N/A: Aí você percebe que jogou metade dos personagens para o escanteio e decide focar em alguém diferente. É. Enfim, vamos ao que importa, não é?


Mori estava treinando com o time de basquete da faculdade. Apesar de os alunos não gostarem muito de sua presença, ninguém negava que o moreno jogava bem e era uma grande ajuda para o time. O rapaz não se importava por não ser "melhor aceito" devido à participação no time. Afinal, gostava dos amigos que tinha e a ideia de se separar deles não o agradava. Especialmente de Mitsukuni.

Mas, recentemente, o moreno vinha aceitando a ideia de que não era só Mitsukuni.


Mei estava passando pela área das quadras, distraída com os próprios pensamentos. Imaginava quando conseguiria a quadra livre novamente. Poderia chamar o restante do pessoal e fazerem alguma brincadeira entre eles. Ela sorriu de canto com a ideia. Então, quando estava chegando perto do ginásio, ouviu um forte barulho vindo de dentro. "Devem estar treinando…", ela se aproximou e leu na programação pregada à porta os times que tinham reservado a quadra. Naquele horário, era o pessoal do basquete masculino. Ela imaginou se haveria alguém de sua sala.

"Não custa nada entrar e dar uma olhadinha…", a garota empurrou a porta de acesso o suficiente apenas para passar e tornou a fechá-la. Devido ao barulho da torcida, era difícil que alguém a ouvisse, mas ela preferia não chamar atenção. Em passos calmos, ela foi até o começo da área da arquibancada e ficou em pé na porta, olhando a quadra. De onde estava, era difícil reconhecer alguém, mas ela se sentia hesitante demais para ir para a parte da frente da torcida.

Mas havia alguém inconfundível correndo na quadra.

Mei sentiu o rosto ferver e fechou com força as mãos unidas diante do corpo. Sentia o coração batendo um pouco mais rápido e as pernas fraquejarem levemente. "Ele fica tão sério jogando…", ela se apoiou na parede. Seus orbes acompanhavam automaticamente os movimentos do rapaz. "Ele parece tão feliz… Não parece certo que o privemos de estar onde ele se sente confortável…", ela sorriu de canto com um ar tristonho. Era melhor ir embora.

Quando Mei virou de costas para se retirar, o aviso de que o segundo tempo tinha acabado soou.

A garota apenas continuou andando para a saída.


Mori parou de correr quando ouviu o apito que indicava o final do tempo. Seus colegas se cumprimentavam, conversavam, riam. Ele apenas encarava a tabela, um tanto ofegante. Tinha visto, durante o jogo, alguém entrar na arquibancada e ficar em pé por alguns minutos. Ele se virou para olhar na direção da porta em que tinha visto a garota, vendo apenas o que supôs ser a saia de um vestido longo sumindo na escuridão. Ele sorriu de canto e respirou fundo. Não sabia se estava certo, mas dificilmente errava. A garota o tinha visto jogar.


Mei andava apressada pelos corredores, indo para a sala de aula sem olhar para ninguém no caminho. Estava andando naquele ritmo desde que saíra da quadra, mas não se importava. Ainda sentia o rosto vermelho, mas atribuía ao ritmo acelerado. Assim como o coração batendo a mil por hora. Seu telefone tocava em sua bolsa, que ia pendurada ao ombro e colada ao corpo, mas ela não parou para ver o que era. Quem quer que fosse, poderia esperar.

A morena entrou na sala e foi para seu lugar de costume na primeira fileira. Gostava de ficar próxima dos professores porque assim prestava mais atenção. Então, depois de respirar fundo algumas vezes para desacelerar o ritmo de seu coração, ela pegou o telefone na bolsa e olhou quem era. Tinha recebido duas mensagens e tinha uma ligação perdida. Ela começou pela ligação, que era de um número desconhecido. "Isso foi no meio da aula, então não deve ser algum conhecido…", ela abriu a pasta de mensagens recebidas.

A primeira era de Hana, dizendo que ela estaria livre no último horário e queria saber dos amigos. Mei respondeu que tinha aula, mas, dependendo do professor, poderia sair mais cedo. Então passou para a seguinte. A mensagem era de Hani e vinha com vários símbolos que indicavam a animação do garoto. A morena sorriu de canto ao reparar no ar infantil que as diversas carinhas davam à mensagem. Então decidiu ler o que o loiro tinha enviado.

Eu vi que você apareceu no ginásio hoje! (carinha feliz) Gostou de ver o Takashi jogando? (carinha empolgada) Eu sempre vou ver! Eu queria contar, mas ele não deixou… (carinha chorando) Ele achou que vocês pudessem pensar alguma coisa errada (carinha triste) apesar de eu ter certeza de que todo mundo entenderia! (carinha muito feliz) E então, quer que eu te avise quando tiver o próximo? (carinha empolgada 2) Podemos ir juntos! (carinha se despedindo)

Mei cobriu a boca com a mão para abafar o riso. Não achou que tivesse sido vista, mas, talvez, o próprio Takashi a tivesse visto. Suas bochechas arderam com o pensamento e ela escondeu o rosto com a mão. Precisava responder ao amigo ainda. Ela juntou coragem e disse que adoraria saber quando era o próximo treino. Além disso, os dois deviam falar com o resto do grupo, porque era mais provável que todos se empolgassem com a notícia.

Quando o professor entrou na sala, Mei guardou o telefone e pegou o material.

Ela não percebeu que sorria de canto.


Mori sempre saía do vestiário antes dos demais integrantes do time. Tinha se habituado a isso porque, fora das quadras, a única coisa que importava era que ele fazia parte da turma dos "excluídos". Ele não se importava se falassem dele, mas não suportava ouvir o que diziam de seus amigos. Falavam com extrema maldade especialmente das meninas. Sobre como elas já deviam ter aprendido a lição depois de tudo que aconteceu. Depois de um ano na universidade.

No começo, o moreno se preocupava em saber do que os outros falavam para tentar entender alguma coisa que não tinha sido lhe dita. Mas, com o tempo, ele percebeu que a maior parte das conversas era apenas o veneno dos alunos e que não valia a pena se submeter a isso. Desde então, ele era o primeiro a sair. Hani sempre o esperava do lado de fora, carregando às vezes o coelhinho cor de rosa. Naquele dia, felizmente, o loiro estava sem a pelúcia.

- Vamos? – a voz de Mori soava indiferente, mas ele sorria levemente de canto.

Hani sorriu largamente ao ver a felicidade do primo.

- Sim! – depois de um tempo de caminhada, o loirinho se virou para o moreno, falando com empolgação – Eu vi a Mei-chan no treino hoje!

Mori baixou o olhar para o primo, sem responder.

- Ela viu só o final do segundo tempo, mas falou que vai tentar ver o próximo treino! – Hani sorriu e esticou os braços para cima – Ela parecia empolgada! Acho que ela gostou mesmo de te ver jogando!

O moreno tornou a olhar para frente, sorrindo discretamente.

- Vai ser bem legal se ela conseguir vir no próximo! – Hani dava alguns pulinhos e parou na frente do moreno antes de concluir – Não acha, Takashi?

Mori concordou com a cabeça. Ele não reclamaria se Mei fosse aos treinos.


Jenna, que estava em um período livre, tinha ido até a porta da sala do professor de sua aula online. Tinha pensado em uma série de desculpas que poderia dar, mas nenhuma parecia suficientemente boa. A morena suspirou e bateu na porta. Uma mulher loira, alta, de porte atlético e olhos azuis atendeu. Quando Jenna a viu, sentiu parte de suas esperanças irem embora. Mesmo assim, ela perguntou pelo professor. A mulher sorriu como quem não gosta do que diz e respondeu que ele não estava por motivo de doença.

- Ah, que pena… Eu precisava mesmo falar com ele. – Jenna deu de ombros – Bom, passo aqui outro dia então. – ela sorriu para a mulher e agradeceu, indo embora em seguida.

"Sem aliança. Ela deve ser ajudante ou então é outra professora. Aquela sala é de dois professores, mas não me lembro do nome do segundo. Pode ser ela", Jenna desceu as escadas do prédio até o térreo e checou o celular. De acordo com a mensagem que o professor mandara em resposta ao e-mail dela, a conversa poderia ser tanto na sala dele quanto em sua casa. Jenna conferiu o endereço e a hora. Tinha tempo de sobra para fazer uma visitinha e voltar para ir para casa com as amigas.

Ela sorriu de canto. Aquilo seria interessante.


Benjamin, depois que John e Frederick encontraram algo com que se distraírem, tinha voltado para o quarto de hotel. O rapaz repassava mentalmente a conversa com os gêmeos na cantina depois que John tinha saído. O moreno tinha perguntado o que Hikaru tinha contra John, recebendo um grunhido ininteligível em resposta. Kaoru brigou com o irmão e falou que era bobagem do outro, que não havia nada com que se preocupar. Benjamin duvidava.

"Ele provavelmente ficou com ciúme de algo que o John fez… Pra variar", ele se levantou da cama e foi até diante do espelho, tirando a camiseta que usava. No meio do peito, marcando sua pele até quase o umbigo, uma cicatriz se fazia visível. Toda vez que Benjamin olhava para ela, pensava no que tinha acontecido anos antes, quando os oito tinham entrado no colégio. Apesar de terem feito o Ensino Fundamental e o Ensino Médio na mesma escola, vários colegas tinham mudado. A tradição de manter os filhos na mesma escola nos dois períodos vinha se perdendo.

"Mas as pessoas continuam sendo idiotas", ele acompanhou a cicatriz com o indicador, franzindo o cenho ao se lembrar de como a tinha conseguido. Naquele momento, o comentário de John lhe voltou com força à mente. "'Os idiotas ficaram mais hostis', não é? Você estava comparando com os idiotas do colégio? Ou com a recepção que tivemos quando chegamos na faculdade delas pela primeira vez?", ele tornou a vestir a camiseta. Ele se lembrou do que Anastácia tinha dito pouco depois. "'Se começarem com aquilo de novo, vai ser um inferno'. Aquilo o que? Pelo que vocês passaram na nossa ausência? Que parte da vida de vocês nós três perdemos…?", ele se sentou na cama e fitou as mãos no colo.

- O que aconteceu com vocês…? – o telefone tocando o tirou do transe em que estava entrando. Benjamin se esticou e pegou o aparelho sobre o criado-mudo – Benjamin, pois não? – tinha respondido no automático, cumprimentando quem ligava da forma como costumava falar quando atendia ao telefone no trabalho.

Hana riu do outro lado.

- Nossa, Ben, por que tão formal? Sou só eu.

- Hana! – ele sorriu largamente e se levantou, indo até o frigobar – Diga lá, moça bonita. Do que precisa?

A garota riu de novo antes de responder. Sentia falta das conversas descontraídas que costumavam ter.

- A Anny me disse algo que me intrigou. Você andou trocando palavrinhas com os gêmeos? E não nos contou nada? Estamos ofendidas, fofo. – o tom de voz delatava que ela sorria.

- Ora, não achei que fosse relevante. Só queria entender o desprazer do Hikaru em relação ao John. Tem alguma coisa a ver com a Cat. – ele pegou uma garrafa de água e tornou a deitar na cama – O que me diz? Posso saber o que se passa?

- Ah, o Hikaru gosta dela. – Benjamin podia visualizar mentalmente a morena dando de ombros do outro lado da linha só pelo tom de voz usado – Acho que ele não gostou de ver o John abraçando com tanto afeto nosso brinquedinho. – ela riu – E você, como anda aquela história lá?

Benjamin tomou um longo gole de água antes de responder.

- Não faço ideia do que você está falando, meu amor. Sabe que eu só tenho olhos pra vocês. – ele sorria largamente, falando com um ar zombeteiro.

- Sei. Aham. Quer as cinco juntas numa bandeja de prata ou prefere que a gente saia de um bolo? – Hana ria – Responde o que eu quero saber, droga!

Benjamin riu.

- Não deu em nada, o que é uma droga. Mas eu vou sobreviver. Tenho ainda três dias para uma de vocês resolver levantar meu humor.

Hana suspirou, mas se divertia com a conversa.

- É, você vai ter que ver com a Jenna isso aí. – os dois riram e então Hana continuou – Mas que pena que não deu certo, meu amor.

- Acontece. A maioria tira o corpo fora depois de ver a marca no meu peito. Sabe como é, as pessoas sempre entendem as coisas erroneamente. – ele deu de ombros e bebeu outro grande gole da garrafa de água. O clima da conversa tinha ficado um pouco pesado, de forma que o rapaz decidiu mudar de assunto – E você? Já conversou com o cara lá? Kyouya, não é? O Fred ta se roendo de ciúme, sabia?

Hana riu.

- Quero nem saber o motivo. Ele sempre foi muito possessivo com a gente. Mas ainda não conversamos. Sei lá, não to muito com vontade…

- Deixa de ser medrosa, garota. Nem parece a Hana que se jogava na frente dos imbecis toda vez que alguém mexia com alguma das meninas.

- É diferente, Ben. – Hana sorria de canto – Você sabe disso.

- Sei. Mas não é tão diferente assim. A conversa é como se fosse um dos garotos imbecis. Você precisa peitá-la. E você sabe que tem peito suficiente para isso. – Benjamin sorriu de canto – E, se me permitir o comentário…

Hana entendeu o final da frase em suspenso.

- Benjamin! – ela riu – Isso é coisa que se diga?

- Mas eu não disse nada. Só deixei subentendido. – ele se divertia com a conversa, terminando a garrafa de água – Por que não cola no hotel com as meninas? O John e o Fred devem chegar logo mais. A gente janta, vai dar uma volta. O que acha?

- Você quer desculpa para beber. – Hana suspirou - Ta tão mal assim?

- Não quero desculpa pra beber. Não preciso de desculpa. Eu preciso de vocês. – ele jogou a garrafa de plástico vazia no cesto de lixo – Eu não preciso beber pra melhorar. E o bom de vocês aparecerem aqui é que você pode trocar uma ideia com o Fred. O coitadinho precisa.

- Eu não tenho nada pra dizer a ele. Mas o Fred podia conversar com o Kyouya. – Benjamin ouviu o barulho de folhas sendo reviradas do outro lado – Por que não sugere isso a ele?

O rapaz riu.

- Você quer que seu futuro namorado quebre o nariz? – quando Hana não respondeu, o moreno riu – A gente já sabe que você cai de amores por ele.

Hana grunhiu alguma coisa e se despediu. Benjamin ria de canto ainda com a conversa e logo tinha desligado também. Não era má ideia Frederick conversar com Kyouya, desde que os dois não estivessem sozinhos. Ele precisava falar com John sobre a ideia para traçarem um plano de ação antes de colocar o loiro na jogada.