ser diferente"

Minha vez de beijá-la.

"Não mesmo"

E, então, voltou a se apoiar em mim, dormindo como se não houvesse lugar melhor.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoO

"Mas você tem certeza?"

"Claro que tenho, ruiva" James disse atrás de mim, parecendo divertido, enquanto passava a toalha pelo cabelo daquele jeito de homem. Sorte a dele que podia fazer isso; seu cabelo, bagunçado,só servia para deixá-lo ainda mais sexy e para me deixar ainda mais excitada "Por que eu teria um secador de cabelo no meu quarto?"

Não respondi, quase fazendo biquinho para o espelho. Odiava meu cabelo molhado.

"Teve sorte de encontrar um pente" ele brincou "E, de qualquer jeito, você está linda. Agora, será que dá para chegar um pouquinho para o lado porque eu preciso...valeu"

"Insensível" murmurei, olhando para ele pelo espelho "Pode parecer que não, mas o cabelo secar de modo natural é um problema sério que..."

"Eu já vi, e você vai continuar linda"

"Você diz isso porque, quando viu, não estava prestando atenção em..."

"Tá bem, então. Posso ver com a minha mãe se..."

"Não, não. Não precisa. Posso ficar só com a parte em que você me elogia?"

Ele riu e, depois de bochechar, desfez a inclinação do corpo. Eu, ainda só de calcinha e soutien depois de transarmos de manhã, fiquei incrivelmente mais baixa, e tive que me colocar na ponta dos pés para beijar seu pescoço e, assim, chamá-lo para um beijo;

Curto, rápido, mas mesmo assim delicioso.

"Você está linda, e vai continuar linda" disse, pipocando um beijo em minha boca antes de se afastar e seguir para o quarto. Eu peguei sua escova mesmo e virei a torneira, também me inclinando sobre a pia para que pudesse escovar os dentes "Quer alguma coisa daqui do quarto?"

Fiz um muxoxo de 'espere' para, depois de bochechar, pegar uma toalha de rosto "Acha a nécessaire na minha bolsa?"

Ouvi o som dele mexendo no que deveria ser minha bolsa, e exatamente enquanto devolvia a toalha ao lugar de origem ele entrou no banheiro e me entregou o que eu pedira. Sorri em agradecimento pelo espelho e o observei, desde o seu sorrir de volta até seu desaparecer do meu campo de vista.

Lindo. Lindo, lindo, lindo, e não foi nenhuma surpresa para mim quando tive que me concentrar demais para passar o pouco de maquiagem em meu rosto; James sempre desviava a minha atenção,mesmo que fizesse alguma coisa boba e aparentemente desnecessária, e sentar-se na cama do jeito que ele fizera antes de chegar um pouco para o lado tanto destacava seus músculos quanto o que ele era na cama.

E era muito.

"Vai usar esse suéter dessa corzinha estranha?"

"Pérola?"

"É, pode ser"

Ri.

"Vou" concordei, sem ligar que ele chamasse uma cor linda de estranha "Não deveria ser eu separando a sua roupa?"

Ele quase gargalhou.

"Por todas as vezes que você achou meus óculos para mim" disse, risonho "E não é como se eu estivesse separando roupa de verdade, sabe. São as únicas que tem por aqui se contarmos com o vestido de ontem, e eu sei como repetir roupa é um pe-ca-do, principalmente quando..."

"Ok, James, já entendi" interrompi, prendendo a minha própria gargalhada e parando de passar o rímel. Era a única coisa que eu passaria no rosto além da pequena quantidade de corretivo para disfarçar as olheiras "De qualquer jeito, obrigada"

Ele não me respondeu mas, dois segundos depois, eu já estava de volta ao quarto. Com um beijo de agradecimento em sua boca, peguei o suéter e o vesti, colocando a meia calça fina de lã e a saia antes de sentar na cama e colocar os mesmos saltos de ontem.

"Vou ter que passar na redação hoje" ele disse, levantando-se. Foi até a mesinha de cabeceira e pegou o celular para colocá-lo no bolso, virando o corpo para mim no meio do movimento "Se não conseguir voltar para o almoço, me encontra no..."

"Pode ser no restaurante italiano?"

Ele sorriu e fez que sim.

"Só vou pedir para você me deixar em casa" continuei, me levantando também quando ele arqueou a sobrancelha, o início de um sorriso se esboçando nos lábios. Só por essa expressão, eu poderia dizer, ele sabia o porquê de eu pedir aquilo "Tenho que fazer as malas"

"Tem?" perguntou, estendendo os braços para minha cintura e me puxando para perto "Achei que tivesse roupa mais que suficiente lá em casa"

"E tenho" concordei, segurando seu casaco na altura do pescoço "Mas não tenho as malas propriamente ditas. Levei de volta, lembra?"

Ele negou, divertido, apertando minha cintura enquanto se inclinava para me beijar. Fechei os olhos, imediata, e abri a boca para a pressão de sua língua, suspirando quando ele prendeu meu lábio inferior entre os dele.

Parecia que eu nunca tinha o suficiente dele.

"Você também tem que fazer as suas" murmurei contra sua boca, forçando-me a me afastar um pouco "Se não conseguir voltar, posso ir depois para o seu apartamento e tentar me ajeitar com as suas roupas"

Ele estreitou os olhos.

"Que foi? A única coisa que eu realmente gosto de fazer relacionada à casa é ver roupas. Mas pode deixar, eu não jogo nada fora antes de você... você não está me levando a sério, está?" perguntei quando ele riu, parecendo estar deliciado, antes de me beijar, rápido, e se afastar "Aposto que tem coisa ali que você não usa desde que tinha dezesseis anos, e dobro a aposta que você não vai se lembrar de 50% do que tem ali. Posso até pensar em... ei, me dá algumas coisas aí"

Ele negou com a cabeça "Só pegue os casacos que eu me viro com as sacolas"

Abri a boca para retrucar mas, vendo que a discussão estava perdida, fiz o que ele pediu e fiquei para trás para fechar a porta, dando uma última olhada no quarto antes de virar nos calcanhares e segui-lo em direção às escadas.

Não sem, antes, relancear os olhos pelo corredor do andar.

"James...?"

"Hum?"

"São... seis quartos?"

Ele parou à beira da escada, fazendo que sim.

"O do fim do corredor é o do meus pais. Tem o meu, óbvio, e os outros quatro eram de hóspedes até a chegada do Sirius, que ficou com aquele dali" apontou para o quarto em frente ao dele com o queixo "Kyle deve estar em um do outro lado do lance de escadas. Provavelmente, a outra suíte. Quer dar uma olhada?"

"Não vou entrar no quarto dos outros"

"Meus pais estão lá embaixo, o Sirius é o Sirius, e nem eu entraria no quarto do Kyle" e ele, ao dizer isso, já abandonava tudo perto do primeiro degrau e vinha até mim, pegando minha mão "Vem, vamos"

"Não, eu não... ah, que lindo!"

Ele riu.

"Olha você, que amor...! Com um aninho, com dois dentinhos e... epa, essa é a data do seu aniversário?"

James sorriu "Uhum"

"Mas é o dia do show...! Por que você não me disse que..."

"Por que seria um impedimento? Podemos ir" ele me interrompeu, passando o indicador por meu nariz "E, de qualquer jeito, é em uma casa de show em que temos um camarote com vinte pessoas. Ainda posso fazer média com seus pais, veja só"

Não respondi, quieta, sentindo meu rosto ceder ao sorriso. Apertei seus dedos e o olhei direto nos olhos; carinho, diversão, brincadeira e, ao mesmo tempo, responsabilidade beiravam os olhos acastanhados e enfatizavam os traços verdes, e eu senti tudo aquilo de volta sem nenhuma hesitação "Você não presta"

"Mas posso levar você ao show. Você, e Peter, e Sophie" ele fez uma carinha sapeca "Aposto que ia conseguir mais que o Vernon em dez anos de casamento"

"Nove"

"Nove, ok. Mulheres, sempre presas a datas"

Ri, quase gargalhei "Sempre teve isso em mente?"

"Juro que não" disse "Estava falando disso para o meu pai ontem e ele disse que tínhamos direito ao camarote, e como são vinte lugares..."

"Não atrapalha os seus pais?"

"Não, nem um pouco. Como eu disse, são..."

"Mas e o Sirius?"

"Tá brincando? Deve sobrar espaço mesmo se ele conhecer os Mckinnon e resolver chamar todos eles também" e, dessa vez, fez uma carinha engraçada que eu não saberia definir "Inclusive o Marc"

Ri de novo, abafando a risada contra seu peito.

"Relaxe, ok?"

"Ok" concordei, virando-me no meio abraço para dar uma olhada no resto dos porta-retratos da cômoda logo ao lado da porta. Ali, no canto, havia um mais antigo do que parecia ser Dorea em sua adolescência, vestindo um vestido mais antigo e usando como penteado um coque perfeitamente adornado com o que pareciam ser pérolas "O que é... tem alguma coisa escrita nesse broche? No... no brasão?"

Senti ele se inclinar por cima do meu corpo.

"Se for um brasão, deve ser da família Black. E, se for deles, está escrito 'Toujours pur', que é o lema da família" respondeu, sorrindo quando pisquei os olhos e olhei, curiosa, para ele "É, eles são meio... ahn, conservadores, como eu disse quando fomos comprar os presentes. Sirius teve uma razão para sair de casa se entrarmos no campo da ideologia"

"Não o imagino mesmo desse jeito" concordei, pressionando sua mão para que saíssemos do quarto. Era lindo e sim, eu estava doida para vê-lo mais de perto, mas isso era criar uma intimidade que eu não tinha, fato que só percebi de verdade com o início de história que James acabara de me contar "Vem, vamos descer. Estou morrendo de vontade de tomar o café"

"Eufemismo para 'poderia comer um cavalo'?"

"É"

James riu, solto, e só deixou minha mão para pegar de volta as bolsas de presentes. Eu estava mais do que com vontade de encontrar os pais dele de novo.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Tomamos o café da manhã entre risadas e conversas, e quando terminamos – às oito e meia da manhã -, Lily aceitou um convite da minha mãe de ver o jardim de inverno na lateral da casa. Com uma pergunta muda, ofereci para ir junto, mas ela negou com um gesto leve de cabeça e seguiu para a porta lateral da casa, conversando com ela sobre alguma coisa que fazia as duas sorrirem e rirem por todo o caminho até a estufa.

E eu sorri, involuntário.

"Acorda, apaixonado" ouvi a voz de Sirius, provocante, ao meu lado "E me ajuda a levar isso para a cozinha"

Peguei meu copo de água e joguei o restinho nele, rindo, mas afinal de contas fazendo o que ele pediu. Dissemos ao meu pai e ao Kyle que poderíamos ficar com aquilo e, enquanto levávamos tudo – e isso não era pouca coisa, sabe – para a cozinha, começamos uma conversa divertida sobre alguma trivialidade, escolhendo também ir para a estufa para encontrarmos com minha mãe e Lily lá.

"Flores. Mais cedo ou mais tarde, isso une qualquer mulher. Nem que seja para falar mal" eu brinquei, divertido, ao abrir a porta. As duas estavam mais para o final, e Lily dizia alguma coisa, animada, enquanto apontava para uma flor em particular "Embora esse não pareça ser o caso"

"Você espera que não" ele retrucou, prendendo claramente uma risada. Eu, para que elas não pegassem nada de qualquer conversa entre a gente, não respondi, pegando a mão de Lily assim que me aproximei o suficiente delas.

Ou nunca o suficiente, quando se tratava de Lily.

"Como você pode só conhecer rosas e lírios com isso daqui?"

"É a mesma história de eu não saber tocar piano?" perguntei, rindo quando ela, solta e divertida, fez que sim "Não adianta, ruiva. A única coisa que mantinha meu interesse preso aos seis anos era futebol"

"Como muito bem mostrado por todas as suas fotos" ela retrucou, beliscando meu queixo "Também não sabe nada, Sirius?"

Ele negou.

"Seria ótimo se me dissessem que vieram aprender, mas perdi essa esperança há quinze anos" minha mãe comentou, recomeçando a andar em direção ao fundo da estufa "Quando eles tinham uns treze anos, eu tentava convencê-los dizendo que as mulheres adoravam receber flores e tudo o mais, mas não deu certo"

"Flores morrem. Em dois dias, elas estão mortinhas" Sirius falou ao meu lado, tentando soltar um sorriso inocente – o que não era muita coisa, claro, porque ele era quem era – na direção das duas quando elas o olharam "O que foi? Não é mentira"

"Flores são românticas"

"Podem ser. Mas..."

"São um gesto de carinho e afeto"

"Qualquer outro presente é um gesto de..."

"E tem toda uma simbologia carregada"

"... A quem eu estou tentando enganar? Nunca vou ganhar essa discussão"

Nós três rimos.

"E pode deixar, ruiva" falei, piscando-lhe o olho "Eu compro umas para você na volta do trabalho. Não é como se me sobrasse muita opção depois dessa"

"Não, não sobra" Lily concordou, mordendo o lábio inferior "Adivinhe minhas preferidas"

"Mãe? Ela deu alguma dica?"

Ela sorriu.

"Aquelas dali" disse, apontando para um grupo de flores que começavam brancas e terminavam rosadas "É uma pena que não saiba o nome"

Até mesmo eu ri.

"Isso quer dizer que vai trabalhar hoje?"

"Tenho que"

"E já vai?"

"Assim que terminarem aqui" concordei "Mas, de verdade, não estou apressando ninguém"

Horário não era mesmo o mais importante, especialmente agora.

"Achei que fossem viajar"

"Todo mundo sabia, menos eu?"

"É esse o sentido da palavra 'surpresa'" brinquei, apertando seus dedos, mas desviei logo os olhos para a minha mãe "É amanhã à noite, a viagem. Voltamos dia cinco"

"É exatamente o dia em que o Sirius vai viajar" ela respondeu "Não é?"

Ele fez que sim.

"Tokio?"

"É"

"O que vai fazer lá?" Lily perguntou, os olhos piscando na direção dos dele com um pouco de curiosidade "Trabalho?"

"É" ele sorriu de canto em uma meia provocação "Quer algum presente de lá?"

Lily não respondeu, estreitando os olhos para ele e contendo a expressão como se contivesse, também, uma careta. A partir daí, então, a conversa rondou tanto flores quanto presentes para Sirius trazer para a gente, mas assim que terminamos de mostrar a Lily tudo o que tinha por ali, voltamos para a casa e chamamos um táxi.

Mas parecia que nenhum de nós queria ir embora.

"Foi um prazer, Lily" minha mãe disse para ela assim que eu voltei do táxi depois de ter deixado os presentes lá, dando um espaço para as duas enquanto se abraçavam em despedida "Me diga se ele acertou nas flores"

"Pode deixar" ela respondeu, sorrindo "E o prazer foi meu"

Elas desfizeram de vez o abraço e Lily, então, seguiu para o meu pai. Eu continuei ali, olhando para Dorea, sorrindo para ela depois que me deu um beijo no rosto.

"Eu gostei dela. Adorei" corrigiu-se, rápido, baixando um pouco o tom de voz "Traga-a aqui mais vezes"

"Muitas" concordei, beijando sua testa "Beijo"

E, então, segui para Sirius – Lily ainda conversava com meu pai – e o abracei em despedida, esperando ouvir uma ou outra provocação dele sobre isso tudo e já sorrindo, pronto para retrucar.

Mas ele não disse nada.

"Que horas você viaja?"

"À noite. Chega de manhã?"

Fiz que sim, sem precisar de mais nada para marcarmos a saída. Era a vantagem de ser homem ou, ao menos, de sermos nós dois; nunca precisávamos de mais nada para marcar alguma coisa "Até lá"

E fui em direção à Lily e meu pai, apertando o ombro da primeira logo depois que ela baixou o braço do aperto de mãos. Ela sorriu para mim, feliz, antes de se afastar e seguir para Sirius, falando alguma coisa que o fez rir e, a mim, sorrir.

Demais.

"Boa viagem" ele me disse "Apareça depois dela"

"Deixa comigo"

"E com a Lily"

Abri o sorriso "Sempre"

Sempre.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Ei ^-^

Aqui estou eu, depois de mais um capítulo dificílimo de ser escrito – condes e condessas não são encontrados em cada esquina no Rio, sabe – e de mais quarenta e sete mil passos na relação dos dois. Se bem que, pelo o que vem por aí no futuro, eu diria que isso daí não é nada, absolutamente nada ;3

Fiquem na expectativa mas, acho, vocês já pode arriscar uma ou duas coisas.

Bom, gente, tenho que ser rápida nessa nota. Então, vou dedicar logo o capítulo à Nathália – faaaaaala, xará ;D – e, mais uma vez, me jogar aos pés da bal – live. Perdi a capacidade de encontrar palavras para o quanto ela está me ajudando por aqui *-*

Obrigadaaaaa ^-^

E, quanto às reviews, obrigada a Mila Pink; 28Lily; NG; Mrs. Nah Potter; Justine Sunderson; Nathália, Samantha; Sophie; Ev. Potter; bal – live.

BeatrizM – engraçado, tenho a impressão de que meus capítulos são gigantes. Lembra os do início da fic? Quando eu chegava a dez mil palavras ficava impressionada e, agora, vinte mil não são mais suficientes XD E tudo isso só tende a... piorar? ^-^
Sobre as dicas... sabe, escritores não são nada sem leitores. A única coisa que prefiro num desses e-books é a possibilidade de você anotar nas páginas e todo mundo que está online ver as suas anotações, inclusive o escritor do livro digital. Precisamos de opiniões; vamos lá, por mais que você seja capaz de idolatrar HP, você não sente vontade de sacudir a JK e dizer que ela foi muito estúpida em uma parte do livro? É por aí. Peguei a dica da culinária, mas vou ficar devendo as outras duas; vinho tinto fica reservado à Paris, e o champagne... bom, você vai ver ;D
Beeeeeijos ;*
PS: eu já pensei várias vezes em escrever um livro. Mas... sabe essa história de escrever sobre o que se conhece? Então, acho que não conheço muita coisa ainda, entende? Não tenho maturidade para carregar uma história, acho. Não uma com os meus personagens, as minhas idéias, o meu enredo. Quem sabe aos vinte, quando já planejo ter feito várias, mas várias coisas. Sua opinião?
PPS: uma dica. Nada, nada, vai ficar tão bom quanto você imagina. Sempre tem uma expressão que você não vai conseguir descrever, sempre vai haver cenas necessárias, mas que você vai odiar escrever e, por isso, todas elas vão parecer uma merda. Você sempre vai ficar com a idéia de que poderia ter sido melhor – porque, para você, o significado de 'melhor' vai mudar sempre que você perceber as várias possibilidades que a cena poderia ter tomado – e muitas, mas muitas vezes, você vai pensar que aquilo foi a pior coisa que você escreveu. Uma dica é pedir a opinião de pessoas... ahn, com um nível limitado de intimidade. Sempre cresça com as críticas ^-^

Maria – ah, não, acho que você assinou sim. Tenho que ir lá ver – é um problema, juro que é. Quer dizer, estou no Word e só consigo a internet no laptop reserva (fui assaltada) quando ligo o roteador do celular. E, você sabe, não é como se fosse uma internet vinda do melhor computador do mundo – mas tenho quase certeza absoluta de que sim ^-^ Quer dizer, se for sua a conta. Porque a última review que eu recebi para lá tinha conta, e... tanto faz, você simplesmente não vai entender como a minha mente funciona XD
Bom, sobre Drinks, só tenho a agradecer pela review. E dizer que sim, eu entendo; quando estou desesperada para ler, só um tipo de leitura – que não, não vou dizer qual é u.u – passa longe mesmo em momentos de desespero. None taken, sweetie ^-^
Beeeeeijos ;*
PS: Harry? Hmmm...

Li - ahh, não tinha te contado isso antes? Essa situação foi verdadeira, juro que foi. Só que... estou surpresa por não ter me lembrado de comentar sabendo da sua história com Salamanca ;D E pode deixar, os dois prometem muita coisa em Paris...!

Ju Darkside – ei, eu vi a sua fic...! Vi e deixei review, você viu? A música é simplesmente linda, a história fofa e os diálogos apaixonantes. Sabe quando você sente inveja de um personagem? Então. Foi exatamente isso.
De novo, os filmes. Sério, esse assunto me dá nos nervos. Simplesmente porque... bom, você viu minha nota em 'Guerra'? Juro, desabafei tudo o que eu tinha direito para falar mal dos filmes. O que mais me estressa é o Remus em PdA, quando fala que o reconheceu por causa dos olhos e por todo o diálogo dessa cena. Mas, se eu me alongar nisso, você vai me chamar de maluca e psicótica e fanática-por-James. Não que seja exatamente mentira mas, mesmo assim, nunca é bom deixar provas para trás XD

(oi, você tem nome? XD) – ahh, reparou que eu não disse quais são os presentes? É o desespero, nem eu posso me ajudar nessa XD Acho esse mundo – da nobreza – tão fascinante mas, ao mesmo tempo, tão intimidador. Imagine a Lily, tadinha, com a idéia de que tem um conde e uma condessa à sua frente que, ao mesmo tempo, são os pais do seu namorado? Se, normalmente, já é difícil encontrá-los – 'ai, será que eles estão me achando mal-educada, deselegante, brusca? Será que ela vai odiar o fato de que não sei cozinhar, será que ela vai me achar feia e insuficiente e blábláblá' -, a palavra 'impossível' é quase cabível à situação dela.
Mas acho que ela se saiu bem. Você?
Beeeeijos ;*
PS: eu teria um orgasmo múltiplo ao receber uma blusa toda autografada do Fluminense ^-^

É isso, gente. Beeeeeijos ;*

PS: nota sem revisão. Perdoem qualquer erro ^-^